PROGRAMA DO DIA 21 de junho de 2005

IMPRENSA E CPIS

Com a CPI dos Correios e do mensalão ocupando as primeiras páginas de todos os jornais do país, o Observatório da Imprensa discutiu o papel da imprensa nas CPIs.

Como tem sido a atuação dos meios de comunicação nessas situações? Qual deve ser o posicionamento da mídia? A imprensa pode ajudar com investigações próprias?

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

MÍDIA E A CRISE POLÍTICA
A CPI e os desafios para a imprensa
Alberto Dines

Não apenas o governo e a oposição, mas também a imprensa começa neste momento a enfrentar um conjunto de desafios de proporções assustadoras. A CPI é um deles; o carrossel paralelo de denúncias, outro. O terceiro, mais perigoso, consiste em impedir que o paradigma conspiratório inventado por Hugo Chávez na Venezuela – e já ensaiado em certos círculos nacionais – empurre nossa imprensa para o ringue da radicalização.

Leia na íntegra

O trabalho da imprensa pode ajudar a CPI dos Correios?

Resultado:

Sim: 80%

Não: 20%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Editorial:

Bem-vindos ao "Observatório da Imprensa".

Já temos CPI e hoje foi o seu primeiro dia de funcionamento. O mundo não acabou, nem acabará quando se esgotar o prazo de 180 dias ou a sua prorrogação, seis meses depois.

Comissões Parlamentares de Inquérito são ferramentas do legislativo, previstas na Constituição. A excepcionalidade decorre das exigências para a sua convocação. É um recurso extraordinário mas regular, e essencialmente democrático.


Leia na íntegra

DEMOCRATIZAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES
O muito que ainda pode ser feito
Venício A. de Lima (*)

Em artigo anterior – "Regulação e o jogo pesado do poder" –, argumentei que, ao contrário dos setores de saúde, emprego e educação, por exemplo, a comunicação ainda não é percebida como um direito humano fundamental pela imensa maioria da população. Essa é, certamente, uma das razões pelas quais, entre nós, os grupos dominantes da grande mídia privada e comercial sempre se recusaram a admitir avanços no sentido da democratização das comunicações e consegue fazer prevalecer seus interesses na regulação do setor.

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

IMPRENSA E CPIS

O Observatório da Imprensa do dia 21 de junho debateu o papel da imprensa nas CPIs. O programa discutiu como deve ser o posicionamento da mídia nesses casos e até que ponto ela pode ajudar com investigações próprias.

Em seu editorial, Alberto Dines disse: "O clima apocalíptico que envolve as CPIs, como se equivalessem ao juízo final, é fruto do imaginário político. É sobretudo fruto do temor de que a imprensa faça da cobertura da CPI um terremoto. Ou um circo. Esta CPI dos Correios, a primeira do governo Lula, é também a primeira desde que a grande imprensa admitiu que atravessava sua maior crise econômica. Os grandes veículos hoje têm menos gente, seus quadros são cada vez mais jovens, não há recursos nem tempo para investigar e o vício de depender de fitas e vídeos clandestinos torna-os reféns de interesses escusos. Na realidade estão correndo três grandes inquéritos entrelaçados. Conseguirá o parlamento dar conta do recado e cortar na própria carne? Conseguirá a imprensa fiscalizar o parlamento?"

Participaram do programa, em São Paulo, o repórter César Felício, do jornal Valor Econômico; em Brasília, o repórter especial do Correio Braziliense, Luiz Carlos Azedo, e no Rio a cientista política Lucia Hippolito.

César Felício, jornalista com grande experiência em coberturas políticas, iniciou o debate comentando os três processos que correm na Câmara: "Eu acho que não há como, nem o meio político, nem a imprensa, dar atenção a três processos simultâneos. Acho que a CPI dos Correios vai ter esse papel de protagonista da cena política".

Em seguida Lucia Hippolito traçou um histórico das CPIs: "A CPI é um instrumento da República (...) Na história brasileira, a CPI mais notória foi a CPI da Última Hora, para julgar o jornal e suas fontes de financiamento. E curiosamente, naquele tempo uma CPI era composta de um presidente, um relator e três membros. Hoje você tem uma CPI com 60 membros. (...) Na verdade houve uma certa banalização da CPI. Ou porque as comissões técnicas são muito chatas, muito maçantes, o repórter não gosta de cobrir e também porque as CPIs ganharam os holofotes. O deputado ganha seu minuto de fama, o senador também."

