RESUMO DO PROGRAMA
ATENTADO
DIÁRIO DE MARÍLIA
O
Observatório da Imprensa do dia 20 de setembro apresentou um debate
sobre o atentado ocorrido em Marília (SP), no qual um grupo armado
incendiou a sede do principal jornal da cidade, localizada a 400 km da
capital paulista.
Participaram
do programa o editor-chefe do Diário de Marília, José Ursílio, o
jornalista Oswaldo Machado, o presidente da ABI, Maurício Azêdo, e o
vice-presidente da FENAJ, Fred Ghedini.
Em seu
editorial, Alberto Dines disse: "Não se trata da velha
incapacidade da nossa imprensa em acompanhar o desdobramento dos fatos.
No caso de Marília está parecendo que há uma inércia consensual para
deixar as coisas como estão. E nesta meia omissão reside um dos
grandes problemas da nossa mídia: ela só se interessa por alguns
grandes fatos e, mesmo assim, momentaneamente. Nossos grandes veículos
não prestam atenção num dado elementar - os grandes fatos começam
bem pequenos lá nos cafundós. O caso de Severino Cavalcanti, por
exemplo, não é um problema que se localiza na praça dos três poderes
em Brasília. Severino é um problema do interior de Pernambuco que
chegou à Brasília."
O
jornalista Oswaldo Machado, da cidade de Marília, traçou um panorama
da situação local no começo do programa: "Por conta do seu
Aberlado Camarinha ter dominado a cidade de Marília e todos os seus veículos
de imprensa, de 1997 pra cá nós vivemos um clima de máfia. Há uma
verdadeira quadrilha que ameaça, bate, espanca e fecha jornais." O
jornalista também acusou o prefeito Camarinha de ser o dono dos veículos
de comunicação que sofreram o atentado.
Em
seguida, o vice-presidente da FENAJ, Fred Ghedini, comentou as acusações:
"Nesse contexto essa informação não faz sentido e não há
nenhum documento que embase essa informação." Ghedini também
indicou um dos problemas da prática jornalística realizada no
interior: "O jornalismo do interior está crescendo, mas sofre de
um mal crônico que é a dependência do político de plantão, o político
que é o dono da empresa de ônibus, o dono dos grandes terrenos, que
faz o loteamento e a especulação imobiliária. Esse é um fato que se
repete em todas as grandes cidades do interior."
O
jornalista José Ursílio falou sobre a dificuldade de atuação em Marília:
"Acredito que a grande imprensa não deve cobrir apenas a atuação
dos meios de comunicação teria que acompanhar nas cidades de interior
do Brasil. Os canais regionais cobrem os fatos com as naturais deficiências
de pequenas empresas, sob a pressão do poder político e com a
sociedade desmobilizada, sem fiscalizar. O nosso problema é muito mais
grave. Todas as vezes que um veículo do interior, como os nossos,
assume uma linha mais crítica fica fadado a sofrer pressões."
Maurício
Azêdo, presidente da ABI, argumentou: "Esse caso de Marília é de
competência da autoridade de segurança do Estado de São Paulo. É
necessário que o governador Geraldo Alckmin tenha uma intervenção
direta, determinando a apuração desse grave atentado a fim de que não
se constitua em um exemplo passível de reprodução em outros pontos do
país, onde a liberdade de imprensa e a liberdade do exercício
profissional estão sob risco permanente." Azêdo ainda citou
outros casos de agressões a jornalistas no interior de Pernambuco, no
Pará e na Bahia.
Fred
Ghedini apontou medidas para a solução deste problema: "Tem que
ser levado com muito empenho pelos jornalistas de todos os Estados. Tem
que criar um procedimento veloz dirigido pela sede da Secretaria de
Segurança de Estado, porque, se deixar com a delegacia de polícia
local, é problemático por causa dos vínculos políticos nas
localidades. Então as secretarias de segurança dos estados têm que
assumir centralmente um procedimento veloz de apuração para
identificar os culpados e levá-los à justiça. No estado de direito
tem que ser isso. O Ministério da Justiça tem que participar para
criar esse ambiente, para amparar a liberdade imprensa, onde falta condições
políticas e materiais para ela se realizar."
Samuel Kobayashi (estagiário)
EDITORIAL
Bem-vindos
ao Observatório da Imprensa.
