RESUMO DO PROGRAMA
A
PAULISTIZAÇÃO DA MÍDIA NACIONAL
O Observatório da Imprensa do dia 21 de
março debateu a cobertura da imprensa do Rio e de São Paulo no caso da
ação do Exército para recuperar armas roubadas de um quartel.
Alberto Dines, em seu editorial, disse:
"Praticamente evaporou-se da mídia o caso das armas roubadas de um
quartel no Rio de Janeiro e a reação do Exército para recuperá-las. A
imprensa não fala mais no assunto, embora o roubo tenha acontecido no
início do mês e a recuperação das armas tenha ocorrido na semana
passada. Mas este Observatório tem obrigação de passar a limpo certos
episódios, sobretudo quando dizem respeito à imprensa."
Participaram, em São Paulo, o editor do
Observatório da Imprensa no Rádio, Mauro Malin; em Brasília, o professor
e jornalista Hélio Doyle e no Rio de Janeiro, o ombudsman da Folha de S.
Paulo, Marcelo Beraba.
Marcelo Beraba, questionado por Dines
sobre as diferenças de visões entre os jornais do Rio de Janeiro e de
São Paulo em relação à ação do Exército nas favelas do Rio, respondeu:
"Essa diferença entre os jornais do Rio e de São Paulo é uma antiga
discussão. Eu não atribuo essas diferenças, exclusivamente, à questão
geográfica, acho que tem uma tradição de coberturas diferenciadas. O Rio
tem uma tradição das décadas de 1950, 1960 e 1970, nessa área policial,
muito forte. Já em São Paulo não tem tanto. No entanto, essa grande
imprensa, em geral, Folha, Estado, O Globo, tem uma dificuldade muito
grande de cobrir questões como essa, porque nós estamos muito
acostumados a cobrir o ponto de vista do factual. Há um despreparo dessa
reflexão. Na verdade o que nós estamos discutindo, desde que o Exército
ocupou as favelas do Rio, são duas coisas importantíssimas: uma é que a
nossa cobertura de favela tende a criminalizar e esse fosso entre a
cidade, asfalto e favela vai aumentando cada vez mais e a segunda
questão diz respeito à maneira como se vê a favela. Cada vez mais é uma
coisa distinta, assim, você só vai fazer cobertura por causa de crimes,
ou então, projetos bem sucedidos nas favelas. Aparentemente, esse tipo
de ação como nós estamos fazendo não está resultando em nada, como não
resultou a ação do Exército, pois eles saíram e no dia seguinte a
situação era igual ou pior. Essa reflexão sobre a questão política de
segurança e questão urbana, favela, periferia, exclusão, é que nós temos
dificuldades de tratar."
Mauro Malin, dando continuidade ao
debate, afirmou: "O Exército não entrou nessa história porque ele
resolveu participar da segurança pública. Houve um roubo de armas e isso
foi visto como uma necessidade de ele se fazer presente imediatamente.
Nós temos que pensar sobre o que o Exército está querendo. Hoje eu
conversei longamente com o Coronel Fernando Lemos que é assessor de
imprensa do Comando Militar do Leste. Ele me argumentou que teve um
avanço porque dessa vez a mídia acompanhou a incursão no morro. Em 1994,
quando houve outra intervenção do Exército, a imprensa não subiu junto.
Eu acho importante que a imprensa entre na favela. O Exército mostrou
que sabe fazer uma operação de Polícia, o que ele dizia não saber fazer.
Agora, eu acho que a polêmica dos jornais ficou um pouco por causa disso
e porque, por exemplo, no Globo havia gente que achava que tinha
ocorrido essa negociação. Os editores não se convenceram, então eles não
deram a notícia. A mesma coisa na TV Globo e assim sucessivamente. O
Estadão já defendeu a ação do Exército numa linha metodológica. Também
se afastou um pouco dos fatos indo para a doutrina. Tem muita torcida,
tem muita politização, tem muita gente que diz assim: ‘Olha, houve
negociação. Isso prova que o Exército não serve para nada’. Isso não é
verdade. Primeiro, eu não sei se teve essa negociação desse jeito e
segundo, alguma negociação tinha que haver ou então, só terminava quando
matasse todo mundo."
