PROGRAMA DO DIA 04 de outubro de 2005

A MÁFIA DO APITO

Durante seis meses a revista Veja investigou uma quadrilha que fraudava os resultados do campeonato brasileiro, além de outras competições importantes.

A máfia contava com a participação do juiz de futebol Edilson Pereira de Carvalho, preso no último sábado. O juiz, que faz parte dos quadros da Fifa, é acusado de manipular resultados de jogos para gerar lucro fácil para sites de apostas ilegais.

Discutimos neste programa o caso que poderá causar uma reviravolta nos campeonatos envolvidos.

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

OS MIMOS DA VEJA
"Não" ao desarmamento, "sim" ao facciosismo
Alberto Dines

A matéria de capa da última Veja (nº 1925, 5/10/2005, págs.78-86), sob o título geral "7 razões para votar não", é um clássico do jornalismo panfletário, capaz de convencer alguns indecisos por algum tempo e confundir outros para sempre.

Leia na íntegra

A corrupção no esporte recebe da mídia o mesmo destaque que a corrupção na política?

Resultado:

Sim: 22%

Não: 78%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Editorial:

Bem-vindos ao "Observatório da Imprensa".

A discussão sobre o referendo das armas começou mal, a matéria de capa da última edição de "Veja" infringe todas as normas de isenção, eqüidistância e responsabilidade jornalística. A mídia eletrônica, porque depende de concessões, está obrigada pela justiça eleitoral a manter-se neutra. O jornalismo impresso é absolutamente livre mas isso não significa que a imprensa deva descambar para a licenciosidade. "Veja" menosprezou a opinião dos leitores e pisoteou o princípio da pluralidade. As sete razões de "Veja" para votar "não" representam um "sim" ao facciosismo.


Leia na íntegra

TRANSPOSIÇÃO DAS ÁGUAS
As metáforas de São Francisco, o rio
Ulisses Capozzoli

A idéia de que o futuro está no passado pode surpreender muita gente, mas este desconcerto talvez sugira apenas uma apreensão convencional da história. Claro que não se pode falar de um confinamento, como se tudo estivesse definitivamente estabelecido. A questão aqui é que, para se inventar o futuro, é preciso revisitar a história. Neste estágio, parece profundamente necessário que uma perspectiva como essa ilumine da forma mais promissora uma questão que ganha corpo entre os debates nacionais, apesar da vergonhosa omissão da imprensa: a transposição das águas do rio São Francisco.

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

A MÁFIA DO APITO

O Observatório da Imprensa do dia 4 de outubro de 2005, debateu a ação da mídia na cobertura da manipulação de resultados no futebol brasileiro.

Alberto Dines, em seu editorial, disse: "O escândalo dos juízes fraudadores é grande demais para ser tratado como caso isolado, pontual. Não adianta algemar os culpados, é preciso mandá-los para o "xilindró". É preciso, sobretudo, sanear um sistema que favorece a má-fé, beneficia a improbidade e tira do povo seus únicos motivos de alegria."

Participaram, em Brasília, o deputado federal Sílvio Torres; em São Paulo, o jornalista Jorge Kajuru; e no Rio de Janeiro, o jornalista Sérgio du Bocage e o diretor presidente do diário Lance!, Walter de Mattos Júnior.

Sílvio Torres, respondendo a Dines sobre o escândalo dos juízes e sobre a CPI da CBF Nike, falou: "É um fato, que embora não seja inusitada a manipulação de resultados, mas pela amplitude, pela vinculação com empresários de jogos de bingo, e também pela demonstração da fragilidade da organização do futebol brasileiro, é realmente preocupante. Acho que o futebol brasileiro, que tem talentos dentro do campo, infelizmente ainda deve muito em termos de dirigentes. Precisamos urgentemente fazer uma avaliação para frente, do que nós pretendemos para o futebol, para que não tenhamos, como tivemos agora, motivos para nos desencantarmos (...) Acho que a CPI apresentou resultados, como o estatuto do torcedor, a lei de moralização, a paralisação de determinados procedimentos que eram totalmente inaceitáveis, e grande parte deles hoje já não existem, mas infelizmente aqueles crimes de evasão de divisas, sonegação fiscal, desvio de dinheiro, especialmente no nosso caso da CPI da CBF Nike; repousam ainda no Ministério Público.

