PROGRAMA DO DIA 13 de setembro de 2005

MÍDIA E SEVERINO CAVALCANTI

O Observatório da Imprensa debateu o papel da mídia no saneamento das instituições, com o enfoque da crise na presidência da Câmara dos Deputados.

O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, foi acusado de receber 10 mil reais do proprietário do restaurante da Câmara para manter o contrato do empreendimento até 2005.

Severino Cavalcanti passou a ser o foco da crise depois de conceder uma entrevista à Folha de S. Paulo em que disse não acreditar em mensalão e também que apoia uma pena branda para os envolvidos. Isto foi o suficiente para uma forte reação na Câmara.

O Deputado Federal Fernando Gabeira discutiu em plenário com Severino. Logo depois, o Deputado Gabeira e vários parlamentares da oposição se juntaram para pedir a cassação do presidente da Câmara.

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

ANJ E DIÁRIO DE MARÍLIA
Tudo como no melhor dos mundos
Alberto Dines

Estranha, muito estranha, a reação dos nossos combativos jornalões ao atentado terrorista contra o Diário de Marília, do interior de São Paulo. A ação dos gangsteres ocorreu na madrugada de quinta-feira (8/9).

Leia na íntegra

A imprensa trata Severino Cavalcanti com isenção?

Resultado:

Sim: 24%

Não: 76%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Editorial:

Bem-vindos ao "Observatório da Imprensa".

Você sabe o que significa empastelar? O verbo caiu em desuso, mas no passado o empastelamento de jornais era muito comum. Quando alguém queria calar um jornal, convocava um bando de desocupados para invadir as oficinas e espalhar as caixas de tipos pelo chão. O jornal ficava dias, semanas, às vezes meses, fora de circulação. Na quinta feira passada, em Marília, interior de São Paulo, o Diário de Marília e duas rádios da mesma empresa foram empastelados através de um incêndio criminoso. Está na moda culpar a mídia por todos os males e ninguém se dá conta de que certas cruzadas contra a imprensa às vezes descambam em empastelamentos.


Leia na íntegra

ECOS DO KATRINA
Notícias diárias do inferno
Muniz Sodré (*)

Conta-se que, durante a Guerra da Secessão americana (1861-5), o general William Sherman (1820-1891), comandante das forças do Norte, foi informado de que os rebeldes sulistas haviam executado três jornalistas. Sua reação: "Ótimo. De agora em diante, vamos ter notícias do inferno antes do café da manhã".

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

MÍDIA E SEVERINO CAVALCANTI

O Observatório da Imprensa do dia 13 de setembro de 2005 debateu o relacionamento da mídia com o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti.

Alberto Dines, em seu editorial, disse: "Severino Cavalcanti caiu de pára-quedas no meio da crise e de repente percebe-se que ele é a própria encarnação da crise. A imprensa e a oposição não pensam em outra coisa senão cassá-lo. O Governo não pensa em outra coisa a não ser mantê-lo".

Participaram, em Brasília, o jornalista Fernando Rodrigues; em São Paulo, o diretor executivo da ONG Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo; e no Rio de Janeiro, o jornalista Milton Temer.

Fernando Rodrigues, respondendo a Dines sobre o relacionamento da imprensa com o presidente da Câmara e sobre o comportamento de Severino Cavalcanti com a repórter da Folha de S. Paulo, Mônica Carvalho, afirmou: "O Poder Legislativo, em geral, é retratado por nós todos na mídia como tendo ali, muitos deputados de baixo nível, senadores, que talvez não devessem ser senadores. O relacionamento da mídia com deputados e senadores é o melhor possível entre os poderes. O Poder Legislativo é o mais aberto de todos, por isso talvez é o que parece ter mais corrupção, quando na realidade, muitas vezes, ele não é apenas, sozinho, responsável por todas essas coisas ruins que temos noticiado. Não sei se acho lamentável aquele episódio em que Severino Cavalcanti chega a ser brusco com a repórter Mônica Carvalho, mas gostaria de ver o outro lado da moeda. Ele apareceu para mostrar como ele é, e acabou se sujeitando a ser sabatinado pelos repórteres que estavam presentes. Acho que Severino, de fato, não é uma pessoa que deveria estar presidindo a Câmara dos Deputados, que merecia alguém mais sofisticado; agora, daí a concluir que ele recebeu o mensalinho por conta dos indícios que apareceram... Fazendo um mea culpa da mídia inteira, acho que houve talvez alguns comportamentos que deveriam ser mais bem dosados".

