PROGRAMA DO DIA 22 de março de 2005

20 ANOS DE DEMOCRACIA

Neste Observatório debatemos alguns assuntos e fatos que marcaram estes 20 anos de democracia. A eleição de Tancredo Neves e a posse de José Sarney marcaram o fim da ditadura militar.

Será que estas duas décadas de eleição contínua são prova de democracia? E como a mídia se comportou nesta fase?

Em algum momento a imprensa apoiou o Governo ou agiu com imparcialidade?

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

20 ANOS, TUDO NA MESMA
Da Nova República à República das Irrelevâncias

Alberto Dines

Apertado por um repórter competente, o deputado Ciro Nogueira (PP-PI) declarou na sexta-feira (18/3) que embora seu pai seja sócio em duas rádios no seu estado natal, "isso é irrelevante". Candidato a ministro por indicação de seu padrinho Severino Cavalcanti, o deputado não vê conflitos de interesse nem constrangimentos em ocupar a pasta. "As rádios são pequenas e deficitárias", explicou candidamente.

Leia na íntegra

A mídia ajudou a redemocratização do Brasil?

Resultado:

Sim: 63%

Não: 37%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Editorial:

Bem-vindos ao "Observatório da Imprensa".

As manchetes dos jornais de hoje trataram do ultimato que o Presidente da Câmara deu ao Presidente da República: ou nomeava o seu afilhado como Ministro das Comunicações ou ele passaria para a oposição. Ninguém lembrou-se de revelar absurdo maior: se o ex-quase ministro Ciro Nogueira fosse efetivamente nomeado, o governo estaria cometendo uma flagrante ilegalidade já que a família do deputado é dona de duas rádios no Piauí o que caracteriza um conflito de interesses.


Leia na íntegra

LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL
A boa matéria que não foi escrita

Rolf Kuntz (*)

Marta Suplicy foi apenas o pivô do mais temerário ataque à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) perpetrado até hoje. Essa lei é uma das mais importantes inovações políticas desde a Constituição de 1988. Impôs a prefeitos e governadores uma disciplina financeira que nunca havia existido. Limitou os governantes, fortaleceu governo e Estado como instituições permanentes e ampliou os meios de controle democrático do poder.

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

20 ANOS DE DEMOCRACIA

O Observatório da Imprensa de 22 de março debateu o papel da mídia na redemocratização do país. Em editorial, Alberto Dines ressaltou: "Nestas duas décadas da redemocratização muita coisa mudou na imprensa brasileira. Em 1985 ela saiu da censura e da autocensura do regime militar bastante atenta e bastante diversificada. Foi protagonista dos mais importantes episódios, mas aos poucos foram se atenuando os seus compromissos com a democracia. Começou a ficar visível que os interesses da indústria da comunicação nem sempre coincidem com o interesse do público. A imprensa hoje está mais preocupada com a sua sobrevivência econômica e empresarial e menos com o seu aperfeiçoamento institucional".

Participaram do debate o economista Sérgio Besserman no Rio de Janeiro; o professor e pesquisador Venício Lima em Brasília; e o cientista político Bolívar Lamounier em São Paulo.

Logo no início do debate, Venício Lima afirmou: "Com toda a certeza a imprensa tem um papel muito importante neste período. É verdade que as ciências sociais no Brasil demoraram muito a se dar conta da importância da mídia no processo político. Há pouco tempo, um trabalho muito interessante da professora Alzira Alves Abreu, da Fundação Getúlio Vargas, mostrou que, apesar de existirem vários estudos sobre o processo de transição democrática no Brasil, e vários destes estudos se utilizarem da imprensa como fonte de informação, só do final da década de 80 pra cá que alguns analistas começaram a considerar também a mídia como um fator político importante no processo".

Sérgio Besserman continuou: "A renda dos brasileiros nesses 20 anos de democracia cresceu bastante, especialmente a partir do plano real, mas realmente nos últimos anos, basicamente de 1996 para cá, há uma perda de renda ano a ano em decorrência de variados fatores e muitas crises. Mas o ponto que eu acho interessante é associar o bom resultado da economia e a melhoria de renda no bolso dos brasileiros com a dicotomia democracia/ditadura".

