PROGRAMA DO DIA 01 DE AGOSTO DE 2006

MÍDIA E CONFLITOS NO ORIENTE MÉDIO

Neste programa discutimos a cobertura da mídia brasileira nos confrontos entre Israel e Líbano.

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

ORIENTE MÉDIO, ANO 58
Réquiem para Era da Informação
Alberto Dines

A imprensa é um Poder. Porém, impotente. Pode tudo: derrubar tiranias, punir corruptos, denunciar barbaridades, reparar injustiças, persistir na busca da verdade. Também é capaz de proteger déspotas, mascarar crueldades, submeter-se aos demagogos, acobertar a opressão, corromper e confundir.

Leia na íntegra

A mídia pode contribuir para a paz no Oriente Médio?

Resultado:

Sim: 65%

Não: 35%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

É o conflito mais antigo da Terra. O Oriente Médio é um barril de pólvora há 58 anos. Tudo começou em maio de 1948, apenas três anos depois de terminada a terrível Segunda Guerra Mundial, e já produziu cinco guerras formais, duas revoltas populares, uma guerra civil e dezenas de horrorosos atentados terroristas. Paradoxalmente, tudo começou com uma decisão da ONU que pretendia evitar o agravamento da situação e dividiu a Palestina em dois Estados.


Leia na íntegra

JORNALISMO CIENTÍFICO
Aquecimento global e a consciência da mídia
Ulisses Capozzoli

Quando O Ambientalista Cético, um catatau de 540 páginas foi publicado aqui, em 2002, muita gente saiu do armário e se proclamou um deles. Bjorn Lomborg, autor do tratado, é um estatístico da Universidade de Aarthus, na Dinamarca, ex-simpatizante do Greenpeace e, até o lançamento do livro, o que se costuma chamar de "ilustre desconhecido". As 540 páginas já seriam motivo de cautela. Mas, por aqui, tudo indica que foi sinônimo de erudição. A edição saiu com reprodução de um texto de Veja na capa, referendando-a contra "ecologistas radicais".

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

MÍDIA E CONFLITOS NO ORIENTE MÉDIO

O Observatório da Imprensa do dia 1º de agosto debateu a possibilidade da existência de uma imprensa pacifista.

Alberto Dines, em seu editorial, disse: "Quanto mais se discute a questão do Oriente Médio, mais lenha se joga na fogueira. Como se cada argumento, por mais lógico que pareça, se transforme numa arma e não em uma contribuição para o entendimento. Em plena era da informação percebemos que estamos cada vez mais longe da era do esclarecimento. Os dois lados apregoam suas certezas, a mídia procura reproduzi-las com fidelidade, mas ninguém percebeu que está faltando um terceiro partido, uma terceira via – a via da paz."

Participaram do programa, no Rio de Janeiro, o articulista do jornal O Globo, Luiz Garcia e, em São Paulo, a editora-assistente de Internacional do Estado de S. Paulo, Maria Teresa de Souza e o editor de Opinião da Folha de S. Paulo, Vinicius Mota.

Luiz Garcia analisou a postura da mídia ao cobrir uma guerra: "Nenhum jornalista deve achar que é dono da verdade, principalmente quando se trata de noticiar uma guerra. A frase ‘A primeira vítima da guerra é a verdade’ está conosco há muito tempo. Temos a obrigação de ter uma grande humildade em relação aos fatos de uma guerra, porque o que acontece lá é noticiado, parcialmente, por testemunho de jornalistas, mas de forma considerável com base em informação fornecida pelas forças combatentes de um lado e de outro. Assim, a notícia, a informação, é uma arma de guerra, manipulada pelos quartéis generais de acordo com seus interesses. A imprensa deve ser o mais isenta possível e noticiar o máximo possível, assim ela contribui para a paz. O repórter tem que ser, principalmente, um intérprete dos fatos e não um intérprete dos seus desejos."

Maria Teresa de Souza opinou sobre a questão da mídia se movimentar em busca da paz: "Sempre podemos mostrar algo em direção à paz, revelando o que está por trás do que desenham essas autoridades, esses generais, líderes do Hezbollah ou de quaisquer outros grupos. Porque uma coisa é o que eles dizem e outra são seus objetivos e, às vezes, a imprensa acaba por absorvê-los sem analisar e criticar. Procuramos colocar interpretações e, como jornalistas, devemos não só mostrar a informação, mas mostrar os interesses em jogo dos vários atores do conflito."

