RESUMO DO PROGRAMA
DERROTA DO BRASIL NA COPA 2006
O Observatório da Imprensa do dia 4 de
julho debateu a cobertura da Copa, ou melhor, a falha da cobertura
jornalística depois que a Seleção brasileira foi eliminada pela França.
Alberto Dines, em seu editorial, disse:
“No sábado, depois da debacle diante da França, a estrela da equipe da
Globo anunciou o seu regresso. E ontem, William Bonner começou o
programa como se a Copa já estivesse encerrada. Ficou a pergunta: a TV
Globo estava cobrindo um evento chamado Copa do Mundo ou estava cobrindo
apenas a participação brasileira no campeonato mundial?”
Participaram do programa, no Rio de
Janeiro, os jornalistas Roberto Falcão e Sergio du Bocage; e em São
Paulo, o diretor-presidente de internet da Brasil Telecom, Caio Túlio
Costa.
Caio Túlio Costa comentou a razão do
regresso da jornalista Fátima Bernardes, a musa da Copa: “Acho que o
espetáculo acabou, e é quase que lógico que se fechem as cortinas. Para
nós, de certa forma, as cortinas se fecharam. O que me chamou muita
atenção foi a falta de criticidade da mídia, a falta de distanciamento
que levou a essa falsa e forçada euforia, diariamente produzida e
calibrada. A Seleção não estava preparada, toda individualizada, cada um
com interesses pessoais e contratos individuais. Acho que a Globo trouxe
de volta a sua principal estrela porque acabou o espetáculo, que foi
muito superficial.”
Roberto Falcão falou sobre o trabalho
jornalístico no meio desse espetáculo: “O espetáculo terminou com a
derrota do Brasil para a França, porém, o trabalho jornalístico,
efetivamente, continua. A investigação das causas da derrota, a análise
crítica dessa derrota, o que isso gera, os seus antecedentes, enfim,
toda a história ainda tem que ser descoberta. Sempre há uma história no
final do espetáculo, e ela está aí para ser contada. Esse assunto ainda
vai ser muito falado, talvez se leve vinte, trinta anos ainda contando
essa mesma história.”
Sergio du Bocage comentou também o clima
de euforia e espetáculo: “Tem muita gente que deixou de acompanhar a
Copa do Mundo com a saída da Seleção brasileira. O que me pareceu,
especificamente na cobertura da Fátima Bernardes na Alemanha, é que ela
foi para ser a setorista da Seleção. O fato dela apresentar o Jornal
Nacional da própria concentração da Seleção, a transformou, como já
disse, em setorista. Como a Seleção não estava mais lá, não havia
sentido dela continuar ali. Ela ficou muito identificada com a Seleção.
Alguns jogadores chegaram até a cogitar fazer uma brincadeira durante o
jornal, mas foram convencidos pelo Rodrigo Paiva, assessor da CBF, de
não fazer. Eu fiquei imaginando como seria essa cena durante o Jornal
Nacional, ao vivo. Atitude compatível com o clima de euforia, forçado
pela própria mídia. O Brasil saiu consciente de que seria campeão, e o
próprio Parreira, na coletiva final, disse que não esperava voltar
naquela situação.”
EDITORIAL
Bem-vindos
ao Observatório da Imprensa.
Durante algumas semanas William Bonner
começou o Jornal Nacional com esta pergunta-bordão dirigida à
apresentadora. No sábado, depois da debacle diante da França, a estrela
da equipe da Globo anunciou o seu regresso. E ontem William Bonner
começou o programa como se a Copa já estivesse encerrada. Ficou a
pergunta: a TV Globo estava cobrindo um evento chamado Copa do Mundo ou
estava cobrindo apenas a participação brasileira no campeonato mundial?
O fim do bordão não é importante mas é
simbólico. Resume uma atitude que não foi exclusiva da Rede Globo: a
mídia brasileira foi à Alemanha para torcer pelo Brasil. Torceu não,
distorceu, é verdade, mas não conseguiu ser suficientemente crítica para
reverter a anestesia que tomou conta da comissão técnica e chegou aos
jogadores.
A imprensa brasileira não é culpada pelo
trágico um a zero do último sábado. Jornalistas não entram em campo, não
movimentam o placar mas jornalistas existem para advertir, criticar,
fazer pressão. Foi assim com a imprensa francesa que no início da Copa
cobrou mais garra da sua seleção. Não foram os jornalistas franceses que
deram o passe para Tierry Henry fazer o gol contra o Brasil. Mas os
jornalistas franceses foram capazes de exigir de sua seleção aquilo que
ela acabou exibindo contra nós.
