PROGRAMA DO DIA 30 de agosto de 2005

NOVAS MÍDIAS - BLOGS

A crise política que mobiliza parlamentares e políticos atingiu em cheio a mídia. E a agilidade da notícia on-line que já fazia parte do cotidiano dos internautas, passou a ser imprescindível. A apuração dos escândalos é acompanhada pela internet, em tempo real.

Uma situação perfeita para os blogs que tratam da política. Eles viraram leitura obrigatória nesta crise. Os blogs surgiram nos Estados Unidos e fizeram história durante a última eleição presidencial. No Brasil, eles apareceram em 97, mas só agora ganharam fama. Para se ter uma idéia, durante a atual crise política, o blog do Globo online teve um aumento de 10% nos acessos.

Neste Observatório falamos de diversos blogs e as diferenças entre eles. E também como estão influenciando as mídias tradicionais.

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

"AVES DE MAU AGOURO"
Mídia quis vestir a carapuça. Não serviu
Alberto Dines

Na sexta-feira (26/8), em Quixadá (CE), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu no palanque para inaugurar algo que já funcionava havia um ano e aproveitou para fazer o seu número completo: deixou de lado o discurso preparado para não ser lido e atacou com um improviso de meia hora, certo de que colheria algumas manchetes no dia seguinte.

Leia na íntegra

Qual o meio que você mais usa para acompanhar o noticiário da crise política?

Resultado:

Jornal: 17%

Internet: 50%

Rádio: 8%

Revista: 2%

TV aberta: 17%

TV paga: 6%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Editorial:

Bem-vindos ao "Observatório da Imprensa".

Enquanto se discute se o nosso jornalismo é efetivamente investigativo uma coisa é certa: o jornalismo investigativo já tem a sua padroeira. O nome verdadeiro não se sabe, sabe-se apenas que Vitória, dona Vitória, é o nome de guerra desta cidadã exemplar que talvez pouco saiba sobre a função da imprensa mas deu uma aula de jornalismo investigativo ao longo de dois anos documentando com a sua câmera de vídeo o tráfico de drogas que corria solto perto do seu apartamento em Copacabana. No dia em que puder sair do anonimato, dona Vitória deverá receber dois prêmios: um de cidadania e outro de jornalismo.


Leia na íntegra

POLÍTICA NA WEB
Revolução conservadora na blogosfera
Carlos Castilho (*)

Quem se aventurar numa incursão na blogosfera política tupiniquim vai ter uma surpresa. O número de blogs confessadamente conservadores ou de direita aparentemente é maior do que os de se dizem de esquerda ou professam teses consideradas socialistas.

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

NOVAS MÍDIAS - BLOGS

O Observatório da Imprensa de 30 de agosto discutiu o papel dos blogs em meio à crise política. Em editorial, Alberto Dines falou sobre Dona Vitória, "cidadã exemplar que talvez pouco saiba sobre a função da imprensa, mas que deu uma aula de jornalismo investigativo ao longo de dois anos documentando, com a sua câmera de vídeo, o tráfico de drogas que corria solto perto de seu apartamento, em Copacabana". Finalizou comentando a vitória da revista Veja no Supremo Tribunal Federal, numa decisão histórica, na qual o Ministro Celso de Mello "rechaçou a ação movida por um advogado que considerou reportagens publicadas recentemente pela revista como crimes contra a segurança nacional e contra a pessoa do chefe da Nação".

Participaram do programa, no Rio de Janeiro, os jornalistas Guilherme Fiuza e Cristina de Luca, e em São Paulo, os também jornalistas, Mauro Malin e Antonio Prada.

Malin iniciou o debate falando sobre o perfil dos novos blogs. "Os blogs não têm compromisso intrínseco com o jornalismo, estão sendo feitos, agora, por jornalistas, carregam a cultura do jornalismo, os escrúpulos, os cuidados, a necessidade de apurar, mas o blog em si, como modalidade, representa talvez um novo protagonismo, que decorre do fato de que a mídia no final o século XX deixou de ser exclusivamente emitida por uma fonte única. Com a internet, qualquer pessoa tem o mesmo poder de colocar na rede aquilo que o grande jornal tem ou qualquer outro veículo importante. O blog corresponde à emergência desse fenômeno e dentro da crise política ele vai desempenhar um papel político. Os jornais, as revistas, vão precisar repensar toda sua maneira de trabalhar a partir da emergência desse fenômeno, que por enquanto ainda é restrito e na medida em que mais gente vai entrando na rede, ela vai se tornando algo relevante."

Cristina de Luca complementou falando sobre a internet e suas novas ferramentas. "A internet já vinha ganhando um espaço grande em outras coberturas, não só a política. O que aconteceu aqui foi que os políticos descobriram uma internet livre, porque antes eles tinham esse tipo de informação nos produtos chamados ‘tempo real’ vendidos pelas agências de notícias que circulavam no mercado financeiro e no próprio Congresso Nacional. Hoje essa informação está disponível para todos e a gente vê que quem está fazendo blog, na verdade, são jornalistas experientes, são pessoas que podem colocar uma opinião. Você vai atrás de um diferencial de notícias para sair um pouco desse comportamento de manada, todo mundo dando a mesma informação. Espera-se que o colunista do blog tenha uma informação diferenciada em cima da leitura que ele faz dos acontecimentos."

Guilherme Fiuza deu continuidade falando sobre o perfil desses novos blogs. "Os blogs políticos têm uma utilidade enorme porque a informação e a maneira como ela vem da mídia convencional é muito boa, mas tem determinadas convenções. O Jorge Bastos Moreno, por exemplo, é um jornalista que fareja Brasília e nem sempre aquelas possibilidades que ele pressente podem render uma nota objetiva ou uma matéria. Já no blog ele dá os sinais, as indicações. É uma perda de cerimônia com a notícia, de certa forma".

Antonio Prada concluiu mostrando o panorama dos investimentos em internet no Brasil. "A vocação da internet hoje é muito mais forma do que conteúdo. Nós trabalhamos muito mais com os elementos da rapidez e do delivery da informação do que propriamente da profundidade. O caminho natural é uma consolidação do veículo desde que também este veículo seja sustentado pelo mercado, o que não acontece hoje. Atualmente ela está ancorada em grandes portais no Brasil e só recebe 1,5% do bolo publicitário, o que não sustenta uma redação que possa fazer um trabalho realmente consolidado."

Camilla Rizzo (estagiária)


EDITORIAL

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Enquanto se discute se o nosso jornalismo é efetivamente investigativo uma coisa é certa: o jornalismo investigativo já tem a sua padroeira. O nome verdadeiro não se sabe, sabe-se apenas que Vitória, dona Vitória, é o nome de guerra desta cidadã exemplar que talvez pouco saiba sobre a função da imprensa mas deu uma aula de jornalismo investigativo ao longo de dois anos documentando com a sua câmera de vídeo o tráfico de drogas que corria solto perto do seu apartamento em Copacabana. No dia em que puder sair do anonimato, dona Vitória deverá receber dois prêmios: um de cidadania e outro de jornalismo.

A "Veja" desta semana está comemorando uma vitória no Supremo Tribunal Federal. Numa decisão histórica, o ministro Celso de Mello rechaçou a ação movida por um advogado que considerou reportagens publicadas recentemente pela revista como crimes contra a segurança nacional e contra a pessoa do chefe da nação. A alegria da "Veja" por esta vitória no STF foi compartilhada por diversos jornais brasileiros. Todos saudaram a vitória da liberdade de expressão. Mas todos esqueceram de informar que reportagens foram estas, o que diziam? Quem foi o autor da ação? Como é que se pode comemorar abstratamente a consagração do direito de informar sem informações concretas sobre a razão da festa?

Tudo indica que o furacão Katrina deve amainar nos próximos dias mas o nosso furacão político parece que tem fôlego para continuar a sua devastação. Mais de 100 dias depois de começado, percebe-se que terminou a fase um, a fase do barulho e do espanto e antes do começo da fase dois pode-se ensaiar um balanço.

Qual a razão do tremendo rebuliço que causou na vida nacional? Por que uma crise política teve tamanha repercussão e ainda promete tantas emoções? Enquanto os analistas políticos fazem suas avaliações cabe a nós examinar a questão sob a ótica da imprensa.

Esta foi a primeira crise coberta em tempo real. Por mais espantosas que fossem as manchetes ou capas, jornais e revistas já estavam superados na véspera pela transmissão ao vivo das televisões por assinatura, pelas rádios noticiosas e sobretudo pela Internet.

Ainda que estejamos longe de alcançar os padrões europeus ou americanos de inclusão digital, nossos portais de notícias na Internet estão desempenhando um papel importantíssimo no acompanhamento da crise. E dentro dos portais apareceu uma novidade: os blogs, os diários dos jornalistas que acompanham os fatos minuto a minuto.

Não foi uma invenção das empresas jornalísticas nem imposição do mercado. Foi uma iniciativa dos jornalistas que resolveram aproveitar a tecnologia no lugar de serem escravizados por ela. Significa que os blogs são bons para os jornalistas, mas será que são bons para o jornalismo?


ARTIGO
Por Alberto Dines

"AVES DE MAU AGOURO"
Mídia quis vestir a carapuça. Não serviu
Alberto Dines

Na sexta-feira (26/8), em Quixadá (CE), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu no palanque para inaugurar algo que já funcionava havia um ano e aproveitou para fazer o seu número completo: deixou de lado o discurso preparado para não ser lido e atacou com um improviso de meia hora, certo de que colheria algumas manchetes no dia seguinte.

Conseguiu, graças a uma provocação logo no primeiro minuto, ao conclamar os presentes a serem os mensageiros das boas notícias para "aquelas aves de mau agouro que não querem enxergar um dedo na frente do nariz. (...) Essas pessoas que estão aqui precisam saber, e eu faço questão de dizer em todo lugar, muitas vezes a imprensa não escreve mais de tanto que eu já falei, mas eu vou continuar falando, porque vocês não lêem a maioria dos jornais publicados neste país".

A frase está longe de ser um modelo de clareza; a bisonha sucessão de orações intercaladas talvez pretendesse um efeito sutil, irônico, mas a distância entre a expressão "aves de mau agouro" e o substantivo "imprensa" foi grande demais para ser entendida como alusão direta.

E, no entanto, na mesma sexta-feira, alguns sites de notícias já proclamavam em manchete que o presidente Lula chamara a imprensa de "ave de mau agouro". No dia seguinte (sábado, 27/8), o Estado de S.Paulo sapecou na primeira página: "Lula diz que está sofrendo muito e acusa a imprensa". A Folha de S.Paulo foi mais cautelosa: "Lula insinua que mídia e políticos são aves de mau agouro". O Globo escapou da armadilha e preferiu destacar a fala do ministro Ciro Gomes, encarregado de expressar algo parecido com um mea-culpa oficial.

Procedimentos desairosos

A manifestação presidencial foi pífia tanto pelo dito como pelo que pretendeu dizer. Não justificou a repercussão, sobretudo porque naquela mesma sexta-feira o mercado financeiro aguardava nervoso as trepidações sabáticas dos semanários.

As expectativas não se confirmaram: Veja, enfiou o rabo entre as pernas e, pela primeira vez em muitas semanas, preferiu uma capa em tom menor, menos sensacionalista. Os demais semanários contentaram-se com escândalos de segunda linha.

A mídia diária tentou vestir a carapuça de ave de mau agouro para assegurar uma retaliação capaz de manter a temperatura até a terça-feira seguinte, quando recomeçariam os depoimentos nas CPI’s. Ficou evidente que a mídia agarra-se mais às chances de fazer barulho do que ao empenho em avançar nas investigações.

Isso é péssimo: quando o público perceber que a mídia tenta esquentar o noticiário começará um processo de saturação que pode ser o precursor de um desfecho-pizza.

A verdade é que a imprensa não se preparou para os inevitáveis intermezzos mesmo num ciclo de escândalos com essas colossais dimensões. Arvorou-se dona de um arsenal inesgotável capaz de mantê-la acelerada até o fim do ano. Subiu o tom e aumentou a pressão imaginando que só isso bastaria para movimentar a bola-de-neve iniciada em maio. Jogou todas as fichas no "efeito Buratti" e o resultado foi desastroso.

Veja teve que engolir as respostas do ministro Palocci e, na edição corrente (nº 1920, de 31/8) sequer replicou, obrigada a um recuo nada honroso. Não teve a compostura da Folha de S.Paulo, que em duas edições sucessivas (sexta e sábado, 26 e 27/8) ofereceu minuciosas explicações aos leitores sobre os métodos empregados por um repórter para forçar a ex-mulher de Rogério Buratti a revelar informações sobre os seus negócios e/ou relações com Palocci.

A transparência do jornalão em admitir procedimentos desairosos (que não chegaram a produzir matérias) deveria ser adotada como paradigma. Pena que não mereceu comentários na coluna dominical do ouvidor Marcelo Beraba (edição de 28/8).

Profissionalismo e persistência

Tudo indica que encerra-se a fase 1 do furacão que devastou o quadro político brasileiro. A plácida edição do Jornal Nacional de segunda-feira (29/8) – a despeito das imagens dramáticas do outro furacão, o Katrina –, mostra que estamos às vésperas da fase 2. Obrigatoriamente mais contundente, responsável, com padrões de exigência mais rigorosos do que os vigentes até agora.

Os 525 tipos de irregularidades encontradas nos Correios e reveladas pelo Globo (domingo, 28/8) indicam que, doravante, a apelação precisará ser trocada pela diligência. Indignação cansa e só produz indignação na direção contrária.

O parajornalismo identificado por Luís Nassif precisará ser substituído por um metajornalismo – mais profissional, persistente, incapaz de assustar-se com almas do outro mundo. Ou aves agourentas.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

POLÍTICA NA WEB
Revolução conservadora na blogosfera
Carlos Castilho (*)

Quem se aventurar numa incursão na blogosfera política tupiniquim vai ter uma surpresa. O número de blogs confessadamente conservadores ou de direita aparentemente é maior do que os de se dizem de esquerda ou professam teses consideradas socialistas.

O termo "aparentemente" é necessário porque não existem levantamentos completos e confiáveis sobre o perfil dos blogs brasileiros. A afirmação feita no lide deste texto está baseada na exploração randômica de sites a partir de links sugeridos por sites tidos como referências em cada campo ideológico.

Desde o inicio do escândalo mensalão vem aumentando o número de blogs cujo prato forte são as críticas ao governo petista a partir de uma perspectiva ideológica conservadora e antimarxista.

A presença marcante de blogs conservadores no Brasil repete o mesmo fenômeno registrado nos Estados Unidos – e que foi medido numa pesquisa realizada pelo New Politics Institute (NPI), publicada agora em agosto.

Os dados mostram que os blogs conservadores eram absolutamente majoritários na web até o inicio de 2004, quando os de tendência liberal e progressista começaram a ganhar mais espaços, sobretudo depois que o pré-candidato democrata Howard Dean mostrou como era possível usar a internet numa campanha eleitoral.

O documento divulgado pelo NPI indica um comportamento diferenciado entre os blogs conservadores e os progressistas. Os primeiros usam a internet para divulgar informações e propostas que serão usadas por grupos ideológicos organizados off line. Já a estratégia dos progressistas americanos baseia-se fundamentalmente na formação de comunidades virtuais para divulgar palavras de ordem.

Diferenças de fundo

No Brasil, tanto quanto nos Estados Unidos, um dos alvos preferidos dos blogs conservadores é a pressão sobre a imprensa, acusada de publicar notícias tendenciosas. O blog Mídia Sem Máscara é uma espécie de portal de 47 articulistas conservadores, onde as principais estrelas são o filósofo paulista Olavo de Carvalho e o ex-diplomata e ex-editorialista do Jornal do Brasil, José de Meira Penna.

O escândalo do mensalão e a desilusão das esquerdas com o governo Lula são um prato cheio para blogs como o Nariz Gelado, cujo autor não se identifica e que publica a mais completa lista de links para blogs politicamente conservadores. [Atenção, há exceções, como o blog de Ricardo Noblat, que é jornalístico.]

Na mesma linha correm o Não Suporto o PT produzido por Bobby Groover, e o Resistência do carioca Niemerson Lavoura, que também edita o República dos Marajás Petistas.

O blog do matemático chileno Claudio Tellez e do filósofo Olavo de Carvalho podem ser considerados modelos da ala intelectual da direita cibernética no Brasil.

Da mesma forma que no caso dos blogs conservadores americanos, os nacionais tendem a centralização num personagem-chave ou em grupos que têm uma forte unidade ideológica. Já os blogs de esquerda, tanto lá como aqui, procuram estimular a formação de comunidades virtuais ou presenciais.

Outra diferença destacada pelo documento do The New Politics Institute é o fato de que os blogs de esquerda geralmente promovem o surgimento de novos atores no cenário político, enquanto os conservadores em geral tendem a unir esforços em torno das personalidades e líderes já estabelecidos.

Audiência crescente

Os dados dos últimos três meses revelam uma situação curiosa. Nos Estados Unidos o NPI identificou um crescimento acelerado dos blogs considerados progressistas, enquanto no Brasil, mesmo sem estatísticas atualizadas, os sites conservadores já superam os de esquerda, segundo a opinião de especialistas em tendências na blogosfera local.

