PROGRAMA DO DIA 19 DE OUTUBRO DE 2004

ELEIÇÕES AMERICANAS

O Observatório da Imprensa discutiu neste programa como a mídia interfere na opinião do eleitorado norte-americano.

Nos Estados Unidos foram criadas regras específicas para os debates pela tevê, que continham detalhes como não mostrar o outro candidato enquanto o adversário estava falando. Esta regra acabou sendo quebrada no último debate e beneficiou o candidato John Kerry, segundo as pesquisas de opinião.

Mas os debates ajudam a esclarecer o eleitor indeciso? A imprensa brasileira destaca as diferenças de cada um ou trata os dois como "iguais"?

Como a imprensa americana está mostrando cada candidato? As empresas de mídia americanas já declararam o apoio aberto a seus candidatos?

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

REFORMA DO ESTADÃO
O toque Armani no jornalismo
Alberto Dines

Um crítico de cinema deve se manifestar sobre a qualidade do espetáculo cinematográfico. O crítico teatral sobre a peça e a encenação. O crítico literário examina a escrita, o teor da mensagem, os atributos do texto.

Leia na íntegra

É boa a cobertura da mídia brasileira sobre as eleições americanas?

Resultado:

Sim: 35%

Não: 65%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Você já deve ter reparado que temos duas eleições pela frente - no dia 31 de outubro muitos brasileiros voltarão a acionar as urnas eletrônicas no segundo turno das eleições municipais. Raras vezes em nossa história tivemos um pleito municipal com tantas implicações no cenário nacional.


Leia na íntegra

BRIGA DE FOICE
Jornalistas, assessores e o CFJ

Maurício Tuffani (*)

A nova crise em torno do projeto de lei de criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ), com a reação contrária do Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas (Conferp), é apenas uma das conseqüências inevitáveis dos esforços deliberados da Fenaj para esvaziar a possibilidade de um amplo debate sobre a regulamentação da profissão de jornalista. Esses esforços foram realizados por essa entidade sindical antes mesmo de ela enviar neste ano sua proposta ao governo para ele encaminhá-la ao Legislativo.

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

ELEIÇÕES AMERICANAS

O Observatório da Imprensa de 19 de outubro debateu a cobertura da mídia nas eleições americanas. Em editorial, Alberto Dines ressaltou: "Nunca uma eleição americana foi tão intensamente acompanhada além de suas fronteiras. É verdade que a internet e os canais noticiosos de TV ajudaram a globalizar a disputa pela Casa Branca, mas além das novas tecnologias de informação assistimos ao vivo um confronto vital, crucial, que de certa forma nos remete aos tempos da Segunda Guerra Mundial".

Participaram do debate o professor de ciências políticas da UnB David Fleischer, em Brasília; o jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, em São Paulo; o antropólogo Roberto daMatta e o correspondente da revista Newsweek Mac Margolis, no Rio de Janeiro.

Logo no início do debate, Mac Margolis comentou: "Essa eleição fez renascer a imprensa de uma forma robusta. Você tem um eleitorado totalmente polarizado e os jornalistas começando a se ver como investigadores agressivos de novo, e isso tem a ver com o papel que a imprensa teve na guerra do Iraque e que foi bastante questionado depois por ser condescendente com o governo americano, agora a imprensa está se penitenciando um pouco".

Carlos Eduardo Lins da Silva prosseguiu: "Esta é provavelmente a eleição mais importante que os EUA vivem em muitos e muito anos. Eu acho que, do ponto de vista da imprensa, ela é particularmente importante, e pelo que os próprios jornalistas americanos parecem achar, a cobertura não tem sido boa. Hoje mesmo saiu uma pesquisa que mostra que dois terços dos jornalistas consultados acreditam que a imprensa deve receber nota C, D ou F e apenas 3% dão nota A".

