RESUMO DO PROGRAMA
A
CRIAÇÃO DE UM NOVO JORNAL
O
Observatório da Imprensa de 1° de março debateu a possibilidade de se
criar um novo jornal no Brasil, analisando o mercado atual, suas restrições
e oportunidades.
Em
editorial, Alberto Dines falou sobre um novo fenômeno que estamos
vivenciando, a "segunda era do rádio" com o sucesso de novas
programações e do próprio jornalismo. Dines também falou sobre o
decreto do Ministério das Comunicações que garantiu espaço a
prefeituras em canais de televisão. Dines ressaltou que: "Os
noticiários locais poderiam ser transmitidos pelas rádios já
existentes, concessões públicas." Comentou ainda o sucesso da
novela Senhora do Destino, o maior fenômeno de audiência dos últimos
tempos. Acrescentou que: " A novela interessa ao programa não
apenas pelos recordes, mas porque um de seus vetores dramáticos
relaciona-se com a difícil tarefa de se obter recursos destinados ao
relançamento de um jornal de qualidade, o Diário de Notícias."
Participaram
do programa, no Rio de Janeiro, o autor e escritor da novela Senhora do
Destino, Aguinaldo Silva; em São Paulo, o presidente do Diário Lance!,
Walter de Mattos, e em Porto Alegre, o vice-presidente da Rede Pampa,
Paulo Sérgio Pinto.
Aguinaldo
Silva iniciou o debate falando sobre o novo ingrediente inserido na
novela: a criação de um jornal de qualidade. "Estava insatisfeito
com a forma romantizada que os jornalistas eram retratados nas
novelas." Afirmou ainda: "Sinto falta da criação de um
jornal novo, diferente, vibrante, idealista, mais voltado para as
grandes reportagens. Procurei passar essa necessidade para a
novela."
Indagado
sobre a possibilidade de se criar um jornal de qualidade no mercado
atual, Walter de Mattos respondeu que: "A mídia brasileira passou
por uma crise profunda que afetou muito a qualidade dos produtos. Eu
acho que o estímulo para uma empreitada nova dessa não contaria, nesse
momento, com investimentos de fora. Você teria que ficar restrito a
investidores brasileiros, a um empresário ou ao desdobramento de
empresas que já existem. Eu vejo isso como uma possibilidade. Para a
criação de um novo diário no Brasil, você precisa de condições
específicas e identificar uma oportunidade de mercado."
Paulo Sérgio
Pinto, após ser questionado por Dines, sobre a possibilidade do
jornalista voltar a desempenhar um papel "romântico",
apresentado na novela afirmou que: "Invariavelmente o grande
jornalista, aquele que emerge do chão de fábrica, se transforma em
colunista. Estes colunistas de hoje ganharam um padrão nacional a até
internacional. Essas pessoas saíram de suas aldeias para ganharem um
espectro muito mais importante do que nós tínhamos no passado." Já
Aguinaldo afirmou: "Os jornais se tornaram mais rotineiros. O que
eles passam não é tão forte, tão ideal quanto era naquele tempo.
Sinto falta dessa relevância do jornalista dentro da sociedade de uma
maneira geral. Eu acho que isso é possível que volte a acontecer
sim."
Em seu
comentário final, Paulo Sérgio defendeu a idéia de que:
"Precisamos concentrar nossas forças nas nossas raízes geradoras
de emprego. Não existe jornalista sem jornal. Nós temos que conservar
essa instituição."
Já
Walter de Mattos disse: "Espero que essa fábula do Aguinaldo
inspire a classe dos jornalistas, dos empresários e empreendedores para
que a gente tenha um produto novo, um grande jornal de qualidade,
nacional."
Aguinaldo
conclui dizendo: "Embora eu seja um novelista, todos os elementos
das minhas novelas acabam saindo do noticiário e dos jornais, ou seja,
é dos jornais que eu tiro as minhas tramas, embora depois elas sejam
devidamente camufladas. Mas para que eu continue nesse processo de
trabalho, eu preciso continuar lendo jornais e preciso que eles se
tornem mais palpitantes. Eu acho que esse é o desejo de todo leitor e
é isso que a gente precisa."
