RESUMO DO PROGRAMA
ELEIÇÕES
AMERICANAS
O
Observatório da Imprensa de 19 de outubro debateu a cobertura da mídia
nas eleições americanas. Em editorial, Alberto Dines ressaltou: "Nunca
uma eleição americana foi tão intensamente acompanhada além de suas
fronteiras. É verdade que a internet e os canais noticiosos de TV
ajudaram a globalizar a disputa pela Casa Branca, mas além das novas
tecnologias de informação assistimos ao vivo um confronto vital,
crucial, que de certa forma nos remete aos tempos da Segunda Guerra
Mundial".
Participaram do debate o professor de ciências políticas da UnB David
Fleischer, em Brasília; o jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, em
São Paulo; o antropólogo Roberto daMatta e o correspondente da revista
Newsweek Mac Margolis, no Rio de Janeiro.
Logo no
início do debate, Mac Margolis comentou: "Essa eleição fez renascer a
imprensa de uma forma robusta. Você tem um eleitorado totalmente
polarizado e os jornalistas começando a se ver como investigadores
agressivos de novo, e isso tem a ver com o papel que a imprensa teve na
guerra do Iraque e que foi bastante questionado depois por ser
condescendente com o governo americano, agora a imprensa está se
penitenciando um pouco".
Carlos
Eduardo Lins da Silva prosseguiu: "Esta é provavelmente a eleição mais
importante que os EUA vivem em muitos e muito anos. Eu acho que, do
ponto de vista da imprensa, ela é particularmente importante, e pelo que
os próprios jornalistas americanos parecem achar, a cobertura não tem
sido boa. Hoje mesmo saiu uma pesquisa que mostra que dois terços dos
jornalistas consultados acreditam que a imprensa deve receber nota C, D
ou F e apenas 3% dão nota A".
David
Fleischer, respondendo ao questionamento de Alberto Dines sobre como
podem ser analisadas as pesquisas de intenção de voto no contexto do
colégio eleitoral, afirmou: "O colégio eleitoral faz com que a campanha
se centre nos estados grandes, Nova Iorque, Florida, Texas e Califórnia.
As pesquisas nos mostram quais são os estados firmemente para Kerry ou
firmemente para Bush, e tem mais quatorze estados que são considerados
swing states que são estados indecisos que tanto podem ir para Kerry
quanto para Bush. Isso faz com que a campanha fique concentrada nestes
quatorze estados."
Encerrando o programa, Roberto daMatta declarou: "Apesar das diferenças
culturais e da modernidade americana, a eleição é um ritual de passagem
e nós antropólogos que estudamos os rituais, as coisas antigas, sabemos
que existe um momento em que você tem um vazio, onde esperanças renascem
e onde as regras, que normalmente regem e gerenciam o bom senso da
sociedade, se deixam invadir por todo tipo de esperança. Foi o que
aconteceu com os jornais. Então os jornalistas que têm uma consciência
das coisas, que têm uma ligação muito maior, não estão fazendo só o seu
dever de casa, mas estão recuperando uma possibilidade de você
aprofundar a crítica, de refletir, refazer posições."
Manoel
Magalhães (estagiário)
EDITORIAL
Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.
Você já
deve ter reparado que temos duas eleições pela frente - no dia 31 de
outubro muitos brasileiros voltarão a acionar as urnas eletrônicas no
segundo turno das eleições municipais. Raras vezes em nossa história
tivemos um pleito municipal com tantas implicações no cenário
nacional.
E como se
não bastassem estas emoções, apenas dois dias depois, em 2 de
novembro, vamos acompanhar as mais importantes eleições presidenciais
americanas de todos os tempos. Nós e o mundo.
Nunca uma
eleição americana foi tão intensamente acompanhada além de suas
fronteiras. É verdade que a internet e os canais noticiosos de tv
ajudaram a globalizar a disputa pela Casa Branca mas além das novas
tecnologias de informação assistimos ao vivo um confronto vital,
crucial, que de certa forma nos remete aos tempos da segunda guerra
mundial.
