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Novas formas de aprender: comunidades de aprendizagem

Beatriz Corso Magdalena 1
Iris Elisabeth Tempel Costa 2



Hoje, o mundo se acha interligado por uma tessitura de redes que cresce vertiginosamente (ciberespaço), potencializada por ferramentas de comunicação e informação que vão sendo criadas e disponibilizadas na Internet.

Nunca houve tanta comunicação escrita e oral entre pessoas que habitam espaços distantes e diferenciados e que jamais tiveram contato presencial.

Estas novas ferramentas, integradas nas tecnologias de comunicação já existentes, abriram inúmeras oportunidades de fazermos parte de grupos virtuais.

Esses grupos formam verdadeiras comunidades, que ficam acessíveis quando nos conectamos na Internet, e são constituídos em função de interações sociais, que se realizam em torno dos interesses comuns de seus membros. Assim, sua estrutura organizacional identifica-se com a estrutura de grupos ou associações da “vida presencial” e a adesão a eles também depende da identificação que o indivíduo tem com o grupo escolhido. Aderir a uma ou mais comunidades virtuais e interagir com seus membros fornece, a cada um, um sentido de unidade e de pertencimento.

Howard Rheingold3 vai além quando define comunidades virtuais como agregações sociais que emergem da rede, quando um bom número de pessoas continua seguindo discussões públicas [que usam a Internet] por tempo suficiente, com sentimentos humanos suficientes, para dar forma a redes de relacionamentos no ciberespaço.

Dentre as diferentes comunidades virtuais existentes, nesta série vamos focar as comunidades virtuais constituídas com a finalidade de compreender as potencialidades da rede nos processos de aprendizagem de alunos e na formação continuada de professores.
Nessas comunidades, na medida em que os participantes realizam trocas entre si, seja oferecendo sua opinião em uma discussão, seja compartilhando alguma informação ou experiência que possa interessar, o desenvolvimento e os rumos da comunidade vão sendo traçados de forma coletiva. São esses movimentos que levam todo o grupo a encaminhar-se para novos tópicos de discussão ou novos caminhos de experimentação.

Neste aspecto, as tecnologias digitais têm um duplo papel: propiciam trocas em múltiplas direções e, ao mesmo tempo, lançam novidades que desafiam constantemente os grupos a analisar e explorar as possibilidades abertas por elas, auxiliando na tomada de consciência de que se está em um processo de aprendizagem constante e sempre inacabado.
Esta diversidade de ferramentas e o modo como é distribuída a informação possibilitam que a aprendizagem se faça por caminhos nunca antes percorridos tão intensamente, onde há uma dupla via de alimentação entre os processos cognitivos individuais e os processos coletivos, entre nossas teorias e as novas técnicas, entre nossos métodos e os novos meios de acesso à informação. Conseqüentemente, para acompanhar e fazer parte deste processo, precisamos desenvolver novas estratégias e novas competências que podem ter reflexos importantes em sala de aula, por exemplo. Um professor que faz parte de uma comunidade virtual, que se sente desafiado, que aprende com ela, reconhece ser necessário auxiliar seus alunos a também explorarem esta nova fonte de informações, nos processos de construção de conhecimento e de novas competências.

Assim, é viável dizer que as Comunidades Virtuais de Aprendizagem promovem um novo modo do ser, de saber e de apreender, onde cada novo sistema de comunicação da informação cria novos desafios, que implicam novas competências e novas formas de construir conhecimento. É interessante ressaltar que essas novas formas de aprender, que estão surgindo, aproximam-se, cada vez mais, da maneira com que os seres humanos constroem naturalmente a sua inteligência. Por isso mesmo, talvez não sejam “novas formas”e sim um efetivo enriquecimento das formas naturais de aprender, uma vez que a inteligência se desenvolve sempre na e pela interação, fator não reconhecido ou considerado pelo ensino tradicional.

E, se aliarmos a isso a velocidade com que o ciberespaço cresce em número e tipos de documentos e interações, poderíamos afirmar que uma das competências mais importante seria a de gestor do conhecimento4. Ou seja, como aprender a gerenciar, de forma criativa e produtiva, o caudal de informações, para que seja matéria relevante para a construção de redes cognitivas individuais? Como aprender a receber, selecionar, organizar, trabalhar analiticamente as informações para compreender o problema em estudo? E como apresentar o novo conhecimento para que se transforme em valiosa informação a ser utilizada pelos outros?

Resumindo, podemos dizer que essa série pretende dialogar com os professores a respeito das possibilidades que as comunidades virtuais de aprendizagem e as ferramentas da Internet oferecem para o apoio efetivo e em serviço aos professores.