David Fleischer, respondendo ao questionamento de Alberto Dines sobre como podem ser analisadas as pesquisas de intenção de voto no contexto do colégio eleitoral, afirmou: "O colégio eleitoral faz com que a campanha se centre nos estados grandes, Nova Iorque, Florida, Texas e Califórnia. As pesquisas nos mostram quais são os estados firmemente para Kerry ou firmemente para Bush, e tem mais quatorze estados que são considerados swing states que são estados indecisos que tanto podem ir para Kerry quanto para Bush. Isso faz com que a campanha fique concentrada nestes quatorze estados."

Encerrando o programa, Roberto daMatta declarou: "Apesar das diferenças culturais e da modernidade americana, a eleição é um ritual de passagem e nós antropólogos que estudamos os rituais, as coisas antigas, sabemos que existe um momento em que você tem um vazio, onde esperanças renascem e onde as regras, que normalmente regem e gerenciam o bom senso da sociedade, se deixam invadir por todo tipo de esperança. Foi o que aconteceu com os jornais. Então os jornalistas que têm uma consciência das coisas, que têm uma ligação muito maior, não estão fazendo só o seu dever de casa, mas estão recuperando uma possibilidade de você aprofundar a crítica, de refletir, refazer posições."

Manoel Magalhães (estagiário)


EDITORIAL

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Você já deve ter reparado que temos duas eleições pela frente - no dia 31 de outubro muitos brasileiros voltarão a acionar as urnas eletrônicas no segundo turno das eleições municipais. Raras vezes em nossa história tivemos um pleito municipal com tantas implicações no cenário nacional.

E como se não bastassem estas emoções, apenas dois dias depois, em 2 de novembro, vamos acompanhar as mais importantes eleições presidenciais americanas de todos os tempos. Nós e o mundo.

Nunca uma eleição americana foi tão intensamente acompanhada além de suas fronteiras. É verdade que a internet e os canais noticiosos de tv ajudaram a globalizar a disputa pela Casa Branca mas além das novas tecnologias de informação assistimos ao vivo um confronto vital, crucial, que de certa forma nos remete aos tempos da segunda guerra mundial.

A cada dia que passa fica claro que a campanha eleitoral americana transcende os candidatos e os respectivos partidos. Sabemos que está em jogo o futuro dos EUA como nação e como superpotência mas não podemos perder de vista que estão em jogo também valores essenciais do sistema político dos Estados Unidos vigentes há mais de dois séculos, hoje paradigmas para o mundo inteiro. E um destes valores ameaçados é a liberdade de expressão.

O governo de George Bush está não apenas ajudando o candidato George Bush mas está jogando pesado. E quando a presidência esquece seu papel de árbitro quem deve protestar é a imprensa. E a imprensa americana acaba de advertir o povo americano que a Casa Branca, na ânsia de conseguir a reeleição, está pisoteando a liberdade e encostando os meios de comunicação na parede.

Os erros cometidos na guerra do Iraque agora passam para segundo plano substituídos por uma outra guerra que diz respeito aos americanos e também a todos nós - a preservação da democracia.


ARTIGO
Por Alberto Dines

REFORMA DO ESTADÃO
O toque Armani no jornalismo
Alberto Dines

Um crítico de cinema deve se manifestar sobre a qualidade do espetáculo cinematográfico. O crítico teatral sobre a peça e a encenação. O crítico literário examina a escrita, o teor da mensagem, os atributos do texto.

O que se espera dos críticos de mídia quando um jornal, revista ou programa de TV refaz o seu visual? Como se trata de uma manifestação artística e cultural, o critério da avaliação deve ser apenas o estético? Se os meios de comunicação têm, antes de tudo, uma função sociopolítica, qual a importância do design e do grafismo de um veículo?

O novo desenho do Estado de S.Paulo, estreado no domingo (17/10), chamou muita atenção dos observadores da mídia. Em primeiro lugar porque o próprio jornal investiu pesadamente para anunciá-lo. A mudança chamou a atenção, principalmente, porque o jornal, dono da imagem de clássico, de repente resolveu trocá-la.

