PROGRAMA DO DIA 14 de março de 2006

COMPETIÇÃO NO TELEJORNALISMO

O Observatório da Imprensa desta semana questionou se a disputa pela audiência pode prejudicar o nível dos telejornais.

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

NARCOTRÁFICO & NARCOGUERRILHA
A Colômbia não está longe daqui
Alberto Dines

Dois dos três jornalões de referência nacional são editados em São Paulo, assim como todas as quatro revistas semanais de informação. Teoricamente, isso não teria a menor importância. Na prática produz resultados desastrosos.

Leia na íntegra

A competição melhora a qualidade dos telejornais brasileiros?

Resultado:

Urna desabilitada por problemas técnicos

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Editorial:

Bem-vindos ao "Observatório da Imprensa".

É positiva a intervenção do exército nas favelas cariocas? A mídia baseada no Rio foi majoritariamente favorável porque acompanha a opinião dos cariocas. Mas acontece que a mídia nacional baseada em São Paulo é maior e preferiu o caminho "politicamente correto" contra a ocupação. Será que um editor confortavelmente instalado a 400 quilômetros de distância consegue ser objetivo nesta questão? Voltaremos a ela.


Leia na íntegra

JORNALISMO NA TV
Telejornais apresentam o mais do mesmo
Venício A. de Lima (*)

Os telespectadores brasileiros têm presenciado várias mudanças nos principais telejornais das emissoras de TV abertas comerciais nos últimos meses. O Jornal da Band trouxe Joelmir Beting e Carlos Nascimento – este, recentemente transferido para o SBT; o SBT Brasil trouxe Ana Paula Padrão, que deixou seu lugar no Jornal da Globo para William Waack e Cristiane Pelajo; o Jornal da Record inaugurou nova fase com Celso Freitas e Adriana Araújo no lugar de Boris Casoy e Marcelo Rezende, foi para o Jornal da Rede TV!.

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

COMPETIÇÃO NO TELEJORNALISMO

O Observatório da Imprensa do dia 14 de março debateu a difícil convivência entre informação e busca da audiência no telejornalismo brasileiro.

Alberto Dines, em seu editorial disse: "O Jornal Nacional e o Jornal da Record estão engalfinhados há mais de um mês. Pergunto a você: os telejornais estão brigando em termos de telejornalismo? Não, estão brigando por causa da telenovela "Prova de Amor" que está avançando no Ibope da Rede Globo. Trata-se de um vale-tudo jamais visto que coloca não apenas os concorrentes, mas todo nosso jornalismo num paradigma lamentável. Os telejornais deixaram de ter horários fixos e duração determinada. Começam e acabam em função do que está acontecendo no outro canal. A predominância de assuntos policiais e sensacionalistas é acintosa. O desrespeito ao telespectador nunca ficou tão flagrante. E o descaso com o cidadão tão evidenciado. Além dessa agressão ao bom gosto e à função da informação numa sociedade democrática esta concorrência desvairada desvenda a absoluta impotência do poder público em defesa do interesse público. Estas redes são concessões federais, têm compromissos constitucionais a cumprir. Onde se meteu o poder executivo que não consegue enxergar esta degradação do telejornalismo? Será que nesta temporada eleitoral as autoridades esqueceram que têm o dever de zelar pela qualidade do que é exibido na tevê aberta? Estão com medo de interferir e assim desagradar poderosas redes de comunicação? E onde se meteu o Conselho de Comunicação Social, criado justamente para servir de anteparo aos abusos? Na ultima edição deste observatório mostramos um episódio da fase de ouro do telejornalismo americano. Uma semana depois vamos mostrar quão distanciados estamos da façanha de Ed Murrow no início dos anos 50."

Participaram, no Rio de Janeiro, o jornalista Ernesto Rodrigues; em São Paulo, o professor da Universidade Metodista de São Paulo Sebastião Squirra, e em Brasília, o Deputado Federal do PSOL, Orlando Fantazzini.

