RESUMO DO PROGRAMA
MÍDIA E SEVERINO CAVALCANTI
O
Observatório da Imprensa do dia 13 de setembro de 2005 debateu o
relacionamento da mídia com o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti.
Alberto
Dines, em seu editorial, disse: "Severino Cavalcanti caiu de pára-quedas
no meio da crise e de repente percebe-se que ele é a própria encarnação
da crise. A imprensa e a oposição não pensam em outra coisa senão
cassá-lo. O Governo não pensa em outra coisa a não ser mantê-lo".
Participaram, em Brasília, o jornalista Fernando Rodrigues; em São
Paulo, o diretor executivo da ONG Transparência Brasil, Claudio Weber
Abramo; e no Rio de Janeiro, o jornalista Milton Temer.
Fernando
Rodrigues, respondendo a Dines sobre o relacionamento da imprensa com o
presidente da Câmara e sobre o comportamento de Severino Cavalcanti com
a repórter da Folha de S. Paulo, Mônica Carvalho, afirmou: "O Poder
Legislativo, em geral, é retratado por nós todos na mídia como tendo
ali, muitos deputados de baixo nível, senadores, que talvez não devessem
ser senadores. O relacionamento da mídia com deputados e senadores é o
melhor possível entre os poderes. O Poder Legislativo é o mais aberto de
todos, por isso talvez é o que parece ter mais corrupção, quando na
realidade, muitas vezes, ele não é apenas, sozinho, responsável por
todas essas coisas ruins que temos noticiado. Não sei se acho lamentável
aquele episódio em que Severino Cavalcanti chega a ser brusco com a
repórter Mônica Carvalho, mas gostaria de ver o outro lado da moeda. Ele
apareceu para mostrar como ele é, e acabou se sujeitando a ser
sabatinado pelos repórteres que estavam presentes. Acho que Severino, de
fato, não é uma pessoa que deveria estar presidindo a Câmara dos
Deputados, que merecia alguém mais sofisticado; agora, daí a concluir
que ele recebeu o mensalinho por conta dos indícios que apareceram...
Fazendo um mea culpa da mídia inteira, acho que houve talvez alguns
comportamentos que deveriam ser mais bem dosados".
Sobre a
cobertura da imprensa no caso de Severino, Claudio Weber Abramo
explicou: "Esse caso me parece não muito bem esclarecido em termos da
sua mecânica, a imprensa está cobrindo-o muito na superfície, há uma
falta de preparo da imprensa, de um lado justificável, pelo atropelo dos
acontecimentos, mas por outro lado não é muito desculpável. A imprensa
não é um tribunal, a instrução de processos na imprensa não se dá como
na Justiça, como a instrução de processos na Câmara dos Deputados também
não. A obtenção de provas de corrupção é muito difícil, no caso em
questão, a única maneira de provar se o Severino teria recebido dinheiro
do Sebastião Buani, seria se o fato tivesse sido filmado, o que não
aconteceu. Esperar que apareça uma prova material e contornável de um
caso como esse, é uma esperança baldada, isso não vai acontecer".
Milton
Temer falou sobre a cobertura da imprensa no caso da discussão entre
Fernando Gabeira e Severino: "O Gabeira tem razão naquilo que ele diz,
que foi preciso a televisão repercutir, porque a imprensa só vai cobrir
Plenário da Câmara quando há um grande tema em discussão. No caso da
forma grosseira como Severino respondeu à Mônica, eu gostaria de ver
sempre esta coragem dos jornalistas diante das autoridades. Não só
diante do Severino, mas diante do Palocci, do Guido Mantega, do
Presidente da República, porque, nesses casos, não existe essa réplica."
Fernanda
Carvalho Jorge (estagiária)
EDITORIAL
Bem-vindos
ao Observatório da Imprensa.
Você
sabe o que significa empastelar? O verbo caiu em desuso, mas no passado
o empastelamento de jornais era muito comum. Quando alguém queria calar
um jornal, convocava um bando de desocupados para invadir as oficinas e
espalhar as caixas de tipos pelo chão. O jornal ficava dias, semanas,
às vezes meses, fora de circulação. Na quinta feira passada, em Marília,
interior de São Paulo, o Diário de Marília e duas rádios da mesma
empresa foram empastelados através de um incêndio criminoso. Está na
moda culpar a mídia por todos os males e ninguém se dá conta de que
certas cruzadas contra a imprensa às vezes descambam em
empastelamentos.
