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CARTOGRAFIA NA ESCOLA PGM 5 – CARTOGRAFIA E NOVAS TECNOLOGIAS Tânia
Maria Sausen 1 A produção de mapas esteve, historicamente, submetida ao avanço dos instrumentos e das técnicas para determinar com precisão pontos, contornos, altitudes etc., bem como para desenhar os mapas. Hoje, as avançadas tecnologias para obtenção, armazenamento e apresentação de produtos cartográficos tornaram a Cartografia Digital um instrumento valioso nos estudos geográficos e ambientais. O professor de Geografia também pode dispor desses recursos em suas aulas, tornando-as mais atraentes e atualizadas. Neste
programa serão abordadas as imagens de satélite e o uso de multimídia
no ensino de Geografia. 1.
O uso de sensoriamento remoto para estudos de recursos naturais Sensoriamento
remoto é um termo utilizado
na área de recursos naturais que se refere à obtenção de imagens a
distância, sobre a superfície terrestre, ou seja, é a obtenção de
informação de um alvo qualquer (rio, cidade, floresta, lago) existente
sobre a superfície terrestre, sem que seja necessário tocar neste alvo.
A informação é obtida a distância – remotamente. Estas
imagens são adquiridas por meio de aparelhos, denominados sensores;
como estes aparelhos estão sempre distantes dos alvos de interesse, eles
são chamados de sensores remotos.
Todos nós carregamos conosco um sensor remoto – os nossos
olhos. Baseando-se no mecanismo da visão é que foram construídos
os primeiros sensores remotos. Existe também um outro tipo de sensor
remoto, que é muito conhecido por todos: as câmaras fotográficas.
Aquelas câmaras fotográficas que nós usamos para tirar fotos em festas
de aniversário, ou durante nossas viagens de férias. As câmaras fotográficas
foram os primeiros sensores remotos construídos pelo homem, elas permitem
a obtenção de uma foto de um determinado alvo (nossos filhos, nossa
festa, nossa viagem), sem que tenhamos que tocar neste alvo. As
câmaras fotográficas foram os primeiros sensores remotos a serem construídos.
Elas foram utilizadas pela primeira vez para estudos dos recursos naturais
em 1822, quando o francês Niepa gerou a primeira imagem fotográfica
fazendo uso de uma câmara primitiva e papel quimicamente sensibilizado. Por
sua vez estes sensores ou câmaras são colocados a bordo de aeronaves ou
de satélites de sensoriamento remoto – também chamados
de satélites de observação da Terra. Um sensor a bordo do
satélite gera um produto de sensoriamento remoto denominado de imagem
ao passo que uma câmara aerofotográfica, a bordo
de uma aeronave, gera um produto de sensoriamento remoto denominado de fotografia
aérea. Todo
sensor remoto necessita de uma fonte de energia para poder operar; a
maioria deles opera com a luz do sol, ou seja, eles só
podem coletar informações sobre os alvos na superfície terrestre
durante o dia. Tomemos como exemplo as câmaras fotográficas que
utilizamos para fotografar nossas férias. Estas câmaras só podem ser
utilizadas onde há luz, seja a luz do sol, seja a luz de um flash,
mas sem esta fonte de luz elas não operam de nenhum modo – a foto sai
totalmente preta, ou nas mais modernas, as câmaras simplesmente não
funcionam sem uma fonte de luz. O mesmo acontece com a maioria dos
sensores a bordo de satélites. O
primeiro satélite de sensoriamento remoto foi construído pelos
norte-americanos e foi lançado em junho de 1972, com o nome de LANDSAT.
Atualmente existe uma infinidade de satélites de sensoriamento remoto,
tais como o francês SPOT, o europeu ERS, o americano NOAA, o canadense
RADARSAT, o japonês JERS, o indiano IRS e o argentino SAC-C. O Brasil
também desenvolveu e lançou um satélite em parceria com a China em
outubro de 2000, o CBERS-Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres.
