RESUMO DO PROGRAMA
NOVAS
MÍDIAS - BLOGS
O
Observatório da Imprensa de 30 de agosto discutiu o papel dos blogs em
meio à crise política. Em editorial, Alberto Dines falou sobre Dona
Vitória, "cidadã exemplar que talvez pouco saiba sobre a função
da imprensa, mas que deu uma aula de jornalismo investigativo ao longo
de dois anos documentando, com a sua câmera de vídeo, o tráfico de
drogas que corria solto perto de seu apartamento, em Copacabana".
Finalizou comentando a vitória da revista Veja no Supremo Tribunal
Federal, numa decisão histórica, na qual o Ministro Celso de Mello
"rechaçou a ação movida por um advogado que considerou
reportagens publicadas recentemente pela revista como crimes contra a
segurança nacional e contra a pessoa do chefe da Nação".
Participaram
do programa, no Rio de Janeiro, os jornalistas Guilherme Fiuza e
Cristina de Luca, e em São Paulo, os também jornalistas, Mauro Malin e
Antonio Prada.
Malin
iniciou o debate falando sobre o perfil dos novos blogs. "Os blogs
não têm compromisso intrínseco com o jornalismo, estão sendo feitos,
agora, por jornalistas, carregam a cultura do jornalismo, os escrúpulos,
os cuidados, a necessidade de apurar, mas o blog em si, como modalidade,
representa talvez um novo protagonismo, que decorre do fato de que a mídia
no final o século XX deixou de ser exclusivamente emitida por uma fonte
única. Com a internet, qualquer pessoa tem o mesmo poder de colocar na
rede aquilo que o grande jornal tem ou qualquer outro veículo
importante. O blog corresponde à emergência desse fenômeno e dentro
da crise política ele vai desempenhar um papel político. Os jornais,
as revistas, vão precisar repensar toda sua maneira de trabalhar a
partir da emergência desse fenômeno, que por enquanto ainda é
restrito e na medida em que mais gente vai entrando na rede, ela vai se
tornando algo relevante."
Cristina
de Luca complementou falando sobre a internet e suas novas ferramentas.
"A internet já vinha ganhando um espaço grande em outras
coberturas, não só a política. O que aconteceu aqui foi que os políticos
descobriram uma internet livre, porque antes eles tinham esse tipo de
informação nos produtos chamados ‘tempo real’ vendidos pelas agências
de notícias que circulavam no mercado financeiro e no próprio
Congresso Nacional. Hoje essa informação está disponível para todos
e a gente vê que quem está fazendo blog, na verdade, são jornalistas
experientes, são pessoas que podem colocar uma opinião. Você vai atrás
de um diferencial de notícias para sair um pouco desse comportamento de
manada, todo mundo dando a mesma informação. Espera-se que o colunista
do blog tenha uma informação diferenciada em cima da leitura que ele
faz dos acontecimentos."
Guilherme
Fiuza deu continuidade falando sobre o perfil desses novos blogs.
"Os blogs políticos têm uma utilidade enorme porque a informação
e a maneira como ela vem da mídia convencional é muito boa, mas tem
determinadas convenções. O Jorge Bastos Moreno, por exemplo, é um
jornalista que fareja Brasília e nem sempre aquelas possibilidades que
ele pressente podem render uma nota objetiva ou uma matéria. Já no
blog ele dá os sinais, as indicações. É uma perda de cerimônia com
a notícia, de certa forma".
Antonio
Prada concluiu mostrando o panorama dos investimentos em internet no
Brasil. "A vocação da internet hoje é muito mais forma do que
conteúdo. Nós trabalhamos muito mais com os elementos da rapidez e do
delivery da informação do que propriamente da profundidade. O caminho
natural é uma consolidação do veículo desde que também este veículo
seja sustentado pelo mercado, o que não acontece hoje. Atualmente ela
está ancorada em grandes portais no Brasil e só recebe 1,5% do bolo
publicitário, o que não sustenta uma redação que possa fazer um
trabalho realmente consolidado."
Camilla Rizzo (estagiária)
EDITORIAL
Bem-vindos
ao Observatório da Imprensa.