A cada
dia que passa fica claro que a campanha eleitoral americana transcende
os candidatos e os respectivos partidos. Sabemos que está em jogo o
futuro dos EUA como nação e como superpotência mas não podemos
perder de vista que estão em jogo também valores essenciais do sistema
político dos Estados Unidos vigentes há mais de dois séculos, hoje
paradigmas para o mundo inteiro. E um destes valores ameaçados é a
liberdade de expressão.
O governo
de George Bush está não apenas ajudando o candidato George Bush mas
está jogando pesado. E quando a presidência esquece seu papel de
árbitro quem deve protestar é a imprensa. E a imprensa americana acaba
de advertir o povo americano que a Casa Branca, na ânsia de conseguir a
reeleição, está pisoteando a liberdade e encostando os meios de
comunicação na parede.
Os erros
cometidos na guerra do Iraque agora passam para segundo plano
substituídos por uma outra guerra que diz respeito aos americanos e
também a todos nós - a preservação da democracia.
ARTIGO
Por Alberto Dines
REFORMA
DO ESTADÃO
O toque Armani no jornalismo
Alberto
Dines
Um crítico
de cinema deve se manifestar sobre a qualidade do espetáculo cinematográfico.
O crítico teatral sobre a peça e a encenação. O crítico literário
examina a escrita, o teor da mensagem, os atributos do texto.
O que se
espera dos críticos de mídia quando um jornal, revista ou programa de
TV refaz o seu visual? Como se trata de uma manifestação artística e
cultural, o critério da avaliação deve ser apenas o estético? Se os
meios de comunicação têm, antes de tudo, uma função sociopolítica,
qual a importância do design e do grafismo de um veículo?
O novo
desenho do Estado de S.Paulo, estreado no domingo (17/10), chamou muita
atenção dos observadores da mídia. Em primeiro lugar porque o próprio
jornal investiu pesadamente para anunciá-lo. A mudança chamou a atenção,
principalmente, porque o jornal, dono da imagem de clássico, de repente
resolveu trocá-la.
O que
deve nos interessar no caso é justamente a necessidade desta troca de
imagem. Se o jornal ficou mais ou menos bonito, mais ou menos atraente,
é secundário. Na medida em que jornais ou revistas são comprados há
anos - às vezes décadas - supõe-se que seus leitores gostem deles
e afeiçoaram-se ao padrão visual repetido diariamente
Então
por que trocar? Por que romper tão bruscamente hábitos de leitura que,
junto com a periodicidade, são as âncoras que amarram o leitor ao seu
jornal ou revista?
A discussão
é antiga. O New York Times leva anos para implantar suas mudanças de
maneira a não assustar os leitores. Por isso adota a estratégia homeopática
por meio de alterações imperceptíveis. Ou quase. Mas não pára de
mudar. Não muito diferente das leitoras (ou leitores) cujas cirurgias
plásticas são percebidas apenas pelos consortes.
A reforma
iniciada no Jornal do Brasil em 1956 foi mantida pela equipe que assumiu
o jornal em 1962, e implementada sub-repticiamente ao longo de 12 anos.
Talvez porque se preferiu a noção de "processo" no lugar de
"reforma", o JB desenvolveu um estilo. Institucionalizado,
serviu de modelo (ou plataforma) para inúmeras experiências e adaptações.
Inclusive no Estadão.
No caso,
não se trata de trocar o guarda-roupa, a palheta da maquiagem ou o nó
da gravata. Ao implodir sua aparência, um veículo impresso desvenda
uma incerteza com relação à sua identidade. Se, para inspirar confiança,
os jornais procuram se mostrar imperturbáveis, imunes às pressões do
poder e à passagem do tempo, por que recorrer aos atalhos e movimentos
inesperados?
Se o
vetor do processo jornalístico consiste justamente em transmitir
discernimento e sabedoria aos leitores, um corte radical no visual não
seria uma confissão de incapacidade para manter-se sempre ajustado e
atual?
Maturação
rápida
A mudança
operada no Estadão não escondeu o desejo de torná-lo moderno e mais
jovem. Está expresso no uso das cores e ilustrações, no aumento do
tamanho das fontes e do espaço das entrelinhas. Está registrado no
encurtamento das matérias, artigos e editoriais. A mancha tipográfica,
geralmente negra e por isso impactante, foi suavizada, ficou clean,
esbranquiçada, quase cinza. Tem algo de loja Armani.