A grande verdade é que a nossa cobertura
das Copas nos últimos anos mudou drasticamente de foco: ao invés de
buscar o atendimento dos interesses do público passou a atender
prioritariamente aos interesses dos patrocinadores e anunciantes. E para
estes, o que menos interessava eram críticas. Queriam euforia.
Foi justamente essa euforia prematura e
insensata que impediu William Bonner de continuar por mais uma semana
com a sua pergunta-bordão.
ARTIGO
Por Alberto Dines
JORNAL DA COPA
Fátima Bernardes, onde está você?
Alberto Dines
Das diversas decisões erradas tomadas
nesta Copa pela direção da Rede Globo, a mais recente – e, por isso, a
mais significativa – foi o súbito desaparecimento, na segunda-feira
(3/7), da apresentadora Fátima Bernardes na abertura Jornal Nacional.
Se a jornalista foi para cobrir a Copa
não poderia ter regressado na primeira edição regular depois da
eliminação do Brasil, no sábado passado. Pouca gente assistiu à edição
do telejornal naquele sábado, quando ela fez uma breve despedida. A dor
de cotovelo teve proporções de um tsunami.
Mas na segunda-feira o país recobrou a
razão; queria saber, entender, avaliar, chorar e até ensaiar alguma
esperança. Fátima Bernardes deveria estar lá, ao menos para o balanço. O
certo, como jornalista, seria ir até o fim do evento. Cumprir
integralmente a sua tarefa.
Se o jornalista abandona a cobertura
antes do seu término passa para o público a impressão de que está
comprometido com um lado. O sumiço da estrela da equipe da Globo em
seguida à eliminação da seleção brasileira coloca-a numa condição
especial, justamente o que se pretendeu evitar desde o início. Ruim para
Fátima Bernardes e ruim para todas as mulheres que cobrem o futebol.
Atestado de desamor
Se Pedro Bial regressou à base não faz
a menor diferença. Estava lá na condição de repórter: o evento encolheu,
lícito que equipe também seja encolhida. Fátima Bernardes viajou na
condição de âncora auxiliar. A cobertura prossegue, fingir que acabou é
manipular a informação.
Esta decisão é ainda pior do que a
outra – obrigar Fátima Bernardes e sua colega Cristiane Pelajo (Jornal
da Globo) de ficar dando risadas antes mesmo de dizer qualquer coisa
ou ter algum motivo para isso.
A tentativa de forçar uma alegria
despropositada combina-se agora à decisão insensata de passar uma
borracha no acontecido. No início da temporada, a euforia artificial. No
prematuro fim, o disfarce no sofrimento. Nas duas experiências fica a
impressão de que os sentimentos do público devem ser controlados.
"Fátima, onde está você?" foi um bordão
de William Bonner que soou praticamente todas as noites no início do
Jornal Nacional, ao longo das três últimas semanas. Piegas? O país é
piegas, de Lula a Zagallo, passando por Lembo e Garotinho. Só Marcola
não é piegas.
Suprimir o bordão em seguida à tragédia
foi um atestado de desapreço pelo espetáculo. E desamor pelo futebol.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
OS PRIMEIROS
MOVIMENTOS
Deputados querem rever concessões de radiodifusão
Mauro Malin
É muito raro haver menção ao Observatório
da Imprensa em editoriais dos grandes jornais, se é que já houve alguma.
Mas há no presente. Hoje (4/7), no Estado de S. Paulo, o
editorial “O poder dos políticos na mídia” menciona a pesquisa dirigida
pelo professor Venício A. Lima sobre posse de meios de radiodifusão por
parlamentares, “levantamento que revelou um quadro vergonhoso”.
“Cruzando os nomes dos sócios e diretores
de empresas de comunicação com os dos atuais deputados”, explica o
editorial, “o estudo descobriu que 51 deles – ou 1 em 10 – detêm
ilegalmente concessões de rádio ou TV”.
Essa denúncia prática, levada em 25 de
outubro à Procuradoria Geral da República pelo Projor, entidade
mantenedora do Observatório da Imprensa, com a ajuda da advogada Taís
Gasparian, é fruto de uma batalha antiga liderada por Alberto Dines
contra o chamado “coronelismo eletrônico”.
