PROGRAMA DO DIA 21 DE NOVEMBRO DE 2006

EUGÊNIO BUCCI

Neste programa, Alberto Dines entrevistou o presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci, que discutiu o papel da Radiobrás na comunicação pública.

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

PROMESSA É DÍVIDA
E a entrevista coletiva?

Alberto Dines

Há 24 dias (completados em 21/11), o presidente Lula, recém eleito, declarou solenemente que afinal concederia uma entrevista coletiva. Na ocasião – a festa da vitória em 29/10 – houve um simulacro de coletiva. De mentirinha, não valeu. Dia seguinte uma blitz de declarações ao vivo, nos principais telejornais. Também não valeu.

Leia na íntegra

A mídia estimula a “ditadura da beleza”?

Resultado:

Sim: 98%

Não: 2%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

Editorial:

O programa de hoje foi uma entrevista especial com o presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci.


Leia na íntegra

ASSASSINATOS EM SP
Confissão poupou a mídia de uma nova Escola Base

Luiz Antonio Magalhães

Durou pouco, mas foi escandaloso. Na sexta-feira, o assassinato, em um bairro de classe média alta de São Paulo, de um casal de aposentados – Sebastião e Hilda Tavares – logo chamou atenção da imprensa. Os sites informativos começaram a noticiar o caso, que chocava pela violência praticada – os dois foram mortos a facadas – e pela apressada conclusão do delegado titular do 23º DP de que o filho do casal assassinado, o escrevente Rogério Gonçalves Tavares, seria o principal suspeito de ter cometido o crime.

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

EUGÊNIO BUCCI

O Observatório da Imprensa do dia 21 de novembro recebeu o presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci, que discutiu a questão da comunicação no país e defendeu a união das TVs públicas, para que elas possam melhorar sua programação e conquistar mais telespectadores. Além disso, Bucci explicou a possibilidade de deixar o cargo neste segundo mandato de Lula.

Eugênio Bucci explicou os comentários de que ele estaria sofrendo pressões do PT para que deixasse o cargo: “Nos últimos dias deu-se uma espécie de caso da Radiobrás porque se comentou que eu havia entregue uma carta ao presidente da República, abrindo mão de meu cargo em função de pressões que eu teria recebido do Partido dos Trabalhadores ou de setores do governo. Não foi isso que aconteceu. De fato, dois dias após o segundo turno, quando o presidente Lula, com 58 milhões de votos, foi reconduzido ao seu posto por vontade dos eleitores brasileiros, eu, como já havia antecipado há mais de um ano, entreguei meu cargo ao presidente da República. Fiz isso, por entender, como já pensava, que um mandato é um período suficiente para que alguém, que preside uma estatal, possa expor, implementar e fazer andar o seu projeto. E em uma renovação de governo, os cargos devem ser renovados. Haver necessidade de continuar é uma outra conversa. O meu compromisso com o presidente, que muito me honrou, é de um governo. Então, eu coloquei essa minha idéia em uma carta que seguiu para o presidente da República com cópia para o ministro de estado. Agora, nessa transição, nesta renovação dos postos, certamente, isso vai ser discutido, vai ser avaliado. A minha disposição, nesse momento, é que o presidente disponha o meu cargo e que a gente prossiga com um projeto vitorioso, que a Radiobrás demonstrou, que contou com o apoio do governo. A renovação faz parte do jogo, mas não há uma pressão do PT para que eu saia da Radiobrás.”

Bucci falou das críticas que a imprensa tem recebido do governo: “Eu acho fundamental que os veículos de imprensa, o jornalismo seja debatido. Acho mesmo, que é dever de vários representantes de organizações sociais, de partidos, de instituições criticarem e discutirem os meios de comunicação. Discutirem o que acontece no jornal, na revista, na TV. Quanto mais a sociedade questiona a informação que recebe, melhor tende a ser os serviços informativos, melhor tende a ser o jornalismo nessa sociedade. Nós precisamos olhar com mais atenção e tomar cuidado para não ter a instituição do Estado ou do governo tomando partido exageradamente nesse debate. O Estado é o lado forte. O Estado não é vítima. A vítima, em geral, na história das democracias, é a imprensa. Quem precisa ser protegida é a imprensa. Fiz críticas de imprensa até o momento em que fui para o governo. Não sou integrante do governo, propriamente dito. Eu sou um presidente de uma estatal, que é uma empresa da administração indireta, tecnicamente falando. Mas, presidindo uma empresa em um cargo nomeado pelo presidente da República, me vi impedido, por um conflito de interesses óbvios, de continuar opinando sobre os meios de comunicação. O telespectador, o eleitor se perguntaria, com toda legitimidade, ao ver uma crítica minha sobre os meios de comunicação, se eu estava dizendo aquilo a partir de uma observação independente ou para atender algum interesse de governo. Então, a situação de quem está no governo é de, antes, primar pela defesa da instituição da imprensa, independente da conduta dos veículos que compõem essa instituição.”

O presidente da Radiobrás propôs, ainda, um caminho para que a “ferida” provocada na imprensa, acusada de um complô contra o governo, durante as eleições, não reabra. Bucci defendeu a maior democratização dos meios de comunicação, no Brasil, a partir da implementação de mecanismos regulatórios: “Tenho muita confiança nos caminhos do diálogo. Acredito que a ferida, talvez, não seja tão séria. Há um acalorado debate, com momentos diferentes. É importante saber que existem erros que são apontados em público e que são discutidos em público. Não é verdade que a sociedade seja composta de carneirinhos que seguem as orientações dos meios de comunicação. Nós temos centenas de exemplos que atestam que o processo livre de formação de opinião e da vontade continua soberano. Não há a verificação de que os meios de comunicação tenham o poder de mandar sobre a decisão dos cidadãos. O espírito crítico existe e dá prova de sua existência todos os dias. Então, eu não vejo uma ferida como uma ameaça fatal. Eu vejo a necessidade de um amadurecimento, de um diálogo e quanto mais melhor. Nós temos problemas estruturais no setor das comunicações do Brasil. Temos ausência de mecanismos de limitação que controle a concentração de propriedade, por exemplo, como existe nos EUA e nos principais países europeus. Tendemos a correr o risco de um desequilíbrio nesse setor, de termos um veículo ou uma empresa falando sozinho. Se formos observar o quadro americano, nós vamos ver que existem limitações para que uma mesma empresa ou o mesmo grupo econômico não passe a controlar, numa mesma área geográfica, os principais jornais, as emissoras de rádio, a principal TV aberta e assim por diante. Essa limitação, muito útil tanto para diversidade de opiniões quanto para a pluralidade e a livre competição entre as empresas, não é observada no Brasil. Ela é vigiada em várias democracias que nós sempre adotamos como referência.”


EDITORIAL

O programa de hoje foi uma entrevista especial com o presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci.


ARTIGO
Por Alberto Dines

PROMESSA É DÍVIDA
E a entrevista coletiva?

Alberto Dines

Há 24 dias (completados em 21/11), o presidente Lula, recém eleito, declarou solenemente que afinal concederia uma entrevista coletiva. Na ocasião – a festa da vitória em 29/10 – houve um simulacro de coletiva. De mentirinha, não valeu. Dia seguinte uma blitz de declarações ao vivo, nos principais telejornais. Também não valeu.

Entrevista coletiva de um Chefe de Estado faz parte dos ritos democráticos. Não muda nada, tem valor simbólico, mas a democracia, além das suas especificidades institucionais, repousa num repertório de ritos que a qualificam.

No caso do presidente Lula, uma entrevista coletiva

autêntica é muito mais do que um rito. É um dever imperioso, inadiável. Servirá para corrigir uma das falhas gritantes do primeiro mandato e, principalmente, para neutralizar seus ataques e ameaças à mídia iniciados muito antes da descoberta do Dossiê Vedoin pela Polícia Federal.

O presidente Lula, como bom político, sabe reparar brigas antigas e desarmar antigos adversários. Sua admiração por Antônio Delfim Neto (o ex-czar da economia no período em que o líder sindical Lula era o seu mais ferrenho inimigo) é uma prova inequívoca da sua capacidade de erradicar mágoas e fazer amigos.

O mesmo não acontece na esfera da imprensa. Como diria um consultor sentimental, o presidente deve "rever a sua relação" com a imprensa. No seu íntimo, o presidente Lula sabe muito bem que não pode continuar cuspindo nas rotativas que tanto o ajudaram (a metáfora é de um dos fundadores do PT, o deputado Paulo Delgado).

No debate da TV Bandeirantes o presidente parecia curado da sua síndrome anti-mídia. Três semanas depois teve uma recaída. Inspirado talvez por Hugo Chávez ao seu lado, soltou o ressentimento represado.

