RESUMO DO PROGRAMA
EUGÊNIO BUCCI
O Observatório da
Imprensa do dia 21 de novembro recebeu o presidente da Radiobrás,
Eugênio Bucci, que discutiu a questão da comunicação no país e defendeu
a união das TVs públicas, para que elas possam melhorar sua programação
e conquistar mais telespectadores. Além disso, Bucci explicou a
possibilidade de deixar o cargo neste segundo mandato de Lula.
Eugênio Bucci
explicou os comentários de que ele estaria sofrendo pressões do PT para
que deixasse o cargo: "Nos últimos dias deu-se uma espécie de caso da
Radiobrás porque se comentou que eu havia entregue uma carta ao
presidente da República, abrindo mão de meu cargo em função de pressões
que eu teria recebido do Partido dos Trabalhadores ou de setores do
Governo. Não foi isso que aconteceu. De fato, dois dias após o segundo
turno, quando o presidente Lula, com 58 milhões de votos, foi
reconduzido ao seu posto por vontade dos eleitores brasileiros, eu, como
já havia antecipado há mais de um ano, entreguei meu cargo ao presidente
da República. Fiz isso, por entender, como já pensava, que um mandato é
um período suficiente para que alguém, que preside uma estatal, possa
expor, implementar e fazer andar o seu projeto. E, em uma renovação de
Governo, os cargos devem ser renovados. Se existir a necessidade de
continuar, aí é uma outra conversa. O meu compromisso com o Presidente,
que muito me honrou, é de um Governo. Então, eu coloquei essa minha
idéia em uma carta que seguiu para o presidente da República com cópia
para o Ministro de Estado. Nessa transição, nesta renovação dos postos,
certamente, isso vai ser discutido, vai ser avaliado. A minha idéia,
nesse momento, é que o Presidente disponha o meu cargo e que a gente
prossiga com um projeto vitorioso que a Radiobrás demonstrou, que contou
com o apoio do Governo. A renovação faz parte do jogo, mas não há uma
pressão do PT para que eu saia da Radiobrás."
Bucci falou das
críticas que a imprensa tem recebido do Governo: "Eu acho fundamental
que os veículos de imprensa, o jornalismo, seja debatido. Acho mesmo,
que é dever de vários representantes de organizações sociais, de
partidos, de instituições criticarem e discutirem os Meios de
Comunicação. Discutirem o que acontece no jornal, na revista, na TV.
Quanto mais a sociedade questiona a informação que recebe, melhor tendem
a ser os serviços informativos, melhor tende a ser o jornalismo nessa
sociedade. Nós precisamos olhar com mais atenção e tomar cuidado para
não ter a instituição do Estado ou do Governo tomando partido
exageradamente nesse debate. O Estado é o lado forte. O Estado não é
vítima. A vítima, em geral, na história das democracias, é a imprensa.
Quem precisa ser protegida é a imprensa. Fiz críticas de imprensa até o
momento em que fui para o Governo. Não sou integrante do Governo,
propriamente dito. Eu sou um presidente de uma estatal, que é uma
empresa da administração indireta, tecnicamente falando. Mas, presidindo
uma empresa em um cargo nomeado pelo presidente da República, me vi
impedido, por um conflito de interesses óbvios, de continuar opinando
sobre os Meios de Comunicação. O telespectador, o eleitor se
perguntaria, com toda legitimidade, ao ver uma crítica minha sobre os
Meios de Comunicação, se eu estava dizendo aquilo a partir de uma
observação independente ou para atender algum interesse do Governo.
Então, a situação de quem está no Governo é de, antes, primar pela
defesa da instituição da imprensa, independente da conduta dos veículos
que compõem essa instituição."
O presidente da
Radiobrás propôs, ainda, um caminho para que a ferida provocada na
imprensa, acusada de um complô contra o Governo durante as eleições, não
reabra. Bucci defendeu a maior democratização dos Meios de Comunicação
no Brasil a partir da implementação de mecanismos regulatórios: "Tenho
muita confiança nos caminhos do diálogo. Acredito que a ferida, talvez,
não seja tão séria. Há um acalorado debate, com momentos diferentes. É
importante saber que existem erros que são apontados em público e que
são discutidos em público. Não é verdade que a sociedade seja composta
de carneirinhos que seguem as orientações dos Meios de Comunicação. Nós
temos centenas de exemplos que atestam que o processo livre de formação
de opinião e de vontade continua soberano. Não há a verificação de que
os Meios de Comunicação tenham o poder de mandar sobre a decisão dos
cidadãos. O espírito crítico existe e dá prova de sua existência todos
os dias. Então, eu não vejo uma ferida como uma ameaça fatal, eu vejo a
necessidade de um amadurecimento, de um diálogo e quanto mais, melhor.
