RESUMO DO PROGRAMA
MÍDIA E CONFLITOS NO ORIENTE MÉDIO
O Observatório da
Imprensa do dia 1º de agosto debateu a possibilidade da existência de
uma imprensa pacifista.
Alberto Dines, em seu
editorial, disse: "Quanto mais se discute a questão do Oriente Médio,
mais lenha se joga na fogueira. Como se cada argumento, por mais lógico
que pareça, se transforme numa arma e não em uma contribuição para o
entendimento. Em plena era da informação percebemos que estamos cada vez
mais longe da era do esclarecimento. Os dois lados apregoam suas
certezas, a mídia procura reproduzi-las com fidelidade, mas ninguém
percebeu que está faltando um terceiro partido, uma terceira via – a via
da paz."
Participaram do
programa, no Rio de Janeiro, o articulista do jornal O Globo, Luiz
Garcia e, em São Paulo, a editora-assistente de Internacional do Estado
de S. Paulo, Maria Teresa de Souza e o editor de Opinião da Folha de S.
Paulo, Vinicius Mota.
Luiz Garcia analisou
a postura da mídia ao cobrir uma guerra: "Nenhum jornalista deve achar
que é dono da verdade, principalmente quando se trata de noticiar uma
guerra. A frase ‘A primeira vítima da guerra é a verdade’ está conosco
há muito tempo. Temos a obrigação de ter uma grande humildade em relação
aos fatos de uma guerra, porque o que acontece lá é noticiado,
parcialmente, por testemunho de jornalistas, mas de forma considerável
com base em informação fornecida pelas forças combatentes de um lado e
de outro. Assim, a notícia, a informação, é uma arma de guerra,
manipulada pelos quartéis generais de acordo com seus interesses. A
imprensa deve ser o mais isenta possível e noticiar o máximo possível,
assim ela contribui para a paz. O repórter tem que ser, principalmente,
um intérprete dos fatos e não um intérprete dos seus desejos."
Maria Teresa de Souza
opinou sobre a questão da mídia se movimentar em busca da paz: "Sempre
podemos mostrar algo em direção à paz, revelando o que está por trás do
que desenham essas autoridades, esses generais, líderes do Hezbollah ou
de quaisquer outros grupos. Porque uma coisa é o que eles dizem e outra
são seus objetivos e, às vezes, a imprensa acaba por absorvê-los sem
analisar e criticar. Procuramos colocar interpretações e, como
jornalistas, devemos não só mostrar a informação, mas mostrar os
interesses em jogo dos vários atores do conflito."
Vinicius Mota também
falou sobre o papel da imprensa em uma guerra: "A imprensa deve exercer
seu papel, como deve fazê-lo em qualquer tipo de assunto, que é dizer o
que está acontecendo. Mas é muito difícil dizer o que está acontecendo
em uma guerra. Ser neutro em um conflito significa sempre estar pisando
em terreno minado, sempre estar cometendo um exagero ali, outro aqui. A
pacificação do Oriente Médio é um assunto, de um ponto de vista, nobre
para a imprensa, porque ela tem a obrigação de destrinchar suas causas
e, ao mesmo tempo, tem que construir uma narrativa para o leitor que
busca o equilíbrio e a resolução dos conflitos."
EDITORIAL
Bem-vindos
ao Observatório da Imprensa.
É o conflito mais antigo da Terra. O
Oriente Médio é um barril de pólvora há 58 anos. Tudo começou em maio de
1948, apenas três anos depois de terminada a terrível Segunda Guerra
Mundial, e já produziu cinco guerras formais, duas revoltas populares, uma
guerra civil e dezenas de horrorosos atentados terroristas.
Paradoxalmente, tudo começou com uma decisão da ONU que pretendia evitar o
agravamento da situação e dividiu a Palestina em dois Estados.
Além de ser o mais antigo conflito na
face da Terra, é também o mais noticiado e o mais discutido. E quanto
mais se discute a questão do Oriente Médio mais lenha se joga na
fogueira. Como se cada argumento, por mais lógico que pareça, se
transforme numa arma, e não em contribuição para o entendimento.