Camilla Rizzo (estagiária)
EDITORIAL
Bem-vindos
ao Observatório da Imprensa.
Hoje é
dia dos campeões de audiência. Um deles foi revelado pela revista
"Veja". Alguma nova modalidade de reality-show? Não: este
campeão de audiência é veterano, tem mais de 80 anos.
Estamos
na segunda era do rádio e nem desconfiávamos. O Brasil é o segundo país
do mundo no número de emissoras de rádio. Só perdemos para os Estados
Unidos. E o tipo de programa mais procurado pelo público depois da música
pop nacional é o noticiário local.
Pena que
o Ministério das Comunicações não soubesse desta pesquisa citada
pela "Veja" ao criar mais uma rede televisiva, a RTVI,
Retransmissora de Tv Institucional, destinada ao noticiário municipal.
Não seria mais lógico que este noticiário local fosse transmitido
pelas rádios já existentes e que são concessões públicas? Há 15
dias criou-se a Tv-Brasil destinada aos países vizinhos, na semana
passada esta RTVI. Alguém parece ligadão na telinha.
O Brasil
inteiro está em suspenso, Brasília aguarda com ansiedade o desfecho de
alguns dilemas cruciais e no rol das figuras mais controversas e engraçadas
- mais ainda do que Severino Cavalcanti, o novo presidente da Câmara
Federal - desponta imbatível o ex-bicheiro, Giovani Improta. Ele é um
dos pivôs de "Senhora do Destino", a novela das oito com a
maior audiência de todos os tempos: na média são 45 milhões de
telespectadores e em alguns momentos já chegou a manter 80 de cada 100
televisores sintonizados na Rede Globo, cifras que certamente aumentarão
nos próximos dias à medida que se aproxima o final da novela.
O fenômeno
interessa a este "Observatório da Imprensa" não apenas pelos
recordes mas porque um dos seus vetores dramáticos relaciona-se com a
complicada operação para obter recursos destinados ao relançamento de
um jornal de qualidade, o "Diário de Notícias".
Todas as
noites, um quarto da população do Brasil vai dormir aflita com o
castigo que será imposto à vilã Nazaré ou angustia-se com a escolha
que Maria do Carmo fará entre os seus dois pretendentes. Mas no meio de
tantas angústias e aflições, gente que não costuma comprar jornal,
ou compra muito raramente, de repente descobre que na busca da
felicidade, um jornal de qualidade pode fazer a diferença. O "Diário
de Notícias" será bem sucedido? Isso só o autor, Aguinaldo
Silva, poderá responder.
ARTIGO
Por Alberto Dines
DEPOIS
DA TV BR, A RTVI
Socorro, o governo com televisite aguda!
Alberto Dines
Como sempre a intenção não poderia
ser melhor: a causa da desconcentração da mídia merece todo o
empenho. Mas, como sempre, o governo se enroscou na hora da realização.
O decreto que criou a RTVI (Retransmissora de TV Institucional) na última
quinta-feira (24/2) peca pela improvisação, pela falta de transparência
e pela oportunidade.
Duas semanas antes, no dia 10, o
governo criou o canal TV Brasil para permitir que o Estado brasileiro
(leia-se as emissoras de TV dos três poderes) comunique-se com os países
vizinhos [abaixo, remissões para os artigos "Idéia infeliz,
arrazoado pior" e "Uma nova alternativa no ar?"].
Agora, com a RTVI, pretende oferecer à
maioria das prefeituras do país a possibilidade de criar um canal de TV
local para a "divulgação das atividades do Poder Executivo do
Município".
Não é coincidência, trata-se de uma
indisfarçável febre televisiva. E como todas as febres, sintoma de
alguma disfunção. Não é difícil diagnosticá-la: o início da
temporada eleitoral.
Se o governo pretende efetivamente
oferecer aos municípios uma cobertura televisiva isenta não precisa
recorrer a uma intervenção com todas as aparências de recurso político-eleitoral.