Sobre a cobertura da imprensa no caso de Severino, Claudio Weber Abramo explicou: "Esse caso me parece não muito bem esclarecido em termos da sua mecânica, a imprensa está cobrindo-o muito na superfície, há uma falta de preparo da imprensa, de um lado justificável, pelo atropelo dos acontecimentos, mas por outro lado não é muito desculpável. A imprensa não é um tribunal, a instrução de processos na imprensa não se dá como na Justiça, como a instrução de processos na Câmara dos Deputados também não. A obtenção de provas de corrupção é muito difícil, no caso em questão, a única maneira de provar se o Severino teria recebido dinheiro do Sebastião Buani, seria se o fato tivesse sido filmado, o que não aconteceu. Esperar que apareça uma prova material e contornável de um caso como esse, é uma esperança baldada, isso não vai acontecer".

Milton Temer falou sobre a cobertura da imprensa no caso da discussão entre Fernando Gabeira e Severino: "O Gabeira tem razão naquilo que ele diz, que foi preciso a televisão repercutir, porque a imprensa só vai cobrir Plenário da Câmara quando há um grande tema em discussão. No caso da forma grosseira como Severino respondeu à Mônica, eu gostaria de ver sempre esta coragem dos jornalistas diante das autoridades. Não só diante do Severino, mas diante do Palocci, do Guido Mantega, do Presidente da República, porque, nesses casos, não existe essa réplica."

Fernanda Carvalho Jorge (estagiária)


EDITORIAL

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Você sabe o que significa empastelar? O verbo caiu em desuso, mas no passado o empastelamento de jornais era muito comum. Quando alguém queria calar um jornal, convocava um bando de desocupados para invadir as oficinas e espalhar as caixas de tipos pelo chão. O jornal ficava dias, semanas, às vezes meses, fora de circulação. Na quinta feira passada, em Marília, interior de São Paulo, o Diário de Marília e duas rádios da mesma empresa foram empastelados através de um incêndio criminoso. Está na moda culpar a mídia por todos os males e ninguém se dá conta de que certas cruzadas contra a imprensa às vezes descambam em empastelamentos.

O país está horrorizado com a bárbara chacina ocorrida no último sábado na zona leste de São Paulo que tirou a vida de cinco pessoas de uma família de origem japonesa. Acontece que a grande imprensa paulistana até hoje recusa-se a levar esta violência para as suas primeiras páginas, deixou-a nas páginas internas dos cadernos locais. Não queriam chocar os seus delicados leitores. No Rio, o compromisso de noticiar tudo o que acontece com o destaque merecido não favorece a imagem da ex-cidade maravilhosa mas, em compensação, revela um jornalismo veraz e responsável.

As redações dos telejornais estão revoltadas com as facilidades obtidas pela Rede Globo para registrar com exclusividade a prisão de Flávio Maluf, filho do ex-prefeito. A revolta é legítima mas o autor do furo, o repórter Cesar Tralli aproveitou a oportunidade e cumpriu com a sua obrigação. Quem errou foi a Polícia Federal que atropelou o sagrado princípio da isonomia e premiou apenas a Rede Globo.

Os protagonistas da crise política são trocados todas as semanas há quatro meses consecutivos - já tivemos Jefferson, Marcos Valério, Fernanda Karina, Delúbio, Silvinho, Dirceu e tantos outros e outras. Mas há dez dias os holofotes estão fixados numa figura que em fevereiro passado foi considerado apenas como uma figura folclórica.

