PROGRAMA DO DIA 04 DE JULHO DE 2006

DERROTA DO BRASIL NA COPA 2006

Neste programa o Observatório discutiu a atuação da imprensa na derrota do Brasil na Copa 2006.

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

JORNAL DA COPA
Fátima Bernardes, onde está você?

Alberto Dines

Das diversas decisões erradas tomadas nesta Copa pela direção da Rede Globo, a mais recente – e, por isso, a mais significativa – foi o súbito desaparecimento, na segunda-feira (3/7), da apresentadora Fátima Bernardes na abertura Jornal Nacional.

Leia na íntegra

Como foi a cobertura da Copa do Mundo?

Resultado:

Forçou a euforia: 76%

Foi equilibrada: 4%

Focou o irrelevante: 20%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Editorial:

Bem-vindos ao "Observatório da Imprensa".

Durante algumas semanas William Bonner começou o Jornal Nacional com esta pergunta-bordão dirigida à apresentadora. No sábado, depois da debacle diante da França, a estrela da equipe da Globo anunciou o seu regresso. E ontem William Bonner começou o programa como se a Copa já estivesse encerrada. Ficou a pergunta: a TV Globo estava cobrindo um evento chamado Copa do Mundo ou estava cobrindo apenas a participação brasileira no campeonato mundial?


Leia na íntegra

OS PRIMEIROS MOVIMENTOS
Deputados querem rever concessões de radiodifusão
Mauro Malin

É muito raro haver menção ao Observatório da Imprensa em editoriais dos grandes jornais, se é que já houve alguma. Mas há no presente. Hoje (4/7), no Estado de S. Paulo, o editorial “O poder dos políticos na mídia” menciona a pesquisa dirigida pelo professor Venício A. Lima sobre posse de meios de radiodifusão por parlamentares, “levantamento que revelou um quadro vergonhoso”.

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RESUMO DO PROGRAMA

DERROTA DO BRASIL NA COPA 2006

O Observatório da Imprensa do dia 4 de julho debateu a cobertura da Copa, ou melhor, a falha da cobertura jornalística depois que a Seleção brasileira foi eliminada pela França.

Alberto Dines, em seu editorial, disse: “No sábado, depois da debacle diante da França, a estrela da equipe da Globo anunciou o seu regresso. E ontem, William Bonner começou o programa como se a Copa já estivesse encerrada. Ficou a pergunta: a TV Globo estava cobrindo um evento chamado Copa do Mundo ou estava cobrindo apenas a participação brasileira no campeonato mundial?”

Participaram do programa, no Rio de Janeiro, os jornalistas Roberto Falcão e Sergio du Bocage; e em São Paulo, o diretor-presidente de internet da Brasil Telecom, Caio Túlio Costa.

Caio Túlio Costa comentou a razão do regresso da jornalista Fátima Bernardes, a musa da Copa: “Acho que o espetáculo acabou, e é quase que lógico que se fechem as cortinas. Para nós, de certa forma, as cortinas se fecharam. O que me chamou muita atenção foi a falta de criticidade da mídia, a falta de distanciamento que levou a essa falsa e forçada euforia, diariamente produzida e calibrada. A Seleção não estava preparada, toda individualizada, cada um com interesses pessoais e contratos individuais. Acho que a Globo trouxe de volta a sua principal estrela porque acabou o espetáculo, que foi muito superficial.”

Roberto Falcão falou sobre o trabalho jornalístico no meio desse espetáculo: “O espetáculo terminou com a derrota do Brasil para a França, porém, o trabalho jornalístico, efetivamente, continua. A investigação das causas da derrota, a análise crítica dessa derrota, o que isso gera, os seus antecedentes, enfim, toda a história ainda tem que ser descoberta. Sempre há uma história no final do espetáculo, e ela está aí para ser contada. Esse assunto ainda vai ser muito falado, talvez se leve vinte, trinta anos ainda contando essa mesma história.”