Vinicius Mota também falou sobre o papel da imprensa em uma guerra: "A imprensa deve exercer seu papel, como deve fazê-lo em qualquer tipo de assunto, que é dizer o que está acontecendo. Mas é muito difícil dizer o que está acontecendo em uma guerra. Ser neutro em um conflito significa sempre estar pisando em terreno minado, sempre estar cometendo um exagero ali, outro aqui. A pacificação do Oriente Médio é um assunto, de um ponto de vista, nobre para a imprensa, porque ela tem a obrigação de destrinchar suas causas e, ao mesmo tempo, tem que construir uma narrativa para o leitor que busca o equilíbrio e a resolução dos conflitos."


EDITORIAL

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

É o conflito mais antigo da Terra. O Oriente Médio é um barril de pólvora há 58 anos. Tudo começou em maio de 1948, apenas três anos depois de terminada a terrível Segunda Guerra Mundial, e já produziu cinco guerras formais, duas revoltas populares, uma guerra civil e dezenas de horrorosos atentados terroristas. Paradoxalmente, tudo começou com uma decisão da ONU que pretendia evitar o agravamento da situação e dividiu a Palestina em dois Estados.

Além de ser o mais antigo conflito na face da Terra, é também o mais noticiado e o mais discutido. E quanto mais se discute a questão do Oriente Médio mais lenha se joga na fogueira. Como se cada argumento, por mais lógico que pareça, se transforme numa arma, e não em contribuição para o entendimento.

Em plena Era da Informação percebemos que estamos cada vez mais longe da era do esclarecimento. Os dois lados apregoam suas certezas, a mídia procura reproduzi-las com fidelidade, mas ninguém percebeu que está faltando um terceiro partido, uma terceira via: a via da paz.

O pacifismo, quando surgiu em 1914, significava uma oposição rigorosa a todos os beligerantes e a toda beligerância. Era o antipatriotismo – mas não conseguiu evitar a Primeira Guerra Mundial; no entanto, o movimento pacifista deixou uma sensação de que a paz só será possível quando ela própria transformar-se em ideal.

Este Observatório da Imprensa não se incomoda em ser classificado de irrealista e idealista. Recentemente fizemos dois programas tentando mostrar que um pacto político seria a melhor opção para enfrentar a violência nas nossas cidades. Na última edição tentamos mostrar que as diferentes soluções para enfrentar o racismo e o preconceito não podem ser defendidas com ressentimentos.

Este programa nasceu sob o signo do compromisso da imprensa com a melhoria da humanidade. E, exatamente em função deste compromisso, queremos lembrar o papel dos jornais e dos jornalistas na construção da paz. Os dois lados têm as suas razões, mas a razão só pode estar com aqueles que acima de tudo querem a paz.


ARTIGO
Por Alberto Dines

ORIENTE MÉDIO, ANO 58
Réquiem para Era da Informação
Alberto Dines

A imprensa é um Poder. Porém, impotente. Pode tudo: derrubar tiranias, punir corruptos, denunciar barbaridades, reparar injustiças, persistir na busca da verdade. Também é capaz de proteger déspotas, mascarar crueldades, submeter-se aos demagogos, acobertar a opressão, corromper e confundir.

Mas a imprensa não conseguiu ao longo de 58 anos interromper a carnificina no Oriente Médio. Muito menos desativar os ressentimentos que a produziram.

A imprensa já esteve a serviço de guerras (Inglaterra versus Rússia, no Cáucaso), começou outras (EUA versus Espanha e a Primeira Guerra Mundial) e conseguiu o magistral feito de mobilizar a sociedade americana para pular fora do conflito do Vietnã.

Este é um caso clássico: o governo americano, afinal, convenceu-se a deixar a parte sul da antiga Indochina porque a mídia, sobretudo a mídia eletrônica, trouxe o horror da guerra – ao vivo e em cores – para dentro dos lares na terra do Tio Sam. É óbvio que as gigantescas manifestações dos jovens, o intenso debate acadêmico e a massa de fatos oferecidos pela imprensa diária pavimentaram o caminho para a retirada dos EUA de Saigon. Mas o empurrão definitivo foi dado pelo gosto amargo da derrota que se aproximava.