Para obter efeito maior e, sobretudo, duradouro, bastaria que, por meio
do Ministério das Comunicações, acabasse com as gritantes
irregularidades na concessão de canais de rádio e TV – a aberração
genética do sistema midiático brasileiro implantada pelo então
presidente da República, José Sarney.
Começam na distribuição e renovação
dos canais os dois maiores problemas informativos brasileiros: a
concentração da mídia em poucas empresas e o controle do noticiário
local.
Fiscalização relapsa
Quem examinar o funcionamento do rádio
e da TV no Pará, por exemplo, entenderá por que razão o vulcão em
ebulição na Terra do Meio só foi revelado depois da morte da missionária
Dorothy Stang.
Se o objetivo do governo é
democratizar a informação e intensificar a diversidade de opiniões, o
caminho será bem diferente do sistema RTVI. Em primeiro lugar, porque a
RTVI não funcionará em canais abertos, mas no sistema restrito de TV
por assinatura. Em segundo lugar, porque em vez do controle das redes
abertas locais pelos deputados e caciques políticos, teremos os
prefeitos, geralmente ungidos pelas oligarquias locais, transformados em
diligentes produtores de TV.
Quem impedirá que esses burgomestres-âncoras
de TV usem os seus canais para perseguir a oposição?
Se o Ministério das Comunicações
(eminentemente político-partidário) tem sido visivelmente relapso no
controle das concessões do sistema aberto de rádio e TV, se o Ministério
da Justiça (teoricamente o braço forte do governo) treme de medo
diante do poder dos políticos-concessionários e não consegue impor a
adequação de horários na programação da rede aberta de TV, como
esperar que o governo vá enfiar-se nos grotões para impedir desmandos
dos prefeitos ou seus grupos políticos?
Febre suspeita
É evidente que os lobbies das televisões
privadas não gostaram da RTVI, mas isso não significa que o governo
está certo ao criá-la. Os lobbies privados estão apenas interessados
em saciar os respectivos apetites, despojados de qualquer interesse público.
Espernearam quando o governo do
presidente Lula (dando seqüência, à política do ex-ministro da Justiça
José Gregori) resolveu enquadrar emissoras de TV que exibiam programação
indevida no horário vespertino. O funcionário do Ministério da Justiça
foi afastado em pouco mais de 24 horas depois de publicado o ato no Diário
Oficial diante da formidável pressão exercida pelos
deputados-concessionários (a maioria evangélica, do PL) [veja abaixo
remissão para o texto "A TV como campo de batalha"].
Se o governo deseja efetivamente
democratizar a mídia local no Brasil, e oxigenar a informação que
nela circula, precisará de uma dose extra de coragem para, primeiro,
desafiar o conglomerado de interesses político-privados que deformam a
informação eletrônica e, depois, enfrentar cerca de 30% dos
parlamentares federais que direta ou indiretamente detêm concessões de
radiodifusão.
Depois da fragorosa derrota na Câmara
dos Deputados e da eleição do rei do fisiologismo, Severino
Cavalcanti, para presidi-la, difícil imaginar que o governo do
presidente Lula disponha-se a enfrentar o lobby dos
parlamentares-concessionários.
Preferiu deixá-los sossegados e
encomendou ao seu laboratório de legiferação um decretinho sob
medida. Dele acaba de sair um arremedo de solução, a RTVI. Deveria
pedir ao mesmo laboratório um remédio para debelar a furiosa febre que
20 meses antes das eleições parece muito suspeita: a televisite aguda.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
RETRANSMISSORAS DE TV INSTITUCIONAIS
O preconceito anti-Estado
Venício A. de Lima (*)
As democracias liberais constituem, por
definição, espaços onde deve haver pluralidade e diversidade de idéias.
Nelas convive-se, todavia, com uma contradição importante e ainda não
resolvida. Como existe uma instituição – a mídia – que tem o
poder de construir a representação social dominante e a agenda pública
de discussão, nos debates onde ela tem interesse direto, o adversário
(indivíduos, instituições ou o próprio Estado) já começa a disputa
em desvantagem.
