RESUMO DO PROGRAMA
JORNALISMO
INVESTIGATIVO
O
Observatório da Imprensa do dia 31 de maio debateu o jornalismo
investigativo, sua importância e peculiaridades.
Alberto
Dines iniciou o editorial falando sobre o vídeo que flagrou a negociação
de propina nos Correios, divulgado pela revista Veja. "Este tipo de
denúncia pode ser classificada como jornalismo investigativo? Já nas
primeiras edições do Observatório contestamos o tal ‘jornalismo
fiteiro’ onde os jornalistas apenas veiculavam fitas, vídeos e dossiês
preparados por gente quase sempre tão corrupta quanto os
denunciados". Em seguida falou sobra a importância do jornalismo
investigativo propriamente dito. "É um esforço quase sempre anônimo,
muitas vezes solitário, exaustivo, arriscado, veiculado por órgãos de
imprensa dispostos a investir na defesa do interesse público."
Participaram
do programa, Joaquim de Carvalho, repórter do Jornal da Record e autor
de ‘Basta!’ e dois repórteres especiais da Folha de São Paulo:
Elvira Lobato, autora de ‘Instinto de repórter’, e Frederico
Vasconcelos, autor de ‘Juízes no banco dos réus’.
Elvira
Lobato iniciou o debate falando sobre a importância da informação em
off. "Ela é fundamental porque normalmente é o começo da apuração.
A obrigação de revelar a fonte inviabilizaria o nosso trabalho."
Deu continuidade afirmando que "as novas fontes de informação,
como a internet, facilitam a nossa pesquisa pela rapidez com que você
consegue localizar algumas informações. No entanto isso não vai ser o
diferencial no seu trabalho. O diferencial é a sua observação no
local." Disse ainda: "Talvez a tecnologia moderna nos
atrapalhe no sentido de que você ouve menos o outro e assim você pode
estar desprezando uma fonte de informação muito importante."
Joaquim
de Carvalho relatou algumas das evidências levantadas por ele durante a
cobertura do caso PC. "Fui para Alagoas cobrir um caso de queima de
arquivo, mas as evidências indicavam crime passional. Apesar disso a
imprensa continuou dando versões, até mentirosas. O caso chegou a ser
reaberto com uma informação, na minha opinião, errada. Uma fotografia
legitimada por um parecer de alguém que não era especialista em
imagem." Concluiu afirmando: "Existe uma indústria de
pareceres no Brasil. Eu acho que isso deve ser discutido pela imprensa.
Você publica uma informação errada, consegue um parecer, legitima ela
e isso passa para o grande público como uma informação livre de
qualquer suspeita."
Frederico
Vasconcelos falou sobre o que o levou a publicar o livro "Juízes
no banco dos réus". "Quando eclodiu a operação ‘Anaconda’,
houve uma divulgação generalizada de documentos, gravações e referências
a processos que tinham muito a ver com a situação que ocorria dentro
do Tribunal Regional Federal, onde determinada turma de juízes estava
colocada sob suspeição pelo Ministério Público." Concluiu
dizendo: "Para investigar o Judiciário você deve ter em mente que
está fazendo jornalismo. Você não é juiz e nem procurador para
denunciar, não deve fazer julgamento. Neste tipo de investigação não
tem muito peso o jornalismo declaratório. O importante é você se
fundamentar na consulta aos autos e aprender com a prática do judiciário
o respeito ao contraditório. É você quem vai buscar sempre mais versões
para um mesmo fato e dá sempre espaço para que a parte acusada se
manifeste."
Camilla Rizzo (estagiária)
EDITORIAL
Bem-vindos
ao Observatório da Imprensa.
Enquanto
discutíamos o referendo do desarmamento em nossa última edição, a
cidade de São Paulo estava sendo castigada por um dilúvio, o maior em
23 anos. Você tomou conhecimento indireto da catástrofe. Foi quando
informamos, já no final, que por causa da chuva a Embratel ficou sem
condições de transmitir o áudio da ultima intervenção do convidado
presente à TV Cultura, o presidente da ONG que defende o armamento.