Dines questionou Squirra sobre a questão da falta de pontualidade por parte dos telejornais. O professor respondeu: "Uma das coisas que mais marcou a Globo em um determinado momento, era essa segurança que a audiência tinha de que o jornal começava em um determinado horário. Eu me lembro de pessoas que diziam saber que eram oito horas, exatamente porque entrava a vinheta do Jornal Nacional. Eu acho que se vive no Brasil uma guerra que aconteceu nos Estados Unidos há algumas décadas atrás. Eu tive a oportunidade de estudar isto, onde a audiência vai ser conquistada de qualquer forma. Eu não acho que são estratégias de desrespeito radical à audiência. Vários estudos comprovam que a audiência dos telejornais está meio que esperando entre uma novela e outra. Eu acredito que isto aí é uma guerra difícil, mas eu acho que se as pautas dos telejornais forem criativas, eles irão se diferenciar um do outro. O Jornal Nacional quer queiramos ou não, ele tem um público cativo. O Brasil inteiro está acostumado com o estilo, o modelo e os produtos mostrados no Jornal Nacional. Tirar esta audiência do Jornal Nacional é o que vem tentando se fazer nos últimos anos e a questão do horário, eu acho que é uma das armas que as outras emissoras vão tentar, além de buscar os seus próprios jornalistas e os seus modelos."

Orlando Fantazzini, sobre seu projeto de lei que obriga as empresas de radiodifusão a tornar disponível o serviço gratuito de atendimento telefônico, falou: "Tive uma surpresa muito desagradável, porque esse projeto teve uma tramitação inicial pela comissão em defesa do consumidor, e quando o projeto foi pautado, observei que o relator havia emitido uma manifestação de que o 0800 era censura, e, portanto, seu parecer era contrário a minha propositura. Depois de um longo processo de diálogo, de negociação, nós conseguimos fazer com que o projeto ganhasse outra conotação, quer dizer, ao invés de obrigar as emissoras a disponibilizar um serviço de 0800 aos telespectadores, nós tivemos que fazer um acordo, no sentido de fazer com que o Conselho de Comunicação Social é quem iria disponibilizar o número 0800, para que os telespectadores pudessem apresentar suas denúncias, e com isso utilizar parte do fundo do FITT. O projeto encontra-se hoje na Comissão de Ciência e Tecnologia, aguardando a votação nesse acordo que nós conseguimos construir, para que o projeto não fosse para o arquivo. Obviamente nós sabemos que houve toda uma pressão por parte das emissoras de que o 0800 poderia implicar um tipo de censura à programação televisiva, e também das rádios."

O jornalista Ernesto Rodrigues opinou sobre a questão da falta de regras e de critérios no telejornalismo brasileiro: "Eu acho que existe, evidentemente, uma preocupação com a audiência. Mas a preocupação que existe na formulação, não só do jornal da TV Globo, como no Jornal da Bandeirantes, da Record e outros jornais, é a preocupação do impacto original de uma informação. E todos nós sabemos que matérias policiais são fortes, mexem com as pessoas, nunca vai ser a eleição do Iraque que vai abrir o jornal aqui no Brasil, a não ser que tenha um elemento muito brasileiro nessa história. É evidente que existe um contexto de mudança de horário. Mas é preciso dizer que quem está atropelando o horário, neste caso, é o Jornal da Record, porque o Jornal Nacional começou no horário. Acho que as matérias que eu vi no Jornal Nacional de hoje, por exemplo, foram escolhidas com critérios não muito diferentes dos critérios que existiam no meu tempo. Critérios jornalísticos de importância, de impacto. Não concordo que seja uma visão "policialesca". Acho que está havendo um certo exagero."


EDITORIAL

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

É positiva a intervenção do exército nas favelas cariocas? A mídia baseada no Rio foi majoritariamente favorável porque acompanha a opinião dos cariocas. Mas acontece que a mídia nacional baseada em São Paulo é maior e preferiu o caminho "politicamente correto" contra a ocupação. Será que um editor confortavelmente instalado a 400 quilômetros de distância consegue ser objetivo nesta questão? Voltaremos a ela.

