PROGRAMA DO DIA 22 DE AGOSTO DE 2006

IMPRENSA ALTERNATIVA - PASSADO E FUTURO

Neste programa pegamos carona no lançamento de "O Sol - Caminhando contra o vento", de Tetê Moraes e Martha Alencar, para debater a imprensa alternativa no país.

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

NOVOS TEMPOS, VELHOS CACOETES
Sindicato de Jornalistas vai processar jornalista por crime de opinião

Alberto Dines

Brasília acaba de acrescentar nova façanha ao seu extraordinário repertório de contorcionismos morais: o sindicato de jornalistas local, braço armado da Federação Nacional de Jornalistas, anunciou que vai processar este observador pelas opiniões aqui emitidas.

Leia na íntegra

O que esclarece mais o eleitor?

Resultado:

O horário eleitoral gratuito: 15%

A cobertura da mídia: 85%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Quando nasce um jornal, alguma coisa acontece. A própria invenção da imprensa causou profunda alteração na sociedade européia. Nosso primeiro periódico sem censura, o Correio Braziliense, abriu caminho para a Independência. A fundação do Estado de S. Paulo antecipou a Abolição. Quando nasce um jornal alguma coisa sempre acontece.


Leia na íntegra

COBERTURA ELEITORAL
Enfim, algum tempero no mingau da campanha
Rolf Kuntz

Jornais dão sinal de vida, enfim, na cobertura da campanha eleitoral. A matéria da Folha de S.Paulo sobre quem financia quem na disputa da presidência da República (domingo, 20/8) foi um belo esforço para ultrapassar o rame-rame da atividade diária dos candidatos e das intriguinhas inter e intrapartidárias. No mesmo dia, o Estado de S.Paulo pôs algum recheio no debate, com o resumo de um estudo sobre a destinação das verbas "sociais" em todos os níveis de governo.

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

IMPRENSA ALTERNATIVA - PASSADO E FUTURO

O Observatório da Imprensa do dia 22 de agosto falou sobre os jornais alternativos que, durante a ditadura, combateram a censura com humor e criatividade. O jornal O Sol, que hoje tem sua história contada nas telas de cinema, é um exemplo desses meios de comunicação que, com inteligência e coragem, marcaram uma geração.

Alberto Dines, em seu editorial, disse: "Está nas telas dos cinemas um filme que é também um pedaço da história moderna do Brasil. O protagonista deste filme é um jornal, O Sol, o primeiro jornal alternativo moderno. Lançado em setembro de 1967, para enfrentar a ditadura e o conformismo da grande imprensa, O Sol durou poucos meses, foi até janeiro do ano seguinte, mas algo aconteceu: criou-se o paradigma da renovação e da imprensa de resistência, mais tarde batizada como imprensa nanica ou udigrude, de underground, ou ainda de imprensa alternativa."

Participaram do programa, no Rio, o jornalista e escritor José Maria Rabêlo e o colunista de tecnologia do Globo e do Globo Online, Carlos Alberto Teixeira; em Brasília, o jornalista Reynaldo Jardim e, em São Paulo, o diretor executivo da Revista Reportagem, Raimundo Pereira.

José Maria Rabêlo contou sua experiência como criador do extinto jornal Binômio: "Esses acontecimentos da história surgem sem que a gente tenha pretensão nenhuma. Éramos dois jornalistas muito jovens. O que nos desagradava muito era o clima de unanimidade da imprensa mineira, totalmente controlada pelo Palácio da Liberdade. Então, nós resolvemos lançar um jornal que dissesse algo diferente, mas não tínhamos recursos para fazer um jornal diário. Fizemos humor e a concisão do humor ajuda muito. Uma piada demole uma reputação, mais do que um artigo! O Juscelino lançou o programa Binômio Energia e Transporte e só se falava nisso em Minas Gerais. Então, contra o Binômio da mentira e propaganda, Energia e Transporte, o Binômio da verdade, sombra e água fresca. Isso teve uma repercussão enorme, amor à primeira vista com o estado, com a cidade. Nós, que não imaginávamos que estávamos fazendo algo duradouro, percebemos que tínhamos na mão um instrumento político muito importante, que durou doze anos até ser fechado em 64 pela ditadura militar."

