RESUMO DO PROGRAMA
VIOLÊNCIA
NO RIO DE JANEIRO
O
Observatório da Imprensa de 07 de dezembro debateu a cobertura da
mídia sobre a violência urbana. Em editorial, Alberto Dines ressaltou
que: "É obrigatório: hoje quando se discute a violência
impossível não mencionar o papel da mídia. Os meios de comunicação
servem para tudo: ora são apresentados como culpados, ora como
solução mágica. Mas a imprensa não é uma coisa nem outra, é apenas
um espelho. Eventualmente embaçado e até mesmo um pouco deformado mas,
mesmo assim, sempre muito próximo da realidade." E afirmou também
que "Neste Observatório já tratamos da questão da mídia e
violência em 16 edições. É muito? É pouco? É o que a realidade
exigiu. Mesmo sem armas a imprensa é a única que não pode
capitular."
Participaram
do debate o secretário estadual de segurança, Marcelo Itagiba; o
editor de cidade do jornal "O Globo", Paulo Motta, ambos no
Rio de janeiro; o deputado federal Fernando Gabeira, em Brasília; e a
coordenadora do núcleo sobre violência da USP, Nancy Cardia, em São
Paulo.
Logo no
início do debate, Marcelo Itagiba ressaltou que "Com certeza nós
temos um processo de violência, hoje, em todo o país. Cada vez mais a
sociedade brasileira está se tornando violenta em função da falta de
oportunidade, em função do desemprego, das altas taxas de juros e em
função da falta de perspectiva do povo brasileiro. Com isso a
violência tem aumentado em todas as grandes cidades do país, e a
mídia faz o seu papel que é discutir essas questões, de expor esta
violência, mas com certeza, ao expor esta violência e colocar isto nas
primeiras páginas de jornal, cria um processo de retroalimentação
dessa violência."
Dando
continuidade, Paulo Motta afirmou: "Para o Globo, o caso da
japonesa foi uma excelente oportunidade da gente exercer o nosso papel
de jornal que é promover o debate. Pra gente foi fundamental, e é
nessa hora que o jornal funciona e isto nos estimula. Mas muito nos
assustou a reação dos leitores, uma reação contundente, e pra mim
isso bateu muito como um sintoma de uma epidemia, essa epidemia de
violência que o Rio e o Brasil vivem."
E
Fernando Gabeira, comentando a relação entre violência e direitos
humanos, disse que: "Eu acho esse debate importantíssimo. Eu sinto
que há no Rio de Janeiro uma tendência progressiva, as pessoas se
sentem ultrajadas pela violência e cada vez mais elas se sentem
tentadas de passar do espaço em que você faz justiça pro espaço em
que você se vinga. Mas isso é um elemento extremamente humano,
compreensível, mas não defensável. Quando a situação é limite,
quando chega a esse ponto, a tendência é abandonar o conceito de
direitos humanos, no caso do combate da violência urbana, a tendência
também é abandonar os princípios de Genebra, onde se trata de uma
guerra. É compreensível, e eu acho que não vamos resolver moralmente,
isto é, fazendo lição de moral para as pessoas que tem essa visão,
nós só vamos alterar esse quadro, quando provarmos pedagogicamente que
o trabalho sem violência é mais efetivo."
Nancy
Cardia também ressaltou que "É uma tragédia, quando você reúne
os números e vê o que aconteceu nos últimos dez, doze anos dessa
nossa consolidação da nossa democracia, o número de homicídios no
Brasil equivale a um número de guerra. Nós fizemos um levantamento,
uma colega minha de núcleo trabalhou com os dados dos homicídios de
1991 até 2000, e nós temos quase 500 mil homicídios no Brasil nesse
período. Um número enorme de jovens e crianças de 0 a 17 anos.
Então, que isso não tenha conseguido sensibilizar os nossos
governantes para a urgência desta questão, é realmente uma
tragédia."
Manoel Magalhães (estagiário)
EDITORIAL
Bem-vindos
ao Observatório da Imprensa.
