RESUMO DO PROGRAMA
COMPETIÇÃO
NO TELEJORNALISMO
O Observatório da Imprensa do dia 14
de março debateu a difícil convivência entre informação e busca da
audiência no telejornalismo brasileiro.
Alberto Dines, em seu editorial disse:
"O Jornal Nacional e o Jornal da Record estão engalfinhados há
mais de um mês. Pergunto a você: os telejornais estão brigando em
termos de telejornalismo? Não, estão brigando por causa da telenovela
"Prova de Amor" que está avançando no Ibope da Rede Globo.
Trata-se de um vale-tudo jamais visto que coloca não apenas os
concorrentes, mas todo nosso jornalismo num paradigma lamentável. Os
telejornais deixaram de ter horários fixos e duração determinada.
Começam e acabam em função do que está acontecendo no outro canal. A
predominância de assuntos policiais e sensacionalistas é acintosa. O
desrespeito ao telespectador nunca ficou tão flagrante. E o descaso com
o cidadão tão evidenciado. Além dessa agressão ao bom gosto e à função
da informação numa sociedade democrática esta concorrência
desvairada desvenda a absoluta impotência do poder público em defesa
do interesse público. Estas redes são concessões federais, têm
compromissos constitucionais a cumprir. Onde se meteu o poder executivo
que não consegue enxergar esta degradação do telejornalismo? Será
que nesta temporada eleitoral as autoridades esqueceram que têm o dever
de zelar pela qualidade do que é exibido na tevê aberta? Estão com
medo de interferir e assim desagradar poderosas redes de comunicação?
E onde se meteu o Conselho de Comunicação Social, criado justamente
para servir de anteparo aos abusos? Na ultima edição deste observatório
mostramos um episódio da fase de ouro do telejornalismo americano. Uma
semana depois vamos mostrar quão distanciados estamos da façanha de Ed
Murrow no início dos anos 50."
Participaram, no Rio de Janeiro, o
jornalista Ernesto Rodrigues; em São Paulo, o professor da Universidade
Metodista de São Paulo Sebastião Squirra, e em Brasília, o Deputado
Federal do PSOL, Orlando Fantazzini.
Dines questionou Squirra sobre a questão
da falta de pontualidade por parte dos telejornais. O professor
respondeu: "Uma das coisas que mais marcou a Globo em um
determinado momento, era essa segurança que a audiência tinha de que o
jornal começava em um determinado horário. Eu me lembro de pessoas que
diziam saber que eram oito horas, exatamente porque entrava a vinheta do
Jornal Nacional. Eu acho que se vive no Brasil uma guerra que aconteceu
nos Estados Unidos há algumas décadas atrás. Eu tive a oportunidade
de estudar isto, onde a audiência vai ser conquistada de qualquer
forma. Eu não acho que são estratégias de desrespeito radical à audiência.
Vários estudos comprovam que a audiência dos telejornais está meio
que esperando entre uma novela e outra. Eu acredito que isto aí é uma
guerra difícil, mas eu acho que se as pautas dos telejornais forem
criativas, eles irão se diferenciar um do outro. O Jornal Nacional quer
queiramos ou não, ele tem um público cativo. O Brasil inteiro está
acostumado com o estilo, o modelo e os produtos mostrados no Jornal
Nacional. Tirar esta audiência do Jornal Nacional é o que vem tentando
se fazer nos últimos anos e a questão do horário, eu acho que é uma
das armas que as outras emissoras vão tentar, além de buscar os seus
próprios jornalistas e os seus modelos."
Orlando Fantazzini, sobre seu projeto
de lei que obriga as empresas de radiodifusão a tornar disponível o
serviço gratuito de atendimento telefônico, falou: "Tive uma
surpresa muito desagradável, porque esse projeto teve uma tramitação
inicial pela comissão em defesa do consumidor, e quando o projeto foi
pautado, observei que o relator havia emitido uma manifestação de que
o 0800 era censura, e, portanto, seu parecer era contrário a minha
propositura. Depois de um longo processo de diálogo, de negociação, nós
conseguimos fazer com que o projeto ganhasse outra conotação, quer
dizer, ao invés de obrigar as emissoras a disponibilizar um serviço de
0800 aos telespectadores, nós tivemos que fazer um acordo, no sentido
de fazer com que o Conselho de Comunicação Social é quem iria
disponibilizar o número 0800, para que os telespectadores pudessem
apresentar suas denúncias, e com isso utilizar parte do fundo do FITT.
