PGM
2 - PRÁTICAS
AVALIATIVAS EM LÍNGUA PORTUGUESA E MATEMÁTICA
Texto
1
O ensino da Língua Portuguesa e suas implicações
no processo avaliativo: rumo às aprendizagens significativas
Telma Ferraz Leal*
Foram muitas as mudanças que ocorreram nas propostas
pedagógicas nas últimas três décadas. Nesse
rápido movimento, discussões fundamentais emergiram sobre
o que devemos ensinar, como devemos ensinar, o que devemos avaliar,
como devemos avaliar. Obviamente, cada resposta que surge é oriunda
de uma forma específica de conceber a linguagem e o ensino da
língua. Nesse artigo, adotamos uma concepção de
que o eixo estruturador do ensino da língua deve ser a ação
social que ocorre através das atividades de leitura e de produção
de diferentes gêneros textuais. Dentre os muitos autores que deram
suporte às reflexões realizadas, citaremos alguns: Bronckart
(1999), que explicita os pressupostos sócio - interacionistas
de linguagem; Backtin (2000), que conceitua gênero textual e defende
sua dimensão sócio-histórica; Mary Kato (1995),
Kleiman (1995) e Solé (1998), que apresentam os postulados sobre
leitura e produção de textos como atividades sociais e
cognitivas; Evangelista, Carvalho, Leal, Costa Val, Starling, Marinho
(1998) e Miranda (1995), que defendem que o processo de avaliação
deve ser conduzido a partir de uma análise criteriosa das condições
de produção do conhecimento na escola. Nesse artigo, em
lugar de expor tais referenciais teóricos, que podem ser, de
forma mais aprofundada, pesquisados nas próprias fontes, optamos
por socializar alguns exemplos de atividades desenvolvidas por professores
de escolas públicas e, a partir deles, retomar conceitos e princípios
que fundamentam tais práticas. Os exemplos foram extraídos
de situações reais vividas por professoras que participavam
(e participam) de um Projeto de Formação Continuada desenvolvido
pela UFPE em escolas públicas1.
Para início de conversa...
No ensino da Língua Portuguesa, passamos muito
tempo avaliando conteúdos fragmentados e descontextualizados.
Avaliávamos e ainda avaliamos, em muitos casos, se os alunos
sabem definir, classificar, aplicar regras gramaticais. Hoje, em decorrência
das mudanças provocadas pelos estudos sobre a linguagem, observamos
a necessidade de avaliar melhor se os alunos conseguem agir lingüisticamente,
ou seja, se eles estão ampliando as capacidades de compreender
e de produzir textos orais e escritos, dentre outros objetivos menos
centrais.
Nesse sentido, precisamos delimitar, em cada nível
de ensino, as expectativas de aprendizagem, pois delas dependem tanto
nossos critérios de avaliação quanto nosso nível
de exigência. Mas é fundamental, também, reconhecermos
que são as condições de produção
ou as condições de leitura/escuta de um texto que devem
guiar nossa avaliação. Ou seja, por um lado, precisamos
considerar as finalidades que guiaram a atividade do aluno; por outro
lado, precisamos considerar o nível de conhecimento de que ele
dispõe naquele momento, ou até, o que foi disponibilizado
naquele período escolar. Não é justo cobrarmos
que os alunos saibam "realizar atividades" ou "explicitar conceitos"
que não foram ensinados.
Embora esse lembrete possa parecer óbvio, temos
observado situações em que são cobrados dos alunos
"conhecimentos" que não foram tematizados na escola. No ensino
da ortografia, por exemplo, temos visto situações em que
os alunos, mesmo não tendo acesso a atividades de exploração
/ construção de determinadas normas ortográficas,
são avaliados quanto a esse aspecto.
O mesmo podemos falar em relação à
produção dos diferentes gêneros textuais. Observamos,
algumas vezes, que alunos que não foram estimulados a produzir
e a explorar determinado gênero textual (carta, ensaio argumentativo,
notícia ou outro qualquer), são avaliados, em um determinado
momento, quanto à produção desse gênero de
texto. Mais uma vez, estamos cobrando o que não foi ensinado.