Gosto não
se discute, mas o que significa ser moderno e jovem - segmentar ainda
mais a cabeça do leitor e retirar do jornal sua unicidade e
universalidade? Aumentar o número de cadernos e estimular a leitura
parcial do seu conteúdo? Atender ao jovem e moderno exige tais sacrifícios?
O seu
concorrente, a Folha de S.Paulo, cedeu às mesmas tentações e fez o
mesmo movimento no início dos anos 1980. Cadernizou-se, segmentou-se,
deixou de lado o elegante paradigma inglês que adotou em 1975 e partiu
para a fórmula sincopada do USA Today. Quando uma década depois
aqueles jovens (leitores e jornalistas) começaram a ficar mais velhos,
o jornal viu-se obrigado a fazer nova plástica.
Jornais
como o Washington Post também sentiram a necessidade de se renovar -
mas o fazem constantemente, não aparece. Também querem agarrar o
segmento jovem mas optaram por uma estratégia diferente: lançaram um
novo produto, o Express, um vespertino, formato tablóide, vivo, voltado
para as coisas da cidade e, ao que tudo indica, está dando certo. A
empresa que edita o WP não correu riscos, não trocou de público -
agregou outro.
Os
leitores do WP em 1974 vibraram com os feitos da dupla
Woodward-Berenstein que levaram à renúncia de Nixon. Trinta anos
depois, seus filhos ou netos também vibrariam se o jornal reeditasse o
caso Watergate e conseguisse impedir a vitória de George W. Bush nas próximas
eleições. Neste intervalo - uma geração! - o jornal mudou
relativamente pouco (descontado o uso da cor). Não precisava.
Ao
analisar esta devoção ao público jovem convém não perder de vista
certas considerações de ordem demográfica e social que marqueteiros e
publicitários não gostam de ouvir: o mercado jovem é transitório, a
sua expansão está sendo neutralizada por um movimento de pinças: por
um lado, a rápida maturação dos jovens profissionais e, por outro
lado, o inevitável aumento da longevidade humana.
Os
jornais perderam circulação - e isso não apenas no Brasil -
porque a pretexto da juvenilização da audiência abandonaram os
pressupostos que os fizeram indispensáveis na geração anterior. Nesta
hora festiva, convém não esquecer esta irrelevância.
Em
busca da densidade
Os
consultores e projetistas internacionais que ganham a vida redesenhando
e refazendo a mídia impressa pelo mundo afora não estão minimamente
preocupados com o futuro dos jornais, do jornalismo, da imprensa, da
cultura e da sociedade. Seu negócio é cosmética, cosmética em papel.
Não prometem permanência ou durabilidade - se assim fosse morreriam
de fome.
O semanário
The Economist certamente está interessado em faturar e aumentar sua
audiência e manter-se como um dos cinco grandes do mundo. Já fez
diversos face-lifts, está sempre criando novidades mas não abriu mão
de algumas de suas obsessões: títulos preciosos, textos informativos,
fotos que funcionam de forma ambiental (raramente com legendas). Seus
redatores continuam anônimos e, não obstante, freqüentemente brindam
a inteligência de seus leitores com pequenos e inesquecíveis
virtuosismos como o editorial da pág. 14 da edição de 9/10.
Inspirado
numa frase de Winston Churchill ("As palavras breves são melhores
e as palavras antigas, quando breves, melhores ainda"), o texto foi
escrito com vocábulos de, no máximo, duas sílabas. Brincadeira? Com
brincadeiras assim se deliciam jovens e velhos, modernos e
tradicionalistas. Jornalismo não é apenas serviço - se assim fosse
as listas telefônicas seriam imbatíveis.
Com
apenas três edições, impossível fazer avaliações e juízos mais
consistentes sobre aspectos concretos da mudança no Estado. Mas, a
partir do título, o caderno "Aliás" promete interessante
incursão pelo jornalismo analítico. Um lapso chamou a atenção na
primeira página do domingo: nenhuma referência internacional. Culpa
das emoções de estréia que no Estadão (o jornal com a melhor
cobertura do estrangeiro) torna-se muito visível.