Bolívar Lamounier respondeu a um telespectador que indagou se a mídia, por ter seus grandes grupos situados no sudeste, tem preconceito com políticos nordestinos: "Acho que a questão do comportamento dos políticos não tem um corte regional. Nessa questão do fisiologismo, da corrupção, nós temos numerosos exemplos da imprensa nacional sendo dura e enfática na cobertura de políticos de São Paulo, do Paraná e do Rio Grande do Sul. Muitos inclusive tiveram mandato cassado na década passada. Então eu acho que talvez haja uma ênfase exagerada em se caracterizar mais o fisiologismo congressual nordestino do que o do sul. Eu tendo a discordar da pergunta, porque justamente eu me lembro desses numerosos casos, mesmo aqui em São Paulo, em que a mídia foi bastante dura com pessoas do primeiro plano na política do estado".

Manoel Magalhães (estagiário)


EDITORIAL

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

As manchetes dos jornais de hoje trataram do ultimato que o Presidente da Câmara deu ao Presidente da República: ou nomeava o seu afilhado como Ministro das Comunicações ou ele passaria para a oposição. Ninguém lembrou-se de revelar absurdo maior: se o ex-quase ministro Ciro Nogueira fosse efetivamente nomeado, o governo estaria cometendo uma flagrante ilegalidade já que a família do deputado é dona de duas rádios no Piauí o que caracteriza um conflito de interesses.

A reforma ministerial parece que foi abortada mas deixou a impressão que nem o governo nem a mídia e muito menos o Congresso estão atentos para estas pequenas infrações. Tanto que o próprio Severino Cavalcanti tem a concessão de uma rádio em Pernambuco e ninguém reclama.

Nestas duas décadas da redemocratização muita coisa mudou na imprensa brasileira. Em 1985 ela saiu da censura e da auto-censura do regime militar bastante atenta e bastante diversificada. Foi protagonista dos mais importantes episódios mas aos poucos foram se atenuando os seus compromissos com a democracia.

Começou a ficar visível que os interesses da indústria da comunicação nem sempre coincidem com o interesse público.

A imprensa hoje está mais preocupada com a sua sobrevivência econômica e empresarial e menos com o seu aperfeiçoamento institucional. E quem paga é a democracia.

O fenômeno Severino não teria acontecido se tivéssemos uma cobertura legislativa mais eficaz e mais vigilante. Se tivéssemos uma imprensa efetivamente nacional não teríamos tantas surpresas, se a mídia acompanhasse com mais rigor a distribuição de concessões de rádio e tv pela Câmara não teríamos 30 ou 40% dos nossos congressistas transformados em empresários de comunicação.

O surpreendente ultimato do Presidente da Câmara ao Presidente da República é muito mais do que uma crise política. É uma crise institucional que a imprensa por conveniência teima em ignorar.


ARTIGO
Por Alberto Dines

20 ANOS, TUDO NA MESMA
Da Nova República à República das Irrelevâncias

Alberto Dines

Apertado por um repórter competente, o deputado Ciro Nogueira (PP-PI) declarou na sexta-feira (18/3) que embora seu pai seja sócio em duas rádios no seu estado natal, "isso é irrelevante". Candidato a ministro por indicação de seu padrinho Severino Cavalcanti, o deputado não vê conflitos de interesse nem constrangimentos em ocupar a pasta. "As rádios são pequenas e deficitárias", explicou candidamente.

Ao longo das últimas semanas o nome da senadora Roseana Sarney também freqüentou a lista dos ministeriáveis, mas, como ela é mais versátil, polivalente, havia várias hipóteses em torno do seu futuro endereço na Esplanada dos Ministérios – a mais badalada foi a de que ocuparia as instalações do prédio do Ministério das Comunicações. Ninguém estrilou, ainda que no patrimônio da senadora a lista de concessões de rádio e televisão (no Maranhão e no vizinho Piauí) seja muito mais significativa do que as duas rádios "pequenas e deficitárias" da família Nogueira Lima.

Nossos jornais e jornalistas estão imunizados contra estas e outras irrelevâncias, tanto assim que quando o potentado da mídia eletrônica do Pará, o deputado Jader Barbalho (PMDB), assumiu a presidência da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados, o evidente conflito de interesses foi perfeitamente aceito pela imprensa e, obviamente, por seus pares no Legislativo.

Concentração e baixaria

Impossível identificar o início da prevaricação que acabou por tornar "irrelevante" o fato de um parlamentar beneficiar-se de uma concessão pública. Mas a farra das concessões de radiodifusão na Câmara e Senado começou quando o Vice-Rei da Bahia, Antonio Carlos Magalhães, ganhou de presente o Ministério das Comunicações do seu parceiro no tempo do regime militar, José Sarney, escolhido pelos fados para substituir o agonizante Tancredo Neves.