Para avaliar, por exemplo, as capacidades de produzir
textos, precisamos decidir, dentre muitos aspectos, os que naquele momento
queremos investigar, seja porque foram tema de reflexão naquele
período, seja porque são capacidades já construídas
nos anos anteriores ou, ainda, porque queremos avaliar os conhecimentos
prévios para planejar o processo pedagógico. No entanto,
não podemos realizar a avaliação dessas capacidades
mais específicas sem considerar a situação em que
tal texto foi gerado.
Podemos decidir avaliar se os alunos sabem escrever
uma carta formal e, mais especificamente, se organizam seqüencialmente
as idéias; se estruturam o texto em partes / parágrafos;
se utilizam adequadamente os recursos coesivos; se utilizam alguns sinais
de pontuação. Todos esses aspectos, no entanto, devem
ser pensados em função dos propósitos textuais,
ou seja, a primeira dimensão a ser pensada deveria ser se os
alunos atendem à finalidade a que se propõem. Um exemplo
pode ser dado a partir de uma situação vivenciada por
uma aluna do curso de Pedagogia (UFPE) em um escola da Rede Municipal
do Recife: após a leitura de um texto e de uma discussão
acerca da poluição de um rio provocada por uma indústria,
foi solicitado que os alunos produzissem uma carta ao dono dessa indústria,
reclamando da poluição e dando sugestões sobre
como resolver o problema. Nesse caso, o primeiro aspecto a ser avaliado
deveria ser se a criança atende a tal proposta, ou seja, se ela
realmente se engaja nesse jogo discursivo, falando com o diretor e argumentando
em favor do seu ponto de vista, pois são as imagens acerca das
finalidades e dos destinatários dos textos que guiam as escolhas
dos recursos lingüísticos que serão utilizados.
Se os pressupostos até esse momento defendidos
forem considerados em sua essência, precisaremos planejar situações
em que, de fato, os alunos precisem resolver problemas através
de atividades lingüísticas. A fim de melhor discutirmos
tal questão, apresentaremos alguns exemplos de atividades favoráveis
à aprendizagem e à avaliação dos alunos.
Exemplo 1
Em uma escola da Rede Municipal
de Camaragibe (PE), um grupo de professoras resolveu promover, em abril
de 2002, discussões sobre "Os índios no Brasil". Duas
professoras de 4a
série decidiram organizar um júri simulado sobre "O direito
à terra". Uma das turmas escolheu defender os índios,
sob a argumentação geral de que "eles já eram donos
da terra e que precisam de um espaço para sobreviver" e a outra
resolveu defender a posição contrária, argumentando
que "no Brasil existem muitas pessoas sem terra e que os índios
não deveriam ter mais direitos que as outras pessoas". Cada grupo
realizou pesquisa em jornais, revistas, livros, dentre outras fontes.
Depois, organizaram os dados e planejaram as falas, decidindo quem iria
apresentar cada informação e argumentar durante o evento.
No dia marcado, realizaram, no pátio da escola, a atividade,
na presença das outras crianças, que atentamente julgavam
os argumentos e contra-argumentos produzidos.
Em uma atividade como essa, é possível
ao professor avaliar aspectos da oralidade e da escrita, além
dos próprios conteúdos veiculados através dos textos.
Para a realização da atividade final, os alunos, com acompanhamento
das professoras, leram textos para darem conta de uma finalidade clara
(coletar dados e construir a argumentação); escreveram
esquemas com as informações coletadas e roteiros para
auxiliar a atividade oral; planejaram a defesa oral de suas posições.
É possível, portanto, avaliar "compreensão de texto",
verificando se os alunos sabem fazer levantamento de informações,
se sabem localizar informações e estabelecer relação
intertextual; "produção de textos", verificando se os
alunos sabem organizar seqüencialmente informações,
se produzem escrita legível e clara; "produção
/ compreensão oral", verificando se eles são capazes de
argumentar e contra-argumentar, se expõem informações
de maneira clara e objetiva, se utilizam a norma padrão no momento
da atividade final.