Conservada
na sua essência, a página de opinião do jornal (A 3), a mais
influente do país, foi habilmente integrada à op-ed page (reservada
aos colunistas). Graças à diminuição no tamanho dos textos de ambas
sobrou espaço para ampliar e oferecer mais visibilidade às cartas dos
leitores, área em que a Folha levava nítida e antiga vantagem. O
defeito poderia ter sido consertado há tempos sem envolver tantos
riscos.
Também o
caderno "Cultura" foi preservado e enriquecido com as matérias
do New York Review of Books, a melhor publicação cultural dos EUA.
Concessão aos tradicionalistas, indício de que os jovens também
querem densidade - de qualquer forma, uma prova de que o modelo Armani
de jornalismo ainda levará muito tempo para se consolidar.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
BRIGA
DE FOICE
Jornalistas, assessores e o CFJ
Maurício Tuffani (*)
A nova
crise em torno do projeto de lei de criação do Conselho Federal de
Jornalismo (CFJ), com a reação contrária do Conselho Federal de
Profissionais de Relações Públicas (Conferp), é apenas uma das
conseqüências inevitáveis dos esforços deliberados da Fenaj para
esvaziar a possibilidade de um amplo debate sobre a regulamentação da
profissão de jornalista. Esses esforços foram realizados por essa
entidade sindical antes mesmo de ela enviar neste ano sua proposta ao
governo para ele encaminhá-la ao Legislativo.
Já
escrevi neste Observatório, no artigo "Como a Fenaj esvaziou o
debate sobre o CFJ", que os meios de comunicação
em geral divulgaram o projeto de lei de criação do CFJ de modo
parcial, o que fere a própria ética jornalística e prejudica o debate
sobre a regulamentação da profissão. Mas mostrei também que apesar
de não dispor do poderio dos donos da mídia, a Fenaj foi tão
manipuladora quanto eles, ou talvez muito mais do que eles.
A reação
do Conferp não diz respeito diretamente ao texto do projeto de lei
3.985, de criação do CFJ, nem ao conteúdo da proposta que o originou,
que foi encaminhada ao governo pela Fenaj em janeiro deste ano. A crítica
do Conferp se refere, na verdade, a um item que a Fenaj decidiu fazer não
constar nessa proposta, retirando-o de sua versão encaminhada ao
governo em dezembro de 2002, ainda durante a gestão FHC: a sua concepção
da definição das funções da profissão de jornalista, entre elas a
de assessor de imprensa.
Curiosamente,
a decisão da Fenaj de retirar esse incômodo tópico da nova versão de
sua proposta se deu em 2003, no mesmo ano em que ele se tornou o tema
central de outro projeto de lei, o de número 708, do deputado Pastor
Amarildo (PSB-TO).
Com o enérgico
apoio do seu relator, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), o projeto
de Amarildo já foi aprovado praticamente sem emendas nas comissões da
Câmara dos Deputados e seguiu para o Senado, onde tramita como PLC
79/2004. Até o fechamento deste texto, ainda não havia sido designado
seu relator.
A indignação
do conselho dos RPs se refere diretamente a esse tópico, que,
agasalhado por outro projeto de lei - o de Pastor Amarildo -, foi
varrido pela Fenaj para baixo do tapete do suposto cenário democrático
de discussão sobre a regulamentação profissional que a entidade
sempre afirmou existir. Isso, é claro, antes de a Fenaj ser contrariada
pelo rolo compressor dos veículos de comunicação, desencadeado a
partir do momento que a proposta de criação do CFJ chegou ao
Legislativo.
Dedo na ferida
Esse
recente capítulo da desastrada tentativa da Fenaj e do governo federal
de criar o CFJ está longe de ser um detalhe superável por meio de
negociação. O Conferp tocou o dedo numa ferida que nunca cicatriza,
mas tem sido escondida por décadas no curral de opiniões domesticadas
do jornalismo brasileiro: fazer assessoria de imprensa não é fazer
jornalismo.