Tão logo enfiou a faixa presidencial em cima do jaquetão, Sarney encasquetou a idéia de esticar o seu mandato por mais um ano e, para convencer os congressistas a respeito do desprendimento da sua reivindicação, encarregou ACM de convertê-los em felizes proprietários de rádios e repetidoras de TV pelo país afora.

A dupla Sarney-ACM foi a maior distribuidora de concessões de emissoras de rádio e TV de todos os tempos. Se grande parte dos legisladores federais hoje está no negócio de mídia – o que lhes garante estar ao mesmo tempo no negócio da política –, isto se deve à diligente distribuição de benesses promovida por ACM a mando de Sarney.

Calcula-se que a dupla distribuiu entre 958 e 1.028 concessões nos cincos anos em que operou o negócio. Graças a esta generosidade instalou-se então no Legislativo a máquina de disfarçar improbidades que, na semana passada, foi capaz de levar um jovem parlamentar como Ciro Nogueira a assumir publicamente sua incapacidade para distinguir o certo do errado.

A mesma máquina de triturar valores morais e avacalhar os representantes do interesse público foi a artífice do irreversível processo de concentração da mídia eletrônica e consagração da baixaria televisiva que colocou o país na rabeira do desenvolvimento cultural.

Ao comemorar os 20 anos da redemocratização percebe-se que a Nova República de Sarney foi a mãe desta República das Irrelevâncias onde nada espanta e vale tudo.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL
A boa matéria que não foi escrita

Rolf Kuntz (*)

Marta Suplicy foi apenas o pivô do mais temerário ataque à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) perpetrado até hoje. Essa lei é uma das mais importantes inovações políticas desde a Constituição de 1988. Impôs a prefeitos e governadores uma disciplina financeira que nunca havia existido. Limitou os governantes, fortaleceu governo e Estado como instituições permanentes e ampliou os meios de controle democrático do poder.

Para proteger política e juridicamente a ex-prefeita de São Paulo, o governo federal abriu uma brecha nessa legislação. Para conter os protestos, aliviou a situação de prefeitos e governadores, ampliando os limites do gasto até 2016. Este é o resumo da história, que poderá desdobrar-se num amplo estrago financeiro, econômico e político, se não houver um rápido serviço de reparo e de prevenção.

Pena que a dimensão do fato, nos primeiros dias, tenha sido transmitida mais claramente em editoriais e colunas do que nas páginas do noticiário. Pauteiros, repórteres e editores, com algumas exceções, deram mais importância à figura de Helena do que à Guerra de Tróia.

A primeira notícia, assinada por José Ribamar, foi um furo do Estado de S.Paulo, publicada em manchete na terça-feira (15/3). O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, informara ao Senado que Marta Suplicy havia descumprido uma resolução da casa e violado a lei fiscal. A Prefeitura de São Paulo havia negociado com a Eletropaulo, em fevereiro de 2004, um aditivo a um contrato de crédito celebrado em outubro de 2002. O contrato era legal, mas faltou pedir autorização do Ministério da Fazenda para o aditivo.

Divulgada a informação, o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, contou à imprensa o detalhe que faltava: no dia 27 de janeiro, um mês depois do ofício de Palocci ao Senado, o governo editara a Medida Provisória 237 para regularizar a situação da Prefeitura de São Paulo e de várias outras. Segundo o secretário, havia uns 20 municípios na mesma condição. Uma contagem mais cuidadosa indicou apenas seis, além de São Paulo.

Brecha na lei

Não era preciso ter um olfato de sommelier para perceber o que havia ocorrido. Na exposição de motivos da MP, assinada pelos ministros Dilma Roussef, de Minas e Energia, e Antônio Palocci, havia uma estranha defesa do Reluz, o programa de iluminação objeto dos contratos. Era no mínimo estranho deixar esse tipo de investimento fora das normas fiscais. Se esse critério fosse ampliado – e por que não? – a disciplina orçamentária ficaria restrita ao gasto com cafezinho – se ninguém decidisse criar um incentivo à cafeicultura nacional. Quem acreditaria que o ministro da Fazenda entrasse numa jogada como essa por sua iniciativa?

Mas isso não era tudo. O secretário do Tesouro anunciou também que estados e municípios com endividamento acima do admitido só terão de se enquadrar em 2016. Até lá poderão receber as transferências voluntárias da União. Ficarão proibidos apenas de contratar novos empréstimos.