É
obrigatório: hoje quando se discute a violência impossível não
mencionar o papel da mídia. Os meios de comunicação servem para tudo:
ora são apresentados como culpados, ora como solução mágica. Mas a
imprensa não é uma coisa nem outra, é apenas um espelho.
Eventualmente embaçado e até mesmo um pouco deformado mas, mesmo
assim, sempre muito próximo da realidade.
Ao
contrário do que acontece com o terrorismo que precisa da mídia para
aterrorizar, os criminosos prefeririam que suas ações não tivessem
repercussão, o ambiente ideal do criminoso é o silêncio para que
possa operar sem ser molestado pela sociedade. Isso significa que os
meios de comunicação são essenciais para combater o crime. Uma
imprensa calada, retraída, com medo de saturar o seu público será
sempre uma imprensa complacente e, em última análise, cúmplice.
No
caso do combate ao crime o que o cidadão espera da sua imprensa é a
vigilância. Vigilância permanente. Vigilância contra o crime, vigilância
contra os fatores que favorecem o criminoso e, quando for o caso, vigilância
em cima das autoridades. Todas as autoridades - municipais, estaduais e
federais. E se autoridades não gostam ou não estão habituadas às
cobranças é melhor acostumar-se.
Mas
é preciso levar em conta que a violência não acontece apenas no Rio
de Janeiro, é um fenômeno nacional embora aqui no Rio tenha se
transformado numa questão crucial que se estende além dos bairros e
interfere claramente em todas as esferas da sua vida.
Neste
Observatório já tratamos da questão da mídia e violência em 16 edições.
É muito? É pouco? É o que a realidade exigiu. Mesmo sem armas a
imprensa é a única que não pode capitular.
ARTIGO
Por Alberto Dines
APOSTAS,
FEBRES E MANIAS
Biografia é o quente
Alberto Dines
De repente, voltou. A biografia tem
dessas coisas, vai e volta independente dos editores e editoras. Quanto
mais perdidos estão os leitores, mais se agarram às biografias.
A Jorge Zahar Editor acaba de lançar
com grande estrépito Roberto Marinho, de autoria do jornalista
Pedro Bial, e o caderno "Mais!" da Folha de S.Paulo
(domingo, 5/12) dedicou ao gênero biográfico três páginas, inclusive
a capa.
O curioso é que no farto material
publicado pela Folha desdenhou-se o "gancho" e não se
faz qualquer menção à biografia do patriarca da Globo. A
resenha foi publicada no sábado (4/12), discretamente, na
"Ilustrada", de modo a não ganhar relevância. E não
reacender velhas brigas.
Pitoresca e extremamente significativa
é a divergência entre as duas matérias que compõem este dossiê
biográfico: enquanto a reportagem assinada por um profissional da
equipe do jornal segue a "linha justa" e só cita biografias e
biógrafos cujos nomes estão fora da "lista negra", a matéria
da articulista convidada, emérita professora da USP, desdenha o embargo
e cita todos os autores e obras que considera relevantes.
Bendita discrepância: graças à Folha
pode-se entender por que o biografismo luso-brasileiro não prosperou no
passado e por que hoje apenas alguns biógrafos merecem os galardões da
grande imprensa.
Preconceito básico
Ao contrário do biografismo anglo-saxônico,
o nosso sempre primou pela facciosismo. E este sectarismo - a favor e
contra - estende-se às avaliações sobre biógrafos, biografados e
biografias.
Critica-se o "aparelhamento"
do governo pelo PT mas nossa tradição lítero-jornalística sempre foi
aparelhada, na base do "aos amigos, tudo; aos inimigos, a
lei". Somos intrinsecamente clubistas e o nosso biografismo
ressente-se deste engajamento orgânico que compromete o próprio
discernimento sobre a qualidade de uma biografia. Ao
detestar o biógrafo condena-se o biografado - ou vice-versa - e
dessa maneira arrevesada e totalitária estabelecem-se nesta paróquia
os padrões de qualidade e excelência.