A relação Lula-mídia é complicada, ambígua, conflitante, com conotações psicológicas e evidentes fundamentos messiânico-ideológicos. O presidente da República não gosta de réplicas, acha que a sua trajetória pessoal não pode ser contestada, seu novo triunfo eleitoral dá-lhe o direito de dizer o que bem entende. Ungido pelo povo, só ele sabe o que convém ao povo.

No Estado Novo, o famigerado DIP foi apelidado pelos jornalistas como o "Fala Sozinho". Nosso presidente jamais imporia uma censura igual à de Getúlio Vargas. Mas incomoda-o ser contrariado e questionado. O jornalista Elio Gaspari apelidou-o de "Nosso Guia", ele o conhece antes mesmo da matéria de capa de IstoÉ em fevereiro de 1978.

Origem dos ataques

Não foi o presidente Lula que iniciou esta cruzada de críticas e intimidações à imprensa: em 2005, Tarso Genro (então presidente interino do PT) produziu uma violenta nota oficial do partido contra a mídia acusando-a de golpista etc. (clique aqui para ler os comentários de Genro sobre a nota, feitos no programa Observatório da Imprensa na TV).

Depois, apareceu o ex-ministro José Dirceu utilizando com grande habilidade a técnica do ataque como arma de defesa para livrá-lo das acusações sobre o seu envolvimento no caso Valerioduto/Mensalão.

Virou moda, era cômodo dizer que o mensalão não existiu, foi invenção da mídia e que o moralismo da mídia era de origem udenista, tudo isto mesmo depois do contundente parecer do Procurador Geral da República sobre a "organização criminosa" que operava o esquema. E como a imprensa cometeu algumas leviandades pontuais (os dólares de Cuba, por exemplo) era fácil desacreditá-la liminarmente.

A idéia de levar a mídia aos palanques para ser continuamente malhada e desmoralizada foi um recurso tático destinado a prevenir eventuais denúncias da imprensa na reta final, pouco antes do primeiro turno.

Então veio o Dossiê Vedoin e o tiro que deveria ferir mortalmente o candidato José Serra converteu-se no mais desastrado tiro no pé da nossa história política. Inventou-se finalmente o "complô da mídia" forjado pela imprensa dita engajada para diminuir os seus efeitos. A verdade é que na trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva há uma zona cinzenta que corre o risco de parecer preta.

Difícil prever como o presidente Lula conseguirá reencontrar a naturalidade perdida no trato com a imprensa. Alguns dos seus conselheiros na área política recomendam uma mudança imediata, pois o esforço para atrair o PMDB pode esboroar-se caso persista a atual tensão entre o Executivo e o chamado Quarto Poder.

Convém ter em conta que alguns próceres do PMDB são poderosos barões da mídia em seus respectivos currais. Não pretendem abrir mão dos seus privilégios nem alterar o status quo em matéria de concentração dos meios de comunicação. E isso é exatamente o que se espera de um governo cujo partido clama pela democratização dos meios de comunicação.

Os principais auxiliares da Presidência na área jornalística não estão felizes: alguns já deixaram o governo, outros apenas colocaram os cargos à disposição e outros já decidiram formalizar a sua saída. Sem eles, a ciclotimia pode agravar-se e converter-se em mania de perseguição.

Uma entrevista coletiva poderia desanuviar os ânimos, mas também pode agravá-los. Jornalistas querem saber, não para pautar o governo (como acusou o irritado professor Marco Aurélio Garcia), mas porque têm a obrigação de fazer as perguntas que a sociedade exige deles.

Numa entrevista coletiva verdadeira, os repórteres não poderão deixar de lado problemas cruciais e gritantes como o "apagão aéreo" (e sua implicação com a tragédia do Boeing da Gol) e a lentidão das investigações da Polícia Federal sobre a origem do dinheiro do Dossiê Vedoin. Tais perguntas exigirão respostas claras do entrevistado. Ou réplicas insistentes dos entrevistadores.

A tal "relação" que já é precária pode deteriorar-se ainda mais. Isso talvez explique a demora em cumprir a promessa anunciada de maneira tão eufórica na noite de 29 de outubro.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

ASSASSINATOS EM SP
Confissão poupou a mídia de uma nova Escola Base

Luiz Antonio Magalhães

Durou pouco, mas foi escandaloso. Na sexta-feira, o assassinato, em um bairro de classe média alta de São Paulo, de um casal de aposentados – Sebastião e Hilda Tavares – logo chamou atenção da imprensa. Os sites informativos começaram a noticiar o caso, que chocava pela violência praticada – os dois foram mortos a facadas – e pela apressada conclusão do delegado titular do 23º DP de que o filho do casal assassinado, o escrevente Rogério Gonçalves Tavares, seria o principal suspeito de ter cometido o crime.

