PROGRAMA DO DIA 07 de dezembro de 2004

VIOLÊNCIA NO RIO DE JANEIRO

O Observatório da Imprensa debateu o tema violência e mídia, sob um novo prisma.

O ponto de partida foi a reação de leitores do jornal O Globo em relação a uma reportagem que criticava policiais por, supostamente, terem agredido um bandido.

Discutimos o porquê desta reação. Até que ponto a violência estampada todos os dias em manchetes sangrentas está afetando as pessoas.

Os meios de comunicação estão, simplesmente, exercendo sua função, noticiando os fatos, ou alguns estão "carregando na tinta"?

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

APOSTAS, FEBRES E MANIAS
Biografia é o quente

Alberto Dines

De repente, voltou. A biografia tem dessas coisas, vai e volta independente dos editores e editoras. Quanto mais perdidos estão os leitores, mais se agarram às biografias.

A Jorge Zahar Editor acaba de lançar com grande estrépito Roberto Marinho, de autoria do jornalista Pedro Bial, e o caderno "Mais!" da Folha de S.Paulo (domingo, 5/12) dedicou ao gênero biográfico três páginas, inclusive a capa.

Leia na íntegra

A cobertura da
violência deve ser:

Resultado:

Mais contundente: 58%

Mais compreensiva: 42%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Editorial:

Bem-vindos ao "Observatório da Imprensa".

É obrigatório: hoje quando se discute a violência impossível não mencionar o papel da mídia. Os meios de comunicação servem para tudo: ora são apresentados como culpados, ora como solução mágica. Mas a imprensa não é uma coisa nem outra, é apenas um espelho. Eventualmente embaçado e até mesmo um pouco deformado mas, mesmo assim, sempre muito próximo da realidade.


Leia na íntegra

INFORMAÇÃO NA TV
Telejornalismo e a crise do velho modelo

Nelson Hoineff

A Folha de S.Paulo de domingo (5/12) acertou em editar lado a lado as matérias sobre a ascensão da Fox News ("Nova fórmula da Fox muda a TV americana", pág A32) e a aposentadoria de dois dos três principais âncoras dos telejornais das grandes redes norte-americanas ("TVs aposentam os âncoras da era dourada", pág A33). Acertou porque uma e outra falam sobre a mesma coisa: telejornalismo e credibilidade.

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

VIOLÊNCIA NO RIO DE JANEIRO

O Observatório da Imprensa de 07 de dezembro debateu a cobertura da mídia sobre a violência urbana. Em editorial, Alberto Dines ressaltou que: "É obrigatório: hoje quando se discute a violência impossível não mencionar o papel da mídia. Os meios de comunicação servem para tudo: ora são apresentados como culpados, ora como solução mágica. Mas a imprensa não é uma coisa nem outra, é apenas um espelho. Eventualmente embaçado e até mesmo um pouco deformado mas, mesmo assim, sempre muito próximo da realidade." E afirmou também que "Neste Observatório já tratamos da questão da mídia e violência em 16 edições. É muito? É pouco? É o que a realidade exigiu. Mesmo sem armas a imprensa é a única que não pode capitular."

Participaram do debate o secretário estadual de segurança, Marcelo Itagiba; o editor de cidade do jornal "O Globo", Paulo Motta, ambos no Rio de janeiro; o deputado federal Fernando Gabeira, em Brasília; e a coordenadora do núcleo sobre violência da USP, Nancy Cardia, em São Paulo.

Logo no início do debate, Marcelo Itagiba ressaltou que "Com certeza nós temos um processo de violência, hoje, em todo o país. Cada vez mais a sociedade brasileira está se tornando violenta em função da falta de oportunidade, em função do desemprego, das altas taxas de juros e em função da falta de perspectiva do povo brasileiro. Com isso a violência tem aumentado em todas as grandes cidades do país, e a mídia faz o seu papel que é discutir essas questões, de expor esta violência, mas com certeza, ao expor esta violência e colocar isto nas primeiras páginas de jornal, cria um processo de retroalimentação dessa violência."

Dando continuidade, Paulo Motta afirmou: "Para o Globo, o caso da japonesa foi uma excelente oportunidade da gente exercer o nosso papel de jornal que é promover o debate. Pra gente foi fundamental, e é nessa hora que o jornal funciona e isto nos estimula. Mas muito nos assustou a reação dos leitores, uma reação contundente, e pra mim isso bateu muito como um sintoma de uma epidemia, essa epidemia de violência que o Rio e o Brasil vivem."