Severino Cavalcanti, presidente da Câmara, passou a encarnar a própria crise desde o momento em que numa entrevista à "Folha" sugeriu penas brandas para os parlamentares envolvidos no mensalão. A permanência de Severino na presidência da Câmara depende da comprovação das denúncias de "Veja" e "Época" de que beneficiava-se de um mensalinho pago pelo dono dos restaurantes da Câmara. Mas na verdade o mensalinho de Severino é apenas o pretexto para neutralizar a única instância capaz de transformar esta sucessão de escândalos em pizza.

Severino caiu de pára-quedas no meio da crise e de repente percebe-se que ele é a própria encarnação da crise. A imprensa e a oposição não pensam em outra coisa senão cassá-lo, o Governo não pensa em outra coisa a não ser mantê-lo.


ARTIGO
Por Alberto Dines

ANJ E DIÁRIO DE MARÍLIA
Tudo como no melhor dos mundos
Alberto Dines

Estranha, muito estranha, a reação dos nossos combativos jornalões ao atentado terrorista contra o Diário de Marília, do interior de São Paulo. A ação dos gangsteres ocorreu na madrugada de quinta-feira (8/9).

Considerando as circunstâncias (assaltantes armados, dispostos a destruir o prédio) e considerando a dimensão (foram atacados três veículos jornalísticos da mesma empresa numa cidade de porte médio no interior paulista), o episódio não tem precedentes desde a redemocratização. Apesar disso nem a Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo ou Globo levaram o assunto para a primeira página da sexta-feira.

Neste mesmo dia, fim da tarde, o presidente Lula recebeu no Planalto uma imponente delegação de 16 representantes da Associação Nacional de Jornais (ANJ). Visita agendada há alguns dias, aproveitou-se para tratar do atentado.

A nota oficial da entidade jornalística divulgada foi um primor de concisão – 111 palavras:

A Diretoria e o Conselho de Administração da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) estiveram hoje com o excelentíssimo senhor presidente da República, atendendo a convite por ele formulado.

No encontro, o presidente expôs sua visão do momento político e econômico do País. A ANJ, por sua vez, manifestou sua confiança no funcionamento das instituições, incluindo a imprensa livre, que vêm cumprindo seu papel dentro da normalidade.

Entre outros temas, foi abordada a importância dos jornais como instrumento de construção da cidadania e na formação de novos leitores.

O presidente comentou o atentado sofrido ontem pelo jornal "Diário de Marília" e informou que a Polícia Federal foi instruída a acompanhar as investigações. [Brasília, 9 de setembro de 2005 – Nelson P. Sirotsky – Presidente da ANJ ]

A reação dos jornalões no dia seguinte ainda foi mais estranha:

** A Folha destacou a notícia da audiência em matéria nos confins do primeiro caderno (pág. A 14) com um título onde não se fala em atentado nem no papel da imprensa na crise política ("Câmara deve resposta à sociedade, diz Lula"). Grande parte do espaço concedido à notícia foi ocupado em nomear os 16 representantes da ANJ e os respectivos jornais.

** A matéria do Estadão foi encaixada num pé-de-página (A 13) sem nenhum referência à reunião com Lula: tratou apenas das diligências policiais e da captura de um suspeito.

** O Globo remeteu a notícia do encontro com a ANJ para o fim do primeiro caderno (pág. 13, parte inferior) com um título "Lula defende liberdade de imprensa" e um entretítulo muito suspeito – "Lula não criticou imprensa na cobertura da crise".

Satisfação suspeita

Tanto no sábado como no domingo, o G-3 da mídia diária absteve-se de comentar o atentado em suas páginas de opinião. E evaporou-se o noticiário sobre as diligências policiais para identificar/prender criminosos e/ou mandantes.

Acontece que dias antes, em pelo menos duas ocasiões, o presidente da República criticou abertamente a imprensa justamente por causa da cobertura da crise política. E não foi de passagem, foi para valer.

Acontece que não foi o presidente Lula quem formulou o convite à ANJ, foi a ANJ quem solicitou a audiência (no regime democrático o governo não convoca os donos de jornal).

Acontece que a morna repercussão do audiência não foi acidental, foi combinada.