A deputada Luíza Erundina, do PSB de São
Paulo, conseguiu criar no final de junho uma subcomissão da Comissão de
Ciência e Tecnologia para estudar a mudança da legislação que regula a
outorga e renovação de concessões para serviço de rádio e televisão. Ela
quer ouvir o ministro das Comunicações, Hélio Costa, e seus antecessores
Miro Teixeira (deputado do PDT do Rio de Janeiro) e Eunício Oliveira
(deputado do PMDB do Ceará), para explicar como as concessões são
atribuídas. Como funciona a Comissão, há se sabe. Mal. Basta dizer que
Eunício Oliveira, que tinha uma concessão de rádio, foi um de seus
integrantes.
Erundina preside a subcomissão, cujo
relator é o deputado Vic Pires Franco, do PFL do Pará. Vic Pires preside
a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática. Ele foi
durante 15 anos apresentador de telejornal da Rede Globo em seu estado.
A deputada contou ontem ao Observatório da
Imprensa o que a levou a fazer a proposta:
– Estou no meu segundo mandato, e nesses
anos todos sou membro titular, pela bancada do PSB, da Comissão de
Ciência e Tecnologia. E sempre me constrangia muito, me incomodava, ter
que dar esse referendo, a favor ou contra, sem ter uma base objetiva
para aferir o nível de regularidade. São milhares de processos. E por
isso eu entrei com um requerimento pedindo a criação de uma subcomissão
para que a gente pudesse examinar a legislação que regulamenta a
matéria, para que a gente possa aperfeiçoar essa legislação e dar melhor
condição à Comissão de Ciência e Tecnologia de se pronunciar a respeito
dessas concessões ou renovações feitas pelo Executivo, no caso pelo
Ministério das Comunicações.
“O máximo que podíamos fazer era nos
abster”, diz Erundina, referindo-se aos que não aceitavam opinar sobre
matéria desconhecida. “Uma ação sem eficácia”, classifica.
O ponto de partida, entende a deputada
(ela também ex-ministra, da Administração, no governo de Itamar Franco,
o que provocou seu afastamento do PT), é ouvir as pessoas encarregadas
de operar o sistema.
Brizola X Globo
Erundina tem uma explicação para a maneira
como se definiu a legislação atual. Ela parte de um episódio que em 1982
antagonizou o então governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola
(1983-87; houve um segundo mandato em 1991-94), à Rede Globo. O Caso
Proconsult, desvio de votos em contagem por computador que por pouco não
levava a uma vitória fraudulenta do adversário de Brizola, Moreira
Franco, na eleição de 1982. A Rede Globo e o Globo foram os
vilões da história. Brizola costumava acenar com o fantasma da cassação
da concessão da Globo para operar. Roberto Marinho, diz a deputada,
exerceu todo o seu poder de pressão, juntamente com outros donos de
redes de rádio e televisão para que as concessões, uma vez concedidas ou
prorrogadas, só pudessem ser revogadas em caso extremo.
O resultado está no artigo 223, parágrafo
terceiro, da Constituição: “A não renovação de permissão ou
concessão dependerá de, no mínimo, dois quintos do Congresso Nacional,
em votação nominal”.
– É como se se desejasse que aquilo nunca
mais pudesse ser revogado. Aprovou, fica para sempre – diz Erundina.
Daí a necessidade, segundo a deputada, de
começar pela legislação constitucional e depois passar à legislação
infra-constitucional. O Código Brasileiro de Telecomunicações é de 1962.
A Lei Geral de Telecomunicações, de 1997.
Digitalização sem concentração
“Agora que vamos entrar na digitalização,
precisamos evitar que haja ainda mais concentração”, diz Erundina.
“Trata-se de espaço público de informação, cultura, ideologia, poder.
Trata-se de assuntos que dizem respeito à autonomia, à soberania do país
nas próximas décadas”, afirma.
A deputada elogia seu colega presidente da
Comissão de Ciência e Tecnologia, Vic Pires Franco: “Ele tem tido uma
atuação muito positiva, deu dinamismo à Comissão”. Uma comissão que, em
2004, anote-se, foi presidida pelo hoje prefeito de São Paulo, Gilberto
Kassab. Numa época em que, relatam vários parlamentares, era esmagadora
a maioria de concessionários de emissoras, ou de deputados ligados a
redes de rádio e televisão. Eles ainda são a maioria, mas já não impedem
o debate.
Fantazzini: envolver mais a sociedade
O deputado Orlando Fantazzini, do PSOL
paulista, um dos criadores da campanha Quem Financia a Baixaria é Contra
a Cidadania, integra a Comissão de Ciência e Tecnologia e a subcomissão
presidida pela deputada Luíza Erundina. Ele acha difícil atuar na
comissão, mas reconhece que o presidente Vic Pires Franco “tem deixado o
debate avançar, o que permite envolver um pouquinho mais a sociedade”.