E Fernando Gabeira, comentando a relação entre violência e direitos humanos, disse que: "Eu acho esse debate importantíssimo. Eu sinto que há no Rio de Janeiro uma tendência progressiva, as pessoas se sentem ultrajadas pela violência e cada vez mais elas se sentem tentadas de passar do espaço em que você faz justiça pro espaço em que você se vinga. Mas isso é um elemento extremamente humano, compreensível, mas não defensável. Quando a situação é limite, quando chega a esse ponto, a tendência é abandonar o conceito de direitos humanos, no caso do combate da violência urbana, a tendência também é abandonar os princípios de Genebra, onde se trata de uma guerra. É compreensível, e eu acho que não vamos resolver moralmente, isto é, fazendo lição de moral para as pessoas que tem essa visão, nós só vamos alterar esse quadro, quando provarmos pedagogicamente que o trabalho sem violência é mais efetivo."

Nancy Cardia também ressaltou que "É uma tragédia, quando você reúne os números e vê o que aconteceu nos últimos dez, doze anos dessa nossa consolidação da nossa democracia, o número de homicídios no Brasil equivale a um número de guerra. Nós fizemos um levantamento, uma colega minha de núcleo trabalhou com os dados dos homicídios de 1991 até 2000, e nós temos quase 500 mil homicídios no Brasil nesse período. Um número enorme de jovens e crianças de 0 a 17 anos. Então, que isso não tenha conseguido sensibilizar os nossos governantes para a urgência desta questão, é realmente uma tragédia."

Manoel Magalhães (estagiário)


EDITORIAL

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

É obrigatório: hoje quando se discute a violência impossível não mencionar o papel da mídia. Os meios de comunicação servem para tudo: ora são apresentados como culpados, ora como solução mágica. Mas a imprensa não é uma coisa nem outra, é apenas um espelho. Eventualmente embaçado e até mesmo um pouco deformado mas, mesmo assim, sempre muito próximo da realidade.

Ao contrário do que acontece com o terrorismo que precisa da mídia para aterrorizar, os criminosos prefeririam que suas ações não tivessem repercussão, o ambiente ideal do criminoso é o silêncio para que possa operar sem ser molestado pela sociedade. Isso significa que os meios de comunicação são essenciais para combater o crime. Uma imprensa calada, retraída, com medo de saturar o seu público será sempre uma imprensa complacente e, em última análise, cúmplice.

No caso do combate ao crime o que o cidadão espera da sua imprensa é a vigilância. Vigilância permanente. Vigilância contra o crime, vigilância contra os fatores que favorecem o criminoso e, quando for o caso, vigilância em cima das autoridades. Todas as autoridades - municipais, estaduais e federais. E se autoridades não gostam ou não estão habituadas às cobranças é melhor acostumar-se.

Mas é preciso levar em conta que a violência não acontece apenas no Rio de Janeiro, é um fenômeno nacional embora aqui no Rio tenha se transformado numa questão crucial que se estende além dos bairros e interfere claramente em todas as esferas da sua vida.

Neste Observatório já tratamos da questão da mídia e violência em 16 edições. É muito? É pouco? É o que a realidade exigiu. Mesmo sem armas a imprensa é a única que não pode capitular.


ARTIGO
Por Alberto Dines

APOSTAS, FEBRES E MANIAS
Biografia é o quente

Alberto Dines

De repente, voltou. A biografia tem dessas coisas, vai e volta independente dos editores e editoras. Quanto mais perdidos estão os leitores, mais se agarram às biografias.

A Jorge Zahar Editor acaba de lançar com grande estrépito Roberto Marinho, de autoria do jornalista Pedro Bial, e o caderno "Mais!" da Folha de S.Paulo (domingo, 5/12) dedicou ao gênero biográfico três páginas, inclusive a capa.

O curioso é que no farto material publicado pela Folha desdenhou-se o "gancho" e não se faz qualquer menção à biografia do patriarca da Globo. A resenha foi publicada no sábado (4/12), discretamente, na "Ilustrada", de modo a não ganhar relevância. E não reacender velhas brigas.