Exemplo 2
Uma professora de 2a
série de uma escola da Rede Municipal do Recife (PE), a fim de
estimular a leitura dos alunos, realizou uma seqüência de
atividades (no mês de outubro de 2001), envolvendo escrita de
resenhas. Como atividade inicial, a professora incitou uma discussão
sobre as estratégias que os alunos usam para escolher os livrinhos
que eles querem ler. Alguns alunos disseram que escolhem pelo título,
outros pelas gravuras, outros pelo tamanho... Nessa discussão,
ela inseriu a reflexão sobre os textos que estão no verso
de alguns livros (as resenhas). Após tal discussão, os
alunos realizaram atividades de leitura / discussão sobre as
resenhas de alguns livros infantis. Discutiram sobre as características
desse texto ("apresentam partes das histórias", "não contam
a história toda", "deixam a pessoa com vontade de ler o livro",
"deixam a pessoa curiosa"...). Por fim, os alunos foram convidados a
escrever resenhas de livros para levar para a biblioteca e atiçar
a curiosidade dos colegas, ajudando-os a escolher os livros quando quiserem
ler.
Essa seqüência de atividades permite avaliar
as capacidades de leitura e de produção de textos dos
alunos. Na medida em que eles lêem os livros para fazer as resenhas,
é possível verificar se eles compreendem os textos, se
conseguem identificar o tema central da história e a trama. Em
relação à produção de textos, é
possível avaliar se os alunos utilizam os conhecimentos textuais
explorados anteriormente para compor a sua própria resenha. É
possível avaliar também se as crianças produzem
uma escrita legível (convencional) ou se usam outras hipóteses
sobre o sistema de escrita.
Exemplo 3
O terceiro exemplo foi
extraído de uma aula de uma professora de 3a
série de uma escola da Rede Estadual de Ensino de Pernambuco,
localizada em Olinda. A professora, no mês de outubro de 2001,
estava realizando atividades sobre brincadeiras populares. Um dos grupos
formado para tal trabalho tinha ficado responsável, na semana
do folclore, pela confecção de pipas (papagaio, pandorga).
Nesse dia, ela tinha planejado trabalhar com produção
de texto instrucional. A professora pediu que um elemento do grupo explicasse
para a turma os procedimentos para confecção de uma pipa.
O menino deu orientações para os colegas, usando o quadro
quando queria mostrar algum procedimento específico. Após
a explicação, a professora discutiu com os alunos sobre
a importância dos manuais para dar instruções sobre
"como fazer coisas". Passou a explorar algumas características
dos textos instrucionais, mostrando modelos. Depois, pediu que os alunos
escrevessem um manual para ensinar às crianças da "1a
série A" como fazer uma pipa. Entregou pequenos blocos de papel
ofício dobrado para que eles realizassem a tarefa e fez algumas
recomendações: "Vocês sabem que as crianças
ainda não sabem ler direito, então têm que caprichar
na letra e no texto para entenderem... Depois, cada um de vocês
vai pra frente da sala da 1ª série e entrega a cada aluno um
livrinho."
Nessa atividade, a professora poderia avaliar a exposição
oral de um aluno, verificando se ele organizou seqüencialmente
as informações, se usou uma linguagem clara, se deu as
instruções de forma organizada, se usou os recursos extratextuais
(imagem no quadro) de forma adequada. Em relação ao texto
escrito, ela poderia verificar se os alunos utilizaram a pontuação
de forma a auxiliar o leitor, se as informações / instruções
foram explicitadas de forma clara e objetiva, se a escrita estava legível,
dentre outros aspectos.
Enfim...
Os exemplos que apresentamos nesse artigo, todos extraídos
de situações reais de ensino, foram selecionados por dois
motivos principais. Primeiro, porque queríamos, a partir deles,
refletir sobre a importância de realizarmos em sala de aula atividades
em que os alunos tenham, de fato, problemas para resolver. Que eles
não estejam apenas tentando provar para o professor que eles
sabem o conteúdo ensinado, mas sim que eles estejam engajados
em um jogo discursivo em que outros interlocutores são importantes.
Nos casos apresentados, assim como em tantos outros experienciados por
professores de diferentes escolas, em diferentes estados brasileiros,
os alunos são convidados a agir lingüisticamente, a provocar
efeitos em diferentes destinatários, a pesquisar não apenas
para responder questões de uma prova, mas para participar de
eventos em que os conhecimentos estão sendo usados com diferentes
propósitos.
Em segundo lugar, queríamos refletir sobre os
próprios processos de avaliação. Nos exemplos dados,
as professoras não precisam interromper o processo de aprendizagem
para avaliar os alunos. Eles podem ser avaliados no decorrer das atividades.