O projeto encontra-se hoje na Comissão de Ciência e Tecnologia,
aguardando a votação nesse acordo que nós conseguimos construir, para
que o projeto não fosse para o arquivo. Obviamente nós sabemos que
houve toda uma pressão por parte das emissoras de que o 0800 poderia
implicar um tipo de censura à programação televisiva, e também das rádios."
O jornalista Ernesto Rodrigues opinou
sobre a questão da falta de regras e de critérios no telejornalismo
brasileiro: "Eu acho que existe, evidentemente, uma preocupação
com a audiência. Mas a preocupação que existe na formulação, não só
do jornal da TV Globo, como no Jornal da Bandeirantes, da Record e
outros jornais, é a preocupação do impacto original de uma informação.
E todos nós sabemos que matérias policiais são fortes, mexem com as
pessoas, nunca vai ser a eleição do Iraque que vai abrir o jornal aqui
no Brasil, a não ser que tenha um elemento muito brasileiro nessa história.
É evidente que existe um contexto de mudança de horário. Mas é
preciso dizer que quem está atropelando o horário, neste caso, é o
Jornal da Record, porque o Jornal Nacional começou no horário. Acho
que as matérias que eu vi no Jornal Nacional de hoje, por exemplo,
foram escolhidas com critérios não muito diferentes dos critérios que
existiam no meu tempo. Critérios jornalísticos de importância, de
impacto. Não concordo que seja uma visão "policialesca".
Acho que está havendo um certo exagero."
EDITORIAL
Bem-vindos
ao Observatório da Imprensa.
É
positiva a intervenção do exército nas favelas cariocas? A mídia
baseada no Rio foi majoritariamente favorável porque acompanha a
opinião dos cariocas. Mas acontece que a mídia nacional baseada em
São Paulo é maior e preferiu o caminho "politicamente correto"
contra a ocupação. Será que um editor confortavelmente instalado a
400 quilômetros de distância consegue ser objetivo nesta questão?
Voltaremos a ela.
O Jornal
Nacional e o Jornal da Record estão engalfinhados há mais de um mês.
Pergunta você: os telejornais estão brigando em termos de
telejornalismo? Não, estão brigando por causa da telenovela
"Prova de Amor" que está avançando no Ibope da Rede Globo.
Trata-se de um vale-tudo jamais visto que coloca não apenas os
concorrentes mas todo nosso jornalismo num paradigma lamentável.
Os
telejornais deixaram de ter horários fixos e duração determinada.
Começam e acabam em função do que está acontecendo no outro canal. A
predominância de assuntos policiais e sensacionalistas é acintosa. O
desrespeito ao telespectador nunca ficou tão flagrante. E o descaso com
o cidadão tão evidenciado.
Além
dessa agressão ao bom gosto e à função da informação numa
sociedade democrática, esta concorrência desvairada desvenda a
absoluta impotência do poder público em defesa do interesse público.
Estas redes são concessões federais, têm compromissos constitucionais
a cumprir.
Onde se
meteu o poder executivo que não consegue enxergar esta degradação do
telejornalismo? Será que nesta temporada eleitoral as autoridades
esqueceram que têm o dever de zelar pela qualidade do que é exibido na
tevê aberta? Estão com medo de interferir e assim desagradar poderosas
redes de comunicação? E onde se meteu o Conselho de Comunicação
Social criado justamente para servir de anteparo aos abusos?
Na
última edição deste Observatório mostramos um episódio da fase de
ouro do telejornalismo americano. Uma semana depois vamos mostrar quão
distanciados estamos da façanha de Ed Murrow no início dos anos 50.
ARTIGO
Por Alberto Dines
NARCOTRÁFICO & NARCOGUERRILHA
A Colômbia não está longe daqui
Alberto Dines
Dois dos três jornalões de referência
nacional são editados em São Paulo, assim como todas as quatro
revistas semanais de informação. Teoricamente, isso não teria a menor
importância. Na prática produz resultados desastrosos.
O primeiro editorial da Folha de
S.Paulo de segunda-feira (13/3, pág. 2), sobre a ocupação de
algumas favelas cariocas por tropas do Exército, retrata com fidelidade
as aflições dos porteiros (gatekeepers) de importantes redações
quando confrontados com a necessidade de se manifestar sobre problemas
regionais que desconhecem. Mesmo no caso do Rio de Janeiro, ex-capital
federal. A saída em geral é apelar para o repertório politicamente
correto e obsoleto que, aliás, carece urgentemente de atualização.
