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Educação a Distância na universidade do século XXI
PGM 5 - Texto 1 - Educação presencial com tecnologias: possibilidades da Portaria n. 2.253/2001 |
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Angela Maria Zanon
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POSSIBILIDADES E EXPERIÊNCIAS NO CURSO TV NA ESCOLA E OS DESAFIOS DE HOJE A educação a distância, com a conseqüentemente incorporação das tecnologias da comunicação e informação na educação, em todos os níveis do ensino, incluindo a formação continuada de jovens e adultos, vem sendo discutida e apropriada pelas instituições de ensino. Ela surge da necessidade de se atender a um maior número de estudantes e profissionais, de forma eficiente e a baixos custos, sem que haja a necessidade de se ausentarem dos locais de estudo e/ou de trabalho. Mesmo sendo uma das formas de democratização do ensino, a EAD vem sendo tema de discursos bastante veementes quanto à definição do perfil do educador e dos educandos da atualidade, assim como da eficiência desta modalidade de ensino em seus diversos níveis. Faz-se necessário, portanto, repensar o projeto político-pedagógico, promover algumas discussões a respeito do papel que esse educador, dito professor-tutor, passa a desempenhar e das implicações dessa modalidade de ensino/aprendizagem. Assim, o ato político de insersão da EAD e, conseqüentemente, das tecnologias da comunicação e da informação no ambiente universitário, além de estabelecer novos papéis para o educador e para o educando, insere a figura do tutor, introduzindo uma nova relação no ambiente da aprendizagem: a relação tutor/cursista. Embora muitas universidades brasileiras estejam ofertando cursos a distância, em suas diversas modalidades, estes papéis ainda estão sendo discutidos pelos seus atores dentro deste novo paradigma. A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul vem produzindo e ofertando cursos de extensão, especialização e graduação na modalidade a distância, dentre estes o curso de extensão “TV NA ESCOLA E OS DESAFIOS DE HOJE”, produzido em parceria com as universidades públicas consorciadas à UniRede e com a SEED/MEC. Este curso tem por objetivo “capacitar profissionais de instituições públicas de Ensino Fundamental e Médio para o melhor uso, no cotidiano escolar, dos recursos proporcionados pelas tecnologias da informação e da comunicação, com ênfase na comunicação audiovisual educativa”. Com base nesse objetivo, os professores/cursistas têm acesso ao curso de extensão através do material impresso dividido em três módulos, e aos vídeos veiculados pelo canal TV Escola. Além disso, cada grupo de 100 alunos possui um tutor que acompanha o seu desenvolvimento ao longo do curso, possibilitando contatos via telefone, fax, carta ou e-mail. A UFMS vem ofertando este curso desde sua primeira edição em outubro de 2000. A equipe de tutores é formada por mestres e mestrandos, oriundos, principalmente, do curso de mestrado em Educação, do Centro de Ciências Humanas e Sociais da UFMS. A qualificação de nosso grupo de tutores nos permitiu, desde a primeira edição do curso, verificar a riqueza do material que tínhamos em mãos, e avaliar, através de um projeto de pesquisa, as possibilidades, os problemas e as potencialidades do uso da TV e do vídeo, como apoio pedagógico para os professores que atuam no Ensino Fundamental e Médio. Esse projeto de pesquisa já nos proporcionou a produção de quatro artigos científicos que foram apresentados em congressos, produzidos pelas(os) tutoras(es) ou em parceria com elas(es)3. Através das análises que nos levaram à produção destes artigos científicos, pudemos chegar aos seguintes objetivos: - compreender e avaliar a função do tutor, através do discurso dos professores/cursistas, expresso em suas atividades e em seu memorial, e do discurso dos professores/mestrandos que estão atuando como tutores. Como resultados podemos definir tutor como “indivíduo legalmente incumbido de tutelar alguém”, ou seja, proteger, defender alguém