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PROPOSTA
PEDAGÓGICA
O
folclore e a cultura popular sempre estiveram presentes nos programas e
conteúdos escolares. De um jeito formal ou de forma transversal, sempre há
um espaço na educação para se tratar desse assunto. Mas antes de nos
propormos a discutir esse campo de conhecimento, seria bom termos uma
conversa sobre a relação da educação com a cultura, porque aí talvez
possamos encontrar algumas respostas às preocupações cotidianas do
educador no que toca a essa área.
Cultura, como nós a entendemos, diz respeito ao modo de ser e de viver
dos grupos sociais: a língua, as regras de convívio, o gosto, o que se
come, o que se bebe, o que se veste vão formando aquilo que é próprio
de um povo.
Em um país como o Brasil, tão
diverso, tão grande, com tantas expressões diferentes, com tantos jeitos
de ser, de brincar, de conviver e rezar, que vão se modificando de lugar
para lugar, e a toda hora, não podemos falar de uma única cultura, mas
das muitas culturas que o formam. Será que já paramos para pensar, por
exemplo, quantas nações indígenas nós temos? E das culturas africanas
que para cá vieram não foi uma nação, mas foram muitas a formar o que
chamamos de cultura afro-brasileira.
E os portugueses, foram os únicos? Na verdade, foram muitos os povos
europeus, cada um com suas
tradições, línguas, expressões, jeito de ser e crer, que vieram para cá
e, misturados aos diferentes povos indígenas e africanos, ajudaram a
formar um país plural e de muitas culturas.
A cultura popular é tudo isso bem misturado e refletido nos muitos jeitos
de ser do brasileiro.
Diante de tudo que apontamos, será ainda possível falar de educação
sem integrá-la à questão cultural?
Certamente não. E é não porque a educação é resultado das práticas
culturais dos grupos sociais. O próprio processo de ensinar e aprender
revela essas práticas.
A cultura é o fermento que alimenta, dá forma e conteúdo à educação.
Em sala de aula, experiências, vivências e singularidades estão
reunidas. Alunos e professores trazem suas bagagens e histórias.
Confrontos, trocas, negações e reafirmações de culturas pulsam
o tempo todo nesse convívio. Se não houver um saber pronto e
acabado a ensinar, a educação tem suas chances de sucesso ampliadas. Se
o saber em construção for inclusivo das diferenças, renovam-se as
esperanças de que na escola se entenda, como afirma Carlos Rodrigues
Brandão (2001, p.35) que “educar é fazer perguntas” e que “ensinar
é criar pessoas em que a inteligência venha a ser medida, mais pelas dúvidas
mal formuladas, do que pelas certezas bem repetidas. De que aprender é
construir um saber pessoal e solidário, através do diálogo entre iguais
sociais culturalmente diferenciados.”
Na série Cultura popular e educação, que será apresentada no
Salto para o Futuro/TV Escola, de 24 a 28 de março, serão propostos
temas significativos para serem discutidos com os professores, em cada um
dos programas.”
Temas que serão debatidos nos programas desta série
PGM 1 O que é, o
que é: folclore e cultura popular
A trajetória dos estudos de folclore no Brasil. Folclore e cultura
popular como sinônimos. O dinamismo como característica do
folclore/cultura popular. O intercâmbio entre cultura popular, cultura
erudita e cultura de massa. A responsabilidade da escola na transmissão
de uma perspectiva conceitual contemporânea sobre folclore e cultura
popular.
PGM 2 No melhor da
festa
A festa como valor simbólico. Suas razões e finalidades. A natureza
inclusiva das festas. A diversidade e a unidade encontradas em folguedos
populares. A festa como síntese entre sagrado e profano. A escola e as
comemorações do dia do folclore.
PGM 3 Quem conta
um conto...
A gênese e a estrutura do conto popular. As trocas entre literatura oral
(vocal) e escrita. Os estudos acerca da literatura oral no Ocidente. A
arte de contar histórias: técnicas e segredos. A contação de histórias
na sala de aula.
PGM 4 Engenho e
arte
Arte e artesanato. A complexidade da arte popular. Os artistas populares:
porta-vozes da sua coletividade e criadores individualizados. O processo e
o produto artístico como aspectos do contexto social e cultural em que
estão inseridos. O papel da escola na valorização da arte popular.
PGM 5 Você sabe
de quem está falando?
Os diversos modos de ser brasileiro. Patrimônio material e imaterial:
preservar? As questões socioculturais na prática educacional.
Bibliografia
Brandão, Carlos Rodrigues. De Angicos e ausentes: 40 anos de educação
popular. Porto Alegre: Mova-RS; Corag, 2001.
Arantes, Antonio Augusto. O que é cultura popular. São Paulo,
Brasiliense, 1981.
Magalhães, Aloísio. E triunfo? A questão dos bens culturais no
Brasil. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985
Magnami, José Guilherme Cantor. Festa no pedaço: Cultura popular e
lazer na cidade. São Paulo, Brasiliense, 1984.
Mendes, Durmeval Trigueiro. Realidade, experiência e criação. Revista
Brasileira de Estudos Pedagógicos, nº
130, 1973.
Garcia, Pedro. Subversão pela palavra uma desordem poético-pedagógica.
Cadernos RioArte, Rio de Janeiro, Sec. Municipal de Cultura, 1985.
NOTAS:
1
Divisão Técnica. Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular
/FUNARTE / Ministério da Cultura. Consultora da série.
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