Ele constata que há um grande conflito
latente entre as redes de televisão e as empresas de telefonia, em torno
da digitalização, e diz que muito vai depender da forma como o
presidente Lula regulamentar a matéria.
Existe a possibilidade de que as teles
tenham de pagar às redes de TV aberta para veicular conteúdo para
celulares, por exemplo. Ao mesmo tempo, a Telefônica, em São Paulo,
prepara-se para jogar canais por assinatura em sua rede de fibra óptica.
Briga de gigantes. A Rede Globo é gigante em influência. As teles são
gigantes em poder financeiro. E não têm dívidas acumuladas, como as
empresas de mídia.
Dois pesos e duas medidas
Fantazzini exemplifica a tendenciosidade
do tratamento dado às emissoras de rádio e televisão com questionamento
feito por ele a representantes da Anatel na primeira reunião do grupo,
na quarta-feira passada (28/6).
“Quando alguém faz uma solicitação para
receber o direito de operar uma rádio comunitária e o Estado brasileiro
demora anos e meses e essa rádio começa a operar, a Anatel, junto com a
Polícia Federal, comparecem nessa rádio, lacram os equipamentos e às
vezes até prendem as pessoas que estão lá”, argumentou Fantazzini. “Há
emissoras comerciais há quatro, cinco anos sem a renovação da outorga.
Portanto, fora da lei. Eu questionei a eles por que não adotam o mesmo
procedimento que têm adotado em relação às rádios comunitárias.
Compareçam nessas rádios comerciais, lacrem os equipamentos e, não vou
dizer prender, mas pelo menos façam com que a emissora deixe de operar
até que ela consiga, através da legislação, comprovar a sua regularidade
e receba novamente a prorrogação da sua outorga”.
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
Rio de
Janeiro:
Roberto
Falcão – Jornalista
"Acho que faltou um pouco mais de participação dos
espectadores."
Sergio Du Bocage – Jornalista
"Faltou tempo. O programa tem que ter duas horas."
São
Paulo:
Caio Túlio Costa – Dir. Pres. Internet / Brasil Telecom
"O
programa foi delicioso de participar. Acho que a gente discutiu bem a
questão do espetáculo. O Dines botou o dedo na ferida; não vai mudar
nada para a próxima Copa, mas é importante esse distanciamento. Agora
vamos torcer para a saída da França."
PERGUNTAS
E-mails:
Evandro
Capelasso
Prezado Dines, em primeiro lugar, parabéns pela qualidade do programa
OI. Nem preciso dizer quanto à importância do programa para uma melhor
qualificação da mídia brasileira. Minha opinião é que tudo virou um
grande espetáculo, onde os protagonistas são os craques milionários e
astros da propaganda. A cobertura esportiva é desgastante. Repete-se
muito um assunto. Redundância talvez pela falta de mais conteúdo.
Algumas emissoras exageram na pauta chegando a ler os lábios das
pessoas. Acredito que a frustração do torcedor esteja relacionada com a
ampla cobertura jornalística. A cultura do mito e dos ídolos
estereotipados personificou uma seleção como imbatível e vencedora. A
mesma imprensa que idolatrou essa seleção, destruiu na mesma velocidade
as emoções que o público esperou dessa Copa do Mundo.
Gilberto
– Músico e Jornalista
Boa-tarde! O fiasco da seleção brasileira parece que entorpeceu o povo
brasileiro. É impressionante a expectativa criada em torno do futebol
pela mídia, principalmente a televisiva, a que mais se aproxima do povo
brasileiro. Agora, procura-se um culpado pelo fracasso do Brasil na Copa
para execrá-lo publicamente. Ora, não há apenas um culpado. Há vários
culpados. Posso enumerá-los: jogadores, comissão técnica e, também, a
mídia. Sim, a mídia que joga no inconsciente coletivo de que os
jogadores brasileiros são os melhores do mundo, quase que imbatíveis.
Chega ao cúmulo de entrevistas ou assuntos ridículos, tais como, as
bolhas no pé do fenômeno, as noitadas dos jogadores nas boates, o que
comem, o que pensam, o que vestem, etc. A mídia criou uma falsa e
irresponsável expectativa de já ganhou, viva o oba-oba e o povo agora
não estava preparado para a derrota. Ora, temos que saber que nem sempre
venceremos e que das derrotas vêm as lições, o grande e imperecível
aprendizado. Parece que, infelizmente, o povo está com ódio da seleção.