Nos Estados Unidos, o blog InstaPundit do professor de direito Glenn Reynolds era, até junho passado, o mais visitado blog político do país com um tráfego três vezes maior do que o progressita DailyKos, editado por Markos Moulitsas Zúniga, um americano de 34 anos criado em El Salvador. Nos últimos dois meses, por conta dos desencontros da política americana no Iraque, o DailyKos deu um salto espetacular na sua audiência e já tem uma leve vantagem sobre o InstaPundit em matéria de visitantes únicos (12 milhões por mês), tornando-se o mais consultado blog político do mundo.

A comparação do comportamento dos blogueiros nos Estados Unidos e no Brasil mostra que a preferência dos internautas está muito vinculada à conjuntura política do país. Mas, apesar da diferença de opções, tanto aqui como lá a politização dos blogueiros é um fenômeno em ascensão vertiginosa. Segundo a pesquisa do NPI, desde o final de 2002 o tráfego de visitantes nos mil blogs políticos mais populares dos Estados Unidos passou de 500 mil para três milhões de visitas diárias. Não temos aqui uma medição parecida, mas o blog do jornalista Ricardo Noblat não pára de bater recordes de audiência desde o início do mensalão, segundo o seu editor.

(*) Jornalista e editor do blog Código Aberto


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

Rio de Janeiro:

Guilherme Fiuza – Jornalista
"O programa foi completo."

Cristina de Luca – Jornalista
"O programa foi muito bom. Deu para informar bem sobre essa nova ferramenta de produção de conteúdo jornalístico e que veio para ficar."

São Paulo:

Mauro Malin – Jornalista
"O importante a dizer é que os blogs vão forçar os meios de comunicação a se modificarem; vão empurrar esses meios a crises - financeira, de formato, conteúdo etc - e reforçar a repensar o jornalismo de hoje."

Antonio Prada – Dir. Conteúdo Terra
"Acho que quando se tem uma onda, se propaga uma nova idéia, fica sempre alguma coisa disso; mais pessoas se interessarão por esse novo meio."


PERGUNTAS

E-mails:

Karina Antunes Pinto, Niterói / RJ
Olá! Sempre acompanho o programa no canal 2, parabéns a todos da equipe. Gostaria de saber se tem alguma informação sobre a implantação do sistema de transmissões digitais a partir de setembro? E quais seriam as emissoras a utilizar? Isto seria um ótimo programa, porque está causando polêmica. Sou estudante de jornalismo, por isso sugeri esta pauta. Um abraço!

Denyse Nunes
Eu adoro o programa de vocês. Ele apura meu senso crítico com relação à informação que consumo. Graças a Deus! Porque consumindo jornais e revistas da grande imprensa, sempre me sinto manipulada, por isso preciso desenvolver o meu senso crítico. Obrigada.

Régis Fernandes Gontijo, Belo Horizonte / MG
Olá, gostaria de fazer uma pergunta aos entrevistados: o movimento de mídia independente utiliza fortemente os mais diversos meios disponíveis na internet, inclusive os blogs. Vocês conhecem o movimento de mídia independente e sua atuação na internet? Qual a visão dos entrevistados quanto ao movimento de mídia independente? Obrigado pela atenção.

Fernanda Carneiro
Como o usuário comum pode se orientar diante de tantos blogs - 53 milhões? Não atordoa? Como saber dos blogs mais criativos e aprofundados? Não haverá mais usuários nos blogs mais "famosos"? Não haverá dificuldade de sedimentação e alinhavo de tantas dimensões que os fatos têm?

Amaurílio Sodré, João Monlevade / MG – Est. Jornalismo
Mauro Malin, você pensa que os blogs podem significar uma nova ferramenta para que o jornalismo brasileiro se livre das amarras dos donos das mídias em nosso país?

Mônica
É possível que esse novo tipo de jornalismo mostrado nos blogs (mais próximo e acessível ao leitor) gere ou estimule mudanças nas formas jornalísticas de outros meios de comunicação, como o jornal impresso ou de rádio, por exemplo?

Alexandre Britto Pereira
Acredito ser um problema grave a relação que a população brasileira tem com a televisão. O povo brasileiro conhece o Brasil através das câmeras televisivas. Como a mídia, baseada no modo de vida das metrópoles do sudeste brasileiro, influencia o modo de vida de populações que não fazem parte dessa realidade? Consumismo, protótipo do bem sucedido, protótipo de beleza estética corporal etc. Agradeço a atenção e vocês estão de parabéns pelo programa de excelente qualidade! Abraços.