Acontece que um atentado terrorista contra uma empresa jornalística costuma provocar reações mais veementes das entidades e dos veículos de comunicação.

Acontece que tudo isso está parecendo uma grande encenação – o governo finge que está satisfeito com o desempenho da mídia, a mídia finge que está satisfeita com o respeito do presidente pela imprensa e, sendo assim, todos vão para casa curtir o fim de semana como se vivêssemos no melhor dos mundos.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

ECOS DO KATRINA
Notícias diárias do inferno
Muniz Sodré (*)

Conta-se que, durante a Guerra da Secessão americana (1861-5), o general William Sherman (1820-1891), comandante das forças do Norte, foi informado de que os rebeldes sulistas haviam executado três jornalistas. Sua reação: "Ótimo. De agora em diante, vamos ter notícias do inferno antes do café da manhã".

É ambíguo o sentido da história. Primeiro insinua que, morrendo, o jornalista vai para o inferno. Ao mesmo tempo, porém, deixa implícito um diagnóstico sobre a profissão: jornalista é aquele sujeito que relata preferencialmente os fatos negativos do mundo. Inferno é pura negatividade frente aos valores cristãos.

Isto vem a propósito da cobertura diária da catástrofe em Nova Orleans. Frente aos textos e imagens, a consciência reflexiva do leitor termina aproximando-se da idéia de inferno. Não, entretanto, como metáfora da atividade jornalística, e sim como evocação de uma realidade presente na pátria que o general Sherman ajudou a construir. Um exemplo: "Com capacidade para 70 mil pessoas, o estádio de futebol americano (Superdome Arena) era, supostamente, o abrigo mais seguro contra o furacão Katrina. Tornou-se um retrato do inferno" (Época, 5/9/2005).

A matéria comentava o relato de uma brasileira que conseguiu sobreviver aos estupros e ao horror das brigas, em que "as pessoas se matam por água, por comida, por um banco um pouco mais limpo, longe dos cadáveres e das fezes que tomam conta do estádio".

São de fato brutais os acontecimentos. À fúria destrutiva do furacão sucedeu-se a extrema barbárie humana sob forma de invasões de residências, pilhagens, agressões e assassinatos impiedosos. Matava-se por uma garrafa de água, crianças de cinco anos eram estupradas e degoladas, e as hordas ferozes nem sempre recuavam ante o fogo militar. Vale como resumo a frase de um soldado da Guarda Nacional, recém-chegado de Bagdá: "É inimaginável o que se passa aqui. É pior do que a guerra no Iraque" (O Globo, 8/9/2005).

Sede própria

Os americanos estão de certo modo habituados, em termos de real e de imaginário, à experiência da abolição da sociabilidade logo após uma catástrofe. Imaginária foi a invasão dos marcianos, em 1938, irradiada por Orson Welles; reais foram o pânico e as mortes nas multidões em fuga. Real foi o apagão em Nova York no fim dos anos 1970, reais foram os estupros e as pilhagens, imaginárias foram algumas das causas apontadas, dentre as quais a suposta ação de alienígenas. Fictícias são as variadas situações catastróficas com que o cinema americano costuma entreter o seu público. Assustadoramente reais foram a destruição das torres do World Trade Center e as suas conseqüências político-institucionais.

Mas algo a que o imaginário da superpotência não está acostumado é a constatação de sua impotência frente à realidade da catástrofe dentro de seu próprio território. E um primeiro julgamento nos leva à convicção de que a matéria-prima da barbárie é tão constante nos centros capitalistas avançados quanto nas regiões ditas "atrasadas" do mundo.

O horripilante massacre em Ruanda está no mesmo plano de desumanidade que o das matanças na Bósnia, no Iraque ou nos assassinatos em Nova Orleans. Após o furacão, no vazio da eletricidade (logo, da geladeira, da televisão, da iluminação controladora), aparecem os monstros, como num filme de terror de Romero. É como se o progresso e a técnica, entregues apenas a si mesmos, possam perder a qualquer instante a sua fina crosta civilizada, a exemplo da pele que a serpente, periodicamente, abandona.