Do pântano não escapa nossa academia,
teoricamente isenta e "científica", onde os historiadores
chutam o biografismo para os departamentos de literatura e estes, na
melhor das hipóteses, o remetem para as escolas de jornalismo. O dossiê
da Folha é exemplo disso.
Da primeira fornada de resenhas sobre Roberto
Marinho, de Pedro Bial, evidencia-se um preconceito primal: pelo
fato de o autor estar ligado à empresa do personagem a obra é
imediatamente classificada como encômio. A partir daí, não presta.
A segunda morte
Grandes biografias roçam o panegírico
e nem por isso foram desqualificadas: a famosa Vida de Samuel Johnson,
de James Boswell (1791), é um clássico do biografismo
"moderno" e também um preito do biógrafo ao biografado (com
o qual manteve intenso convívio).
O celebrado retrato Um estadista do
Império, de Joaquim Nabuco, seria suspeitíssimo porque o autor é
filho do personagem (José Tomás Nabuco de Araújo). Mais ainda Um
estadista da República, de Afonso Arinos de Melo Franco (sobre o
seu pai, Afrânio de Melo Franco), que teria contra, além da semelhança
de títulos, os laços entre os Nabuco e os Melo Franco.
A autobiografia de Alice B. Toklas,
de Gertrude Stein (sobre a sua companheira de 25 anos), é um originalíssimo
relato onde biógrafa e biografada estão de tal modo entrelaçadas que
torna-se supérfluo o debate objetividade-subjetividade.
A proximidade do narrador com o objeto
da narrativa não a invalida. Ao contrário, pode validá-la pela
intensidade das vivências que reanima. Uma biografia é boa ou ruim na
medida em que consegue ressuscitar o biografado. Reproduzir a sua voz,
presença, reações, percurso. Sobretudo, se abdica de julgá-lo.
Se a intimidade é secundária, também
a extensão do relato. Paulo Francis, de Daniel Piza (editado no Cadernos
de Comunicação da Prefeitura do Rio, série "Perfis do Rio,
2004), com apenas 117 páginas é um retrato de corpo inteiro do
jornalista carioca. Classificado como perfil (para enquadrar-se na série)
é muito mais do que isso - é uma biografia compacta. Pronta para ir
ao fogo e crescer.
Este é um dado crucial na qualificação
da boa ou má biografia. Biógrafos trabalham com matéria viva. Alguns
atrapalham-se, seduzidos pelo anedotário e irrelevâncias. Nestes
casos, o biografado morre pela segunda vez. Culpa dos biófagos.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
INFORMAÇÃO
NA TV
Telejornalismo e a crise do velho modelo
Nelson Hoineff
A Folha de S.Paulo de domingo
(5/12) acertou em editar lado a lado as matérias sobre a ascensão da
Fox News ("Nova fórmula da Fox muda a TV americana", pág
A32) e a aposentadoria de dois dos três principais âncoras dos
telejornais das grandes redes norte-americanas ("TVs aposentam os
âncoras da era dourada", pág A33). Acertou porque uma e outra
falam sobre a mesma coisa: telejornalismo e credibilidade.
O espantoso crescimento da Fox News,
particularmente nos últimos três anos (a rede foi criada há oito),
vem sendo acompanhado há algum tempo com a inquietação que o caso
exige. A rede noticiosa de Rupert Murdoch surgiu para enfrentar a CNN e
disposta a abrir mão do que até então se considerava clausula pétrea
nos princípios jornalísticos das grandes redes de televisão: a isenção.
A verdade é que o público comprou,
sabendo o que estava comprando, uma cobertura jornalística em que a
imparcialidade não fazia parte do jogo. A perplexidade não é apenas
em torno da escalada de audiência da Fox News, mas da possibilidade de
que o princípio da isenção não queira dizer nada para o público que
hoje se instalou diante da TV. Se Deus e a isenção jornalística não
existem, tudo é permitido.
"Nova era"
A "era de ouro" que o título
da Folha refere teve seu apogeu bem antes que esse público
usasse fraldas. Dan Rather, hoje com 73 anos, e que anunciou sua
aposentadoria para 9 de março do ano que vem, foi o sucessor, no CBS
Evening News, de Walter Cronkite, que moldava a opinião pública
dos Estados Unidos e definiu os rumos da guerra do Vietnã quando Nixon
admitiu que "se perdemos Walter, perdemos a América".