O país
está horrorizado com a bárbara chacina ocorrida no último sábado na
zona leste de São Paulo que tirou a vida de cinco pessoas de uma família
de origem japonesa. Acontece que a grande imprensa paulistana até hoje
recusa-se a levar esta violência para as suas primeiras páginas,
deixou-a nas páginas internas dos cadernos locais. Não queriam chocar
os seus delicados leitores. No Rio, o compromisso de noticiar tudo o que
acontece com o destaque merecido não favorece a imagem da ex-cidade
maravilhosa mas, em compensação, revela um jornalismo veraz e responsável.
As redações
dos telejornais estão revoltadas com as facilidades obtidas pela Rede
Globo para registrar com exclusividade a prisão de Flávio Maluf, filho
do ex-prefeito. A revolta é legítima mas o autor do furo, o repórter
Cesar Tralli aproveitou a oportunidade e cumpriu com a sua obrigação.
Quem errou foi a Polícia Federal que atropelou o sagrado princípio da
isonomia e premiou apenas a Rede Globo.
Os
protagonistas da crise política são trocados todas as semanas há
quatro meses consecutivos - já tivemos Jefferson, Marcos Valério,
Fernanda Karina, Delúbio, Silvinho, Dirceu e tantos outros e outras.
Mas há dez dias os holofotes estão fixados numa figura que em
fevereiro passado foi considerado apenas como uma figura folclórica.
Severino
Cavalcanti, presidente da Câmara, passou a encarnar a própria crise
desde o momento em que numa entrevista à "Folha" sugeriu
penas brandas para os parlamentares envolvidos no mensalão. A permanência
de Severino na presidência da Câmara depende da comprovação das denúncias
de "Veja" e "Época" de que beneficiava-se de um
mensalinho pago pelo dono dos restaurantes da Câmara. Mas na verdade o
mensalinho de Severino é apenas o pretexto para neutralizar a única
instância capaz de transformar esta sucessão de escândalos em pizza.
Severino
caiu de pára-quedas no meio da crise e de repente percebe-se que ele é
a própria encarnação da crise. A imprensa e a oposição não pensam
em outra coisa senão cassá-lo, o Governo não pensa em outra coisa a não
ser mantê-lo.
ARTIGO
Por Alberto Dines
ANJ E DIÁRIO DE MARÍLIA
Tudo como no melhor dos mundos
Alberto Dines
Estranha, muito estranha, a reação
dos nossos combativos jornalões ao atentado terrorista contra o Diário
de Marília, do interior de São Paulo. A ação dos gangsteres
ocorreu na madrugada de quinta-feira (8/9).
Considerando as circunstâncias
(assaltantes armados, dispostos a destruir o prédio) e considerando a
dimensão (foram atacados três veículos jornalísticos da mesma
empresa numa cidade de porte médio no interior paulista), o episódio não
tem precedentes desde a redemocratização. Apesar disso nem a Folha
de S.Paulo, Estado de S.Paulo ou Globo levaram o
assunto para a primeira página da sexta-feira.
Neste mesmo dia, fim da tarde, o
presidente Lula recebeu no Planalto uma imponente delegação de 16
representantes da Associação Nacional de Jornais (ANJ). Visita
agendada há alguns dias, aproveitou-se para tratar do atentado.
A nota oficial da entidade jornalística
divulgada foi um primor de concisão – 111 palavras:
A Diretoria e o Conselho de
Administração da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) estiveram
hoje com o excelentíssimo senhor presidente da República,
atendendo a convite por ele formulado.
No encontro, o presidente expôs
sua visão do momento político e econômico do País. A ANJ, por
sua vez, manifestou sua confiança no funcionamento das instituições,
incluindo a imprensa livre, que vêm cumprindo seu papel dentro da
normalidade.
Entre outros temas, foi abordada a
importância dos jornais como instrumento de construção da
cidadania e na formação de novos leitores.
O presidente comentou o atentado
sofrido ontem pelo jornal "Diário de Marília" e informou
que a Polícia Federal foi instruída a acompanhar as investigações.
[Brasília, 9 de setembro de 2005 – Nelson P. Sirotsky –
Presidente da ANJ ]
A reação dos jornalões no dia
seguinte ainda foi mais estranha:
**
A Folha destacou a notícia da audiência em matéria nos confins
do primeiro caderno (pág. A 14) com um título onde não se fala em
atentado nem no papel da imprensa na crise política ("Câmara deve
resposta à sociedade, diz Lula"). Grande parte do espaço
concedido à notícia foi ocupado em nomear os 16 representantes da ANJ
e os respectivos jornais.