O Jornal Nacional e o Jornal da Record estão engalfinhados há mais de um mês. Pergunta você: os telejornais estão brigando em termos de telejornalismo? Não, estão brigando por causa da telenovela "Prova de Amor" que está avançando no Ibope da Rede Globo. Trata-se de um vale-tudo jamais visto que coloca não apenas os concorrentes mas todo nosso jornalismo num paradigma lamentável.

Os telejornais deixaram de ter horários fixos e duração determinada. Começam e acabam em função do que está acontecendo no outro canal. A predominância de assuntos policiais e sensacionalistas é acintosa. O desrespeito ao telespectador nunca ficou tão flagrante. E o descaso com o cidadão tão evidenciado.

Além dessa agressão ao bom gosto e à função da informação numa sociedade democrática, esta concorrência desvairada desvenda a absoluta impotência do poder público em defesa do interesse público. Estas redes são concessões federais, têm compromissos constitucionais a cumprir.

Onde se meteu o poder executivo que não consegue enxergar esta degradação do telejornalismo? Será que nesta temporada eleitoral as autoridades esqueceram que têm o dever de zelar pela qualidade do que é exibido na tevê aberta? Estão com medo de interferir e assim desagradar poderosas redes de comunicação? E onde se meteu o Conselho de Comunicação Social criado justamente para servir de anteparo aos abusos?

Na última edição deste Observatório mostramos um episódio da fase de ouro do telejornalismo americano. Uma semana depois vamos mostrar quão distanciados estamos da façanha de Ed Murrow no início dos anos 50.


ARTIGO
Por Alberto Dines

NARCOTRÁFICO & NARCOGUERRILHA
A Colômbia não está longe daqui
Alberto Dines

Dois dos três jornalões de referência nacional são editados em São Paulo, assim como todas as quatro revistas semanais de informação. Teoricamente, isso não teria a menor importância. Na prática produz resultados desastrosos.

O primeiro editorial da Folha de S.Paulo de segunda-feira (13/3, pág. 2), sobre a ocupação de algumas favelas cariocas por tropas do Exército, retrata com fidelidade as aflições dos porteiros (gatekeepers) de importantes redações quando confrontados com a necessidade de se manifestar sobre problemas regionais que desconhecem. Mesmo no caso do Rio de Janeiro, ex-capital federal. A saída em geral é apelar para o repertório politicamente correto e obsoleto que, aliás, carece urgentemente de atualização.

"Preservar o Exército" é o título do editorial do Folhão, e a partir dele se oferece aos leitores uma visão não apenas ingênua e irreal mas, sobretudo, errônea:

"(...) O maior risco de submeter [as Forças Armadas] a incursões freqüentes e prolongadas nas violentas cidades brasileiras é o de que sucumbam ao mesmo mal que se quer combater. No dia em que a corporação militar tornar-se porosa à penetração do narcotráfico, a profecia da ‘colombianização’ do Brasil começará a se cumprir."

A Folha parece desconhecer que os principais suspeitos do roubo dos dez fuzis e uma pistola são um sargento e um cabo, e que nos roubos anteriores de armas outros militares estiveram implicados.

Tremendo lero-lero

Há militares ou ex-militares – dá no mesmo – planejando, operando ou comandando as diferentes facções do crime organizado. Principalmente no Rio de Janeiro. Mapas e esquemas recentemente apreendidos e divulgados pela imprensa revelam a presença de experts militares nos confrontos pela conquista de favelas.

A diabólica exploração de civis em manifestações contra todas as tentativas de manter o Estado de Direito nas favelas está nos manuais de guerrilha que qualquer pára-quedista sabe de cor.