Sobre a validade da própria justiça desportiva, Sérgio du Bocage explicou: "Hoje no jornal Tribuna da Imprensa, o Hélio Fernandes fez uma série de afirmações com relação a todo esse processo que está acontecendo na arbitragem, e ele é contra essa anulação dos 11 jogos, assim como eu também sou. Ele exemplifica dizendo que o árbitro Edílson, na hora em que ele apitou, era todo avalizado pela CBF. E por fim ele critica a postura do Luís Zveiter, presidente do STJD, pelo fato de que ele, como desembargador, não poderia estar atuando em uma outra instância fora da justiça, e a partir daí, começa todo o erro desse processo. (...) Este escândalo do apito já está entrosado no futebol, lamentavelmente, não é de hoje que escutamos denúncias como essa que aconteceu, de que há algum tipo de envolvimento, não só na arbitragem, como se vê hoje em dia, existem vários empresários envolvidos no futebol. Acho que a coisa que mais nos surpreendeu foi a forma como foi revelado, ou seja, um juiz, envolvido inclusive com jogos de internet e bingos eletrônicos, manipulando tudo em beneficio próprio.

Jorge Kajuru sobre a máfia do apito disse: "Como é que um juiz tem um diploma falso e continua apitando? O Ricardo Teixeira, o Armando Marques, a Federação de São Paulo sabiam. Se na época da CPI do Futebol tivesse sido investigado e se os comandos do futebol tivessem sido sérios, responsáveis, nós já teríamos descoberto essa malandragem do árbitro Edílson antes e não agora. (...) Inocente nessa história toda, só tem um lado, é o torcedor, portanto eu não sou contra cancelar os jogos não, sou a favor de paralisar o campeonato brasileiro, enquanto não se apurar tudo, e só quando tudo for apurado que se reinicie o campeonato brasileiro."

Walter de Mattos Júnior também falou sobre o escândalo: "Acho que poderia ter sido evitado porque esse juiz apresentou um diploma acadêmico falso à CBF. Denunciamos essa irregularidade no Jornal Lance! e foi dada a ele uma segunda chance, a qual ele apresentou um outro diploma de curso supletivo, quando a imprensa foi atrás do Armando Marques, ele omitiu detalhes de como ele cursou e obteve aquele diploma, ou seja, estamos vivendo uma crise que no fundo tem a ver com um processo que nós precisamos fazer, um processo de limpeza no futebol brasileiro."

Fernanda Carvalho Jorge (estagiária)


EDITORIAL

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

A discussão sobre o referendo das armas começou mal, a matéria de capa da última edição de "Veja" infringe todas as normas de isenção, eqüidistância e responsabilidade jornalística. A mídia eletrônica, porque depende de concessões, está obrigada pela justiça eleitoral a manter-se neutra. O jornalismo impresso é absolutamente livre mas isso não significa que a imprensa deva descambar para a licenciosidade. "Veja" menosprezou a opinião dos leitores e pisoteou o princípio da pluralidade. As sete razões de "Veja" para votar "não" representam um "sim" ao facciosismo.

Obras não são sinônimo de progresso, se o desenvolvimento não é sustentável, é atraso. O bispo franciscano Dom Luiz Cappio há anos vem pregando contra o projeto de transposição das águas do rio São Francisco. Não quiseram ouvi-lo, por isso recorreu ao recurso extremo, a greve de fome. Está sem comer há oito dias e o governo ainda não se mexeu. Está nas mãos da imprensa a tarefa de converter este protesto pacífico e profundamente tocante num movimento capaz de sensibilizar aqueles que ainda se iludem com os projetos mirabolantes.

O presidente Lula não dá sorte quando se refere à imprensa. Ontem, na Fiesp, novamente pisou na bola. Não atacou a imprensa mas atacou o denuncismo que, segundo ele, está solto há quatro ou cinco meses. Não são quatro meses, Excelência, são cinco meses. E não é denuncismo, são acusações concretas, cabais, que levaram o governo a remover ministros, admitir publicamente que foi traído e até a pedir desculpas.

A corrupção estava nas primeiras páginas dos primeiros cadernos, confinadas aos editoriais e às seções de política. Há 10 dias a corrupção transbordou e chegou aos cadernos de esporte. Graças à mesma "Veja" descobrimos que ao lado das máfias do mensalão e do caixa dois há também uma máfia do apito que manipula os jogos de futebol em benefício de uma quadrilha de apostadores na Loteca.

O país do futebol descobriu estarrecido que a sua porção mais ingênua e mais pura, por isso a mais legítima e representativa, foi tomada de assalto pela mesma bandalheira que desmoralizou utopias e lideranças partidárias.

No caso das investigações sobre a corrupção política está ficando claro que as CPIs estão sendo sutilmente manipuladas para não irem muito fundo. O cidadão-leitor não está muito familiarizado com as sutilezas políticas, não repara na armação das pizzas. Mas o cidadão-torcedor, este é um expert e não se deixa ludibriar tão facilmente. Os cartolas não conseguirão manobrar como manobram certas lideranças políticas. O escândalo dos juizes fraudadores é grande demais para ser tratado como caso isolado, pontual. Não adianta algemar os culpados, é preciso mandá-los para o xilindró. É preciso, sobretudo, sanear um sistema que favorece a má-fé, beneficia a improbidade e tira do povo os seus únicos motivos de alegria.