Hélio Doyle, respondendo a Dines sobre
a possível estratégia do Exército, falou: "É verdade que há alguns anos
nós tínhamos aqui em Brasília alguns repórteres bastante conhecidos que
eram especialistas na área militar, conheciam todos os comandos das
Forças Armadas. A cobertura acaba sendo muito factual. Isso faz com que
a gente fique sem informação. Eu concordo, acho que há, nitidamente, uma
estratégia que nós não conhecemos exatamente. Agora, o Exército, a
impressão que eu tive, é que tinha que mostrar uma reação. O que eles
mostraram é que eles estão preparados, ao contrário do que se pensava,
para uma reação."
EDITORIAL
Bem-vindos
ao Observatório da Imprensa.
A crise política começou em maio com
aquela imagem inesquecível de um diretor dos Correios embolsando uma
propina de 3 mil reais. A cena transformou-se num ícone da corrupção.
Ontem, um delegado da Polícia Federal produziu outro símbolo nacional,
desta vez, sonoro. Pressionado pela imprensa a respeito do inquérito
para apurar a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, o
servidor público saiu-se com esta pérola: "Calma, gente, isso
aqui é Brasil".
Mesmo que acabe em pizza, a presente
crise tem o mérito de enriquecer a simbologia nacional com duas
preciosidades. Este caso do caseiro Francenildo deixou muito mal o
governo, a Polícia Federal e a Caixa Econômica. Mas a imprensa, como
sempre, tem a sua parcela de culpa. A revista Época,
privilegiada com o vazamento da Polícia Federal, deveria ter pensado
duas vezes antes de divulgar ilegalmente o extrato bancário de um
inocente. Reconheçamos: pedir que a imprensa pense duas vezes é pedir
muito; se Época pensasse pelo menos uma vez não teria sido cúmplice
na tentativa de linchamento de uma testemunha-chave.
A série de denúncias do jornal O
Globo sobre a farsa das 1.000 obras do governo Garotinho é um belo
exemplo do que a imprensa é capaz de fazer quando resolve investir em
qualidade jornalística. Com este tipo de vigilância da imprensa não
teríamos tantos trambiques políticos.
Praticamente evaporou-se da mídia o
caso das armas roubadas de um quartel no Rio de Janeiro, e a reação do
Exército para recuperá-las. A imprensa não fala mais no assunto,
embora o roubo tenha acontecido no início do mês e a recuperação das
armas tenha ocorrido na semana passada. A mídia não tem tempo para
esmiuçar o que acontece, segue em frente, é a praxe. Mas este Observatório
tem obrigação de passar a limpo certos episódios, sobretudo quando
dizem respeito à imprensa.
Quando a tropa do Exército iniciou a
intervenção federal nas favelas, os jornais cariocas, refletindo o
sentimento de seus leitores, ficou maciçamente a favor. Mas a mídia
paulista de alcance nacional ficou dividida. O leitor paulista
confortavelmente situado a 400 quilômetros de distância pode passar
anos sem se defrontar com as realidades produzidas pela hegemonia do
narcotráfico. As favelas paulistas estão na periferia e, como o próprio
nome diz, periferia é uma região distante do centro urbano.
Em compensação, quando as armas foram
magicamente recuperadas, a imprensa carioca não soube duvidar da versão
do Exército, preferiu acreditar que a localização deveu-se ao
trabalho do setor de inteligência. É muito bom ver a mídia
diversificada, ruim é perceber que sua visão é paroquial.