**
A matéria do Estadão foi encaixada num pé-de-página (A 13)
sem nenhum referência à reunião com Lula: tratou apenas das diligências
policiais e da captura de um suspeito.
**
O Globo remeteu a notícia do encontro com a ANJ para o fim do
primeiro caderno (pág. 13, parte inferior) com um título "Lula
defende liberdade de imprensa" e um entretítulo muito suspeito –
"Lula não criticou imprensa na cobertura da crise".
Satisfação suspeita
Tanto no sábado como no domingo, o G-3
da mídia diária absteve-se de comentar o atentado em suas páginas de
opinião. E evaporou-se o noticiário sobre as diligências policiais
para identificar/prender criminosos e/ou mandantes.
Acontece que dias antes, em pelo menos
duas ocasiões, o presidente da República criticou abertamente a
imprensa justamente por causa da cobertura da crise política. E não
foi de passagem, foi para valer.
Acontece que não foi o presidente Lula
quem formulou o convite à ANJ, foi a ANJ quem solicitou a audiência
(no regime democrático o governo não convoca os donos de jornal).
Acontece que a morna repercussão do
audiência não foi acidental, foi combinada.
Acontece que um atentado terrorista
contra uma empresa jornalística costuma provocar reações mais
veementes das entidades e dos veículos de comunicação.
Acontece que tudo isso está parecendo
uma grande encenação – o governo finge que está satisfeito com o
desempenho da mídia, a mídia finge que está satisfeita com o respeito
do presidente pela imprensa e, sendo assim, todos vão para casa curtir
o fim de semana como se vivêssemos no melhor dos mundos.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
ECOS DO KATRINA
Notícias diárias do inferno
Muniz Sodré (*)
Conta-se que, durante a Guerra da
Secessão americana (1861-5), o general William Sherman (1820-1891),
comandante das forças do Norte, foi informado de que os rebeldes
sulistas haviam executado três jornalistas. Sua reação: "Ótimo.
De agora em diante, vamos ter notícias do inferno antes do café da
manhã".
É ambíguo o sentido da história.
Primeiro insinua que, morrendo, o jornalista vai para o inferno. Ao
mesmo tempo, porém, deixa implícito um diagnóstico sobre a profissão:
jornalista é aquele sujeito que relata preferencialmente os fatos
negativos do mundo. Inferno é pura negatividade frente aos valores
cristãos.
Isto vem a propósito da cobertura diária
da catástrofe em Nova Orleans. Frente aos textos e imagens, a consciência
reflexiva do leitor termina aproximando-se da idéia de inferno. Não,
entretanto, como metáfora da atividade jornalística, e sim como evocação
de uma realidade presente na pátria que o general Sherman ajudou a
construir. Um exemplo: "Com capacidade para 70 mil pessoas, o estádio
de futebol americano (Superdome Arena) era, supostamente, o abrigo mais
seguro contra o furacão Katrina. Tornou-se um retrato do inferno"
(Época, 5/9/2005).
A matéria comentava o relato de uma
brasileira que conseguiu sobreviver aos estupros e ao horror das brigas,
em que "as pessoas se matam por água, por comida, por um banco um
pouco mais limpo, longe dos cadáveres e das fezes que tomam conta do
estádio".
São de fato brutais os acontecimentos.
À fúria destrutiva do furacão sucedeu-se a extrema barbárie humana
sob forma de invasões de residências, pilhagens, agressões e
assassinatos impiedosos. Matava-se por uma garrafa de água, crianças
de cinco anos eram estupradas e degoladas, e as hordas ferozes nem
sempre recuavam ante o fogo militar. Vale como resumo a frase de um
soldado da Guarda Nacional, recém-chegado de Bagdá: "É inimaginável
o que se passa aqui. É pior do que a guerra no Iraque" (O Globo,
8/9/2005).
Sede própria
Os americanos estão de certo modo
habituados, em termos de real e de imaginário, à experiência da abolição
da sociabilidade logo após uma catástrofe. Imaginária foi a invasão
dos marcianos, em 1938, irradiada por Orson Welles; reais foram o pânico
e as mortes nas multidões em fuga. Real foi o apagão em Nova York no
fim dos anos 1970, reais foram os estupros e as pilhagens, imaginárias
foram algumas das causas apontadas, dentre as quais a suposta ação de
alienígenas. Fictícias são as variadas situações catastróficas com
que o cinema americano costuma entreter o seu público. Assustadoramente
reais foram a destruição das torres do World Trade Center e as suas
conseqüências político-institucionais.