ARTIGO
Por Alberto Dines

OS MIMOS DA VEJA
"Não" ao desarmamento, "sim" ao facciosismo
Alberto Dines

A matéria de capa da última Veja (nº 1925, 5/10/2005, págs.78-86), sob o título geral "7 razões para votar não", é um clássico do jornalismo panfletário, capaz de convencer alguns indecisos por algum tempo e confundir outros para sempre.

Para começar: a matéria é prepotente e precipitada. Deliberadamente facciosa, sequer tenta uma isenção formal. Neste início da temporada de debates sobre o referendo das armas, com ainda três edições antes do 23 de outubro, ao invés de ensaiar uma progressiva troca de idéias capaz de suscitar o contraditório e algum esclarecimento antes de se acionar a urna, a revista berra para o leitor – "Cala boca, você não sabe nada".

Nas edições seguintes será obrigada a subir de tom, esgoelar-se, pisotear a razão, apelar para emoções ainda mais fortes. Em algum momento desta cruzada o leitor perceberá que foi ludibriado, não lhe deram tempo para pensar nem lhe ofereceram alternativas para exercer o seu discernimento.

É evidente que a questão preparada pelo TSE foi mal escolhida e mal formulada. Também é evidente que a omissão do governo em matéria de segurança – como em outras questões cruciais dominadas por palavras de ordem "politicamente corretas" – só favorece o "não" ao desarmamento.

Com a exceção do prefeito paulista José Serra e desde segunda-feira (3/10) da governadora fluminense Rosinha Mateus, ambos favoráveis ao "sim", nenhuma autoridade dispôs-se a discutir a questão com as respectivas comunidades.

O poder público retraiu-se, o Estado lava as mãos, esquecido de que na verdade ele é que está sendo julgado. Entregou a discussão às duas frentes parlamentares, multipartidárias (que, por isso, não conseguem formular uma estratégia argumentativa comum) e às ONGs dos dois campos.

Sob o pretexto de não influir, o governo eclipsou-se. Abriu mão de ser governo. Aos adeptos do "sim" oferece a perspectiva de um milagre, aos militantes do "não" presenteia com a certeza de que ao cidadão só resta a opção de defender-se sozinho.

Papel mediador

O vácuo não é só do governo, também é dos partidos. Nenhum deles conseguiu a unanimidade, todos divididos – o que explica as frentes multipartidárias. O vácuo está sendo preenchido inicialmente por um bonapartismo do tipo Veja, em seguida o será pelo cesarismo de algum demagogo tipo Severino escondido num partido-arapuca.

Veja abdicou da sua capacidade de persuadir. Não confia nela ou não confia no leitor. Prefere o rolo compressor da argumentação curta, frenética e fartamente ilustrada. Aquele recurso das páginas 78-79 é pura propaganda, nenhum parentesco com jornalismo. Ao lado de um "inocente" revolver calibre 38 o título proclama: "O referendo pode proibir a venda desta arma..."; e conclui, na página frontal: "...mas nada pode fazer para tirar este arsenal das mãos dos bandidos" – e mostra 32 granadas e sacos de munição de grosso calibre.

A comprovação do facciosismo de Veja foi dada na primeira rodada do horário do TSE, na segunda-feira, quando a matéria de capa publicada dias antes foi exibida pelo partido do "não" como argumento definitivo em favor de suas teses. Parecia jogada ensaiada.

Ao contrário da mídia eletrônica controlada pela Justiça Eleitoral, a mídia impressa -- a imprensa -- é desregulamentada, livre. Imprensa livre não significa imprensa entregue à licenciosidade. O "Jornal Nacional" da segunda-feira (3/10) e o "Globo" do dia seguinte mostraram como se argumenta com competência, como é possível oferecer ao público elementos para a formação de juízos sem impor-lhe conclusões. Ao mostrar que 61% das armas apreendidas no Rio nos últimos seis anos passaram por pessoas sem antecedentes criminais, oferece-se ao eleitor do referendo um elemento para ajudá-lo a tomar decisões. É, em última análise, um argumento favorável ao "sim" mas é, antes de tudo, um estímulo à reflexão.

Referendos e plebiscitos em países com partidos inconsistentes – e desde que ministrados em doses apropriadas – podem aumentar o grau de participação popular e agilizar a tomada de decisões. Sem uma imprensa lúcida, responsável, capacitada para o seu papel mediador, tanto o "sim" como o "não" podem tornar-se exercícios fúteis, espécie de "cara ou coroa" para decidir o destino de uma nação.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

TRANSPOSIÇÃO DAS ÁGUAS
As metáforas de São Francisco, o rio
Ulisses Capozzoli

A idéia de que o futuro está no passado pode surpreender muita gente, mas este desconcerto talvez sugira apenas uma apreensão convencional da história. Claro que não se pode falar de um confinamento, como se tudo estivesse definitivamente estabelecido. A questão aqui é que, para se inventar o futuro, é preciso revisitar a história. Neste estágio, parece profundamente necessário que uma perspectiva como essa ilumine da forma mais promissora uma questão que ganha corpo entre os debates nacionais, apesar da vergonhosa omissão da imprensa: a transposição das águas do rio São Francisco.

