PROGRAMA DO DIA 20 de setembro de 2005

ATENTADO DIÁRIO DE MARÍLIA

Discutimos neste programa o atentado ao jornal Diário de Marília, em São Paulo, ocorrido na madrugada do último dia 08.

Três homens encapuzados e armados invadiram o jornal, renderam o vigia, espalharam gasolina e atearam fogo. O incêndio destruiu os equipamentos das rádios Diário FM, Dirceu FM e do jornal. A direção do Diário foi obrigada a imprimir o jornal em outro parque gráfico.

O editor do jornal Rogério Martinez afirmou que "a obra é de alguém interessado em calar os três veículos". O diretor de redação José Ursílio garantiu que o atentado foi encomendado pelo ex-prefeito de Marília, incomodado com as críticas contra ele publicadas pelo Diário.

Neste Observatório, fizemos também um histórico dos empastelamentos dos jornais brasileiros.

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

DA ZOMBARIA À XENOFOBIA
Maluf em cana, piadas e preconceitos
Alberto Dines

Infalível: depois da notícia dramatizada, a piadinha maligna. Com os Maluf (pai e filho) não foi diferente. Uma semana depois da prisão, negado o hábeas corpus para responderem em liberdade, começaram as gozações. Compreende-se a explosão de alegria depois de três décadas de espera pelo castigo, mas conviria refletir sobre o teor da gozação.

Leia na íntegra

A imprensa do interior é indefesa diante das pressões políticas?

Resultado:

Sim: 81%

Não: 19%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Editorial:

Bem-vindos ao "Observatório da Imprensa".

Você viu nos telejornais de ontem, rapidamente, o motim na pequena Goianésia no Pará onde a população arrasou todas as instalações públicas da cidade. Nenhum dos jornais nacionais que circularam hoje em São Paulo destacaram na primeira página esta inédita ruptura da ordem. Não era importante, ou era longe demais.


Leia na íntegra

O PAPEL DA IMPRENSA
A partidarização oculta os problemas reais
Luciano Martins Costa (*)

A imprensa ainda é um instrumento confiável para a interpretação da realidade nacional? Há quem considere que não, ou pelo menos quem situe a imprensa, neste momento, numa transição da qual ela poderá surgir num papel secundário entre os meios de observação dos fatos. Não apenas pela evolução acelerada das tecnologias que anunciam a transferência crescente do poder de escolha para o conjunto da cidadania a que chamamos público, mas principalmente por sua atitude conservadora, a imprensa corre o risco de ser colocada em segundo plano entre as instituições que validam no seio da consciência coletiva o significado dos acontecimentos.

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

ATENTADO DIÁRIO DE MARÍLIA

O Observatório da Imprensa do dia 20 de setembro apresentou um debate sobre o atentado ocorrido em Marília (SP), no qual um grupo armado incendiou a sede do principal jornal da cidade, localizada a 400 km da capital paulista.

Participaram do programa o editor-chefe do Diário de Marília, José Ursílio, o jornalista Oswaldo Machado, o presidente da ABI, Maurício Azêdo, e o vice-presidente da FENAJ, Fred Ghedini.

Em seu editorial, Alberto Dines disse: "Não se trata da velha incapacidade da nossa imprensa em acompanhar o desdobramento dos fatos. No caso de Marília está parecendo que há uma inércia consensual para deixar as coisas como estão. E nesta meia omissão reside um dos grandes problemas da nossa mídia: ela só se interessa por alguns grandes fatos e, mesmo assim, momentaneamente. Nossos grandes veículos não prestam atenção num dado elementar - os grandes fatos começam bem pequenos lá nos cafundós. O caso de Severino Cavalcanti, por exemplo, não é um problema que se localiza na praça dos três poderes em Brasília. Severino é um problema do interior de Pernambuco que chegou à Brasília."