Informação vs. esclarecimento

Convém lembrar que a causa da paz, às vezes, só consegue se impor quando o triunfalismo guerreiro perde o gás. Na Primeira Guerra Mundial, muitos pacifistas apelaram para o derrotismo – o defaitisme (défaite = derrota) – como antídoto para o belicismo que empolgava corações e mentes. A inabalável certeza da vitória e a ira sagrada, combinadas sob o nome de arrogância (ou prepotência), embora entoadas por poetas e sábios, são muitas vezes os maiores obstáculos para a paz.

Só se alcança o verdadeiro entendimento a respeito de uma guerra quando os beligerantes cansados de guerrear e indignar-se começam a lamber as feridas.

A edição da Veja desta semana (nº 1967, de 2/8/06) trouxe ao debate uma questão sensível: raras são guerras justas. A Segunda Guerra Mundial talvez tenha sido uma exceção porque nazi-fascismo é (ainda) o mal absoluto.

Os 58 anos de confrontos bélicos no Oriente Médio começaram formalmente em 14 de maio de 1948, quando os ingleses encerravam o seu mandato na Palestina em obediência à decisão da ONU de partilhar o território em dois Estados. Um deles foi fundado, o outro, não.

Os motivos que impediram o acatamento integral da decisão da ONU são os mesmos que alimentaram as cinco guerras formais, as duas intifadas, os horrorosos atentados terroristas, o massacre de Sabra-Chatila e o atual confronto Israel-Hezbollah em território libanês.

A mídia tenta explicar as origens e causas do conflito há quase seis décadas consecutivas. Não consegue. Na primeira fase contava com jornais, revistas, rádio, cinema e livros. Na fase 2 acrescentaram-se a televisão, a internet e a comunicação por satélite. Também não conseguiu.

Este é justamente o ponto que nos interessa: a Era de Ouro da Informação não coincide com a Era do Esclarecimento. Estamos cada vez mais informados e cada vez menos impregnados pela humanização da informação.

Mais dúvidas, mais questionamentos

Veja-se a cobertura do conflito pelos jornalões nacionais a partir do dia 13 de julho, em seguida ao seqüestro de dois reservistas israelenses: edição equilibrada, titulação imparcial, espaço razoável, horror distribuído eqüitativamente, assim também as análises assinadas pelos mais abalizados especialistas internacionais. Repórteres foram despachados para cobrir os dois lados (impossível acompanhar o que se passa com o Hezbollah). Cumpridos todos os ritos da isenção.

Mas o número de editoriais foi pequeno: em 20 dias, apenas 12 textos de responsabilidade da direção do jornal (cinco no Globo, quatro na Folha e três no Estadão). Na segunda-feira (31/8/), dia seguinte ao banho de sangue em Qana, as páginas de opinião dos três jornalões desconheciam o que havia acontecido. Mas é justamente nos editoriais que o leitor interessado e os tais "formadores de opinião" deveriam encontrar material impessoal para formar seus juízos. Um editorial num grande jornal brasileiro dificilmente mudará o curso da guerra no Oriente Médio, mas será registrado, computado, e em algum momento poderá fazer a diferença.

A humanidade jamais teve acesso a tantos fatos e, ao mesmo tempo, jamais se mostrou tão incapacitada para entendê-los. Os experts afirmam que o problema do Oriente Médio tem origem no fanatismo que impregna a região. Melhor seria dizer que a discórdia começa com a quantidade de certezas proclamadas pelas partes. Um pouco mais de perplexidades, uma dosagem de dúvidas e questionamentos ajudariam a podar o excesso de indignação e impedir que esta se converta em outra Guerra dos Cem Anos.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

JORNALISMO CIENTÍFICO
Aquecimento global e a consciência da mídia
Ulisses Capozzoli

Quando O Ambientalista Cético, um catatau de 540 páginas foi publicado aqui, em 2002, muita gente saiu do armário e se proclamou um deles. Bjorn Lomborg, autor do tratado, é um estatístico da Universidade de Aarthus, na Dinamarca, ex-simpatizante do Greenpeace e, até o lançamento do livro, o que se costuma chamar de "ilustre desconhecido". As 540 páginas já seriam motivo de cautela. Mas, por aqui, tudo indica que foi sinônimo de erudição. A edição saiu com reprodução de um texto de Veja na capa, referendando-a contra "ecologistas radicais".