Dois fatos, ao longo da semana passada, acenam com a possibilidade de que a discussão ganhe espaço nos jornais, até agora com todos os sentidos voltados para os acontecimentos políticos em Brasília, como se estes fossem ocorrências inéditas e não históricas.

O primeiro deles é a série de cinco reportagens sobre o rio, exibida pelo Jornal Nacional e por isso mesmo com eco pelas vastidões deste país. O segundo, a greve de fome deflagrada pelo bispo da cidade de Barra, na Bahia, d. Luís Flávio Cappio, contrário ao desvio das águas do São Francisco.

Ao menos no segundo caso, a imprensa deve morder a isca. O bispo, que entre 1993-94 fez o percurso de quase 2.800 quilômetros entre a nascente do rio, na belíssima Serra da Canastra, no sul de Minas Gerais, até sua foz, na divisa entre Alagoas e Sergipe, garante que só abandonará o protesto se o governo desistir dos planos de transposição das águas. Caso contrário promete "entregar a vida" (Folha de S. Paulo, pág A 17, 02/10)

A postura do bispo é uma atração típica para certo jornalismo rasteiro, tópico como as velhas pomadas para dores lombares, e, certamente, vai pontuar nos jornais no melhor estilo dos dramalhões de telenovelas. Na edição do domingo (2/10), a Folha de S. Paulo já trazia uma página "suja" (com anúncio, no clichê jornalístico) com o bispo Cappio.

A idéia da transposição, retomada pelo governo e refutada pelo bispo, é antiga – daí outra conveniência, neste caso dupla, de uma revisão histórica.

Legado positivista

O primeiro a defender o desvio de águas do São Francisco para amenizar a carência hídrica em Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte teria sido o intendente do município de Crato e deputado pelo Ceará, Marcos Antonio de Macedo, em 1847.

Entre 1852 e 1854, o engenheiro civil Henrique Guilherme Fernando Halfeld fez um detalhado levantamento do Vale do São Francisco – que deu origem ao Atlas e Relatório Concernente à Exploração do Rio São Francisco, desde a Cachoeira de Pirapora até ao Oceano Atlântico, uma obra deliciosa de se consultar, entre outras razões pelas belas ilustrações. Aqui, pela primeira vez, foram consideradas as viabilidades técnicas do projeto, mas as dificuldades, inclusive financeiras, fizeram com que fosse arquivadas – o mesmo destino que tiveram iniciativas que vieram a seguir, com o engenheiro cearense Tristão Franklin Alencar de Lima, em 1886, e com a Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas, em 1913 e 1919.

O Departamento Nacional de Obras e Saneamento retomou a idéia e, entre 1981-85, refez os planos considerando a transposição de um volume de até 300 metros cúbicos por segundo. Em 1994 foi a vez do Ministério da Integração Regional reexaminar o projeto. Em 1996 foi criado um grupo de trabalho para avaliar o impacto do projeto e, no ano seguinte, considerados, entre outros, os custos financeiros do empreendimento.

A posição do bispo Cappio, que estimulou um pedido de desistência da obra pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) (Estado de S.Paulo, 29/5/2005, pág A 17) evidencia que, quase 160 anos depois, a sugestão de Marcos Antonio de Macedo ainda divide opiniões.

A controvérsia reflete a história da introdução da ciência e das soluções técnicas no Brasil, resultado de um acidente napoleônico que trouxe para cá a corte portuguesa, em 1808. Desde então, as soluções de pontes, estradas e outras emergências, como a transposição dessas águas, sempre foram concebidas de forma localizada, sem levar em conta seus efeitos colaterais.

É reflexo também do legado positivista que permeou o meio científico brasileiro com visão restrita da natureza do conhecimento, tanto do ponto de vista científico quanto, digamos, de aplicação técnica. Para não deixar dúvida, o legado positivista está na bandeira nacional: "Ordem e Progresso", idéia sem nenhuma aceitação epistemológica em abordagens contemporâneas, como a teoria do caos.

Corrupção endêmica

E aqui é preciso dizer que a imprensa, como fazia no Império, mantém-se ainda hoje restrita às preocupações com o poder central, ciosa dos benefícios políticos que pode tirar desses tediosos embates corporativos, sem nenhuma perspectiva promissora de transformação política estrutural.