Isto é ruim. Mas, quem criou esta expectativa? Reitero que foi a mídia,
apostando no sucesso da seleção e por causa de seus investimentos. O
capitalismo não pode e não deve ser mais importante do que o valor da
vida, da ordem, da paz e da justiça. Gostaria de saber quem irá advertir
a mídia, em especial, a Rede Globo por inflar o balão da seleção
brasileira? Quando o Brasil será sério? De Gaulle, há décadas, afirmou
sem o menor constrangimento: O Brasil não é sério! Agora, percebo que
tem razão e que a crítica, infelizmente, procede.
Adriano
Caio Túlio Costa, você viu algum comentário a respeito do esquema tático
das Seleções nessa Copa da Alemanha? Você acha que os recordes fúteis da
Seleçao têm alguma importância para o futebol? A Seleção Brasileira pode
ser chamada de Big Bola Brasil? Foi mais uma edição do Big Brother
Brasil?
Roberto Falcão, os recordes batidos por Ronaldo, Cafu etc podem ser
considerados abobrinhas pra encher lingüiça, para iludir o torcedor
brasileiro?
José
Adilson Marques Bevilacqua
A derrota foi lamentável, porém muito mais lamentável foi a atitude de
quem elevou os jogadores da seleção à condição de deuses do Olimpo.
Humanizados por um craque como Zidane, a turba insuflada pela mídia
quase "invadiu" o Olimpo. Na verdade o que aconteceu é que o céu da
Alemanha foi muito pequeno para as muitas estrelas brasileiras!
Ilton
Carlos Dellandréa, Porto Alegre / RS
Sr. Dines, o senhor disse, no início, que a imprensa não é responsável
pela desclassificação do Brasil. Também acho. Mas há jornalistas que
impõem, ou tentam impor, sua escalação não só do time mas da própria
Comissão Técnica. Nunca um técnico saiu para uma Copa tão prestigiado
pela “grande” imprensa como o Parreira, principalmente pela Rede Globo.
A seleção esteve com a cara do Galvão Bueno: faltou-lhe coragem de
criticar os amigos (Parreira, Ronaldão, Barrichello...), que faz em sua
atividade jornalística para obter entrevistas e informações
privilegiadas, como ao Brasil faltou coragem de desenvolver um jogo pra
frente. Tentar convencer que o Ronaldo Fenômeno era a nossa melhor opção
para o ataque do Brasil é o mais puro exercício de cabotinice. E nisso
se resumiu a participação da Globo: passar uma falsa euforia como se o
telespectador não estivesse assistindo aos jogos e vendo que a realidade
era diferente daquela transmitida. Em suma, considerando a todos nós,
telespectadores, como burros.
Marcos
Roberto T. Andrade, Juiz de Fora / MG
Gostaria de saber do prof. Túlio Costa se ele concordaria que esse
excesso de euforia na cobertura da seleção na Copa, tanto por parte da
imprensa escrita, como da televisionada, não teria o intuito de promover
o consumismo.
Irani e
Reynaldo, Feira de Santana / BA
Boa noite, temos que abandonar o nosso posto de Penta para a Europa?
Temos que passar à frente o nosso único e exclusivo 1º lugar para as
grandes potências? Nossa alegria era de 4 em 4 anos, agora será
drasticamente transformada em decepção e tristeza. Acho que o futebol
brasileiro virou espetáculo para a imprensa mundial, enquanto o futebol
europeu se apresenta com garra e poder da vitória de ser 1º em tudo.
André
Stangl, Salvador / BA
O futebol deixou de ser jogo para virar ciência? Vejam a quantidade de
tentativas de explicação da derrota, com estatísticas, escalações certas
ou erradas, etc.
Anderson
Dias Guimarães, Salvador / BA
Boa noite! Minha pergunta é para Roberto Falcão: a lei da mordaça foi
realmente banida no Brasil? O monopólio da transmissão dos jogos e os
jogadores só dão entrevista para a Rede Globo. Isso não é uma forma de
colocar uma mordaça nas outras emissoras?
Paulo
Tavares, Niterói / RJ
Sobre o jogo do Brasil e França, parece que Roberto Carlos, Cafu e
Ronaldo (o fenômeno) estavam todos comprados pelos patrões que financiam
a Copa e não seria bom que a seleção brasileira ganhasse o Hexa
campeonato.
