Histórico

SALTO PARA O FUTURO: um diálogo interativo entre os professores do Brasil*  

O programa Salto para o Futuro teve início em 1991, em fase experimental, como "Jornal da Educação - Edição do Professor", concebido e produzido pela Fundação Roquette-Pinto, hoje Associação de Comunicação Educativa Roquette-Pinto (ACERP) para atender às diretrizes políticas do Governo Federal, a fim de fomentar programas de Educação a Distância, com o financiamento do FNDE. Em 1992, já com abrangência nacional, passou a chamar-se Um Salto para o futuro. Em 1995, denominando-se Salto para o Futuro, foi incorporado à grade da TV Escola, ocupando uma das faixas da programação do canal.

Interatividade é uma palavra que está em voga. Há muitos sentidos para esse termo. Aqui, vamos nos apropriar da seguinte noção expressa por Bartolomé Pina: "(...) se entende por interatividade o fato de que ambos os extremos do canal de comunicação participam, emitindo mensagens que são recebidas e interpretadas pelo outro extremo e que, de alguma maneira, influem no modo como o diálogo continua a se desenvolver."1

É a partir dessa citação que queremos refletir o programa Salto para o Futuro, da TV Escola, por ocasião dos seus dez anos.

Ao falarmos em Educação a Distância no Brasil, nos reportamos ao programa de formação continuada de professores que há mais de uma década  vem estabelecendo um diálogo com a comunidade escolar de todo o país. Salto para o Futuro, programa da TV Escola, canal educativo do Ministério da Educação, tem como proposta a formação continuada de professores. O Salto, como é conhecido entre os professores, conjuga os recursos da Educação a Distância como a utilização de material impresso, recursos tecnológicos como TV, fax, telefone e Internet a momentos presenciais, nas telessalas  de recepção organizada, nas quais, com a mediação de um orientador de aprendizagem, os professores discutem e participam com questões que são constituintes do programa. 

O objetivo é debater diferentes tendências no campo da educação e contribuir para a reflexão da prática em sala de aula.

Por meio do Salto, propostas pedagógicas da atualidade vêm sendo discutidas, em séries temáticas.

O programa tem uma especificidade: sendo ao vivo, tem a sua estrutura pensada para a participação interativa dos professores, organizados em telessalas, nos mais diversos pontos do país, permitindo assim um diálogo permante com os diferentes programas do MEC, com a própria programação do canal e com os mais diversos projetos no campo  da Educação no país.

É importante ressaltar que o Salto para o Futuro é mais do que um programa de televisão. A principal característica do programa é, por meio da Educação a Distância, preservar a dimensão do diálogo como espaço de interações tão ricas quanto imprevisíveis. É justamente este aspecto a interatividade que torna o Salto um programa que se constrói a cada dia, a partir da participação dos professores.

O que podemos destacar de um projeto de formação de professores que se constitui como um processo interativo? Por um lado, como essa participação tem interferido na concepção dos programas? E, por outro lado, de que forma a discussão que acontece ao longo dos programas se reflete na prática dos professores?


Esse é um processo, em permanente construção. As telessalas constituem um espaço que extrapola a mera recepção dos programas. São múltiplas trocas que se estabelecem a cada dia, e que se prolongam em outros espaços de atuação do professor: a comunidade, a escola, a sala de aula...

O Salto para o Futuro, ao longo de cada um desses dez anos, vem buscando caminhos para discutir a educação no Brasil. E o que esse diálogo com os professores tem revelado?
Questões de ordem meramente metodológica? Ou deixa entrever as histórias profissionais, os conhecimentos de vida, as angústias e alegrias? O que os tem motivado na sua participação ao longo de uma década? O que os professores esperam do programa? O que suas dúvidas, suas inquietações, suas hesitações e seu desejo de obter respostas deixam entrever? O que os leva a participar de um projeto de formação continuada, por opção?

Podemos pensar em uma comunidade de professores, que trocam informações, experiências? Há também o desejo de ter voz e vez, através de questões que muitas vezes denunciam situações de trabalho que precisam ser melhoradas, como a falta de tempo para o estudo, a questão salarial, o número, muitas vezes, excessivo de alunos por turma.
Há uma expectativa permanente por respostas pontuais, que envolvem o cotidiano do professor. Existe também um freqüente entusiasmo de falar de experiências exitosas. Como pano de fundo, percebe-se uma vontade de exercer o direito à formação profissional continuada, buscando uma sintonia com as tendências atuais da educação. Em busca de    um entendimento deste processo, procurando conhecer melhor quem é o professor e como acontece o trabalho nas escolas, continuamos a cada ano, a partir das avaliações e da análise dos programas a renovar este diálogo


Notas

*Rosa Helena Mendonça - Supervisora pedagógica do programa Salto para o Futuro/TV Escola.

1 Bartolomé Pina. - "Sistemas multimídia". In Para uma tecnologia educacional.
Juana Sancho, (org.). Porto Alegre, ArtMed, 1998.