O que deve nos interessar no caso é justamente a necessidade desta troca de imagem. Se o jornal ficou mais ou menos bonito, mais ou menos atraente, é secundário. Na medida em que jornais ou revistas são comprados há anos - às vezes décadas - supõe-se que seus leitores gostem deles e afeiçoaram-se ao padrão visual repetido diariamente

Então por que trocar? Por que romper tão bruscamente hábitos de leitura que, junto com a periodicidade, são as âncoras que amarram o leitor ao seu jornal ou revista?

A discussão é antiga. O New York Times leva anos para implantar suas mudanças de maneira a não assustar os leitores. Por isso adota a estratégia homeopática por meio de alterações imperceptíveis. Ou quase. Mas não pára de mudar. Não muito diferente das leitoras (ou leitores) cujas cirurgias plásticas são percebidas apenas pelos consortes.

A reforma iniciada no Jornal do Brasil em 1956 foi mantida pela equipe que assumiu o jornal em 1962, e implementada sub-repticiamente ao longo de 12 anos. Talvez porque se preferiu a noção de "processo" no lugar de "reforma", o JB desenvolveu um estilo. Institucionalizado, serviu de modelo (ou plataforma) para inúmeras experiências e adaptações. Inclusive no Estadão.

No caso, não se trata de trocar o guarda-roupa, a palheta da maquiagem ou o nó da gravata. Ao implodir sua aparência, um veículo impresso desvenda uma incerteza com relação à sua identidade. Se, para inspirar confiança, os jornais procuram se mostrar imperturbáveis, imunes às pressões do poder e à passagem do tempo, por que recorrer aos atalhos e movimentos inesperados?

Se o vetor do processo jornalístico consiste justamente em transmitir discernimento e sabedoria aos leitores, um corte radical no visual não seria uma confissão de incapacidade para manter-se sempre ajustado e atual?

Maturação rápida

A mudança operada no Estadão não escondeu o desejo de torná-lo moderno e mais jovem. Está expresso no uso das cores e ilustrações, no aumento do tamanho das fontes e do espaço das entrelinhas. Está registrado no encurtamento das matérias, artigos e editoriais. A mancha tipográfica, geralmente negra e por isso impactante, foi suavizada, ficou clean, esbranquiçada, quase cinza. Tem algo de loja Armani.

Gosto não se discute, mas o que significa ser moderno e jovem - segmentar ainda mais a cabeça do leitor e retirar do jornal sua unicidade e universalidade? Aumentar o número de cadernos e estimular a leitura parcial do seu conteúdo? Atender ao jovem e moderno exige tais sacrifícios?

O seu concorrente, a Folha de S.Paulo, cedeu às mesmas tentações e fez o mesmo movimento no início dos anos 1980. Cadernizou-se, segmentou-se, deixou de lado o elegante paradigma inglês que adotou em 1975 e partiu para a fórmula sincopada do USA Today. Quando uma década depois aqueles jovens (leitores e jornalistas) começaram a ficar mais velhos, o jornal viu-se obrigado a fazer nova plástica.

Jornais como o Washington Post também sentiram a necessidade de se renovar - mas o fazem constantemente, não aparece. Também querem agarrar o segmento jovem mas optaram por uma estratégia diferente: lançaram um novo produto, o Express, um vespertino, formato tablóide, vivo, voltado para as coisas da cidade e, ao que tudo indica, está dando certo. A empresa que edita o WP não correu riscos, não trocou de público - agregou outro.

Os leitores do WP em 1974 vibraram com os feitos da dupla Woodward-Berenstein que levaram à renúncia de Nixon. Trinta anos depois, seus filhos ou netos também vibrariam se o jornal reeditasse o caso Watergate e conseguisse impedir a vitória de George W. Bush nas próximas eleições. Neste intervalo - uma geração! - o jornal mudou relativamente pouco (descontado o uso da cor). Não precisava.