O jornalista Oswaldo Machado, da cidade de Marília, traçou um panorama da situação local no começo do programa: "Por conta do seu Aberlado Camarinha ter dominado a cidade de Marília e todos os seus veículos de imprensa, de 1997 pra cá nós vivemos um clima de máfia. Há uma verdadeira quadrilha que ameaça, bate, espanca e fecha jornais." O jornalista também acusou o prefeito Camarinha de ser o dono dos veículos de comunicação que sofreram o atentado.

Em seguida, o vice-presidente da FENAJ, Fred Ghedini, comentou as acusações: "Nesse contexto essa informação não faz sentido e não há nenhum documento que embase essa informação." Ghedini também indicou um dos problemas da prática jornalística realizada no interior: "O jornalismo do interior está crescendo, mas sofre de um mal crônico que é a dependência do político de plantão, o político que é o dono da empresa de ônibus, o dono dos grandes terrenos, que faz o loteamento e a especulação imobiliária. Esse é um fato que se repete em todas as grandes cidades do interior."

O jornalista José Ursílio falou sobre a dificuldade de atuação em Marília: "Acredito que a grande imprensa não deve cobrir apenas a atuação dos meios de comunicação teria que acompanhar nas cidades de interior do Brasil. Os canais regionais cobrem os fatos com as naturais deficiências de pequenas empresas, sob a pressão do poder político e com a sociedade desmobilizada, sem fiscalizar. O nosso problema é muito mais grave. Todas as vezes que um veículo do interior, como os nossos, assume uma linha mais crítica fica fadado a sofrer pressões."

Maurício Azêdo, presidente da ABI, argumentou: "Esse caso de Marília é de competência da autoridade de segurança do Estado de São Paulo. É necessário que o governador Geraldo Alckmin tenha uma intervenção direta, determinando a apuração desse grave atentado a fim de que não se constitua em um exemplo passível de reprodução em outros pontos do país, onde a liberdade de imprensa e a liberdade do exercício profissional estão sob risco permanente." Azêdo ainda citou outros casos de agressões a jornalistas no interior de Pernambuco, no Pará e na Bahia.

Fred Ghedini apontou medidas para a solução deste problema: "Tem que ser levado com muito empenho pelos jornalistas de todos os Estados. Tem que criar um procedimento veloz dirigido pela sede da Secretaria de Segurança de Estado, porque, se deixar com a delegacia de polícia local, é problemático por causa dos vínculos políticos nas localidades. Então as secretarias de segurança dos estados têm que assumir centralmente um procedimento veloz de apuração para identificar os culpados e levá-los à justiça. No estado de direito tem que ser isso. O Ministério da Justiça tem que participar para criar esse ambiente, para amparar a liberdade imprensa, onde falta condições políticas e materiais para ela se realizar."

Samuel Kobayashi (estagiário)


EDITORIAL

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Você viu nos telejornais de ontem, rapidamente, o motim na pequena Goianésia no Pará onde a população arrasou todas as instalações públicas da cidade. Nenhum dos jornais nacionais que circularam hoje em São Paulo destacaram na primeira página esta inédita ruptura da ordem. Não era importante, ou era longe demais.

Há 10 dias outro ineditismo: em Marília, a 400 quilômetros de São Paulo, um grupo armado incendiou as instalações de uma empresa de comunicação onde estão instalados o principal jornal da cidade, "Diário da Marília" e duas rádios. Houve algum movimento: a ANJ, Associação Nacional de Jornais, divulgou um protesto, o próprio presidente prometeu providências, um dos criminosos já foi detido, começam a aparecer pistas sobre os mandantes mas o país ainda não sabe exatamente o que aconteceu em Marília, por que aconteceu e o que está sendo feito para punir os culpados.

Não se trata da velha incapacidade da nossa imprensa em acompanhar o desdobramento dos fatos. No caso de Marília está parecendo que há uma inércia consensual para deixar as coisas como estão. E nesta meia omissão reside um dos grandes problemas da nossa mídia: ela só se interessa por alguns grandes fatos e, mesmo assim, momentaneamente. Nossos grandes veículos não prestam atenção num dado elementar - os grandes fatos começam bem pequenos lá nos cafundós. O caso de Severino Cavalcanti, por exemplo, não é um problema que se localiza na praça dos três poderes em Brasília. Severino é um problema do interior de Pernambuco que chegou à Brasília.