Para que algo assim funcione, é necessário estabelecer
formas diversas de acompanhamento dos alunos e mesmo de registro de
sua evolução. É possível, por exemplo, que
uma determinada situação seja utilizada para avaliar apenas
alguns alunos e não todo o grupo. No exemplo 3, apenas um aluno
poderia ser avaliado na parte de linguagem oral; no exemplo 1, nem todos
os alunos iriam falar durante a atividade do júri simulado, apenas
alguns poderiam ser avaliados nesse aspecto. Dessa forma, o professor
precisa ter, em seu caderno de avaliação dos alunos, registro
daqueles alunos e, em outras situações, fazer as anotações
referentes aos outros alunos. Em relação ao exemplo 1,
as atividades foram em grupo. Para saber informações sobre
os alunos individualmente, é necessário acompanhar os
trabalhos, ouvir a discussão nos grupos e fazer anotações
em seu caderno, quando aparecer evidência de que um aluno compreendeu
(ou não compreendeu) o texto usado naquele dia. Nos exemplos
2 e 3, os textos foram lidos pela professora antes de serem entregues
aos destinatários finais e a professora poderia usar os critérios
que achasse pertinentes naquele momento e registrar o que os alunos
demonstrassem saber ou não saber.
Dessa forma, em diferentes momentos, os alunos podem
ser avaliados e o professor, com seu caderno de registro de avaliação,
pode acompanhar suas evoluções. Se ele achar necessário,
em um dado momento, ele pode fazer uma atividade específica para
verificar aspectos que ele não consegue acompanhar no dia-a-dia.
No entanto, o fundamental é garantir que estão sendo avaliados
conhecimentos que estamos ajudando o aluno a construir e que a situação
de avaliação, com esse propósito, seja uma situação
que favoreça a ativação dos conhecimentos e capacidades,
a que os alunos já tenham tido acesso.
Por fim, é importante que a avaliação
realmente seja encarada como um instrumento para redimensionamento da
prática. Diagnosticando as dificuldades e os avanços dos
alunos, podemos melhorar a nossa prática pedagógica. Assim,
é preciso reconhecer que avaliamos em diferentes momentos, com
diferentes finalidades. Avaliamos para identificar os conhecimentos
prévios dos alunos e trabalhar a partir deles; avaliamos para
conhecer as dificuldades dos alunos e, assim, planejar atividades adequadas
para ajudá-los a superá-las; avaliamos para verificar
se eles aprenderam o que nós já ensinamos e, assim, decidir
se precisamos retomar os conceitos trabalhados naquele momento; avaliamos
para verificar se os alunos estão em condições
de progredir para um nível escolar mais avançado; avaliamos
para verificar se nossas estratégias de ensino estão dando
certo ou se precisamos modificá-las.
Em suma, a avaliação não é
um mero complemento do processo, ela é parte integrante e permanente
da nossa ação pedagógica diária e precisa
ser pensada como instrumento de redimensionamento dessa prática.
Bibliografia comentada
Backtin, Michael (2000). Estética da
Criação Verbal. 3a ed. Trad. Maria Ermantina Galvão.
São Paulo: Martins Fontes.
Nesta obra, especialmente no capítulo
que trata sobre "Os gêneros do discurso", são explicitadas
as concepções de Backtin sobre gênero textual.
É um texto importante para quem quer entender melhor a constituição
dos gêneros discursivos, pois são salientadas as dimensões
sociais e históricas desses construtos. Através desse
autor, podemos entender melhor os processos de constituição
e transformação pelos quais passam as diferentes espécies
de textos nas diferentes sociedades.
Bronckart, Jean-Paul (1999). Atividade de linguagem,
textos e discursos: por um interacionismo sócio-discursivo.
Trad. Anna Rachel Machado, Péricles Cunha. São Paulo:
EDUC.
Este livro, logo nos capítulos iniciais,
traz uma sistematização dos princípios básicos
do modelo sócio-interacionista de linguagem. A partir desses
princípios, aprofunda discussões sobre tipologia textual
e sobre a configuração das diferentes espécies
de textos, auxiliando o leitor a compreender como as diferentes
dimensões lingüísticas se integram para constituição
da textualidade.
