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Artigos e Entrevistas:
Para compor os vídeos do programa, são realizadas entrevistas, das quais apenas uma parte é veiculada na TV. As questões são formuladas de acordo com as diferentes séries temáticas e com a produção dos mais diversos profissionais da educação e áreas afins. Neste espaço, você terá acesso às entrevistas na íntegra.
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Letícia Vianna - O patrimônio imaterial se difere do patrimônio material, primeiro pelo instituto de salvaguarda, o patrimônio material é tombado. Com esse tombamento, ele é preservado na sua natureza, podendo até ser restaurado. O patrimônio imaterial não pode ser tombado, porque ele é dinâmico. Ele não existe materialmente, ele é processual, dinâmico, ele se funda na transmissão dos saberes.
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Carlos Rodrigues Brandão - A submissão de povos indígenas, de afrodescendentes, de nossa gente do povo aos poderes senhoriais, os poderes, não só econômicos, mas também políticos e também da mídia, nunca se realizou completamente. Existe tanto no que é sagrado, como no que é profano, aquilo que é religioso, como aquilo que é apenas festa e alegria, um desejo, uma libido, uma vontade, uma vocação de continuar pondo na rua, fazendo existir aquilo que é próprio, aquilo que é deles, aquilo que traduz a nossa maneira de ser.
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Cláudia Márcia Ferreira - O patrimônio, ele não está restrito só a um passado, ele é um bem do presente também, porque ele é um bem que a gente vai trazendo e vai transformando. Eu acho que daí a importância da manutenção desse patrimônio, não como uma coisa que passou, mas como uma coisa que está presente hoje.
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Ana Gita - Os conhecimentos sobre a forma de trabalhar a terra, conhecimento sobre a seleção de sementes, o conhecimento de como produzir remédios a partir de plantas encontradas na natureza, os sentimentos. Tudo isso sempre está organizado e iluminado pela cultura. Então, esses bens são considerados patrimônio imaterial e eles têm uma natureza muito específica, eles são processuais e dinâmicos, eles se transformam historicamente.
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Ana Maria Mauad - Não há História sem memória. E o fundamental é marcar essa diferença. Você tem um trabalho de rememoração, quando eu rememoro com os meus filhos a trajetória daquilo que gerou a nossa família. Então, isso é um trabalho de rememoração. Ele constrói identidade, cria significado e cria coesão de grupo. Quando a história toma a memória como objeto, ela cria um olhar distanciado. E faz a seguinte pergunta: por que é importante lembrar? E por que as sociedades históricas são lembradas?
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Itamar Silva - O jovem está num mundo marcado pelo consumo e a maioria desses jovens não tem condição de responder a essa pressão continuada desse consumo, logo cada um vai buscar suas alternativas. Alguns acham que a alternativa vai ser o mundo do crime, outros acham que vai ser trabalhando e entregando remédio, trabalhando em uma farmácia, outro acha que vai ser sendo artista, cada um tem uma coisa na cabeça, mas na verdade todos eles estão pressionados pelo mesmo mercado, pela mesma pressão do consumo.
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Paulo Freire - A escola cidadã, no meu entender, é aquela que se assume enquanto um centro, um centro de direitos e um centro de deveres; a formação que se dá dentro do espaço e do tempo que caracterizam a escola cidadã é uma formação para a cidadania. Quer dizer, a escola cidadã é, então, a escola que viabiliza a cidadania de quem está nela e de quem vem a ela.
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Joel Rufino - A não incorporação à pedagogia brasileira geral dos elementos principais dos contextos culturais que temos resultou em algum prejuízo. Então, se poderia dizer que (...) as crianças negras têm dificuldades de alfabetização, de aprendizado na escola, porque nada que é do seu mundo foi incorporado pela escola. Da mesma forma se poderia repetir o raciocínio para a população indígena, para as crianças indígenas.
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Boaventura Santos - É evidente que a ciência, ao ser constitutiva, ela tem que ser uma parte da nossa sociabilidade, desde muito cedo. Não é apenas nas escolas e no ensino formal. É também em casa, é na família, é na rua, é nos bairros, que ela tem que ter lugar. E são os cidadãos... é uma forma daquilo que nós chamamos, hoje, aprendizagem ao longo da vida.
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Muniz Sodré - Como é que a escola pode incluir as minorias, mesmo a escola primária? Como a escola básica, fundamental, pode se tornar fórum de repercussão das inquietações, das angústias das crianças e de suas famílias? A mesma coisa com a universidade, com a escola secundária. Inclusão de minorias é a criação de espaço de fala, de um espaço de discussão de cada um, e isso é que é difícil fazer na escola. (Entrevista concedida em 20 de maio de 2002)
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Lívia Fraga Vieira - E tempo de infância é tempo de brincar, é tempo de conhecer, é tempo de ficar sujo, é tempo de ler, de gostar de ouvir uma história, de contar uma história, de falar coisas, de pegar, de experimentar. Então, a educação infantil ela tem que ser esse espaço, de vida, de experiência, de ampliação das experiências, da possibilidade de as crianças viverem uma infância feliz.
(Entrevista concedida em 06 de abril de 2005).
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Cecília Goulart - Na sala de aula, a partir da intervenção do professor, as crianças poderão refletir sobre como é que se escreve, porque se usa uma letra e não se usa outra... É preciso haver essa intervenção sistemática do professor na perspectiva da correção ortográfica, porque os alunos querem escrever certo, eles não querem escrever errado, eles sabem que escrever certo tem um valor na sociedade. (Entrevista concedida em 06 de fevereiro de 2004).