"Preservar o Exército" é o
título do editorial do Folhão, e a partir dele se oferece aos
leitores uma visão não apenas ingênua e irreal mas, sobretudo, errônea:
"(...) O maior risco de
submeter [as Forças Armadas] a incursões freqüentes e
prolongadas nas violentas cidades brasileiras é o de que sucumbam
ao mesmo mal que se quer combater. No dia em que a corporação
militar tornar-se porosa à penetração do narcotráfico, a
profecia da ‘colombianização’ do Brasil começará a se
cumprir."
A Folha parece desconhecer que
os principais suspeitos do roubo dos dez fuzis e uma pistola são um
sargento e um cabo, e que nos roubos anteriores de armas outros
militares estiveram implicados.
Tremendo lero-lero
Há militares ou ex-militares – dá
no mesmo – planejando, operando ou comandando as diferentes facções
do crime organizado. Principalmente no Rio de Janeiro. Mapas e esquemas
recentemente apreendidos e divulgados pela imprensa revelam a presença
de experts militares nos confrontos pela conquista de favelas.
A diabólica exploração de civis em
manifestações contra todas as tentativas de manter o Estado de Direito
nas favelas está nos manuais de guerrilha que qualquer pára-quedista
sabe de cor.
É muito cômodo discorrer sobre os
riscos de contaminar as Forças Armadas com os vírus do narcotráfico
num moderno edifício na Alameda Barão de Limeira, São Paulo, como se
tratasse de algo remoto e intangível. O contágio já existe e em larga
escala. O Rio é uma cidade aberta, naturalmente permeável e permeada,
ao contrário da Paulicéia onde a periferia não é figura de retórica,
mas realidade concreta.
A tal porosidade funciona no Rio em
todos os sentidos, é vertical e horizontal, não respeita classes
sociais ou segmentos profissionais já que o narcotráfico e o
narcoconsumo fazem parte do mesmo processo e têm idênticos interesses.
A segunda parte do editorial é ainda
mais lamentável porque deixa de lado o ideário escoteiro tão
apropriado para uma tarde de domingo e emaranha-se num erro grosseiro e
lamentável que os leitores certamente repetirão ao longo dos próximos
dias:
"(...) Uma proposta a
considerar com seriedade seria a de criar uma força federal ágil,
moderna e eficiente especializada em intervenções circunscritas.
Ela atuaria justamente em casos de ameaça da ordem pública. (...)
De caráter militar, embora subordinada ao Ministério da Justiça,
uma corporação deste tipo serviria..." etc. e tal.
Sr. Editorialista, não leve a mal a
gozação, mas vosmecê está chovendo no molhado. Gastou o precioso
espaço do seu jornal na mais nobre página da edição para escrever um
tremendo lero-lero. Essa força especial já existe, chama-se Força
Nacional de Segurança Pública (FNSP), foi criada exatamente com esta
função, está subordinada ao Ministério da Justiça e já foi
utilizada no Espírito Santo.
Velha e vil
A questão central gira exatamente em
torno desta FNSP cuja existência é solenemente ignorada pela Folha:
por que não foi usada? Qual o atarantado conselheiro de plantão junto
ao Exmo. Sr. Presidente da República que autorizou a utilização do Exército
num morro simbólico como o da Providência, atrás do antigo Ministério
da Guerra, hoje sede do Comando Militar do Leste, em pleno centro
antigo?
O território da bobagem em matéria de
segurança pública na segunda maior cidade brasileira não pertence
apenas aos paulistas. Na matéria de capa da última edição de CartaCapital,
um jornalista carioca (ou naturalizado) tomado pela ira sagrada ideológica
afirmou que o desvio dos militares para o enfrentamento com os
narcotraficantes foi aberto "por volta de 1994, estimulado pelo
governo Fernando Henrique Cardoso" ("O veneno do
cascavel", pág. 21). Em 1994, o presidente era Itamar Franco.