Não
poderíamos imaginar que o dilúvio real vivenciado por alguns milhões
de paulistanos seria convertido numa fuzilaria digital não menos
perversa. Foi exatamente isso o que aconteceu. No dia seguinte: uma onda
de e-mails evidentemente orquestrados, acusava este Observatório de
parcialidade e censura. A tropa de choque dos armeiros esqueceu a chuva,
as inundações e desconsiderou as brilhantes intervenções da Deputada
Denise Frossard que é contra o desarmamento mas defende as suas idéias
de forma brilhante. O advogado Bene Barbosa, a favor do armamento falou
o mesmo número de vezes do que o deputado Raul Jungmann, a favor do
desarmamento. Procuramos ser equitativos mas a turma do gatilho quer
apenas fazer barulho. Como não conseguiu fuzilar S. Pedro por causa do
dilúvio a turma do gatilho tentou fuzilar este Observatório. Não
conseguiram, nem conseguirão.
Um vídeo
de menos de dois minutos está sendo discutido há 3 semanas
ininterruptas. A mídia não fala em outra coisa. Os desdobramentos do
flagrante da propina nos Correios divulgado pela revista
"Veja" gerou uma crise política sem precedentes. Pergunta-se:
este tipo de denúncia pode ser classificado como jornalismo
investigativo? Já nas primeiras edições deste Observatório
contestamos o tal "jornalismo fiteiro" onde os jornalistas
apenas veiculavam fitas, vídeos e dossiês preparados por gente quase
sempre tão corrupta quanto os denunciados.
Hoje
vamos tratar do jornalismo investigativo propriamente dito, aquele
empenho idealista de desvendar o que está escondido. Estamos
interessados no esforço quase sempre anônimo, muitas vezes solitário,
exaustivo, arriscado, veiculado por órgãos de imprensa dispostos a
investir na defesa do interesse público.
Por
coincidência os três exemplos do jornalismo investigativo que vamos
mostrar resultaram em livros que agora estão sendo lançados ou
relançados: "Instinto de Repórter" de Elvira Lobato
repórter da Folha de S. Paulo, "Basta!" de Joaquim de
Carvalho então na "Veja" e hoje na "Record" e
"Juízes no Banco dos Réus" de Frederico Vasconcelos também
da "Folha". Eles não produziram CPI's mas resgataram os
eternos paradigmas da boa reportagem e do bom jornalismo.
Isso não
significa que apenas o formato de livro sirva como selo de qualidade do
jornalismo investigativo. A sucessão de denúncias do "Globo"
inclusive sobre as fraudes nas últimas eleições em Campos, Estado do
Rio, comprovam que o bom jornalismo de investigação, independe do
formato com que chega ao público. O "vídeo da propina" é
legítimo sob o ponto de vista legal. Sob o ponto de vista político é
uma bomba-arrasa-quarteirão. Mas a este Observatório da Imprensa neste
seu sétimo aniversário interessa lembrar que certos meios de buscar a
verdade podem prejudicar a própria verdade.
ARTIGO
Por Alberto Dines
MÍDIA E GOVERNO ENTALADOS
Ninguém quer descobrir quem fez o "Vídeo da Propina"
Alberto Dines
A mídia só pensa naquilo – a
CPI dos Correios. Corrupção é assunto quente e o impacto produzido
pelo "Vídeo da Propina" não permite tergiversação.
Aquela conversa tranqüila e camarada
entre o corrupto e o corruptor jamais poderia ser reproduzida com
tamanha força mesmo que fosse ensaiada, retocada, desenhada ou recriada
em computador. Aquela happy hour descompromissada e distendida
(faltou o uisquinho e uns salgadinhos) é um flagrante inédito,
impressionante e definitivo da vexatória e fraterna convivência entre
a máquina corruptora e a máquina corrompida depois do expediente.
O "Vídeo da Propina"
ganharia fácil um Oscar ou a Palma de Ouro de Denúncia se tal
categoria existisse num festival de cinema ou TV. No entanto, nem a mídia
(que o divulgou) nem o governo (do qual é vitima) perceberam que o
"Vídeo da Propina" é muito mais do que o ponto de partida
para o desvendamento de um tenebroso episódio da nossa vida política.
Poderia ser, além disso, o meio através do qual as primeiras investigações
pudessem ganhar tal velocidade que tornaria secundária a CPI.
Para isso bastaria que tanto a imprensa
como o governo dessem mais atenção ao vídeo e às perguntas básicas
nele entrelaçadas:
**
Quem eram os empresários que armaram o impecável flagrante?
**
De que maneira aquela esplêndida peça videográfica foi parar na redação
do mais importante semanário brasileiro?
A próxima atração
O governo não se mexeu nesta direção
por puro pudor – desconhecia e, por isso, temia a extensão do
pantanal nos porões dos Correios. Preferiu concentrar-se durante as
primeiras semanas no esforço para impedir a CPI.