A televisão tocou no assunto transposição das águas do São Francisco, mostrou as cenas e ouviu as histórias. Também aqui, certamente, é interessante dizer que o material da TV Globo estava pronto há meses e só não havia ido para o ar pela eclosão da chamada "crise política" em Brasília.

Mas a televisão é efêmera o bastante para não consolidar opiniões, ao menos em casos de maior complexidade, como o que envolve as águas do Velho Chico – em outros tempos, quando as estradas eram poucas e ruins (continuam péssimas), batizado de "Rio da Unidade Nacional".

Para a discussão ganhar profundidade e abrangência, a mídia impressa, especialmente os jornais, teriam a obrigação de envolver-se sob a forma de reportagens críticas, ouvindo todos os lados, fundamento elementar do bom jornalismo. O problema é que no jornalismo praticado neste momento no país, mesmo os fundamentos foram deixados de lado, substituídos pela crítica de gabinete, escrita sob encomenda dos donos dos jornais, na forma de editoriais e artigos editorializados nas páginas de opinião.

No caso da transposição das águas do São Francisco, até agora fomos contraditoriamente salvos pela incapacidade de passar da teoria à prática. Isso significa dizer que, se a transposição pensada entre 1981-85, de 300 metros cúbicos por segundo, tivesse sido feita, neste momento, em lugar de uma solução, teríamos dois problemas. E isto porque, desde então, ficou claro que a retirada desse volume de água do São Francisco comprometeria inevitavelmente a geração de energia elétrica. Significa também que o "apagão" ocorrido sob o governo FHC (risco que ele disse desconhecer para, em seguida, responsabilizar um ministro, como se não fosse um ministro do governo dele) teria sido ainda mais dramático.

O "apagão" no governo FHC reintroduziu a oferta de tochas (ainda disponíveis na rede de supermercados Pão de Açúcar), o que significa considerar que, metaforicamente, nos levou de volta à época das cavernas. Mas essa metáfora, ao que tudo indica, não foi suficientemente apreendida, refletindo uma dificuldade endêmica para o olhar histórico.

Ao lado de um "apagão" mais dramático (quem sabe a que ponto retrocederíamos num estágio anterior às tochas?), a oferta de água na região carente certamente não teria sido amenizada, resultado da conjugação de problemas técnicos, históricos e ambientais que permanecem.

Do ponto de vista técnico, a evaporação das águas sob a incidência direta de raios solares na região tropical (que pode chegar a 3 mil milímetros/ano) esvaziaria boa parte do volume bombeado com enorme dispêndio de energia elétrica (já reduzida pela diminuição na oferta de água para fazer girar as turbinas), comprometendo os resultados finais.

Do lado histórico, a corrupção endêmica no Brasil teria produzido, sem a menor dúvida, volumes e volumes de denúncias que nunca seriam apuradas a fundo. E se fossem, ninguém seria responsabilizado. E se chegássemos ao estágio da apuração, os recursos roubados nunca retornariam aos cofres públicos. (A evidência de que os acontecimentos teriam esse curso não estaria suficientemente demonstrada no caso de desvio de recursos pelo juiz Nicolau dos Santos Neto, o "Lalau", em São Paulo?)

Praga bíblica

Quanto aos danos ambientais, quem se dispuser a percorrer um trecho aleatório da BR-381, a Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte, em fase de conclusão de duplicação, encontrará exemplo mais que convincente.

Localizada no Sudeste, a região mais desenvolvida do país, a Fernão Dias é uma demonstração clara de corrupção (formalmente denunciada na Justiça por superfaturamento), má qualidade de serviços realizados (e por isso mesmo uma ameaça à segurança de seus usuários), além de abuso descarado e ainda assim impune, de fundamentos ambientais (invasão e destruição de matas ciliares, destruição de patrimônio paisagístico etc).

Comparando: se a Fernão Dias, no sudeste, os desrespeitos são inúmeros e permanecem impunes, o que esperar de áreas mais remotas dominadas pelo coronelismo mais arcaico, como a região que seria percorrida pelos canais de transposição de águas do São Francisco?

Entre outras dificuldades envolvendo a transposição do Rio São Francisco, há necessidade de recalque (bombeamento) de centenas de metros e escavação de túneis que chegam, em alguns trechos, a 15 quilômetros de comprimento por outros 8 metros de diâmetro, encarecendo imprevisivelmente as obras.

Em artigo publicado na Folha de S.Paulo (20/9, pág. A3), o ministro da Integração Nacional Ciro Gomes defende a transposição com argumentos sociais, contrariando ponto de vista oposto defendido, na mesma página, pelo governador João Alves Filho, de Sergipe.