Nós temos problemas estruturais no setor das comunicações no Brasil.
Temos ausência de mecanismos de limitação que controle a concentração de
propriedade, por exemplo, como existe nos EUA e nos principais países
europeus. Tendemos a correr o risco de um desequilíbrio nesse setor, de
termos um veículo ou uma empresa falando sozinho. Se formos observar o
quadro americano, nós vamos ver que existem limitações para que uma
mesma empresa ou o mesmo grupo econômico não passe a controlar, numa
mesma área geográfica, os principais jornais, as emissoras de Rádio, a
principal TV aberta e assim por diante. Essa limitação, muito útil,
tanto para a diversidade de opiniões quanto para a pluralidade e a livre
competição entre as empresas, não é observada no Brasil. Ela é vigiada
em várias democracias que nós sempre adotamos como referência."
EDITORIAL
O programa
de hoje foi uma entrevista especial com o presidente da Radiobrás,
Eugênio Bucci.
ARTIGO
Por Alberto Dines
PROMESSA É DÍVIDA
E a entrevista coletiva?
Alberto Dines
Há 24 dias (completados em 21/11), o
presidente Lula, recém eleito, declarou solenemente que afinal
concederia uma entrevista coletiva. Na ocasião - a festa da vitória em
29/10 - houve um simulacro de coletiva. De mentirinha, não valeu. Dia
seguinte uma blitz de declarações ao vivo, nos principais telejornais.
Também não valeu.
Entrevista coletiva de um Chefe de
Estado faz parte dos ritos democráticos. Não muda nada, tem valor
simbólico, mas a democracia, além das suas especificidades
institucionais, repousa num repertório de ritos que a qualificam.
No caso do presidente Lula, uma
entrevista coletiva
autêntica é muito mais do que um rito. É um
dever imperioso, inadiável. Servirá para corrigir uma das falhas
gritantes do primeiro mandato e, principalmente, para neutralizar seus
ataques e ameaças à mídia iniciados muito antes da descoberta do Dossiê
Vedoin pela Polícia Federal.
O presidente Lula, como bom político,
sabe reparar brigas antigas e desarmar antigos adversários. Sua
admiração por Antônio Delfim Neto (o ex-czar da economia no período em
que o líder sindical Lula era o seu mais ferrenho inimigo) é uma prova
inequívoca da sua capacidade de erradicar mágoas e fazer amigos.
O mesmo não acontece na esfera da
imprensa. Como diria um consultor sentimental, o presidente deve "rever
a sua relação" com a imprensa. No seu íntimo, o presidente Lula sabe
muito bem que não pode continuar cuspindo nas rotativas que tanto o
ajudaram (a metáfora é de um dos fundadores do PT, o deputado Paulo
Delgado).
No debate da TV Bandeirantes o
presidente parecia curado da sua síndrome anti-mídia. Três semanas
depois teve uma recaída. Inspirado talvez por Hugo Chávez ao seu lado,
soltou o ressentimento represado.
A relação Lula-mídia é complicada,
ambígua, conflitante, com conotações psicológicas e evidentes
fundamentos messiânico-ideológicos. O presidente da República não gosta
de réplicas, acha que a sua trajetória pessoal não pode ser contestada,
seu novo triunfo eleitoral dá-lhe o direito de dizer o que bem entende.
Ungido pelo povo, só ele sabe o que convém ao povo.
No Estado Novo, o famigerado DIP foi
apelidado pelos jornalistas como o "Fala Sozinho". Nosso presidente
jamais imporia uma censura igual à de Getúlio Vargas. Mas incomoda-o ser
contrariado e questionado. O jornalista Elio Gaspari apelidou-o de
"Nosso Guia", ele o conhece antes mesmo da matéria de capa de IstoÉ
em fevereiro de 1978.