É muito cômodo discorrer sobre os riscos de contaminar as Forças Armadas com os vírus do narcotráfico num moderno edifício na Alameda Barão de Limeira, São Paulo, como se tratasse de algo remoto e intangível. O contágio já existe e em larga escala. O Rio é uma cidade aberta, naturalmente permeável e permeada, ao contrário da Paulicéia onde a periferia não é figura de retórica, mas realidade concreta.

A tal porosidade funciona no Rio em todos os sentidos, é vertical e horizontal, não respeita classes sociais ou segmentos profissionais já que o narcotráfico e o narcoconsumo fazem parte do mesmo processo e têm idênticos interesses.

A segunda parte do editorial é ainda mais lamentável porque deixa de lado o ideário escoteiro tão apropriado para uma tarde de domingo e emaranha-se num erro grosseiro e lamentável que os leitores certamente repetirão ao longo dos próximos dias:

"(...) Uma proposta a considerar com seriedade seria a de criar uma força federal ágil, moderna e eficiente especializada em intervenções circunscritas. Ela atuaria justamente em casos de ameaça da ordem pública. (...) De caráter militar, embora subordinada ao Ministério da Justiça, uma corporação deste tipo serviria..." etc. e tal.

Sr. Editorialista, não leve a mal a gozação, mas vosmecê está chovendo no molhado. Gastou o precioso espaço do seu jornal na mais nobre página da edição para escrever um tremendo lero-lero. Essa força especial já existe, chama-se Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), foi criada exatamente com esta função, está subordinada ao Ministério da Justiça e já foi utilizada no Espírito Santo.

Velha e vil

A questão central gira exatamente em torno desta FNSP cuja existência é solenemente ignorada pela Folha: por que não foi usada? Qual o atarantado conselheiro de plantão junto ao Exmo. Sr. Presidente da República que autorizou a utilização do Exército num morro simbólico como o da Providência, atrás do antigo Ministério da Guerra, hoje sede do Comando Militar do Leste, em pleno centro antigo?

O território da bobagem em matéria de segurança pública na segunda maior cidade brasileira não pertence apenas aos paulistas. Na matéria de capa da última edição de CartaCapital, um jornalista carioca (ou naturalizado) tomado pela ira sagrada ideológica afirmou que o desvio dos militares para o enfrentamento com os narcotraficantes foi aberto "por volta de 1994, estimulado pelo governo Fernando Henrique Cardoso" ("O veneno do cascavel", pág. 21). Em 1994, o presidente era Itamar Franco.

A capa "Mãos ao alto, favela" é um exemplo da perversidade do bom-mocismo pseudo-esquerdista, escárnio à esmagadora maioria dos cariocas inclusive àqueles que nas favelas são obrigados pelos narcoterroristas a participar de "protestos" contra a "intimidação" militar. Chama a atenção que o protesto de CartaCapital contra as tropas nas favelas não cogita a existência de um comandante supremo das Forças Armadas, que é o presidente da República, quem afinal determinou — ou pelo menos autorizou — a intervenção. Ler a matéria dá a impressão de que tudo não passou de uma ação isolada do Exército.

A "colombianização" das grandes cidades brasileiras já aconteceu e a imprensa faz parte do processo. Sobretudo quando exuma o arsenal retórico da Guerra Fria para politizar a tragédia urbana brasileira.

Nossa mídia às vezes parece envelhecida, às vezes mostra-se envilecida. Quase nunca está disposta a revelar a extensão da "colômbia" tupiniquim. O último jornalista que tentou foi o repórter Tim Lopes. Ele não se fingia de escoteiro, nem assinava manifestos. Ia atrás dos fatos. Não voltou.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

JORNALISMO NA TV
Telejornais apresentam o mais do mesmo
Venício A. de Lima (*)

Os telespectadores brasileiros têm presenciado várias mudanças nos principais telejornais das emissoras de TV abertas comerciais nos últimos meses. O Jornal da Band trouxe Joelmir Beting e Carlos Nascimento – este, recentemente transferido para o SBT; o SBT Brasil trouxe Ana Paula Padrão, que deixou seu lugar no Jornal da Globo para William Waack e Cristiane Pelajo; o Jornal da Record inaugurou nova fase com Celso Freitas e Adriana Araújo no lugar de Boris Casoy e Marcelo Rezende, foi para o Jornal da Rede TV!.