Com essas novidades a história mudou. Havia algo muito mais grave que a violação da regra fiscal pela prefeita Marta Suplicy. A solução seria aplicar o corretivo legal, talvez com o sacrifício de uma carreira política. Dessa forma seria preservada uma lei de excepcional importância. O governo, além disso, manteria coerência com o discurso de austeridade que o presidente recita desde antes da posse.

Na edição de quarta-feira, o Estadão matou a charada num editorial intitulado "Afrouxamento fiscal". O Globo foi ao alvo, na primeira página, com a chamada "Ajuda de Lula a Marta põe lei fiscal em risco". O Valor foi menos interpretativo na manchete – "Tesouro suaviza o ajuste de dívida de estado e prefeitura" – mas bateu no ponto, ao citar o economista José Roberto Afonso, que descreveu a iniciativa do governo como "um estímulo à irresponsabilidade de governadores e prefeitos". Segundo ele, deixar o acerto do endividamento para 2016 "é o inverso do que se perseguiu com a LRF".

A Gazeta Mercantil tratou o assunto com discrição e boas maneiras, sem acentuar sua importância política. O noticiário do Estadão continuou a sair no caderno "Metrópole", mesmo depois da entrevista de Joaquim Levy. O foco era a salvação de Marta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não a brecha que se havia aberto numa das leis políticas mais inovadoras. Na sexta-feira (18/3), Claudia Safatle deu uma bela arredondada no assunto, em sua coluna semanal no Valor.

Os tolos

Os meios de comunicação ofereceram, nesse caso, três tipos de cobertura. O mais amplo foi voltado para o alcance potencial das medidas adotadas pelo governo. As piores conseqüências dessas medidas poderão até não ocorrer por causa do barulho feito por alguns jornais. Esse barulho também produz fatos.

O segundo tipo valorizou o motivo imediato das manobras de Lula e de seus auxiliares: salvar de uma grande encrenca uma das figuras mais visíveis do PT, a ex-prefeita Marta Suplicy. O grande risco de avacalhação da lei fiscal ficou em segundo plano.

O terceiro, o da Gazeta Mercantil, foi o mais frio. Mostrou simplesmente que o governo federal criou condições favoráveis a alguns prefeitos e alguns governadores. Deu pouco ou nenhum peso ao sentido político da LRF.

Haverá defensores para os três tipos de cobertura. É cedo, dirão alguns, para antecipar as conseqüências mais graves da ação do governo. Pode ser, mas outros dirão que o que se espera do jornal, especialmente diante da competição dos meios eletrônicos, é um pouco mais de perspectiva no material publicado.

Como seria a reportagem de Homero, se ele tivesse escrito a Ilíada no calor da hora? No poema conhecido, relato de uma história distante, Helena é apenas o pivô de um enorme drama. Páris, seu amante, é um garotão dourado e irresponsável, minúsculo diante dos chefes e dos heróis envolvidos na guerra. Se houvesse um mínimo de acordo entre os deuses, o livro poderia terminar no terceiro canto, no duelo entre Páris e Menelau. Mas Páris é salvo por Afrodite e vai para a cama, com Helena. No canto seguinte, Hera convence o supremo Zeus a mandar Atena ao campo de batalha para fazer os troianos romper seu juramento. A guerra prossegue.

Nesse relato, os pivôs são apenas pivôs. Na cobertura imediata dos primeiros lances do conflito, haveria preocupação com o risco enorme que se estava assumindo? Heródoto talvez tivesse esse cuidado. No primeiro livro de sua História, ele chama de tolo quem guerreia por mulher, especialmente quando ela se deixa raptar.

(*) Jornalista


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

Rio de Janeiro:

Sérgio Besserman – Economista
"A questão mais importante que é aumentar o conhecimento da sociedade está diretamente ligada ao poder da imprensa."

São Paulo:

Bolívar Lamounier – Cientista Político
"Achei o programa oportuno, relevante, muito bem pensado e gostei muito da diversidade de perspectivas entre nós três que participamos; temos formações diferentes e espero que cada um tenha contribuído."


PERGUNTAS

E-mails recebidos na semana de 22/03 a 29/03:

Alice Franca Leite, Rio de Janeiro
Oi, Observatório da Imprensa, meu jornal preferido: eu nunca mais leio jornal do velho jeito! A primeira coisa que faço é ligar o computador e votar na urna, para não perder o programa! Claro que voto primeiro! Mas eu me lembro que lia "Isto É" e ficava em estado de graça, não acreditando que eu via o Brasil se movendo, crescendo no ABC de São Paulo! Então entrei pro PT, que ainda era gerado na barriga do ABC paulista e sob as batinas da Igreja, com a qual me reconciliei; foram grandes sensações a de ver meu país mudando! Acho que, nos meus 67 anos, eu vi a História... em sendo feita e acontecendo! Foram grandes momentos da mídia saudável, cobrindo tudo! Depois a mídia ficou amorfa a ponto de se eleger Collor: a mídia brochou, o povo também! Não sei como foi o milagre dos tempos do ABC: era a mídia que cobria ou o povo que exultava e dava a matéria para a mídia?