Dando continuidade ao programa o repórter Luiz Carlos Azedo falou da cobertura da imprensa nessa CPI: "Eu acho que os jornais estão se esforçando no sentido de ampliar a cobertura na medida em que os fatos vão surgindo. Os fatos foram denunciados pela imprensa. Esta crise está centralizada no Congresso e envolvendo o governo mas ela surgiu de fora, a partir das reportagens, das entrevistas, da ação investigativa da imprensa, por mais limitada que tenha sido até agora. O esforço de todos os veículos, no sentido de investigar, de buscar a verdade, ele tende a aumentar e ser favorecido também pelas investigações na CPI. Pode ser também que surjam injustiças mas a imprensa também está mais madura em relação a isso, há uma certa experiência dos repórteres, dos editores com relação aos cuidados que tem que se tomar no sentido de evitar essas injustiças".

Tiago Chediak (estagiário)


EDITORIAL

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Já temos CPI e hoje foi o seu primeiro dia de funcionamento. O mundo não acabou, nem acabará quando se esgotar o prazo de 180 dias ou a sua prorrogação, seis meses depois.

Comissões Parlamentares de Inquérito são ferramentas do legislativo, previstas na Constituição. A excepcionalidade decorre das exigências para a sua convocação. É um recurso extraordinário mas regular, e essencialmente democrático.

O clima apocalíptico que envolve as CPIs, como se equivalessem ao juízo final, é fruto do imaginário político. É sobretudo fruto do temor de que a imprensa faça da cobertura da CPI um terremoto. Ou um circo.

Esta CPI dos Correios, a primeira do governo Lula, é também a primeira desde que a grande imprensa admitiu que atravessava sua maior crise econômica. Significa que a imprensa não dispõe dos mesmos recursos que dispunha em 1997 quando foi convocada a CPI dos Precatórios.

Os grandes veículos hoje têm menos gente, seus quadros são cada vez mais jovens, não há recursos nem tempo para investigar e o vício de depender de fitas e vídeos clandestinos torna-os reféns de interesses escusos.

Esta CPI dos Correios diferencia-se também das demais pelo fato de que entre os suspeitos diretos ou indiretos há parlamentares e partidos. Os investigadores são também os investigados. Junto com a CPI está funcionando a todo vapor o Conselho de Ética e a Corregedoria da Câmara. Na realidade estão correndo três grandes inquéritos entrelaçados.

Conseguirá o Parlamento dar conta do recado e cortar na própria carne? Conseguirá a imprensa fiscalizar o Parlamento? A novela será longa, convém aguardar os próximos capítulos. Uma coisa é certa: o final é sempre feliz.


ARTIGO
Por Alberto Dines

MÍDIA E A CRISE POLÍTICA
A CPI e os desafios para a imprensa
Alberto Dines

Não apenas o governo e a oposição, mas também a imprensa começa neste momento a enfrentar um conjunto de desafios de proporções assustadoras. A CPI é um deles; o carrossel paralelo de denúncias, outro. O terceiro, mais perigoso, consiste em impedir que o paradigma conspiratório inventado por Hugo Chávez na Venezuela – e já ensaiado em certos círculos nacionais – empurre nossa imprensa para o ringue da radicalização.

Sob o ponto de vista jornalístico, a CPI começou perigosamente exacerbada: o presidente, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) e o diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, teoricamente do mesmo partido, engalfinharam-se por causa de informações plantadas num jornalão paulista.

Já o relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), esquecido do compromisso liminar de moderação, saiu-se com uma disparatada comparação segundo a qual Lula pode acabar como Fernando Collor de Mello.

Como se não bastasse, temos a metralhadora canora de Roberto Jefferson dizimando um número crescente de desafetos; e a síndrome Nicéia Pitta convertendo desavenças conjugais em explosivos escândalos políticos.

