PROGRAMA DO DIA 13 DE JUNHO DE 2006

COBERTURA COPA 2006

Neste programa, discutimos a atuação da mídia na cobertura da Copa 2006.

Ela está à altura da realidade do esporte no país? Há uma excessiva valorização da nossa seleção? A imprensa está fazendo uma cobertura ufanista?

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

COPA 2006
Sede de gols, fotos, relatos e bravuras
Alberto Dines

"Por que não demos uma foto do gol na primeira página?", perguntou, naquela segunda-feira, Roberto Marinho ao então diretor de redação do Globo, Evandro Carlos de Andrade.

Leia na íntegra

Como avalia a cobertura da mídia na pré-Copa?

Resultado:

Deficiente: 7%

Equilibrada: 8%

Exagerada: 85%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Enfim, futebol. Depois de 15 dias de irrelevâncias, fofocas, apresentadoras rindo à toa para estimular falsas euforias, a bola começou a rolar. O que foi dito até agora praticamente não vale nada. Estamos na estaca zero.


Leia na íntegra

COPA 2006
Mais e melhores micos em campo

Marinilda Carvalho

O mico virou marca registrada nesta Copa 2006 – organizadores, patrocinadores, dirigentes, jogadores, treinadores, apresentadores, repórteres, analistas, cada um se esmera mais do que o outro em pagar micos, miquinhos e micões. Já começou no dia 9, na cerimônia de abertura. O público conhecia mais Claudia Schiffer do que Franz Beckenbauer e Pelé! Pelo menos a top model foi muito mais aplaudida... Quem manda misturar enfermarias pop? Bem fizeram Maradona e Tostão, que ignoraram solenemente o convite.

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

COBERTURA COPA 2006

O Observatório da Imprensa do dia 13 de junho discutiu o papel da mídia nesse início de Copa do Mundo.

Alberto Dines, em seu editorial, disse: "Mesmo que os jornais de hoje já estejam velhos, vale a pena lembrar o que disseram. Ronaldinho foi mesmo o grande astro? E Cafu, foi abatido pela conspiração italiana? E por que Kaká, o nosso salvador, não estava nas primeiras páginas de hoje? No caso de Ronaldo, a mídia tinha razão em insistir a respeito da sua forma física ou foi justamente esta pressão que o anulou psicologicamente e o levou ao banco de reservas? É preciso não esquecer que a Copa do Mundo é o maior evento programado do calendário mundial para a mídia."

Participaram do programa, no Rio de Janeiro, os jornalistas Roberto Falcão e Sergio du Bocage e, em São Paulo, o comentarista da ESPN Brasil, Mauro Cezar Pereira.

Roberto Falcão opinou sobre a atuação da mídia em torno do jogador Ronaldo: "A mídia, normalmente, reflete uma discussão, debate algo que já existe. A questão da forma física do Ronaldo não começou há quinze dias, e sim quando ele começou a ter problemas de contusão, a perder o ritmo por ficar sem jogar. Essa discussão já vem de alguns meses e foi se intensificando porque a estréia da Copa foi chegando e, à medida que o tempo vai diminuindo, que a contagem regressiva vai apertando, isso fica mais patente e preocupante. A mídia, de maneira geral, acaba refletindo os anseios da população, acaba traduzindo nas páginas de jornal, nas matérias televisivas, na discussão do rádio aquilo que o povo discute na rua, na esquina, no trabalho. Então, na verdade, a discussão sobre o Ronaldo é uma discussão do país inteiro."

Mauro Cezar Pereira falou sobre o favoritismo da Seleção Brasileira: "A Seleção foi rotulada como favorita. É um favoritismo que parece fabricado, não foi conquistado dentro de campo. O Brasil é para a CBF mais ou menos como o Mike Tyson era para Dom King, empresário do boxe. O boxeador entra no ringue e ganha um título mundial, depois esse campeão é colocado para lutar contra outros pugilistas de terceira, quarta categoria, aumentando assim seu cartão de vitórias. Luta, ganha dinheiro e não corre o risco de ser nocauteado. O Brasil fez isso. Na Copa das Confederações, no ano passado, o Brasil teve uma campanha regular, conseguiu se classificar no jogo contra o Japão, perdeu para o México, venceu a Alemanha e derrotou, de forma até convincente, a Argentina. De lá para cá, o Brasil jogou contra várias seleções fraquíssimas. Então, o Brasil no último ano não conseguiu apresentar um futebol para justificar esse favoritismo. Nossas grandes estrelas brilham na Europa, mas não conseguem formar um time."