Mas algo a que o imaginário da
superpotência não está acostumado é a constatação de sua impotência
frente à realidade da catástrofe dentro de seu próprio território. E
um primeiro julgamento nos leva à convicção de que a matéria-prima
da barbárie é tão constante nos centros capitalistas avançados
quanto nas regiões ditas "atrasadas" do mundo.
O horripilante massacre em Ruanda está
no mesmo plano de desumanidade que o das matanças na Bósnia, no Iraque
ou nos assassinatos em Nova Orleans. Após o furacão, no vazio da
eletricidade (logo, da geladeira, da televisão, da iluminação
controladora), aparecem os monstros, como num filme de terror de Romero.
É como se o progresso e a técnica, entregues apenas a si mesmos,
possam perder a qualquer instante a sua fina crosta civilizada, a
exemplo da pele que a serpente, periodicamente, abandona.
O segundo julgamento é de natureza política.
Não é possível dissociar o tamanho da catástrofe da indiferença da
ordem neoliberal para com o destino das populações mais pobres. Fica
patente no noticiário que o governo Bush, com seu abandono da
perspectiva de bem-estar social, obsessivamente voltado para as finanças
e a guerra, é tão catastrófico quanto o furacão Katrina.
O terceiro tem a ver com a produção
de notícias. De um modo geral, a cobertura jornalística, sem qualquer
viés ideológico, por meio do simples relato dos fatos, conseguiu
mostrar algo de que talvez não suspeitasse o general Sherman: o inferno
não tem sede própria, nem é preciso que um jornalista morra para dele
se ter notícias. Inferno é o que se produz no vazio da grande política,
da consciência ética e da qualidade humana.
(*) Jornalista, escritor, professor
titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
Rio de Janeiro:
Milton
Temer - Jornalista
"Adoro estar aqui nesse programa, pois tenho um enorme carinho pelo
Dines e acho que o Observatório discute assuntos bastante
interessantes".
PERGUNTAS
E-mails:
Laira
Magalhães, Belo Horizonte / MG
Olá, gostaria de sugerir ao programa Observatório da Impressa que
debatesse mais o assunto "Jornalismo x Publicidade", ou seja,
a publicidade de hoje tem ultrapassado os limites da ética
jornalística? Estou fazendo um projeto experimental sobre este assunto
e gostaria muito da ajuda deste programa com tanta credibilidade.
Beatriz
Mafra
Na Band News mesmo quando se fala de outro assunto, outra pessoa, outra
estória, pode-se esperar que lá vem críticas ao Presidente Lula. E
quanto ao Bóris Casoy, sem comentários. Quem sabe será por isto que o
Presidente Lula procure se manter longe da imprensa?
Viva a crise. Se a crise servir para que Paulo Maluf pague enfim os seus
pecados, viva a crise. É, primeiro elegeram o Severino Cavalcanti,
depois votaram o aumento do salário mínimo, depois votaram contra o
veto do aumento do legislativo e agora querem que o Severino Cavalcanti
saia para que o PFL assuma a presidência da Câmara. Golpe após golpe.
Uma imaturidade total. E dizem que é tudo pelo bem do Brasil. Acredite
quem quiser. Esse restaurante da Câmara deve ser o negócio do ano, da
China e de outras paragens, para sobrar dez mil reais, todo mês, para
pagar propina. Quando o atual dono perder a concessão, vai ser uma
grande corrida. É interessante que a mídia - sempre pródiga em
classificar os discursos de infantis, desvio de foco, populista etc. -
desta vez, não podendo fazer nenhuma dessas classificações, se
esqueça de que também pode falar bem, elogiar etc.
Sérgio
de Souza Tôrres, Rio de Janeiro
Não cabe à imprensa manipular opiniões contra ou a favor de quem quer
que seja, mas tão somente apurar, analisar, noticiar e opinar. A maior
prova de que há uma orquestração contra Severino é o fato de que
nesta semana duas revistas concorrentes, Época e Isto É saíram com
capas idênticas nas chamadas e nas fotos. Os chefes de qualquer dos
três - e não quatro - poderes da República só podem ser afastados
mediante rito constitucional próprio. O resto é ditadura.
Adenio
Perguntas
ao Milton Temer:
1) O hoje PSOL, com a veemência traduzida à época pela Senadora
Heloísa Helena, já não sabia dos indícios do mensalão?
2) É coincidência um ex-ministro da justiça do governo Collor estar
na presidência do Senado?