Temas que serão debatidos na série Novas formas de aprender: comunidades de aprendizagem, que será apresentada no programa Salto para o Futuro/TV Escola, de 22 a 26 de agosto de 2005:

PGM 1: Potencialidades de uma lista de discussão enquanto comunidade virtual
O primeiro programa da série tem como intenção mostrar como uma lista de discussão pode reunir pessoas em torno de um objetivo comum e, a partir disso, disseminar informações e experiências, importantes para a formação continuada das mesmas.

Como exemplo, vamos apresentar a lista de discussão da Comunidade Proinfo que reúne, atualmente, mais de 850 professores, pesquisadores, coordenadores, diretores de escolas e especialistas. A intenção é evidenciar como essa comunidade cria e experimenta novas práticas, teoriza sobre as mesmas e busca desenvolver novas formas de aprender e usar tecnologia, para contextualizar e enriquecer a aprendizagem dos alunos, nas escolas.
Daremos ênfase aos processos interativos, capazes de sustentar e ampliar o trabalho coletivo, do qual resultou um portal – Ponto de Encontro (htttp://pontodeencontro.proinfo.mec.gov.br) – cuja intenção é a abertura da comunidade para outras comunidades, socializando com elas o material prático-teórico produzido.

Cabe, ainda, discutir como as trocas virtuais favorecem o desenvolvimento de novas competências, tanto no professor como nos alunos: partilhar idéias e argumentar, valendo-se exclusivamente do suporte escrito, ouvir críticas, avaliar e reformular o seu trabalho em função delas (co-autoria), conviver com novos tipos de interação cognitiva e social, interpretação e leitura diferenciadas.

PGM 2: Ambientes virtuais que potencializam as relações de ensino-aprendizagem
A intenção desse segundo programa é discutir ambientes virtuais de aprendizagem que sustentam ações cooperativas entre grupos de professores e entre alunos.
Serão apresentadas algumas plataformas virtuais que podem dar suporte a este tipo de ação e como, nestes ambientes, relações heterônomas podem ser construídas.

http://www.eproinfo.mec.gov.br
http://www.clubedematematica.com.br
http://amadis.psico.ufrgs.br

PGM 3: Blog e Flog como recursos de aprendizagem
Neste programa serão apresentadas e discutidas ações desenvolvidas com o uso de Blog e Flog, com objetivos educacionais. Pretende-se discutir a possibilidade de usá-los tanto numa perspectiva individual – o sujeito traçando seu percurso – quanto numa perspectiva social, visando formar novas comunidades virtuais em torno de interesses comuns, mas voltados para atividades pedagógicas.

PGM 4: Ferramentas disponíveis na web que desafiam o desenvolvimento da comunicação
Nesse programa, serão discutidas as vantagens na aprendizagem do uso de ferramentas gratuitas, existentes na internet, que podem ser utilizadas pelos professores para desencadear o interesse pela leitura e pela escrita.

Serão mostradas ferramentas que possibilitam a criação de livros virtuais, criação de histórias coletivas, murais virtuais (webnote), wiki e equitext.

PGM 5: Novas formas de aprender, novas formas de avaliar
Nesse programa, a avaliação será discutida em suas novas facetas, tendo em vista as mudanças nas formas de aprender. Se a ação para aprender é diferente, a ação avaliativa de quem aprende e de quem orienta a aprendizagem também deverá ser diferente, acompanhando os pressupostos que norteiam as novas propostas. Se a ênfase está na interação e na relação entre pessoas que constroem juntas, a avaliação terá que acompanhar esse processo, nas suas diferentes etapas. Daí o uso de ferramentas que permitam o registro histórico do processo tais como equitext, wiki e mapas conceituais.

Notas

1- Professora aposentada da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Bióloga, Mestra em Educação, pesquisadora do Laboratório de Estudos Cognitivos (LEC) da UFRGS. Mediadora da Lista Comunidade Proinfo. Autora de livros e publicações sobre Tecnologia, EAD e formação continuada de educadores. Criadora de ambientes virtuais de aprendizagem. Consultora dessa série.

2- Psicóloga. Mestre em Psicologia do Desenvolvimento. Doutoranda em Informática na Educação no PGIE/UFRGS. Pesquisadora do Laboratório de Estudos Cognitivos (LEC) da UFRGS. Mediadora da Lista Comunidade Proinfo. Autora de livros e publicações sobre Tecnologia, EAD e formação continuada de educadores. Criadora de ambientes virtuais de aprendizagem. Consultora dessa série.

3- Rheingold, H. Virtual Communities.
http://wiki.media-culture.org.au/index.php/Virtual_Communities

4- Pozo, Juan I. A sociedade da aprendizagem e o desafio de converter informação em conhecimento.

 

SALTO PARA O FUTURO / TV ESCOLA
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