Sociedade

Após legalização, já falta maconha no Canadá

Quase um mês após a legalização da maconha para fins recreativos, o Canadá passa por uma situação já esperada: falta erva nas prateleiras. Isso se mostra um problema por dois lados. Primeiramente, comerciantes que investiram nesse negócio não estão lucrando o suficiente para pagar as contas; em segundo lugar, o mercado ilegal se aproveita do momento para recuperar antigos clientes.

Fato é que a corrida às gôndolas se deu muito por conta da qualidade do produto. A maconha autorizada é mais “pura” do que a vendida nos becos, sem misturas que podem ser prejudiciais ao usuário.

Nova cadeia produtiva

Em matéria veiculada pelo New York Times, especialistas apontam que, assim como outros nichos de mercado, este deve encontrar um equilíbrio em breve. A procura pelo produto já era esperada, mas superou as expectativas – rapidamente, os estoques ficaram desabastecidos. Nesse sentido, os produtores e comerciantes precisam enfrentar o desafio de otimizar uma nova cadeia produtiva, o que não acontece do dia para a noite.

No fim de outubro, quando houve a legalização, centenas de pessoas formaram filas para adquirir legalmente a sua porção. Foi um momento histórico, pois tende a ser uma espécie de “teste” para que outros países sigam o mesmo caminho. O Canadá se tornou o segundo país do mundo a legalizar a maconha para fins recreativos: o primeiro foi um vizinho do Brasil, o Uruguai.

Mercado agressivo

Os produtores do mercado ilegal não perdem tempo na tentativa de recuperar clientes. O delivery de maconha, por exemplo, já serve de diferencial nesse período de “escassez”. A lei da oferta e da demanda eleva preços e abre espaço para diferentes estratégias, como a mencionada. No entanto, a tendência aponta o equilíbrio na medida em que produção e mecanismos envolvidos sejam adequados aos níveis de consumo.

A marcha lenta do governo federal para autorizar novos produtores foi um empecilho nesse primeiro momento, mas a cautela também visa preservar a qualidade. O Canadá, sem dúvida, se mostra muito à frente do nosso tempo.

 

Jornalista formada pelo Mackenzie/SP, foi uma das finalistas do prêmio Jornalistas & Cia/HSBC de Imprensa e Sustentabilidade. Com interesse especial em temas sociais, direitos humanos e comportamento, também é discente do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IP/UFRJ).

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