A
maioria destes satélites está em torno de 780 a 800 km de altura e tem
um órbita polar, ou seja, sua trajetória ao redor da Terra vai de pólo
a pólo. Eles levam em torno de 100 minutos para dar uma volta completa na
Terra. As imagens do LANDSAT-TM têm uma resolução espacial de 30
metros, o que implica que objetos com dimensões menores do que 30 x 30 m
não podem ser identificados. A
resolução espacial dos sensores a bordo dos satélites de sensoriamento
remoto varia de 1 metro até 1 km. As imagens LANDSAT recobrem uma área
de 185 x 185 km. Antes
do advento dos satélites de sensoriamento remoto na década de 70, do século
passado, o uso de fotografias aéreas era muito comum e até hoje estas
fotografias são insubstituíveis para muitas aplicações. Entretanto,
notamos que com o avanço tecnológico as imagens dos sensores de satélites
de sensoriamento remoto estão se aproximando da qualidade das fotografias
aéreas. Elas são geradas pelos satélites chamados de alta resolução,
como o americano IKONOS. Nestas imagens é possível reconhecer um alvo na
superfície da Terra com 1m x 1m. Desde
o lançamento do primeiro satélite de recursos terrestres, o LANDSAT em
junho de 1972, houve grandes progressos e várias pesquisas foram feitas
na área de meio ambiente e levantamento de recursos naturais, fazendo uso
de imagens de satélite. Após o advento destes satélites, os estudos
ambientais deram um salto enorme em termos de qualidade, agilidade e número
de informações. Principalmente os países em desenvolvimento foram os
grandes beneficiados desta tecnologia, pois através de seu uso é possível: u atualizar a cartografia existente; u desenvolver mapas e obter informações sobre áreas minerais, bacias de drenagem, agricultura, florestas; u monitorar desastres ambientais tais como enchentes, poluição de rios e reservatórios, erosão, deslizamentos de terras, secas; u monitorar desmatamentos; u obter a estimativa da taxa de desflorestamento da Amazônia Legal; u realizar estudos sobre correntes oceânicas e movimentação de cardumes, aumentando assim a produtividade na pesca; u apoiar planos diretores municipais; u realizar estudos de Impactos Ambientais (EIA) e Relatórios de Impacto sobre Meio Ambiente (RIMA); u identificar áreas de preservação ambiental permanente e avaliação do uso do solo; u fazer o levantamento de áreas favoráveis para exploração de mananciais hídricos subterrâneos; u monitorar mananciais e corpos hídricos superficiais; u monitorar o lançamento e dispersão de efluentes em domínios costeiros ou em barragens; u fazer o monitoramento da agricultura; u estimar a área plantada em propriedades rurais para fins de fiscalização do crédito agrícola; u auxiliar na implantação de pólos turísticos ou industriais; u avaliar o impacto causado pela instalação de rodovias, ferrovias ou de reservatórios. Situações
em que dados de sensoriamento remoto podem ser utilizados como material
didático em sala de aula: u Traçado de áreas urbanas e rede viária que comunica a cidade onde o aluno vive com o entorno imediato; u Formas de crescimento das áreas urbanas e progressiva invasão do espaço agrícola; u Estudo geográfico do espaço imediato ao aluno; u Correlacionar o tipo de ocupação humana com os aspectos físicos, econômicos e sociais da região onde o aluno vive; u Distribuição do uso do solo no tempo e no espaço e sua relação com os aspectos econômicos da região onde o aluno vive; u Explicar aspectos mais complexos como relevo, bacias de drenagem, correntes oceânicas, uso do solo e áreas agrícolas de uma região, aspectos de inundações, etc.; u Identificar áreas de preservação de mananciais e sua forma de ocupação; u Caracterização de áreas de preservação, tais como áreas alagadas, planícies fluviais, áreas costeiras, áreas de mangue, florestas naturais; u
Correlacionar as altitudes do local com as formas do relevo, uso do
solo e quantidades de precipitação; u
Correlacionar o tipo de ocupação humana com os aspectos físicos,
econômicos e sociais da região onde o aluno vive. 2. Uso de Cartografia e Multimídia para o Ensino de Geografia2 O
termo multimídia está relacionado à integração de várias formas de
comunicação para a transmissão de informações. Em meio digital
pode-se entender multimídia como a integração de texto, vídeo, áudio,
animações, desenhos ou mesmo realidade virtual com o objetivo de
transmitir informação. Uma
aplicação multimídia não precisa, necessariamente, ser interativa, no
entanto sempre que possível recomenda-se o uso de multimídia interativa
na escola, uma vez que a interatividade é um ponto chave na construção
do conhecimento. Muitos
pesquisadores no mundo todo têm se dedicado ao estudo da Cartografia
utilizando recursos multimídia, ou Cartografia Multimídia, e sua aplicação
com fins didáticos. Algumas pesquisas avançam no sentido de desenvolver
aplicações específicas para o ensino, outras buscam a utilização de
produtos já existentes, normalmente criados com outras finalidades, para
fins didáticos. No
Brasil, as pesquisas no campo da Cartografia Multimídia estão apenas
começando. Pode-se listar uma série de aplicações já existentes,
muitas delas na internet, no entanto, como a maioria não é produto de
pesquisa visando especificamente ao ensino, e em especial o Ensino