A nossa grande imprensa não toma conhecimento do que diz a pequena imprensa regional e assim o país deixa de saber o que se passa nas suas entranhas. O atentado ao Diário de Marília é emblemático.

Em condições normais pode ser classificado como atentado terrorista, intimidação para calar a imprensa e manter a sociedade afastada da verdade. Mas envolto em tantos mistérios o caso do Diário de Marília parece ser antes um caso de falta de informação.

Este Observatório da Imprensa, repetimos mais uma vez, não é tribunal, muito menos instância policial. Este Observatório é um fórum para provocar discussões, para estimular ações e sobretudo para aproximar a sociedade da sua imprensa. Juntas, ficarão protegidas e imunes contra as fagulhas e os incêndios.


ARTIGO
Por Alberto Dines

DA ZOMBARIA À XENOFOBIA
Maluf em cana, piadas e preconceitos
Alberto Dines

Infalível: depois da notícia dramatizada, a piadinha maligna. Com os Maluf (pai e filho) não foi diferente. Uma semana depois da prisão, negado o hábeas corpus para responderem em liberdade, começaram as gozações. Compreende-se a explosão de alegria depois de três décadas de espera pelo castigo, mas conviria refletir sobre o teor da gozação.

Claro, quem começa a zombaria são os zombadores profissionais, são pagos para isso. Mas, mesmo no país da piada pronta, seria proveitoso reprimir os primeiros impulsos e preferir as tiradas mais elaboradas, sempre melhores e menos agressivas. O humor não precisa ser politicamente correto, mas seria bom que respeitasse certos limites. Sobretudo em matéria de preconceito étnico ou racial, terreno em que a piada inocente rapidamente converte-se em estigma.

Maluf converteu-se num símbolo da corrupção e da cara-de-pau. Vai pagar pelos crimes que cometeu. Mas a comunidade sírio-libanesa nada tem a ver com isso. As generalizações são totalitárias.

Veja-se esta jóia na "Coluna do Agamenon" (O Globo, domingo, 18/9, Segundo Caderno, pág. 10) produzida pela hilariante turma da Casseta & Planeta:

"Acostumados com a opulência nababesca dos sírio-libaneses endinheirados de São Paulo, Maluf Pai e Maluf Filho estão passando por muitos apertos. Na minúscula cela em que se encontram mal cabem os narizes avantajados dos dois apenados..."

Ou este título do não menos jocoso José Simão (Folha de S.Paulo, domingo, 18/9, Ilustrada):

"Buemba ! As quibesteiras do Brimo Maluf"

O anedotário étnico é universal, o que não significa que seja legítimo. Reflete um horror às diferenças, e que já derramou muito sangue.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

O PAPEL DA IMPRENSA
A partidarização oculta os problemas reais
Luciano Martins Costa (*)

A imprensa ainda é um instrumento confiável para a interpretação da realidade nacional? Há quem considere que não, ou pelo menos quem situe a imprensa, neste momento, numa transição da qual ela poderá surgir num papel secundário entre os meios de observação dos fatos. Não apenas pela evolução acelerada das tecnologias que anunciam a transferência crescente do poder de escolha para o conjunto da cidadania a que chamamos público, mas principalmente por sua atitude conservadora, a imprensa corre o risco de ser colocada em segundo plano entre as instituições que validam no seio da consciência coletiva o significado dos acontecimentos.

Muito se tem demonstrado, neste Observatório, sobre exemplos pontuais, na imprensa brasileira, de menosprezo à verdade, ou, mais regularmente, de parcialismo diante da complexidade dos fatos noticiados, especialmente dos fatos políticos e econômicos. O viés, as premissas e certos condicionamentos anteriores ao trabalho de reportagem e edição parecem viciar como cartas marcadas o resultado que a imprensa oferece à apreciação pública.