Os empresários de mídia, ou seus
representantes, muitas vezes constroem o seu discurso como se existisse
um lugar de fala acima e fora de qualquer interesse, um privilegiado
lugar neutro de onde eles poderiam, com total isenção, acusar e julgar
os adversários.
Dentro dessa falácia, um dos recursos
utilizados pelos defensores do status quo legal da mídia no Brasil tem
sido desqualificar os seus críticos como sendo anticapitalistas e
antiempresariais. É um recurso nem sempre bem intencionado, porque
consciente de sua fantasia.
Gostaria de argumentar que existe, ao
contrário, na mídia brasileira – hegemonicamente privada e comercial
– um arraigado preconceito anti-Estado, que rejeita in limine a
maioria das iniciativas do Estado para o setor. Por mais que se ampare
no trauma ainda recente dos tempos do Estado autoritário da ditadura
militar, esse preconceito não se justifica.
Os empresários de mídia e seus
representantes, em oposição clara ao que reza o princípio
constitucional sobre a complementaridade dos sistemas privado, público
e estatal, agem como se devesse existir apenas um sistema – o sistema
privado, isto é, o sistema deles.
As evidências mais recentes desse
preconceito anti-Estado são as reações contrárias tanto à criação
da TV Brasil – Canal Internacional, quanto à criação das RTVI –
Retransmissoras de TV Institucionais. Como já tratei neste Observatório
da TV Brasil [veja remissão abaixo para o artigo "Uma nova
alternativa no ar?"], vou me ater agora às RTVI.
Conselho paritário
Por meio do Decreto nº 5.371, o
presidente da República aprovou, em 17 de fevereiro último, o
Regulamento do Serviço de Retransmissão de Televisão e do Serviço de
Repetição de Televisão. Pelo regulamento, existem três tipos de
serviços de retransmissão de televisão: o comercial, o educativo e o
institucional. A novidade é o Serviço de Retransmissão de TV
Institucional (RTVI). E o que vem a ser este serviço?
O RTVI é a modalidade destinada a
retransmitir, de forma simultânea ou não-simultânea, os sinais
oriundos de estação geradora de televisão explorada diretamente pela
União. As RTVI só poderão realizar inserções de programação até
o percentual de 15% do total de horas da programação retransmitida e
que atendam a finalidades institucionais, educativas, artísticas,
culturais e informativas. Além disso, o horário disponível para
inserção de programação local deverá ser distribuído da seguinte
forma: um terço para a divulgação das atividades do Poder
Executivo do município; um terço para a divulgação das atividades do
Poder Legislativo, preferencialmente para a transmissão de suas sessões;
e um terço para entidades representativas da comunidade, sem fins
lucrativos, devidamente constituídas e sediadas no município,
assegurada a pluralidade de opiniões e representação dos diversos
segmentos sociais.
O regulamento ainda prevê a existência
de patrocínio, sob a forma de apoio institucional, para a produção da
programação a cargo das entidades representativas da comunidade local,
entendido como financiamento dos custos relativos à produção da
programação ou de um programa específico. Este apoio refere-se
somente à veiculação, por meio de som e imagem, de mensagens
institucionais da entidade apoiadora, sem qualquer menção a seus
produtos ou serviços.
Está ainda prevista a constituição
de um conselho de programação composto, de forma paritária, por representantes
indicados pelo Poder Executivo municipal; pelo Poder Legislativo
municipal, assegurada a representação das diversas correntes partidárias;
e por representantes da comunidade eleitos entre os candidatos
indicados por entidades representativas locais. Este conselho terá a
finalidade de definir diretrizes, acompanhar as inserções de programação,
bem como subsidiar o Ministério das Comunicações (MiniCom) no exercício
de sua competência fiscalizadora.