ARTIGO
Por Alberto Dines
JORNALISMO FITEIRO SEM FITAS
PF queria pichar o Nildo, acabou pichada
Alberto Dines
O "furacão Nildo" acabou com
a euforia nas hostes do governo. O seqüestro judicial do depoimento do
caseiro na CPI dos Bingos perpetrado pelo STF, e logo acrescido da
quebra ilegal do seu sigilo bancário, provocou enorme reverberação e
não menor indignação.
Governo, Caixa Econômica, Polícia
Federal estão na linha de tiro como responsáveis por esta perversa
invasão de privacidade. Mas a imprensa – no caso a revista Época
– ainda está ilesa. Merece, ao menos, ser argüida.
As informações vazadas pela Polícia
Federal na sexta-feira (17/3), pouco antes do fechamento da última edição
(nº 409, de 20/3/2006) da revista, foram apressadamente incluídas na
versão impressa que circula no sábado (págs. 43-45), mas
imediatamente trombeteadas para o resto da mídia através do blog do
semanário num dia em que a mídia impressa engole qualquer coisa,
inclusive veneno.
Época
foi na onda da Polícia Federal, teoricamente insuspeita para os comuns
mortais, mas não para jornalistas experimentados. A matéria
evidentemente já estava pronta e montada em torno do abortado
depoimento do caseiro na CPI. Mas "os documentos aos quais Época
teve acesso" parecem ter sido irrefutáveis já que mais adiante
está dito que "independentemente de quem esteja com a razão os
extratos põem em dúvida a credibilidade do caseiro".
Como? Por quê? Quem o garante?
Inspiração competente
Se alguns parágrafos acima a revista
admite que ligou para o advogado do caseiro e que este esclareceu todas
as entradas e saídas de dinheiro, como é que a reportagem insiste na
falta de credibilidade do caseiro? E por que a sentença "uma
imagem que seria letal para Palocci desaparece caso se comprove que a
credibilidade de Francenildo não vale nada"?
Por causa da pressa ou da vontade de
agradar a fonte, Época tornou-se parceira involuntária desta
Operação Desqualificação da Testemunha. Esqueceu dos tempos em que
os famigerados "órgãos de segurança" podiam tudo. Inclusive
pichar e desmoralizar aqueles que precisam ser silenciados.
Francenildo Costa explicou prontamente
a origem do apreciável saldo em sua conta corrente. Mas se tivesse
demorado um ou dois dias seria certamente esquartejado pela máquina da
difamação que voltou a funcionar em ritmo de delírio.
Desta vez não houve fitas, grampos ou
vídeos clandestinos. Mas o jornalismo fiteiro versão 2006 já está em
ação e quase linchou um inocente. Sob a competente inspiração da Polícia
Federal.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
NOTICIÁRIO & OPINIONISMO
Opinião da imprensa não é a opinião pública
Venício A. de Lima (*)
Independente dos motivos que levaram à
não-cassação do deputado Roberto Brant (PFL-MG) por seus pares da Câmara
dos Deputados, o discurso que ele fez em plenário no dia 8 de março e
a entrevista que concedeu à CartaCapital (edição nº 385)
trazem argumentos que não podem ser ignorados.
O pefelista questiona o conceito de
opinião pública que é comumente aceito pela grande mídia brasileira;
afirma que os acusados são tratados com o pressuposto de culpa e são vítimas
de condenação sem julgamento; constata a existência de uma
"cultura do espetáculo" dentro da qual a cobertura da crise
política tem sido feita; e condena a onda moralista de partidos e da
grande mídia que, na verdade, camufla os interesses dos grupos
dominantes que não desejam alterações no status quo.
Desde o início da crise política,
muitas dessas denúncias têm sido feitas por políticos da base
governista e, por isso mesmo, sempre foram desqualificadas pela mídia
hegemônica. A novidade é que agora quem as faz é um qualificado
deputado do PFL, um dos principais partidos de oposição ao governo,
responsável pelo funcionamento das próprias CPIs no Congresso
Nacional.