A capa "Mãos ao alto,
favela" é um exemplo da perversidade do bom-mocismo
pseudo-esquerdista, escárnio à esmagadora maioria dos cariocas
inclusive àqueles que nas favelas são obrigados pelos narcoterroristas
a participar de "protestos" contra a "intimidação"
militar. Chama a atenção que o protesto de CartaCapital
contra as tropas nas favelas não cogita a existência de um comandante
supremo das Forças Armadas, que é o presidente da República, quem
afinal determinou — ou pelo menos autorizou — a intervenção. Ler a
matéria dá a impressão de que tudo não passou de uma ação isolada
do Exército.
A "colombianização" das
grandes cidades brasileiras já aconteceu e a imprensa faz parte do
processo. Sobretudo quando exuma o arsenal retórico da Guerra Fria para
politizar a tragédia urbana brasileira.
Nossa mídia às vezes parece
envelhecida, às vezes mostra-se envilecida. Quase nunca está disposta
a revelar a extensão da "colômbia" tupiniquim. O último
jornalista que tentou foi o repórter Tim Lopes. Ele não se fingia de
escoteiro, nem assinava manifestos. Ia atrás dos fatos. Não voltou.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
JORNALISMO NA TV
Telejornais apresentam o mais do mesmo
Venício A. de Lima (*)
Os telespectadores brasileiros têm
presenciado várias mudanças nos principais telejornais das emissoras
de TV abertas comerciais nos últimos meses. O Jornal da Band
trouxe Joelmir Beting e Carlos Nascimento – este, recentemente
transferido para o SBT; o SBT Brasil trouxe Ana Paula Padrão,
que deixou seu lugar no Jornal da Globo para William Waack e
Cristiane Pelajo; o Jornal da Record inaugurou nova fase com
Celso Freitas e Adriana Araújo no lugar de Boris Casoy e Marcelo
Rezende, foi para o Jornal da Rede TV!.
E há algo em comum nessas mudanças:
todos os "âncoras" envolvidos (e muitos dos jornalistas que
aparecem ou não na tela) são ex-funcionários da Globo. É a primeira
vez na história das TVs abertas comerciais brasileiras que os
telejornais que disputam audiência com a Globo são liderados por
ex-jornalistas da própria Globo.
O que teria provocado essas mudanças?
Estaríamos inaugurando um novo tempo no jornalismo de TV, o mais
importante do país? Será que agora os telespectadores terão – como
sempre deveriam ter – pluralidade de fontes e diversidade de opiniões
no telejornalismo que constitui a principal fonte de informação da
maioria dos brasileiros?
O telejornalismo de TV – como de
resto, o jornalismo em geral – está em crise. Há um crescente
desinteresse do público pelos telejornais.
Durante anos o Jornal Nacional
teve o maior Ibope da Rede Globo. Nos seus intervalos comerciais estavam
os trinta segundos mais caros da televisão brasileira. O preço na
tabela de publicidade continua alto, mas o índice de audiência do JN
já não é mais o primeiro da emissora, embora continue solidamente o
maior entre os telejornais brasileiros, com média em torno de 35
pontos.
A contratação de Ana Paula Padrão não
rendeu o esperado no SBT Brasil; e o novo Jornal da Record
estreou no dia 30 de janeiro com média de 13 pontos no horário mas, em
seguida, parece ter se estabilizado pouco acima dos 5 pontos.
Profusão de clones
Quais seriam os motivos para esse
desinteresse público pelos telejornais?
O descompromisso com a informação séria
é certamente um deles. A primeira reação do JN à recente ameaça
à sua audiência representada pela combinação da novela Prova de
Amor e o novo Jornal da Record foi eliminar os intervalos
comerciais na sua primeira meia hora e transformar o telejornal em uma
"revista" que prioriza o fait divers e o noticiário
policial em detrimento inclusive da cobertura política.
Em sua coluna de O Globo de
quinta-feira (9/3), o jornalista Jorge Bastos Moreno faz comentários
que certamente se aplicam ao telejornalismo. Diz ele:
"Será que nessa sucessão de
escândalos, com dossiês, fitas e denúncias caindo nas nossas mãos,
[não se estaria] perdendo um pouco da coisa mais valiosa da
profissão, que é a capacidade de investigar, correr atrás das
pistas? Essa avalanche de informações delivery’ que vem
desde o caso PC Faria, mesmo com os enormes serviços prestados ao
país, [estaria] me transformando num repórter de notícia
pronta? E onde está o romantismo da profissão de seguir uma pista,
investigar, apurar, ainda que demore e no final comemorar o
resultado desse esforço?"