Pitoresca e extremamente significativa é a divergência entre as duas matérias que compõem este dossiê biográfico: enquanto a reportagem assinada por um profissional da equipe do jornal segue a "linha justa" e só cita biografias e biógrafos cujos nomes estão fora da "lista negra", a matéria da articulista convidada, emérita professora da USP, desdenha o embargo e cita todos os autores e obras que considera relevantes.

Bendita discrepância: graças à Folha pode-se entender por que o biografismo luso-brasileiro não prosperou no passado e por que hoje apenas alguns biógrafos merecem os galardões da grande imprensa.

Preconceito básico

Ao contrário do biografismo anglo-saxônico, o nosso sempre primou pela facciosismo. E este sectarismo - a favor e contra - estende-se às avaliações sobre biógrafos, biografados e biografias.

Critica-se o "aparelhamento" do governo pelo PT mas nossa tradição lítero-jornalística sempre foi aparelhada, na base do "aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei". Somos intrinsecamente clubistas e o nosso biografismo ressente-se deste engajamento orgânico que compromete o próprio discernimento sobre a qualidade de uma biografia. Ao detestar o biógrafo condena-se o biografado - ou vice-versa - e dessa maneira arrevesada e totalitária estabelecem-se nesta paróquia os padrões de qualidade e excelência.

Do pântano não escapa nossa academia, teoricamente isenta e "científica", onde os historiadores chutam o biografismo para os departamentos de literatura e estes, na melhor das hipóteses, o remetem para as escolas de jornalismo. O dossiê da Folha é exemplo disso.

Da primeira fornada de resenhas sobre Roberto Marinho, de Pedro Bial, evidencia-se um preconceito primal: pelo fato de o autor estar ligado à empresa do personagem a obra é imediatamente classificada como encômio. A partir daí, não presta.

A segunda morte

Grandes biografias roçam o panegírico e nem por isso foram desqualificadas: a famosa Vida de Samuel Johnson, de James Boswell (1791), é um clássico do biografismo "moderno" e também um preito do biógrafo ao biografado (com o qual manteve intenso convívio).

O celebrado retrato Um estadista do Império, de Joaquim Nabuco, seria suspeitíssimo porque o autor é filho do personagem (José Tomás Nabuco de Araújo). Mais ainda Um estadista da República, de Afonso Arinos de Melo Franco (sobre o seu pai, Afrânio de Melo Franco), que teria contra, além da semelhança de títulos, os laços entre os Nabuco e os Melo Franco.

A autobiografia de Alice B. Toklas, de Gertrude Stein (sobre a sua companheira de 25 anos), é um originalíssimo relato onde biógrafa e biografada estão de tal modo entrelaçadas que torna-se supérfluo o debate objetividade-subjetividade.

A proximidade do narrador com o objeto da narrativa não a invalida. Ao contrário, pode validá-la pela intensidade das vivências que reanima. Uma biografia é boa ou ruim na medida em que consegue ressuscitar o biografado. Reproduzir a sua voz, presença, reações, percurso. Sobretudo, se abdica de julgá-lo.

Se a intimidade é secundária, também a extensão do relato. Paulo Francis, de Daniel Piza (editado no Cadernos de Comunicação da Prefeitura do Rio, série "Perfis do Rio, 2004), com apenas 117 páginas é um retrato de corpo inteiro do jornalista carioca. Classificado como perfil (para enquadrar-se na série) é muito mais do que isso - é uma biografia compacta. Pronta para ir ao fogo e crescer.

Este é um dado crucial na qualificação da boa ou má biografia. Biógrafos trabalham com matéria viva. Alguns atrapalham-se, seduzidos pelo anedotário e irrelevâncias. Nestes casos, o biografado morre pela segunda vez. Culpa dos biófagos.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

INFORMAÇÃO NA TV
Telejornalismo e a crise do velho modelo

Nelson Hoineff

A Folha de S.Paulo de domingo (5/12) acertou em editar lado a lado as matérias sobre a ascensão da Fox News ("Nova fórmula da Fox muda a TV americana", pág A32) e a aposentadoria de dois dos três principais âncoras dos telejornais das grandes redes norte-americanas ("TVs aposentam os âncoras da era dourada", pág A33). Acertou porque uma e outra falam sobre a mesma coisa: telejornalismo e credibilidade.

O espantoso crescimento da Fox News, particularmente nos últimos três anos (a rede foi criada há oito), vem sendo acompanhado há algum tempo com a inquietação que o caso exige. A rede noticiosa de Rupert Murdoch surgiu para enfrentar a CNN e disposta a abrir mão do que até então se considerava clausula pétrea nos princípios jornalísticos das grandes redes de televisão: a isenção.

A verdade é que o público comprou, sabendo o que estava comprando, uma cobertura jornalística em que a imparcialidade não fazia parte do jogo. A perplexidade não é apenas em torno da escalada de audiência da Fox News, mas da possibilidade de que o princípio da isenção não queira dizer nada para o público que hoje se instalou diante da TV. Se Deus e a isenção jornalística não existem, tudo é permitido.

"Nova era"

A "era de ouro" que o título da Folha refere teve seu apogeu bem antes que esse público usasse fraldas. Dan Rather, hoje com 73 anos, e que anunciou sua aposentadoria para 9 de março do ano que vem, foi o sucessor, no CBS Evening News, de Walter Cronkite, que moldava a opinião pública dos Estados Unidos e definiu os rumos da guerra do Vietnã quando Nixon admitiu que "se perdemos Walter, perdemos a América".

Âncora do telejornal das 18h30, Cronkite era, para o cidadão americano, a única pessoa em todo o país que jamais lhe diria uma mentira. Uma confiança tão ampla não se forja com uma bela estampa (nenhum apresentador é particularmente bonito e dificilmente atinge o apogeu antes dos 60 anos), mas se constrói todos os dias. É um trabalho penoso e difícil, que junta talento jornalístico e carisma pessoal.

Na escala de prioridades das divisões de notícias das grandes redes norte-americanas, o furo de reportagem vem muitos pontos abaixo da manutenção da credibilidade de quem está apresentando a notícia. Para o público, ele é o fiador da própria emissora. Por isso ganham quase um milhão de dólares por mês e também por isso são tão importantes para divisões que faturam mais de 2 bilhões de dólares por ano.

Os números do mercado, reproduzidos na matéria da Folha, mostram a derrota que a Fox News vem impingindo à CNN (que, como as grandes redes abertas, vende o princípio da independência, ao lado da abrangência e permanência de sua cobertura) e também o surpreendente desempenho da cobertura das eleições presidenciais de 3 de novembro, quando a rede fechada atingiu 8,1 milhões de espectadores, contra 9,5 milhões da emissora aberta CBS.

Tais números devem-se ao fato de que grande parte do público, naquele dia, não procurava uma rede que permanecesse eqüidistante, mas sim que, como a maioria dos eleitores, tivesse feito sua opção por Bush. Naquela noite, pelo menos 8 milhões de norte-americanos buscavam na sua televisão qualquer coisa, menos isenção.

Se isso configurar uma tendência, todo o modelo do telejornalismo norte-americano, no que ele tem de melhor, terá de ser revisto - e o sucessor de Rather, por exemplo, já não será um espelho de seu antecessor, como Rather foi de Cronkite.

É possível que seja isso o que Brian Williams, o sucessor de Tom Brokaw, por 23 anos à frente do atual líder NBC Nightly News, estivesse querendo dizer quando afirmou, em sua estréia há poucos dias, que "nessa noite começa uma nova era nessa emissora".

O pilar da isenção

É compreensível que o público que está hoje diante de um aparelho de televisão não veja os mesmos programas, não tenha os mesmos valores e nem use a sua televisão da mesma maneira com que o fazia o público que dependia de Rather, Brokaw e Cronkite para ter certeza de que não lhe estavam dizendo mentiras. O que temos que tentar entender agora é o que este público está procurando num noticiário.

Adesão e cumplicidade seriam respostas insatisfatórias. Podia ser no último dia de uma eleição disputada, onde se havia criado o clima de um jogo de futebol. O público prefere o comentarista que fale bem de seu time. Mas os telejornais das três grandes redes norte-americanas, que há 30 anos tinham mais de 70% de toda a audiência, hoje têm perto de 20%.