Origem dos ataques
Não foi o presidente Lula que iniciou
esta cruzada de críticas e intimidações à imprensa: em 2005, Tarso Genro
(então presidente interino do PT) produziu uma violenta nota oficial do
partido contra a mídia acusando-a de golpista etc. (clique
aqui para ler os comentários de Genro sobre a nota, feitos no
programa Observatório da Imprensa na TV).
Depois, apareceu o ex-ministro José
Dirceu utilizando com grande habilidade a técnica do ataque como arma de
defesa para livrá-lo das acusações sobre o seu envolvimento no caso
Valerioduto/Mensalão.
Virou moda, era cômodo dizer que o
mensalão não existiu, foi invenção da mídia e que o moralismo da mídia
era de origem udenista, tudo isto mesmo depois do contundente parecer do
Procurador Geral da República sobre a "organização criminosa" que
operava o esquema. E como a imprensa cometeu algumas leviandades
pontuais (os dólares de Cuba, por exemplo) era fácil desacreditá-la
liminarmente.
A idéia de levar a mídia aos palanques
para ser continuamente malhada e desmoralizada foi um recurso tático
destinado a prevenir eventuais denúncias da imprensa na reta final,
pouco antes do primeiro turno.
Então veio o Dossiê Vedoin e o tiro que
deveria ferir mortalmente o candidato José Serra converteu-se no mais
desastrado tiro no pé da nossa história política. Inventou-se finalmente
o "complô da mídia" forjado pela imprensa dita engajada para diminuir os
seus efeitos. A verdade é que na trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva
há uma zona cinzenta que corre o risco de parecer preta.
Difícil prever como o presidente Lula
conseguirá reencontrar a naturalidade perdida no trato com a imprensa.
Alguns dos seus conselheiros na área política recomendam uma mudança
imediata, pois o esforço para atrair o PMDB pode esboroar-se caso
persista a atual tensão entre o Executivo e o chamado Quarto Poder.
Convém ter em conta que alguns próceres
do PMDB são poderosos barões da mídia em seus respectivos currais. Não
pretendem abrir mão dos seus privilégios nem alterar o status quo
em matéria de concentração dos meios de comunicação. E isso é exatamente
o que se espera de um governo cujo partido clama pela democratização dos
meios de comunicação.
Os principais auxiliares da Presidência
na área jornalística não estão felizes: alguns já deixaram o governo,
outros apenas colocaram os cargos à disposição e outros já decidiram
formalizar a sua saída. Sem eles, a ciclotimia pode agravar-se e
converter-se em mania de perseguição.
Uma entrevista coletiva poderia
desanuviar os ânimos, mas também pode agravá-los. Jornalistas querem
saber, não para pautar o governo (como acusou o irritado professor Marco
Aurélio Garcia), mas porque têm a obrigação de fazer as perguntas que a
sociedade exige deles.
Numa entrevista coletiva verdadeira, os
repórteres não poderão deixar de lado problemas cruciais e gritantes
como o "apagão aéreo" (e sua implicação com a tragédia do Boeing da Gol)
e a lentidão das investigações da Polícia Federal sobre a origem do
dinheiro do Dossiê Vedoin. Tais perguntas exigirão respostas claras do
entrevistado. Ou réplicas insistentes dos entrevistadores.
A tal "relação" que já é precária pode
deteriorar-se ainda mais. Isso talvez explique a demora em cumprir a
promessa anunciada de maneira tão eufórica na noite de 29 de outubro.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
ASSASSINATOS EM SP
Confissão poupou a mídia de uma nova Escola Base
Luiz Antonio Magalhães
Durou pouco, mas foi escandaloso. Na
sexta-feira, o assassinato, em um bairro de classe média alta de São
Paulo, de um casal de aposentados - Sebastião e Hilda Tavares - logo
chamou atenção da imprensa. Os sites informativos começaram a noticiar o
caso, que chocava pela violência praticada - os dois foram mortos a
facadas - e pela apressada conclusão do delegado titular do 23º DP de que
o filho do casal assassinado, o escrevente Rogério Gonçalves Tavares,
seria o principal suspeito de ter cometido o crime.
Rogério havia sido encontrado no local do
crime com um ferimento no pescoço e foi levado a um hospital. Ao longo da
tarde de sexta-feira, a maior parte dos sites tratou o escrevente como
assassino. Nos jornais de sábado, embora a polícia tenha recuado e passado
a tratá-lo também como vítima, Rogério Tavares continuou aparecendo nas
reportagens como suspeito de assassinar seus próprios pais.