A mídia não se mexeu igualmente por
pudor – não lhe interessava (como instituição) desvendar suas
intimidades à sociedade nem expor os canais de comunicação
estabelecidos nos últimos anos entre os interesses contrariados e o
chamado "jornalismo investigativo".
Nenhum dos grandes veículos – nem as
entidades que os congregam – estão dispostos a condenar a espúria
conexão e este tipo de jornalismo a serviço da corrupção
simplesmente porque estão à espera de que, numa próxima oportunidade,
sejam eles os beneficiados. E na expectativa do próximo prêmio, nossa
mídia desenvolveu uma moralidade às avessas na qual as únicas infrações
denunciadas são aquelas cometidas por infratores mal-sucedidos. As
bem-sucedidas jamais serão conhecidas e a mídia raramente anima-se a
investigá-las.
Quando a imprensa e seus procedimentos
forem efetivamente assuntos da imprensa, quando os holofotes da mídia
puderem dirigir-se à própria mídia, então teremos uma sociedade
provida de instrumentos capazes de saneá-la.
Enquanto isso não se dá, aguardemos o
próximo vídeo. Uma coisa é certa – será de grande qualidade.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
ANA PAULA PADRÃO
O canto de sereia da celebridade
Ricardo A. Setti (*)
A ruidosa transferência da jornalista
Ana Paula Padrão da Rede Globo para o SBT mobilizou a atenção dos
jornais e revistas de grande circulação, mas obteve destaque maior no
chamado jornalismo de celebridades e na chamada imprensa de fofocas
propriamente dita: certas colunas de jornais, determinadas revistas, seções
"especializadas" em portais de informação, programas de TV.
Especulou-se sobre o salário, em vários casos com cifras risíveis de
tão inverossímeis, comentou-se uma suposta briga com a Globo, falou-se
de detalhes – reais ou imaginários – de sua vida pessoal.
A chamada imprensa de fofocas mais
rasteira em todas as situações seguiu o costumeiro padrão de
qualidade: não ouviu uma só palavra da principal interessada, não
apresentou uma única fonte de informação minimamente qualificada.
Nos casos em que os fatos foram
apresentados de forma correta ou não, concedeu-se à jornalista
tratamento de celebridade – como o conferido a atrizes, jogadores de
futebol, cantores, modelos, socialites.
O jornalista como celebridade
Isso parece consolidar, na história
recente do jornalismo brasileiro, algo que já se esboçara
anteriormente em mudanças de emprego semelhantes e que parece o
resultado de uma pirueta lógica: um jornalismo de celebridades no qual
a celebridade objeto de atenção do jornalismo é, ela própria, uma
jornalista.
Ninguém contesta os méritos de Ana
Paula Padrão. Realizou um bom trabalho como repórter política em Brasília,
desincumbiu-se das tarefas de correspondente da Globo em Nova York e em
Londres, adquiriu experiência e maturidade e não teve maiores
problemas em ocupar com desenvoltura o lugar de Lilian Witte Fibe quando
a direção de jornalismo global, num gesto criativo, resolveu pinçá-la
como âncora do Jornal da Globo. Não se limitando a pilotar o
telejornal da bancada em São Paulo, Ana Paula Padrão conseguiu espaço
para, voltando a ser repórter, realizar boas reportagens, como a série
feita no Afeganistão após a derrocada do regime lunático do Talebã
pelas forças armadas dos Estados Unidos, em 2001.
Ocorre, porém, que nada garante que
Silvio Santos tenha contratado a ex-âncora do Jornal da Globo por
seus méritos jornalísticos. O dono do SBT nunca foi muito próximo
dessa questão: não entende de jornalismo, tem grande dificuldade em
relacionar-se com a mídia como empresário, não faz segredo do quanto
desconfia de jornalistas e produziu consideráveis estragos sempre que
tentou intervir, ou efetivamente interveio, nos rumos da emissora nesse
terreno.
Silvio Santos, critérios insondáveis
e Boris Casoy
Os critérios de SS são inteiramente
insondáveis. Quando finalmente resolveu criar um jornalismo vigoroso em
sua rede de TV, em 1987-88 – quase uma década depois de ter ganho a
concessão do governo do general João Figueiredo – Silvio, que não
conhecia ninguém no meio, resolveu encarregar da missão o jornalista
Marcos Wilson, bom profissional da mídia impressa que, entre outras funções,
fora correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires.