É certo que, a partir dos anos 1980, o ambiente de TV por assinatura roubou quase 60% dos espectadores da TV aberta nos EUA. Mas a pergunta que está no ar é se a isenção ainda pode se sustentar como o principal produto de venda dos noticiários de TV - e se não puder, pelo que ela estará sendo substituída.

Sensação de credibilidade

No Brasil, isenção é um prato relativamente novo no cardápio do telejornalismo. Extraordinários lampejos de independência já existiam desde os anos 1960 em produtos como o Jornal de Vanguarda, até hoje uma experiência singular de jornalismo em televisão por qualquer padrão internacional.

Os avanços da Rede Globo neste campo são notáveis. A grande rede brasileira pratica hoje um jornalismo que em nada lembra o dos tempos em que a própria população reagia à presença de equipes de reportagem da emissora nas ruas. Mas não há dúvida que apenas Boris Casoy expressa plenamente a concepção norte-americana de um âncora que não deixa que mintam para o seu público - e que para isso seja fiador da própria emissora.

Há diferenças, é claro. A primeira é que é bem mais complicado ser fiador da credibilidade da Record que da CBS. Para vencer isso, Casoy conseguiu fazer com que na Record - como no SBT - a sua própria divisão de notícias (há outras na Record, como havia outras no SBT) tenha estrutura própria e uma forte desvinculação editorial da emissora. A segunda é que Boris, ao contrário dos grandes âncoras americanos, opina no ar. Ambas as diferenças apontam para uma personalização muito forte dos telejornais conduzidos pelo único âncora brasileiro a lembrar o modelo dos âncoras que hoje estão passando o bastão nos telejornais norte-americanos.

O público brasileiro comprou esta sensação de credibilidade? Em parte sim, se formos comparar o desempenho do Jornal da Record, particularmente o seu faturamento, com o de outros produtos dentro da mesma emissora e com a incapacidade de sua redação gerar tantos fatos jornalísticos, denúncias comprovadas e furos de reportagens quanto a da Globo.

Mas se se ampliarem as dúvidas que se instalam no modelo gerador de tudo isso, então todo o telejornalismo que se pratica à luz do modelo estará em risco. A questão a se pensar é se existe a imagem de um modelo melhor nas novas formas de organização da mídia eletrônica - ou para onde quer que se procure enxergar.


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

Rio de Janeiro:

Marcelo Itagiba - Secretário Segurança Pública
"Gostei muito do programa, porém acho que é necessário mais tempo para se debater melhor o assunto."


PERGUNTAS

E-mails recebidos na semana de 07/12 a 14/12:

Eduardo Guimarães, São Paulo - Comerciante
Prezados senhores do Observatório da Imprensa, deve haver alguma coisa muito errada com uma sociedade como a brasileira, que fabrica criminosos para atacá-la. E acho que essa mentalidade que produz novos bandidos às centenas todos os dias não se deve ao egoísmo de nossas elites, que gera concentração de renda como em nenhum outro país minimamente desenvolvido como é o Brasil. Penso que se deve a burrice mesmo. O objetivo das elites brasileiras, que concentram tanta renda e espalham tanta miséria, não é a própria segurança. É manterem seus privilégios. A que preço, não importa. Exigem que as prisões do país, que estão a ponto de explodir, sejam mais lotadas de pobres que acabam se entregando ao crime. Tornam essas prisões, portanto, grandes pólos produtores de feras assassinas. Em lugar de usar esses estabelecimentos penais para ressocializar os que neles são internados, usam-nos para ensiná-los a atacá-las quando forem libertados. E, cedo ou tarde, o são. Não conheço nenhum país que tenha tanta pobreza e que, ao mesmo tempo, seja minimamente seguro. E a prova de que a pobreza gera criminalidade foi dada ao mundo recentemente pela Argentina. Lá, depois da quebra do país em 2001 que fez a pobreza explodir, a criminalidade aumentou na mesma proporção. Pergunto ao secretário de Segurança Pública do Rio a que duas óticas ele se refere? Segundo o jornalista de O Globo, o assaltante foi fotografado preso e sem estar machucado, e depois fotografado machucado. Que outra ótica há para se olhar esta questão?

Luis Carlos Simon, Diadema / SP
Quando a imprensa local, comprada e amordaçada, não cumpre o papel de denunciar a construção de um presídio para 600 presos, a 14 m da residência mais próxima e a 400 m de uma escola pública, ela está sendo omissa por opção ou está criando para si uma fonte inesgotável de notícia só para produzir escândalo?