Enquanto
se discute se o nosso jornalismo é efetivamente investigativo uma coisa
é certa: o jornalismo investigativo já tem a sua padroeira. O nome
verdadeiro não se sabe, sabe-se apenas que Vitória, dona Vitória, é
o nome de guerra desta cidadã exemplar que talvez pouco saiba sobre a
função da imprensa mas deu uma aula de jornalismo investigativo ao
longo de dois anos documentando com a sua câmera de vídeo o tráfico
de drogas que corria solto perto do seu apartamento em Copacabana. No
dia em que puder sair do anonimato, dona Vitória deverá receber dois
prêmios: um de cidadania e outro de jornalismo.
A
"Veja" desta semana está comemorando uma vitória no Supremo
Tribunal Federal. Numa decisão histórica, o ministro Celso de Mello
rechaçou a ação movida por um advogado que considerou reportagens
publicadas recentemente pela revista como crimes contra a segurança
nacional e contra a pessoa do chefe da nação. A alegria da
"Veja" por esta vitória no STF foi compartilhada por diversos
jornais brasileiros. Todos saudaram a vitória da liberdade de expressão.
Mas todos esqueceram de informar que reportagens foram estas, o que
diziam? Quem foi o autor da ação? Como é que se pode comemorar
abstratamente a consagração do direito de informar sem informações
concretas sobre a razão da festa?
Tudo
indica que o furacão Katrina deve amainar nos próximos dias mas o
nosso furacão político parece que tem fôlego para continuar a sua
devastação. Mais de 100 dias depois de começado, percebe-se que
terminou a fase um, a fase do barulho e do espanto e antes do começo da
fase dois pode-se ensaiar um balanço.
Qual a
razão do tremendo rebuliço que causou na vida nacional? Por que uma
crise política teve tamanha repercussão e ainda promete tantas emoções?
Enquanto os analistas políticos fazem suas avaliações cabe a nós
examinar a questão sob a ótica da imprensa.
Esta foi
a primeira crise coberta em tempo real. Por mais espantosas que fossem
as manchetes ou capas, jornais e revistas já estavam superados na véspera
pela transmissão ao vivo das televisões por assinatura, pelas rádios
noticiosas e sobretudo pela Internet.
Ainda que
estejamos longe de alcançar os padrões europeus ou americanos de
inclusão digital, nossos portais de notícias na Internet estão
desempenhando um papel importantíssimo no acompanhamento da crise. E
dentro dos portais apareceu uma novidade: os blogs, os diários dos
jornalistas que acompanham os fatos minuto a minuto.
Não foi
uma invenção das empresas jornalísticas nem imposição do mercado.
Foi uma iniciativa dos jornalistas que resolveram aproveitar a
tecnologia no lugar de serem escravizados por ela. Significa que os
blogs são bons para os jornalistas, mas será que são bons para o
jornalismo?
ARTIGO
Por Alberto Dines
"AVES DE MAU AGOURO"
Mídia quis vestir a carapuça. Não serviu
Alberto Dines
Na sexta-feira (26/8), em Quixadá
(CE), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu no palanque para
inaugurar algo que já funcionava havia um ano e aproveitou para fazer o
seu número completo: deixou de lado o discurso preparado para não ser
lido e atacou com um improviso de meia hora, certo de que colheria
algumas manchetes no dia seguinte.
Conseguiu, graças a uma provocação
logo no primeiro minuto, ao conclamar os presentes a serem os
mensageiros das boas notícias para "aquelas aves de mau agouro que
não querem enxergar um dedo na frente do nariz. (...) Essas pessoas que
estão aqui precisam saber, e eu faço questão de dizer em todo lugar,
muitas vezes a imprensa não escreve mais de tanto que eu já falei, mas
eu vou continuar falando, porque vocês não lêem a maioria dos jornais
publicados neste país".
A frase está longe de ser um modelo de
clareza; a bisonha sucessão de orações intercaladas talvez
pretendesse um efeito sutil, irônico, mas a distância entre a expressão
"aves de mau agouro" e o substantivo "imprensa" foi
grande demais para ser entendida como alusão direta.
E, no entanto, na mesma sexta-feira,
alguns sites de notícias já proclamavam em manchete que o presidente
Lula chamara a imprensa de "ave de mau agouro". No dia
seguinte (sábado, 27/8), o Estado de S.Paulo sapecou na primeira
página: "Lula diz que está sofrendo muito e acusa a
imprensa". A Folha de S.Paulo foi mais cautelosa: "Lula
insinua que mídia e políticos são aves de mau agouro". O
Globo escapou da armadilha e preferiu destacar a fala do ministro
Ciro Gomes, encarregado de expressar algo parecido com um mea-culpa
oficial.
Procedimentos desairosos
A manifestação presidencial foi pífia
tanto pelo dito como pelo que pretendeu dizer. Não justificou a
repercussão, sobretudo porque naquela mesma sexta-feira o mercado
financeiro aguardava nervoso as trepidações sabáticas dos semanários.
As expectativas não se confirmaram: Veja,
enfiou o rabo entre as pernas e, pela primeira vez em muitas semanas,
preferiu uma capa em tom menor, menos sensacionalista. Os demais semanários
contentaram-se com escândalos de segunda linha.
A mídia diária tentou vestir a carapuça
de ave de mau agouro para assegurar uma retaliação capaz de manter a
temperatura até a terça-feira seguinte, quando recomeçariam os
depoimentos nas CPI’s. Ficou
evidente que a mídia agarra-se mais às chances de fazer barulho do que
ao empenho em avançar nas investigações.
Isso é péssimo: quando o público
perceber que a mídia tenta esquentar o noticiário começará um
processo de saturação que pode ser o precursor de um desfecho-pizza.
A verdade é que a imprensa não se
preparou para os inevitáveis intermezzos mesmo num ciclo de escândalos
com essas colossais dimensões. Arvorou-se dona de um arsenal inesgotável
capaz de mantê-la acelerada até o fim do ano. Subiu o tom e aumentou a
pressão imaginando que só isso bastaria para movimentar a bola-de-neve
iniciada em maio. Jogou todas as fichas no "efeito Buratti" e
o resultado foi desastroso.
Veja
teve que engolir as respostas do ministro Palocci e, na edição
corrente (nº 1920, de 31/8) sequer replicou, obrigada a um recuo nada
honroso. Não teve a compostura da Folha de S.Paulo, que em duas
edições sucessivas (sexta e sábado, 26 e 27/8) ofereceu minuciosas
explicações aos leitores sobre os métodos empregados por um repórter
para forçar a ex-mulher de Rogério Buratti a revelar informações
sobre os seus negócios e/ou relações com Palocci.
A transparência do jornalão em
admitir procedimentos desairosos (que não chegaram a produzir matérias)
deveria ser adotada como paradigma. Pena que não mereceu comentários
na coluna dominical do ouvidor Marcelo Beraba (edição de 28/8).
Profissionalismo e persistência
Tudo indica que encerra-se a fase 1 do
furacão que devastou o quadro político brasileiro. A plácida edição
do Jornal Nacional de segunda-feira (29/8) – a despeito das
imagens dramáticas do outro furacão, o Katrina –, mostra que estamos
às vésperas da fase 2. Obrigatoriamente mais contundente, responsável,
com padrões de exigência mais rigorosos do que os vigentes até agora.
Os 525 tipos de irregularidades
encontradas nos Correios e reveladas pelo Globo (domingo, 28/8)
indicam que, doravante, a apelação precisará ser trocada pela diligência.
Indignação cansa e só produz indignação na direção contrária.
O parajornalismo identificado por Luís
Nassif precisará ser substituído por um metajornalismo – mais
profissional, persistente, incapaz de assustar-se com almas do outro
mundo. Ou aves agourentas.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
POLÍTICA NA WEB
Revolução conservadora na blogosfera
Carlos Castilho (*)
Quem se aventurar numa incursão na
blogosfera política tupiniquim vai ter uma surpresa. O número de blogs
confessadamente conservadores ou de direita aparentemente é maior do
que os de se dizem de esquerda ou professam teses consideradas
socialistas.
O termo "aparentemente" é
necessário porque não existem levantamentos completos e confiáveis
sobre o perfil dos blogs brasileiros. A afirmação feita no lide deste
texto está baseada na exploração randômica de sites a partir de
links sugeridos por sites tidos como referências em cada campo ideológico.