Mas é concretamente numa atitude típica de correligionarismo que se caracteriza mais claramente essa opção preferencial da imprensa por um papel menor do que suas vocações históricas. Correligionarismo é o nome do comportamento delimitado pelo conjunto de interesses no interior de grupos de poder, que se consolidou no período do Terror, durante a fase popular da Revolução Francesa, e se transformou em praga da política pelos séculos afora. Foi o correligionarismo, expressão inspirada na disciplina das legiões romanas, que melhor definiu os movimentos coletivos que marcaram o século passado, dos protestos estudantis na França em 1968 à "revolução cultural" do maoísmo na China.

Fora ou acima

O correligionário é sempre um tarefeiro, um quadro que se coloca abaixo dos escalões estratégicos, sempre no nível operacional das ações. Sua participação é importante na efetivação das táticas, dando volume e pragmatismo às idéias e estratégias, mas raramente influencia as decisões importantes da organização. Nos sistemas centralizados, é o que se chama regularmente de massa de manobra.

A imprensa brasileira parece ter feito a opção de se posicionar como executora de tarefas muito pontuais nesta quadra da nossa História, na qual um escândalo de grandes proporções revela as imperfeições do nosso sistema de representação política e ao mesmo tempo esconde as deficiências estruturais da nossa República. Ao se negar a aprofundar o debate sobre essa questão, que nos permitiria entender e criar condições para o aperfeiçoamento das instituições, a imprensa mantém a opinião pública distante do verdadeiro objeto a que nos remete a crise política.

Esse comportamento parece indicar que a estratégia executada nas ações táticas da imprensa – ao personalizar excessivamente o noticiário sobre o escândalo, ao mesmo tempo em que se abstém de relativizar os papéis dos variados protagonistas – está sendo elaborada fora ou acima da imprensa, em uma esfera de poder cuja identidade escapa ao cidadão comum. É possível, como se tem demonstrado neste Observatório, afirmar que existe um viés claro em todo o noticiário sobre o escândalo e suas variáveis, mas não é fácil identificar suas origens.

Sem juízo claro

A personalização excessiva e a falta de ponderação entre as manifestações e atos dos protagonistas exibidos pela imprensa ficaram mais uma vez evidentes no episódio da cassação do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que "morreu atirando" e mereceu em todos os principais jornais do país um destaque proporcionalmente exagerado, considerando-se que se tratava, já àquela altura, de um personagem que tinha pouco ou nada a perder, cujas palavras significavam, a rigor, pouco ou nada no entendimento do contexto do escândalo.

Como iniciou, Jefferson concluiu sua participação no evento histórico, em seu papel de parlador histriônico, mais afeito à manipulação de emocionalismos diante de câmeras e microfones do que à elucidação da verdade. Como no início, a imprensa lhe deu absoluto crédito e a honra das manchetes, mesmo quando seus pares já haviam decidido que não havia em seu comportamento honorabilidade suficiente para que seguisse pertencendo ao Congresso Nacional. Seus pares deram a ele a etiqueta que buscou em toda sua carreira política, mas a imprensa lhe concedeu um enterro político com honras, porque, evidentemente, recitou do começo ao fim dessa tragicomédia as falas que interessavam à mídia publicar e "repercutir".

Claramente partidarizada, mesmo que não se possa aplicar a ela o rótulo de uma agremiação específica, a imprensa chega ao ponto em que os acusados vão a julgamento sem que se tenha oferecido à opinião pública elementos para fazer um juízo claro sobre as culpabilidades. Exceto no caso do quase ex-presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, que parece ter sido apanhado no exercício da mais reles chantagem, ficamos, às vésperas do grande júri do Congresso, sem uma noção clara das responsabilidades relativas no caso do uso de dinheiro não declarado, se para conquista de votos nas eleições de 2002 ou para influenciar decisões do Parlamento.

Jogo deliberado

Não bastou a afirmação repetida de que existiu a prática do pagamento regular pela opinião de parlamentares para que a opinião pública ficasse convencida do alcance, da regularidade e da profundidade da corrupção. Também não nos tem sido permitido, até aqui, conhecer as práticas semelhantes já noticiadas em outros períodos, para que pudéssemos entender o alcance dos vícios da nossa política, e assim tentarmos melhorar as instituições.