Público, privado e estatal
Trata-se, portanto, de retransmissoras
não-comerciais, que não podem vender espaços publicitários, e que
– nos 15% da programação destinados a inserção local –
necessariamente terão forte vínculo com a comunidade. Segundo
noticiado, a idéia surgiu na TV Senado, interessada em aumentar o seu
alcance até agora limitado apenas aos municípios onde existem
operadoras de TV paga. Seria o equivalente à criação de uma rede
nacional de TVs exploradas pela União, na qual as afiliadas são as
prefeituras municipais. Como se sabe, as redes de afiliadas das TVs
privadas comerciais existentes já atingem praticamente a todos os municípios
brasileiros.
Quais têm sido os argumentos dos
empresários da mídia contra essa iniciativa do Estado? O primeiro
argumento é de que o governo não os consultou. O segundo é legalista:
dizem que as RTVI não poderiam ser criadas por decreto, somente por
lei. Terceiro, alegam que as RTVI serão usadas como moeda de troca política
e para propaganda.Quarto, alegam que o MiniCom não terá como
fiscalizar as RTVI. E quinto, alegam que as RTVI vão tirar anunciantes
das emissoras de TV privadas.
Pergunto a você, leitor: um governo
democrática e legitimamente eleito, no exercício de suas funções,
precisa consultar os empresários de mídia toda vez que toma uma
iniciativa no setor? Pode ser considerado moeda política e propaganda
um instrumento autorizado para qualquer prefeitura independente do
partido ao qual pertence o eventual ocupante do cargo de prefeito? A
alegada incapacidade de fiscalização deve impedir a criação das RTVI
ou deve provocar o melhor aparelhamento do MiniCom para poder fiscalizar
com eficiência? Como um canal não-comercial poderia tirar anunciantes
de canais comerciais?
Na verdade, o preconceito anti-Estado
esconde uma questão que nunca é colocada pelos empresários de mídia:
as emissoras de rádio e televisão são concessões públicas precárias,
renováveis ou não. Vale dizer, não são propriedade privada de ninguém.
Elas devem atender prioritariamente ao interesse público e não ao
interesse comercial privado dos seus eventuais concessionários.
Diante do histórico preconceito
anti-Estado dos empresários de mídia, fica a questão: será um dia
possível cumprir o que determina a Constituição, isto é, a
complementaridade dos setores privado, público e estatal? A tomar como
referência as últimas reações do sistema privado às iniciativas do
Estado – democrático e legítimo – só há uma resposta possível
e, infelizmente, ela é negativa.
(*) Pesquisador sênior do Núcleo de
Estudos sobre Mídia e Política (NEMP) da Universidade de Brasília e
autor, entre outros, de Mídia: Teoria e Política (Editora Fundação
Perseu Abramo, 2ª ed., 2004)
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
Rio de
Janeiro:
Aguinaldo
Silva – Escritor
"Para mim foi um prazer enorme estar entre os jornalistas. Sempre
gosto de dizer que não sou novelista, estou novelista. Na verdade sou
jornalista de coração."
São
Paulo:
Walter
de Mattos – Pres. Diário Lance!
"Eu acho que dentro do propósito de se trabalhar essa idéia do
porquê de não termos um jornal novo de qualidade, eu acho que o debate
poderia tratar também das dificuldades, dos obstáculos. Até o colega
do sul, o Paulo, falou sobre os custos sociais, da questão da excessiva
concentração das verbas de mídia no meio televisivo, como é o
processo de compra de mídia no Brasil, que é um elemento fundamental
para a viabilização do jornal. Falando mais sobre essa dificuldade de
se empreender uma coisa nova, por tabela discute-se as dificuldades
enfrentadas pelos que já existem. O Brasil é hoje um país muito
hostil para novos investidores, a área de mídia, de imprensa é uma
área particularmente difícil. Os investimentos requerem uma
maturação de longo prazo, não há acesso a capitais. Discutir sobre
como criar um setor de imprensa maior nesse país é um debate que pode
trazer conseqüências práticas."
PERGUNTAS
E-mails recebidos na
semana de 01/03 a 08/03:
Acir
João Cardozo, São José dos Pinhais / PR
Boa Noite, não é estranho que uma rede de TV como a Globo coloque em
um de seus folhetins a história de reabertura de um jornal que foi
fechado pela ditadura, se ela própria, a Rede Globo, sempre manteve
laços muito estreitos com os militares no período ditatorial entre 64
e 82?