dentro de uma situação legal. Esse conceito serve de ponto inicial ao que pretendemos desenvolver dentro das limitações conceituais que nos cabem. Tal definição, apesar de ser utilizada na área jurídica, foi apropriada para designar o professor em EAD. Segundo a tutora G.M.S.G. “(...) a concepção que eu tinha estava relacionada ao conceito de cuidar, ser a responsável por alguém; (...) agora, exercendo esta função, a vejo como a de um profissional que orienta, propõe alternativas (...) e acaba estabelecendo um vínculo de comunicação (...) é uma função de muita responsabilidade”. O papel do professor/tutor se amplia e toma dimensões voltadas para a formação integral de seus alunos, ensinando-os a pesquisar, a buscar informações, a refletir a respeito de seu desempenho e a responsabilizar-se pelo seu aprendizado, servindo de âncora segura para as dificuldades que possam surgir. Isso modifica a posição do professor detentor do saber e o coloca como parceiro no processo. No curso de extensão aqui descrito, essa noção se confirmou a partir do acompanhamento realizado pelos tutores nos relatos feitos no memorial, nas atividades de avaliação e nos questionários estruturados respondidos por 110 educadores dos 24 municípios participantes. A organização da tutoria no curso é realizada de forma a atender aos cursistas nos seus questionamentos, retirada de dúvidas específicas, esclarecer alguns pontos ou questões solicitadas, dentro de determinados horários de atendimento, numa divisão realizada previamente em que a relação tutor-aluno é definida. Intencionalmente, esses momentos são propostos a fim de estabelecer um vínculo de confiança, afetividade, colaboração e interação no processo de aprendizagem. Cabe, então, ao aluno uma postura bem mais voltada para a autonomia e a responsabilidade sobre a construção do seu conhecimento. Sua incumbência é, portanto, de organizar seu tempo de estudo e pesquisa individualmente ou coletivamente, de realizar as suas atividades, de estabelecer relações entre a nova informação e o conhecimento preexistente, de elaborar novos conceitos, de refletir a respeito do uso da televisão e do vídeo na escola, bem como de requerer a colaboração dos tutores quando julgar necessário. Assim, também nesta modalidade de ensino, é preciso o estabelecimento de uma (nova) linguagem entre os atores do processo, para a efetivação da aprendizagem, porém sua efetivação pelo cursista dependerá, primordialmente, de seu empenho, interesse , dedicação e organização. O cursista S2 assim se manifesta “Participar do Projeto TV na Escola e Os Desafios de Hoje, um curso tão flexível onde se analisa, reflete, avalia sua prática pedagógica já é em si uma grande vitória (...) houve muitas discussões (...) uma vantagem, um lema ‘desistir jamais’, vou conseguir, Deus vai me ajudar. Eu mereço dado ao meu profissionalismo”. Muitas são as questões levantadas pelos cursistas, com relação às atividades, aos estudos em grupo e ao próprio conteúdo dos módulos, e aí a necessidade do tutor. Porém, ao analisar os depoimentos dos cursistas quanto às suas expectativas em relação ao tutor, percebe-se que os alunos não têm clareza de seu papel, de sua relação com o aprendizado. Para a maioria deles, a concepção de tutor se restringe a de um mero consultor para esclarecimento pontual e categórico de dúvidas e sugestões. Nota-se que não há uma preocupação quanto à interação, à colaboração e à parceria do tutor no processo, aspectos esses primordiais e relevantes no que se refere à aprendizagem . Fizemos este breve relato sobre o papel do tutor em nossas atividades em função da importância que este ator tem na relação entre o conteúdo e o processo de aprendizagem, mesmo se tratando de um curso na modalidade a distância, pois verificamos, através da palavra dos tutores, que tanto no curso, como é desenvolvido em todo o Brasil, como em nossas atividades, que o professor-cursista ainda não atingiu o grau de autonomia desejado, ou necessário. Na palavra da tutora T.C.L.C.: “(...) a função do tutor se materializa no momento em