Desde o inicio do escândalo mensalão
vem aumentando o número de blogs cujo prato forte são as críticas ao
governo petista a partir de uma perspectiva ideológica conservadora e
antimarxista.
A presença marcante de blogs
conservadores no Brasil repete o mesmo fenômeno registrado nos Estados
Unidos – e que foi medido numa pesquisa realizada pelo New Politics
Institute (NPI), publicada agora em agosto.
Os dados mostram que os blogs
conservadores eram absolutamente majoritários na web até o inicio de
2004, quando os de tendência liberal e progressista começaram a ganhar
mais espaços, sobretudo depois que o pré-candidato democrata Howard
Dean mostrou como era possível usar a internet numa campanha eleitoral.
O documento divulgado pelo NPI indica
um comportamento diferenciado entre os blogs conservadores e os
progressistas. Os primeiros usam a internet para divulgar informações
e propostas que serão usadas por grupos ideológicos organizados off
line. Já a estratégia dos progressistas americanos baseia-se
fundamentalmente na formação de comunidades virtuais para divulgar
palavras de ordem.
Diferenças de fundo
No Brasil, tanto quanto nos Estados
Unidos, um dos alvos preferidos dos blogs conservadores é a pressão
sobre a imprensa, acusada de publicar notícias tendenciosas. O blog Mídia
Sem Máscara é uma espécie de portal de 47 articulistas
conservadores, onde as principais estrelas são o filósofo paulista
Olavo de Carvalho e o ex-diplomata e ex-editorialista do Jornal do
Brasil, José de Meira Penna.
O escândalo do mensalão e a desilusão
das esquerdas com o governo Lula são um prato cheio para blogs como o
Nariz Gelado, cujo autor não se identifica e que publica a mais
completa lista de links para blogs politicamente conservadores. [Atenção,
há exceções, como o blog de Ricardo Noblat, que é jornalístico.]
Na mesma linha correm o Não Suporto
o PT produzido por Bobby Groover, e o Resistência do carioca
Niemerson Lavoura, que também edita o República dos Marajás
Petistas.
O blog do matemático chileno Claudio
Tellez e do filósofo Olavo de Carvalho podem ser considerados modelos
da ala intelectual da direita cibernética no Brasil.
Da mesma forma que no caso dos blogs
conservadores americanos, os nacionais tendem a centralização num
personagem-chave ou em grupos que têm uma forte unidade ideológica. Já
os blogs de esquerda, tanto lá como aqui, procuram estimular a formação
de comunidades virtuais ou presenciais.
Outra diferença destacada pelo
documento do The New Politics Institute é o fato de que os blogs de
esquerda geralmente promovem o surgimento de novos atores no cenário
político, enquanto os conservadores em geral tendem a unir esforços em
torno das personalidades e líderes já estabelecidos.
Audiência crescente
Os dados dos últimos três meses
revelam uma situação curiosa. Nos Estados Unidos o NPI identificou um
crescimento acelerado dos blogs considerados progressistas, enquanto no
Brasil, mesmo sem estatísticas atualizadas, os sites conservadores já
superam os de esquerda, segundo a opinião de especialistas em tendências
na blogosfera local.
Nos Estados Unidos, o blog InstaPundit
do professor de direito Glenn Reynolds era, até junho passado, o mais
visitado blog político do país com um tráfego três vezes maior do
que o progressita DailyKos, editado por Markos Moulitsas Zúniga,
um americano de 34 anos criado em El Salvador. Nos últimos dois meses,
por conta dos desencontros da política americana no Iraque, o DailyKos
deu um salto espetacular na sua audiência e já tem uma leve vantagem
sobre o InstaPundit em matéria de visitantes únicos (12 milhões
por mês), tornando-se o mais consultado blog político do mundo.