Mateus
A bem da verdade, nada impede a criação de um jornal de qualidade com
preço acessível. Se, no caso do Rio Grande do Sul, pode-se cobrar R$
0,60 por um folhetim que se autointitula jornal, o Diário Gaúcho
(conhecido por Ordinário Gaúcho) cheio de páginas coloridas com fotos
dos "globáveis" e outros afins, por que não seria viável um
jornal preto e branco com conteúdo pelo mesmo valor? A única coisa que
poderia impedir sua maior penetração é a necessidade introjetada no
povo de "pão e circo", nos moldes do "Ordinário".
Infelizmente, o jornal que deveria oferecer algo de novo no estado (O
Sul), não oferece nada mais do que colunas recauchutadas do centro do
país e notícias descaradamente copiadas dos sites da internet (Uol,
Terra, IG), sem sequer citar a fonte. Resta saber quem teria a coragem e
empreendedorismo de lançar o jornal que falta no RS: verídico e
crítico. Parabéns pelo programa e pelos temas, estão ótimos!
André
Galdo – Engenheiro
Gostaria primeiramente de parabenizar o programa pelo resgate cultural,
pelo debate de temas contemporâneos de extrema relevância para a vida
de todos nós! A era da informação possibilitou o conhecimento de
outras culturas, práticas econômicas globalizadas, crises mundiais e a
questão ambiental entre tantos assuntos. Isso gerou uma mudança do
próprio ser em relação a forma de observar e julgar os
acontecimentos. Nesse processo de conscientização universal qual deve
ser a atual forma e mensagem da informação para o telespectador
moderno? Qual a expectativa deste telespectador?
Afrânio,
Belo Horizonte / MG – Jornalista
O que está acontecendo com o antigo bom programa Observatório da
Imprensa? Falar sobre novela da Globo? Tive uma enorme decepção ao
começar a assistir ao programa de hoje (01/03/2005), quando vocês
comentavam sobre uma telenovela da Globo. O que está acontecendo?
Vocês estão sendo pagos para isso? Não tem assunto melhor para
comentar, pelo menos sobre os jornais que não dão destaque para o
aumento dos deputados? Não podem pelo menos ensinar algo que acrescente
à população brasileira, àqueles que assistem o OI? Onde estão
vocês jornalistas de gravata? Tem alguém em Brasília olhando vocês?
Ou no Rio de Janeiro? Péssimo! Péssimo! Decepção total!
Waldeck
Observo
que a metalinguagem é um recurso cada vez mais explorado pela mídia em
geral, artifício de um objeto de compreensão elitista onde um povo
fetichizado, sem formação, acaba por fim enfeitiçado pela notícia.
Será que um novo meio de comunicação deveria se utilizar deste
expediente para sobrepor-se ao povo (indivíduo leitor e financiador da
mídia em geral)?
Curt
Nees, Jaraguá do Sul / SC – Publicitário
Meus prezados, o assunto aumento dos subsídios dos deputados federais
ainda vai render muito. A votação desta imoralidade - como de praxe
quase todas as outras - será secreta. Só a imprensa, como um todo,
poderá reverter, na minha opinião, este quadro. De que forma?
Desencadeando uma campanha para que o voto seja aberto, para que o
cidadão saiba quem é quem! E, em obtendo êxito - o que espero e
torço - a mesma imprensa deve divulgar, voto por voto, o resultado.
2006 está às portas e este trabalho será muito importante para o
eleitor. Chega de tantas barbaridades! Basta! No mais, um grande
abraço, parabéns e sucesso... sempre!
Telefonemas recebidos em 01/03:
Renato
Alves, Ituverava / SP
Não está na hora de se mostrar na novela como se faz o verdadeiro
jornalismo, não apenas com críticas, mas também com o lado social?
Rafaela
Dias, Porto Alegre / RS
Não caberia no mercado um jornal que apresente matérias com propostas
como as expostas na TVE?
Alquino
Barros, Porto Alegre / RS
Não seria o caso de se cultivar a qualidade ética no jornalismo?