Você viu
nos telejornais de ontem, rapidamente, o motim na pequena Goianésia no
Pará onde a população arrasou todas as instalações públicas da
cidade. Nenhum dos jornais nacionais que circularam hoje em São Paulo
destacaram na primeira página esta inédita ruptura da ordem. Não era
importante, ou era longe demais.
Há 10
dias outro ineditismo: em Marília, a 400 quilômetros de São Paulo, um
grupo armado incendiou as instalações de uma empresa de comunicação
onde estão instalados o principal jornal da cidade, "Diário da
Marília" e duas rádios. Houve algum movimento: a ANJ,
Associação Nacional de Jornais, divulgou um protesto, o próprio
presidente prometeu providências, um dos criminosos já foi detido,
começam a aparecer pistas sobre os mandantes mas o país ainda não
sabe exatamente o que aconteceu em Marília, por que aconteceu e o que
está sendo feito para punir os culpados.
Não se
trata da velha incapacidade da nossa imprensa em acompanhar o
desdobramento dos fatos. No caso de Marília está parecendo que há uma
inércia consensual para deixar as coisas como estão. E nesta meia
omissão reside um dos grandes problemas da nossa mídia: ela só se
interessa por alguns grandes fatos e, mesmo assim, momentaneamente.
Nossos grandes veículos não prestam atenção num dado elementar - os
grandes fatos começam bem pequenos lá nos cafundós. O caso de
Severino Cavalcanti, por exemplo, não é um problema que se localiza na
praça dos três poderes em Brasília. Severino é um problema do
interior de Pernambuco que chegou à Brasília.
A nossa
grande imprensa não toma conhecimento do que diz a pequena imprensa
regional e assim o país deixa de saber o que se passa nas suas
entranhas. O atentado ao Diário de Marília é emblemático.
Em
condições normais pode ser classificado como atentado terrorista,
intimidação para calar a imprensa e manter a sociedade afastada da
verdade. Mas envolto em tantos mistérios o caso do Diário de Marília
parece ser antes um caso de falta de informação.
Este
Observatório da Imprensa, repetimos mais uma vez, não é tribunal,
muito menos instância policial. Este Observatório é um fórum para
provocar discussões, para estimular ações e sobretudo para aproximar
a sociedade da sua imprensa. Juntas, ficarão protegidas e imunes contra
as fagulhas e os incêndios.
ARTIGO
Por Alberto Dines
DA ZOMBARIA À XENOFOBIA
Maluf em cana, piadas e preconceitos
Alberto Dines
Infalível: depois da notícia
dramatizada, a piadinha maligna. Com os Maluf (pai e filho) não foi
diferente. Uma semana depois da prisão, negado o hábeas corpus para
responderem em liberdade, começaram as gozações. Compreende-se a
explosão de alegria depois de três décadas de espera pelo castigo,
mas conviria refletir sobre o teor da gozação.
Claro, quem começa a zombaria são os
zombadores profissionais, são pagos para isso. Mas, mesmo no país da
piada pronta, seria proveitoso reprimir os primeiros impulsos e preferir
as tiradas mais elaboradas, sempre melhores e menos agressivas. O humor
não precisa ser politicamente correto, mas seria bom que respeitasse
certos limites. Sobretudo em matéria de preconceito étnico ou racial,
terreno em que a piada inocente rapidamente converte-se em estigma.
Maluf converteu-se num símbolo da
corrupção e da cara-de-pau. Vai pagar pelos crimes que cometeu. Mas a
comunidade sírio-libanesa nada tem a ver com isso. As generalizações
são totalitárias.
Veja-se esta jóia na "Coluna do
Agamenon" (O Globo, domingo, 18/9, Segundo Caderno, pág.
10) produzida pela hilariante turma da Casseta & Planeta:
"Acostumados com a opulência
nababesca dos sírio-libaneses endinheirados de São Paulo, Maluf
Pai e Maluf Filho estão passando por muitos apertos. Na minúscula
cela em que se encontram mal cabem os narizes avantajados dos dois
apenados..."
Ou este título do não menos jocoso
José Simão (Folha de S.Paulo, domingo, 18/9, Ilustrada):
"Buemba ! As quibesteiras do Brimo
Maluf"
O anedotário étnico é universal, o
que não significa que seja legítimo. Reflete um horror às diferenças,
e que já derramou muito sangue.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
O PAPEL DA IMPRENSA
A partidarização oculta os problemas reais
Luciano Martins Costa (*)
A imprensa ainda é um instrumento
confiável para a interpretação da realidade nacional? Há quem
considere que não, ou pelo menos quem situe a imprensa, neste momento,
numa transição da qual ela poderá surgir num papel secundário entre
os meios de observação dos fatos. Não apenas pela evolução
acelerada das tecnologias que anunciam a transferência crescente do
poder de escolha para o conjunto da cidadania a que chamamos público,
mas principalmente por sua atitude conservadora, a imprensa corre o
risco de ser colocada em segundo plano entre as instituições que
validam no seio da consciência coletiva o significado dos
acontecimentos.
