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George Martin, autor de “Game of Thrones”, lança o livro “Fogo e Sangue”.

“Eu passei a primeira metade da minha carreira sendo escritor de ficção científica, e não de fantasia. E, se tem uma coisa que eu aprendi com a ficção científica, é que nós somos uma espécie só. Muros parecem legais numa cidade medieval, mas gostaria de acreditar que já passamos dessa fase”, declarou George R.R. Martin, autor da famosa saga de livros “Game of Thrones”.

O escritor dialogou na cidade de Nova York, nesta terça-feira, dia 20 de novembro, com diversos jornalistas da Europa e latino-americanos, entre os quis um repórter da Folha de São Paulo a respeito de seu novo livro, “Fogo e Sangue”, que foi publicado por aqui, pela Suma de Letras, um selo da editora Companhia das Letras.

Esse livro corresponde ao primeiro volume da história da família Targaryen, os invasores originários de Valíria que utilizaram as chamas dos dragões que guiavam para conseguir fazer dos Sete Reinos de Westeros o seu vasto terreno de dominação, construindo um poderoso império.

Assim que for encerrada, a trama revelará minuciosamente todos os 283 anos em que os senhores de dragões exerceram controle sobre o continente.

Apesar de terem perdido o trono cerca de 15 anos antes do começo dos acontecimentos de “Game of Thrones”, os Targaryen podem retornar ao poder na série da HBO (e nos livros nos quais ela é baseada), por causa da única herdeira da família que ainda está viva, Daenerys, também conhecida e chamada como Khaleesi.

Martin, apesar de alguns avisos prévios da equipe, não se esquivou das perguntas, mesmo aquelas mais delicadas.

O comentário a respeito da Muralha, a nível, foi instigado por uma pergunta a respeito do uso de aspectos de sua obra nas discussões da era Trump. “Bom, não acho que o presidente seja o tipo do cara que lê livros, talvez nem mesmo os que ele mesmo diz que escreveu”, trolou Martin.

Ele declara ser avesso a ver suas histórias como representações de situações reais delimitadas, como as mudanças climáticas. “É claro que você pode ler a história dessa maneira, mas lembre-se de que o primeiro livro [até agora, são cinco] foi publicado em 1996, quando havia muito menos debate sobre o aquecimento global. Grandes ameaças que exigem a união de toda a humanidade sempre existiram -não que tenhamos tido muito sucesso nesse tipo de união até hoje.”

Há duas coisas que influenciam enormemente “Game of Thrones” e “Fogo e Sangue”, de acordo com o autor. A primeira delas é a aclamada obra do britânico J.R.R. Tolkien (1892-1973), mais conhecido pela trilogia de “O Senhor dos Anéis”.

A segunda influência nada mais são do que as maravilhosas histórias populares a respeito do universo medieval, sobretudo a respeito de dinastias como os Plantagenetas. “Não leio nada em revistas acadêmicas nem teses de doutorado -só narrativas que contem uma boa história, com bons personagens”, complementa.

Martin diz que quase nunca se diverte escrevendo. “É trabalho, portanto é coisa séria”, explana melhor. Ele faz questão de utilizar um computador obsoleto, dotado de sistema operacional DOS, o antiquado processador de texto WordStar (que já saiu de linha), capítulos armazenados em disquetes e, obviamente, sem qualquer tipo de acesso à internet. “O único jeito de me hackearem é invadir fisicamente a minha casa”, afirma.

O autor deu um sorriso maroto quando lhe questionaram sobre o momento em que começa o livro “Fogo e Sangue”, na parte em que se cita a probabilidade de que o primeiro Aegon Targaryen (também chamado de Aegon, o Conquistador) tenha realizado a sua invasão de Westeros por ter feito uma previsão do que o continente necessitava buscar se unir a fim de enfrentar uma ameaça terrível futuramente

“Bem, essa é uma pergunta muito interessante, mas não sei se posso respondê-la, não é?”. “Sabemos que os Targaryen, além do dom de domar dragões, também tinham a fama de possuir certos poderes proféticos, que podiam ou não levar a previsões sobre o futuro. Vamos descobrir logo.”

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