E há algo em comum nessas mudanças: todos os "âncoras" envolvidos (e muitos dos jornalistas que aparecem ou não na tela) são ex-funcionários da Globo. É a primeira vez na história das TVs abertas comerciais brasileiras que os telejornais que disputam audiência com a Globo são liderados por ex-jornalistas da própria Globo.

O que teria provocado essas mudanças? Estaríamos inaugurando um novo tempo no jornalismo de TV, o mais importante do país? Será que agora os telespectadores terão – como sempre deveriam ter – pluralidade de fontes e diversidade de opiniões no telejornalismo que constitui a principal fonte de informação da maioria dos brasileiros?

O telejornalismo de TV – como de resto, o jornalismo em geral – está em crise. Há um crescente desinteresse do público pelos telejornais.

Durante anos o Jornal Nacional teve o maior Ibope da Rede Globo. Nos seus intervalos comerciais estavam os trinta segundos mais caros da televisão brasileira. O preço na tabela de publicidade continua alto, mas o índice de audiência do JN já não é mais o primeiro da emissora, embora continue solidamente o maior entre os telejornais brasileiros, com média em torno de 35 pontos.

A contratação de Ana Paula Padrão não rendeu o esperado no SBT Brasil; e o novo Jornal da Record estreou no dia 30 de janeiro com média de 13 pontos no horário mas, em seguida, parece ter se estabilizado pouco acima dos 5 pontos.

Profusão de clones

Quais seriam os motivos para esse desinteresse público pelos telejornais?

O descompromisso com a informação séria é certamente um deles. A primeira reação do JN à recente ameaça à sua audiência representada pela combinação da novela Prova de Amor e o novo Jornal da Record foi eliminar os intervalos comerciais na sua primeira meia hora e transformar o telejornal em uma "revista" que prioriza o fait divers e o noticiário policial em detrimento inclusive da cobertura política.

Em sua coluna de O Globo de quinta-feira (9/3), o jornalista Jorge Bastos Moreno faz comentários que certamente se aplicam ao telejornalismo. Diz ele:

"Será que nessa sucessão de escândalos, com dossiês, fitas e denúncias caindo nas nossas mãos, [não se estaria] perdendo um pouco da coisa mais valiosa da profissão, que é a capacidade de investigar, correr atrás das pistas? Essa avalanche de informações delivery’ que vem desde o caso PC Faria, mesmo com os enormes serviços prestados ao país, [estaria] me transformando num repórter de notícia pronta? E onde está o romantismo da profissão de seguir uma pista, investigar, apurar, ainda que demore e no final comemorar o resultado desse esforço?"

A mesmice certamente é outro motivo importante. O "novo" Jornal da Record é uma tentativa óbvia de "clonar" o Jornal Nacional. A impressão que se tem é que todos os telejornais seguem a mesma pauta. Eles exibem as mesmas matérias, dentro de padrões muito semelhantes de cobertura. Se você vê um é como se já tivesse visto todos.

Seriam as atuais mudanças apenas aparentes? Estariam os jornalistas, ex-funcionários da Globo, tentando reproduzir vários "clones" do JN fora da Globo?

Sem diversidade

Respondendo a uma pergunta feita por uma participante do Bate-Papo UOL sobre o que seria possível fazer de novo no telejornalismo brasileiro, o também ex-Globo Carlos Nascimento, que estreava no mesmo dia no Jornal do SBT – Edição Noite, afirmou:

"Precisa mudar a linguagem, descobrir um jeito novo de construir o texto, de ditar as matérias, o foco dos assuntos, o ritmo. Tudo o que fazemos me parece meio velho. É assim desde os anos setenta, com algumas mudanças. Temos que nos reinventar".