Ciro Gomes baseia-se em dados que especialistas de capacidade reconhecida em problemas hídricos do Nordeste, como João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco, olha com desconfiança. Num de seus artigos sobre a transposição das águas do rio, Suassuna refere-se a uma montanha de dados desencontrados e deixa entrever que este caos pode refletir uma estratégia de confundir uma visão crítica mais acertada envolvendo essa iniciativa. Por trás deste cenário teríamos uma continuidade da "indústria da seca", tópico mais que conhecido, embora nunca superado, da história nacional.

Quanto ao governador do Sergipe, refere-se a exemplos de fracasso como o desvio das águas que alimentavam o Mar de Aral, na ex-União Soviética, juntamente com o efeito-estufa, um dos mais dramáticos acidentes ambientais da história da civilização. O Mar de Aral está secando em função disso e, como numa praga bíblica, navios que no passado recente foram embarcações pesqueiras agora são devorados pela corrosão num deserto salgado que já foi o leito do piscoso Mar de Aral.

Senso de realidade

O problema do artigo do governador sergipano é que ele carrega nas tintas, o que significa dizer que comparar a experiência do Mar de Aral com a transposição pretendida para o São Francisco (127 metros cúbicos, de acordo com o ministro Ciro Gomes) equivale a comparar laranjas a bananas. Ambas são frutas, mas muito diferentes entre si.

O drama do São Francisco é amplo, profundo e histórico. Exigira, mesmo numa abordagem rápida, um espaço que tenderia a cansar um leitor mais apressado.

Resultado do abandono de cinco séculos, suas águas que recebem esgotos in natura (uma dessas crueldades ainda em prática no Brasil) além de contaminações químicas e assoreamento por destruição das matas ciliares, não são exatamente o paraíso que se pode pensar à primeira vista. Mas é um rio promissor, que não está morto, daí o significado amplo de sua metáfora como "rio da unidade nacional".

O Velho Chico reflete políticas sumárias oficiais do passado recente, entre elas o Pro-Várzeas, deflagrado pelo governo militar com apoio amplo e irrestrito da oligarquia agropecuária, ávida de lucros rápidos, lixando-se para os custos ambientais. O Pro-Várzeas, sozinho, contribuiu para destruição de um imenso ecossistema em todas as áreas em que foi praticado, especialmente pela retificação dos cursos de rios com a justificativa de inibir inundações em períodos chuvosos.

O que seria do Egito e por conseqüência de toda a história da cultura, já que o Egito esteve na base da formação da Grécia (Tales de Mileto, tido como o primeiro filósofo, andou pelo Egito antes de iniciar sua produção filosófica na Grécia), sem as inundações do rio Nilo?

Outra evidência da visão curta dos generais esteve na posição oficial que o então ministro do Planejamento, João Paulo dos Reis Velloso, defendeu em 1970, quando do Congresso de Estocolmo, para debater questões ambientais planetárias. Segundo o ministro, o Brasil tinha "rios à vontade para ser poluídos", traduzindo a interpretação militar de que preocupações ambientais eram apenas uma estratégia dos países desenvolvidos para evitar que nações emergentes, como o Brasil, tivessem acesso às suas pretensões.

Como se vê, a exemplo de Shakespeare, "nada é novo sob o Sol", ao menos de um ponto de vista histórico.

Até agora, ao menos nos jornais, uma única voz sensata se fez ouvir em relação à transposição das águas do rio São Francisco: Washington Novaes, no artigo "No mistifório do São Francisco", que saiu na edição de sexta-feira (30/9, pág. A2) do Estado de S. Paulo. Seu escrito termina com uma surpreendente citação do bispo Luiz Flávio Cappio, sobre a decisão de ir às últimas conseqüências argumentando que "quando a razão se extingue, a loucura é o caminho".

Para Novaes, esta posição é "assustadora".

Assustadora, apesar de recorrente, pode se acrescentar.

Assim, se sobrou algum senso de realidade em Brasília, seria de se esperar que as obras de transposição não fossem iniciadas antes de um diálogo mais inteligível, em escala nacional, coerente com a imagem do rio. Mas para viabilizar uma necessidade dessa natureza a imprensa deve assumir suas responsabilidades. Em vez de continuar omissa e, com o estrago feito, assentar o traseiro no conforto das salas bem arejadas e, então, apenas criticar.


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

Rio de Janeiro:

Walter de Mattos Júnior - Dir. Pres. Diário Lance!
"Foi ótimo, pena que passa rápido."

Sérgio du Bocage - Jornalista
"Gosto do programa, é super interessante não só para quem é jornalista, mas também para quem quer ser jornalista. É como o Dines diz, faz o público ler jornal de uma maneira diferenciada."

São Paulo:

Jorge Kajuru - Jornalista
"Semanalmente este programa acaba sendo uma aula para quem quer fazer jornalismo de verdade. Estou com minha alma lavada, participei de um programa onde pude falar tudo."