O espectro do fisiologismo materializado com a eleição de Severino Cavalcanti de repente ganhou proporções gigantescas com a troca escancarada de cargos por votos, votos por verbas, nomeações políticas para cargos técnicos, propinas, mesadas, licitações fajutas e chantagens. O Legislativo está definitivamente comprometido, o Executivo foi maculado, os partidos desacreditados, as ideologias convertidas em peças de museu.

Redações fragilizadas

No meio dessa confusão, uma imprensa incapaz de processar e hierarquizar tanta informação. Não bastasse, ela própria começa a ser respingada como o comprovam as gravações da Polícia Federal sobre a ajuda da Schincariol a empresas jornalísticas em dificuldades.

Se antes de instalada a CPI dos Correios era concreto o perigo da pizza insossa e massuda, agora o perigo reside num banquete com excesso de acepipes e o inevitável fastio.

Enquanto a CPI dos Precatórios foi convertida pelo relator, Roberto Requião, num circo para exercícios inquisitoriais, esta nova CPI corre o risco de ser consumida pela competição com a Comissão de Ética e a Corregedoria da Câmara dos Deputados.

Diante da real possibilidade de uma dezena de cassações é evidente que os parlamentares que nada têm com o mensalão farão o possível para atrair os holofotes. E os culpados, inspirados na Lei de Jefferson, farão o impossível para aumentar o número de incriminados e assim desaparecer na multidão.

Para enfrentar a incrível enxurrada de lama temos uma imprensa ainda descapitalizada, desorientada no tocante ao seu papel diante do real interesse da sociedade, fragilizada pela pobreza de recursos humanos, perdida nos excessos de opinionismo e escassez de papel. Os poucos profissionais treinados na cobertura de CPIs agora estão envolvidos pela burocracia em cargos de chefia, a maioria foi para assessorias de imprensa ou consultorias de risco.

As perspectivas não são boas para o país, mas são um pouco piores para a imprensa.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

DEMOCRATIZAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES
O muito que ainda pode ser feito
Venício A. de Lima (*)

Em artigo anterior – "Regulação e o jogo pesado do poder" –, argumentei que, ao contrário dos setores de saúde, emprego e educação, por exemplo, a comunicação ainda não é percebida como um direito humano fundamental pela imensa maioria da população. Essa é, certamente, uma das razões pelas quais, entre nós, os grupos dominantes da grande mídia privada e comercial sempre se recusaram a admitir avanços no sentido da democratização das comunicações e consegue fazer prevalecer seus interesses na regulação do setor.

Esse argumento não significa que nada há por fazer. Ao contrário. Existem várias iniciativas que podem e devem ser tomadas por instituições e movimentos da sociedade civil que trabalham na perspectiva de que "um outro mundo é possível" nas comunicações brasileiras. Alguns exemplos, não necessariamente na ordem de sua relevância:

1. A criação de jornais, revistas, emissoras de rádio, de televisão e agências online, alternativos à grande mídia, deveria constituir prioridade absoluta. É preciso que grupos empresariais alternativos e organizações da sociedade civil disputem as novas concessões de radiodifusão quando licitadas pelo Ministério das Comunicações.

Ao contrário de países como México, Espanha, Itália e França – para citar apenas alguns – até hoje não se conseguiu, a não ser por curtos períodos, constituir no Brasil uma mídia alternativa e economicamente viável. Existem experiências, em andamento, com histórico e potencial para se firmarem definitivamente no "mercado" brasileiro. Exemplos importantes são a CartaCapital, a Agência Carta Maior e a Caros Amigos.

2. A municipalização da competência para legislar sobre rádios comunitárias, apoiada em interpretação específica do inciso IV do Artigo 22 da Constituição, defendida pelo jurista Paulo Fernando Silveira, abre uma nova perspectiva para a comunicação comunitária. Projetos de lei nesse sentido já foram aprovados em importantes cidades, inclusive em São Paulo, onde aguarda sanção do prefeito José Serra.

São bandeiras fundamentais a modificação da atual legislação da radiodifusão comunitária; a regularização das emissoras de rádio que a grande mídia chama de "piratas"; a criação de um fundo de apoio público permanente para a radiodifusão comunitária; a suspensão do fechamento de emissoras de rádio pela Anatel e o fim das prisões que continuam sendo feitas pela Polícia Federal.