Jornalistas em busca de originalidade a qualquer preço – mesmo contra fatos observáveis, que bem interpretados produzem não só boa ciência, mas também bom jornalismo – viram no lançamento do livro uma oportunidade de exibição e não perderam tempo. Fatos como aquecimento global, produzido por atividades humanas, foram interpretados e divulgados como pouco mais que crendice.

Na edição desta semana (nº 1967, de 2/8/2006) Veja voltou ao assunto com uma surpreendente manchete de página: "Será que já começou?", referência ao efeito-estufa, tratado como resultado de atividades humanas, pela liberação de gases que aprisionam calor na atmosfera.

Complexidade climática

Certamente é o caso de reconhecer que o clima da Terra é complexo o suficiente para não admitir explicações simplistas. O que não significa que dados estratégicos devam ser desconsiderados como elementos capazes de mostrar o que está acontecendo.

E o dado mais elementar neste caso é a concentração de gás carbônico na atmosfera. Desde meados do século 19 sabe-se que o gás carbônico (ou dióxido de carbono, o CO2) retém calor na atmosfera, o que significa que quanto maior a concentração atmosférica deste gás, ao menos em princípio, mais o calor retido.

No relatório anual 2006-2007, o Worldwatch Institute – um dos que reagiram às interpretações de Lomborg – aponta para uma concentração sem precedentes de gás carbônico atmosférico, que no ano passado atingiu 379,6 ppm (partes por milhão). Para se ter uma idéia, antes da Revolução Industrial, quando as máquinas substituíram o trabalho de músculos humanos e animais, a concentração era de 280 ppm.

A constatação de que as temperaturas médias do planeta estão subindo está livre de controvérsias: no ano passado, segundo dados do Worldwatch Institute, ficou em 14,6º Celsius, a maior dos últimos 55 anos. E a admissão de que ela possa estar sendo produzida por atividades humanas abre a perspectiva de que algumas iniciativas sejam tomadas para reverter o que seja possível e assim amenizar os efeitos sobre as futuras gerações.

A alternativa de puros efeitos naturais defendida pelo ceticismo, coerente com inseparáveis doses de egocentrismo, recomenda que se faça nada.

Ondas de calor

Um certo retorno à realidade, ao menos no caso do efeito-estufa, tem sido estimulado por sufocantes ondas de calor em todo o mundo, além de registro de fenômenos incomuns – onde a freqüência da ocorrência é que sugere alguma razão incomum.

As tais ondas de calor que percorreram Europa e Estados Unidos nas duas últimas semanas provocaram centenas de mortes e afetaram a produção agrícola, entre outras atividades. Na Inglaterra, a população teve uma experiência de país tropical, com os termômetros marcando 36,5º Celsius, a maior desde 1911. Na Holanda o calor matou pelo menos 200 pessoas e sugere cenas preocupantes para um país que aprendeu a domar o mar, mas não o suficiente para conter sua fúria, especialmente se o nível das águas subirem pelo mesmo efeito do aquecimento global.

Na Europa, que também aprendeu a valorizar a vida ao longo de guerras e outros conflitos, há temor da reedição do calor que matou pelo menos 32 mil pessoas em 2003, quando países como Portugal registraram enormes e descontrolados incêndios florestais, parte dos cenários previstos pelos modelos de aquecimento global.

Em 2003, dos 32 mil mortos, 15 mil eram franceses. Na semana passada, com os termômetros em 39º Celsius em Paris, o governo convocou estudantes de medicina e médicos aposentados para plantões em hospitais.

Em Nova York e em regiões da Califórnia o calor chegou aos 40º Celsius sobrecarregando o sistema elétrico pelo funcionamento de sistemas de refrigeração.

Calor e insensibilidade

Em São Paulo, em pleno inverno, as temperaturas chegaram aos 30,2º Celsius, a maior já registrada na cidade desde que as medições começaram, há 63 anos. As justificativas dos meteorologistas/climatologistas falam da presença de sistemas de alta pressão que impediram a entrada de frentes frias para amenizar o calor. A questão, no entanto, advertem, não é a presença dos sistemas de alta pressão, mas a freqüência com que eles estão aparecendo, sugestão de que o efeito-estufa está por trás dessas manifestações.