Sergio du Bocage discutiu a influência da arbitragem nos jogos: "Eu não acredito que a arbitragem tenha uma tendência a prejudicar o Brasil. Na verdade, critica-se muito a arbitragem brasileira, mas se os campeonatos europeus forem observados, percebe-se que o nível da arbitragem é ruim. Na Copa do Mundo já houve casos de partidas que tiveram o resultado decidido por erro de arbitragem. O exemplo mais gritante foi de um árbitro brasileiro que errou duas vezes contra a Itália. Então, se havia a possibilidade de ajudar o Brasil, o nosso árbitro deveria ter tirado um ponto da Itália, o que não aconteceu. Enfim, não acredito que a arbitragem venha a influenciar os resultados a fim de prejudicar o Brasil."


EDITORIAL

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Enfim, futebol. Depois de 15 dias de irrelevâncias, fofocas, apresentadoras rindo à toa para estimular falsas euforias, a bola começou a rolar. O que foi dito até agora praticamente não vale nada. Estamos na estaca zero.

Ainda bem. Mesmo que os jornais de hoje já estejam velhos, vale a pena lembrar o que disseram. Ronaldinho foi mesmo o grande astro? E Cafu, foi abatido pela conspiração italiana? E por que Kaká, o nosso salvador, não estava nas primeiras páginas de hoje? No caso de Ronaldo, a mídia tinha razão em insistir a respeito da sua forma física ou foi justamente esta pressão que o anulou psicologicamente e o levou ao banco dos reservas?

É preciso não esquecer que a Copa do Mundo é o maior evento programado do calendário mundial, diga-se, para a mídia. Sem a mídia mundial não existe Copa do Mundo. Quem levou aquela legião de entusiasmados croatas hoje ao Estádio Olímpico de Berlim não foi a TV Globo mas a mídia croata e européia.

Então cabe perguntar: precisávamos assistir ontem no Jornal Nacional àquela choradeira de Zagallo? Aquilo foi jornalismo ou foi exorcismo? Foi trabalho da Central Globo de Jornalismo ou realização do departamento de Tele-dramaturgia?

Enfim, futebol. O que vai importar agora será o desempenho dos jogadores em campo. E principalmente, a palavra dos experientes comentaristas esportivos. Chega de abobrinhas e moranguinhos.


ARTIGO
Por Alberto Dines

COPA 2006
Sede de gols, fotos, relatos e bravuras
Alberto Dines

"Por que não demos uma foto do gol na primeira página?", perguntou, naquela segunda-feira, Roberto Marinho ao então diretor de redação do Globo, Evandro Carlos de Andrade.

Meados dos anos 1990, o "doutor" Roberto ainda freqüentava a redação e Evandro contava a história para mostrar como o dono de um dos maiores impérios de mídia do mundo conservava intacto o seu instinto de jornalista.

Foto do gol deixou de ser essencial nas primeiras páginas ou cadernos de esporte. Foram substituídas pelos lances dramáticos onde a figura do jogador, inclusive seu rosto, tornou-se mais importante do que o resultado da sua jogada. Mérito das poderosas teleobjetivas capazes de captar qualquer coisa em qualquer canto do gramado. Forma de enfrentar a cobertura panorâmica da TV, horas antes.

No caso das Copas do Mundo a tendência de desprezar a foto do gol fortaleceu-se diante da impossibilidade de acomodar atrás de apenas duas balizas a multidão de fotógrafos credenciados.

Sem crédito

Apesar da pletora de gols no jogo de abertura (Alemanha, 4 x Costa Rica, 2) foram inexpressivas as fotos escolhidas para as primeiras páginas dos jornalões nas edições de sábado (11/6). Todas fornecidas por agências internacionais.

Mas, no domingo (11/6), o fotógrafo Dusan Vranic, da Associated Press, deu um show com o primeiro gol argentino contra a Costa do Marfim, marcado pelo atacante Crespo. Obra de arte que a Folha sapecou no alto da primeira página mas não teve a ousadia de abrir mais, talvez para não confrontar os dogmas da recente reforma visual.

O Estadão-ão-ão comeu duas moscas: escolheu para a primeira página uma convencionalíssima foto de comemoração do segundo gol argentino, e em compensação abriu com coragem esta mesma antológica foto do gol de Crespo na capa do caderno da Copa. Mas esqueceu de registrar o nome do fotógrafo e da agência – falta grave.

Marca registrada

Mais grave ainda é esta novidade do estilo Armani do Estadão-ão-ão: esconder a foto esportiva sob um monte de palavras (domingo e segunda-feira). Imagem é imagem, texto é texto, sereníssimos doutores formados em Navarra: não queiram transformar cada pedaço do jornal num pretexto para enfiar uma infografia.

Uma coisa é certa: os jornalistas Roberto Marinho e Evandro Carlos de Andrade não suportariam ver aquelas mirradas e paupérrimas fotos de gols nas primeiras páginas do Globo (sábado, domingo e segunda) onde outrora, mesmo num jogo do São Cristóvão x Madureira, luziam magníficas fotos da pelota balançando as redes, diante do goleiro arrasado e do goleador triunfante.

Foto de gol é marca registrada dos jornais. E esta marca jamais lhes será arrebatada pela TV ou a internet. É o registro estático-dinâmico do momento supremo do futebol. E do jornalismo esportivo.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

COPA 2006
Mais e melhores micos em campo

Marinilda Carvalho

O mico virou marca registrada nesta Copa 2006 – organizadores, patrocinadores, dirigentes, jogadores, treinadores, apresentadores, repórteres, analistas, cada um se esmera mais do que o outro em pagar micos, miquinhos e micões. Já começou no dia 9, na cerimônia de abertura. O público conhecia mais Claudia Schiffer do que Franz Beckenbauer e Pelé! Pelo menos a top model foi muito mais aplaudida... Quem manda misturar enfermarias pop? Bem fizeram Maradona e Tostão, que ignoraram solenemente o convite.

O mico dos micos de todos os tempos é a cobertura Homer Simpson da Globo (agradecimentos penhorados a William Bonner pela expressão-resumo). Os recadinhos ridículos, grotescos mesmo, às namoradas por um bando de marmanjos que deveria estar vendo vídeo da Croácia, a exploração barata da fragilidade de Zagallo, a melosidade de Fátima Bernardes entrevistando jogadores a qualquer hora, dia e noite, ou ancorando o Jornal Nacional em frente ao hotel da seleção, cercada de seus indefectíveis papagaios de pirata, tudo é de embrulhar o estômago.

Este acordo de marketing total Globo-CBF pode botar a Copa a perder, e poucos reclamam disso. O Globo anunciou que a apresentadora Ana Maria Braga e seu louro-josé, que estão na Alemanha (???), farão dois programas ao vivo da concentração da seleção (???), um deles na sexta-feira (16), dois dias antes do jogo com a Austrália! Se o Brasil perder, o telespectador pelo menos não terá que aturar Galvão Bueno dizendo que a seleção jogou de salto alto: a própria emissora forneceu os sapatos. Além da exclusividade da transmissão dos jogos, a Globo comprou também o direito ao jornalismo mais piegas, vulgar e barato da história da imprensa.

E a mídia esportiva em peso não denuncia tudo isso por quê? Crítica permanente a este favorecimento escandaloso só mesmo na ESPN Brasil. A imprensa acovardada aceita calada as sobras do circo – no qual mico não falta:

** Mais bolhas em pés patrocinados pela Nike, e pela Adidas também. Craques de todas as seleções escorregam como se jogassem hóquei no gelo. O que há com essas benditas chuteiras, que a imprensa não investiga? (Mas não vale ouvir assessor de fabricante!) Um debatedor de mesa-redonda disse que especialistas estão atribuindo certas lesões a chuteiras macias demais. Bolhas, lesões... Nem chuteira os fabricantes de chuteira sabem fabricar hoje em dia. Só fazem marketing.

** O treinador Carlos Alberto Parreira afirmou em todas entrevistas estar louco para estrear na Copa. Mas ele não saiu do Brasil dizendo que gostaria de mais tempo para treinar a seleção? Por que nenhum repórter cobra essas incoerências nas entrevistas? Que nada, da Globo à ESPN Brasil, opostos completos, o que se ouve é o desejo incontrolável de que a seleção entre em campo. Deve ser para ver logo Ronaldinho e Roberto Carlos ainda errando cobrança, ou Adriano ainda falhando de cabeça, ou Cafu indo mas não agüentando voltar, ou Zé Roberto lançando a dois metros do alvo, o Emerson perdendo disputa e o Dida saindo atrasado – todos precisando de mais umas duas semanas de treino, no mínimo. Sem TV, então, melhor ainda: menos show, mais seriedade. Antigamente, ver imagens dos treinos da seleção era uma preciosidade. Hoje, é mais comum que pelada com churrasco. A Copa não é mesmo mais aquela.

** O mico passeou à vontade pelo Sportv. O repórter no campo de treino interrompe o narrador Luiz Carlos Jr. para entrevistar... Tino Marcos. Um repórter da Globo. Que "revela" a grande preocupação de Parreira com as bolas altas na área. Como se todos os brasileiros, incluindo o filho da vizinha que nasceu ontem, não soubessem que as bolas altas são nosso pesadelo desde os anos 30 do século passado. O mesmo repórter interrompe algum outro comentário de Luiz Carlos Jr., Paulo César Vasconcelos e João Carlos Assunção, especializados em falar sem parar sem nada dizer – um blogueiro são-paulino apelidou-os de "trio kiwi", por conta das camisas verdes, mas o mais apropriado seria "trio chuchu" –, para informar, tarããã!!!, que o treinador de goleiros Wendel começa a jogar bolas altas para Dida defender... Patético.

** Patética igualmente a participação de uma árbitra brasileira no Sportv para supostamente analisar as arbitragens da Copa. Numa noite dessas ela passou um tempão elogiando "o Horácio", pois "o Horácio é ótimo", "Horácio é muito bem preparado", "maravilhoso o Horácio". O próprio apresentador ficou confuso, até ser esclarecido: ela falava de Horacio Elizondo, o argentino que apitou o jogo de abertura e, por sinal, cometeu vários erros. Pelo jeito, a analista e el hermano são velhos amigos. Então fica difícil avaliar, né? Pior foi a análise do péssimo desempenho de Carlos Eugênio Simon (autor de muita lambança no Brasil), que apitou Itália x Gana: até pênalti o brasileiro deixou de marcar. "Ele estava bem colocado...", "a preparação dele foi fantástica...", ensaiou a moça. Controle remoto e conclusão rápidos: árbitro da ativa não pode avaliar arbitragem – ou perde os amigos.

** Praga pega. Até o Amigão (Paulo Soares), da ESPN Brasil, gritou "olha o gol, olha o gol, olha o gol!" quando a Holanda marcou contra Sérvia e Montenegro. Assim não dá!

** Melancólico o mico do ministro da Cultura, Gilberto Gil. Cedeu os direitos da linda Balé de Berlim a quem? À Aracruz Celulose, fabricante de desertos verdes país e mundo afora. Logo Gil, ambientalista histórico, fundador em 1990 do Movimento OndAzul. E o que a imprensa fala disso? Que a campanha, caríssima, foi entregue à W/Brasil e usa astros como Daiane dos Santos, Popó, Robert Scheidt, Bernardinho, Seu Jorge e Pelé para anunciar: "Aracruz Celulose, o Brasil fazendo um bonito papel no mundo inteiro". Então tá.

** A micada do ano, claro, é da assessoria do presidente Lula. Vai ser mal-assessorado assim lá no Togo, onde até o primeiro-ministro interferiu na seleção. Definitivamente, não há assessoria de comunicação, de marketing, de relações públicas, de jornalismo, de nadica de nada no Planalto.


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

São Paulo:

Mauro Cezar Pereira – Comentarista / ESPN Brasil
"
A cobertura esportiva deveria ser discutida mais vezes e não só na época de Copa do Mundo. A falta de especialização do jornalista, o monopólio da transmissão; são vários os ângulos sobre o assunto ainda para se discutir."


PERGUNTAS

E-mails:

Marcelo Idiarte, Porto Alegre / RS
Com todo o respeito ao ilustre convidado, mas eu não posso concordar que a mídia esportiva "reflete os anseios da população" quando especula sobre as condições físicas de um determinado jogador. Para o torcedor, pouco importa se o atleta está em forma de botijão, desde que se esforce em campo. Na verdade, é a imprensa - SIM - que cria o fato e depois explora a repercussão dele. O caso Ronaldo x Lula foi notório: em nenhum momento Lula afirmou que Ronaldo estava "gordo", mas a imprensa esportiva tratou de usar isso - e também o fato de que o jogador não presenciou a entrevista ao vivo - para colocar um microfone na boca do atleta e questionar de sopetão: "o presidente disse que você está gordo". Ora, no lugar dele, era presumível que a resposta fosse em tom de vingança! A imprensa esportiva faz bem o papel de um meio-campo: leva e traz. Literalmente.

Daniel
Hoje o Jornal Nacional mostrou-se não tão nacional assim. Ao citar o problema da seleção masculina mexicana de handebol em embarcar para o seu país após disputar o Pan-americano Adulto Masculino realizado em Aracaju e classificatório para o Mundial da modalidade, o termo usado foi um campeonato disputado no Nordeste, menosprezando não só a competição como o estado e a cidade que o sediaram. Sem querer disputar espaço com a Copa do Mundo, acho que um jornalismo com um mínimo de competência se preocuparia em passar uma informação mais precisa e ser coerente com sua fachada de Nacional, pelo menos no nome.

Igor Mairinque, São João Del Rey / MG
Gostaria de fazer duas perguntas se possível ao jornalista Sérgio Du Bocage: O que você acha da Rede Globo, responsável pela total cobertura da Copa em TV aberta, enviando quase duzentos profissionais a Alemanha e passando o maior número de informações ao telespectador, fazer transmissões de jogos com um narrador aqui no Brasil, sendo que poderia mandar quantos narradores quisesse para transmitir as partidas ao vivo? E qual a sua postura sobre narradores que se sobressaem mais do que comentaristas, quase sempre entendedores de futebol?

Paulo Azevedo, Bauru / SP
Gostaria de saber se os jornalistas têm algum tipo de disciplina que trate de preparação física e fisiologia para atletas nos cursos de especialização, pois entender estas disciplinas é imprescindível para saber o que acontece dentro de campo e se o atleta está ou não gordo. Por exemplo, no jogo do Brasil hoje, poucos atletas corriam com velocidade, mostrando que pode ser parte do processo de preparação. Quanto ao Ronaldo estar gordo ou não, primeiro é necessário saber o percentual de gordura deste atleta, e depois os valores de referência para o esporte, e no caso do futebol, para a posição especificada. Pergunto: Os jornalistas realmente entendem disto e têm estes valores de referência?


Telefonemas:

Gentil Junior, Iguaba Grande / RJ
A Seleção não jogaria melhor com o Juninho Pernambucano?

Waldir Novas, São Paulo
A respeito do monopólio da Globo e da influência da imprensa sobre os jogadores, não está havendo um medo do Parreira de modificar a Seleção titular, já que o Ronaldo e o Adriano não estão jogando bem nem nos treinos?

