Maria
Bethânia Vianna Telles Veloso, irmã do compositor e cantor
Caetano Veloso, nasceu no dia 18 de Junho de 1946 em Santo Amaro da
Purificação, na Bahia. Desde a infância gostava
de cantar, imitando os artistas que ouvia no rádio e sabia que
seu destino era o palco. Sonhava em ser bailarina e queria também
subir aos palcos como atriz, não estava nos seus planos ainda
fazer do canto a sua profissão. Sua estréia no palco estava
mais próxima que ela mesmo pensava.
DÉCADA DE 60
Pela primeira vez subiu ao palco para cantar em público um samba
de Ataulfo Alves na peça "Boca de Ouro", de Nelson
Rodrigues. Neste mesmo ano, Bethânia e seu irmão, companheiro
inseparável, conheceram Gilberto Gil, Tom Zé e Gal Costa
e juntos, resolveram fazer um show de música. Em 1964 o espetáculo
"Nós por Exemplo" inaugurou o Teatro Vila Velha, marcando
a estréia dos baianos, que ainda naquele mesmo ano apresentaram-se
juntos em "Nossa Bossa Velha e Velha Bossa Nova", no mesmo
teatro.
Depois dos clássicos, o Arena passou à fase dos musicais.
Já às segundas-feiras era hábito apresentar cantores
e músicos sob a denominação de "Bossa Arena".
Em co-produção com o Grupo Opinião do Rio de Janeiro,
foi apresentado o espetáculo Opinião, de grande êxito
com a participação de Nara Leão, Zé Keti,
João do Vale e Bethânia, com apenas 19 anos. Bethânia
foi convidada para substituir Nara Leão neste espetáculo.
A estréia foi um sucesso, principalmente pela interpretação
agressiva e áspera de "Carcará", que a lançou
como cantora de protesto, repetindo-se o êxito em São Paulo
quando o Opinião foi apresentado no Teatro Ruth Escobar. Houve
também o "Arena canta Bahia", com Gilberto Gil, Gal
Costa, Tom Zé, Piti e Caetano Veloso, e "Tempo de Guerra",
com Maria Bethânia.
Esse novo caminho, trazendo para o palco determinados valores da música
notadamente brasileira, e elaborado em comum pelo grupo, é explicado
por Armando Costa, Oduvaldo Viana Filho e Paulo Pontes, no programa
Opinião: "O espetáculo é uma tentativa de
colaborar na busca de saídas para o problema do repertório
do teatro brasileiro que está entalado - atravessando a crise
geral que sofre o país e uma crise particular que, embora agravada
pela situação geral, tem, é claro, seus aspectos
específicos. O teatro brasileiro tinha uma tradição
de teatro de autor. A criação de um repertório
ajustado às solicitações e inquietações
do público.
Em maio de 1965 gravou seu primeiro disco em que cantava "Carcará"
e "É de manhã" de Caetano Veloso, tornando-se
a primeira intérprete em disco do irmão compositor. No
mesmo ano gravou outro disco com sambas de Noel Rosa, João de
Barros, Benedito Lacerda, além de lançar mais uma composição
de Caetano - "Sol Negro".
Depois de uma temporada em Salvador, em 1966 voltou ao Rio de Janeiro
em 1966, apresentando-se em shows nas boates Cangaceiro e Barroco. Ao
lado de Gil e Vinícius de Moraes, Bethânia apresentou o
show "Pois é", no Teatro Opinião. Atuou ainda
nos espetáculos "Yes, nós temos banana" e "Comigo
me desavim".
DÉCADA DE 70
Em 1970 Cantou músicas de Antônio Maria e Dolores Duran,
no show "Brasileiro, profissão esperança", de
Paulo Fontes. Em 1971 firmando-se como intéprete passional e
dramática, em 1971 gravou na Philips o disco "A tua presença".
Em Julho do mesmo ano encenou seu espetáculo "Rosa dos Ventos,
dirigido por Fauzi Arap, no Teatro da Praia, Rio de Janeiro. Viajou
em seguida para Europa apresentando-se em Cannes, na França e
na Itália, no Teatro Sistina.
Estreou no cinema em 1972 ao lado de Chico Buarque e Nara Leão
no filme "Quando o Carnaval Chegar", de Cacá Diegues.
Logo, gravou no final de 1972 o disco "Drama Anjo Exterminado",
produzido na Philips por Caetano, no qual ela aparece pela primeira
vez, como letrista, na canção "Trampolim", com
música do irmão.
Em 1973 Dirigida por Antônio Bivar e Isabel Câmara, apresentou-se
no show "Drama - Luz da Noite", seguindo a linha iniciada
com "Rosa dos Ventos", cantando, dançando e recitando
textos e poemas de Clarice Lispéctor e Fernando Pessoa.
Novamente com a direção de Fauzi Arap, estreou em 1974
o espetáculo "Cena Muda", no Teatro Casa Grande, no
Rio de Janeiro depois encenado em São Paulo e em outras capitais,
como nos shows anteriores.
Comemorando 10 anos de carreira em 1975, apresentou-se ao lado do compositor
e cantor Chico Buarque, na cervejaria carioca "Canecão".