No domingo, porém, o caso foi finalmente
solucionado. A Justiça decretou a prisão temporária do desempregado Luiz
Eduardo Cirino, 29, que se apresentou à polícia e confessou ter
assassinado os aposentados. Vizinho das vítimas, ele disse que entrou na
casa para roubar e que matou o casal porque houve reação. Cirino entregou
à polícia roupas sujas de sangue, uma máscara e uma faca que teriam sido
usadas no crime.
Não há dúvida alguma que o escrevente
Rogério Tavares foi horrivelmente prejudicado pela imprensa. O prejuízo só
não foi maior porque o assassino foi logo descoberto. Não fosse assim,
Rogério passaria a conviver com, no mínimo, a suspeição de ter cometido
não um, mas dois assassinatos. Aliás, o tempo em que Rogério permaneceu
sob suspeição foi mesmo curto, mas o suficiente para que a residência do
casal morto fosse pichada com frases ofensivas e ameaças ao escrevente.
Além disto, alguns perfis publicados sobre o escrevente insinuavam que ele
poderia ter algum tipo de doença mental.
Ao fim e ao cabo, a verdade é que a mídia
comprou a versão apressada de um delegado - exatamente o mesmo roteiro do
início do caso da Escola Base. Bastaria um pouco de prudência dos
jornalistas e o mal feito ao escrevente teria sido evitado. Afinal, o
"suspeito" estava ferido no pescoço, não havia sinais da arma do crime, as
marcas de sangue iam até o muro da casa e a polícia havia sido chamada por
uma vizinha que reportou ter visto um mascarado fugindo da residência.
Rogério Tavares teria que ser realmente um grande ator para matar os pais
e simular a coisa toda, ainda mais com a avó presente na cena do crime.
Em certos momentos, como se pode
perceber, é melhor pensar com a própria cabeça do que confiar na
autoridade. Para o delegado e para a imprensa, a versão de um assassinato
duplo perpetrado pelo filho das vítimas certamente tem "mais leitura",
isto é, vende mais jornal e rende mais imagens da autoridade no exercício
da nobre função. Um latrocínio é um crime bem mais comum e, portanto,
menos "rentável".
No episódio da Escola Base, a imprensa
inteira foi atrás da versão de um delegado, com exceção do jornal
Diário Popular. Lá houve um repórter que desconfiou do que ouviu,
pensou com a própria cabeça e reportou a história ao seu editor, que
convenceu a Direção de Redação a esquecer o assunto, apesar do apelo
comercial que teria em um jornal popular como era o Dipo. Alguém já
disse que o jornal merecia, naquele ano, o Prêmio Esso por
não ter publicado um único parágrafo sobre o
caso...
PERGUNTAS
E-mails:
Débora
El-Jaick Andrade
Fui muito crítica ao Observatório durante as eleições e logo após.
Registrei inclusive minhas críticas ao apresentador e jornalista Dines
no mural do Observatório. Entretanto, quero também registrar meu
contentamento com os programas do último mês que estão excelentes,
realmente de debate equilibrado e democrático, ouvindo vários lados e
opiniões. Acho que o Observatório reconquista seu papel de autocrítica
da imprensa. Só lamento não terem se posicionado contra a condenação do
professor Emir Sader que, como articulista e colunista se manifestou
contra a atitude racista do senador Bornhausen, pois naquele momento não
havia qualquer pretensa neutralidade. Sader não noticiava o acontecido,
mas como cientista social, criticava uma posição e discurso ideológico
do senador. Toda a comunidade científica indignada se mobilizou, mas não
vi isto ocorrer com o Observatório. A verdadeira prática da ditadura não
é exigir a responsabilidade da mídia e a comprovação dos fatos por ela
veiculados, mas punir um colunista por sua posição ideológica diante de
um fato que realmente ocorreu e de um discurso que realmente foi feito!
De qualquer forma, registro minha satisfação e voltarei a assistir o
programa.
Vladimir
Francisco Tomazoni
Caros amigos, é genial toda informação que este programa nos presta. Mas
nossos jornais nacionais estão caindo no marasmo da copiagem de
notícias. Exemplos: Folha de S. Paulo e Estadão. Quanto à revista Veja,
é só escárnio político. Diogo Mainardi não passa de um frustrado, que
olha apenas seu umbigo.
