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Fracasso de público marca a primeira rodada da Copa América

A Copa América do Brasil teve seu início na última sexta-feira, com a vitória de 3×0 da seleção brasileira sobre a Bolívia. O Morumbi, local da abertura do torneio, recebeu 47.2260 torcedores, o que corresponde a 69,7% da capacidade total do estádio. Este foi o maior público registrado na primeira rodada do torneio, o que deixou seus organizadores preocupados e em busca de alternativas para resolver o problema. Vale lembrar que embora seja um torneio da Conmebol, entidade que manda no futebol sul-americano, a operação da Copa América é de responsabilidade do Comitê Organizador Local (COL), empresa formada no Brasil especialmente para este fim.

Públicos e rendas na Copa América

PARTIDA PÚBLICO PAGANTE PÚBLICO PRESENTE RENDA BRUTA INGRESSO MÉDIO OCUPAÇÃO
Brasil x Bolívia – Morumbi 46.342 47.260 R$ 22.476.630,00 R$ 485,01 69,7%
Venezuela x Peru – Arena do Grêmio 11.107 13.370 R$ 2.400.080,00 R$ 216,08 19,9%
Argentina x Colômbia –Arena Fonte Nova 34.950 35.572 R$ 9.259.710,00 R$ 264,94 69,0%
Paraguai x Catar – Maracanã 19.162 Não divulgado R$ 2.381.305,00 R$ 124,27 28,9%
Uruguai x Equador – Mineirão 13.611 Não divulgado R$ 1.534.535,00 R$ 112,74 21,9%

 

O presidente da Conmebol Alejandro Domínguez deu uma declaração antes do início da Copa América dizendo não ser possível fazer promoções para baixar os valores dos ingressos. Mas diante dos fatos, algumas possibilidades serão analisadas esse início de semana para tentar contornar a situação atual. Uma destas possibilidades é aumentar as parcerias, como as já realizadas no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul.

No Rio de Janeiro, 4 mil ingressos foram doados para a Secretaria Estadual de Educação, que os distribuíram para alunos da rede pública. O mesmo aconteceu em Porto Alegre, onde 1.800 ingressos foram doados para a Secretaria de Esporte e Lazer, que os distribuiu para escolas e associações esportivas.

Além de resolver o problema da falta de público, os organizadores do torneio sul-americano terão que explicar dois pontos importantes que criaram discussões na imprensa:

1. Disparidade entre renda e público no jogo de abertura do torneio, disputado entre Brasil e Bolívia no Morumbi.

A renda de R$ 22.476.630,00 dividida pelo número de 46.342 pagantes (como foi anunciado nos telões do estádio) resultam num ingresso médio de R$ 485. Não faz sentido, levando em consideração que os ingressos foram vendidos a R$190, R$290, R$390 e R$590. Esses valores se referem ao preço inteiro. Estudantes, idosos, professores e pessoas com deficiência pagaram meia. O Comitê Organizador Local (COL) da Copa América foi procurado mas, até o momento, não responderam.

Outra ponto relativo ao jogo de abertura que gera desconfiança é o fato da própria assessoria de comunicação do COL ter informado dias antes que os ingressos estavam esgotados. Durante a partida, os telões do Morumbi informaram que haviam no estádio 46.342 pagantes e 47.260 presentes, cerca de 20 mil pessoas a menos do que a capacidade total do estádio. O COL também não respondeu a essa pergunta. 

2) As arquibancadas vazias no Maracanã, na Arena do Grêmio e no Mineirão

Três dos cinco primeiros jogos do torneio tiveram públicos muito abaixo da capacidade dos estádios em que foram disputados: Peru x Venezuela em Porto Alegre, Paraguai x Catar no Rio e Uruguai x Equador em Belo Horizonte, todos com taxa de ocupação inferior a 30% (veja tabela acima). O COL não divulga quantos ingressos são colocados à venda em cada partida, por isso levamos em consideração a capacidade de cada estádio para fazer essa conta. 

A preocupação é óbvia: se no fim de semana os públicos foram tão baixos, não há motivo para imaginar que serão melhores nos dias úteis. Há uma avaliação na Conmebol de que os preços estipulados foram altos demais. As altas rendas, em contraste com os baixos públicos, são uma prova disso.

As cinco primeiras partidas da Copa América registraram média de 25.034 pagantes, o que não estão nem entre as cinco melhores do Campeonato Brasileiro da Série A deste ano.

Mas a renda média de R$ 7.610.452 seria quatro vezes maior que a arrecadação média do Palmeiras, o clube que mais fatura com bilheteria no Brasileirão.

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