Sergio du Bocage comentou também o clima de euforia e espetáculo: “Tem muita gente que deixou de acompanhar a Copa do Mundo com a saída da Seleção brasileira. O que me pareceu, especificamente na cobertura da Fátima Bernardes na Alemanha, é que ela foi para ser a setorista da Seleção. O fato dela apresentar o Jornal Nacional da própria concentração da Seleção, a transformou, como já disse, em setorista. Como a Seleção não estava mais lá, não havia sentido dela continuar ali. Ela ficou muito identificada com a Seleção. Alguns jogadores chegaram até a cogitar fazer uma brincadeira durante o jornal, mas foram convencidos pelo Rodrigo Paiva, assessor da CBF, de não fazer. Eu fiquei imaginando como seria essa cena durante o Jornal Nacional, ao vivo. Atitude compatível com o clima de euforia, forçado pela própria mídia. O Brasil saiu consciente de que seria campeão, e o próprio Parreira, na coletiva final, disse que não esperava voltar naquela situação.”


EDITORIAL

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Durante algumas semanas William Bonner começou o Jornal Nacional com esta pergunta-bordão dirigida à apresentadora. No sábado, depois da debacle diante da França, a estrela da equipe da Globo anunciou o seu regresso. E ontem William Bonner começou o programa como se a Copa já estivesse encerrada. Ficou a pergunta: a TV Globo estava cobrindo um evento chamado Copa do Mundo ou estava cobrindo apenas a participação brasileira no campeonato mundial?

O fim do bordão não é importante mas é simbólico. Resume uma atitude que não foi exclusiva da Rede Globo: a mídia brasileira foi à Alemanha para torcer pelo Brasil. Torceu não, distorceu, é verdade, mas não conseguiu ser suficientemente crítica para reverter a anestesia que tomou conta da comissão técnica e chegou aos jogadores.

A imprensa brasileira não é culpada pelo trágico um a zero do último sábado. Jornalistas não entram em campo, não movimentam o placar mas jornalistas existem para advertir, criticar, fazer pressão. Foi assim com a imprensa francesa que no início da Copa cobrou mais garra da sua seleção. Não foram os jornalistas franceses que deram o passe para Tierry Henry fazer o gol contra o Brasil. Mas os jornalistas franceses foram capazes de exigir de sua seleção aquilo que ela acabou exibindo contra nós.

A grande verdade é que a nossa cobertura das Copas nos últimos anos mudou drasticamente de foco: ao invés de buscar o atendimento dos interesses do público passou a atender prioritariamente aos interesses dos patrocinadores e anunciantes. E para estes, o que menos interessava eram críticas. Queriam euforia.

Foi justamente essa euforia prematura e insensata que impediu William Bonner de continuar por mais uma semana com a sua pergunta-bordão.


ARTIGO
Por Alberto Dines

JORNAL DA COPA
Fátima Bernardes, onde está você?

Alberto Dines

Das diversas decisões erradas tomadas nesta Copa pela direção da Rede Globo, a mais recente – e, por isso, a mais significativa – foi o súbito desaparecimento, na segunda-feira (3/7), da apresentadora Fátima Bernardes na abertura Jornal Nacional.

Se a jornalista foi para cobrir a Copa não poderia ter regressado na primeira edição regular depois da eliminação do Brasil, no sábado passado. Pouca gente assistiu à edição do telejornal naquele sábado, quando ela fez uma breve despedida. A dor de cotovelo teve proporções de um tsunami.

Mas na segunda-feira o país recobrou a razão; queria saber, entender, avaliar, chorar e até ensaiar alguma esperança. Fátima Bernardes deveria estar lá, ao menos para o balanço. O certo, como jornalista, seria ir até o fim do evento. Cumprir integralmente a sua tarefa.

Se o jornalista abandona a cobertura antes do seu término passa para o público a impressão de que está comprometido com um lado. O sumiço da estrela da equipe da Globo em seguida à eliminação da seleção brasileira coloca-a numa condição especial, justamente o que se pretendeu evitar desde o início. Ruim para Fátima Bernardes e ruim para todas as mulheres que cobrem o futebol.