Paulo
Observação para o Observatório: quero que a Professora Nancy Cardia comente:
Midiaticamente falando, a violência é, mais que estatística, produto para a mídia. Logo, a mídia, independente de ser contundente ou compreensiva, deve ser esclarecedora quanto às origens das mais variadas violências.

Kelson Serafini Lucas, Machado / MG
Ontem, o Ministro da Justiça (Márcio Thomaz Bastos) afirmou no programa Roda Viva, pela TVE - Brasil, que a violência havia diminuído, de acordo com as pesquisas. Será que ele se esqueceu do Rio ou seria uma política de positivismo ou esta afirmação estaria correta?

Antônio Carlos Peixoto, Rio de Janeiro
Lamento informar que a prof. Nancy Cardia está completamente fora da realidade quando respondeu sobre as diferenças entre a cobertura jornalística de SP e do RJ. Moro em São José do Rio Preto (SP) e trabalho e estudo no RJ há mais de 7 anos. Há diferenças enormes nos jornais do RJ com exceção do Jornal o Globo (nem sempre), os demais estampam todos os dias na primeira página dos jornais cariocas uma cena de crime (Extra, o Dia e o Povo, entre outros), já em são Paulo isto não ocorre desta forma. Posso assegurar com certeza pois estou nos dois estados há mais de 7 anos, todas as semanas. Em São José do Rio Preto (SP) o Jornal local - Diário da Região - nos crimes ocorridos na cidade, mesmo não sendo envolvendo menores, publica somente as iniciais dos envolvidos. Finalmente, ela esquece que a crônica policial praticamente (acho) nasceu no Rio e os grandes cronistas e jornalistas desta área sempre estiveram nos jornais cariocas.

João Luiz
Gostaria de perguntar para o Sr. Marcelo Itagiba por que o ex-secretário Garotinho "fugiu" da Secretaria e por que não é solicitada ao Governo Federal a ajuda necessária para cercarmos todas as favelas do Rio sem necessariamente ir para o confronto e sim sufocar o narcotráfico.


Telefonemas recebidos em 07/12:

Gustavo Barbosa, João Pessoa / PB
O êxodo rural é o maior responsável pela violência nos grandes centros.

João Bueno, São Paulo
Todos ficam preocupados com os direitos humanos dos bandidos. Não seria hora de mudarmos o foco e tentarmos enxergar os direitos dos menores carentes que ainda não caíram na vida do crime? E a voz do cidadão honesto?

Wagner Pereira, Rio de Janeiro
A violência no Rio existe, isso é incontestável. Mas a divulgação exacerbada da violência não gera conseqüências equivocadas como o apoio da sociedade à ocupação das ruas pelo exército por exemplo?

Valdir de Souza, Santo André / SP
Por que o Fernando Gabeira não pode entrar nos EUA e por que ele apoiou a banda Planet Hemp quando esta foi presa em Brasília?

Gelsa Peçanha, Niterói / RJ
Eu acho que a mídia não exagera e sim omite os fatos.

Juarez Ferreira dos Santos, Nova Iguaçu / RJ
Não nos interessa a violência no resto do Brasil e sim no Rio de Janeiro.

Lia Fernandez, Rio de Janeiro
Como os editores de jornal escolhem os crimes a serem noticiados? Sabemos que morrem mais pobres do que ricos, mas são mais noticiados os crimes contra a classe média. Por quê?

Fábio Alves, Ouro Preto / MG
Por que a grande mídia, comandada pelo grupo Globo, confunde o grande público como se a violência fosse um problema somente carioca e não expõe a postura irresponsável dos políticos profissionais?

Valdecir Nunes, Rio de Janeiro
O que se pode fazer no caso de menores criminosos que voltam rapidamente para a liberdade?

Marcelo Pires, Rio de Janeiro
A mídia, em alguns casos, transforma criminosos em celebridades tamanha é a sua exposição no noticiário. Até que ponto isso não pode influenciar jovens de comunidades carentes que desejam status?

Carlos Alberto, Jequié / BA
Acho que os direitos humanos são muito mais evocados quando morrem bandidos, mas muito pouco se fala quando morrem policiais. Vocês concordam?



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