Em plena Era da Informação percebemos
que estamos cada vez mais longe da era do esclarecimento. Os dois lados
apregoam suas certezas, a mídia procura reproduzi-las com fidelidade,
mas ninguém percebeu que está faltando um terceiro partido, uma terceira
via: a via da paz.
O pacifismo, quando surgiu em 1914,
significava uma oposição rigorosa a todos os beligerantes e a toda
beligerância. Era o antipatriotismo – mas não conseguiu evitar a
Primeira Guerra Mundial; no entanto, o movimento pacifista deixou uma
sensação de que a paz só será possível quando ela própria transformar-se
em ideal.
Este Observatório da Imprensa
não se incomoda em ser classificado de irrealista e idealista.
Recentemente fizemos dois programas tentando mostrar que um pacto
político seria a melhor opção para enfrentar a violência nas nossas
cidades. Na última edição tentamos mostrar que as diferentes soluções
para enfrentar o racismo e o preconceito não podem ser defendidas com
ressentimentos.
Este programa nasceu sob o signo do
compromisso da imprensa com a melhoria da humanidade. E, exatamente em
função deste compromisso, queremos lembrar o papel dos jornais e dos
jornalistas na construção da paz. Os dois lados têm as suas razões, mas
a razão só pode estar com aqueles que acima de tudo querem a paz.
ARTIGO
Por Alberto Dines
ORIENTE
MÉDIO, ANO 58
Réquiem para Era da
Informação
Alberto Dines
A imprensa é um Poder. Porém,
impotente. Pode tudo: derrubar tiranias, punir corruptos, denunciar
barbaridades, reparar injustiças, persistir na busca da verdade. Também
é capaz de proteger déspotas, mascarar crueldades, submeter-se aos
demagogos, acobertar a opressão, corromper e confundir.
Mas a imprensa não conseguiu ao longo
de 58 anos interromper a carnificina no Oriente Médio. Muito menos
desativar os ressentimentos que a produziram.
A imprensa já esteve a serviço de
guerras (Inglaterra versus Rússia, no Cáucaso), começou outras
(EUA versus Espanha e a Primeira Guerra Mundial) e conseguiu o
magistral feito de mobilizar a sociedade americana para pular fora do
conflito do Vietnã.
Este é um caso clássico: o governo
americano, afinal, convenceu-se a deixar a parte sul da antiga Indochina
porque a mídia, sobretudo a mídia eletrônica, trouxe o horror da guerra
– ao vivo e em cores – para dentro dos lares na terra do Tio Sam. É
óbvio que as gigantescas manifestações dos jovens, o intenso debate
acadêmico e a massa de fatos oferecidos pela imprensa diária
pavimentaram o caminho para a retirada dos EUA de Saigon. Mas o empurrão
definitivo foi dado pelo gosto amargo da derrota que se aproximava.
Informação vs. esclarecimento
Convém lembrar que a causa da paz, às
vezes, só consegue se impor quando o triunfalismo guerreiro perde o gás.
Na Primeira Guerra Mundial, muitos pacifistas apelaram para o derrotismo
– o defaitisme (défaite = derrota) – como antídoto para o
belicismo que empolgava corações e mentes. A inabalável certeza da
vitória e a ira sagrada, combinadas sob o nome de arrogância (ou
prepotência), embora entoadas por poetas e sábios, são muitas vezes os
maiores obstáculos para a paz.
Só se alcança o verdadeiro entendimento
a respeito de uma guerra quando os beligerantes cansados de guerrear e
indignar-se começam a lamber as feridas.
A edição da Veja desta semana
(nº 1967, de 2/8/06) trouxe ao debate uma questão sensível: raras são
guerras justas. A Segunda Guerra Mundial talvez tenha sido uma exceção
porque nazi-fascismo é (ainda) o mal absoluto.
Os 58 anos de confrontos bélicos no
Oriente Médio começaram formalmente em 14 de maio de 1948, quando os
ingleses encerravam o seu mandato na Palestina em obediência à decisão
da ONU de partilhar o território em dois Estados. Um deles foi fundado,
o outro, não.
Os motivos que impediram o acatamento
integral da decisão da ONU são os mesmos que alimentaram as cinco
guerras formais, as duas intifadas, os horrorosos atentados terroristas,
o massacre de Sabra-Chatila e o atual confronto Israel-Hezbollah em
território libanês.
A mídia tenta explicar as origens e
causas do conflito há quase seis décadas consecutivas. Não consegue. Na
primeira fase contava com jornais, revistas, rádio, cinema e livros. Na
fase 2 acrescentaram-se a televisão, a internet e a comunicação por
satélite. Também não conseguiu.
Este é justamente o ponto que nos
interessa: a Era de Ouro da Informação não coincide com a Era do
Esclarecimento. Estamos cada vez mais informados e cada vez
menos impregnados pela humanização da informação.
Mais dúvidas, mais questionamentos
Veja-se a cobertura do conflito pelos
jornalões nacionais a partir do dia 13 de julho, em seguida ao seqüestro
de dois reservistas israelenses: edição equilibrada, titulação
imparcial, espaço razoável, horror distribuído eqüitativamente, assim
também as análises assinadas pelos mais abalizados especialistas
internacionais. Repórteres foram despachados para cobrir os dois lados
(impossível acompanhar o que se passa com o Hezbollah). Cumpridos todos
os ritos da isenção.
Mas o número de editoriais foi pequeno:
em 20 dias, apenas 12 textos de responsabilidade da direção do jornal
(cinco no Globo, quatro na Folha e três no Estadão).
Na segunda-feira (31/8/), dia seguinte ao banho de sangue em Qana, as
páginas de opinião dos três jornalões desconheciam o que havia
acontecido. Mas é justamente nos editoriais que o leitor interessado e
os tais "formadores de opinião" deveriam encontrar material impessoal
para formar seus juízos. Um editorial num grande jornal brasileiro
dificilmente mudará o curso da guerra no Oriente Médio, mas será
registrado, computado, e em algum momento poderá fazer a diferença.
A humanidade jamais teve acesso a
tantos fatos e, ao mesmo tempo, jamais se mostrou tão incapacitada para
entendê-los. Os experts afirmam que o problema do Oriente Médio tem
origem no fanatismo que impregna a região. Melhor seria dizer que a
discórdia começa com a quantidade de certezas proclamadas pelas partes.
Um pouco mais de perplexidades, uma dosagem de dúvidas e questionamentos
ajudariam a podar o excesso de indignação e impedir que esta se converta
em outra Guerra dos Cem Anos.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
JORNALISMO
CIENTÍFICO
Aquecimento global e a consciência da mídia
Ulisses Capozzoli
Quando O Ambientalista Cético,
um catatau de 540 páginas foi publicado aqui, em 2002, muita gente saiu
do armário e se proclamou um deles. Bjorn Lomborg, autor do tratado, é
um estatístico da Universidade de Aarthus, na Dinamarca, ex-simpatizante
do Greenpeace e, até o lançamento do livro, o que se costuma chamar de
"ilustre desconhecido". As 540 páginas já seriam motivo de cautela. Mas,
por aqui, tudo indica que foi sinônimo de erudição. A edição saiu com
reprodução de um texto de Veja na capa, referendando-a contra
"ecologistas radicais".
Jornalistas em busca de originalidade a
qualquer preço – mesmo contra fatos observáveis, que bem interpretados
produzem não só boa ciência, mas também bom jornalismo – viram no
lançamento do livro uma oportunidade de exibição e não perderam tempo.
Fatos como aquecimento global, produzido por atividades humanas, foram
interpretados e divulgados como pouco mais que crendice.
Na edição desta semana (nº 1967, de
2/8/2006) Veja voltou ao assunto com uma surpreendente manchete
de página: "Será que já começou?", referência ao efeito-estufa, tratado
como resultado de atividades humanas, pela liberação de gases que
aprisionam calor na atmosfera.
Complexidade climática
Certamente é o caso de reconhecer que o
clima da Terra é complexo o suficiente para não admitir explicações
simplistas. O que não significa que dados estratégicos devam ser
desconsiderados como elementos capazes de mostrar o que está
acontecendo.