PERGUNTAS

E-mails:

Sérgio de Souza Tôrres, Rio de Janeiro – Administrador
No momento em que, como o próprio Observatório acaba de reconhecer, o Congresso se prepara para colocar a pizza no forno, a imprensa em uníssono passa a falar da corrupção no futebol, fato tão antigo no Brasil como o próprio esporte. Deixando de pontuar esse fato, a mídia e esse Observatório não estariam colaborando para que a pizza fique mais saborosa?

Edson Junior, Salvador / BA
Caros amigos, boa noite. Gostaria de colocar duas questões:
1° - A máfia do apito também chegou no futebol paulista e a Federação já divulgou que alguns jogos poderão ser anulados também mas nada tirará o título do São Paulo e não haverá rebaixamento. Nesta base, vocês acham que acontecerá o mesmo com o Campeonato Brasileiro, principalmente da série "B", já que este já está nas fases decisivas?
2° - Vocês acham que este escândalo poderá apressar a formação da Liga dos Clubes de Futebol?

Nelson Rodrigues Junior, Contagem / MG – Func. Público
Amigos, sempre procurei na TV um "foro" onde poderia ser ouvido, e tenho certeza que este é. Minha pergunta é para o Kajuru: o senhor já foi, ou é perseguido por políticos? Como a gente pode conviver com isto no ano de 2005?

Arthur Vargas – Estudante de jornalismo
Boa noite a todos, gostaria de fazer uma pergunta ao Jorge Kajuru: com tantos escândalos no futebol, citados pelos participantes, qual o motivo do caso Edílson ter tomado as grandes proporções que tomou? Os outros tiveram algum motivo para não ganharem a grandeza do caso atual?

Fabrizio Lenci, São Paulo
Estou muito decepcionado com a capa e a matéria publicada na revista Veja neste domingo, acho que a colocação da revista foi infeliz e anti ética. Realmente espero que esta semana a Veja publique 7 motivos para votar "sim". Um grande veículo da mídia, como é a Veja, não pode tomar partido para um lado nessa situação, enfim a matéria foi muito infeliz.

Jean Tomceac, São Paulo – Estudante
A minha pergunta refere-se ao sentido da divulgação desta fraude no futebol. Diversas vezes o futebol foi usado como meio de desviar a atenção da grande massa, pelo menos foi assim na década de 70! Será que isto não veio à tona, justamente neste momento tão delicado, para abafar as CPIs?

Gilson Sampaio
Caro Dines, gostaria que fosse colocada a excrescência que é a Timemania. Mais uma vez, o povo vai pagar a conta dos dirigentes desonestos. Essa nova loteria é para pagar dívidas com o governo! Imprensa e jornalistas promiscuídos com dirigentes jamais provocariam um debate público. Abraço com admiração.

José Carlos da Silva, Aracaju / SE
Oi Kajuru, tudo bem? Como um grande admirador seu, desejo que você continue com essa sua forma franca de falar e expor suas opiniões. A minha pergunta é a seguinte: você não acha que os dois árbitros aceitaram a culpa fácil demais? Será que eles não estão sendo usados como laranjas para encobrir um escândalo muito maior, pois em escândalo algum foi tão fácil assumir a culpa como eles fizeram.

Fernando Monçores Velloso, Rio de Janeiro – Psiquiatra
Os nossos políticos continuam imorais. Na eleição anterior, movidos pela promessa de aumento de salário (cerca de R$10.000,00), eles elegeram o Severino. Agora, num upgrade financeiro (um bilhão e meio de reais), eles elegeram o candidato do governo graças à falta de pudor do Governo Federal, que resolveu "liberar a verba". Acho que já passou a hora de nos aquietarmos. Nas próximas eleições, vote zero!

Iara Maurente
Prezado Dines, minha admiração e respeito. No artigo "Por que o PT errou e Chaui acertou" poderias ter reproduzido, também, o material dela na Folha - dando oportunidade de confrontar e acordar melhor contigo, ou não. Pelo dito, entendi que a Marilena saiu-se melhor que o PT, mas sem a entrevista, preciso confiar por demais em ti. Cordialmente.


Telefonemas:

Eduardo Melido, Rio de Janeiro
Kajuru, a mídia, pelo que escutei neste programa, sabe de muita roubalheira. Será que só se faz alguma coisa se a TV Globo ou a Veja denunciam? Onde está o resto da imprensa?

Professor Emilson Costa, Volta Redonda / RJ
Kajuru, a mídia não está repercutindo uma série de assuntos ligados à anulação dos jogos. Como ficam os anunciantes que pagaram por espaço publicitário nas transmissões? E os telespectadores que compraram o pay-per-view da partida, como ficam?

