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Crítica: Creed II (2018)

Os filmes de Rocky Balboa são um verdadeiro clássico do cinema, sobretudo o primeiro filme, Rocky I e Rocky IV. Aliás, o filme Rocky IV serve como base de inspiração para o filme que estreou ontem, Creed II, que além de tudo, marca o fim de Sylvester Stallone no papel de Rocky Balboa.

Para quem assistiu todos os filmes dessa “franquia”, sabe que Rocky IV se passa no contexto da Guerra Fria, onde o boxeador Rocky Balboa é desafiado para lutar contra um campeão da União Soviética, o corpulento e fortíssimo Ivan Drago. Após uma luta emocionante, Rocky vence.

Na realidade, Creed II mistura elementos não somente de Rocky IV, mas também os acontecimentos que envolvem diretamente Apollo Creed, que morreu após uma luta brutal e difícil com Ivan Drago (fato esse que ocorreu antes de Rocky lutar com Ivan Drago).

Esse fato marcou a vida de Rocky e também de Adonis Creed, filho de Apollo Creed. No caso de Rocky, este carrega um peso na consciência e uma intermitente reflexão sobre o peso de suas escolhas relacionadas à essa luta. Já para Adonis, isso mexeu mais fortemente e diretamente em sua vida, uma vez que ela jamais conheceu o pai e isso exigiu muitos sacrifícios e luta da mãe dele.

Em Creed II, Adonis já conquistou um certo nome, já obteve um certo status. Ele se casa com Bianca Taylor e tudo está aparentemente bem. Até que ele é desafiado por ninguém menos que Viktor Drago, o filho do icônico Ivan Drago para uma luta.

De certa forma, podemos entender Creed II como uma espécie de sequência de Rocky IV. Contudo, o pano de fundo e o foco são completamente diferentes.

Vale dizer logo de cara que Creed II é recheado de clichês, durante vários momentos. Entretanto, muitas cenas simplesmente nos deixam estarrecidos, tensos e empolgados.

Um primeiro ponto negativo é com relação a atuação de Dolph Lundgren, que foi bastante fraca, sem sal e não convenceu em nenhum momento. A atuação dele foi tão ruim que quase estraga os elementos que motivam Ivan Drago e querer que seu filho lute com Adonis Creed.

Há uma cena que deixou bastante a desejar e foi broxante, que foi a do encontro de Ivan Drago com Rocky Balboa. Quando Rocky adentra no restaurante Adrian e tem alguém esperando por lá. Esse alguém é justamente Ivan Drago. É de se esperar algo bombástico, impactante, uma cena que se tornaria icônica, porém não foi nada disso que aconteceu. Faltou emoção e drama para o momento.

Foi interessante ver como a luta com Rocky impactou a vida de Drago e entender as razões e motivos que o levaram a querer trazer esse passado à tona novamente para desfazer as consequências que ele carregou no presente. As cenas na Ucrânia e Rússia são bastante ricas em termos de enredo e narrativa, porém mais uma vez  atuação de Lundgren deixa a desejar.

Outro ponto negativo é o fato de que o filho de Drago, Viktor Drago fica bastante apagado na história, se tornando um mero acessório na narrativa. Essa relação pai-filho poderia ser melhor trabalhada. Aliás, fica latente, bem sutilmente, um conflito interno vivido pelo filho de Drago, mas isso quase não é explorado,o que deixa uma lacuna incômoda na história.

A obra é carregada de nostalgia, o que é bastante interessante e acrescenta densidade à história. O passado é algo que permeia a vida tanto de Rocky quanto de Creed, cada qual tendo que lidar com seus “monstros” particulares. O impacto das escolhas e o peso desse passado fica bem evidente nas falas e ações de Rocky, o qual é mais uma vez bem interpretado por Stallone. Rocky fica sozinho e não se relaciona bem com seu filho. O seu papel de pai ele caba exercendo de certa forma com Creed. Um dos pontos positivos da obra é como isso é mostrado e trabalhado ao longo da narrativa, evidenciando-se os conflitos e angústias do personagem.

Michael B.Jordan também manda muito bem no papel de Adonis Creed, conseguindo passar toda a complexidade e variedade de sentimentos e pensamentos que atravessam a mente e coração do personagem.

O filme traz algumas reflexões como, obviamente, o peso do passado em nossa vida presente, as escolhas e suas consequências, como lidar ou não com esse passado e além disso tudo, como trilhar nosso próprio caminho e encarar as situações e tomar decisões pelas razões certas, pois isso influencia diretamente nossas vidas.

Creed II, para além de toda a emoção da luta, exibe um drama denso, complexo e profundo, recheado de sentidos e ressignificações.

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