Sociedade

TDAH: Diagnóstico é maior entre crianças com escolarização precoce

Um recente estudo da universidade de Harvard, nos Estados Unidos, aponta um dado preocupante. Quanto mais cedo as crianças começam o processo de escolarização, mais chances de serem diagnosticadas com TDAH. E nem sempre o diagnóstico é correto: a interpretação parte da falta de maturidade comum à idade. Ou seja, crianças mais novas são mais agitadas em relação ao grupo. E têm sido medicalizadas à toa por isso.

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade inclui sintomas como desatenção grave, inquietude e impulsividade. Há uma polêmica desde o surgimento desse diagnóstico, pois seu próprio criador, Leon Eisenberg, o desmentiu mais tarde.

Parte da comunidade científica aponta que há um excesso de diagnósticos e medicalização em relação ao TDAH. Os sintomas, nessa perspectiva, poderiam estar associados ao estilo de vida contemporâneo. No caso da escolarização, um modelo que impõem tantas demandas desde cedo poderia ocasionar tais problemas.

Questão de idade

O levantamento Attention Deficit-Hyperactivity Disorder and Month of School Enrollment, publicado no New England Journal of Medicine, trouxe registros de 407 mil crianças. A partir desses documentos, foi possível observar que as mais novas em cada grupo tinham um risco 30% mais elevado de serem diagnosticadas com TDAH.

Levando em conta as características de cada idade, os pesquisadores puderam identificar que os comportamentos interpretados como TDAH eram inerentes à fase da criança. Esse diagnóstico errôneo ocorreria com mais frequência nos 5 primeiros anos de escolarização.

Sofrimento legítimo

No entanto, vale notar que os sintomas que integram esse diagnóstico também são baseados em sofrimento legítimo. Em uma avaliação correta, a criança apresentaria incapacidade de prestar atenção, impulsividade e comportamento de risco, por exemplo. Ou seja, teria grandes dificuldades no dia a dia e sua integridade estaria em jogo.

Como indicam os pesquisadores de Harvard, a questão é ter um olhar mais atento a cada caso e considerar as instituições e a idade de inserção da criança. Assim, é possível evitar o uso de medicamentos de forma desnecessária.

 

Jornalista formada pelo Mackenzie/SP, foi uma das finalistas do prêmio Jornalistas & Cia/HSBC de Imprensa e Sustentabilidade. Com interesse especial em temas sociais, direitos humanos e comportamento, também é discente do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IP/UFRJ).

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