Mas o currículo do jornalista contou
menos do que a mútua empatia surgida, meses antes, durante a longa,
franca e por isto mesmo raríssima entrevista que Marcos Wilson fez com
Silvio Santos para o Estado. Publicada a matéria, o empresário
e apresentador declarou-se maravilhado com o fato de o repórter ter
registrado com precisão e rigor as declarações que fizera, como se
isso fosse alguma exceção milagrosa no trabalho dos jornalistas.
O corajoso segundo passo que foi, por
iniciativa de Marcos Wilson, Silvio levar para o SBT, em 1988, outro
profissional de peso e ainda maior visibilidade da mídia impressa,
Boris Casoy – então na Folha de S.Paulo, de que tinha sido
editor-chefe – tornou excelentes resultados que já vinham sendo bons.
Com o editor-chefe-adjunto Dácio Nitrini, que até hoje o acompanha na
Record, Boris tornou o telejornal TJ Brasil respeitado e trouxe
para o popularesco SBT audiência, prestígio e retorno de anunciantes.
Tal trajetória não se desenvolveu, porém, num permanente mar de
rosas.
Houve dificuldades de conciliar a
autonomia contratual assegurada a Boris com a estrutura única da área
de jornalismo comandada por Marcos Wilson. Com o tempo, separaram-se as
equipes e as redações: Boris com o TJ Brasil, Marcos Wilson
responsável por todas as demais iniciativas da rede em jornalismo. E
Boris só viria a se aborrecer muito depois, com as constantes mudanças
na grade de programação decididas por Silvio Santos consultando
somente a si mesmo, que tornavam muitas vezes incerto o horário de ir
ao ar até da edição do telejornal do próprio dia. Essa situação
fez o âncora ceder ao assédio da Record, em 1998.
A sedução dos holofotes
Ana Paula Padrão não deve se iludir.
Embora protegida contratualmente, como apregoou, esse tipo de problema
certamente vai aparecer em seu caminho, cedo ou tarde. E há fortes indícios
de que, embora o dono do SBT esteja ciente das credenciais da
jornalista, saiba ou não avaliá-las a contento, a contratação se deu
em grande medida por se tratar de uma celebridade global a ser
arrebatada à líder do mercado. Aí reside boa parte dos riscos que a
jornalista, até aqui com uma carreira ascensional digna de nota, poderá
enfrentar.
A sedução dos holofotes da
celebridade já afastou do melhor caminho do jornalismo vários
profissionais. Não cabe aqui, é claro, julgar a escolha pessoal de
ninguém. Qualquer pessoa obviamente tem o direito de optar pelo caminho
que quiser, inclusive por esse, e de ser respeitada. Mas, se a pessoa em
questão considera que ganha, em geral quem perde é o jornalismo.
Marília Gabriela continua sendo um
nome forte, uma entrevistadora de méritos. Sua opção por múltiplos
caminhos – entre outras atividades, gravou CD como cantora, desfilou
em passarela, atuou em telenovela –, contudo, deixou sem resposta a
pergunta de até onde poderia ter chegado quem, 16 anos atrás, mediava
debates entre candidatos à Presidência da República.
Pedro Bial muito provavelmente pesou prós
e contras, e decidiu-se pelos primeiros, ao aceitar cruzar a linha que
separa o jornalismo do entretenimento e tornar-se não apenas
apresentador do Fantástico (espécie de síntese da indesejável
mistura entre essas duas categorias) como, desde há cinco anos, do Big
Brother Brasil – senda que o conduziu a atuar, recentemente, no Casseta
& Planeta Urgente. Com certeza, porém, prestava maiores serviços
ao jornalismo quando gramava arduamente em reportagens a partir da base
de correspondente em Londres, inclusive as que produziu na Europa
Oriental em transe no pré e no pós-queda do Muro de Berlim.
A "cultura da celebridade":
dupla praga
A "cultura da celebridade"
constitui, pois, uma dupla praga para o jornalismo: de um lado, ela faz
com que se mobilizem enormes recursos da mídia para a cobertura de algo
de importância social nula, mas que tem uma legião de
leitores-telespectadores-ouvintes-internautas interessados e, portanto,
é terreno fértil para o mercado anunciante; de outro, ameaça ela própria
afetar – e enfraquecer – o trabalho de jornalistas de evidência
que, de uma ou outra forma, acabam sugados pelo seu vórtice.