Âncora do telejornal das 18h30,
Cronkite era, para o cidadão americano, a única pessoa em todo o país
que jamais lhe diria uma mentira. Uma confiança tão ampla não se
forja com uma bela estampa (nenhum apresentador é particularmente
bonito e dificilmente atinge o apogeu antes dos 60 anos), mas se constrói
todos os dias. É um trabalho penoso e difícil, que junta talento
jornalístico e carisma pessoal.
Na escala de prioridades das divisões
de notícias das grandes redes norte-americanas, o furo de reportagem
vem muitos pontos abaixo da manutenção da credibilidade de quem está
apresentando a notícia. Para o público, ele é o fiador da própria
emissora. Por isso ganham quase um milhão de dólares por mês e também
por isso são tão importantes para divisões que faturam mais de 2 bilhões
de dólares por ano.
Os números do mercado, reproduzidos na
matéria da Folha, mostram a derrota que a Fox News vem
impingindo à CNN (que, como as grandes redes abertas, vende o princípio
da independência, ao lado da abrangência e permanência de sua
cobertura) e também o surpreendente desempenho da cobertura das eleições
presidenciais de 3 de novembro, quando a rede fechada atingiu 8,1 milhões
de espectadores, contra 9,5 milhões da emissora aberta CBS.
Tais números devem-se ao fato de que
grande parte do público, naquele dia, não procurava uma rede que
permanecesse eqüidistante, mas sim que, como a maioria dos eleitores,
tivesse feito sua opção por Bush. Naquela noite, pelo menos 8 milhões
de norte-americanos buscavam na sua televisão qualquer coisa, menos
isenção.
Se isso configurar uma tendência, todo
o modelo do telejornalismo norte-americano, no que ele tem de melhor,
terá de ser revisto - e o sucessor de Rather, por exemplo, já não
será um espelho de seu antecessor, como Rather foi de Cronkite.
É possível que seja isso o que Brian
Williams, o sucessor de Tom Brokaw, por 23 anos à frente do atual líder
NBC Nightly News, estivesse querendo dizer quando afirmou, em sua
estréia há poucos dias, que "nessa noite começa uma nova era
nessa emissora".
O pilar da isenção
É compreensível que o público que
está hoje diante de um aparelho de televisão não veja os mesmos
programas, não tenha os mesmos valores e nem use a sua televisão da
mesma maneira com que o fazia o público que dependia de Rather, Brokaw
e Cronkite para ter certeza de que não lhe estavam dizendo mentiras. O
que temos que tentar entender agora é o que este público está
procurando num noticiário.
Adesão e cumplicidade seriam respostas
insatisfatórias. Podia ser no último dia de uma eleição disputada,
onde se havia criado o clima de um jogo de futebol. O público prefere o
comentarista que fale bem de seu time. Mas os telejornais das três
grandes redes norte-americanas, que há 30 anos tinham mais de 70% de
toda a audiência, hoje têm perto de 20%.
É certo que, a partir dos anos 1980, o
ambiente de TV por assinatura roubou quase 60% dos espectadores da TV
aberta nos EUA. Mas a pergunta que está no ar é se a isenção ainda
pode se sustentar como o principal produto de venda dos noticiários de
TV - e se não puder, pelo que ela estará sendo substituída.
Sensação de credibilidade
No Brasil, isenção é um prato
relativamente novo no cardápio do telejornalismo. Extraordinários
lampejos de independência já existiam desde os anos 1960 em produtos
como o Jornal de Vanguarda, até hoje uma experiência singular
de jornalismo em televisão por qualquer padrão internacional.
Os avanços da Rede Globo neste campo são
notáveis. A grande rede brasileira pratica hoje um jornalismo que em
nada lembra o dos tempos em que a própria população reagia à presença
de equipes de reportagem da emissora nas ruas. Mas não há dúvida que
apenas Boris Casoy expressa plenamente a concepção norte-americana de
um âncora que não deixa que mintam para o seu público - e que para
isso seja fiador da própria emissora.