O desafio do jornalismo público responsável está colocado também para o desprestigiado sistema estatal de televisão brasileiro, que não tem como competir com o sistema privado, mas que tem mostrado sua diferença nesses tempos de crise. Vide as coberturas jornalísticas da Radiobrás, das TV Câmara e Senado, da TVE Rede Brasil (Rio) e da TV Cultura (São Paulo).

Em ano eleitoral, paralelo a uma crise política que se arrasta – embora com menor intensidade – desde maio de 2005, o jornalismo da TV aberta comercial está perdendo a oportunidade de desempenhar o seu papel que é informar com seriedade a imensa maioria da população brasileira.

Na verdade, apesar das aparentes mudanças, não há indicações de que estejamos inaugurando um novo tempo no jornalismo da TV aberta comercial. Os telespectadores continuam sem pluralidade de fontes e sem diversidade de opiniões. O novo é apenas o mesmo de sempre. Já nasce velho.

(*) Pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política (NEMP) da Universidade de Brasília e autor, entre outros, de Mídia: Teoria e Política (Editora Fundação Perseu Abramo, 2ª ed., 2004)


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

Rio de Janeiro:

Ernesto Rodrigues – Jornalista
"O programa foi interessante! Começou um pouco complicado, mas caminhou bem! Gostaria de ter falado mais sobre a função do produtor que eu abordei no final do programa."

São Paulo:

Sebastião Squirra – Prof. Univ. Metodista de São Paulo
"O debate de hoje tem que ser mais presente, o telejornal tem que ser mais discutido. Foi boa a seleção da questão do empobrecimento da pauta e da luta desumana entre as emissoras para conquistar audiência."


PERGUNTAS

E-mails:

Adriano
Gostei do programa que discutiu a respeito do filme "Boa noite, boa sorte". Ajudou a informar a respeito da credibilidade e da imparcialidade. Alberto Dines e a equipe do OI, continuem com esse vontade de conscientizar o povo.
Eu estou assistindo e lendo jornais de outro jeito graças ao Observatório da Imprensa. Espero que com esse investimento que o SBT e a Rede Record têm realizado, possamos assistir e ler jornais não mais desse jeito que o telejornalismo vem defendendo: os interesses do público e não o interesse público. Pergunto aos convidados: como a imprensa pode aumentar o nível dos telejornais sem utilizar a guerra pela audiência? É possível ter um Observatório da Imprensa - nos moldes do realizado na TVE Brasil - na Rede Record, na Band ou na Rede TV?

Edson
Senhores, no momento em que se debate com muita categoria e competência, o comportamento da imprensa, me surpreendo com uma página no site Ibest, onde o editor faz, regularmente, pesquisa de opinião, onde coloca em julgamento assuntos que realmente nivelam a imprensa por baixo. Fico imaginando se é leviandade, uma forma de subestimar o leitor ou falta de assunto, mas fazer pesquisa de opinião perguntando aos brasileiros se o Schwarzenegger errou ao negar clemência a um condenado, sem que tenhamos o menor domínio sobre o assunto, é realmente muito triste. Estas e outras questões, são colocadas sem a menor cerimônia, fazendo crer que os incompetentes perderam a timidez. Gostaríamos que o tema fosse referido pelos senhores em algum programa. Será que o povo merece? Aproveito a oportunidade para deixar registrado o meu respeito e admiração pelo jornalista Alberto Dines e pelo programa em geral.