O aquecimento global foi capa recente das revistas Time e Newsweek, além de tema do programa de TV 60 Minutes, da CBS. Mas nem por isso sensibiliza a burocracia de Washington, tradicionalmente contrária a qualquer iniciativa capaz de reduzir as emissões de gás carbônico pela queima de combustíveis fósseis, segundo Michael Grunwald, articulista do Washington Post, em artigo reproduzido pelo Estado de S. Paulo (pág. A 30, edição de 30/7/2006).

A mídia, por si só, evidentemente não daria conta de afugentar um desastre com as proporções do aquecimento global. Todo o corpo da ciência e, possivelmente, o que pode ser o maior esforço coletivo da história talvez seja necessário para amenizar um impacto dessas proporções. Mas a mídia é de fundamental importância para a conscientização, especialmente na educação para um presente e futuro cada vez mais exigentes, de um ponto de vista ambiental, entre outros.

E aí aparece o paradoxo: o desafio de conscientizar a própria mídia. Ao menos por aqui.


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

São Paulo:
Vinicius Mota – Editor de Opinião / Folha de S. Paulo

"Acho que talvez o telespectador tenha sentido falta de uma abordagem mais didática sobre o que está acontecendo, suas causas imediatas e longínquas, de forma que aumentasse a capacidade de compreensão do tema."

Maria Teresa de Souza – Edit. Assist. Internacional / OESP
"Isso que ele falou é interessante, seria bom que as pessoas soubessem por que se chegou a esse ponto."


PERGUNTAS

E-mails:

Marcos
A mídia televisionada brasileira não tem explorado muito o aspecto sentimental e dramático dos brasileiros no Líbano? Ela não deveria se preocupar mais em aprofundar os aspectos políticos e culturais dessa guerra como, por exemplo, promovendo debates, entrevistando especialistas em Oriente Médio, etc?

Márcio, Santa Catarina
O ataque de Israel ao Líbano viola tratados internacionais. É lamentável ver essas imagens.

Franklin
O debate é inteligente e pergunto: por que o presidente Bush, que é sem dúvida, o causador e maior beneficiado com tudo isso, digo no Iraque, também não aparece nas discussões? Os americanos, desde o Vietnã, Japão, Camboja, com o povo Afegão, no mundo todo, sempre de alguma forma lucraram com a matança. Não seria o Bush um novo Hitler que precisa ser extinto? Falta o quê? Coragem?

Glenio Borges, Rio de Janeiro
Gostaria de levantar uma questão: qual a avaliação da qualidade da informação transmitida pela imprensa, principalmente jornais impressos, se temos tantas notícias de mortos pelos resgatados e as fotos só mostram cidades destruídas e pessoas andando pelas ruas? Ou então, o que vemos são imagens da Condolezza muito bem vestida e sorrindo? Está existindo uma liberdade de imprensa ou uma divulgação do que "pode"? E não falo somente da imprensa brasileira, basta pesquisar nos principais jornais do mundo.

Oldeir Silva Ramos, Itajubá / MG – Engenheiro
Dines, parabéns ao programa e à equipe de especialistas reunidos neste programa! Como eu não faço a mídia - sou um leitor ou vejo imagens comentadas pela TV - eu sempre estou de frente para a mídia. E me sinto perplexo, indignado, ao ver, ler e tentar entender os reais motivos dos constantes conflitos nessa região. Sem poder saber, evidentemente em função do espaço do comentarista de guerra, relatando on line, as verdadeiras razões das suas diferenças! Pego-me, às vezes, oscilando entre as razões de um e outro, sem ser conclusivo. Por isso, acreditando que eu faça parte de um universo muito grande, tento me voltar às origens e talvez o tempo ou a minha incapacidade de pesquisa, não me dão respostas. Por isso pergunto: será que a contribuição da mídia, também não estaria em "contar", de forma verdadeira, a formação e diferenças históricas da região, para que possamos entender melhor por que tudo isso acontece e, com isso, poder realmente participar na formação de opiniões e decisões?

Rafael Moterle, Guatambu / SC
Em certa oportunidade, perguntei a um escritor português, que vive na cidade de Chapecó e que participou de uma guerra como soldado por Portugal, qual o motivo que leva as pessoas à guerra. E ele respondeu: imagine uma ponte que só pode passar um carro por vez, chegam dois carros juntos um de cada lado, e a teimosia de cada um não irá permitir a passagem de nenhum deles. Eu ainda não tenho conhecimento para saber os motivos que levaram a esse conflito, mas, depois daquele dia, sempre imagino a guerra como uma grande teimosia de aceitar as diferenças e desenvolver a paz. Acredito que a imprensa tem papel fundamental para a resolução do conflito. O que os jornalistas presentes pensam sobre isso?