O segundo julgamento é de natureza política. Não é possível dissociar o tamanho da catástrofe da indiferença da ordem neoliberal para com o destino das populações mais pobres. Fica patente no noticiário que o governo Bush, com seu abandono da perspectiva de bem-estar social, obsessivamente voltado para as finanças e a guerra, é tão catastrófico quanto o furacão Katrina.

O terceiro tem a ver com a produção de notícias. De um modo geral, a cobertura jornalística, sem qualquer viés ideológico, por meio do simples relato dos fatos, conseguiu mostrar algo de que talvez não suspeitasse o general Sherman: o inferno não tem sede própria, nem é preciso que um jornalista morra para dele se ter notícias. Inferno é o que se produz no vazio da grande política, da consciência ética e da qualidade humana.

(*) Jornalista, escritor, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

Rio de Janeiro:

Milton Temer - Jornalista
"Adoro estar aqui nesse programa, pois tenho um enorme carinho pelo Dines e acho que o Observatório discute assuntos bastante interessantes".


PERGUNTAS

E-mails:

Laira Magalhães, Belo Horizonte / MG
Olá, gostaria de sugerir ao programa Observatório da Impressa que debatesse mais o assunto "Jornalismo x Publicidade", ou seja, a publicidade de hoje tem ultrapassado os limites da ética jornalística? Estou fazendo um projeto experimental sobre este assunto e gostaria muito da ajuda deste programa com tanta credibilidade.

Beatriz Mafra
Na Band News mesmo quando se fala de outro assunto, outra pessoa, outra estória, pode-se esperar que lá vem críticas ao Presidente Lula. E quanto ao Bóris Casoy, sem comentários. Quem sabe será por isto que o Presidente Lula procure se manter longe da imprensa?
Viva a crise. Se a crise servir para que Paulo Maluf pague enfim os seus pecados, viva a crise. É, primeiro elegeram o Severino Cavalcanti, depois votaram o aumento do salário mínimo, depois votaram contra o veto do aumento do legislativo e agora querem que o Severino Cavalcanti saia para que o PFL assuma a presidência da Câmara. Golpe após golpe. Uma imaturidade total. E dizem que é tudo pelo bem do Brasil. Acredite quem quiser. Esse restaurante da Câmara deve ser o negócio do ano, da China e de outras paragens, para sobrar dez mil reais, todo mês, para pagar propina. Quando o atual dono perder a concessão, vai ser uma grande corrida. É interessante que a mídia - sempre pródiga em classificar os discursos de infantis, desvio de foco, populista etc. - desta vez, não podendo fazer nenhuma dessas classificações, se esqueça de que também pode falar bem, elogiar etc.

Sérgio de Souza Tôrres, Rio de Janeiro
Não cabe à imprensa manipular opiniões contra ou a favor de quem quer que seja, mas tão somente apurar, analisar, noticiar e opinar. A maior prova de que há uma orquestração contra Severino é o fato de que nesta semana duas revistas concorrentes, Época e Isto É saíram com capas idênticas nas chamadas e nas fotos. Os chefes de qualquer dos três - e não quatro - poderes da República só podem ser afastados mediante rito constitucional próprio. O resto é ditadura.

Adenio
Perguntas ao Milton Temer:
1) O hoje PSOL, com a veemência traduzida à época pela Senadora Heloísa Helena, já não sabia dos indícios do mensalão?
2) É coincidência um ex-ministro da justiça do governo Collor estar na presidência do Senado?
3) É coincidência um ex-ministro da Justiça, suspeito de contrabando de pedras preciosas, na mesa da CPI?
4) É interessante o Sr. Antônio Luis Fleury Filho, que deixou o governo do Estado de São Paulo, se gabar hoje em dia na TV que é o sumo da honestidade.
5) O Lula assinou medida provisória proibindo os bingos, deixando mais de 300 mil pessoas desempregadas. No entanto, a boca miúda, corre no plenário aprovação de uma nova loteria... Me explica!