Ao analisar esta devoção ao público jovem convém não perder de vista certas considerações de ordem demográfica e social que marqueteiros e publicitários não gostam de ouvir: o mercado jovem é transitório, a sua expansão está sendo neutralizada por um movimento de pinças: por um lado, a rápida maturação dos jovens profissionais e, por outro lado, o inevitável aumento da longevidade humana.

Os jornais perderam circulação - e isso não apenas no Brasil - porque a pretexto da juvenilização da audiência abandonaram os pressupostos que os fizeram indispensáveis na geração anterior. Nesta hora festiva, convém não esquecer esta irrelevância.

Em busca da densidade

Os consultores e projetistas internacionais que ganham a vida redesenhando e refazendo a mídia impressa pelo mundo afora não estão minimamente preocupados com o futuro dos jornais, do jornalismo, da imprensa, da cultura e da sociedade. Seu negócio é cosmética, cosmética em papel. Não prometem permanência ou durabilidade - se assim fosse morreriam de fome.

O semanário The Economist certamente está interessado em faturar e aumentar sua audiência e manter-se como um dos cinco grandes do mundo. Já fez diversos face-lifts, está sempre criando novidades mas não abriu mão de algumas de suas obsessões: títulos preciosos, textos informativos, fotos que funcionam de forma ambiental (raramente com legendas). Seus redatores continuam anônimos e, não obstante, freqüentemente brindam a inteligência de seus leitores com pequenos e inesquecíveis virtuosismos como o editorial da pág. 14 da edição de 9/10.

Inspirado numa frase de Winston Churchill ("As palavras breves são melhores e as palavras antigas, quando breves, melhores ainda"), o texto foi escrito com vocábulos de, no máximo, duas sílabas. Brincadeira? Com brincadeiras assim se deliciam jovens e velhos, modernos e tradicionalistas. Jornalismo não é apenas serviço - se assim fosse as listas telefônicas seriam imbatíveis.

Com apenas três edições, impossível fazer avaliações e juízos mais consistentes sobre aspectos concretos da mudança no Estado. Mas, a partir do título, o caderno "Aliás" promete interessante incursão pelo jornalismo analítico. Um lapso chamou a atenção na primeira página do domingo: nenhuma referência internacional. Culpa das emoções de estréia que no Estadão (o jornal com a melhor cobertura do estrangeiro) torna-se muito visível.

Conservada na sua essência, a página de opinião do jornal (A 3), a mais influente do país, foi habilmente integrada à op-ed page (reservada aos colunistas). Graças à diminuição no tamanho dos textos de ambas sobrou espaço para ampliar e oferecer mais visibilidade às cartas dos leitores, área em que a Folha levava nítida e antiga vantagem. O defeito poderia ter sido consertado há tempos sem envolver tantos riscos.

Também o caderno "Cultura" foi preservado e enriquecido com as matérias do New York Review of Books, a melhor publicação cultural dos EUA. Concessão aos tradicionalistas, indício de que os jovens também querem densidade - de qualquer forma, uma prova de que o modelo Armani de jornalismo ainda levará muito tempo para se consolidar.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

BRIGA DE FOICE
Jornalistas, assessores e o CFJ

Maurício Tuffani (*)

A nova crise em torno do projeto de lei de criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ), com a reação contrária do Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas (Conferp), é apenas uma das conseqüências inevitáveis dos esforços deliberados da Fenaj para esvaziar a possibilidade de um amplo debate sobre a regulamentação da profissão de jornalista. Esses esforços foram realizados por essa entidade sindical antes mesmo de ela enviar neste ano sua proposta ao governo para ele encaminhá-la ao Legislativo.

Já escrevi neste Observatório, no artigo "Como a Fenaj esvaziou o debate sobre o CFJ", que os meios de comunicação em geral divulgaram o projeto de lei de criação do CFJ de modo parcial, o que fere a própria ética jornalística e prejudica o debate sobre a regulamentação da profissão. Mas mostrei também que apesar de não dispor do poderio dos donos da mídia, a Fenaj foi tão manipuladora quanto eles, ou talvez muito mais do que eles.