Mauricio Assif, Montes Claros / MG
É possível a TV aberta transmitir os jogos, mesmo não tendo os direitos? O domínio da Globo é um absurdo, o que fazer contra isso?

Cléudo Gil, Rio Grande do Sul
Falcão, será que não foi o própria imprensa que estragou os dois Ronaldos elogiando tanto eles?

Jairo Gomes, Paraíba
Por que não colocam o Robinho no lugar do Ronaldo?

Márcio dos Reis, Rio de Janeiro
Qual a Seleção que mais trará trabalho ao Brasil?

Robson Ribeiro, Brasília / DF
Mauro, o que você achou do Dida? Ele trouxe a vitória para o Brasil?

Hélio da Conceição, Nova Friburgo / RJ
Mauro, você não acha que o José Roberto marca mal?

Éder Pereira, São Lourenço da Mata / PE
O Ronaldo não está na Seleção apenas por marketing, e não pelo seu futebol?

Robson William, Recife / PE
Qual benefício trará ao país a conquista da Copa, ou até mesmo a não- conquista, já que a mídia está focada no campeonato, esquecendo os problemas reais?

Carlos José, Nova Friburgo / RJ
Vocês acreditam que o fato do Ronaldo entrar em todos os jogos, apesar de não jogar tão bem, é devido aos patrocínios, como o da Nike?

Humberto Santos, Rio de Janeiro
Mauro, por que o brasileiro é tão convencido a ponto de achar que é o único povo bom de bola?

Jorge Pereira, Esplanada / BA
Já que o Brasil é hegemônico, ou assim a mídia o diz, por que não disputa apenas a final?

André Nunes, Novo Hamburgo / RS
Como vocês analisam as Seleções dessa Copa?

Uelberson Soares, Rio de Janeiro
Será que o Kaká não tem a preferência da mídia, apesar de ser bom, por ser evangélico?

Renato Alvim, Santos Dumont / MG
Falcão, você não acredita que o monopólio da transmissão da Copa possa comprometer a informação?

Marcelo Reis, Santa Rita / MG
Mauro, está havendo interferência por parte dos patrocinadores? Isso pode influenciar a cobertura?

Priscila Fernandes, Rio Grande do Sul
Por que não deixam o Cafu e o Ronaldo no banco?

Pedro Penido, Caruaru / PE
Mauro Cézar, o que você acha de ex-atletas, às vezes jogadores inexpressivos quando atuavam, serem comentaristas de futebol?

Josenildo Almeida, Catolé do Rocha / PB
A atenção exagerada dada pela imprensa a determinados atletas não prejudica o desempenho deles? Não pode criar uma pressão desnecessária?

Luiz Manoel, Rio de Janeiro
Vocês não acham que a fisionomia e a atitude do Ronaldo nesse primeiro jogo estavam diferentes? Será que ele foi afetado psicologicamente?

Laraci Cardoso, Santa Catarina
Por que a mídia pega tanto no pé do Ronaldo? Isso não acaba abalando o atleta?

Mauro Belizário, Teresópolis / RJ
Falcão, tenho acompanhado coletivas do técnico Parreira e visto que em diversos momentos ele chega a ser irônico e até mesmo indelicado com os repórteres. Como reagir numa situação assim? Uma réplica não poderia gerar retaliações?

João Espósito, Feira de Santana / BA
A Veja publicou que a Seleção Brasileira tinha o valor de 1 bilhão de reais. Vocês acham que hoje, após o resultado, ela está valendo mais?

Percival Gomes, Curitiba / PR
Mauro, a cerimônia de abertura da Copa não foi transmitida na íntegra pela Globo, única emissora que tem esse direito na TV aberta. Você não acha que o público foi prejudicado? O que você acha disso?

Márcio dos Reis, Rio de Janeiro
Bocage, a imprensa não se intromete demais no ambiente da Seleção? Isso não pode interferir no grupo?

Paula Pinheiro, Santos / SP
Tanta cobertura não é uma espécie de Big Brother futebolístico?



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