Fundamental, seu uso deve ser analisado previamente pelo professor. O uso de jogos no ensino de Geografia Uma
‘nova geração’ de usuários que cresceu em contato com outras
tecnologias além da televisão foi descrita em 1993 pelo Prof. Ferjan
Ormeling (Universidade de Utrech, Holanda) como ‘Geração Doom’,
terminologia oriunda do jogo de computador que usava orientação
espacial, ou mesmo ‘Geração X’ ou ‘Geração Nintendo’. Este
grupo de usuários tem se adaptado facilmente às novas tecnologias e
novas mídias. Desta forma, uma questão que se coloca é como os jogos
podem ser utilizados com o objetivo de ensinar Geografia. Um
dos primeiros jogos de computador, Where in the World is Carmen
Sandiego? (Em que lugar do mundo está Carmen Sandiego?), ensinava
Geografia por meio de ‘pistas’ que o usuário teria que coletar para
localizar a personagem. Por ser um jogo antigo, foi desenvolvido para
computadores tipo Apple II, sua interface gráfica era bastante simples. Ao
jogar, o usuário deve responder questões sobre as capitais de vários países
e deve ser capaz de se mover de uma localidade para outra. O jogo
corresponde ao clássico jogo de detetive, no entanto, para ganhar o usuário
deve conhecer algumas capitais do mundo. Jogos
mais avançados como o SimCity possuem alto potencial educacional,
uma vez que requerem do jogador paciência, planejamento complexo e
pensamento estratégico. As habilidades desenvolvidas por meio de jogos
como o SimCity 3000 , onde o jogador lida ao mesmo tempo com a
vista aérea da cidade e com o mapa, podem ser utilizadas para compreensão
de múltiplos pontos de vista da cidade. É possível estabelecer
analogias entre o jogo e cartas topográficas, trabalhando o conceito de
escala. Além dos conceitos cartográficos, o jogo possibilita o
desenvolvimento de habilidades em planejamento urbano. A nova geração de
jogadores já está acostumada a este tipo de interface. Um
jogo semelhante, SimEarth, simula diferentes aspectos de um
planeta, incluindo clima, evolução, composição atmosférica e civilizações.
Os usuários aprendem a manipular processos climáticos, geológicos,
atmosféricos bem como a evolução da vida em conjunto com a evolução
do planeta. Os usuários avançados podem desenhar, modificar e gerenciar
um planeta, podendo, por exemplo, criar oceanos de acordo com suas
especificações. Tratando o planeta como um todo, SimEarth
demonstra que vida, clima, atmosfera e outros elementos compõem um
sistema, onde a alteração de um elemento pode afetar todos os outros. Web Sites Brasileiros Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) – Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC). http://www.cptec.inpe.br/ - Disponibiliza imagens de diversos satélites inclusive do satélite GOES, bastante utilizadas nas animações de previsão do tempo na TV. O professor pode obter imagens do dia da aula ou mesmo buscar imagens no arquivo, além disso pode-se criar animações no próprio site. CD O Brasil Visto do Espaço (Embrapa). http://www.cdbrasil.cnpm.embrapa.br/ - A partir de mosaicos de imagens dos satélites Landsat 5 e 7, a Embrapa elaborou um extenso banco de dados de imagens de uso do solo em todo o país. Há um tutorial para quem não está habituado a analisar imagens de satélite. IBGE 7 a 12. http://www1.ibge.gov.br/7a12/default.html - Por meio de animações, o personagem Paulinho aborda assuntos como mudanças climáticas e educação ambiental. Servidor de Mapas (IBGE). http://www1.ibge.gov.br/mapserver/index.htm - Servidor de mapas interativos, onde o professor poderá encontrar informações como divisão política, hidrografia, rodovias e ferrovias, resultados do censo 2000 e registro civil 1998. Recomenda-se a utilização de interface básica para usuários que não tenham conhecimento em geoprocessamento. GEOVOL. http://www.vol.eti.br/geo/ - Este web site traz informações gerais sobre sobre todos os países do mundo. Este site se assemelha a uma versão online de um atlas em papel, mas constitui boa fonte de informações. Na opção jogos está disponível um jogo de localização de estados ou países em suas respectivas regiões. Eaprender. http://www.eaprender.com.br - Site dedicado ao ensino de diversas disciplinas, não apenas geografia. Para ter acesso total ao conteúdo do site o professor deve se cadastrar e criar uma senha de acesso. Estão disponíveis neste site diversos mapas, bem como animações sobre o tratamento de água, o efeito estufa e jogos. Conclusão A
informática traz consigo novas possibilidades para o desenvolvimento de
aplicações direcionadas ao ensino, e no caso aqui retratado, ao ensino
de Geografia. O uso de jogos é um recurso interessante a ser explorado em
sala de aula e o mercado de jogos é rico em opções das quais algumas,
como é o caso do SimCity, possuem interface em português. No
caso da internet, embora a internet brasileira ainda seja carente de web
sites específicos para o ensino, a utilização dos recursos já
existentes abrirá caminho para a reflexão, análise e o desenvolvimento
de novas aplicações, mais adequadas às reais necessidades de
professores e alunos. NOTAS: 1
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) - CEP. 2
Este item foi escrito por Cristhiane da Silva Ramos (Doutoranda,
Department of Geospatial Science, RMIT University – Melbourne, Austrália.
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