Johnny Gonçalves, São Paulo
Minha pergunta para o programa: geralmente, quando se fala de ligações da mídia com o poder político, as abordagens destacam o controle dos meios de radiodifusão por coronéis do nordeste. Como se interpenetra o poder político com os meios de comunicação nas regiões sul e sudeste do País? Em São Paulo, por exemplo, nos dois maiores jornais diários, como acontecem as interferências políticas? Ou estamos isentos dessa discussão?

Isaias Antônio Caputo, Belo Horizonte / MG
Caro professor, gostaria de fazer-lhe a seguinte pergunta: as dificuldades que o Presidente Lula está tendo com o Congresso Nacional, advém do seu baixo nível educacional e/ou intelectual? Não existe na minha pergunta nenhum ranço de preconceito, pois votei nele para Presidente, porém, sinto que falta-lhe algum traquejo no convívio com o Congresso.

Decio Della Nina, São Paulo
Não seria uma atitude radical do trio Lula, José Genoíno e José Dirceu, insistindo na candidatura pré-falida do Greenhalgh, que levou à eleição do nosso Severino? Estava na cara o que estava para ocorrer. Falei para todos os meus amigos antecipadamente. Será que só o governo e a imprensa não percebiam? Para controle de vocês, sou PSBD.


Telefonemas recebidos em 22/03:

Luiz Sodré, Salvador / BA
Quem pode fiscalizar os limites da democracia?

Lenon Santiago, São Paulo
Por que cada veículo de comunicação dá a mesma notícia com intenções premeditadas e não somente a informação? Vemos e lemos a mesma notícia com focos diferentes. Qual é o interesse?

Sebastião Augusto, Itaú de Minas / MG
O dever da imprensa é levar a verdade ao povo, qual é o estrago da omissão deste dever?

Mário Alexandre, São Paulo
Como a imprensa brasileira poderia ajudar a acabar com a desmoralização do Congresso?

Ramiro Rebouças, Cascavel / PR
A reforma política não é fundamental para o aprofundamento da democracia brasileira?

Carlos Alberto, São Paulo
A que você atribui esses aumentos dos salários dos parlamentares, e o que isso pode acarretar para as próximas eleições?

Pedro Forste, Uruguaiana / RS
Não falta na imprensa brasileira maior explicação sobre o parlamentarismo que pode nos salvar dos "Severinos" e "Lulas"?

Waldomiro Trento, São Pedro / SP
O problema político e social do país não está no legislativo?

Juarez Júnior, São Paulo
Uma emissora num sistema comunitário, mesmo sem a aprovação da lei, ela pode se relacionar com empresas da comunidade e exercer sua função sem correr maiores riscos?

Camilo César, Feira de Santana / BA
Até quando vale essa democracia falida corrompida em interesses pessoais ao invés de um estado absoluto ou uma ditadura com estado forte e solidez nas decisões políticas?

Daniel Katz, Belo Horizonte / MG
A democratização é maravilhosa, o problema é o poder que ela gera ao homem.

Bernardo Lage, São Carlos / SP
Qual a real participação dos salários dos trabalhadores no PIB brasileiro?

Adelino Borges, São Paulo
Será que não estamos retroagindo ao militarismo através da eleição de Severino Cavalcanti?

Tadeu Valério, São Paulo
Sendo a revista Veja uma bíblia de anúncios e a Folha de São Paulo a maior verba de anúncios de TV, eu posso acreditar que suas matérias são isentos e que elas poderiam vir a denunciar algum dos seus anunciantes se necessário?

Devanir Ferreira, Osasco / SP
Essa pressão que a mídia tem feito em cima da figura do Severino não está mascarada por um certo pré-conceito?

Emir Roberto, Porto Alegre / RS
O que há de positivo e o que há de negativo no crescimento de evangélicos na política brasileira?

Cícero Cozelato, São Paulo
As rádios comunitárias que funcionam dentro da lei correm o risco de serem fechadas?

José Nildo, Brasília / DF
Como determinados veículos de comunicação que detém o monopólio podem se aproveitar de uma situação favorecedora para veicularem uma situação como legítima?



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