Mesmo quem continua no trabalho
quotidiano no jornalismo, principalmente mas não apenas nessa grande
vitrine que é a TV, não está isento da área de influência dessa
"cultura". É cada vez mais freqüente a aparição de
jornalistas de peso em notas e reportagens de colunas sociais, de
revistas de "famosos", em revistas de fofocas propriamente
ditas e em programas de TV do gênero, a maioria francamente lamentáveis.
No caso de jornalistas mulheres,
estrelam com assiduidade cada vez maior capas de revistas femininas,
superproduzidas e transformadas em modelos de beleza, elegância e
sensualidade, são ouvidas em programas fúteis, acabam dando conselhos
e falando da vida privada – atitudes a anos-luz de sua missão
profissional. Jornalistas homens e mulheres com visibilidade pública
tornam-se um chamariz e são disputados como apresentadores de eventos e
mestres-de-cerimônias em festas de empresas.
Ser celebridade desvia o jornalista da
rota
Tudo isso prejudica enormemente a
figura e o trabalho do jornalista. A teia de relações sociais trazida
pela condição de celebridade – quando a ela adere o jornalista –
vai progressivamente dificultando sua atuação. Fica mais difícil
tocar em determinados assuntos, contrariar certos anseios, melindrar
determinadas personalidades. Os conflitos de interesse espreitam a cada
momento. A imagem de austeridade e independência do jornalista,
ferramentas essenciais de seu trabalho, é arranhada. O objetivo
profissional e ético do jornalista, sua razão de ser – informar o
mais corretamente possível o público – acaba sofrendo inevitáveis
desvios de rota.
Perde o jornalista, perde o veículo
para o qual ele trabalha, perde a sociedade, a serviço da qual, em última
instância, devemos estar todos nós, jornalistas.
Resista ao canto de sereia, Ana Paula.
(*) Jornalista
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
Rio de
Janeiro:
Elvira
Lobato – Repórter especial Folha de S. Paulo
"Achei
o programa ótimo, bem como os convidados."
São
Paulo:
Frederico
Vasconcelos – Repórter especial Folha de S. Paulo
"Achei
que esse programa foi muito aberto, muito democrático, importante
principalmente para essa nova geração de jornalistas."
Joaquim
de Carvalho – Repórter do Jornal da Record
"Foi
um programa maduro, a prova de que nós jornalistas podemos discutir
sobre nós mesmos."
PERGUNTAS
E-mails recebidos na
semana de 31/05 a 07/06:
Marcelo
Idiarte, Porto Alegre / RS
Dines, o sigilo de fonte não permite também que inverdades absurdas se
tornem fatos 'inquestionáveis'?
Edson
Pessoa
Prezados senhores, claro que esperamos um jornalismo apoiado em meios
lícitos e democráticos que forneça conteúdo de informações e nos
possibilite tomar decisões na vida civil. Porém negamos qualquer
tentativa de formar nossa opinião política, por meios tendenciosos,
usando o jornalismo como instrumento. Saudações.
Leamartine
Pinheiro de Souza, Rio de Janeiro
O fato do Garganta Profunda ser o 2º nos quadros do FBI só corrobora o
que deduzi há longo tempo: Richard Nixon, no caso, fora apenas o boi de
piranha ou a cortina de fumaça para a maior vergonha militar da
história, a fuga desvairada das forças armadas norte-americanas do
Vietnã.