que se começa a ler as atividades, o memorial; (...) o tutor representa um professor concreto, inserido no contexto”. Sua participação como motivador é essencial, como podemos constatar nas palavras da tutora C.L.T.: “percebo que a motivação (do tutor para o cursista) é muito mais necessária do que pensava antes (...) que é necessário ser mais ágil no retorno às solicitações”. Fica claro nos depoimentos dos professores que estão atuando na educação básica a importância da realização deste curso, tanto para seu crescimento profissional como pessoal. Para a coordenação e para os tutores do “TV na Escola e os Desafios de Hoje”, pólo do Mato Grosso do Sul, este curso de extensão também nos permitiu vislumbrar a possibilidade de oferta nos cursos presenciais, principalmente no curso de Pedagogia, pois nos preocupa também a inserção das tecnologias no processo de formação inicial, principalmente do professor. A Portaria n. 2.253, de 18 de outubro de 2001, nos deu esta possibilidade, como se vê em seu Art. 1º: “As instituições de ensino superior do sistema federal de ensino poderão introduzir, na organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos, a oferta de disciplinas que, em seu todo ou em parte, utilizem método não presencial, com base no artigo 81 da Lei nº 9.394, de 1996, e no disposto nesta Portaria.” Assim, e em acordo com a Coordenação do Curso de Pedagogia da UFMS, campus de Campo Grande, resolvemos oferecer aos alunos do 1º ano (primeiro semestre de 2003) e do 4º ano (segundo semestre de 2003), deste curso, a disciplina optativa Informática na Educação, utilizando o material impresso do curso TV na Escola e os Desafios de Hoje, para abordar inclusive a utilização dos recursos da informática, como o material permite. Da mesma forma como no curso desenvolvido inteiramente a distância, um tutor acompanha as atividades, porém está presente a cada 15 dias, para assistir aos vídeos com os alunos, discutir as atividades e para o que chamamos de “plantão de dúvidas”. Como a segunda disciplina está em desenvolvimento, não temos ainda dados conclusivos desta nossa atividade, porém podemos fazer uma análise preliminar. Acreditamos que a oferta desta disciplina aos acadêmicos no primeiro ano fica comprometida, em função ainda de seu distanciamento da experiência em sala de aula, razão pela qual no início tiveram dificuldades em vislumbrar a utilização pedagógica da TV e do vídeo, e dos recursos da informática, mas expressaram sua aprovação pelo material impresso e se mostraram muito críticos com relação aos vídeos. Durante todo o semestre ficou patente a dependência destes acadêmicos da aula tradicional, dos encontros agendados, ficando clara a importância do tutor, visto como um professor necessário na condução do processo de aprendizagem. Com o desenvolvimento do curso, sentimos a diminuição desta dependência, da conquista da autonomia na condução de suas atividades e a ampliação da visão de utilização pedagógica da TV, do vídeo e de outros recursos tecnológicos. Este desenvolvimento aparece de forma muito clara nas atividades finais do curso. As apresentações dos cursistas demonstraram muita criatividade e compreensão do processo pedagógico intermediado por recursos visuais. Pela dificuldade de realizar vídeos (apenas um foi apresentado), criaram jogos pedagógicos, construíram materiais pedagógicos (por exemplo, uma TV de papelão móvel, apresentando pedagogicamente o desenvolvimento da tecnologia), utilizaram-se de fotos de seu cotidiano, de construção de histórias em quadrinhos, com desenhos ou fotos, acompanhados de textos ricos em propostas interdisciplinares. A disciplina para os acadêmicos do 4o ano está em desenvolvimento, porém podemos fazer uma análise preliminar através do relatório do primeiro módulo e do memorial. Sentimos, nestes relatórios, a desmistificação da tecnologia. Estes acadêmicos, por já terem anteriormente um contato bastante estreito com as teorias da aprendizagem, por estarem em sala de aula e concluindo o curso de pedagogia, vislumbram a utilização pedagógica dos