3) É coincidência um ex-ministro da Justiça, suspeito de contrabando
de pedras preciosas, na mesa da CPI?
4) É interessante o Sr. Antônio Luis Fleury Filho, que deixou o
governo do Estado de São Paulo, se gabar hoje em dia na TV que é o
sumo da honestidade.
5) O Lula assinou medida provisória proibindo os bingos, deixando mais
de 300 mil pessoas desempregadas. No entanto, a boca miúda, corre no
plenário aprovação de uma nova loteria... Me explica!
Fernando
M. Velloso, Rio de Janeiro – Psiquiatra
Os deputados querem queimar o Severino. Nada mais justo! Agora, acho que
os nossos patrióticos políticos deveriam se perguntar o porquê do
Severino ter sido eleito. Foi divulgado que o Severino, como promessa de
campanha, prometera um aumento ao já polpudo salário dos
parlamentares. Pergunto: será que a cassação do Severino não deveria
ser estendida aos cerca de trezentos deputados que o elegeram, seduzidos
por uma promessa que lesaria os cofres públicos?
Arnon
Silas
Será que alguns jornalistas, por ordem, pegam no pé do Severino, pelo
fato dele não ser culto? E se vivemos em um país que foi pedido a
democracia, na qual consequentemente ele foi eleito pelos colegas da
casa, isso não contradiz tudo o que a própria imprensa diz que pediu
durante vários anos?
Jandira
Nascimento, Varzedo / BA
A forma "estranha" e, por vezes, "bizarra" que a
imprensa tem tratado e transmitido a crise, como bem a qualificaram os
ilustres participantes Milton e Claudio, só tem agravado e muito a
conceituação equivocada da maioria da população a respeito do papel
da imprensa frente à opinião pública: "por que explicar se é
bem mais fácil confundir?"
Gusthavo
Corrêa, Belo Horizonte / MG – Estudante Jornalismo
Dines, a imprensa tem atuado coerentemente como quarto poder que é, ao
julgar, condenar, eleger e depor políticos, vide os casos mensalão e
mensalinho?
André
Por gentileza, discutir o papel da imprensa no caso do mensalão do
Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Agradecido.
Jota
Bezerra
Está-se discutindo um fato, esquecendo-se as circunstâncias em que
ocorreu, circunstâncias que dão sentido à acusação. Veja-se: O
contrato celebrado entre a Câmara e o dono do Restaurante Fiorela
venceu em 2002. O discutido "documento" assinado pelo então
Secretário da Câmara, Dep. Severino Cavalcanti, autoriza a
prorrogação do prazo contratual até 2005. Se esse documento é falso,
não terá havido tal autorização. A que título então o contrato
(vencido e não prorrogado, segundo a versão do Dep. Severino) foi
mantido até hoje? Não há notícia de que a Câmara haja tomado
qualquer providência consentânea com essa versão. Se o restaurante
permaneceu funcionando até hoje, é evidente que o contrato foi
prorrogado, correta ou incorretamente, formal ou informalmente. Seja
como for, necessariamente com a autorização - ou pelo menos a
conivência do Presidente da Câmara.
Artur
da Costa Rego, Rio de Janeiro
Que bom seria se nós tivéssemos um presidente com descomprometimento
que o permitisse fechar o Congresso e convocar novas eleições com
novas regras. Brasília é um saco sem fundo, um ralo aberto, um derrame
do dinheiro suado dos nossos impostos. Creio que R$ 50.000,00 é um bom
salário para deputados federais, desde que o gasto do governo com eles
seja somente este salário. Se o parlamentar quiser ter um, dois ou
três secretárias e/ou assessores, que o faça com seu dinheiro. Se
quiserem passagens, selos, combustível, carro, serviços gráficos, etc,
que o façam com recursos próprios.
Gildson
Gomes dos Santos, Ribeira do Pombal / BA
A impressão que tenho é que a grande mídia não está apenas
pautando, mas também manipulando os fatos. Será que o Severino não
está sendo a válvula de escape para que a mídia fuja do dever de
investigar as notas frias do Planalto? Infelizmente estamos vivenciando
a República dos PeTequeiros. A Presidência está se comportando como
prefeitura de 5ª.
Claudio
Raeder, São José dos Campos / SP
Claudio Abramo, vocês falam como se toda imprensa fosse racional.
Quanto isso é verdade? Qual a parcela de jornalistas isentos e
realmente profissionais?