Roberto
Legório, Guariba / SP
É possível um jornal discutir abertamente sobre as desigualdades
sociais no Brasil?
Ângela
Freitas, Rio de Janeiro
Por que os editores das redações não dão uma maior autonomia aos
jornalistas?
Elizabeth
Moreira, Manuque / MG
Maria do Carmo deve terminar com o Giovani.
José
Hamilton, Seropédica / RJ
Por que o dinheiro fala mais alto nas redações dos jornais, mascarando
a retratação fiel do fato?
Nelson
Gruhs, Sapucaia do Sul / RS
Enquanto não existir um jornal financiado exclusivamente pelo seus
leitores não haverá democracia, nem liberdade de imprensa.
Fernando
Telles, Divinópolis / MG
Qual o papel social da novela no desenvolvimento da consciência
política do brasileiro?
Laércio
Lucena, São Paulo
Como se deve ingressar nessa carreira de escritor de novelas? Existe um
padrão na Rede Globo para o texto?
Cristina
da Silva, Recife / PE
Quanto tempo o autor demorou para escrever a novela? Ele esperava todo
esse sucesso?
Marco
Antônio Pereira, Belo Horizonte / MG
Por que as cenas de sexo entre homossexuais na novela?
Pedro
Boschi, Niterói / RJ
Por que a Globo insiste em mostrar homossexualismo nas novelas das 8?
Antônio
Edson Perez, Porto Alegre / RS
Paulo Sérgio, nós sabemos que na Rede Pampa antes do jornal O Sul sair
para as bancas a última palavra é do presidente da Rede Pampa. Isso é
democrático?
Docileu
Nunes, Beobá / MT
Por que os jornais dão tantas notícias ruins? O povo não está
precisando ouvir coisas boas?
Narciso
de Almeida, Brasília / DF
Como é ser jornalista em país como o Brasil onde não se tem o hábito
de leitura?
Raquel
Freitas, Guarulhos / SP
Para vocês, qual o melhor jornal do país?
Raiane
Kathelen, Jaboatão / PE
A personagem de Maria do Carmo desfilou numa escola de samba de verdade
na novela?
Emilson
Nunes Costa, Volta Redonda / RJ
Faço parte de uma nova geração que se caracteriza pelo consumo de
jornais internacionais pela internet como New York Times, USA Today, Le
Monde e outros. Estão os jornais de hoje preocupados com essa
concorrência?
Janaína
Santos, Igaraçu / PE
Você usa alguma regra para escrever a novela? Como você faz para
trabalhar a relação entre a ficção e a vida real?
Ivan
da Silva, Jaboatão / PE
Por que a escolha do nome "Diário de Notícias" para ser
retratado na novela?
Paulo
Cunha, Salvador / BA
O senhor disse que tentou retratar fielmente os jornalistas. Mais ainda
existe o jornalismo romântico retratado em sua novela?
Azelino
A. B. Pessoa, São Bernardo do Campo / SP
O que fazer para que a mídia desperte a consciência do povo
brasileiro?
Tiago
Rego, Paraíso / TO
Na novela, o dono do jornal não tem ligação nenhuma com o jornalismo.
É possível, na vida real, que nesta situação um jornal dê certo?
Márcio
Faria, Vale do Paraíba / SP
É possível manter a independência editorial de um novo jornal, sem o
apoio de um grande grupo de comunicação?
Luciano
Fabri, Cachoeiro de Itapemirim / ES
Por que é tão difícil fazer um jornal de qualidade hoje em dia?
Fernanda
Haddad, Barretos / SP
Qual a opinião do autor sobre os atuais cursos de graduação em
jornalismo? A novela não transmite uma idéia ilusória do que é a
profissão em si, mostrando o lado glamouroso de uma redação?
Rogério
Silva, Rio de Janeiro
Este tipo de novela pode ter até 100% de audiência que mesmo assim
continua sendo um entretenimento de baixa qualidade, assim como João
Kleber, Ratinho, Big Brother, etc... O único ponto positivo da novela
é a valorização do jornalismo.