recursos da comunicação e da informática. A tutora está sendo bastante solicitada para apresentar vídeos complementares. Já existem experiências de insersão das tecnologias na prática de ensino que estes acadêmicos estão realizando neste semestre, além da utilização destas pelos professores que estão em sala de aula. Ao descortinarem as imensas possibilidades de utilização pedagógica dos recursos da comunicação e da informática em seu fazer profissional, estes acadêmicos questionaram a introdução desta disciplina neste momento de sua formação, quase concluída. Podemos assim tentar situar o momento para introdução destes recursos na formação do professor em um espaço intermediário, durante o segundo e terceiro ano do curso de formação dos profissionais da educação e não apenas como uma disciplina, mas dentro das disciplinas, em seus conteúdos específicos e concomitante às teorias da aprendizagem. Este experiência se apresenta como muito positiva para a coordenação do curso, para os tutores e acadêmicos, pois estamos constatando as diversas possibilidades de utilização de um material pedagógico elaborado para a modalidade de ensino a distância ser trabalhado das mais diversas formas, e não apenas para o propósito primeiro para o qual foi concebido Concluímos que, com esta iniciativa, podemos avaliar ainda as dificuldades de tempo e de autonomia, encontradas pelos cursistas que estão isolados em suas unidades de ensino, além da falta de apoio técnico para desenvolverem as atividades necessárias à conclusão do curso de extensão “TV na Escola e os Desafios de Hoje”, o que pode nos ajudar a compreender o alto nível de evasão ou abandono. Porém, não temos dúvida alguma sobre a necessidade da apresentação de cursos como este, seja para docentes em atividade, seja no processo de formação, e da riqueza de possibilidades que o docente pode vislumbrar a partir deste curso. Referências bibliográficas CYSNEIRO, Paulo G. Novas Tecnologias na Sala de Aula: Melhoria do Ensino ou Inovação Conservadora? Paraíba: Centro de Educação da Universidade Federal de Paranaíba, (mimeo), 1998. MARTINS, Onilza Borges , Polack, Y. N. de S. e Sá, R. A. (orgs.) Educação a Distância: um debate multidisciplinar. Curitiba: Editora UFPR, 1999. MOREIRA, Marco A. Aprendizagem Significativa: a teoria de David Ausubel. São Paulo: Impresso no Brasil, 1982. SANDHOLTZ, Judith H. Ensinando com tecnologia - Criando salas de aula centradas nos alunos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. VALENTE, José Armando. Visão Política da Informática na Educação no Brasil: a questão da formação do Professor. Artigo Convidado. NIED-UNICAMP/ PUC-SP. (mimeo). Revista Brasileira de Informática na Educação. nº 01, 1997. WEISZ, Telma. O diálogo entre o ensino e a aprendizagem. São Paulo: Editora Ática, 2000. BREZINSKI, Iria (organizadora). Formação de Professores – um desafio. Goiânia: Editora UCG, 1997.
NOTAS:
1 Coordenadora regional do Curso TV na Escola e os Desafios de Hoje – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso do Sul. 2 Tutora do Curso TV na Escola e os Desafios de Hoje – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso do Sul. 3 MARREIROS, Paula e MOREIRA, Ivete Fávero Lopes. Relação tutor-aluno num ambiente de aprendizagem em educação a distância . DORNELES, Claunice Maria e SANTOS, Lusival Pereira dos. Os desafios da incorporação das tecnologias da comunicação e da informação na escola . Apresentados no IV EPECO, que se realizou no período de 15 a 18 de junho de 2001, em Brasília – DF. ZANON, Angela Maria e MOREIRA, Ivete Fávero Lopes. O Tutor no ambiente de aprendizagem do ensino a distância . (Anais do I Congresso Internacional Literacias 2002, v.2, 19 pp). ZANON, Angela Maria e DORNELES, Claunice Maria. Os desafios da incorporação das tecnologias da comunicação e da informação no ambiente da aprendizagem (Anais do I Congresso Internacional Literacias 2002, v.2, 18 pp.) . Ambos apresentados no I CONGRESSO INTERNACIONAL LITERACIAS em Évora , Portugal). |
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