Essa
distinção é um preceito básico e claro de delimitação das duas
atividades em diversos países. No entanto, as tentativas de colocá-lo
em discussão sempre foram recebidas com hostilidade neste ambiente de
idéias viciadas sobre nossa profissão que se desenvolveu no Brasil. E
sempre é bom lembrar: principalmente após a regulamentação imposta
em outubro de 1969 pela Junta Militar que governou o país com o
Congresso Nacional fechado por ato de força.
Essa
distinção não implica juízo de valor sobre qualquer uma das duas
atividades. No entanto, no Brasil esse tema é incômodo para os
interesses corporativos dos sindicatos - que em alguns casos perderiam
até mais da metade de seus associados -, e fere suscetibilidades de
assessores de imprensa que beiram o complexo de inferioridade.
Para
complicar ainda mais o clima e dificultar qualquer possibilidade de
discussão séria sobre o assunto, não faltam profissionais em redações
que ridiculamente se julgam em uma posição eticamente superior à de
seus colegas do outro lado do balcão.
Em países
como a França e outros da União Européia, jornalistas que assumem a
função de assessor de imprensa são obrigados a suspender seu registro
profissional. No Brasil, algo semelhante a isso é o que acontece com o
bacharel em direito, que pode ser advogado, juiz, promotor público ou
delegado. Se ele for advogado e decidir ingressar na carreira de juiz,
promotor público ou delegado de polícia, terá de suspender seu
registro na OAB.
Nesse
confronto entre a Fenaj e o Conferp, os dois oponentes fazem a encenação
de um combate de alto nível, olímpico, mas, na verdade, a briga é de
várzea. O motor de ambas as entidades é a reserva de mercado. Nenhuma
das duas tem interesse na discussão que leva às questões de fundo
sobre a regulamentação de suas profissões. O Conferp, com menos
gravidade, na medida em que possui regras de acesso à profissão mais
flexíveis do que aquelas que a Fenaj pretende manter, baseadas na exigência
de formação superior específica em jornalismo.
(*)
Jornalista
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
Rio
de Janeiro:
Roberto
Da Matta - Antropólogo
"Acho que o debate foi esclarecedor. O Observatório da Imprensa é
um dos poucos programas que vale a pena participar."Mac
Margolis - Correspondente / Newsweek
"A imprensa espelha seu país. O que é curioso nos EUA, é que
você tem um eleitorado desconfiado do governo mas as pesquisas ainda
são apertadas, o que demonstra uma insegurança da população. O Bush
continua bem apesar de tudo."
São
Paulo:
Carlos
Eduardo Lins da Silva - Jornalista
"Acho que foi um bom debate, foi boa a diversidade de pessoas que
estavam no programa: um cientista político, um antropólogo e dois
jornalistas, acho que essa interdisciplinaridade deu um aspecto um pouco
inovador para o programa em relação ao que normalmente se faz quando
só jornalistas estão presentes e isso é muito positivo. O tempo é
curto e haveria uma infinidade de outros assuntos que poderiam ser
tratados, mas acho que foi um programa que satisfez a curiosidade dos
telespectadores."
PERGUNTAS
E-mails recebidos na
semana de 19/10 a 26/10:
Olnei Augusto Araujo, Contagem / MG
Caro Dines, gostaria de sugerir um tema, na verdade um esclarecimento,
para grande parte das pessoas comuns. Se fala muito nas eleições
americanas, a mídia desfila analistas, professores de história
internacional e tudo o que o valha. Mas, ao meu ver, falta o essencial.
Ninguém explica ao telespectador e até mesmo ao leitor comum de jornal,
como funciona o sistema de votação americano, que não é como aqui com
o voto direto. Lá aparece o tal do colégio eleitoral. Você poderia
dedicar alguns minutos do programa para este "didatismo"?
Luís Fernando Rocha
Prezado Dines, gostaria de saber a opinião dos participantes desta
edição do programa sobre a parcialidade dos jornais americanos em
relação à escolha de um candidato preferencial na disputa pela
presidência americana. Qual o impacto que essa "escolha" pode
causar nas próprias eleições e para a credibilidade desses veículos de
comunicação?