A mesmice certamente é outro motivo
importante. O "novo" Jornal da Record é uma tentativa
óbvia de "clonar" o Jornal Nacional. A impressão que
se tem é que todos os telejornais seguem a mesma pauta. Eles exibem as
mesmas matérias, dentro de padrões muito semelhantes de cobertura. Se
você vê um é como se já tivesse visto todos.
Seriam as atuais mudanças apenas
aparentes? Estariam os jornalistas, ex-funcionários da Globo, tentando
reproduzir vários "clones" do JN fora da Globo?
Sem diversidade
Respondendo a uma pergunta feita por
uma participante do Bate-Papo UOL sobre o que seria possível fazer de
novo no telejornalismo brasileiro, o também ex-Globo Carlos Nascimento,
que estreava no mesmo dia no Jornal do SBT – Edição Noite,
afirmou:
"Precisa mudar a linguagem,
descobrir um jeito novo de construir o texto, de ditar as matérias,
o foco dos assuntos, o ritmo. Tudo o que fazemos me parece meio
velho. É assim desde os anos setenta, com algumas mudanças. Temos
que nos reinventar".
O desafio do jornalismo público
responsável está colocado também para o desprestigiado sistema
estatal de televisão brasileiro, que não tem como competir com o
sistema privado, mas que tem mostrado sua diferença nesses tempos de
crise. Vide as coberturas jornalísticas da Radiobrás, das TV Câmara e
Senado, da TVE Rede Brasil (Rio) e da TV Cultura (São Paulo).
Em ano eleitoral, paralelo a uma crise
política que se arrasta – embora com menor intensidade – desde maio
de 2005, o jornalismo da TV aberta comercial está perdendo a
oportunidade de desempenhar o seu papel que é informar com seriedade a
imensa maioria da população brasileira.
Na verdade, apesar das aparentes mudanças,
não há indicações de que estejamos inaugurando um novo tempo no
jornalismo da TV aberta comercial. Os telespectadores continuam sem
pluralidade de fontes e sem diversidade de opiniões. O novo é apenas o
mesmo de sempre. Já nasce velho.
(*) Pesquisador sênior do Núcleo de
Estudos sobre Mídia e Política (NEMP) da Universidade de Brasília e
autor, entre outros, de Mídia: Teoria e Política (Editora Fundação
Perseu Abramo, 2ª ed., 2004)
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
Rio de
Janeiro:
Ernesto Rodrigues –
Jornalista
"O programa foi
interessante! Começou um pouco complicado, mas caminhou bem! Gostaria
de ter falado mais sobre a função do produtor que eu abordei no final
do programa."
São
Paulo:
Sebastião Squirra – Prof.
Univ. Metodista de São Paulo
"O debate de hoje tem que ser mais presente, o telejornal tem que
ser mais discutido. Foi boa a seleção da questão do empobrecimento da
pauta e da luta desumana entre as emissoras para conquistar audiência."
PERGUNTAS
E-mails:
Adriano
Gostei do programa que discutiu a respeito do filme "Boa noite, boa
sorte". Ajudou a informar a respeito da credibilidade e da
imparcialidade. Alberto Dines e a equipe do OI, continuem com esse
vontade de conscientizar o povo.
Eu estou assistindo e lendo jornais de outro jeito graças ao
Observatório da Imprensa. Espero que com esse investimento que o SBT e
a Rede Record têm realizado, possamos assistir e ler jornais não mais
desse jeito que o telejornalismo vem defendendo: os interesses do
público e não o interesse público. Pergunto aos convidados: como a
imprensa pode aumentar o nível dos telejornais sem utilizar a guerra
pela audiência? É possível ter um Observatório da Imprensa - nos
moldes do realizado na TVE Brasil - na Rede Record, na Band ou na Rede
TV?
Edson
Senhores, no momento em que se debate com muita categoria e
competência, o comportamento da imprensa, me surpreendo com uma página
no site Ibest, onde o editor faz, regularmente, pesquisa de opinião,
onde coloca em julgamento assuntos que realmente nivelam a imprensa por
baixo. Fico imaginando se é leviandade, uma forma de subestimar o
leitor ou falta de assunto, mas fazer pesquisa de opinião perguntando
aos brasileiros se o Schwarzenegger errou ao negar clemência a um
condenado, sem que tenhamos o menor domínio sobre o assunto, é
realmente muito triste. Estas e outras questões, são colocadas sem a
menor cerimônia, fazendo crer que os incompetentes perderam a timidez.