Muito se tem demonstrado, neste Observatório,
sobre exemplos pontuais, na imprensa brasileira, de menosprezo à
verdade, ou, mais regularmente, de parcialismo diante da complexidade
dos fatos noticiados, especialmente dos fatos políticos e econômicos.
O viés, as premissas e certos condicionamentos anteriores ao trabalho
de reportagem e edição parecem viciar como cartas marcadas o resultado
que a imprensa oferece à apreciação pública.
Mas é concretamente numa atitude típica
de correligionarismo que se caracteriza mais claramente essa opção
preferencial da imprensa por um papel menor do que suas vocações históricas.
Correligionarismo é o nome do comportamento delimitado pelo conjunto de
interesses no interior de grupos de poder, que se consolidou no período
do Terror, durante a fase popular da Revolução Francesa, e se
transformou em praga da política pelos séculos afora. Foi o
correligionarismo, expressão inspirada na disciplina das legiões
romanas, que melhor definiu os movimentos coletivos que marcaram o século
passado, dos protestos estudantis na França em 1968 à "revolução
cultural" do maoísmo na China.
Fora ou acima
O correligionário é sempre um
tarefeiro, um quadro que se coloca abaixo dos escalões estratégicos,
sempre no nível operacional das ações. Sua participação é
importante na efetivação das táticas, dando volume e pragmatismo às
idéias e estratégias, mas raramente influencia as decisões
importantes da organização. Nos sistemas centralizados, é o que se
chama regularmente de massa de manobra.
A imprensa brasileira parece ter feito
a opção de se posicionar como executora de tarefas muito pontuais
nesta quadra da nossa História, na qual um escândalo de grandes proporções
revela as imperfeições do nosso sistema de representação política e
ao mesmo tempo esconde as deficiências estruturais da nossa República.
Ao se negar a aprofundar o debate sobre essa questão, que nos
permitiria entender e criar condições para o aperfeiçoamento das
instituições, a imprensa mantém a opinião pública distante do
verdadeiro objeto a que nos remete a crise política.
Esse comportamento parece indicar que a
estratégia executada nas ações táticas da imprensa – ao
personalizar excessivamente o noticiário sobre o escândalo, ao mesmo
tempo em que se abstém de relativizar os papéis dos variados
protagonistas – está sendo elaborada fora ou acima da imprensa, em
uma esfera de poder cuja identidade escapa ao cidadão comum. É possível,
como se tem demonstrado neste Observatório, afirmar que existe
um viés claro em todo o noticiário sobre o escândalo e suas variáveis,
mas não é fácil identificar suas origens.
Sem juízo claro
A personalização excessiva e a falta
de ponderação entre as manifestações e atos dos protagonistas
exibidos pela imprensa ficaram mais uma vez evidentes no episódio da
cassação do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que "morreu
atirando" e mereceu em todos os principais jornais do país um
destaque proporcionalmente exagerado, considerando-se que se tratava, já
àquela altura, de um personagem que tinha pouco ou nada a perder, cujas
palavras significavam, a rigor, pouco ou nada no entendimento do
contexto do escândalo.
Como iniciou, Jefferson concluiu sua
participação no evento histórico, em seu papel de parlador histriônico,
mais afeito à manipulação de emocionalismos diante de câmeras e
microfones do que à elucidação da verdade. Como no início, a
imprensa lhe deu absoluto crédito e a honra das manchetes, mesmo quando
seus pares já haviam decidido que não havia em seu comportamento
honorabilidade suficiente para que seguisse pertencendo ao Congresso
Nacional. Seus pares deram a ele a etiqueta que buscou em toda sua
carreira política, mas a imprensa lhe concedeu um enterro político com
honras, porque, evidentemente, recitou do começo ao fim dessa tragicomédia
as falas que interessavam à mídia publicar e "repercutir".