Reynaldo Jardim lembrou o jornal O Sol, que ajudou a construir: "O Sol nasceu da constatação de que as escolas jornalísticas não ensinavam jornalismo, não ensinavam como fazer jornal. Então, eu queria fazer uma faculdade de jornalismo que, na prática, editasse um jornal diário, profissional. Por motivos empresariais, a faculdade não deu certo, mas saiu o jornal. Ele era formado por jovens universitários e os editores eram profissionais já consagrados. A Tetê Moraes resolveu transformar essa experiência do Sol e a vida daquela época em um documentário que, realmente, ficou muito emocionante e fantástico. Acho que deveria ser visto por todos os universitários e jornalistas, porque mostra um tipo de jornal e de jornalista totalmente diferente do jornalismo de hoje."

Raimundo Pereira argumentou a respeito da Internet como novo meio de comunicação: "A grande possibilidade que a Internet cria é de cada leitor ser também um agente. Então, por essa razão, nós começamos a trabalhar com a Internet há muitos anos, porque é um instrumento novo. Ela também apresenta problemas, que são comuns, assim como a imprensa escrita. A banca de jornais é um caos e a Internet não é diferente. É um caos de informação e que desperta algumas ilusões em alguns que acreditam que qualquer um pode fazer um trabalho de informação relevante. Isso não é verdade, porque para cobrir o conjunto de acontecimentos, para dar uma visão mais razoável das coisas, precisa de organização, recursos. Então, se têm os mesmos problemas que existem para fazer um jornal diário."

Carlos Alberto Teixeira falou das possíveis mudanças na imprensa do futuro: "Eu acho que a tendência é que jornais com sites na Internet não precisem ter essa perna fora do mundo do computador. Existem algumas profecias de qual será o futuro da imprensa. Basicamente, ela vai passar a funcionar como uma mídia viral, no sentido do contágio. Um blog pode sobressair em relação a outro, em função das indicações, dos links. Um blog muito linkado acaba por ter uma confiabilidade maior. A partir do momento que você tem o Google permitindo pesquisa e busca no grande acervo de informações espalhado nos sites e também redes sociais como o Orkut, onde as pessoas se relacionam, você vai pode ter, no futuro, um jornal, um texto jornalístico para cada leitor, associando isso ao fato de que computadores vão estar escrevendo notícias, mesmo achatadas e sem adjetivos. Nessa profecia, a tendência é que jornais de papel deixem de existir."


EDITORIAL

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Quando nasce um jornal, alguma coisa acontece. A própria invenção da imprensa causou profunda alteração na sociedade européia. Nosso primeiro periódico sem censura, o Correio Braziliense, abriu caminho para a Independência. A fundação do Estado de S. Paulo antecipou a Abolição. Quando nasce um jornal alguma coisa sempre acontece.

Está nas telas dos cinemas um filme que é também um pedaço da história moderna do Brasil. O protagonista deste filme é um jornal, O Sol. O primeiro jornal alternativo moderno. Lançado em setembro de 1967 para enfrentar a ditadura e o conformismo da grande imprensa, o Sol durou apenas quatro meses, foi até janeiro do ano seguinte, mas algo aconteceu: criou-se o paradigma da renovação e da imprensa de resistência mais tarde batizada como imprensa nanica ou udigrude (de underground) ou ainda de imprensa alternativa.

Hoje nascem jornais, mas nada acontece. São novos produtos dos mesmos grupos empresariais, raramente são projetos de mudança. Inspirado na experiência do Sol, o Observatório da Imprensa discute hoje a falta que faz o Sol. Estamos à sombra da internet. Tudo o que é novo começa na internet. Será que é a mesma coisa?


ARTIGO
Por Alberto Dines

NOVOS TEMPOS, VELHOS CACOETES
Sindicato de Jornalistas vai processar jornalista por crime de opinião

Alberto Dines

Brasília acaba de acrescentar nova façanha ao seu extraordinário repertório de contorcionismos morais: o sindicato de jornalistas local, braço armado da Federação Nacional de Jornalistas, anunciou que vai processar este observador pelas opiniões aqui emitidas.

Todos os sindicatos de jornalistas de países democráticos fazem justamente o contrário: empenham-se em defender o inalienável direito dos profissionais de imprensa de manifestar livremente as suas opiniões. No Distrito Federal, de tanto lamber as botas do poder, o Sindicato dos Jornalistas, agora assumidamente um Sindicato Chapa Branca de Assessores de Imprensa, anunciou em nota oficial que vai processar um jornalista que ousou enfrentar o seu mandonismo e denunciou os seus graves desvios de conduta.

O stalinismo da diretoria da entidade não conseguiu manter-se enrustido. Desafiado por um jornalista que escreve o que pensa, sacou a pistola e soltou os cachorros do preconceito e da perfídia. Ressuscita a velha tradição totalitária dos sindicatos fascistas italianos no momento em que alguém ousa questionar o seu "centralismo democrático" e revela suas escusas jogadas políticas.