Evangelista, A. A. M.;Carvalho, G. T.; Leal, L.
V. F.; Costa Val, G.; Starling, M. H. A. R. & Marinho, M. (1998).
Professor - leitor, aluno - autor: reflexões sobre a avaliação
do texto escolar. Cadernos Ceale, vol. l III, Ano II.
Esse número especial da Revista Cadernos
Ceale divulga uma experiência de Avaliação
de Rede em Minas Gerais. O processo e os resultados da avaliação
são teorizados a partir de pressupostos interacionistas da
linguagem, em que os autores defendem a necessidade de considerar
as condições de produção dos textos
no processo avaliativo e expõem os critérios de avaliação,
mostrando que os aspectos formais, tais como coesão, pontuação,
dentre outros, precisam ser considerados de forma integrada aos
aspectos conceituais, tais como consistência argumentativa,
articulação, progressão e continuidade temática
e que todas as decisões são tomadas a partir da forma
como a situação é representada pelo aluno.
Kato, Mary (1995). No mundo da escrita: uma
perspectiva psicolinguística. 5 ed. São Paulo:
Ática.
Mary Kato faz um apanhado geral de diversos
modelos teóricos que tratam de questões referentes
à linguagem. Na primeira parte do livro, reflete sobre a
natureza da linguagem escrita, comparando-a à linguagem oral
e defendendo que a fala e a escrita são parcialmente isomórficas.
Na segunda parte, fala da natureza da leitura e da escrita, apresentando
vários modelos teóricos que tentam explicar o que
fazemos quando lemos ou escrevemos. A autora defende que leitura
e escrita são atividades de comunicação e,
dessa forma, o significado do texto só é plenamente
construído através das ações dos interlocutores
envolvidos na situação. Na terceira parte, algumas
teorias sobre aquisição e aprendizagem da escrita
são apresentadas e discutidas. Por fim, na quarta parte,
a autora integra os conceitos e princípios defendidos anteriormente,
reafirmando suas concepções de que a fala, a leitura
e a escrita são atividades de comunicação e
que há inter-relação entre elas.
Kleiman, Angela (1995). Texto e leitor: aspectos
cognitivos da leitura. 4 ed. Campinas: Pontes. (1a ed. 1989).
"Texto e leitor" é um livro que contém
quatro capítulos que tratam sobre leitura. Adotando uma concepção
interacionista, a autora mostra evidências de como os conhecimentos
prévios são utilizados na compreensão de textos
e do quanto as diversas expectativas e finalidades incitam diferentes
estratégias de leitura. Assim, a autora defende que ler é
uma atividade cognitiva e que os conhecimentos lingüísticos,
textuais e de mundo levam o leitor a reconstruir os significados
que muitas vezes não estão explícitos no texto.
Miranda, M. M. A. (1995). A produção
de texto na perspectiva da teoria da enunciação. Presença
Pedagógica, n. 1, p. 18-29.
Miranda, nesse artigo publicado na revista
"Presença Pedagógica", mostra como a situação
de interação impõe marcas sobre os textos dos
alunos. Assim, ela discute a importância de considerar as
condições em que os textos são produzidos para
melhor avaliar os textos dos alunos. Defende, também, que
é preciso mudar as propostas de produção de
textos na escola, indicando diferentes finalidades e destinatários
para que os alunos possam exercer seus papéis de sujeitos
da linguagem.
Solé, Isabel (1998). Estratégias
de leitura. Trad. Cláudia Schilling, 6a ed. Porto Alegre:
Artmed.
Em Estratégias de leitura, Solé
apresenta alguns fundamentos do modelo interacionista de linguagem
e defende a importância de ajudar as crianças no processo
de desenvolvimento das estratégias de leitura. Depois, dá
sugestões comentadas de atividades de ensino da leitura,
articulando-as aos pressupostos teóricos defendidos no início
do livro.
NOTAS
* Professora de Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa da
Universidade Federal de Pernambuco.
- Projeto de Formação Continuada é desenvolvido
por uma equipe de alunos, ex-alunos e professores do curso de Pedagogia
da UFPE, sob coordenação das professoras Telma Ferraz
Leal e Gilda Lisbôa Guimarães, com financiamento da PROEXT/UFPE;
PROACAD/UFPE; PIBIC/CNPQ; e FACEPE.
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