Atestado de desamor

Se Pedro Bial regressou à base não faz a menor diferença. Estava lá na condição de repórter: o evento encolheu, lícito que equipe também seja encolhida. Fátima Bernardes viajou na condição de âncora auxiliar. A cobertura prossegue, fingir que acabou é manipular a informação.

Esta decisão é ainda pior do que a outra – obrigar Fátima Bernardes e sua colega Cristiane Pelajo (Jornal da Globo) de ficar dando risadas antes mesmo de dizer qualquer coisa ou ter algum motivo para isso.

A tentativa de forçar uma alegria despropositada combina-se agora à decisão insensata de passar uma borracha no acontecido. No início da temporada, a euforia artificial. No prematuro fim, o disfarce no sofrimento. Nas duas experiências fica a impressão de que os sentimentos do público devem ser controlados.

"Fátima, onde está você?" foi um bordão de William Bonner que soou praticamente todas as noites no início do Jornal Nacional, ao longo das três últimas semanas. Piegas? O país é piegas, de Lula a Zagallo, passando por Lembo e Garotinho. Só Marcola não é piegas.

Suprimir o bordão em seguida à tragédia foi um atestado de desapreço pelo espetáculo. E desamor pelo futebol.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

OS PRIMEIROS MOVIMENTOS
Deputados querem rever concessões de radiodifusão
Mauro Malin

É muito raro haver menção ao Observatório da Imprensa em editoriais dos grandes jornais, se é que já houve alguma. Mas há no presente. Hoje (4/7), no Estado de S. Paulo, o editorial “O poder dos políticos na mídia” menciona a pesquisa dirigida pelo professor Venício A. Lima sobre posse de meios de radiodifusão por parlamentares, “levantamento que revelou um quadro vergonhoso”.

“Cruzando os nomes dos sócios e diretores de empresas de comunicação com os dos atuais deputados”, explica o editorial, “o estudo descobriu que 51 deles – ou 1 em 10 – detêm ilegalmente concessões de rádio ou TV”.

Essa denúncia prática, levada em 25 de outubro à Procuradoria Geral da República pelo Projor, entidade mantenedora do Observatório da Imprensa, com a ajuda da advogada Taís Gasparian, é fruto de uma batalha antiga liderada por Alberto Dines contra o chamado “coronelismo eletrônico”.

A deputada Luíza Erundina, do PSB de São Paulo, conseguiu criar no final de junho uma subcomissão da Comissão de Ciência e Tecnologia para estudar a mudança da legislação que regula a outorga e renovação de concessões para serviço de rádio e televisão. Ela quer ouvir o ministro das Comunicações, Hélio Costa, e seus antecessores Miro Teixeira (deputado do PDT do Rio de Janeiro) e Eunício Oliveira (deputado do PMDB do Ceará), para explicar como as concessões são atribuídas. Como funciona a Comissão, há se sabe. Mal. Basta dizer que Eunício Oliveira, que tinha uma concessão de rádio, foi um de seus integrantes.

Erundina preside a subcomissão, cujo relator é o deputado Vic Pires Franco, do PFL do Pará. Vic Pires preside a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática. Ele foi durante 15 anos apresentador de telejornal da Rede Globo em seu estado.

A deputada contou ontem ao Observatório da Imprensa o que a levou a fazer a proposta:

– Estou no meu segundo mandato, e nesses anos todos sou membro titular, pela bancada do PSB, da Comissão de Ciência e Tecnologia. E sempre me constrangia muito, me incomodava, ter que dar esse referendo, a favor ou contra, sem ter uma base objetiva para aferir o nível de regularidade. São milhares de processos. E por isso eu entrei com um requerimento pedindo a criação de uma subcomissão para que a gente pudesse examinar a legislação que regulamenta a matéria, para que a gente possa aperfeiçoar essa legislação e dar melhor condição à Comissão de Ciência e Tecnologia de se pronunciar a respeito dessas concessões ou renovações feitas pelo Executivo, no caso pelo Ministério das Comunicações.