Rogério havia sido encontrado no local do crime com um ferimento no pescoço e foi levado a um hospital. Ao longo da tarde de sexta-feira, a maior parte dos sites tratou o escrevente como assassino. Nos jornais de sábado, embora a polícia tenha recuado e passado a tratá-lo também como vítima, Rogério Tavares continuou aparecendo nas reportagens como suspeito de assassinar seus próprios pais.

No domingo, porém, o caso foi finalmente solucionado. A Justiça decretou a prisão temporária do desempregado Luiz Eduardo Cirino, 29, que se apresentou à polícia e confessou ter assassinado os aposentados. Vizinho das vítimas, ele disse que entrou na casa para roubar e que matou o casal porque houve reação. Cirino entregou à polícia roupas sujas de sangue, uma máscara e uma faca que teriam sido usadas no crime.

Não há dúvida alguma que o escrevente Rogério Tavares foi horrivelmente prejudicado pela imprensa. O prejuízo só não foi maior porque o assassino foi logo descoberto. Não fosse assim, Rogério passaria a conviver com, no mínimo, a suspeição de ter cometido não um, mas dois assassinatos. Aliás, o tempo em que Rogério permaneceu sob suspeição foi mesmo curto, mas o suficiente para que a residência do casal morto fosse pichada com frases ofensivas e ameaças ao escrevente. Além disto, alguns perfis publicados sobre o escrevente insinuavam que ele poderia ter algum tipo de doença mental.

Ao fim e ao cabo, a verdade é que a mídia comprou a versão apressada de um delegado – exatamente o mesmo roteiro do início do caso da Escola Base. Bastaria um pouco de prudência dos jornalistas e o mal feito ao escrevente teria sido evitado. Afinal, o "suspeito" estava ferido no pescoço, não havia sinais da arma do crime, as marcas de sangue iam até o muro da casa e a polícia havia sido chamada por uma vizinha que reportou ter visto um mascarado fugindo da residência. Rogério Tavares teria que ser realmente um grande ator para matar os pais e simular a coisa toda, ainda mais com a avó presente na cena do crime.

Em certos momentos, como se pode perceber, é melhor pensar com a própria cabeça do que confiar na autoridade. Para o delegado e para a imprensa, a versão de um assassinato duplo perpetrado pelo filho das vítimas certamente tem "mais leitura", isto é, vende mais jornal e rende mais imagens da autoridade no exercício da nobre função. Um latrocínio é um crime bem mais comum e, portanto, menos "rentável".

No episódio da Escola Base, a imprensa inteira foi atrás da versão de um delegado, com exceção do jornal Diário Popular. Lá houve um repórter que desconfiou do que ouviu, pensou com a própria cabeça e reportou a história ao seu editor, que convenceu a Direção de Redação a esquecer o assunto, apesar do apelo comercial que teria em um jornal popular como era o Dipo. Alguém já disse que o jornal merecia, naquele ano, o Prêmio Esso por não ter publicado um único parágrafo sobre o caso...


PERGUNTAS

E-mails:

Débora El-Jaick Andrade
Fui muito crítica ao Observatório durante as eleições e logo após. Registrei inclusive minhas críticas ao apresentador e jornalista Dines no mural do Observatório. Entretanto, quero também registrar meu contentamento com os programas do último mês que estão excelentes, realmente de debate equilibrado e democrático, ouvindo vários lados e opiniões. Acho que o Observatório reconquista seu papel de autocrítica da imprensa. Só lamento não terem se posicionado contra a condenação do professor Emir Sader que, como articulista e colunista se manifestou contra a atitude racista do senador Bornhausen, pois naquele momento não havia qualquer pretensa neutralidade. Sader não noticiava o acontecido, mas como cientista social, criticava uma posição e discurso ideológico do senador. Toda a comunidade científica indignada se mobilizou, mas não vi isto ocorrer com o Observatório. A verdadeira prática da ditadura não é exigir a responsabilidade da mídia e a comprovação dos fatos por ela veiculados, mas punir um colunista por sua posição ideológica diante de um fato que realmente ocorreu e de um discurso que realmente foi feito! De qualquer forma, registro minha satisfação e que voltarei a assistir o programa.

Vladimir Francisco Tomazoni
Caros amigos, é genial toda informação que este programa nos presta. Mas nossos jornais nacionais estão caindo no marasmo da copiagem de notícias. Exemplos: Folha de S. Paulo e Estadão. Quanto à revista Veja, é só escárnio político. Diogo Mainardi não passa de um frustrado, que olha apenas seu umbigo.

Gervásio Pozza – Jornalista
Eugênio Bucci, a grande contribuição da TVE, especialmente em vários de seus programas, que regularmente assisto, é buscar oferecer (na medida do possível) um “jornalismo de interesse público”, ou como mais claramente se define, o “jornalismo de contato com a comunidade”. A TVE mostrou-se competente pelo conteúdo de programação dessa forma direcionado, ou seja, para os temas próximos ao cidadão comum, que não interessa “comercialmente” às TVs comerciais de forma geral. Mas isso é tarefa impossível, em sua plenitude, para o tamanho e diversidade do Brasil. Mas, repito, a TVE deu uma grande contribuição nessa direção, pois mostrou ser possível discutir temas de interesse da comunidade. Será que o Brasil não passou da hora de ter canais de TVs locais (em cada cidade)? Ou seja, várias “TVEs”, cada uma numa cidade pequena ou média? As maiores vontades e os maiores sonhos da população são direcionados para temas locais, passam pelo interesse, pela análise ou solução dos acontecimentos de seu dia-a-dia. Quando esse momento (TVs locais) chegará, possibilitando esse avanço, tanto quanto as rádios já contribuem nesse sentido? Gostaria que considerasse em sua resposta aquilo que todos sabemos: o principal obstáculo para a viabilização das TVs locais é o interesse contrário das grandes emissoras.

Ricardo Bruno
Gostaria de saber do entrevistado Eugênio Bucci o que o mesmo pensa sobre a tentativa do Governo Federal de criar o Conselho Nacional de Imprensa, criticado duramente pela imprensa direitista do Brasil e pelos partidos beneficiados diretamente com essa mídia, vide Revista Veja e Jornal O Globo que lançaram denúncias diárias e muitas vezes exageradas contra o Governo Federal. Como a imprensa pode ser livre e justa ao mesmo tempo, na medida que os aparelhos de comunicação estão concentrados nas mãos de pouquíssimas empresas? Como garantir a liberdade de imprensa, com os exageros contínuos e propositalmente equivocados por parte dessa mídia que tenta impor diariamente a sua hegemonia à grande maioria da população que não possui nenhuma outra alternativa de se informar, senão as notícias veiculadas por esses organismos de comunicação em massa? Aliás, senhores: o que é ser livre neste país onde o que impera é a opinião de uma minoria que tenta impor suas idéias e seus valores por meio de uma capital cultural que só ela possui?

Jaques Jesus – Assessor de Diversidade e Apoio aos Cotistas / UnB
Saudações. Senhor Eugênio Bucci, a Radiobrás tem alguns apresentadores de jornais negros, o que demonstra um interesse em trabalhar pela inclusão racial na comunicação, em geral ausente nos demais meios de comunicação. Objetivamente, a Radiobrás tem uma política de valorização da diversidade, especialmente da população negra, por meio da presença dos negros na televisão? Qual é sua avaliação quanto ao trabalho da Radiobrás em tratar da diversidade cultural brasileira e do racismo, de forma justa e informativa, diferentemente de outros meios que sequer divulgam manifestações ou eventos de negros, homossexuais e outros grupos?


Telefonemas:

Jaques Jesus, Brasília / DF
A Radiobrás tem contratado mais negros como apresentadores a fim de promover uma política de inclusão e valorizar a imagem do negro na TV?

Giovani Erick, Campinas / SP
Qual a sua opinião sobre a cobertura da mídia nas eleições? Ela foi parcial ou não?

Bianca Ferreira, Petrópolis / RJ
O que o senhor encara como o maior desafio na TV estatal em relação às TVs privadas?

Carlos João, Rio de Janeiro
O que a Radiobrás faz para aumentar o quadro de funcionários concursados e melhorar a qualidade?

Paulo Becker, Juara / MS
O que dizer das emissoras do interior do Brasil que são dadas para políticos?

Felipe Melo, São Lourenço do Sul / RS
Bucci, o senhor falou pouco da flexibilidade da “Hora do Brasil”. Não seria importante fazer um fórum nacional e uma votação entre os radiodifusores para decidir o horário da “Hora do Brasil”?

Sérgio Asquenazi, Campos do Jordão / SP
Qual a freqüência no dial que a Rádio Nacional está transmitindo, para que possamos escutá-la?



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