Fernando M. Velloso, Rio de Janeiro – Psiquiatra
Os deputados querem queimar o Severino. Nada mais justo! Agora, acho que os nossos patrióticos políticos deveriam se perguntar o porquê do Severino ter sido eleito. Foi divulgado que o Severino, como promessa de campanha, prometera um aumento ao já polpudo salário dos parlamentares. Pergunto: será que a cassação do Severino não deveria ser estendida aos cerca de trezentos deputados que o elegeram, seduzidos por uma promessa que lesaria os cofres públicos?

Arnon Silas
Será que alguns jornalistas, por ordem, pegam no pé do Severino, pelo fato dele não ser culto? E se vivemos em um país que foi pedido a democracia, na qual consequentemente ele foi eleito pelos colegas da casa, isso não contradiz tudo o que a própria imprensa diz que pediu durante vários anos?

Jandira Nascimento, Varzedo / BA
A forma "estranha" e, por vezes, "bizarra" que a imprensa tem tratado e transmitido a crise, como bem a qualificaram os ilustres participantes Milton e Claudio, só tem agravado e muito a conceituação equivocada da maioria da população a respeito do papel da imprensa frente à opinião pública: "por que explicar se é bem mais fácil confundir?"

Gusthavo Corrêa, Belo Horizonte / MG – Estudante Jornalismo
Dines, a imprensa tem atuado coerentemente como quarto poder que é, ao julgar, condenar, eleger e depor políticos, vide os casos mensalão e mensalinho?

André
Por gentileza, discutir o papel da imprensa no caso do mensalão do Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Agradecido.

Jota Bezerra
Está-se discutindo um fato, esquecendo-se as circunstâncias em que ocorreu, circunstâncias que dão sentido à acusação. Veja-se: O contrato celebrado entre a Câmara e o dono do Restaurante Fiorela venceu em 2002. O discutido "documento" assinado pelo então Secretário da Câmara, Dep. Severino Cavalcanti, autoriza a prorrogação do prazo contratual até 2005. Se esse documento é falso, não terá havido tal autorização. A que título então o contrato (vencido e não prorrogado, segundo a versão do Dep. Severino) foi mantido até hoje? Não há notícia de que a Câmara haja tomado qualquer providência consentânea com essa versão. Se o restaurante permaneceu funcionando até hoje, é evidente que o contrato foi prorrogado, correta ou incorretamente, formal ou informalmente. Seja como for, necessariamente com a autorização - ou pelo menos a conivência do Presidente da Câmara.

Artur da Costa Rego, Rio de Janeiro
Que bom seria se nós tivéssemos um presidente com descomprometimento que o permitisse fechar o Congresso e convocar novas eleições com novas regras. Brasília é um saco sem fundo, um ralo aberto, um derrame do dinheiro suado dos nossos impostos. Creio que R$ 50.000,00 é um bom salário para deputados federais, desde que o gasto do governo com eles seja somente este salário. Se o parlamentar quiser ter um, dois ou três secretárias e/ou assessores, que o faça com seu dinheiro. Se quiserem passagens, selos, combustível, carro, serviços gráficos, etc, que o façam com recursos próprios.

Gildson Gomes dos Santos, Ribeira do Pombal / BA
A impressão que tenho é que a grande mídia não está apenas pautando, mas também manipulando os fatos. Será que o Severino não está sendo a válvula de escape para que a mídia fuja do dever de investigar as notas frias do Planalto? Infelizmente estamos vivenciando a República dos PeTequeiros. A Presidência está se comportando como prefeitura de 5ª.

Claudio Raeder, São José dos Campos / SP
Claudio Abramo, vocês falam como se toda imprensa fosse racional. Quanto isso é verdade? Qual a parcela de jornalistas isentos e realmente profissionais?