Durante todas estas semanas, manteve-se o debate no círculo da moralidade ou na ambição das reformas definitivas, e a questão ficou circunscrita ao intangível ou lançada para a esfera exterior das grandes tarefas institucionais – como se o problema da corrupção só pudesse ser resolvido por um anjo da moral ou por uma nova Constituinte. "Se o escândalo tivesse sido tratado como o que é realmente, ou seja, um problema jurídico, já teríamos entendido seu alcance, resgatado eventos similares de outras épocas e criado instrumentos eficientes para evitar sua repetição", observou Menelick de Carvalho Neto, professor de Direito Constitucional e doutor em Filosofia do Direito, durante debate no mês passado por ocasião do 170º aniversário da Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Como ficamos entre o trato moral e as reformas grandiosas, vamos a lugar nenhum e os delinqüentes de sempre apenas ficam mais espertos para futuras rapinagens.

Difícil aceitar que a imprensa jogue deliberadamente um jogo de esconde-esconde com a opinião pública, mas não é complicado entender que, depois de haver enfrentado uma crise de quase uma década, durante a qual perdeu muitos colaboradores e foi obrigada a firmar compromissos com credores, ela possa ter se tornado mais vulnerável à tentação de se manter alinhada a grupos de poder cujas premissas, afinal, não teria dificuldade para assimilar. Problema mesmo é constatar que a imprensa abdicou de participar da formulação de grandes estratégias sociais e políticas para se resignar ao papel secundário de correligionária na tarefa de fazer muito barulho para não revelar o essencial.

(*) Jornalista


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

Rio de Janeiro:

Maurício Azêdo - Pres. ABI
"Gostei. O Observatório é um programa vivo, polêmico e combativo. O programa é atraente pelo tema e pela forma como os assuntos são tratados".

São Paulo:

Fred Ghedini - Pres. Sindicato Jornalistas SP / Vice-Pres FENAJ
"É um canal de debate importante. Deveriam existir mais programas assim."

José Ursílio - Editor-Chefe Diário de Marília
"A proposta do programa é excelente, mas acho que o Oswaldo Machado desviou o foco do debate."


PERGUNTAS

E-mails:

Fernando
Amigos, sou vereador líder do PT em Vitória da Conquista na Bahia, sempre assisto o programa mas a participação ontem do jornalista Fernando foi riquíssima mostrando assim a importância de transparência com que prega o perfil do programa. Parabéns.

Marcelo Melgaço
Bom dia, Dines e equipe do Observatório! Sou de Goiânia e gostaria de sugerir que num dos próximos Observatórios fosse tratada a questão do privilégio (ou não) de acesso à notícia da prisão dos Maluf dado ao repórter César Tralli da Rede Globo. Estou certo tratar-se de excelente tema.

Keli Pontes
Mesmo correndo o risco de parecer desinformada, tenho a seguinte pergunta: Depois que os parlamentares tiverem seus mandatos cassados, ou não, qual o rumo que toma todo o dinheiro que per eles foi usurpado do país? Acho que essa é uma curiosidade de todo o indignado povo brasileiro. Obrigada.

Ari de Castro, Gama / DF
Creio que seria bastante informativo e acima tudo, elucidador do presente momento, vermos um Observatório da Imprensa sobre os corruptores e a mídia. Não faço julgamento açodado, mas alguns fatos provam o contrário - que o poder econômico dos anunciantes influenciam as pautas dos diversos veículos. Julgo ter esse direito, na medida em que rádios e televisões são concessões públicas e não empresas de caráter totalmente privado.

Sérgio de Souza Tôrres, Rio de Janeiro – Administrador
Pergunto: A execração de Severino, com a exposição ao ridículo da sua imagem física de matuto e o uso da expressão "baixo clero", como se houvesse categorização de votos e de eleitores, não é um preconceito contra os chamados "grotões", ou municípios interioranos menos desenvolvidos? E o que pensar do "alto clero", ao qual pertence a maioria dos que já estão com os processos de cassação quase prontos?