Claramente partidarizada, mesmo que não
se possa aplicar a ela o rótulo de uma agremiação específica, a
imprensa chega ao ponto em que os acusados vão a julgamento sem que se
tenha oferecido à opinião pública elementos para fazer um juízo
claro sobre as culpabilidades. Exceto no caso do quase ex-presidente da
Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, que parece ter sido apanhado
no exercício da mais reles chantagem, ficamos, às vésperas do grande
júri do Congresso, sem uma noção clara das responsabilidades
relativas no caso do uso de dinheiro não declarado, se para conquista
de votos nas eleições de 2002 ou para influenciar decisões do
Parlamento.
Jogo deliberado
Não bastou a afirmação repetida de
que existiu a prática do pagamento regular pela opinião de
parlamentares para que a opinião pública ficasse convencida do
alcance, da regularidade e da profundidade da corrupção. Também não
nos tem sido permitido, até aqui, conhecer as práticas semelhantes já
noticiadas em outros períodos, para que pudéssemos entender o alcance
dos vícios da nossa política, e assim tentarmos melhorar as instituições.
Durante todas estas semanas, manteve-se
o debate no círculo da moralidade ou na ambição das reformas
definitivas, e a questão ficou circunscrita ao intangível ou lançada
para a esfera exterior das grandes tarefas institucionais – como se o
problema da corrupção só pudesse ser resolvido por um anjo da moral
ou por uma nova Constituinte. "Se o escândalo tivesse sido tratado
como o que é realmente, ou seja, um problema jurídico, já teríamos
entendido seu alcance, resgatado eventos similares de outras épocas e
criado instrumentos eficientes para evitar sua repetição",
observou Menelick de Carvalho Neto, professor de Direito Constitucional
e doutor em Filosofia do Direito, durante debate no mês passado por
ocasião do 170º aniversário da Assembléia Legislativa de Minas
Gerais. Como ficamos entre o trato moral e as reformas grandiosas, vamos
a lugar nenhum e os delinqüentes de sempre apenas ficam mais espertos
para futuras rapinagens.
Difícil aceitar que a imprensa jogue
deliberadamente um jogo de esconde-esconde com a opinião pública, mas
não é complicado entender que, depois de haver enfrentado uma crise de
quase uma década, durante a qual perdeu muitos colaboradores e foi
obrigada a firmar compromissos com credores, ela possa ter se tornado
mais vulnerável à tentação de se manter alinhada a grupos de poder
cujas premissas, afinal, não teria dificuldade para assimilar. Problema
mesmo é constatar que a imprensa abdicou de participar da formulação
de grandes estratégias sociais e políticas para se resignar ao papel
secundário de correligionária na tarefa de fazer muito barulho para não
revelar o essencial.
(*) Jornalista
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
Rio de
Janeiro:
Maurício
Azêdo - Pres. ABI
"Gostei. O Observatório é um programa vivo, polêmico e
combativo. O programa é atraente pelo tema e pela forma como os
assuntos são tratados".
São
Paulo:
Fred
Ghedini - Pres. Sindicato Jornalistas SP / Vice-Pres FENAJ
"É um canal de debate importante. Deveriam existir mais programas
assim."
José
Ursílio - Editor-Chefe Diário de Marília
"A proposta do programa é excelente, mas acho que o Oswaldo
Machado desviou o foco do debate."
PERGUNTAS
E-mails:
Fernando
Amigos, sou vereador líder do PT em Vitória da Conquista na Bahia,
sempre assisto o programa mas a participação ontem do jornalista
Fernando foi riquíssima mostrando assim a importância de
transparência com que prega o perfil do programa. Parabéns.
Marcelo
Melgaço
Bom dia, Dines e equipe do Observatório! Sou de Goiânia e gostaria de
sugerir que num dos próximos Observatórios fosse tratada a questão do
privilégio (ou não) de acesso à notícia da prisão dos Maluf dado ao
repórter César Tralli da Rede Globo. Estou certo tratar-se de
excelente tema.
Keli
Pontes
Mesmo correndo o risco de parecer desinformada, tenho a seguinte
pergunta: Depois que os parlamentares tiverem seus mandatos cassados, ou
não, qual o rumo que toma todo o dinheiro que per eles foi usurpado do
país? Acho que essa é uma curiosidade de todo o indignado povo
brasileiro. Obrigada.
Ari de
Castro, Gama / DF
Creio que seria bastante informativo e acima tudo, elucidador do
presente momento, vermos um Observatório da Imprensa sobre os
corruptores e a mídia. Não faço julgamento açodado, mas alguns fatos
provam o contrário - que o poder econômico dos anunciantes influenciam
as pautas dos diversos veículos. Julgo ter esse direito, na medida em
que rádios e televisões são concessões públicas e não empresas de
caráter totalmente privado.
Sérgio
de Souza Tôrres, Rio de Janeiro – Administrador
Pergunto: A execração de Severino, com a exposição ao ridículo da
sua imagem física de matuto e o uso da expressão "baixo
clero", como se houvesse categorização de votos e de eleitores,
não é um preconceito contra os chamados "grotões", ou
municípios interioranos menos desenvolvidos? E o que pensar do
"alto clero", ao qual pertence a maioria dos que já estão
com os processos de cassação quase prontos?
Célia
Moral, Marília / SP – Professora
Aonde iremos parar com tantas submissões? Estamos vivendo essa agonia
de ficarmos calados há séculos e séculos, somos treinados a aceitar
tudo... e assim é o brasileiro. Onde já se viu o rádio, assim como
qualquer outro que tem o dever de informar ao povo fatos verídicos do
que acontece em sua cidade, não se calar apenas por "compra"
de silêncio? Para que existem os jornalistas então? Para contar
mentiras? Disso o Brasil está saturado... Temos que tomar vergonha na
cara e sairmos a luta para termos um Brasil melhor, não cedermos a
chantagens. Não importa se o ex prefeito Abelardo Camarinha era
proprietário ou não do estabelecimento lesado, o que importa é que o
Jornal Diário merece sim os parabéns e deve continuar passando a
verdade aos seus leitores, pois temos que construir uma sociedade unida
e reflexiva. Uma boa noite a todos.
Roberto
Olá Alberto Dines e José Ursílio, como você já disse muito bem no
início do programa, através da grande imprensa nós não temos
informações do que acontece em outras partes do Brasil, porque não é
divulgado. Então a minha pergunta a José Ursílio é: qual foi o fato
que desencadeou a oposição do jornal contra o Camarinha? O que teria
sido a gota d'água? Obrigado a todos.
Marcelo
Santana, Marília / SP
Caros amigos, somente reiterando as informações prestadas pelo
jornalista Oswaldo Machado, as afirmações se não forem procedentes
são no mínimo sugestivas. Observe-se que infelizmente tramita em
segredo de justiça onde figuram como co-réus tanto o ex-prefeito
Abelardo Camarinha, como o empresário (dono do jornal) Carlos Francisco
Cardoso e sua esposa, dentre outros. A acusação é de que Cardoso era
testa-de-ferro de Camarinha, por isso seu domínio pelos órgãos de
imprensa, o que vai contra as afirmações de Ursílio de que o jornal
teria dado um tempo ao prefeito. Na verdade, houve um rompimento por
motivos que não importa salientar no momento. A partir desse momento,
próximo das eleições próximas passadas, o jornal Diário de Marília
passou a criticar veemente o ex-prefeito Abelardo Camarinha. Cabe
lembrar que tal rompimento foi absolutamente possível, já que o jornal
já estava em nome de Carlos Francisco Cardoso. Queira ou não, hoje o
jornal paga por um crime que ele mesmo cometeu. A criatura voltou-se
contra o criador. O jornal, podemos dizer, não pertence mais à
Camarinha, tanto é que este voltou sua ira contra o jornal, sendo o
principal suspeito de ser mandante do atentado. Em suma, o jornal foi um
dos órgãos que, ao tempo que bem dizia o prefeito, auxiliou o mesmo a
ter os poderes que hoje tem e se achar o dono da cidade. O Twin Peaks,
ou Faroeste Paulista, também foi propiciado, caros amigos, pela
ausência de atuação e morosidade do Poder Judiciário que levou mais
de 15 anos para condenar Camarinha em pelo menos uma de suas mais de 100
ações judiciais. Abraços.
Ricardo
Prezados srs e sras, todos nós sabemos que o DNA da imprensa é o Ibope,
no caso da televisiva; da escrita, a venda de exemplares. Nada contra.
Nos últimos 3 ou 4 meses, nossos congressistas monopolizam a mídia.