Fosso social
Interessa-nos, em particular, o
argumento do deputado Roberto Brant sobre a opinião pública. Em seu
discurso ele afirma:
"Sempre achei que devemos
satisfação ao povo brasileiro, não à opinião pública. E essas
duas entidades não se confundem. (...) Opinião pública, esse
monstro que tantas vezes nos amedronta. (...) Temos de aprender a
encarar a opinião pública. A opinião pública não é o povo, é
muito menor do que ele, a opinião pública não acerta sempre. Várias
vezes na história a opinião pública estava equivocada. E se
nunca, nenhuma vez, políticos e estadistas a tivessem desafiado o
mundo hoje estaria pior e não melhor do que está.
"Como se forma a opinião pública?
Forma-se de maneira quase leviana. (...) As pessoas vão aos
jornais, às revistas e à televisão não para ler, pensar,
refletir e decidir. Não. Vão para se distrair e se divertir, não
se aprofundam, têm horror à diversificação e às dificuldades. A
opinião pública é formada de maneira quase instantânea e
perigosa.
"Meus senhores, dentro de
cinco meses algo muito maior do que a opinião pública, que é o
povo brasileiro, inscrito no colégio eleitoral brasileiro, vai
cassar ou confirmar esses mandatos por si mesmo, por sua própria mão
e não pelos seus intérpretes de ocasião, não submetido aos
interesses da circunstância."
Na entrevista à CartaCapital,
Brant complementa o argumento afirmando:
"A opinião pública é muito
menor do que o povo, porque na verdade existe um fosso entre a
sociedade brasileira como um todo e a opinião pública. A opinião
pública são aquelas pessoas que lêem jornais, revistas. São
quantos? Um milhão, dois, três. Quem lê o Estadão, a Folha,
o Globo, a CartaCapital?"
Responsabilidade profissional
Em diferentes ocasiões temos discutido
em artigos publicados neste Observatório questões muito
semelhantes a essas agora colocadas pelo deputado do PFL.
A opinião pública não pode ser
confundida com o que dizem os seus "intérpretes de ocasião"
e, menos ainda, com o que pensam os eleitores. Ademais, nunca se pode
ignorar o limitado alcance da mídia impressa no Brasil. Bernardo
Kucinski, em ensaio clássico, já nos advertia que "a elite
dominante é ao mesmo tempo a fonte, a protagonista e a leitora das notícias;
uma circularidade que exclui a massa da população da dimensão escrita
do espaço público definido pelos meios de comunicação de
massa".
A recente recuperação da imagem do
governo e das intenções de voto no presidente Lula mostraram
claramente o quão equivocados estão alguns dos principais
colunistas/analistas da grande mídia – sobretudo impressa – que
insistem em se considerar, eles próprios, a expressão da opinião pública
brasileira.
Não estaria acontecendo processo
semelhante em relação à demanda indiscriminada que a mídia faz pela
cassação de deputados cujos nomes, de maneiras distintas, apareceram
vinculados ao chamado "valerioduto"?
Em sua entrevista o deputado do PFL,
referindo-se aos jornalistas (à imprensa), também afirma que "há
falta de apreço pela exatidão e pela verdade. (...) Enquanto se
descrevem fatos, tudo bem. Mas alguns se recusam a descrever
fatos".
A conclusão da Polícia Civil de São
Paulo, agora divulgada, confirmando o suicídio do legista Carlos
Delmonte Printes, é um exemplo eloqüente do descompromisso de parte
significativa da grande mídia com os princípios básicos do jornalismo
e da ética. Durante mais de cinco meses, a cobertura sobre sua morte
insinuou insistentemente que ele havia sido mais uma vítima – a sétima
–, morto por suas conclusões de que o então prefeito Celso Daniel,
de Santo André, teria sido torturado antes de ser assassinado.