“O máximo que podíamos fazer era nos abster”, diz Erundina, referindo-se aos que não aceitavam opinar sobre matéria desconhecida. “Uma ação sem eficácia”, classifica.

O ponto de partida, entende a deputada (ela também ex-ministra, da Administração, no governo de Itamar Franco, o que provocou seu afastamento do PT), é ouvir as pessoas encarregadas de operar o sistema.

Brizola X Globo

Erundina tem uma explicação para a maneira como se definiu a legislação atual. Ela parte de um episódio que em 1982 antagonizou o então governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (1983-87; houve um segundo mandato em 1991-94), à Rede Globo. O Caso Proconsult, desvio de votos em contagem por computador que por pouco não levava a uma vitória fraudulenta do adversário de Brizola, Moreira Franco, na eleição de 1982. A Rede Globo e o Globo foram os vilões da história. Brizola costumava acenar com o fantasma da cassação da concessão da Globo para operar. Roberto Marinho, diz a deputada, exerceu todo o seu poder de pressão, juntamente com outros donos de redes de rádio e televisão para que as concessões, uma vez concedidas ou prorrogadas, só pudessem ser revogadas em caso extremo.

O resultado está no artigo 223, parágrafo terceiro, da Constituição: “A não renovação de permissão ou concessão dependerá de, no mínimo, dois quintos do Congresso Nacional, em votação nominal”.

– É como se se desejasse que aquilo nunca mais pudesse ser revogado. Aprovou, fica para sempre – diz Erundina.

Daí a necessidade, segundo a deputada, de começar pela legislação constitucional e depois passar à legislação infra-constitucional. O Código Brasileiro de Telecomunicações é de 1962. A Lei Geral de Telecomunicações, de 1997.

Digitalização sem concentração

“Agora que vamos entrar na digitalização, precisamos evitar que haja ainda mais concentração”, diz Erundina. “Trata-se de espaço público de informação, cultura, ideologia, poder. Trata-se de assuntos que dizem respeito à autonomia, à soberania do país nas próximas décadas”, afirma.

A deputada elogia seu colega presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Vic Pires Franco: “Ele tem tido uma atuação muito positiva, deu dinamismo à Comissão”. Uma comissão que, em 2004, anote-se, foi presidida pelo hoje prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Numa época em que, relatam vários parlamentares, era esmagadora a maioria de concessionários de emissoras, ou de deputados ligados a redes de rádio e televisão. Eles ainda são a maioria, mas já não impedem o debate.

Fantazzini: envolver mais a sociedade

O deputado Orlando Fantazzini, do PSOL paulista, um dos criadores da campanha Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania, integra a Comissão de Ciência e Tecnologia e a subcomissão presidida pela deputada Luíza Erundina. Ele acha difícil atuar na comissão, mas reconhece que o presidente Vic Pires Franco “tem deixado o debate avançar, o que permite envolver um pouquinho mais a sociedade”.

Ele constata que há um grande conflito latente entre as redes de televisão e as empresas de telefonia, em torno da digitalização, e diz que muito vai depender da forma como o presidente Lula regulamentar a matéria.

Existe a possibilidade de que as teles tenham de pagar às redes de TV aberta para veicular conteúdo para celulares, por exemplo. Ao mesmo tempo, a Telefônica, em São Paulo, prepara-se para jogar canais por assinatura em sua rede de fibra óptica. Briga de gigantes. A Rede Globo é gigante em influência. As teles são gigantes em poder financeiro. E não têm dívidas acumuladas, como as empresas de mídia.

Dois pesos e duas medidas

Fantazzini exemplifica a tendenciosidade do tratamento dado às emissoras de rádio e televisão com questionamento feito por ele a representantes da Anatel na primeira reunião do grupo, na quarta-feira passada (28/6).

“Quando alguém faz uma solicitação para receber o direito de operar uma rádio comunitária e o Estado brasileiro demora anos e meses e essa rádio começa a operar, a Anatel, junto com a Polícia Federal, comparecem nessa rádio, lacram os equipamentos e às vezes até prendem as pessoas que estão lá”, argumentou Fantazzini. “Há emissoras comerciais há quatro, cinco anos sem a renovação da outorga. Portanto, fora da lei. Eu questionei a eles por que não adotam o mesmo procedimento que têm adotado em relação às rádios comunitárias. Compareçam nessas rádios comerciais, lacrem os equipamentos e, não vou dizer prender, mas pelo menos façam com que a emissora deixe de operar até que ela consiga, através da legislação, comprovar a sua regularidade e receba novamente a prorrogação da sua outorga”.


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

Rio de Janeiro:

Roberto Falcão – Jornalista
"Acho que faltou um pouco mais de participação dos espectadores."

Sergio Du Bocage – Jornalista
"Faltou tempo. O programa tem que ter duas horas."

São Paulo:

Caio Túlio Costa – Dir. Pres. Internet / Brasil Telecom
"O programa foi delicioso de participar. Acho que a gente discutiu bem a questão do espetáculo. O Dines botou o dedo na ferida; não vai mudar nada para a próxima Copa, mas é importante esse distanciamento. Agora vamos torcer para a saída da França."


PERGUNTAS

E-mails:

Evandro Capelasso
Prezado Dines, em primeiro lugar, parabéns pela qualidade do programa OI. Nem preciso dizer quanto à importância do programa para uma melhor qualificação da mídia brasileira. Minha opinião é que tudo virou um grande espetáculo, onde os protagonistas são os craques milionários e astros da propaganda. A cobertura esportiva é desgastante. Repete-se muito um assunto. Redundância talvez pela falta de mais conteúdo. Algumas emissoras exageram na pauta chegando a ler os lábios das pessoas. Acredito que a frustração do torcedor esteja relacionada com a ampla cobertura jornalística. A cultura do mito e dos ídolos estereotipados personificou uma seleção como imbatível e vencedora. A mesma imprensa que idolatrou essa seleção, destruiu na mesma velocidade as emoções que o público esperou dessa Copa do Mundo.

Gilberto – Músico e Jornalista
Boa-tarde! O fiasco da seleção brasileira parece que entorpeceu o povo brasileiro. É impressionante a expectativa criada em torno do futebol pela mídia, principalmente a televisiva, a que mais se aproxima do povo brasileiro. Agora, procura-se um culpado pelo fracasso do Brasil na Copa para execrá-lo publicamente. Ora, não há apenas um culpado. Há vários culpados. Posso enumerá-los: jogadores, comissão técnica e, também, a mídia. Sim, a mídia que joga no inconsciente coletivo de que os jogadores brasileiros são os melhores do mundo, quase que imbatíveis. Chega ao cúmulo de entrevistas ou assuntos ridículos, tais como, as bolhas no pé do fenômeno, as noitadas dos jogadores nas boates, o que comem, o que pensam, o que vestem, etc. A mídia criou uma falsa e irresponsável expectativa de já ganhou, viva o oba-oba e o povo agora não estava preparado para a derrota. Ora, temos que saber que nem sempre venceremos e que das derrotas vêm as lições, o grande e imperecível aprendizado. Parece que, infelizmente, o povo está com ódio da seleção. Isto é ruim. Mas, quem criou esta expectativa? Reitero que foi a mídia, apostando no sucesso da seleção e por causa de seus investimentos. O capitalismo não pode e não deve ser mais importante do que o valor da vida, da ordem, da paz e da justiça. Gostaria de saber quem irá advertir a mídia, em especial, a Rede Globo por inflar o balão da seleção brasileira? Quando o Brasil será sério? De Gaulle, há décadas, afirmou sem o menor constrangimento: O Brasil não é sério! Agora, percebo que tem razão e que a crítica, infelizmente, procede.