E o dado mais elementar neste caso é a
concentração de gás carbônico na atmosfera. Desde meados do século 19
sabe-se que o gás carbônico (ou dióxido de carbono, o CO2)
retém calor na atmosfera, o que significa que quanto maior a
concentração atmosférica deste gás, ao menos em princípio, mais o calor
retido.
No relatório anual 2006-2007, o
Worldwatch Institute – um dos que reagiram às interpretações de Lomborg
– aponta para uma concentração sem precedentes de gás carbônico
atmosférico, que no ano passado atingiu 379,6 ppm (partes por milhão).
Para se ter uma idéia, antes da Revolução Industrial, quando as máquinas
substituíram o trabalho de músculos humanos e animais, a concentração
era de 280 ppm.
A constatação de que as temperaturas
médias do planeta estão subindo está livre de controvérsias: no ano
passado, segundo dados do Worldwatch Institute, ficou em 14,6º Celsius,
a maior dos últimos 55 anos. E a admissão de que ela possa estar sendo
produzida por atividades humanas abre a perspectiva de que algumas
iniciativas sejam tomadas para reverter o que seja possível e assim
amenizar os efeitos sobre as futuras gerações.
A alternativa de puros efeitos naturais
defendida pelo ceticismo, coerente com inseparáveis doses de
egocentrismo, recomenda que se faça nada.
Ondas de calor
Um certo retorno à realidade, ao menos
no caso do efeito-estufa, tem sido estimulado por sufocantes ondas de
calor em todo o mundo, além de registro de fenômenos incomuns – onde a
freqüência da ocorrência é que sugere alguma razão incomum.
As tais ondas de calor que percorreram
Europa e Estados Unidos nas duas últimas semanas provocaram centenas de
mortes e afetaram a produção agrícola, entre outras atividades. Na
Inglaterra, a população teve uma experiência de país tropical, com os
termômetros marcando 36,5º Celsius, a maior desde 1911. Na Holanda o
calor matou pelo menos 200 pessoas e sugere cenas preocupantes para um
país que aprendeu a domar o mar, mas não o suficiente para conter sua
fúria, especialmente se o nível das águas subirem pelo mesmo efeito do
aquecimento global.
Na Europa, que também aprendeu a
valorizar a vida ao longo de guerras e outros conflitos, há temor da
reedição do calor que matou pelo menos 32 mil pessoas em 2003, quando
países como Portugal registraram enormes e descontrolados incêndios
florestais, parte dos cenários previstos pelos modelos de aquecimento
global.
Em 2003, dos 32 mil mortos, 15 mil eram
franceses. Na semana passada, com os termômetros em 39º Celsius em
Paris, o governo convocou estudantes de medicina e médicos aposentados
para plantões em hospitais.
Em Nova York e em regiões da Califórnia
o calor chegou aos 40º Celsius sobrecarregando o sistema elétrico pelo
funcionamento de sistemas de refrigeração.
Calor e insensibilidade
Em São Paulo, em pleno inverno, as
temperaturas chegaram aos 30,2º Celsius, a maior já registrada na cidade
desde que as medições começaram, há 63 anos. As justificativas dos
meteorologistas/climatologistas falam da presença de sistemas de alta
pressão que impediram a entrada de frentes frias para amenizar o calor.
A questão, no entanto, advertem, não é a presença dos sistemas de alta
pressão, mas a freqüência com que eles estão aparecendo, sugestão de que
o efeito-estufa está por trás dessas manifestações.
O aquecimento global foi capa recente
das revistas Time e Newsweek, além de tema do programa de
TV 60 Minutes, da CBS. Mas nem por isso sensibiliza a
burocracia de Washington, tradicionalmente contrária a qualquer
iniciativa capaz de reduzir as emissões de gás carbônico pela queima de
combustíveis fósseis, segundo Michael Grunwald, articulista do
Washington Post, em artigo reproduzido pelo Estado de S. Paulo
(pág. A 30, edição de 30/7/2006).
A mídia, por si só, evidentemente não
daria conta de afugentar um desastre com as proporções do aquecimento
global. Todo o corpo da ciência e, possivelmente, o que pode ser o maior
esforço coletivo da história talvez seja necessário para amenizar um
impacto dessas proporções. Mas a mídia é de fundamental importância para
a conscientização, especialmente na educação para um presente e futuro
cada vez mais exigentes, de um ponto de vista ambiental, entre outros.