As ponderações do deputado pefelista
nos remetem novamente às questões sobre o papel central da grande mídia
como ator político e à imensa responsabilidade dos(as) jornalistas
profissionais na dinâmica desses processos. Não são mais somente os
"governistas" a identificar problemas importantes na cobertura
que a grande mídia fez – e ainda faz – da crise política. E nunca
é tarde para que uma séria reflexão crítica seja feita.
(*) Pesquisador sênior do Núcleo de
Estudos sobre Mídia e Política (NEMP) da Universidade de Brasília e
autor, entre outros, de Mídia: Teoria e Política (Editora Fundação
Perseu Abramo, 2ª ed., 2004)
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
Rio de Janeiro:
Marcelo Beraba – Jornalista
"O programa foi bom. Foi pertinente."
São Paulo:
Mauro Malin – Jornalista / Editor
Obs. Imprensa - Rádio
"O debate foi animado, talvez um pouco fragmentado, mas foram bem
colocadas as principais deficiências deste tipo de cobertura - sobre a
criminalidade e problema urbano."
PERGUNTAS
E-mails:
Flávio Cascais, Belo Horizonte
/ MG
Caros amigos, a imprensa do Rio de Janeiro demonstrou o fato como se o
Exército brasileiro fosse a solução para os problemas de segurança do
RJ. Isso é diminuir a natureza do problema da violência do RJ. Em
verdade, ao invés de defender a ação dos militares deveria lembrar do
abandono social que as comunidades dos grandes aglomerados do RJ vivem com
a total ausência de ações reais do Estado no sentido de inclusão
social. A solução do caso me parece muito estranha. A forma que as armas
apareceram sem prisões sugere acordo entre militares e traficantes.
Océlko Silveira, Fortaleza /
CE
Boa noite, sobre a recuperação das armas do Exército brasileiro
gostaria de dizer que quem roubou as armas teve medo e, de certa forma,
facilitou os trabalhos das operações do Exército. Quanto à testemunha
do episódio "o caseiro que teve seu sigilo bancário quebrado",
gostaria de dizer que alguém teria que fazê-lo. O caseiro foi bem
orientado para depor e isto deixa sinais de que alguém está por trás
disto e deve ser objeto de investigação da CPI.
Fernando Soares Campos, Rio de
Janeiro
Como pode ter existido acordo, se o tráfico já sabia que, caso
entregasse as armas, o Exército retiraria as tropas? Falar em acordo só
teria sentido se o tráfico tivesse a convicção de que o Exército
permaneceria ocupando as favelas por tempo indeterminado. Na verdade, o
tráfico nunca teve a oportunidade de negociar, porque nunca esteve com as
armas. A operação foi uma oportunidade sim, mas artificialmente
produzida pelo próprio Exército. Dizer que o narcotráfico formou
consórcio para comprar aquelas armas (R$38.500,00), como dizem que o cabo
assaltante confessou, não dá para ser levado a sério. Qualquer gerente
de boca compraria um lote de armas (se essas armas lhe interessassem),
pagando isso à vista e não lhe fazendo falta. É muito pouco dinheiro
para o narcotráfico precisar formar "consórcio" entre vários
morros, ou várias bocas.
Pedro
É difícil de se acreditar que a recuperação das armas roubadas do
Exército sejam realmente aquelas armas enferrujadas. Tudo nos parece um
acordão como os que são feitos em Brasília para que o EB não saísse
desmoralizado. A discussão é muito mais profunda do que simplesmente o
Exército entrar nas favelas. Acredito que a atuação do EB no Haiti
esteja sendo aplicada aqui no Rio. Pergunta: a imprensa não está sendo
amordaçada para não divulgar a verdade?
José Márcio
Para todos: acho que estão sendo imediatistas. Pode ter sido treinamento
para o Pan 2007. Lembram da Rio 92?