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Olga Câmara - Eu vejo assim o papel fundamental do educador, o professor está em sala de aula, o professor está no convívio diário com a criança e com o adolescente. Ele faz parte da nossa vida. Qual de nós não se lembra com carinho de um professor que nós tivemos na primeira infância ou na adolescência? Então, o professor, ele está formando a criança e ali ele consegue detectar, inclusive, uma criança que foi abusada sexualmente....(Entrevista concedida em 14 de novembro de 2003).
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Anne Marie Chartier - Recentes pesquisas de opinião pediram a adolescentes que citassem seus livros preferidos para, depois, compará-los aos livros recomendados pelos professores como leitura obrigatória. O fato surpreendente, até mesmo para pesquisadores foi que, com freqüência, há uma correlação entre os livros prescritos pelos professores e o os livros escolhidos pelos alunos.
(Entrevista concedida em 1999).
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Roger Chartier - A tarefa essencial, difícil, quase impossível da escola, é ir contra as desigualdades herdadas, inclusive no nível econômico, que são fundamentalmente internalizadas como categorias de percepção do mundo. E daí me parece que há um tema absolutamente essencial: a cultura escrita, a familiaridade com o escrito, a transmissão dos textos que ajudam a pensar a relação que cada um de nós tem com o mundo social(...).
(Entrevista concedida em 25 de junho de 2004.)
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Sonia Kramer - Formar professor, seja para lidar com criança pequena, tem a ver com fazer a formação cultural deste próprio professor (...) para que ele possa atuar com essa criança, como sujeito da cultura. (...)Quando eu falo trabalhar na formação cultural desse professor, é que ele também possa se ver como esse produtor da cultura.
(Entrevista concedida em 06 de abril de 2005.)
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Bruna Franchetti - “ Para os povos indígenas, hoje, a escola é vista como um espaço e um tempo para adquirir conhecimentos necessários sobre o mundo dos brancos, e instrumentos necessários para com ele lidar. " (Entrevista concedida em 14 de julho de 2004).
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Joel Birman - É preciso saber que tipo de imagem você está oferecendo. Em toda a idade clássica nós fomos educados pela pintura. A pintura é uma educação pelo olhar, em que nós temos um tipo de gosto, um tipo de acesso ao mundo que a palavra escrita não nos oferece. Então, tem uma dimensão que as artes plásticas, as artes visuais oferecem, que é fundamental (...).
(Entrevista concedida em 21 de maio de 2003.)
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Joel Zito Araújo - Agora eu acho que a televisão, como um todo, hoje, ela é muito conservadora, ela está muito mais repetindo fórmulas e só quer apostar naquilo em que ela tem segurança de audiência. (...). Eles têm apostado naquilo que é extremamente popularesco, de mau gosto. Enfim, a televisão perde o compromisso com o lado da educação (...).
(Entrevista concedida em 03 de julho de 2002.)
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Nei Lopes - O samba é essa diversidade, inclusive essas formas mais modernas, supostamente mais modernas, que emanam da Bahia com muita sensualidade, com muita, o chamado samba-axé, ou samba de quebradeira, são tradições também bastante arcaicas do Recôncavo Bahiano (...).
(Entrevista concedida em 03 de junho de 2004)
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Maria Cláudia Cardoso Ferreira – Ano retrasado, eu perguntei para os alunos: - Quais os grupos que formaram a sociedade brasileira? (...)Alguns falaram dos indígenas, mas nenhum aluno falou dos negros (...)Perguntei para elas, por que, numa escola com vários alunos negros, vocês não falaram do negro enquanto povo, africano, que veio para cá e colonizou o país também?
(Entrevista concedida em 09 de junho de 2004)
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Osmar Favero - No final de 1962 para 1963, o MEB se redefine como Movimento de Educação de Base, na linha da Educação Popular. Aí se aproxima de Paulo Freire, assume a categoria de formação de consciência como conscientização, aí há um movimento que é mais ou menos simultâneo a todos os movimentos (...).
(Entrevista concedida em 18 de julho 2003)
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Maria Tereza Esteban - “No meu ponto de vista, o principal movimento da avaliação da escola, como um todo, deveria ser estabelecer práticas dialógicas por meio das quais as diversas esferas escolares pudessem estar dialogando entre elas e dentro delas, e que essa prática dialógica se torne uma prática que vá alimentando a reflexão sobre o processo educacional (...).
(Entrevista concedida em 12 de fevereiro 2004)
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Magda Soares - “A televisão, e também o computador, são novas linguagens. Então, devem ser tratados como novas linguagens, que a escola deve desenvolver, porque estão aí presentes. A televisão, por exemplo, o aluno deve aprender a ser um leitor crítico da televisão. Da mesma forma que a gente desenvolve habilidades para leitura do texto no papel (...).
(Entrevista concedida em 07 de outubro 2002)
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Edgar Morin - “Hoje, por exemplo, a ciência não é somente a experiência, não é somente a verificação. A ciência necessita, ao mesmo tempo, de imaginação criadora, de verificação, de rigor e de atividade crítica. Se não há atividade crítica, não há ciência. É preciso diversidade de opiniões.”
(Entrevista concedida em 02 de dezembro 2004)
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Antonio Nóvoa - “Há, certamente, um conhecimento pedagógico que pertence, às vezes, aos pedagogos, às pessoas da área da educação, e que os professores devem de ter também. Mas, além disso, há um conhecimento profissional que não é nem um conhecimento científico, nem um conhecimento pedagógico, que é um conhecimento feito na prática (...).
(Entrevista concedida em 13 de setembro 2001)
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