Sociedade

Holandês entra na justiça para mudar de idade

Essa história inusitada vem direto da Holanda: um homem de 69 anos acaba de entrar na justiça para mudar de idade. A justificativa? Ele se sente mais jovem do que realmente é. Sua intenção é ser declarado com 49 anos.

Ao The Washington Post, Emile Ratleband indicou que deseja alterar o ano de nascimento de 1969 para 1949. De acordo com o homem, o pedido não difere daqueles que envolvem a troca de nome ou gênero na certidão, pois deveria se considerar a percepção de cada um.

Motivo da solicitação

Na entrevista ao jornal, Ratleband  declara que sua vida seria bem melhor se estivesse oficialmente na casa dos 40. E a justificativa é um tanto inusitada: o uso do Tinder. De acordo com ele, fica muito difícil arrumar encontros expondo a verdadeira idade. Sobre a opção de “falsificar” a data no aplicativo, se declara contra tal prática e não quer mentir explicitamente. Mesmo porque, segundo ele, seria muito difícil sustentar uma mentira por um longo tempo.

Além disso, a falta de oportunidades no mercado de trabalho se mostra um impasse para o holandês – que já foi padeiro e hoje trabalha como “coach”. Os clientes questionam se ele sabe falar a “língua dos jovens”. Mesmo com a resposta afirmativa, os interessados preferem contar com alguém no “auge” da vida.

“Você está louco?”

Essa foi a frase que Ratleband ouviu ao comunicar aos oficiais da pequena cidade de Arnhem, na Holanda, sobre as suas intenções. De fato, comparar a mudança de idade no papel com uma mudança de gênero, por exemplo, implica inúmeras questões que vão além da liberdade de escolha.

Mas um ponto a se considerar é que a população mundial está envelhecendo e isso traz algumas mudanças. Até 2050, esse grupo deve somar 2.4 bilhões, segundo relatório emitido pelo Fundo de População das Nações Unidas em 2011. Ao mesmo tempo, no cenário atual, valoriza-se cada vez mais a juventude.

Esses dois fatores colocam um impasse que ficará cada vez mais evidente em atitudes exageradas como a de Ratleband. Nesse sentido, soluções para melhorar a qualidade de vida e mudar estereótipos sobre a terceira idade parecem imprescindíveis.

 

Jornalista formada pelo Mackenzie/SP, foi uma das finalistas do prêmio Jornalistas & Cia/HSBC de Imprensa e Sustentabilidade. Com interesse especial em temas sociais, direitos humanos e comportamento, também é discente do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IP/UFRJ).

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