Mauricio Gil, Piracicaba / SP
– Jornalista
Não faltou, por parte da imprensa, uma cobertura na questão da soberania
nacional? O fato de um exército ter armas roubadas não denigre a imagem
da instituição - responsável pela segurança do País - perante outros
países? Não seria uma questão a ser incluída no debate se o Exército
deveria ou não invadir os morros? O fato de não recuperar estas armas
não tornaria a imagem do Exército como uma instituição
"fraca"?
Jorge Torres
Prezado Alberto Dines, primeiramente meus parabéns pela coragem e lucidez
diante da abordagem de problemas críticos de nossa sociedade. Normalmente
não se comenta que existem problemas que se percebem que não podem ser
resolvidos, um exemplo é a Segurança Pública. A insegurança garante um
enorme segmento de mercado, que lucra demais com este estado de coisas. Se
a Segurança Pública funcionasse, as empresas de segurança privada
quebrariam, juntamente com as empresas de blindagem, monitoramento de
satélite e as grandes seguradoras, e certamente isto não vai acontecer.
E quem são os donos delas? Por incompetência ou omissão, o Estado não
atua como deveria, a iniciativa privada entra, se estabelece e não sai
mais. E isto ocorre também na educação, na saúde pública etc. As
soluções existem, mas quem colocaria (se houvesse essa possibilidade) o
seu pescoço a prêmio? Pois o dinheiro movimentado pelas empresas que
ganham com a insegurança é enorme As promessas de campanhas são vãs,
pois quem tentasse alguma coisa, ou não chegaria lá ou se chegasse e
insistisse... morreria! É meu ponto de vista. Não acho que devemos
cruzar os braços mas as coisas a serem feitas não podem ser de qualquer
jeito.
Caio Augusto Pedroso Ramos,
Osasco / SP
É no mínimo grave que o Exército tome para si a função de polícia,
mesmo que seja em uma situação pontual como esta. A imprensa não foi
omissa ao não questionar junto ao governo federal as possíveis
consequências de uma ação como esta, uma vez que ela pode ter aberto um
precedente?
Danilo, Ribeirão Preto / SP
– Publicitário
Hélio Doyle, você não acha que alguns jornalistas buscam muito o
sensacionalismo, esquecendo que por trás de tudo existem vidas, pessoas e
não produtos? (Referente ao caso da publicação do extrato bancário do
caseiro).
J. Edmilson de Melo, Recife /
PE
Prezados senhores, quero parabenizá-los por este excelente programa.
Solicito que transmitam estas felicitações ao Alberto Dines.
Telefonemas:
Felipe Lima de Melo, Rio de
Janeiro
Será que a imprensa carioca não discutiu a versão do Exército por
causa dela ser em sua maioria uma imprensa que não viveu a ditadura
militar?
Mario Antônio, Guaratiba / RJ
Não seria obrigação do Exército estar responsável em combater e
ajudar? Até porque o Exército preparou os jovens no seu regime e não
deu condições de emprego.
Lindbergh Luz, Angra dos Reis /
RJ
Mauro Malin, eu tenho assinatura da Folha de S. Paulo e a cobertura que
eles fazem de assuntos violentos de outras cidades ganha mais espaço que
a violência em São Paulo. Por que isso acontece?
Marcílio Amaro da Rocha,
Carpina / PE
Por que a imprensa paulista vem mantendo há anos uma parição burguesa
conservadora? Por que o Heródoto mudou seu ponto de vista?
André Saraiva, Fortaleza / CE
Marcelo Beraba, você falou que a imprensa não sabe cobrir a vida nas
favelas. Que tipo de cobertura pode retratar essa população carente?
James de Souza, Duque de Caxias
/ RJ
Mauro Malin, a imprensa carioca, com sua cobertura atual, não acaba
sendo uma cúmplice calada nesta questão da violência urbana? Não falta
um engajamento maior em busca de soluções?
Sérgio Lemos, Londrina / PR
Marcelo Beraba, os jornalistas dos grandes centros, com toda essa violência
diária, não acabam ficando um tanto quanto sedados por esta overdose de
sangue? Não há uma certa banalização da violência urbana nos jornais
e tevês?