Reinaldo
Leal
O programa Observatório da Imprensa consegue constantemente se superar.
O programa feito sobre esta trágica derrota da seleção brasileira na
Copa do Mundo foi um primor de qualidade não somente pela seleção dos
participantes mas do alto nível dos comentários, sem falar na sempre
perfeita coordenação de Alberto Dines. Só discordo de quem disse que
para os jogadores nada muda porque todos estão ricos e felizes. Embora
essa seja uma verdade, creio que perderão muito em publicidade no Brasil
porque hoje estão totalmente queimados junto à opinião pública. A
qualidade individual e em conjunto dos nossos jogadores, se treinados em
coletivos que não aconteceram, é inquestionavelmente melhor que qualquer
das seleções que disputaram essa medíocre Copa do Mundo em termos
técnicos das demais seleções. As mudanças têm que começar pela
substituição do presidente da CBF e de toda a comissão técnica,
aproveitando para aposentar os jogadores que não vestem a camisa. Se
nosso técnico fosse o Felipão, esta Copa teria sido vencida pelo Brasil
com a maior facilidade. E o Felipão só não foi técnico da seleção
brasileira porque não quis se submeter às exigências do senhor Ricardo
Teixeira e asseclas.
Telefonemas:
Gilberto
Ferreira, Nova Friburgo / RJ
Por que só a Globo transmitiu a Copa? E por que a Seleção só foi
criticada agora, e não antes?
Luiz
Machado, Cabo Frio / RJ
A Globo, particularmente o Galvão Bueno, tenta impor a idéia de que a
Seleção, a CBF e a nação brasileira se confundem, quando se sabe que a
CBF é um negócio particular. Existe um conjunto de interesses entre a
Rede Globo e a CBF?
Deferson
Roosezelt, Rio Grande do Sul
Por que o futebol brasileiro tem se tornado uma empresa e menos aquele
futebol arte que alivia a carência da população brasileira?
Marcos
Antônio, Rio Grande do Sul
Por que a mídia só pensa em promover estrelas e não faz críticas para
pressionar a Seleção?
Tenúrio
Junior, Alegrete / RS
A imprensa decretou que este era um time dos sonhos. E isso não só no
Brasil. Será que isso subiu à cabeça dos jogadores e eles realmente
acreditaram que a Copa era nossa? A mídia tem esse poder?
Antonio
Vasquez, Rio de Janeiro
Bocage, depois da derrota surgiram diversas teorias sobre o fracasso.
Uma delas diz que Parreira teria escalado o time por causa da pressão de
patrocinadores. O que você acha disso?
Dagvan
Monteiro, Pombal / PA
Caio, o que o senhor acha do uso de apelidos como “Fenômeno” e
“Imperador” para os jogadores? A mídia não encheu demais a bola dos
jogadores e agora quer cobrar um desempenho à altura da imagem que
criou?
Pedro
Mendes, Mossoró / RN
Depois da derrota em 98, a mídia criticou duramente a intervenção do
poder econômico sobre os jogadores. Antes dessa Copa não se falou nada
sobre o assunto, mas com a derrota o tema voltou à baila. Não é uma
hipocrisia da imprensa?
Socorro
Santos, Fortaleza / CE
Falcão, você acha que a imprensa colocou a taça na mão do Brasil antes
da Seleção entrar em campo?
Enilson
Nunes Costa, Volta Redonda / RJ
O fato do Jornal Nacional entrevistar jogadores, apesar do fuso horário,
não interferia de alguma forma na programação da concentração? Isso
também não atrapalha?
Adão
Albino, Porto Alegre / RS
Por que a imprensa não continuou a cobertura dos inquéritos policiais e
judiciais do presidente da CBF Ricardo Teixeira?
Gilberto
Timóteo, Barbalha / CE
Por que existe um monopólio entre CBF e a Globo? Por que as entrevistas
exclusivas são mais para a TV Globo? Por que o Galvão não fez críticas
aos Ronaldos durante o jogo contra a França?
Luiz
Carlos Silva, Resende / RJ
Não faltou profissionalismo da CBF ao fazer amistosos só para ganhar
dinheiro, deixando de lado as vitórias?
Obede
Quirós, Fortaleza / CE
Caio, até que ponto a Globo teve uma participação negativa para a
Seleção?
Mario
Gerson, Mossoró / RN
Caio, a Globo deu mais lugar à euforia do que ao jornalismo?
Sergio, houve uma certa minimização da importância do espetáculo Copa
pela TV Globo por conta da derrota brasileira?