Voltar à principal


João das Neves - biografia
(Rio de Janeiro RJ 1935)

Músicas
Textos
Áudio & Vídeo
Na TVE e Rádio MEC

Diretor e autor. Durante doze anos cria espetáculos para o Grupo Opinião, um dos principais focos de resistência político-cultural das décadas de 60 e 70, onde escreve e monta O Último Carro, metáfora do Brasil em um trem desgovernado.

João das Neves começa a carreira profissional no Opinião. Afinado com as propostas artísticas e ideológicas do grupo, o diretor monta textos que enfocam a situação política do Brasil nos anos da ditadura. Plínio Marcos, Aldomar Conrado, Sófocles (496 AC-406 AC), Bertolt Brecht (1898-1956) são os autores escolhidos. Ao escrever o próprio texto, por meio de um processo de pesquisa e criação em grupo, monta seu maior sucesso de público e crítica, O Último Carro, no qual a ação se dá quase inteiramente nos vagões de um trem. De um casal de mendigos em briga conjugal aos assaltantes que procuram se aproveitar da situação, as personagens são apresentados no seu contexto social e conflito particular. O espetáculo é premiado no Rio de Janeiro, São Paulo e em Brasília.

No fim da década de 80, muda-se para Rio Branco, onde funda o Grupo Poronga que, formado por atores amadores vindos de grupos de periferia, realiza Tributo a Chico Mendes, baseado na história do líder dos seringueiros assassinado por fazendeiros do Acre. O espetáculo é apresentado nas principais capitais do país.

Em 1990, ganha Bolsa Vitae de Artes para pesquisar a história da Nação Kaxinawá, grupo indígena do Acre, que resulta no texto Yuraiá - o Rio do Nosso Corpo. Nessa década estabelece-se em Belo Horizonte, onde adapta e encena o espetáculo Primeiras Estórias, baseado no livro de Guimarães Rosa, 1992, remontando-o com formandos da Universidade Estadual de Campinas, sucesso de público e crítica.

A trajetória de João das Neves revela coerência. Um diretor empenhado em buscar no teatro uma via de reflexão sobre as incongruências da sociedade brasileira. Na apresentação do texto Yuraiá - o Rio do Nosso Corpo, a crítica e ensaísta Ilka Marinho Zanotto, traça um perfil do artista: "João das Neves é um homem de teatro total. Como provam seus trabalhos anteriores, sua escritura cênica é sumamente original; compete a ele transformar em realidade as virtualidades de um texto que exige a recriação de um clima especialíssimo, no qual o espaço oscila entre a concretude de uma aldeia caxi e as paragens brumosas dos mitos imemoriais, e o tempo ziguezagueia entre presente e passado histórico e a atemporalidade das lendas e dos mitos.(...) João das Neves, afeito às reivindicações factuais de justiça e de igualdade, assume nesta obra uma dimensão mais ampla ao justificar quase que panteisticamente o direito inalienável à liberdade".

Fonte Itaú Cultural

Fale com o WebMaster
Melhor visualizado em 800x600
©Copyright 2004– TVE Rede Brasil