Gostaríamos que o tema fosse referido pelos senhores em algum programa.
Será que o povo merece? Aproveito a oportunidade para deixar registrado
o meu respeito e admiração pelo jornalista Alberto Dines e pelo
programa em geral.
Rose Mary
Caro Dines, assisto a quase todos os seus programas, gosto muito, acho
que é um modo de alertar o público que ainda resta uma esperança no
telejornalismo. Concordo que todos são iguais, portanto, perdem sua
identidade, o padrão nem sempre é bom. Mas, o que me leva a enviar
esta mensagem é o fato de você não dar espaço à jornalista Claudia
Tisato, só sei dela que é daqui do sul, mas acho importante que ela
possa também fazer comentários, assim como os convidados. Esse
comentário poderia até ser de fechamento, mas que ele existisse. Fico
indignada com esta falta de espaço, quem sabe você pensa com carinho
nesta sugestão e ache um tempo para ela se expressar, uma vez que faz
parte do programa. Vou continuar assistindo, mas sempre com este
descontentamento. Vamos lá, mostre que este é um programa diferente e
dê espaço para mulheres, não só como convidadas, mas sim, como
integrante dos argumentos levantados no programa.
Eduardo Cezimbra, Porto
Alegre / RS
Tenho, na medida do possível, acompanhado os vários telejornais da TV
brasileira (vantagem(?) de estar sem tv a cabo). Sinceramente, é a
maior repetição do modelo CNN e congêneres. Não dá para agüentar a
falta de reportagens sem aprofundar qualquer tema de interesse público,
pelo contrário, é o máximo da pauta pré-fixada por duas ou mais
agências internacionais. Um dos episódios mais flagrantes desta pauta
marcada é a cobertura dos episódios da cena política que são
tingidas pelo preconceito de classe como se vê em questões que
envolvem movimentos sociais e populares como o MST. É uma veeergoonhaa!
Ronaldo Ferraz
Ernesto, o Bonner declarou que a média de seus telespectadores é como
o Homer, ou seja, idiotas. A partir daí monta seu conteúdo. Não tem
efetivamente nenhum respeito com seu público. A edição é
tendenciosa, principalmente, com relação ao governo atual. Sempre
(sempre mesmo) que há uma notícia positiva para o governo, ele faz
questão de minimizar a notícia (é só ver a mesma notícia em outros
telejornais) e faz um comentário irrelevante sobre outro tema paralelo,
mas dando-lhe ênfase exagerada. É só assistir ao Jornal Nacional com
atenção e não aceitar o tratamento dado pelo Bonner. Por outro lado,
usa o seu poder de influência para atingir objetivos, nem sempre
imparciais. Hoje, um bom telejornal é o do SBT, com Ana Paula Padrão,
embora tenha seus defeitos, também.
Nadiê
Dirijo-me ao sr. jornalista Dines. Gosto do Roda-Viva e do seu programa,
porque sou meio burra, mas não tanto para descartar o que conheço de
tão bom na TV. Minha crítica, ou observação, é a de verificar que o
senhor, nem ninguém, ao reivindicar os direitos do povão diante desses
espetáculos horrendos de mídia, não colocam a razão desse povão de
não poder assistir às TVs Câmara e Senado, se funcionam com o
dinheiro do povo e este é impossibilitado de pagar cabos ou satélites.
Sou uma revoltada com isso, mas mais ainda por não ver ninguém cobrar
isso desses políticos. E ainda vê-los dizer: "Tv Câmara, a tv do
povo". É uma piada. Penso que não estou pensando bobagem.
Obrigada pela atenção.
Peter
Boa noite caros senhores, como faço parte da população menos
favorecida no nosso país e estou sendo imparcial, posso dizer-lhes que
as emissoras estão sim em uma "briga" pela audiência, com
muitas notícias que não são úteis à população, assim como ocorre
aos domingos. Cada vez mais as emissoras de TV querem atender aos
interesses daqueles de quem são dependentes, sejam eles políticos ou
financeiros. Estamos precisando realmente de programas que comuniquem
educando, e não o que estamos vendo no nosso dia a dia, e que cada vez
mais torna-se algo comum. Os nossos telejornais estão perdendo a
característica principal para a qual foram criados: informar
verdadeiramente e imparcialmente à toda uma nação; e devido a este
fato estão perdendo a nossa credibilidade nas notícias.