Rhai
Barroso
Olá meus amigos do Observatório da Imprensa! Eu gostaria de dar a
minha opinião sobre o papel da imprensa, que deixa muito a desejar
quanto a divulgar melhor e esclarecer a população. Por exemplo: quando
a imprensa mostra ou fala sobre um deputado, ou seja lá o que ele é, o
que ele tem feito de forma irresponsável, a imprensa tanto falada,
escrita e televisiva, muito mal, só fala o nome e o partido ao qual ele
pertence. O povo, a população não sabe o estado e o município que o
elegeu. Quem ganha com isso? O Deputado ou o povo? É claro que é o
político. Porque a população foi mal informada quanto à sua origem,
o seu município e região que o elegeu. A imprensa precisa interagir
melhor com a população, colocando as palavras na boca das pessoas e
dando sugestões de repúdio a tudo isso que está aí. Por exemplo:
você, nobre eleitor de tal lugar, olha só o comportamento do deputado
ou senador que você votou, pois o que ele está fazendo não vem de
encontro com os seus anseios, ou melhor, está dificultando a sua vida e
de toda a população. Não sendo assim, o modelo perverso, criminoso e
assassino continua. Saúde a todos e muito obrigado.
Alcino
Firmo dos Santos
A "grande imprensa" tomou caráter golpista. Odeia Severino
Cavalvanti e quer a queda do Governo Lula. Não sou petista. Votei no PT
por falta de melhor opção. Os grande letrados sempre fizeram assim,
sempre se locupletaram do Estado. Agora querem dar uma de santos. Somos
contra todo e qualquer tipo de roubo. Mas no Governo FHC, se comprou
voto, se fez todo tipo de falcatrua e tudo foi abafado. Estamos em
campanha política suja. Grandes repórteres da dita grande imprensa se
venderam a serviço dos senhores de sempre. Sempre houve os caixas 2.
Cabe perguntar: a quem interessa a denúncia do irmão de Palocci? Quem
alimenta a caixa do Marcos Valério, de onde vem o dinheiro? Com certeza
não é só de estatais. Ou será que a imprensa pensa que somos todos
burros?
Telefonemas:
Fernando
Ramos, São Luís / MA
Milton Temer, na sua opinião como ex-parlamentar, se o Severino
estivesse na oposição a Lula, será que os deputados e a própria mídia
estariam nesta campanha tão veemente pela deposição dele?
João
Marinho, Rio de Janeiro
Cláudio Weber, com toda esta pressão da mídia, o Congresso corre
o risco de cassar Severino Cavalcanti, mesmo sem provas concretas?
Paulo
Cunha, Juiz de Fora / MG
Fernando Rodrigues, o senhor disse que o relacionamento entre
parlamentares e jornalistas é bom. Isso não acontece muitas vezes por
interesse, para que eles possam ter uma maior exposição na mídia?
Zélia
Silva Pereira, Divinópolis / MG
Fernando Rodrigues, parabéns, estou admirada em ver um jornalista tão
sensato enriquecendo o debate de maneira tão ponderada. É de
jornalistas como você que precisamos.
Camilo
César Alvarenga, Feira de Santana / BA
Essa não é uma tentativa da imprensa e do PT de desviar o foco que está
sobre o presidente Lula?
Ana
Maria Emer, Caxias do Sul / RS
Milton Temer, não estaria na hora da imprensa ter ética, já que ela
cobra tanto dos políticos? Por que ela joga as acusações sem provas
contra os outros?
Lúcio
Evandro Silveira, Fortaleza / CE
Fernando Rodrigues, os três garçons "testemunhas" não
teriam provas suficientes contra o Severino?
Carlos
Roberto Soares, Butantã / SP
Não está na hora da imprensa, independente de crises, começar a fazer
uma fiscalização mais intensa sobre os políticos e mostrar que não
é possível eleger representantes que não sabem português?
Edson
Tavares, Rio de Janeiro
Milton Temer, qual motivo te levou a sair do PT?
Eugênio
Dias, Ceará
O Severino Cavalcanti foi eleito pela proposta de aumento de salário
dos deputados ou a oposição o elegeu para fazer gozação do governo?
Danilo
Carvalho, Tiradentes / MG
Não é um desperdício utilizar a TV pública para discutir um político
tão desprezível como o Severino Cavalcanti?
Evandro
Nobre, Fortaleza / CE
Fernando Rodrigues, a reportagem da Carta Capital foi uma reportagem pró-governo
ou isenta?
Marcelo
Carvalho, Recife / PE
Fernando Rodrigues, até que ponto e de que forma a imprensa influencia
na opinião pública à frente da Presidência da Câmara?