Rhai Barroso
Olá meus amigos do Observatório da Imprensa! Eu gostaria de dar a minha opinião sobre o papel da imprensa, que deixa muito a desejar quanto a divulgar melhor e esclarecer a população. Por exemplo: quando a imprensa mostra ou fala sobre um deputado, ou seja lá o que ele é, o que ele tem feito de forma irresponsável, a imprensa tanto falada, escrita e televisiva, muito mal, só fala o nome e o partido ao qual ele pertence. O povo, a população não sabe o estado e o município que o elegeu. Quem ganha com isso? O Deputado ou o povo? É claro que é o político. Porque a população foi mal informada quanto à sua origem, o seu município e região que o elegeu. A imprensa precisa interagir melhor com a população, colocando as palavras na boca das pessoas e dando sugestões de repúdio a tudo isso que está aí. Por exemplo: você, nobre eleitor de tal lugar, olha só o comportamento do deputado ou senador que você votou, pois o que ele está fazendo não vem de encontro com os seus anseios, ou melhor, está dificultando a sua vida e de toda a população. Não sendo assim, o modelo perverso, criminoso e assassino continua. Saúde a todos e muito obrigado.

Alcino Firmo dos Santos
A "grande imprensa" tomou caráter golpista. Odeia Severino Cavalvanti e quer a queda do Governo Lula. Não sou petista. Votei no PT por falta de melhor opção. Os grande letrados sempre fizeram assim, sempre se locupletaram do Estado. Agora querem dar uma de santos. Somos contra todo e qualquer tipo de roubo. Mas no Governo FHC, se comprou voto, se fez todo tipo de falcatrua e tudo foi abafado. Estamos em campanha política suja. Grandes repórteres da dita grande imprensa se venderam a serviço dos senhores de sempre. Sempre houve os caixas 2. Cabe perguntar: a quem interessa a denúncia do irmão de Palocci? Quem alimenta a caixa do Marcos Valério, de onde vem o dinheiro? Com certeza não é só de estatais. Ou será que a imprensa pensa que somos todos burros?


Telefonemas:

Fernando Ramos, São Luís / MA
Milton Temer, na sua opinião como ex-parlamentar, se o Severino estivesse na oposição a Lula, será que os deputados e a própria mídia estariam nesta campanha tão veemente pela deposição dele?

João Marinho, Rio de Janeiro
Cláudio Weber, com toda esta pressão da mídia, o Congresso corre o risco de cassar Severino Cavalcanti, mesmo sem provas concretas?

Paulo Cunha, Juiz de Fora / MG
Fernando Rodrigues, o senhor disse que o relacionamento entre parlamentares e jornalistas é bom. Isso não acontece muitas vezes por interesse, para que eles possam ter uma maior exposição na mídia?

Zélia Silva Pereira, Divinópolis / MG
Fernando Rodrigues, parabéns, estou admirada em ver um jornalista tão sensato enriquecendo o debate de maneira tão ponderada. É de jornalistas como você que precisamos.

Camilo César Alvarenga, Feira de Santana / BA
Essa não é uma tentativa da imprensa e do PT de desviar o foco que está sobre o presidente Lula?

Ana Maria Emer, Caxias do Sul / RS
Milton Temer, não estaria na hora da imprensa ter ética, já que ela cobra tanto dos políticos? Por que ela joga as acusações sem provas contra os outros?

Lúcio Evandro Silveira, Fortaleza / CE
Fernando Rodrigues, os três garçons "testemunhas" não teriam provas suficientes contra o Severino?

Carlos Roberto Soares, Butantã / SP
Não está na hora da imprensa, independente de crises, começar a fazer uma fiscalização mais intensa sobre os políticos e mostrar que não é possível eleger representantes que não sabem português?

Edson Tavares, Rio de Janeiro
Milton Temer, qual motivo te levou a sair do PT?

Eugênio Dias, Ceará
O Severino Cavalcanti foi eleito pela proposta de aumento de salário dos deputados ou a oposição o elegeu para fazer gozação do governo?

Danilo Carvalho, Tiradentes / MG
Não é um desperdício utilizar a TV pública para discutir um político tão desprezível como o Severino Cavalcanti?

Evandro Nobre, Fortaleza / CE
Fernando Rodrigues, a reportagem da Carta Capital foi uma reportagem pró-governo ou isenta?

Marcelo Carvalho, Recife / PE
Fernando Rodrigues, até que ponto e de que forma a imprensa influencia na opinião pública à frente da Presidência da Câmara?



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