Adriano
Caio Túlio Costa, você viu algum comentário a respeito do esquema tático das Seleções nessa Copa da Alemanha? Você acha que os recordes fúteis da Seleçao têm alguma importância para o futebol? A Seleção Brasileira pode ser chamada de Big Bola Brasil? Foi mais uma edição do Big Brother Brasil?
Roberto Falcão, os recordes batidos por Ronaldo, Cafu etc podem ser considerados abobrinhas pra encher lingüiça, para iludir o torcedor brasileiro?

José Adilson Marques Bevilacqua
A derrota foi lamentável, porém muito mais lamentável foi a atitude de quem elevou os jogadores da seleção à condição de deuses do Olimpo. Humanizados por um craque como Zidane, a turba insuflada pela mídia quase "invadiu" o Olimpo. Na verdade o que aconteceu é que o céu da Alemanha foi muito pequeno para as muitas estrelas brasileiras!

Ilton Carlos Dellandréa, Porto Alegre / RS
Sr. Dines, o senhor disse, no início, que a imprensa não é responsável pela desclassificação do Brasil. Também acho. Mas há jornalistas que impõem, ou tentam impor, sua escalação não só do time mas da própria Comissão Técnica. Nunca um técnico saiu para uma Copa tão prestigiado pela “grande” imprensa como o Parreira, principalmente pela Rede Globo. A seleção esteve com a cara do Galvão Bueno: faltou-lhe coragem de criticar os amigos (Parreira, Ronaldão, Barrichello...), que faz em sua atividade jornalística para obter entrevistas e informações privilegiadas, como ao Brasil faltou coragem de desenvolver um jogo pra frente. Tentar convencer que o Ronaldo Fenômeno era a nossa melhor opção para o ataque do Brasil é o mais puro exercício de cabotinice. E nisso se resumiu a participação da Globo: passar uma falsa euforia como se o telespectador não estivesse assistindo aos jogos e vendo que a realidade era diferente daquela transmitida. Em suma, considerando a todos nós, telespectadores, como burros.

Marcos Roberto T. Andrade, Juiz de Fora / MG
Gostaria de saber do prof. Túlio Costa se ele concordaria que esse excesso de euforia na cobertura da seleção na Copa, tanto por parte da imprensa escrita, como da televisionada, não teria o intuito de promover o consumismo.

Irani e Reynaldo, Feira de Santana / BA
Boa noite, temos que abandonar o nosso posto de Penta para a Europa? Temos que passar à frente o nosso único e exclusivo 1º lugar para as grandes potências? Nossa alegria era de 4 em 4 anos, agora será drasticamente transformada em decepção e tristeza. Acho que o futebol brasileiro virou espetáculo para a imprensa mundial, enquanto o futebol europeu se apresenta com garra e poder da vitória de ser 1º em tudo.

André Stangl, Salvador / BA
O futebol deixou de ser jogo para virar ciência? Vejam a quantidade de tentativas de explicação da derrota, com estatísticas, escalações certas ou erradas, etc.

Anderson Dias Guimarães, Salvador / BA
Boa noite! Minha pergunta é para Roberto Falcão: a lei da mordaça foi realmente banida no Brasil? O monopólio da transmissão dos jogos e os jogadores só dão entrevista para a Rede Globo. Isso não é uma forma de colocar uma mordaça nas outras emissoras?

Paulo Tavares, Niterói / RJ
Sobre o jogo do Brasil e França, parece que Roberto Carlos, Cafu e Ronaldo (o fenômeno) estavam todos comprados pelos patrões que financiam a Copa e não seria bom que a seleção brasileira ganhasse o Hexa campeonato.