Tendo sido marcada como cantora de protesto, firmou-se como intérprete
vigorosa e dramática, tendo entre seus maiores êxitos as
gravações de "A tua presença", "Esse
cara" e "Drama", de Caetano Veloso, "Iansã"
de Gilberto Gil, "Coração Ateu" de Sueli Costa,
"Tatuagem" de Chico Buarque e "Nada além"
de Custódio Mesquita e Mário Lago.
1976: Doces Bárbaros - Gil, Bethânia, Gal e Caetano
Em 1979 depois de vender 700 mil cópias do disco "Álibi",
ela foi apontada como cantora preferida do povo. Bethânia não
se ligou ao tropicalismo pois não admitia ficar presa a rótulos,
sofrer imposições.
DÉCADA DE 80
Em 1987 Bethânia fez apresentações exclusivas em
palcos estrangeiros como em Lisboa, Cuba e Israel. Em 1988 seu álbum
"Maria" foi lançado simultaneamente no Brasil, na França
e em Portugal. Em 1989 recebeu o troféu Caymmi-Ano V, no Teatro
Iemanjá - Centro de Convenções da Bahia.
Maria Bethânia recebe bastante homenagens. A amiga Gilda Carvalho
construiu com suas próprias economias um teatro em Salvador batizando-o
de "Teatro Maria Bethânia", hoje desativado.
Para comemorar os seus 25 anos de carreira, Bethânia reuniu um
time brasileiro, que incluía João Gilberto, Hermeto Pascoal,
Almir Sater, entre outros. O resultado foi o disco "25 Anos",
que abre ao som da bateria de Mangueira , traz um clássico de
Heitor Villa-Lobos ("O canto do pajé"), textos de Mário
de Andrade e Fausto Fawcett e a presença especialíssima
da dama do jazz, Nina Simone, que divide o vocal com Maria Bethânia
em "Pronta pra Cantar", do mano Caetano.
DÉCADA DE 90
"As Canções Que Você fez pra mim", de
1994, só com músicas de Roberto e Erasmo Carlos, alcançou
a marca de 1,5 milhão de cópias vendidas. O "Rei"
sempre foi influência muito forte na carreira de Bethânia.
Em 1995, Bethânia escolheu Gabriel Vilela para realizar o show
que daria origem ao show "Maria Bethânia Ao Vivo". O
diretor deu um clima barroco ao espetáculo, que fazia um retrospecto
da carreira da cantora.
"Âmbar", de 1996, que comemora os 50 anos da cantora,
traz uma nova geração de compositores - Adriana Calcanhoto,
Chico César, Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, ao lado da regravação
do clássico "Chão de Estrelas", de Sílvio
Caldas e Orestes Barbosa. Seu aniversário foi comemorado com
missa e festa, na Bahia, e celebrado no palco com o show "Imitação
da Vida", registrado em CD duplo.
Novamente em parceria com Fauzi Arap, ela declama textos e poesias
de Fernando Pessoa e músicas como "Mensagem", de Cícero
Nunes e Aldo Cabral, clássico gravado por Isaurinha Garcia na
década de 50.
Em 1999 lança o disco "A força que nunca seca"
com músicas representantes da cultura nordestina. No mesmo ano
lançou o disco duplo "Diamante Verdadeiro", resultado
do show "Diamante Verdadeiro" . O show foi a união
das canções de "A Força que nunca seca",
também com raízes do nordeste. Neste disco, canções
sobre a água, sobre o mar, sobre a Bahia e os orixás,
de vários compositores. Bethânia declamou poesias de Castro
Alves, que marcou o condoreirismo da era do romantismo brasileiro.
UMA NOVA ERA
Em 2000
O ano 2000 foi bem marcante na carreira de Bethânia. As comemorações
dos 500 anos reuniram ela, Gal e Pavarotti num maravilhoso espetáculo
ao ar livre em Salvador.
Muito religiosa, desde sempre, Maria Bethânia colecionou ladainhas
e músicas da tradição oral de sua terra. Encomendou
a amigos outras peças, que integram a quase-missa que se revela
o disco Cânticos, Preces, Súplicas à Senhora dos
Jardins do Céu. Vivendo aquele estágio de vida pessoal
e profissional em que pode fazer o que lhe dê vontade, Maria Bethânia
tem abraçado projetos alternativos - que não interferem
nos outros compromissos, nos espaços reservados ao lazer, no
tempo dedicado à leitura de seus poetas.
Bethânia juntou versos de romeiros, colecionados por Mabel, juntou
outros e deu a montagem para Gilberto Gil musicar - ele toca o violão,
no disco. Suely Costa tinha sua nossa Senhora da Ajuda, sobre versos
de Cecília Meireles - e assim se foi fazendo a obra. Os arranjos
delicados, quando necessário, solenes, de Jaime Alem reforçam,
no resultado o tom solene e no entanto íntimo que só uma
grande artista, de grande fé, ousaria.
2001
Mais um trabalho de Bethânia chega. Maricotinha é o título
de seu disco. No lançamento do seu CD no Canecão, Rio
de Janeiro, Bethânia reuniu vários amigos para o grande
show. E foi com rosas que Bethânia terminou mais um espetáculo.
Fonte:
http://www.mariabethania.hpg.ig.com.br/
Links
http://www.mpbnet.com.br/musicos/maria.bethania/
http://musicabrasileira.org/mariabethania/