Rose Mary
Caro Dines, assisto a quase todos os seus programas, gosto muito, acho que é um modo de alertar o público que ainda resta uma esperança no telejornalismo. Concordo que todos são iguais, portanto, perdem sua identidade, o padrão nem sempre é bom. Mas, o que me leva a enviar esta mensagem é o fato de você não dar espaço à jornalista Claudia Tisato, só sei dela que é daqui do sul, mas acho importante que ela possa também fazer comentários, assim como os convidados. Esse comentário poderia até ser de fechamento, mas que ele existisse. Fico indignada com esta falta de espaço, quem sabe você pensa com carinho nesta sugestão e ache um tempo para ela se expressar, uma vez que faz parte do programa. Vou continuar assistindo, mas sempre com este descontentamento. Vamos lá, mostre que este é um programa diferente e dê espaço para mulheres, não só como convidadas, mas sim, como integrante dos argumentos levantados no programa.

Eduardo Cezimbra, Porto Alegre / RS
Tenho, na medida do possível, acompanhado os vários telejornais da TV brasileira (vantagem(?) de estar sem tv a cabo). Sinceramente, é a maior repetição do modelo CNN e congêneres. Não dá para agüentar a falta de reportagens sem aprofundar qualquer tema de interesse público, pelo contrário, é o máximo da pauta pré-fixada por duas ou mais agências internacionais. Um dos episódios mais flagrantes desta pauta marcada é a cobertura dos episódios da cena política que são tingidas pelo preconceito de classe como se vê em questões que envolvem movimentos sociais e populares como o MST. É uma veeergoonhaa!

Ronaldo Ferraz
Ernesto, o Bonner declarou que a média de seus telespectadores é como o Homer, ou seja, idiotas. A partir daí monta seu conteúdo. Não tem efetivamente nenhum respeito com seu público. A edição é tendenciosa, principalmente, com relação ao governo atual. Sempre (sempre mesmo) que há uma notícia positiva para o governo, ele faz questão de minimizar a notícia (é só ver a mesma notícia em outros telejornais) e faz um comentário irrelevante sobre outro tema paralelo, mas dando-lhe ênfase exagerada. É só assistir ao Jornal Nacional com atenção e não aceitar o tratamento dado pelo Bonner. Por outro lado, usa o seu poder de influência para atingir objetivos, nem sempre imparciais. Hoje, um bom telejornal é o do SBT, com Ana Paula Padrão, embora tenha seus defeitos, também.

Nadiê
Dirijo-me ao sr. jornalista Dines. Gosto do Roda-Viva e do seu programa, porque sou meio burra, mas não tanto para descartar o que conheço de tão bom na TV. Minha crítica, ou observação, é a de verificar que o senhor, nem ninguém, ao reivindicar os direitos do povão diante desses espetáculos horrendos de mídia, não colocam a razão desse povão de não poder assistir às TVs Câmara e Senado, se funcionam com o dinheiro do povo e este é impossibilitado de pagar cabos ou satélites. Sou uma revoltada com isso, mas mais ainda por não ver ninguém cobrar isso desses políticos. E ainda vê-los dizer: "Tv Câmara, a tv do povo". É uma piada. Penso que não estou pensando bobagem. Obrigada pela atenção.

Peter
Boa noite caros senhores, como faço parte da população menos favorecida no nosso país e estou sendo imparcial, posso dizer-lhes que as emissoras estão sim em uma "briga" pela audiência, com muitas notícias que não são úteis à população, assim como ocorre aos domingos. Cada vez mais as emissoras de TV querem atender aos interesses daqueles de quem são dependentes, sejam eles políticos ou financeiros. Estamos precisando realmente de programas que comuniquem educando, e não o que estamos vendo no nosso dia a dia, e que cada vez mais torna-se algo comum. Os nossos telejornais estão perdendo a característica principal para a qual foram criados: informar verdadeiramente e imparcialmente à toda uma nação; e devido a este fato estão perdendo a nossa credibilidade nas notícias.

Mauricio Gil, Piracicaba / SP
Foi colocado que a Globo tem um melhor jornalismo por investir mais nesta área. O fato da Globo ter recebido, ilegalmente, investimento do Grupo Time-Life, há algumas décadas, deu uma vantagem de, pelo menos, uma década em relação às outras emissoras?