Mauro
Cezar Rebello Cordeiro
Prezados senhores e senhoras, mais uma vez sou obrigado a expressar minha
revolta diante da parcialidade em relação ao tema do desarmamento. O
programa Observatório da Imprensa, exibido no dia 31 de maio de 2005,
não só reafirmou sua posição parcial como propagou calúnias a
respeito dos telespectadores conscientes. Enviei espontaneamente o meu
primeiro e-mail manifestando meu descontentamento com a parcialidade com a
qual o tema em questão foi tratado. Quero deixar claro que não faço
parte de "orquestra" alguma e acho que, se existe alguma coisa
"orquestrada" por alguém, é esse movimento insano de
desarmamento da população civil ordeira promovido por organismos
internacionais e nacionais com propósitos escusos. Pelo que venho
observando a partir do estudo da história da humanidade, em nenhum país
do mundo a atitude de desarmamento civil resultou na redução do número
de mortes, muito pelo contrário. Observando atentamente as notícias dos
últimos 12 meses percebemos uma mudança na tipologia dos crimes, e um
considerável aumento dos crimes violentos e com mortes. Os assaltos à
mão armada estão se transformando em execuções sumárias com posterior
roubo dos pertences das vítimas. Bandidos começam a matar cidadãos
desarmados por "esporte". Estamos todos no mesmo barco e a
próxima vítima pode ser qualquer um de nós. Semana passada, por
exemplo, a vítima foi um parente meu, assassinado na frente do filho de 7
anos, sem ter qualquer pertence roubado. A direção do programa e o
apresentador deveriam se informar melhor a respeito do assunto e
permanecerem isentos. A parcialidade em relação ao tema foi nítida,
clara e óbvia. Solicito, mais uma vez, que um novo programa seja
apresentado sobre o importante tema desarmamento, proporcionando igualdade
de condições ao professor Bene do Movimento Viva Brasil, e que além
dele, outras personalidades como cientistas políticos e historiadores,
que discordam do desarmamento, sejam também chamadas. De fato, por
questão de justiça, dois outros programas deveriam ser feitos. No
primeiro, os convidados seriam em sua totalidade contra o desarmamento,
uma vez que no dia 24 de maio não houve um debate, pois a quase
totalidade dos membros era a favor do desarmamento. No segundo programa,
finalmente, os debatedores deveriam ser metade contra e metade a favor,
para permitir um confronto real de idéias. O Brasil precisa de um
jornalismo sério, honesto, que informe a população sem manipulá-la. A
TVE deveria ter uma atitude digna de ser tomada como exemplo, e de ser
lembrada com orgulho por nós brasileiros. Sem mais para o momento.
Vanessa
Alcântara, Fortaleza / CE – Repórter do jornal O Povo
Escrevo este e-mail para manifestar minha decepção com o programa
Observatório da Imprensa desta emissora. Sou jornalista há 15 anos e
tenho pela TV Cultura profundo respeito pelo modo como age eticamente,
até o programa veiculado no dia 24 de maio sobre a campanha do
desarmamento. Ficou explícito o fato de haver somente
"convidados" com a mesma opinião e ficou claro que não houve
nenhum cuidado ou interesse em equilibrar o programa com fontes diversas e
divergentes. Vi o descaso com que foi tratado o presidente do Movimento
Viva Brasil, Bene Barbosa. O único contraponto foi desconectado
rapidamente. Por que? Não era interessante para quem? A própria
emissora? Com o benefício da dúvida continuo sintonizada na TV Cultura,
pelo fato de não ter interesse nenhum em qualquer outra TV aberta. Mas
daqui a pouco tenho medo que nem ela sobre.
Telefonemas recebidos em 31/05:
Adalberto
Lopes, Belém / PA
Joaquim de Carvalho, você pretende escrever sobre a Igreja Universal,
mesmo sendo repórter da Record?
Sanderlei
Vieira, Vitória / ES
É possível existir jornalismo investigativo isento no cenário
econômico pouco favorável às empresas de comunicação?
Evanildo
Aguiar, São Miguel / SP
Joaquim de Carvalho, qual era a sua relação com Kaique Nani, que lhe
conseguiu 214 folhas com as declarações de PC Farias?
Clóvis
Luiz, Rio Branco / AC
O jornalismo investigativo tem barreiras que não pode ultrapassar?
Sagrado
Lamir David, Juiz de Fora / MG
Todos nós sabemos que a frase "aos amigos tudo, aos inimigos a
lei" está mais do que instituída no Brasil. Como substituir nas
prisões os famosos ladrões de galinha pelos sempre impunes da elite?
Cassiano
Medeiros, São Gonçalo / RJ
Você acredita que, como na cobertura do caso PC, houve também
sensacionalismo nessa cobertura do caso da Igreja Universal?
George
Wallace, Olinda / PE
Joaquim Carvalho, na época, quando você foi a Alagoas, chegou a ser
hostilizado pela imprensa local?
João
Carlos, Recife / PE
Gostaria de saber se preservar a fonte também é preservar o furo da
notícia.
Bernardo
Lages, São Carlos / SP
Elvira Lobato, durante sua investigação você sofreu alguma pressão
ou ameaça?
Marco
Antônio, Osasco / SP
Como vocês vêem tanta corrupção sem punição?
Edir
Albino, Brasília
Aqui no Brasil, o poder econômico barra muitas das denúncias. Como
você consegue fazer o jornalismo investigativo e se manter no emprego?