Manoel Sávio Barella
Srs, tenho uma pergunta a fazer sobre a situação do Oriente Médio que pode soar ingênua, mas gostaria de fazê-la. Como a sede da Igreja Católica está no Vaticano e os católicos estão espalhados pelo mundo, por que não podemos ter o mesmo modelo para os judeus, com a sede em Jerusalém? O espaço físico disputado não é suficiente para muçulmanos e judeus, além da briga sobre o direito de posse. Sabemos que esta guerra só pode piorar, uma vez que a tendência é que outros países árabes se envolvam no conflito à medida que Israel ultrapasse certos limites na guerra. Anulando a disputa espacial não é mais fácil resolver a convivência entre muçulmanos e judeus em um espaço que pertence a ambos? Sei que o escopo do programa não é este mas fica a pergunta.

Thiago Henrique Tavares da Silveira
Caros amigos, não sou da imprensa e não tenho compromisso com nada, mas vou deixar um texto que gostaria muito que lessem no ar, para que todos saibam que, no caso de uma guerra, para se fazer o certo depende de dois lados. Creio que em uma guerra de tanto tempo, não há mais inocentes, e sim esquecidos dessa guerra. Passa o tempo e os anos sem término do terremoto. O cidadão de cada país deve pegar o país na mão e questionar o porquê da guerra iniciar, a imprensa local dos dois países deve focar sua atenção para trabalhar em conjunto e apresentar soluções coerentes que agradariam os lados igualmente. A imprensa internacional deve cobrar esse trabalho em conjunto da imprensa do Líbano e Israel. Diferente da mídia internacional, eles conhecem o sofrimento do povo e os pontos ideológicos de cada país.


Telefonemas:

Melquíades Junior, Rio Grande do Norte
Garcia, na análise desta questão, a mídia não dá pouco espaço para a ONU? Será que a imprensa não acredita mais no poder conciliador da organização?

Armando Brito, Cascavel / PR
Maria Teresa, a maior parte da imprensa internacional está sediada em Israel, o que dá um imenso suporte aos jornalistas. Isso pode determinar uma certa parcialidade na cobertura?

Jerônimo Brito, Sobral / CE
Um dia teremos paz no mundo? E como isso acontecerá, se o ser humano tem buscas pessoais?

Marcelo Lemos, Porto Alegre / RS
Vinicius, você acredita que parte da mídia mundial, por medo de ser taxada de anti-semita, acaba tomando partido em favor de Israel?

Nereu Mendes, Santana do Livramento / RS
Dines, pelo que você disse no seu editorial, o repórter deve abrir mão da imparcialidade para defender uma causa pacifista?

Israel Guerra, Corrente / PI
Maria Teresa, os jornalistas brasileiros estão preparados, têm conhecimento da geopolítica do Oriente Médio para fazer uma cobertura isenta?

Rita Nascimento, Recife / PE
O que pode ser feito para pôr fim, definitivamente, a esta Guerra?

Marcos Antônio da Silva, Osório / RS
O que vai acontecer se o Brasil se armar com bombas nucleares para proteger a Amazônia e o nosso petróleo das grandes potências?

Silvio Lima, Igaraçu / PE
Até que ponto a imprensa pode tomar partido no que está acontecendo e quais são as conseqüências desse partido que ela toma?

Lilian Souza, Guará / DF
Por que não está sendo feito nada com relação à Guerra por parte dos Estados Unidos? Isso está ligado com o fato deles fornecerem armas a Israel?

Emilson Nunes Costa, Volta Redonda / RJ – Professor
Como explicar o apoio da maior parte da população libanesa ao Hezbollah, sabendo que o mesmo é terrorista, sendo que esse apoio se verifica pelo fato do Hezbollah ser a metade do governo libanês?
A despeito da morte de brasileiros nessa Guerra, a imprensa brasileira tem dado o mesmo espaço às argumentações de Israel como tem dado às do Hezbollah e do Líbano?

Ruy Fulgêncio, Belo Horizonte / MG
Vinicius, Israel derrotou todos seus adversários na guerra tradicional. Mas por que não houve nenhum movimento entre esses dois lados incompatíveis em sete décadas?



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