A reação do Conferp não diz respeito diretamente ao texto do projeto de lei 3.985, de criação do CFJ, nem ao conteúdo da proposta que o originou, que foi encaminhada ao governo pela Fenaj em janeiro deste ano. A crítica do Conferp se refere, na verdade, a um item que a Fenaj decidiu fazer não constar nessa proposta, retirando-o de sua versão encaminhada ao governo em dezembro de 2002, ainda durante a gestão FHC: a sua concepção da definição das funções da profissão de jornalista, entre elas a de assessor de imprensa.

Curiosamente, a decisão da Fenaj de retirar esse incômodo tópico da nova versão de sua proposta se deu em 2003, no mesmo ano em que ele se tornou o tema central de outro projeto de lei, o de número 708, do deputado Pastor Amarildo (PSB-TO).

Com o enérgico apoio do seu relator, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), o projeto de Amarildo já foi aprovado praticamente sem emendas nas comissões da Câmara dos Deputados e seguiu para o Senado, onde tramita como PLC 79/2004. Até o fechamento deste texto, ainda não havia sido designado seu relator.

A indignação do conselho dos RPs se refere diretamente a esse tópico, que, agasalhado por outro projeto de lei - o de Pastor Amarildo -, foi varrido pela Fenaj para baixo do tapete do suposto cenário democrático de discussão sobre a regulamentação profissional que a entidade sempre afirmou existir. Isso, é claro, antes de a Fenaj ser contrariada pelo rolo compressor dos veículos de comunicação, desencadeado a partir do momento que a proposta de criação do CFJ chegou ao Legislativo.

Dedo na ferida

Esse recente capítulo da desastrada tentativa da Fenaj e do governo federal de criar o CFJ está longe de ser um detalhe superável por meio de negociação. O Conferp tocou o dedo numa ferida que nunca cicatriza, mas tem sido escondida por décadas no curral de opiniões domesticadas do jornalismo brasileiro: fazer assessoria de imprensa não é fazer jornalismo.

Essa distinção é um preceito básico e claro de delimitação das duas atividades em diversos países. No entanto, as tentativas de colocá-lo em discussão sempre foram recebidas com hostilidade neste ambiente de idéias viciadas sobre nossa profissão que se desenvolveu no Brasil. E sempre é bom lembrar: principalmente após a regulamentação imposta em outubro de 1969 pela Junta Militar que governou o país com o Congresso Nacional fechado por ato de força.

Essa distinção não implica juízo de valor sobre qualquer uma das duas atividades. No entanto, no Brasil esse tema é incômodo para os interesses corporativos dos sindicatos - que em alguns casos perderiam até mais da metade de seus associados -, e fere suscetibilidades de assessores de imprensa que beiram o complexo de inferioridade.

Para complicar ainda mais o clima e dificultar qualquer possibilidade de discussão séria sobre o assunto, não faltam profissionais em redações que ridiculamente se julgam em uma posição eticamente superior à de seus colegas do outro lado do balcão.

Em países como a França e outros da União Européia, jornalistas que assumem a função de assessor de imprensa são obrigados a suspender seu registro profissional. No Brasil, algo semelhante a isso é o que acontece com o bacharel em direito, que pode ser advogado, juiz, promotor público ou delegado. Se ele for advogado e decidir ingressar na carreira de juiz, promotor público ou delegado de polícia, terá de suspender seu registro na OAB.

Nesse confronto entre a Fenaj e o Conferp, os dois oponentes fazem a encenação de um combate de alto nível, olímpico, mas, na verdade, a briga é de várzea. O motor de ambas as entidades é a reserva de mercado. Nenhuma das duas tem interesse na discussão que leva às questões de fundo sobre a regulamentação de suas profissões. O Conferp, com menos gravidade, na medida em que possui regras de acesso à profissão mais flexíveis do que aquelas que a Fenaj pretende manter, baseadas na exigência de formação superior específica em jornalismo.

(*) Jornalista


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

Rio de Janeiro:
Roberto Da Matta - