JOGOS E BRINCADEIRAS: DESAFIOS E DESCOBERTAS |
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APRESENTAÇÃO CRISTINA LACLETTE PORTO 1 A série Jogos e brincadeiras: desafios e descobertas, que será apresentada pela TV Escola, no programa Salto para o Futuro, de 7 a 11 de abril, é composta por cinco programas que pretendem oferecer caminhos para o aprofundamento das reflexões sobre a criança, os brinquedos, as brincadeiras e os jogos, abordando experiências na área de educação que valorizam esses temas e que encontraram formas de incorporá-los. Desde
o nascimento, as crianças são mergulhadas num contexto social. Os
adultos que convivem com elas, quando se transformam em parceiros de seus
jogos e brincadeiras, muitas vezes não se dão conta da importância de
cada gesto, de cada palavra, de cada movimento. Alguns desses adultos
cantam, transmitem conhecimentos e ensinam brincadeiras. Outros pensam que
as crianças não entendem nada e que só é preciso cuidar para que não
fiquem doentes, não passem fome, frio ou sede. A
brincadeira é uma forma privilegiada de aprendizagem. Na medida em que vão
crescendo, as crianças trazem para suas brincadeiras o que vêem,
escutam, observam e experimentam. As brincadeiras ficam mais interessantes
quando as crianças podem combinar os diversos conhecimentos a que tiveram
acesso. Nessas combinações, muitas vezes inusitadas aos olhos dos
adultos, as crianças revelam suas visões de mundo, suas descobertas. Atualmente,
as crianças começam a freqüentar cada vez mais cedo as instituições
voltadas para elas, como as creches e as escolas de Educação Infantil.
Nesses espaços, o brincar é, muitas vezes, desvalorizado em relação a
outras atividades, consideradas mais produtivas. A brincadeira acaba
ocupando o tempo da espera, do intervalo. Valorizar a brincadeira não é
apenas permiti-la, é suscitá-la. Ao
observarmos atentamente o modo como as diferentes crianças brincam, é
possível perceber que os usos que fazem dos brinquedos e a forma de
organizá-los estão relacionados com seus contextos de vida e expressam
visões de mundo particulares. O
objetivo geral dessa série é apresentar as questões atuais que envolvem
a criança e o brinquedo e possibilitar que os adultos envolvidos com a
educação reflitam e desenvolvam ações, tendo como base a importância
e a necessidade do ato de brincar. Para
compreender o que está em jogo quando a criança brinca, se faz necessário
analisar o suporte material ou imaterial que desencadeia tal ato, o
ambiente, os momentos a ele destinados e as pessoas que dele participam. As
crianças precisam de tempo, espaço, companhia e material para brincar.
Quanto mais as crianças vejam, ouçam ou experimentem, quanto mais
aprendam e assimilem, quanto mais elementos reais disponham em suas experiências,
tanto mais considerável e produtiva será a atividade de sua imaginação.
A escola pode e deve reunir todos esses fatores e o papel do professor
nesse processo é fundamental. Temas
que serão abordados nos programas desta série: PGM 1 Pensando a infância e o direito de brincar Que lugar foi ocupado pela criança nos diversos momentos históricos? A história da infância no Brasil tem contornos próprios pela maneira como se deu sua construção. São as formas de organização da sociedade e as condições de existência e de inserção da criança em cada contexto social, econômico, político e cultural que vão delineando as diferentes concepções de infância e as diferentes formas de ser criança. Portanto, nas histórias individuais e coletivas das crianças brasileiras não tivemos e não temos uma resposta única às perguntas: o que significa ser criança? Quando deixamos de ser crianças e nos tornamos adultos? PGM 2 O brinquedo como objeto de cultura: brinquedos industrializados e artesanais Existem dimensões funcionais e simbólicas inscritas no brinquedo. Podemos compreender essas dimensões a partir do material de que foi fabricado, da forma e/ou desenho, da cor, do aspecto tátil, do cheiro e dos sons nele encontrados. Que conhecimentos podem ser revelados por meio dos brinquedos e materiais lúdicos oferecidos às crianças? O que indicam os brinquedos que compõem os acervos das creches e das escolas? Como estão arrumados? Que propostas lúdicas podemos encontrar? PGM 3 Brincadeira ou atividade lúdica? O que é a brincadeira? O que está em jogo quando a criança brinca? A brincadeira é um processo de relações entre a criança e o brinquedo e das crianças entre si e com os adultos. O ato de brincar é muito importante para o desenvolvimento integral da criança. As crianças se relacionam de várias formas com significados e valores inscritos nos brinquedos. Existem várias possibilidades de brincar: solitariamente; em grupo; entre crianças de idades diferentes; entre adultos e crianças; de adultos entre si. Existem diferenças também entre: brincadeiras organizadas pelas próprias crianças; brincadeiras tradicionais; jogos; atividades lúdicas propostas pelo adulto, com conteúdos específicos a serem atingidos. Como garantir o espaço e o tempo para que as diversas modalidades de brincar aconteçam? A escola tem garantido o direito da criança à brincadeira? Quais são os desafios e as possibilidades? PGM 4 Jogos e brincadeiras no contexto escolar A grande maioria dos jogos tradicionais já era muito antiga no século XVI. Alguns deles, como a amarelinha, por exemplo, continuam capazes de despertar a curiosidade e o prazer das crianças nos dias de hoje. Se os jogos tradicionais têm força para atravessar o tempo e o espaço, por que tão poucos conseguem atravessar os muros das escolas? São várias as condições necessárias para o desenrolar de jogos e brincadeiras, garantindo certa liberdade de escolha pela criança. O papel do adulto é fundamental nesse processo, pois o ambiente que a cerca influencia suas experiências lúdicas. Como planejar ações que respeitem a criança e suas formas de expressão? PGM 5 A formação lúdica do professor Quais
as experiências de formação vividas pelos professores? Em que medida a
importância do brinquedo e da brincadeira é levada em conta nesse
processo? Essa formação deve ser permanente e deve favorecer uma ampla
formação cultural, para que os professores possam redimensionar o seu
olhar sobre as crianças e suas práticas. O espaço da educação é um
amplificador de experiências e de práticas socioculturais para todos os
sujeitos envolvidos. Como deve ser uma formação que permita aos adultos
experimentarem, descobrirem e conhecerem as possibilidades que os jogos,
brinquedos e brincadeiras possuem? Que experiências existem na
perspectiva de proporcionar uma experiência transformadora, que contribua
para a construção de uma outra concepção do lúdico e para uma
intervenção de melhor qualidade junto aos alunos, independentemente da
idade que tenham? NOTAS: 1 Coordenadora da Brinquedoteca HAPI e professora do
Curso de Especialização em Educação Infantil da PUC-RIO.
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SALTO PARA
O FUTURO / TV ESCOLA | |