E aí aparece o paradoxo: o desafio de
conscientizar a própria mídia. Ao menos por aqui.
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
São
Paulo:
Vinicius Mota –
Editor de Opinião / Folha de S. Paulo
"Acho
que talvez o telespectador tenha sentido falta de uma abordagem mais
didática sobre o que está acontecendo, suas causas imediatas e longínquas,
de forma que aumentasse a capacidade de compreensão do tema."
Maria Teresa de
Souza – Edit. Assist. Internacional / OESP
"Isso
que ele falou é interessante, seria bom que as pessoas soubessem por que se
chegou a esse ponto."
PERGUNTAS
E-mails:
Marcos
A mídia televisionada brasileira não tem explorado muito o aspecto
sentimental e dramático dos brasileiros no Líbano? Ela não deveria se
preocupar mais em aprofundar os aspectos políticos e culturais dessa
guerra como, por exemplo, promovendo debates, entrevistando
especialistas em Oriente Médio, etc?
Márcio,
Santa Catarina
O ataque de Israel ao Líbano viola tratados internacionais. É lamentável
ver essas imagens.
Franklin
O debate é inteligente e pergunto: por que o presidente Bush, que é sem
dúvida, o causador e maior beneficiado com tudo isso, digo no Iraque,
também não aparece nas discussões? Os americanos, desde o Vietnã, Japão,
Camboja, com o povo Afegão, no mundo todo, sempre de alguma forma
lucraram com a matança. Não seria o Bush um novo Hitler que precisa ser
extinto? Falta o quê? Coragem?
Glenio
Borges, Rio de Janeiro
Gostaria de levantar uma questão: qual a avaliação da qualidade da
informação transmitida pela imprensa, principalmente jornais impressos,
se temos tantas notícias de mortos pelos resgatados e as fotos só
mostram cidades destruídas e pessoas andando pelas ruas? Ou então, o que
vemos são imagens da Condolezza muito bem vestida e sorrindo? Está
existindo uma liberdade de imprensa ou uma divulgação do que "pode"? E
não falo somente da imprensa brasileira, basta pesquisar nos principais
jornais do mundo.
Oldeir
Silva Ramos, Itajubá / MG – Engenheiro
Dines, parabéns ao programa e à equipe de especialistas reunidos neste
programa! Como eu não faço a mídia - sou um leitor ou vejo imagens
comentadas pela TV - eu sempre estou de frente para a mídia. E me sinto
perplexo, indignado, ao ver, ler e tentar entender os reais motivos dos
constantes conflitos nessa região. Sem poder saber, evidentemente em
função do espaço do comentarista de guerra, relatando on line, as
verdadeiras razões das suas diferenças! Pego-me, às vezes, oscilando
entre as razões de um e outro, sem ser conclusivo. Por isso, acreditando
que eu faça parte de um universo muito grande, tento me voltar às
origens e talvez o tempo ou a minha incapacidade de pesquisa, não me dão
respostas. Por isso pergunto: será que a contribuição da mídia, também
não estaria em "contar", de forma verdadeira, a formação e diferenças
históricas da região, para que possamos entender melhor por que tudo
isso acontece e, com isso, poder realmente participar na formação de
opiniões e decisões?
Rafael
Moterle, Guatambu / SC
Em certa oportunidade, perguntei a um escritor português, que vive na
cidade de Chapecó e que participou de uma guerra como soldado por
Portugal, qual o motivo que leva as pessoas à guerra. E ele respondeu:
imagine uma ponte que só pode passar um carro por vez, chegam dois
carros juntos um de cada lado, e a teimosia de cada um não irá permitir
a passagem de nenhum deles. Eu ainda não tenho conhecimento para saber
os motivos que levaram a esse conflito, mas, depois daquele dia, sempre
imagino a guerra como uma grande teimosia de aceitar as diferenças e
desenvolver a paz. Acredito que a imprensa tem papel fundamental para a
resolução do conflito. O que os jornalistas presentes pensam sobre isso?