Rosana Rocha
Caro Alberto Dines, no programa de ontem (23/08/2005) você, insistentemente, solicitou aos jornalistas participantes que comentassem sobre a questão abaixo: nenhum jornal reproduziu na segunda-feira (22/8) as críticas de Palocci ao desempenho da imprensa, o que configura uma clara manipulação do noticiário. O ministro tratou da imprensa em três momentos - inclusive na exposição inicial - ao longo de, pelo menos, seis minutos. Mas a Folha pegou pesado ao comparar a organização e a fluidez da entrevista do ministro com os encontros do presidente Lula com a imprensa. Não sei se perdi alguma coisa, mas parece que nenhum dos participante respondeu, comentou a respeito deste ponto específico. Que pena, perdemos a oportunidade de aumentar as reflexões a este respeito. Parece que não poder fazer crítica à mídia prevaleceu. Abraços.


Telefonemas:

Libério Antonio, Belo Horizonte / MG
O repórter está perdendo a iniciativa de investigar. Os blogs proporcionam as redes de TV reduzir custos? É interesse da grande imprensa manter este novo sistema?

Patrick Cardoso, Brasília de Minas / MG
Malin, já que o presidente Lula não dá entrevistas coletivas, não seria o caso dele criar um blog para, pelo menos, via internet falar para a população que o elegeu?

Odilon Alves, Anápolis / GO
Dines, você falou de blog jornalístico com participação da sociedade. Isso também poderia ser aplicado na fiscalização de políticos? Um tipo de Big Brother da ética?

Wilmer Barros, Minas Gerais
Cristina, o sucesso dos blogs está diretamente ligado à possibilidade de interação dos leitores?

Adriano da Silva, Santa Bárbara do Oeste / SP
Prada, os blogs correm o risco de serem atraídos pelo denuncismo e pelo jornalismo marrom?

Melquíades Junior, Limoeiro do Norte / CE
Os blogs também tendem a crescer no período eleitoral, como forma de apresentar candidatos e plataformas. Isso tiraria um pouco da credibilidade do meio?

Emílson Nunes, Volta Redonda / RJ
Malin, o fenômeno blog não está evidenciando uma certa cultura da resistência à mídia tradicional e sua pouca ousadia?

Stefani França, Belo Horizonte / MG
De que forma os eleitores vão aprender com isso nas próximas eleições?

Cássio Murillo, Campinas / SP
Em tempos de crise política, a mídia geral se interessa pelo agravamento da situação, porque assim ela venderia mais?

Jackson Pereira, Salvador / BA
Há algum tipo de restrição para os blogs?

Geraldo Farias, Santo André / SP
O jornalista Diogo Mainardi acusa Luís Nassif de elogiar, em seu próprio blog, uma empresa que o patrocina. Isso fere a ética jornalística?

Adimar Branco, Rio de Janeiro
Você não vê problema no método pelo qual o jornal Extra obteve as imagens da Dona Vitória, através da Secretaria de Segurança Pública do Rio?

Jeter Levi, São Paulo
Como é que se explica a credibilidade de um site de informação, onde cada minuto o site concorrente está sempre à frente do outro? Em que site temos que acreditar?

Vinícius Andrade, Guarulhos / SP
Qual a conseqüência de uma informação destituída de sua importância contextual divulgada via internet? E nos jornais também.

Robson Abdo, Belo Horizonte / MG
Por que a imprensa não comenta o envolvimento do filho de Lula com a Telemar?

Emilson Costa, Volta Redonda / RJ
Será que o fenômeno blog não está sinalizando que a sociedade, cada vez mais, está demandando mais mídia política interativa para que ela possa exercitar o seu senso crítico? E não ser mais passivamente consumidora de informação?

Welter Paiva, Recife / PE
A diversificação da mídia não rediz a credibilidade (blogs)?

Petrônio da Silva, Recife / PE
O que você acha do desempenho da Globo em relação a crise? Esse desempenho está relacionado ao suposto empréstimo que a Globo recebeu do governo Lula?

Ivan Renato Alvim, Santos Dumont / MG
Sobre as empresas jornalísticas que possuem blogs, elas possuem ombudsman ou algum responsável que coíba possíveis irresponsabilidades jornalísticas?

Marcos José de Souza, Fátima / BA
Por que o IG não lança uma campanha para que o relatório da CPI do Banestado seja rediscutido e divulgado?



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