Luiz Miranda, Confins / MG
Admirável o programa de hoje, Dines, parabéns. Além do que, foram muito
bem selecionados os entrevistados, com comentários de incomparável
conteúdo.
R. Fernandes, Florianópolis / SC
Parabéns pelo programa de ontem, abordando a eleição estado-unidense.
Pena que não consegui ligação, pois tinha uma observação interessante
a fazer, no que diz respeito à ciber-campanha mundial de boicote aos
produtos dos EUA, contra esta guerra absurda e covarde. Se puderem, voltem
a este assunto, porque só tocando no bolso deles é que conseguiremos
alguma coisa, eles não têm sentimentos!
Faço a seguinte sugestão de pauta: analisar o comportamento da imprensa
brasileira em relação ao tratamento dispensado aos dois candidatos à
Prefeitura de São Paulo. Como eles foram cruéis com a Marta e
condescendentes com o Serra e o Alckmin. Agora é fácil, São Paulo
limpa, organizada, com as finanças em dia, até eu queria ser prefeito!
Saudações.
Paulo Thiago, Itabuna / BA
Sendo de inicial interesse o desejo de obtenção de resposta para o
comentário que irei fazer, tratarei da questão de uma possível censura
que houve na veiculação de um programa que debateria o livro
"Memória das Trevas" do jornalista Joca e o qual tratava
justamente da vida do famigerado político ACM. Eu considero que este fato
representa para o seio da sociedade um fator preocupante, pois casos como
esses denotam diretamente a subordinação de programas respeitados como
este.
Luciano
Por que usaram tanto os termos americano, norte-americano, e não
aproveitaram a belíssima oportunidade de começar a usar/divulgar o
estadunidense? Aqueles que têm sangue latino palpitando nas veias até
arrepiam quando ouvem os ianques como americanos, como se não fôssemos
também.
Telefonemas recebidos em 19/10:
João Carlos Mancilha, São José / SP
Que mudanças nas relações internacionais podem acontecer com a
eleição de Kerry?
Zatan Gregori, Rio de Janeiro
A globalização será útil no futuro para ajudar o mundo a ter paz e uma
economia sustentável?
Laila Vitória Peçanha, Rio de Janeiro
Dines, você não acha que Kerry tem, como Bush, opiniões conservadoras em
relação à política internacional?
Édson dos Santos, Paranaguá / PR
Vocês concordam com a opinião de que o Bush é uma ameaça mundial?
Gildásio Andrade, Viçosa / MG
Até que ponto a eleição de Kerry representaria um rompimento com
a política internacional de Bush?
Milton Euclides Tonelero, Sananduva / RS
Qual a opinião da mesa sobre a dinâmica e o resultado dos eleitores e do
colégio eleitoral dos EUA atualmente?
Roberval Gardini, Ibiporã / PR
A questão do "combate ao terrorismo" vai ser mesmo fator
decisivo nas eleições dos EUA?
Waldinei Lima, Fortaleza / CE
Como a imprensa americana se posiciona em relação às pesquisas
eleitorais?
Humberto Ferreira, Rio de Janeiro
Existe alguma possibilidade de fraude nestas eleições americanas?
Valter da Silva, São Lourenço da Mata / PE
A imprensa mundial em sua maioria apóia Kerry, mas em relação aos
interesses do Brasil qual seria o melhor presidente?
Joel Santos de Abreu, São Paulo
Os EUA são a segunda besta do apocalipse!
Jonatan da Silva, Nova Lima / MG
Kerry é realmente muito diferente de Bush?
Gerson Batista, Acesita / MG
Como funcionam exatamente as eleições nos EUA?
Cleonice Nunes, Cotia / SP
Com a vitória de Bush, quais as conseqüências para o mundo e para o
Brasil?
Udson Renato de Almeida, Juiz de Fora / MG
Qual a opinião dos correspondentes em relação ao monopólio de
informação da Rede Globo no Brasil?
Tiago Rodrigues, Cuiabá / MT
Por que o voto nos EUA não é obrigatório?
Adriana Branco, Recife / PE
A imprensa americana dá tanta importância à vida pessoal dos candidatos
quanto a imprensa no Brasil?