Gervásio
Pozza - Jornalista
Eugênio Bucci, a grande contribuição da TVE, especialmente em vários de
seus programas, que regularmente assisto, é buscar oferecer (na medida
do possível) um "jornalismo de interesse público", ou como mais
claramente se define, o "jornalismo de contato com a comunidade". A TVE
mostrou-se competente pelo conteúdo de programação dessa forma
direcionado, ou seja, para os temas próximos ao cidadão comum, que não
interessa "comercialmente" às TVs comerciais de forma geral. Mas isso é
tarefa impossível, em sua plenitude, para o tamanho e diversidade do
Brasil. Mas, repito, a TVE deu uma grande contribuição nessa direção,
pois mostrou ser possível discutir temas de interesse da comunidade.
Será que o Brasil não passou da hora de ter canais de TVs locais (em
cada cidade)? Ou seja, várias "TVEs", cada uma numa cidade pequena ou
média? As maiores vontades e os maiores sonhos da população são
direcionados para temas locais, passam pelo interesse, pela análise ou
solução dos acontecimentos de seu dia-a-dia. Quando esse momento (TVs
locais) chegará, possibilitando esse avanço, tanto quanto as rádios já
contribuem nesse sentido? Gostaria que considerasse em sua resposta
aquilo que todos sabemos: o principal obstáculo para a viabilização das
TVs locais é o interesse contrário das grandes emissoras.
Ricardo
Bruno
Gostaria de saber do entrevistado Eugênio Bucci o que o mesmo pensa
sobre a tentativa do Governo Federal de criar o Conselho Nacional de
Imprensa, criticado duramente pela imprensa direitista do Brasil e pelos
partidos beneficiados diretamente com essa mídia, vide revista Veja e
jornal O Globo que lançaram denúncias diárias e muitas vezes exageradas
contra o Governo Federal. Como a imprensa pode ser livre e justa ao
mesmo tempo, na medida em que os aparelhos de comunicação estão
concentrados nas mãos de pouquíssimas empresas? Como garantir a
liberdade de imprensa, com os exageros contínuos e propositalmente
equivocados por parte dessa mídia que tenta impor diariamente a sua
hegemonia à grande maioria da população que não possui nenhuma outra
alternativa de se informar, senão as notícias veiculadas por esses
organismos de comunicação em massa? Aliás, senhores: o que é ser livre
neste país onde o que impera é a opinião de uma minoria que tenta impor
suas idéias e seus valores por meio de uma capital cultural que só ela
possui?
Jaques
Jesus - Assessor de Diversidade e Apoio aos Cotistas / UnB
Saudações. Senhor Eugênio Bucci, a Radiobrás tem alguns apresentadores
de jornais negros, o que demonstra um interesse em trabalhar pela
inclusão racial na comunicação, em geral ausente nos demais meios de
comunicação. Objetivamente, a Radiobrás tem uma política de valorização
da diversidade, especialmente da população negra, por meio da presença
dos negros na televisão? Qual é sua avaliação quanto ao trabalho da
Radiobrás em tratar da diversidade cultural brasileira e do racismo, de
forma justa e informativa, diferentemente de outros meios que sequer
divulgam manifestações ou eventos de negros, homossexuais e outros
grupos?
Telefonemas:
Jaques
Jesus, Brasília / DF
A Radiobrás tem contratado mais negros como apresentadores a fim de
promover uma política de inclusão e valorizar a imagem do negro na TV?
Giovani
Erick, Campinas / SP
Bucci, qual a sua opinião sobre a cobertura da mídia nas eleições? Ela foi
parcial ou não?
Bianca
Ferreira, Petrópolis / RJ
Bucci, o que o senhor encara como o maior desafio na TV estatal em relação às
TVs privadas?
Carlos
João, Rio de Janeiro
O que a Radiobrás faz para aumentar o quadro de funcionários concursados
e melhorar a qualidade?
Paulo
Becker, Juara / MT
O que dizer das emissoras do interior do Brasil que são dadas para
políticos?
Felipe
Melo, São Lourenço do Sul / RS
Bucci, o senhor falou pouco da flexibilidade da "Hora do Brasil". Não
seria importante fazer um fórum nacional e uma votação entre os
radiodifusores para decidir o horário da "Hora do Brasil"?
Sérgio
Asquenazi, Campos do Jordão / SP
Qual a freqüência no dial que a Rádio Nacional está transmitindo, para
que possamos escutá-la?