Márcio Fonseca, Porto Alegre / RS
Sílvio, não é o caso do Ministério Público e os próprios deputados ficarem de olho na riqueza instantânea de alguns clubes que de repente ficam milionários e saem fazendo contratações grandiosas?

Éder Pereira, São Lourenço da Mata / PE
Kajuru, a mídia está comprometida com interesses econômicos a ponto de tirar do povo a credibilidade na sua maior fonte de entretenimento?

Paulo Damasceno, Salvador / BA
Bocage, sou torcedor do Vitória e um dos jogos do meu time na segunda divisão foi apitado por um desses juizes do esquema. Mas na segundona os jogos não foram cancelados. Não há tanta mídia como na primeira divisão e por isso acaba havendo dois pesos e duas medidas. O que vocês acham disso?

Genaro Campregher, Varginha / MG
Walter, o senhor acha que a anulação das partidas foi uma forma de dar satisfação à mídia e provar que o campeonato ainda tem credibilidade?

Luan Martins, São Luiz / MA
Walter, a mídia vai continuar investigando se esse esquema já secou? Ou se existem outros semelhantes?

Edmilson Ferraz, Niterói / RJ
Kajuru, qual p benefício que o futebol traz para a sociedade? Eles movimentam bilhões e nem imposto eles pagam.

Luiz Carlos de Andrade, Búzios / RJ
Kajuru, quem apostou na loteria e foi lesado por esse árbitro? Como deve agir?

Paulo da Paes, Rio de Janeiro
Kajuru, já não bastasse a corrupção explícita e impune da parte dos cartolas, agora é o escândalo da máfia do apito. Haverá punição para os maus árbitros e uma limpeza no futebol como um todo ou o Campeonato Brasileiro está condenado à morte?

Iracy dos Santos, Campinas / SP
Estamos vivendo no tempo da ditadura? O Kajuru sofreu muitas represálias em função das denúncias que fez. Por que não o deixam falar?

Carlos Eduardo da Silva, Rio de Janeiro
Vocês não estão esquecendo que apesar do nome "Superior", o STJD é apenas um órgão da própria CBF?

Eduardo da Silva, Nova Lima / MG
Kajuru, a população que comprou ingresso para os jogos anulados deve fazer o quê? Abaixo assinado?

Divaldo Viana, Barra do Coqueiro / SE
A anulação dos jogos não foi uma atitude precipitada no STJD?

Frederico Almeida, Belo Horizonte / MG
Kajuru, o direcionamento que está sendo dado a esse escândalo do futebol não é para acobertar o escândalo da área política?

Maria Lúcia Lopes, Rio de Janeiro
Kajuru, você se sente injustiçado pelo fato de ter sofrido tantas denúncias a ponto de perder o emprego na Band e ver tudo sendo revelado? Não vai entrar com um processo?

João Marinho, Rio de Janeiro
Kajuru, se essas apostas eletrônicas são ilegais, por que a Polícia Federal não investiga e coíbe este tipo de prática?

Adelmo Costa, Salvador / BA
As partidas apitadas pelo outro árbitro também serão canceladas?

Flávio Verli, Belo Horizonte / MG
Dines, diante de qualquer forma de monitoramento da imprensa, jornalistas e profissionais do meio citam o termo "censura". Será que o monitoramento de casos arbitrários, como o da Veja dessa semana, é fazer censura?

Saulo Aparecido, Belo Horizonte / MG
Kajuru, o que você acha dos presidentes de clubes de futebol que não respeitam os torcedores e os jogadores?

Manoel Jesus, Araruama / RJ
Bocage, o que você acha do fato de pessoas da CBF estarem ligadas, através de parentes, a times de futebol? Kajuru, os resultados da denúncia que você fez há um tempo são exemplos da impunidade no futebol?

Márcio Fonseca, Porto Alegre / RS
Kajuru, tem como mudarmos as regras com o cancelamento dos jogos pelo STJD? Sílvio, por que a CPI Nike / CBF não deu em nada?

Maicon Freitas, Jaboatão dos Guararapes / PE
Kajuru, por que será que a partir do momento em que a Globo obteve com exclusividade os direitos de transmissão dos jogos da seleção brasileira e do Campeonato Brasileiro, as denúncias contra a CBF cessaram? Seria coincidência ou conveniência?

Ismael da Silva, Belo Horizonte / MG
Sílvio, você concorda que a imprensa deveria ir mais fundo nas investigações para passar para o eleitor uma certa clareza, permitindo que ele possa observar a intenção de seu candidato eleito?

Márcio Antônio, Belo Horizonte / MG
Kajuru, o que você acha do José Roberto Wright fazer comentários sobre a arbitragem, uma vez que, na década de 80, ele excluiu o Atlético Mineiro da final do mundial de interclubes? Quando os clubes mineiros deixarão de ser vítimas das más arbitragens?



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