3. Uma das explicações oficiais utilizadas para justificar o recuo do governo federal em relação às RTVIs (Retransmissoras de Televisão Institucionais) foi a necessidade de que primeiramente funcionem os Conselhos Municipais de Comunicação Social (CMCS). Esses CMCS podem ser criados por iniciativa de qualquer vereador e basta a aprovação de uma lei municipal. Uma referência possível, por exemplo, seria o CMCS de Porto Alegre que, embora não tenha sido ainda institucionalizado, funcionou e tem projeto de lei pronto.

4. Acompanhar as renovações e as novas outorgas de concessões das emissoras de rádio e de televisão existentes no município poderia ser uma das primeiras tarefas desses CMCS. Nem todos sabem que as emissoras de rádio e televisão são concessões públicas precárias, de 10 e 15 anos, respectivamente. O verdadeiro dono do serviço público de radiodifusão é o cidadão e não o empresário privado que explora a concessão.

Os CMCS deveriam obter junto ao Ministério das Comunicações a relação das concessões existentes em seu município e as datas de vencimento de cada uma delas. Essa informação deveria ser amplamente divulgada na comunidade. Subcomissões dos CMCS poderiam ser criadas para acompanhar as programações dessas emissoras – e usariam como critério de avaliação as normas estabelecidas no capítulo da Comunicação Social da Constituição (Artigos 220 a 224), ou seja, a ausência de oligopólios e monopólios na mídia; a preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; a promoção da cultura nacional e regional; a regionalização da produção cultural, artística e jornalística; e a complementaridade dos sistemas privado, público e estatal.

À época da renovação dessas concessões, as avaliações feitas nas comunidades deveriam ser encaminhadas à Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados – que julga os pedidos – com cópia para os deputados federais da região e como expressão da opinião da comunidade.

Disputas internas

Outra tarefa dos CMCS poderia ser explicitar as relações existentes entre políticos profissionais e entidades concessionárias de rádio e televisão. Como se sabe, há no Brasil um vínculo histórico entre a mídia e as elites políticas locais e regionais, quase sempre escamoteado, e que muitas vezes só se revela pelo conhecimento direto das relações de parentesco nas comunidades.

A existência dos CMCS não é, evidentemente, condição necessária para que se realizem as tarefas acima sugeridas e tantas outras. Qualquer grupo de cidadãos pode realizá-las.

5. Embora a Constituição determine a observação do princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal para a outorga e renovação de concessões, permissões e autorizações de radiodifusão (Artigo 223), até hoje não existe positivação legal do que seja o sistema público. Certamente é da maior importância o debate em torno das diferenças entre os sistemas e a construção conceitual que possa fundamentar uma legislação regulamentando os sistemas público e estatal na sua complementaridade com o sistema privado.

Dentro dessa perspectiva, o fortalecimento da mídia pública e da estatal – federal, estadual e municipal – é necessário na busca do próprio equilíbrio entre os sistemas privado, público e estatal. Elas precisam se consolidar para serem complementares à grande mídia privada. Os movimentos da sociedade civil podem colaborar com sua audiência e com sua participação concreta nessas experiências.

6. Em diversos países do mundo os "observatórios de mídia" exercem um papel permanente de reflexão crítica sobre o setor de comunicações. Eles constituem a melhor maneira de avaliar a mídia de acordo com seus próprios critérios: objetividade, neutralidade, pluralidade e diversidade, dentre outros. O resultado é que, muitas vezes, a grande mídia é flagrada em contradição com suas próprias normas.

Tornar públicas essas contradições, além de aumentar a consciência coletiva crítica sobre como "funciona" a grande mídia, exerce também um importante papel pedagógico. Envolver sindicatos, associações comunitárias, entidades estudantis e cursos de comunicação no trabalho de "observação" permanente da grande mídia é, portanto, tarefa básica.

No Brasil, este Observatório da Imprensa é um dos pioneiros na crítica de mídia. Recentemente foi também criado o Observatório Brasileiro de Mídia, uma iniciativa da ECA-USP em parceria com a ONG Observatório Social e o Media Watch Global – um observatório internacional, com sede na França – que já revelou o forte desequilíbrio na cobertura dos principais jornais locais sobre as eleições municipais de São Paulo, em 2004.