Nem mesmo uma nova Tsunami teria um grande impacto hoje em dia. Não me
surpreende. A mídia tem tanto o poder de colaborar quanto de atrapalhar
o desenvolvimento de uma nação. No caso citado acima, Marília e
Pará, parece que perdemos nossa noção dos valores éticos, morais e
de liberdade. No caso, liberdade não só da imprensa, mas do povo. Os
valores da sociedade ficaram para um segundo ou terceiro plano. E por
isso talvez, a mídia não sentiu-se tocada pois ela, a mídia, também
é sociedade. E a sociedade está atrofiando sua capacidade de
sensibilizar-se com seus próprios valores. E isso é em todo o mundo. A
mídia como um todo, tem uma oportunidade, por que não, uma
responsabilidade de provocar uma epidemia global de valorização desses
valores: valorizar o ser, não o ter! Nossas vidas serão bem melhores,
inclusive das pessoas que fazem a mídia.
Angelica
Caro
Alberto Dines, a imprensa cria, diariamente, sem a menor
responsabilidade, bolas de neve para muita gente, sendo que muitas vezes
a avalanche criada pela imprensa é fatal! Veja bem, sou totalmente
contra o que aconteceu em Marília, com a mesma intensidade com que,
também, sou totalmente contra uma imprensa irresponsável. A mídia é
o maior poder do nosso país e não pode se dar ao luxo de ser
irresponsável.
Edson
Quadros, Brasília / DF
Bom dia, sou jornalista e trabalho em assessoria de imprensa. Trabalhei
sempre 8 horas por dia, comprovado em folha de ponto que assinava todo
dia. Gostaria de saber se tenho direito a receber as horas extras, já
que a carga horária de jornalista é de 5 horas diárias. Obrigado.
Telefonemas:
Cardoso
Lima, Marília / SP
Ghedini, já que a pressão dos políticos é muito grande nas pequenas
cidades, o que pode ser feito para que isso tudo não termine em pizza?
Máximo
Neto, Bezerros / PE
José Ursílio, o senhor falou que a imprensa tem que fiscalizar os
administradores. Mas e quando o meio de comunicação pertence a
políticos? Isso acontece?
Eduardo
Felipe, Rio de Janeiro
Maurício Azêdo, nesses casos de empastelamento de jornais, o senhor
não acha que a imprensa é pouco solidária?
João
Paulo, Marília / SP
José Ursílio, por que houve uma procuração do atual dono do jornal,
senhor Cardoso em favor do filho do ex-prefeito Camarinha, dando poder
de assinar cheques, vender e comprar bens em nome do jornal? Se o
Camarinha não é dono, como é que tinha essa procuração?
Pedro
Camacho, Marília / SP
José Ursílio, o redator-chefe Rogério Martinez não seria um
funcionário fantasma da prefeitura de Marília?
Joel
Cavalcanti, João Pessoa / PB
A pressão política sobre os veículos também não é proveniente dos
próprios órgãos, uma vez que vendem suas linhas editoriais?
Paulo
Garcia, Londrina / PR
O jornal era imparcial em relação aos políticos ou era favorecido por
alguma administração?
Geraldo
Charles, Fortaleza / CE
José Ursílio, o que aconteceu para o jornal deixar de apoiar o
prefeito e passar a criticá-lo?
Itacy
Vilela, Belo Horizonte / MG
A política local e o Poder Judiciário estão agindo de forma correta
ou estão sendo coniventes com os criminosos?
Marco
Antônio Resende, Belo Horizonte / MG
Dines, a rádio e a tv comunitárias são um meio de aproximar a
imprensa da sociedade?
Wilmer
Barros, Belo Horizonte / MG
Dines, por que a imprensa acha que está acabando com a liberdade de
imprensa, mesmo sabendo que a maioria das empresas de comunicação
está ligada a empresários e deputados?
Marcelo
Emanuel, Brasília / DF
Qual é a função do jornal de Marília na cidade?
Miria
Dias, Florianópolis / SC
Gostaria de sugerir um programa com debate sobre Sionismo Internacional.
Bernardo
Lages, São Carlos / SP
Dines, o problema do Severino Deputado é de Pernambuco, mas você não
acha que eleger o Severino para presidente da Câmara não seria um
problema de todo país?
Gildonido
Motta, Cambuquira
Maurício Azêdo, o motivo da pequena imprensa não cobrir esses fatos
não estaria relacionado ao fato de ela não ser parte da grande mídia?
Avelar
Tinto, Teresina / PI
José Ursílio, por que a imprensa está dando tanta ênfase ao
ex-deputado Roberto Jefferson, já que ele está sendo politicamente
cassado?
Valdite
Oliveira, Fortaleza / CE
Parabéns, Dines! O programa deveria ter mais tempo de duração e ser
transmitido também em outros dias da semana.