A comparação do comportamento dos
blogueiros nos Estados Unidos e no Brasil mostra que a preferência dos
internautas está muito vinculada à conjuntura política do país. Mas,
apesar da diferença de opções, tanto aqui como lá a politização
dos blogueiros é um fenômeno em ascensão vertiginosa. Segundo a
pesquisa do NPI, desde o final de 2002 o tráfego de visitantes nos mil
blogs políticos mais populares dos Estados Unidos passou de 500 mil
para três milhões de visitas diárias. Não temos aqui uma medição
parecida, mas o blog do jornalista Ricardo Noblat não pára de bater
recordes de audiência desde o início do mensalão, segundo o seu
editor.
(*) Jornalista e editor do blog Código
Aberto
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
Rio de
Janeiro:
Guilherme
Fiuza – Jornalista
"O programa foi completo."
Cristina
de Luca – Jornalista
"O programa foi muito bom. Deu para informar bem sobre essa
nova ferramenta de produção de conteúdo jornalístico e que veio para
ficar."
São
Paulo:
Mauro
Malin – Jornalista
"O importante a dizer é que os blogs vão forçar os meios de
comunicação a se modificarem; vão empurrar esses meios a crises -
financeira, de formato, conteúdo etc - e reforçar a repensar o
jornalismo de hoje."
Antonio
Prada – Dir. Conteúdo Terra
"Acho que quando se tem uma onda, se propaga uma nova idéia, fica
sempre alguma coisa disso; mais pessoas se interessarão por esse novo
meio."
PERGUNTAS
E-mails:
Karina
Antunes Pinto, Niterói / RJ
Olá! Sempre acompanho o programa no canal 2, parabéns a todos da
equipe. Gostaria de saber se tem alguma informação sobre a
implantação do sistema de transmissões digitais a partir de setembro?
E quais seriam as emissoras a utilizar? Isto seria um ótimo programa,
porque está causando polêmica. Sou estudante de jornalismo, por isso
sugeri esta pauta. Um abraço!
Denyse
Nunes
Eu adoro o programa de vocês. Ele apura meu senso crítico com
relação à informação que consumo. Graças a Deus! Porque consumindo
jornais e revistas da grande imprensa, sempre me sinto manipulada, por
isso preciso desenvolver o meu senso crítico. Obrigada.
Régis
Fernandes Gontijo, Belo Horizonte / MG
Olá, gostaria de fazer uma pergunta aos entrevistados: o movimento de
mídia independente utiliza fortemente os mais diversos meios
disponíveis na internet, inclusive os blogs. Vocês conhecem o
movimento de mídia independente e sua atuação na internet? Qual a
visão dos entrevistados quanto ao movimento de mídia independente?
Obrigado pela atenção.
Fernanda
Carneiro
Como o usuário comum pode se orientar diante de tantos blogs - 53
milhões? Não atordoa? Como saber dos blogs mais criativos e
aprofundados? Não haverá mais usuários nos blogs mais
"famosos"? Não haverá dificuldade de sedimentação e
alinhavo de tantas dimensões que os fatos têm?
Amaurílio
Sodré, João Monlevade / MG – Est. Jornalismo
Mauro Malin, você pensa que os blogs podem significar uma nova
ferramenta para que o jornalismo brasileiro se livre das amarras dos
donos das mídias em nosso país?
Mônica
É
possível que esse novo tipo de jornalismo mostrado nos blogs (mais
próximo e acessível ao leitor) gere ou estimule mudanças nas formas
jornalísticas de outros meios de comunicação, como o jornal impresso
ou de rádio, por exemplo?
Alexandre
Britto Pereira
Acredito ser um problema grave a relação que a população brasileira
tem com a televisão. O povo brasileiro conhece o Brasil através das
câmeras televisivas. Como a mídia, baseada no modo de vida das
metrópoles do sudeste brasileiro, influencia o modo de vida de
populações que não fazem parte dessa realidade? Consumismo,
protótipo do bem sucedido, protótipo de beleza estética corporal etc.
Agradeço a atenção e vocês estão de parabéns pelo programa de
excelente qualidade! Abraços.
Rosana
Rocha
Caro Alberto Dines, no programa de ontem (23/08/2005) você,
insistentemente, solicitou aos jornalistas participantes que comentassem
sobre a questão abaixo: nenhum jornal reproduziu na segunda-feira
(22/8) as críticas de Palocci ao desempenho da imprensa, o que
configura uma clara manipulação do noticiário. O ministro tratou da
imprensa em três momentos - inclusive na exposição inicial - ao longo
de, pelo menos, seis minutos. Mas a Folha pegou pesado ao comparar a
organização e a fluidez da entrevista do ministro com os encontros do
presidente Lula com a imprensa. Não sei se perdi alguma coisa, mas
parece que nenhum dos participante respondeu, comentou a respeito deste
ponto específico. Que pena, perdemos a oportunidade de aumentar as
reflexões a este respeito. Parece que não poder fazer crítica à
mídia prevaleceu. Abraços.
Telefonemas:
Libério
Antonio, Belo Horizonte / MG
O repórter está perdendo a iniciativa de investigar. Os blogs
proporcionam as redes de TV reduzir custos? É interesse da grande
imprensa manter este novo sistema?
Patrick
Cardoso, Brasília de Minas / MG
Malin, já que o presidente Lula não dá entrevistas coletivas, não
seria o caso dele criar um blog para, pelo menos, via internet falar
para a população que o elegeu?
Odilon
Alves, Anápolis / GO
Dines, você falou de blog jornalístico com participação da
sociedade. Isso também poderia ser aplicado na fiscalização de
políticos? Um tipo de Big Brother da ética?
Wilmer
Barros, Minas Gerais
Cristina, o sucesso dos blogs está diretamente ligado à possibilidade
de interação dos leitores?
Adriano
da Silva, Santa Bárbara do Oeste / SP
Prada, os blogs correm o risco de serem atraídos pelo denuncismo e pelo
jornalismo marrom?
Melquíades
Junior, Limoeiro do Norte / CE
Os blogs também tendem a crescer no período eleitoral, como forma de
apresentar candidatos e plataformas. Isso tiraria um pouco da
credibilidade do meio?
Emílson
Nunes, Volta Redonda / RJ
Malin, o fenômeno blog não está evidenciando uma certa cultura da
resistência à mídia tradicional e sua pouca ousadia?
Stefani
França, Belo Horizonte / MG
De que forma os eleitores vão aprender com isso nas próximas
eleições?
Cássio
Murillo, Campinas / SP
Em tempos de crise política, a mídia geral se interessa pelo
agravamento da situação, porque assim ela venderia mais?
Jackson
Pereira, Salvador / BA
Há algum tipo de restrição para os blogs?
Geraldo
Farias, Santo André / SP
O jornalista Diogo Mainardi acusa Luís Nassif de elogiar, em seu
próprio blog, uma empresa que o patrocina. Isso fere a ética
jornalística?
Adimar
Branco, Rio de Janeiro
Você não vê problema no método pelo qual o jornal Extra obteve as
imagens da Dona Vitória, através da Secretaria de Segurança Pública
do Rio?
Jeter
Levi, São Paulo
Como é que se explica a credibilidade de um site de informação, onde
cada minuto o site concorrente está sempre à frente do outro? Em que
site temos que acreditar?
Vinícius
Andrade, Guarulhos / SP
Qual a conseqüência de uma informação destituída de sua
importância contextual divulgada via internet? E nos jornais também.
Robson
Abdo, Belo Horizonte / MG
Por que a imprensa não comenta o envolvimento do filho de Lula com a
Telemar?
Emilson
Costa, Volta Redonda / RJ
Será que o fenômeno blog não está sinalizando que a sociedade, cada
vez mais, está demandando mais mídia política interativa para que ela
possa exercitar o seu senso crítico? E não ser mais passivamente
consumidora de informação?
Welter
Paiva, Recife / PE
A diversificação da mídia não rediz a credibilidade (blogs)?
Petrônio
da Silva, Recife / PE
O que você acha do desempenho da Globo em relação a crise? Esse
desempenho está relacionado ao suposto empréstimo que a Globo recebeu
do governo Lula?
Ivan
Renato Alvim, Santos Dumont / MG
Sobre as empresas jornalísticas que possuem blogs, elas possuem
ombudsman ou algum responsável que coíba possíveis
irresponsabilidades jornalísticas?
Marcos
José de Souza, Fátima / BA
Por que o IG não lança uma campanha para que o relatório da CPI do
Banestado seja rediscutido e divulgado?