Célia Moral, Marília / SP – Professora
Aonde iremos parar com tantas submissões? Estamos vivendo essa agonia de ficarmos calados há séculos e séculos, somos treinados a aceitar tudo... e assim é o brasileiro. Onde já se viu o rádio, assim como qualquer outro que tem o dever de informar ao povo fatos verídicos do que acontece em sua cidade, não se calar apenas por "compra" de silêncio? Para que existem os jornalistas então? Para contar mentiras? Disso o Brasil está saturado... Temos que tomar vergonha na cara e sairmos a luta para termos um Brasil melhor, não cedermos a chantagens. Não importa se o ex prefeito Abelardo Camarinha era proprietário ou não do estabelecimento lesado, o que importa é que o Jornal Diário merece sim os parabéns e deve continuar passando a verdade aos seus leitores, pois temos que construir uma sociedade unida e reflexiva. Uma boa noite a todos.

Roberto
Olá Alberto Dines e José Ursílio, como você já disse muito bem no início do programa, através da grande imprensa nós não temos informações do que acontece em outras partes do Brasil, porque não é divulgado. Então a minha pergunta a José Ursílio é: qual foi o fato que desencadeou a oposição do jornal contra o Camarinha? O que teria sido a gota d'água? Obrigado a todos.

Marcelo Santana, Marília / SP
Caros amigos, somente reiterando as informações prestadas pelo jornalista Oswaldo Machado, as afirmações se não forem procedentes são no mínimo sugestivas. Observe-se que infelizmente tramita em segredo de justiça onde figuram como co-réus tanto o ex-prefeito Abelardo Camarinha, como o empresário (dono do jornal) Carlos Francisco Cardoso e sua esposa, dentre outros. A acusação é de que Cardoso era testa-de-ferro de Camarinha, por isso seu domínio pelos órgãos de imprensa, o que vai contra as afirmações de Ursílio de que o jornal teria dado um tempo ao prefeito. Na verdade, houve um rompimento por motivos que não importa salientar no momento. A partir desse momento, próximo das eleições próximas passadas, o jornal Diário de Marília passou a criticar veemente o ex-prefeito Abelardo Camarinha. Cabe lembrar que tal rompimento foi absolutamente possível, já que o jornal já estava em nome de Carlos Francisco Cardoso. Queira ou não, hoje o jornal paga por um crime que ele mesmo cometeu. A criatura voltou-se contra o criador. O jornal, podemos dizer, não pertence mais à Camarinha, tanto é que este voltou sua ira contra o jornal, sendo o principal suspeito de ser mandante do atentado. Em suma, o jornal foi um dos órgãos que, ao tempo que bem dizia o prefeito, auxiliou o mesmo a ter os poderes que hoje tem e se achar o dono da cidade. O Twin Peaks, ou Faroeste Paulista, também foi propiciado, caros amigos, pela ausência de atuação e morosidade do Poder Judiciário que levou mais de 15 anos para condenar Camarinha em pelo menos uma de suas mais de 100 ações judiciais. Abraços.

Ricardo
Prezados srs e sras, todos nós sabemos que o DNA da imprensa é o Ibope, no caso da televisiva; da escrita, a venda de exemplares. Nada contra. Nos últimos 3 ou 4 meses, nossos congressistas monopolizam a mídia. Nem mesmo uma nova Tsunami teria um grande impacto hoje em dia. Não me surpreende. A mídia tem tanto o poder de colaborar quanto de atrapalhar o desenvolvimento de uma nação. No caso citado acima, Marília e Pará, parece que perdemos nossa noção dos valores éticos, morais e de liberdade. No caso, liberdade não só da imprensa, mas do povo. Os valores da sociedade ficaram para um segundo ou terceiro plano. E por isso talvez, a mídia não sentiu-se tocada pois ela, a mídia, também é sociedade. E a sociedade está atrofiando sua capacidade de sensibilizar-se com seus próprios valores. E isso é em todo o mundo. A mídia como um todo, tem uma oportunidade, por que não, uma responsabilidade de provocar uma epidemia global de valorização desses valores: valorizar o ser, não o ter! Nossas vidas serão bem melhores, inclusive das pessoas que fazem a mídia.