Rejane Guerra
Prezados senhores, sou assessora do Martinho da Vila e como telespectadora assisti ao programa em que se discutiu a Mídia e o Carnaval. Gostei muito e lamentei ele não ter participado. Saibam que o Observatório é resistência inteligente na TV aberta. Grande serviços prestados. Abraços.


Telefonemas:

Roberto Paiva, Salvador / BA
Ernesto Rodrigues, tenho visto repórteres locais participarem do Jornal Nacional, coisa que não acontecia antes. Alguns com o biotipo diferente da padronização de beleza que existia na emissora. Na sua opinião, por que isso está acontecendo?

Clóvis Peçanha, Itatiba / SP
Fantazzini, para melhorar o nível não deveria haver uma abertura para mais emissoras? Uma democratização da televisão?

Thiago Rego, Tocantins
Squirra, o fato da TV Record copiar o Jornal Nacional não seria um exemplo de falta de criatividade?

Adriano Antunes, Rio de Janeiro
Squirra, como a imprensa pode aumentar o nível dos telejornais sem utilizar a guerra pela audiência?

Antônio Lúcio Rangel, Rio de Janeiro – Professor
Fantazzini, o fato do ministro das comunicações ter sido funcionário de uma grande emissora, pode ser prejudicial quando se trata de questões envolvendo as redes de TV?

Arlon Souza, Salvador / BA
De que forma o telejornalismo pode se desvincular do apelo comercial, se eles se mantêm através do Ibope? Por que eles estariam sendo anti-éticos fazendo isso?

Luciano Otarra, Cuiabá / MT – Jornalista
Até que ponto vale a guerra pela audiência?

Leonardo Michelin, Rio Grande do Sul
Será que com mais conteúdo e criatividade os telejornais poderão melhorar?

Edmilson Gil, Brasília / DF
Será que há possibilidade do Ministério Público fazer uma intervenção entre as duas emissoras já que a TV Record é financiada pelo dinheiro da igreja e a TV Globo é financiada por dinheiro público?

Ruy Fugêncio, Belo Horizonte / MG
Quem ganha com tudo isso é o público que assiste aos dois telejornais, vocês não acham?

Antônio Ribeiro, Rio Grande do Sul
Por que os comentaristas políticos e a imprensa em geral são tão tendenciosos? Por que a imprensa é formadora de opinião?

Walter Joaquim, Rio de Janeiro
Ernesto, o senhor acredita que as pessoas que estão acompanhando a programação jornalística televisiva são ingênuas a ponto de acreditar que o caráter comercial é que determina o seu noticiário?

Marcio Rabelo, Bahia
Ernesto, o telejornal é feito para o telespectador "Homem Simpson", isto é, preguiçoso e altamente influenciado. Qual a sua opinião?

João Batista Lago, Curitiba / PR
Na verdade, não há uma pasteurização da notícia em todo o jornalismo brasileiro?

Cláudio Lima, Belo Horizonte / MG – Locutor
O que causa mais impacto ao telespectador: o cenário ou os apresentadores?

Cláudio Antunes, Bagé / RS
Não é abuso da TV explorar um problema pessoal das pessoas?

Washington Fortes, Fortaleza / CE
Squirra, qual sua opinião a respeito do sensacionalismo?

Antônio Carlos Sanches, São Luís Gonzaga / RS
Os senhores não acham que o jornalismo brasileiro está se americanizando, ou seja, está mais americano do que os próprios americanos?

Alexandre Bolcato, Santo Antônio do Amparo / MG
Ernesto, quando o apresentador do telejornal da Rede Globo traz um furo de reportagem e diz: "exclusividade da Rede Globo" não seria um privilégio do canal em detrimento dos concorrentes?

Jurandir Fortunato, Fortaleza / CE
Será que para melhorar o padrão de jornalismo no Brasil, tem que seguir o padrão da Globo?



Fale com o WebMaster
Melhor visualizado em 800x600
©Copyright 2003 – TVE Rede Brasil