Reinaldo Leal
O programa Observatório da Imprensa consegue constantemente se superar. O programa feito sobre esta trágica derrota da seleção brasileira na Copa do Mundo foi um primor de qualidade não somente pela seleção dos participantes mas do alto nível dos comentários, sem falar na sempre perfeita coordenação de Alberto Dines. Só discordo de quem disse que para os jogadores nada muda porque todos estão ricos e felizes. Embora essa seja uma verdade, creio que perderão muito em publicidade no Brasil porque hoje estão totalmente queimados junto à opinião pública. A qualidade individual e em conjunto dos nossos jogadores, se treinados em coletivos que não aconteceram, é inquestionavelmente melhor que qualquer das seleções que disputaram essa medíocre Copa do Mundo em termos técnicos das demais seleções. As mudanças têm que começar pela substituição do presidente da CBF e de toda a comissão técnica, aproveitando para aposentar os jogadores que não vestem a camisa. Se nosso técnico fosse o Felipão, esta Copa teria sido vencida pelo Brasil com a maior facilidade. E o Felipão só não foi técnico da seleção brasileira porque não quis se submeter às exigências do senhor Ricardo Teixeira e asseclas.


Telefonemas:

Gilberto Ferreira, Nova Friburgo / RJ
Por que só a Globo transmitiu a Copa? E por que a Seleção só foi criticada agora, e não antes?

Luiz Machado, Cabo Frio / RJ
A Globo, particularmente o Galvão Bueno, tenta impor a idéia de que a Seleção, a CBF e a nação brasileira se confundem, quando se sabe que a CBF é um negócio particular. Existe um conjunto de interesses entre a Rede Globo e a CBF?

Deferson Roosezelt, Rio Grande do Sul
Por que o futebol brasileiro tem se tornado uma empresa e menos aquele futebol arte que alivia a carência da população brasileira?

Marcos Antônio, Rio Grande do Sul
Por que a mídia só pensa em promover estrelas e não faz críticas para pressionar a Seleção?

Tenúrio Junior, Alegrete / RS
A imprensa decretou que este era um time dos sonhos. E isso não só no Brasil. Será que isso subiu à cabeça dos jogadores e eles realmente acreditaram que a Copa era nossa? A mídia tem esse poder?

Antonio Vasquez, Rio de Janeiro
Bocage, depois da derrota surgiram diversas teorias sobre o fracasso. Uma delas diz que Parreira teria escalado o time por causa da pressão de patrocinadores. O que você acha disso?

Dagvan Monteiro, Pombal / PA
Caio, o que o senhor acha do uso de apelidos como “Fenômeno” e “Imperador” para os jogadores? A mídia não encheu demais a bola dos jogadores e agora quer cobrar um desempenho à altura da imagem que criou?

Pedro Mendes, Mossoró / RN
Depois da derrota em 98, a mídia criticou duramente a intervenção do poder econômico sobre os jogadores. Antes dessa Copa não se falou nada sobre o assunto, mas com a derrota o tema voltou à baila. Não é uma hipocrisia da imprensa?

Socorro Santos, Fortaleza / CE
Falcão, você acha que a imprensa colocou a taça na mão do Brasil antes da Seleção entrar em campo?

Enilson Nunes Costa, Volta Redonda / RJ
O fato do Jornal Nacional entrevistar jogadores, apesar do fuso horário, não interferia de alguma forma na programação da concentração? Isso também não atrapalha?

Adão Albino, Porto Alegre / RS
Por que a imprensa não continuou a cobertura dos inquéritos policiais e judiciais do presidente da CBF Ricardo Teixeira?

Gilberto Timóteo, Barbalha / CE
Por que existe um monopólio entre CBF e a Globo? Por que as entrevistas exclusivas são mais para a TV Globo? Por que o Galvão não fez críticas aos Ronaldos durante o jogo contra a França?

Luiz Carlos Silva, Resende / RJ
Não faltou profissionalismo da CBF ao fazer amistosos só para ganhar dinheiro, deixando de lado as vitórias?

Obede Quirós, Fortaleza / CE
Caio, até que ponto a Globo teve uma participação negativa para a Seleção?

Mario Gerson, Mossoró / RN
Caio, a Globo deu mais lugar à euforia do que ao jornalismo?
Sergio, houve uma certa minimização da importância do espetáculo Copa pela TV Globo por conta da derrota brasileira?



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