Manoel
Sávio Barella
Srs, tenho uma pergunta a fazer sobre a situação do Oriente Médio que
pode soar ingênua, mas gostaria de fazê-la. Como a sede da Igreja
Católica está no Vaticano e os católicos estão espalhados pelo mundo,
por que não podemos ter o mesmo modelo para os judeus, com a sede em
Jerusalém? O espaço físico disputado não é suficiente para muçulmanos e
judeus, além da briga sobre o direito de posse. Sabemos que esta guerra
só pode piorar, uma vez que a tendência é que outros países árabes se
envolvam no conflito à medida que Israel ultrapasse certos limites na
guerra. Anulando a disputa espacial não é mais fácil resolver a
convivência entre muçulmanos e judeus em um espaço que pertence a ambos?
Sei que o escopo do programa não é este mas fica a pergunta.
Thiago
Henrique Tavares da Silveira
Caros amigos, não sou da imprensa e não tenho compromisso com nada, mas
vou deixar um texto que gostaria muito que lessem no ar, para que todos
saibam que, no caso de uma guerra, para se fazer o certo depende de dois
lados. Creio que em uma guerra de tanto tempo, não há mais inocentes, e
sim esquecidos dessa guerra. Passa o tempo e os anos sem término do
terremoto. O cidadão de cada país deve pegar o país na mão e questionar
o porquê da guerra iniciar, a imprensa local dos dois países deve focar
sua atenção para trabalhar em conjunto e apresentar soluções coerentes
que agradariam os lados igualmente. A imprensa internacional deve cobrar
esse trabalho em conjunto da imprensa do Líbano e Israel. Diferente da
mídia internacional, eles conhecem o sofrimento do povo e os pontos
ideológicos de cada país.
Telefonemas:
Melquíades Junior, Rio Grande do Norte
Garcia, na análise desta questão, a mídia dá pouco espaço para a ONU?
Será que a imprensa não acredita mais no poder conciliador da
organização?
Armando
Brito, Cascavel / PR
Maria Teresa, a maior parte da imprensa internacional está sediada em
Israel, o que dá um imenso suporte aos jornalistas. Isso pode determinar
uma certa parcialidade na cobertura?
Jerônimo
Brito, Sobral / CE
Um dia teremos paz no mundo? E como isso acontecerá, se o ser humano tem
buscas pessoais?
Marcelo
Lemos, Porto Alegre / RS
Vinicius, você acredita que parte da mídia mundial, por medo de ser
taxada de anti-semita, acaba tomando partido em favor de Israel?
Nereu
Mendes, Santana do Livramento / RS
Dines, pelo que você disse no seu editorial, o repórter deve abrir mão
da imparcialidade para defender uma causa pacifista?
Israel
Guerra, Corrente / PI
Maria Teresa, os jornalistas brasileiros estão preparados, têm
conhecimento da geopolítica do Oriente Médio, para fazer uma cobertura
isenta?
Rita
Nascimento, Recife / PE
O que pode ser feito para pôr fim, definitivamente, a esta guerra?
Marcos
Antônio da Silva, Osório / RS
O que vai acontecer se o Brasil se armar com bombas nucleares para
proteger a Amazônia e o nosso petróleo das grandes potências?
Silvio Lima,
Igaraçú / PE
Até que ponto a imprensa pode tomar partido do que está acontecendo e
quais são as conseqüências desse partido que ela toma?
Lilian
Souza, Guará / DF
Por que não está sendo feito nada com relação à guerra por parte dos
Estados Unidos? Isso está ligado com o fato deles fornecerem armas a
Israel?
Emilson
Nunes Costa, Volta Redonda / RJ – Professor
Como explicar o apoio da maior pare da população libanesa ao Hezbollah,
sabendo que o mesmo é terrorista, sendo que esse apoio se verifica pelo
fato do Hezbollah ser a metade do governo libanês?
A despeito da morte de brasileiros nessa guerra, a imprensa brasileira
tem dado o mesmo espaço às argumentações de Israel como tem dado às do
Hezbollah e do Líbano?
Rui Fulgêncio, Belo Horizonte / MG
Vinicius, Israel derrotou todos seus adversários na guerra tradicional.
Mas por que não houve nenhum movimento entre esses dois lados
incompatíveis em sete décadas?