Mário Bezerra, João Pessoa /
PB
Mauro Malin, o fato da imprensa não dar seqüência à cobertura do possível
acordo para a devolução das armas acontece porque outros fatos
atropelaram a pauta ou porque isso poderia manchar a imagem dos militares?
Emilson Nunes Costa, Volta
Redonda / RJ – Professor
Hélio Doyle, será que os reflexos da ditadura militar fizeram com que
parte da imprensa ficasse contra a ação do Exército nas favelas do Rio?
Antônio Carlos Sanches, Rio de
Janeiro
Mauro Malin, o Exército tem a força terrorista. Por que não acionar
essa força terrorista? Ele é especialista em guerras e não em invasão
de favelas.
Alex de Jesus, Rio de Janeiro
Dines, o programa não está levando em consideração o posicionamento
político de cada jornal em relação à campanha presidencial. Isso não
influencia na cobertura do caso do Exército?
Nelson Ferreira, São Paulo
O que vocês acham dessas propagandas mentirosas que o governo faz? A mídia
vai permitir que isso aconteça?
Carlos Arruda, Rio de Janeiro
Marcelo Beraba, vocês estão falando de repórteres subindo morro, mas não
sei se vocês sabem que profissionais de jornalismo estão usando coletes
à prova de balas e carros blindados em algumas coberturas. A pauta
justifica tanto risco?
Ricardo Costa, Belford Roxo /
RJ
A descriminalização da maconha não freiaria essa realidade que o MV
Bill mostra no documentário?
Thiago Rego, Paraíso / TO
O que a imprensa tem feito para o Exército saber que a população,
principalmente a carioca, ficou satisfeita com a ação do Exército nos
morros cariocas?
André Luciano de Vasconcelos,
Recife / PE
Qual o motivo da política não ter eficiência em cobrir o tráfico? Será
que ela também não favorece o tráfico?
Marcelo Cadena, Recife / PE
Hélio Doyle, por que a imprensa de um modo geral só dá ênfase à violência
no eixo Rio /São Paulo, quando no resto do país a violência está em
grandes proporções?
Evandro Rodrigues, Porto Alegre
/ RS
Vocês não acham que o Exército deveria ficar nas fronteiras impedindo a
entrada de produtos ilegais no país?
Ademar Pereira, Angra dos Reis
/ RJ
Quem eles estão querendo enganar dizendo que foi a inteligência do Exército
que achou as armas?
Anderson Adelino, Belo
Horizonte / MG
Os participantes do programa são a favor da presença do Exército para
fazer segurança dos jogos Pan Americanos no Rio?
Nelson dos Santos, Rio de
Janeiro
O tráfico perdeu um milhão e setecentos. E quanto a polícia perdeu?
Odilon Alves, Anápolis / GO
Se a impunidade é a palavra de ordem no Brasil, a questão é de segurança
nacional, já que a violência atinge a todos os brasileiros,
indiscriminadamente. Por que, então, não lançarmos mão das tropas do
Exército, da Marinha e Aeronáutica para preservarmos a segurança
nacional?
Moabe Telles, Recife / PE
Hélio Doyle, se o Exército, através de uma emenda constitucional,
agisse de forma integrada com as polícias, será que resolveria o
problema do tráfico no Rio?
Agis Uricéia, Rio de Janeiro
Será que não há possibilidade das forças armadas ficarem nos seus
devidos lugares fiscalizando a entrada de drogas, fiscalizando as
fronteiras da terra e do mar?
Sonia Montenegro, Porto Alegre
/ RS
Mauro Malin, a imprensa sempre noticiou os atrasos na aprovação de orçamento.
Estamos terminando março de 2006 e o orçamento ainda não foi votado, e
a imprensa não noticia. Isso não configuraria falta de isenção da
imprensa?