Angelica
Caro Alberto Dines, a imprensa cria, diariamente, sem a menor responsabilidade, bolas de neve para muita gente, sendo que muitas vezes a avalanche criada pela imprensa é fatal! Veja bem, sou totalmente contra o que aconteceu em Marília, com a mesma intensidade com que, também, sou totalmente contra uma imprensa irresponsável. A mídia é o maior poder do nosso país e não pode se dar ao luxo de ser irresponsável.

Edson Quadros, Brasília / DF
Bom dia, sou jornalista e trabalho em assessoria de imprensa. Trabalhei sempre 8 horas por dia, comprovado em folha de ponto que assinava todo dia. Gostaria de saber se tenho direito a receber as horas extras, já que a carga horária de jornalista é de 5 horas diárias. Obrigado.


Telefonemas:

Cardoso Lima, Marília / SP
Ghedini, já que a pressão dos políticos é muito grande nas pequenas cidades, o que pode ser feito para que isso tudo não termine em pizza?

Máximo Neto, Bezerros / PE
José Ursílio, o senhor falou que a imprensa tem que fiscalizar os administradores. Mas e quando o meio de comunicação pertence a políticos? Isso acontece?

Eduardo Felipe, Rio de Janeiro
Maurício Azêdo, nesses casos de empastelamento de jornais, o senhor não acha que a imprensa é pouco solidária?

João Paulo, Marília / SP
José Ursílio, por que houve uma procuração do atual dono do jornal, senhor Cardoso em favor do filho do ex-prefeito Camarinha, dando poder de assinar cheques, vender e comprar bens em nome do jornal? Se o Camarinha não é dono, como é que tinha essa procuração?

Pedro Camacho, Marília / SP
José Ursílio, o redator-chefe Rogério Martinez não seria um funcionário fantasma da prefeitura de Marília?

Joel Cavalcanti, João Pessoa / PB
A pressão política sobre os veículos também não é proveniente dos próprios órgãos, uma vez que vendem suas linhas editoriais?

Paulo Garcia, Londrina / PR
O jornal era imparcial em relação aos políticos ou era favorecido por alguma administração?

Geraldo Charles, Fortaleza / CE
José Ursílio, o que aconteceu para o jornal deixar de apoiar o prefeito e passar a criticá-lo?

Itacy Vilela, Belo Horizonte / MG
A política local e o Poder Judiciário estão agindo de forma correta ou estão sendo coniventes com os criminosos?

Marco Antônio Resende, Belo Horizonte / MG
Dines, a rádio e a tv comunitárias são um meio de aproximar a imprensa da sociedade?

Wilmer Barros, Belo Horizonte / MG
Dines, por que a imprensa acha que está acabando com a liberdade de imprensa, mesmo sabendo que a maioria das empresas de comunicação está ligada a empresários e deputados?

Marcelo Emanuel, Brasília / DF
Qual é a função do jornal de Marília na cidade?

Miria Dias, Florianópolis / SC
Gostaria de sugerir um programa com debate sobre Sionismo Internacional.

Bernardo Lages, São Carlos / SP
Dines, o problema do Severino Deputado é de Pernambuco, mas você não acha que eleger o Severino para presidente da Câmara não seria um problema de todo país?

Gildonido Motta, Cambuquira
Maurício Azêdo, o motivo da pequena imprensa não cobrir esses fatos não estaria relacionado ao fato de ela não ser parte da grande mídia?

Avelar Tinto, Teresina / PI
José Ursílio, por que a imprensa está dando tanta ênfase ao ex-deputado Roberto Jefferson, já que ele está sendo politicamente cassado?

Valdite Oliveira, Fortaleza / CE
Parabéns, Dines! O programa deveria ter mais tempo de duração e ser transmitido também em outros dias da semana.



Fale com o WebMaster
Melhor visualizado em 800x600
©Copyright 2003 – TVE Rede Brasil