7. Os cursos de comunicação deveriam preparar seus milhares de alunos, prioritariamente, para exercer sua profissão em uma nova mídia que precisa também ser construída como alternativa à grande mídia privada. Isso implica mudar os velhos paradigmas dominantes no ensino e na pesquisa de comunicação. Não é tarefa simples, nem fácil. No entanto, é absolutamente necessária.

Outras iniciativas locais como a introdução nos currículos escolares de disciplinas sobre a mídia, a criação de associações de ouvintes, telespectadores e leitores, e a criação de circuitos alternativos de cinema e vídeo certamente poderão ser tomadas.

Como se vê, apesar do forte desequilíbrio existente na correlação de forças entre os principais atores que têm interesses em jogo, muito pode ser feito. Às vezes, avanços não acontecem em razão das complicadas disputas internas ainda existentes dentro do próprio campo alternativo. Esse é outro obstáculo histórico a ser superado por aqueles que acreditam que "um outro mundo é possível" nas comunicações brasileiras.

(*) Pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política (NEMP) da Universidade de Brasília e autor, entre outros, de Mídia: Teoria e Política (Editora Fundação Perseu Abramo, 2ª ed., 2004)


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

Rio de Janeiro:

Lucia Hippolito – Cientista Política
"Achei o programa ótimo, bem ágil e o processo está apenas começando, por isso devemos ter mais programas sobre o tema."

São Paulo:

César Felício – Repórter Valor Econômico
"É sempre muito difícil falar de um processo que está em seus primeiros passos. Esse programa foi ao ar quando a CPI dos Correios estava ouvindo seu primeiro depoimento. Senti que nós todos estávamos tateando sem saber onde vai dar isso tudo."


PERGUNTAS

E-mails recebidos na semana de 21/06 a 28/06:

Humberto Ferreira, Rio de Janeiro
Amigos, com os avanços tecnológicos, por que a CPI ainda não usa o detector de mentiras nos depoimentos?

Antonio Castigliola, Rio de Janeiro – Jornalista
A meta de precisão e imparcialidade do noticiário político, tendo em vista que boa parte dos jornalistas fixos que fazem a cobertura diária do Congresso estabelecem uma relação de promiscuidade com os parlamentares, é possível de ser atingida?

Nilmar Lage, Ipatinga / MG
Houve, na época do caso Waldomiro, rumores sobre uma possível tentativa de um golpe liderado pelo PSDB. Estaria acontecendo algo parecido com o caso dos Correios?

Sérgio Pinheiro, Niterói / RJ
Prezada Lucia Hippolito, em relação às denúncias de corrupção, por que a mídia não fez tanto estardalhaço nos oito anos do governo FHC com o engavetador-geral da República; ou o governo Sarney com as concessões de rádio e TV ou mesmo o regime militar com suas obras faraônicas que tanto aumentaram a dívida externa? A quem interessa o denuncismo sem prova?

Fernando Monçores Velloso, Rio de Janeiro – Psiquiatra
Sabemos que esse mar de lama que inunda o nosso meio político não surgiu ontem, apenas ele vem sendo melhor diagnosticado. Acontece que os políticos estão se especializando em criar condições para que a corrupção seja soberana. Senão vejamos: imunidade parlamentar; foro especial; loteamento de cargos em razão de votações ou coligações; poder renunciar para não ser cassado e se livrar de inelegibilidade; partidos que recebem doações milionárias sendo depois cobrados pela figura dos lobistas, entre outros, não estariam na gênese deste caos que erradamente vem sendo chamado da pior crise política da nação, mas que de fato trata-se de uma crise moral? Pergunto: não há meios de se acabar com os mecanismos acima descritos que sabidamente estão intimamente ligados à disseminação da corrupção?

Roberto
Ontem no Roda Viva, o Dep. Roberto Jefferson constrangeu os jornalistas ao se referir ao financiamento de campanha. Por que não se aprofundaram no tema quando ele falou do dinheiro que havia dado ao PSDB para financiar a reeleição do FHC?