Mauricio Gil, Piracicaba / SP
Foi colocado que a Globo tem um melhor jornalismo por investir mais
nesta área. O fato da Globo ter recebido, ilegalmente, investimento do
Grupo Time-Life, há algumas décadas, deu uma vantagem de, pelo menos,
uma década em relação às outras emissoras?
Rejane Guerra
Prezados senhores, sou assessora do Martinho da Vila e como
telespectadora assisti ao programa em que se discutiu a Mídia e o
Carnaval. Gostei muito e lamentei ele não ter participado. Saibam que o
Observatório é resistência inteligente na TV aberta. Grande serviços
prestados. Abraços.
Telefonemas:
Roberto Paiva, Salvador / BA
Ernesto Rodrigues, tenho visto repórteres locais participarem do Jornal
Nacional, coisa que não acontecia antes. Alguns com o biotipo diferente
da padronização de beleza que existia na emissora. Na sua opinião,
por que isso está acontecendo?
Clóvis Peçanha, Itatiba /
SP
Fantazzini, para melhorar o nível não deveria haver uma abertura para
mais emissoras? Uma democratização da televisão?
Thiago Rego, Tocantins
Squirra, o fato da TV Record copiar o Jornal Nacional não seria um
exemplo de falta de criatividade?
Adriano Antunes, Rio de
Janeiro
Squirra, como a imprensa pode aumentar o nível dos telejornais sem
utilizar a guerra pela audiência?
Antônio Lúcio Rangel, Rio
de Janeiro – Professor
Fantazzini, o fato do ministro das comunicações ter sido funcionário
de uma grande emissora, pode ser prejudicial quando se trata de
questões envolvendo as redes de TV?
Arlon Souza, Salvador / BA
De que forma o telejornalismo pode se desvincular do apelo comercial, se
eles se mantêm através do Ibope? Por que eles estariam sendo
anti-éticos fazendo isso?
Luciano Otarra, Cuiabá / MT
– Jornalista
Até que ponto vale a guerra pela audiência?
Leonardo Michelin, Rio Grande
do Sul
Será que com mais conteúdo e criatividade os telejornais poderão
melhorar?
Edmilson Gil, Brasília / DF
Será que há possibilidade do Ministério Público fazer uma
intervenção entre as duas emissoras já que a TV Record é financiada
pelo dinheiro da igreja e a TV Globo é financiada por dinheiro
público?
Ruy Fugêncio, Belo Horizonte
/ MG
Quem ganha com tudo isso é o público que assiste aos dois telejornais,
vocês não acham?
Antônio Ribeiro, Rio Grande
do Sul
Por que os comentaristas políticos e a imprensa em geral são tão
tendenciosos? Por que a imprensa é formadora de opinião?
Walter Joaquim, Rio de
Janeiro
Ernesto, o senhor acredita que as pessoas que estão acompanhando a
programação jornalística televisiva são ingênuas a ponto de
acreditar que o caráter comercial é que determina o seu noticiário?
Marcio Rabelo, Bahia
Ernesto, o telejornal é feito para o telespectador "Homem Simpson",
isto é, preguiçoso e altamente influenciado. Qual a sua opinião?
João Batista Lago, Curitiba
/ PR
Na verdade, não há uma pasteurização da notícia em todo o
jornalismo brasileiro?
Cláudio Lima, Belo Horizonte
/ MG – Locutor
O que causa mais impacto ao telespectador: o cenário ou os
apresentadores?
Cláudio Antunes, Bagé / RS
Não é abuso da TV explorar um problema pessoal das pessoas?
Washington Fortes, Fortaleza
/ CE
Squirra, qual sua opinião a respeito do sensacionalismo?
Antônio Carlos Sanches, São
Luís Gonzaga / RS
Os senhores não acham que o jornalismo brasileiro está se
americanizando, ou seja, está mais americano do que os próprios
americanos?
Alexandre Bolcato, Santo
Antônio do Amparo / MG
Ernesto, quando o apresentador do telejornal da Rede Globo traz um furo
de reportagem e diz: "exclusividade da Rede Globo" não seria
um privilégio do canal em detrimento dos concorrentes?
Jurandir Fortunato, Fortaleza
/ CE
Será que para melhorar o padrão de jornalismo no Brasil, tem que
seguir o padrão da Globo?