Há diferenças, é claro. A primeira
é que é bem mais complicado ser fiador da credibilidade da Record que
da CBS. Para vencer isso, Casoy conseguiu fazer com que na Record -
como no SBT - a sua própria divisão de notícias (há outras na
Record, como havia outras no SBT) tenha estrutura própria e uma forte
desvinculação editorial da emissora. A segunda é que Boris, ao contrário
dos grandes âncoras americanos, opina no ar. Ambas as diferenças
apontam para uma personalização muito forte dos telejornais conduzidos
pelo único âncora brasileiro a lembrar o modelo dos âncoras que hoje
estão passando o bastão nos telejornais norte-americanos.
O público brasileiro comprou esta
sensação de credibilidade? Em parte sim, se formos comparar o
desempenho do Jornal da Record, particularmente o seu faturamento,
com o de outros produtos dentro da mesma emissora e com a incapacidade
de sua redação gerar tantos fatos jornalísticos, denúncias
comprovadas e furos de reportagens quanto a da Globo.
Mas se se ampliarem as dúvidas que se
instalam no modelo gerador de tudo isso, então todo o telejornalismo
que se pratica à luz do modelo estará em risco. A questão a se pensar
é se existe a imagem de um modelo melhor nas novas formas de organização
da mídia eletrônica - ou para onde quer que se procure enxergar.
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
Rio de
Janeiro:
Marcelo
Itagiba - Secretário Segurança Pública
"Gostei muito do programa, porém acho que é necessário mais
tempo para se debater melhor o assunto."
PERGUNTAS
E-mails recebidos na
semana de 07/12 a 14/12:
Eduardo
Guimarães, São Paulo - Comerciante
Prezados senhores do Observatório da Imprensa, deve haver alguma coisa
muito errada com uma sociedade como a brasileira, que fabrica criminosos
para atacá-la. E acho que essa mentalidade que produz novos bandidos às
centenas todos os dias não se deve ao egoísmo de nossas elites, que gera
concentração de renda como em nenhum outro país minimamente
desenvolvido como é o Brasil. Penso que se deve a burrice mesmo. O
objetivo das elites brasileiras, que concentram tanta renda e espalham
tanta miséria, não é a própria segurança. É manterem seus
privilégios. A que preço, não importa. Exigem que as prisões do país,
que estão a ponto de explodir, sejam mais lotadas de pobres que acabam se
entregando ao crime. Tornam essas prisões, portanto, grandes pólos
produtores de feras assassinas. Em lugar de usar esses estabelecimentos
penais para ressocializar os que neles são internados, usam-nos para
ensiná-los a atacá-las quando forem libertados. E, cedo ou tarde, o
são. Não conheço nenhum país que tenha tanta pobreza e que, ao mesmo
tempo, seja minimamente seguro. E a prova de que a pobreza gera
criminalidade foi dada ao mundo recentemente pela Argentina. Lá, depois
da quebra do país em 2001 que fez a pobreza explodir, a criminalidade
aumentou na mesma proporção. Pergunto ao secretário de Segurança
Pública do Rio a que duas óticas ele se refere? Segundo o jornalista de
O Globo, o assaltante foi fotografado preso e sem estar machucado, e
depois fotografado machucado. Que outra ótica há para se olhar esta
questão?
Luis
Carlos Simon, Diadema / SP
Quando a imprensa local, comprada e amordaçada, não cumpre o papel de
denunciar a construção de um presídio para 600 presos, a 14 m da
residência mais próxima e a 400 m de uma escola pública, ela está
sendo omissa por opção ou está criando para si uma fonte inesgotável
de notícia só para produzir escândalo?
Paulo
Observação para o Observatório: quero que a Professora Nancy Cardia
comente:
Midiaticamente falando, a violência é, mais que estatística, produto
para a mídia. Logo, a mídia, independente de ser contundente ou
compreensiva, deve ser esclarecedora quanto às origens das mais variadas
violências.