A diretoria do Sindicato dos Jornalistas do DF tem horror ao debate. Esconde-se no anonimato, escuda-se atrás dos logotipos. O longo convívio com os manda-chuvas viciou-a no uso das notas oficiais, ordens-de-serviço e comunicações internas.

Não foi casual a aproximação do SJPDF com o deputado-sanguessuga Pastor Amarildo (PSC-TO), padrinho da vergonhosa tentativa de regulamentação da profissão de jornalista, felizmente engavetada. Os jornalistas brasilienses não podem continuar submetidos aos interesses de um sindicato mais preocupado com os assessores de imprensa dos 600 legisladores que fazem parte do pior Congresso de todos os tempos.

Acima das trincheiras

Os escândalos que desde maio de 2005 maculam as instituições nacionais reclamam em Brasília a presença de um Sindicato de Jornalistas efetivamente jornalístico - íntegro, intransigente, independente, incapaz de compactuar com os ilícitos e os prevaricadores aninhados nas diversas esferas do poder.

O gigantesco conflito de interesses a céu aberto que o SJPDF tenta disfarçar com as suas falsas "solidariedades" é uma das mais graves deformações do processo jornalístico e midiático deste país. Parlamentares tornaram-se concessionários de emissoras de rádio e TV, controlam a mídia eletrônica, mas seus assessores filiados a um sindicato de jornalistas calam-se, cúmplices desta aberração.

A diretoria do SJPDF gosta de manifestações de rua, adora cartazes e palavras de ordem maniqueístas, mas tem erisipela quando se trata de encarar o contraditório. Escreve textos apócrifos porque jamais conviveu com o pluralismo. Seus nomes, conforme, afirma, "estão na página eletrônica". O nome dessa modalidade autoral, é covardia digital, emasculação eletrônica.

Jornalista que é jornalista escreve e assina embaixo, opina e responsabiliza-se, combate como pessoa física, obrigado a um mínimo de dignidade e galhardia.

Polêmica não é com a diretoria do SJPDF, simplesmente porque esta transformou a agremiação de jornalistas da capital federal (teoricamente a vanguarda da elite pensante do país) num lobby político, mesquinho grupo de pressão para favorecer interesses e jogadas - do sistema chinês de TV digital aos interesses sírio-iranianos para disseminar o ódio aos judeus em todos os quadrantes do mundo.

Tacanhos na forma e no conteúdo, toscos no estilo e na humanidade, ousam proclamar que desconfiam "de quem fica em mais de uma trincheira ou supostamente acima de todas as trincheiras". Pois o jornalista decente e íntegro deve lutar com todas as suas forças para manter-se acima de todas as trincheiras. Esta é a sua função, sua bandeira. É isso que a sociedade espera dos jornalistas.

Blefe stalinista

Este observador orgulha-se dos seus 54 anos de atividades jornalísticas ininterruptas que serão completados no próximo dia 25/8. Como repórter, fotógrafo, editor, diretor de redação de jornais e revistas nos dois lados do Atlântico, ativista sindical, militante do Terceiro Setor, professor aqui e no exterior, sempre defendeu os mesmos ideais. E nas atividades afins, seja como autor, biógrafo ou pesquisador, manteve o mesmo compromisso com a humanidade e o esclarecimento. Sua trincheira é longa, mas retilínea. Espinhosa, sofrida, necessariamente solitária. Mas rigorosamente coerente.

A verdadeira solidariedade com as vítimas desta guerra no Oriente Médio implica assumir o horror à guerra. Este observador assumiu esta posição desde o início do conflito. Vê as razões das partes e, horrorizado, percebe que a irracionalidade está prestes a dar um novo bote.

Inclusive no Brasil. Em todas as peças desta polêmica assimétrica, o poderoso SJPDF não conseguiu esconder a peçonha anti-judaica que o move ao tentar silenciar a consciência e a voz de um jornalista isolado.

A prova está na abjeta tentativa de comparar este jornalista a um comandante de um tanque Merkava. O integralista e racista Gustavo Barroso (candidato a gaulaiter brasileiro caso Hitler ganhasse a guerra) não conseguiria ser tão estúpido nas metáforas contra a conspiração judaica internacional. Quem é que perdeu a compostura?

A paz é um valor absoluto, não pode ser manipulada para atender o marketing político como foi o caso do "pacifismo" soviético dos anos 1940 e 50, uma das maiores mistificações políticas da história moderna. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal ao ameaçar com processo um jornalista que ousa contestá-lo demonstra que está pronto para reativar o blefe stalinista.

Novos tempos, velhos cacoetes: o cala-boca das ditaduras recentes parece que deixou saudades em certos rincões da América Latina. Na melhor das hipóteses, o SJPDF imagina-se a reencarnação do DIP, o famigerado "Fala Sozinho" do Estado Novo.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

COBERTURA ELEITORAL
Enfim, algum tempero no mingau da campanha
Rolf Kuntz

Jornais dão sinal de vida, enfim, na cobertura da campanha eleitoral. A matéria da Folha de S.Paulo sobre quem financia quem na disputa da presidência da República (domingo, 20/8) foi um belo esforço para ultrapassar o rame-rame da atividade diária dos candidatos e das intriguinhas inter e intrapartidárias. No mesmo dia, o Estado de S.Paulo pôs algum recheio no debate, com o resumo de um estudo sobre a destinação das verbas "sociais" em todos os níveis de governo.

Na reportagem sobre o financiamento, a Folha tentou mostrar as tendências de vários setores e indicar as motivações das escolhas eleitorais. O resultado não foi um mapeamento "científico", nem poderia ser, nesta altura, mas a matéria contribuiu para mostrar o peso eleitoral de alguns temas econômicos, como as políticas agrícola e cambial.

O material do Estadão sobre os gastos "sociais" tocou numa questão essencial para o julgamento das políticas em vigor e para as decisões do próximo governo: a diferença entre a ação assistencial e os gastos "estruturantes", com potencial para aumentar a capacidade produtiva dos beneficiários.

Um ponto importante realçado no texto foi a comparação da estrutura dos gastos "sociais" brasileiros com a de outros países, como o Uruguai, a Argentina e o Chile. Teria valido a pena fazer um contraponto com os dados e conclusões de um trabalho divulgado pouco antes pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os autores desse estudo tentaram estimar a redução da desigualdade causada por transferências diretas de renda, como as do programa Bolsa Família.

Tema central

Mas a maior parte da cobertura apresentada pelos jornais tem sido tão chocha quanto a campanha - e quase sempre passiva. No dia-a-dia, a imprensa tem feito pouco mais do que acompanhar as viagens, encontros, manifestações e manobras dos candidatos.

O tempero tem dependido principalmente da atuação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio de Mello. Ele tem procurado mobilizar os eleitores para a depuração dos quadros políticos no momento da eleição. Se tiver êxito, será preciso correr menos para o trabalho corretivo depois de contados os votos.

Mas os jornais avançaram pouco, até agora, na apresentação dos planos econômicos e administrativos dos candidatos e partidos. As idéias têm aparecido em conta-gotas, coletadas em declarações públicas e entrevistas ocasionais, mas sem maior esforço de organização. Tem-se dado mais ênfase às promessas (derrubar os juros, dar prioridade a educação e saúde, criar empregos etc.) do que às estratégias de execução. O eleitor capaz de pensar criticamente continua sem receber a matéria-prima para seu julgamento.

De resto, a cobertura econômica tem sido marcada, nas últimas semanas, por muita reação e pouquíssima ação. O Valor chacoalhou a discussão da política agrícola, divulgando um relatório devastador do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a vigilância sanitária. O Estadão voltou a Mato Grosso do Sul e mostrou o abandono quase total da fronteira com o Paraguai, dez meses depois da descoberta de focos de aftosa.

Trabalhos como esse, de retomada de casos importantes, são raros na imprensa brasileira. Os leitores lucrariam se os jornais seguissem, nesse ponto, o exemplo da Rádio Bandeirantes, de São Paulo. Com a vinheta "a Bandeirantes não esquece", a emissora confere, de tempos em tempos, a evolução de histórias interessantes e em geral abandonadas pelos meios de comunicação depois do barulho inicial.

No mais, a cobertura tem seguido um ritmo lento, sem grande esforço para juntar as pontas do noticiário e para chegar às questões mais quentes. Os jornais demoraram para ir ao ponto politicamente mais importante da briga do ministro das Comunicações, Hélio Costa, com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Mas era evidente, desde o início, a ameaça à autonomia da agência. Isso não é um detalhe menor. O status das agências é um ponto de enorme importância para a política de investimentos em infra-estrutura e tem sido um dos aspectos mais polêmicos do governo petista. Só no último fim de semana o Estado de S.Paulo e a Folha fizeram desse ponto o tema central de reportagens, embora tenham mencionado a ameaça de intervenção em matérias anteriores.

Pano de fundo

O mesmo padrão reativo tem dominado a cobertura dos pacotes em gestação no governo. Tem havido um enorme blablablá sobre redução de juros, benefícios fiscais para indústrias do setor eletrônico e facilidades de crédito para habitação. Os jornais têm mostrado, em episódios, os desencontros de autoridades federais.

A cobertura ganhou maior interesse com a intervenção do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Júlio Sérgio Gomes de Almeida, sobre política tributária. Não haveria desoneração para setores industriais, disse ele, nem que o governo arriasse as calças. O leitor mais cuidadoso deve ter-se sentido no meio de uma enorme bagunça, num país sem liderança na política econômica.

Envolveram-se nos vários episódios o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, o do Planejamento, Paulo Bernardo (com nova declaração sobre as calças do governo), o das Comunicações, Hélio Costa, o da Fazenda, Guido Mantega, e gente da Receita Federal. Ainda se poderia acrescentar, nos bastidores, a figura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, empenhada na discussão sobre o pacote para o setor eletrônico.

Os jornais têm noticiado o falatório sobre cada um dos pacotes, mas não têm dado atenção ao pano de fundo de todas essas histórias - o funcionamento do próprio governo, a definição da pauta do Executivo e o mecanismo das decisões. Bem feita, essa reportagem poderia proporcionar algum divertimento no meio da chatice rotineira do noticiário econômico.


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

Rio de Janeiro:
José Maria Rabêlo - Jornalista e Escritor

"Este assunto é muito amplo. Merecia mais tempo para uma discussão mais aprofundada."

Carlos Alberto Teixeira - Colunista de Tecnologia / O Globo e Globo Online
"Poderíamos ter aprofundado mais a questão que a Martha levantou no início do programa, no VT, que as pessoas não têm acesso à Internet como têm aos jornais."


PERGUNTAS

E-mails:

Carol
Parabéns! O Observatório é realmente um programa de uma qualidade e seriedade indiscutíveis! Vou cursar faculdade de Comunicação Social e não perco vocês! Parabéns!

Luciana de Moraes, Niterói / RJ - Jornalista
Carlos Alberto Teixeira, como você imagina que serão esses veículos online personalizados que darão certo?

Antônio Carlos Cunha, Goiânia / GO
Caros Dines e convidados, há quem diga que os blogs são válvulas de escape para se publicar o que as linhas editoriais dos veículos da "grande mídia" não permitem. Exatamente por isso, há quem diga que o blog esvazia os embates no interior das redações (entre repórter e editor, por exemplo). Afinal, o que há de "revolucionário" e o que há de "retrógrado" nos blogs? Pode-se denominá-los de imprensa "alternativa"? Parabéns pelo programa.


Telefonemas:

Paulo Furtado, Rio Grande do Sul
Raimundo Pereira, o senhor não acha que estão muito conservadores em relação à Internet? A saída não é justamente essa para a liberdade da imprensa?

Israel Guerra, Corrente / PI
Reynaldo Jardim, o senhor acredita que os jornais de fora dos grandes centros têm mais possibilidade de herdaram a linha da imprensa "nanica" do que os jornais mais tradicionais?

Firmino Júnior, Minas Gerais
José Maria Rabêlo, por que quando o Binômio foi empastelado, a grande mídia, como por exemplo o Jornal do Brasil, deu tanta ênfase?

Jorge Linhares, Vitória / ES
Carlos Alberto Teixeira, existem sites que estão democratizando a informação permitindo que qualquer pessoa divulgue um texto jornalístico. Essa experiência de sites, como o digg.com, tem futuro?

André Santos, Rio de Janeiro
Raimundo Pereira, será que, se a imprensa "nanica" ainda tivesse força, temas como segurança pública seriam mais questionados?

Melquíades Júnior, Limoeiro do Norte / CE
Reynaldo Jardim, se "O Sol" existisse hoje, será que ele seria engolido pela grande imprensa?

Isaías Pinto, Rio de Janeiro
José Maria Rabêlo, a falta de novas propostas de jornais, também não acaba afetando a formação profissional? As universidades não estão estáticas como o mercado e não se transformaram em uma fábrica de diplomas?

Priscila Barreto, Rio Bonito / RJ
Carlos Alberto Teixeira, jornais online podem concorrer com jornais reais?



Fale com o WebMaster
Melhor visualizado em 800x600
©Copyright 2006 – TVE Rede Brasil