Janaína Pereira Monteiro
A mídia tem importância fundamental na cobertura das CPIs, e nas instalações também. A quantidade de veiculações das falas do dep Roberto Jefferson, e demais comentários, chega a proporções de overdose. A ponto de, como disse o Tutty no Nomínimo: "...fiquei com nojo do mamão papaia", se referindo às manchetes sobre Jefferson, logo pela manhã. Mas por que as denúncias de compra de votos para reeleição de FHC não tiveram volume na mídia? E mais, por que a denúncia feita por Jefferson, ontem no programa Roda Viva, sobre repasses ilícitos feito ao PSDB, não mereceu atenção da imprensa hoje? Fica parecendo que para os amigos... Afinal, a mídia tem amigos e inimigos definidos?

Ana Simões
Parabéns pela idealização desse programa. Que prazer e honra desfrutarmos da presença de um profissional como Alberto Dines!


Telefonemas recebidos em 21/06:

Alexandre Teles, Recife / PE
De que forma a CPI pode ajudar praticamente a elucidar os fatos por ela investigados?

Maria Passos, São Paulo
Por que o Roberto Jefferson tem foro privilegiado como deputado e os outros deputados a quem ele ataca não podem se defender?

Valmir da Silva, Olinda / PE
Lucia Hippolito, como você avalia a atuação do político brasileiro?

José Raimundo, Salvador / BA
Lucia Hippolito, se acontecer realmente a CPI dos bingos, a situação do ex - ministro José Dirceu se complica?

Cristiano Lins, Recife / PE
O Aluísio Mercadante teria coragem da fazer a José Dirceu a mesma pergunta que fez a PC Farias?

Aluísio Martins, Campinas / SP
Lucia Hippolito, essa quebra de sigilo e de telefone é realmente eficiente na investigação?

Filomena de Oliveira, Cotia / SP
Lucia Hippolito, por que a cúpula do PT, em especial o José Dirceu e o Genuíno, insiste muito em dizer que a CPI pode desestabilizar o Governo?

Adalberto Braga, São Francisco de Paula / RS
Não seria importante que o dono da SMPIB seja investigado? Ele pode ser importante como um elo nessa investigação e até agora essa questão não foi levantada.

Eliana Monteiro, Rio de Janeiro
Por que o presidente Lula não mandou logo afastar o José Dirceu, Silvio Pereira e Delúbio Soares, se realmente ele disse que iria cortar na carne?

Ruy Fulgêncio, Belo Horizonte / MG
Qual o propósito do governo de realizar uma auditoria para examinar o governo Fernando Henrique? Ele não estaria também tentando desviar o foco dos problemas em que o PT está envolvido?

Leonardo Macedo, São Paulo
Quando questionado se ele não temia sofrer algum atentado, Roberto Jefferson afirmou não ter medo, pois tal fato não aconteceria porque isso provocaria a queda da República. O que o levou a fazer tal afirmação? Ele não possui poder demais nas mãos?

Enilson Costa, Rio de Janeiro
Alberto Dines, você não acha que a imprensa brasileira padece de uma carência de valorização das chamadas provas circunstanciais tanto quanto as testemunhais e as documentais?

Uerinton Fernandes, Belo Horizonte / MG
O publicitário Marcos Valério presta serviço para o governador de Minas, Aécio Neves. A imprensa está fazendo várias denúncias, por que então isso ainda não foi divulgado?

Sergio Torres, Rio de Janeiro
Há uma tendência da imprensa em tratar o PT como vítima, já que o partido por tanto tempo lutou contra a corrupção de outros governos.

Aylton Gonçalves, Barueri / SP
Como a imprensa irá fiscalizar a CPI? Será possível divulgar todas as informações sem ser censurado pelos investigadores?

Paulo Cunha, Feira de Santana / BA
Uma CPI tão ampla não pode acabar engessando o Congresso? O País pode parar pela inoperância de deputados e senadores?

Humberto Pereira, Rio de Janeiro
Com o descrédito dos parlamentares que são alvo das investigações, não seria o caso de utilizar um detector de mentiras? Isso não daria mais credibilidade à CPI?



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