Kelson
Serafini Lucas, Machado / MG
Ontem, o Ministro da Justiça (Márcio Thomaz Bastos) afirmou no programa
Roda Viva, pela TVE - Brasil, que a violência havia diminuído, de acordo
com as pesquisas. Será que ele se esqueceu do Rio ou seria uma política
de positivismo ou esta afirmação estaria correta?
Antônio
Carlos Peixoto, Rio de Janeiro
Lamento informar que a prof. Nancy Cardia está completamente fora da
realidade quando respondeu sobre as diferenças entre a cobertura
jornalística de SP e do RJ. Moro em São José do Rio Preto (SP) e
trabalho e estudo no RJ há mais de 7 anos. Há diferenças enormes nos
jornais do RJ com exceção do Jornal o Globo (nem sempre), os demais
estampam todos os dias na primeira página dos jornais cariocas uma cena
de crime (Extra, o Dia e o Povo, entre outros), já em são Paulo isto
não ocorre desta forma. Posso assegurar com certeza pois estou nos dois
estados há mais de 7 anos, todas as semanas. Em São José do Rio Preto
(SP) o Jornal local - Diário da Região - nos crimes ocorridos na cidade,
mesmo não sendo envolvendo menores, publica somente as iniciais dos
envolvidos. Finalmente, ela esquece que a crônica policial praticamente
(acho) nasceu no Rio e os grandes cronistas e jornalistas desta área
sempre estiveram nos jornais cariocas.
João
Luiz
Gostaria de perguntar para o Sr. Marcelo Itagiba por que o ex-secretário
Garotinho "fugiu" da Secretaria e por que não é solicitada ao
Governo Federal a ajuda necessária para cercarmos todas as favelas do Rio
sem necessariamente ir para o confronto e sim sufocar o narcotráfico.
Telefonemas recebidos em 07/12:
Gustavo
Barbosa, João Pessoa / PB
O êxodo rural é o maior responsável pela violência nos grandes
centros.
João
Bueno, São Paulo
Todos ficam preocupados com os direitos humanos dos bandidos. Não seria
hora de mudarmos o foco e tentarmos enxergar os direitos dos menores
carentes que ainda não caíram na vida do crime? E a voz do cidadão
honesto?
Wagner
Pereira, Rio de Janeiro
A violência no Rio existe, isso é incontestável. Mas a divulgação
exacerbada da violência não gera conseqüências equivocadas como o
apoio da sociedade à ocupação das ruas pelo exército por exemplo?
Valdir
de Souza, Santo André / SP
Por que o Fernando Gabeira não pode entrar nos EUA e por que ele apoiou a
banda Planet Hemp quando esta foi presa em Brasília?
Gelsa Peçanha,
Niterói / RJ
Eu acho que a mídia não exagera e sim omite os fatos.
Juarez
Ferreira dos Santos, Nova Iguaçu / RJ
Não nos interessa a violência no resto do Brasil e sim no Rio de
Janeiro.
Lia
Fernandez, Rio de Janeiro
Como os editores de jornal escolhem os crimes a serem noticiados? Sabemos
que morrem mais pobres do que ricos, mas são mais noticiados os crimes
contra a classe média. Por quê?
Fábio
Alves, Ouro Preto / MG
Por que a grande mídia, comandada pelo grupo Globo, confunde o grande público
como se a violência fosse um problema somente carioca e não expõe a
postura irresponsável dos políticos profissionais?
Valdecir
Nunes, Rio de Janeiro
O que se pode fazer no caso de menores criminosos que voltam rapidamente
para a liberdade?
Marcelo
Pires, Rio de Janeiro
A mídia, em alguns casos, transforma criminosos em celebridades tamanha
é a sua exposição no noticiário. Até que ponto isso não pode
influenciar jovens de comunidades carentes que desejam status?
Carlos
Alberto, Jequié / BA
Acho que os direitos humanos são muito mais evocados quando morrem
bandidos, mas muito pouco se fala quando morrem policiais. Vocês
concordam?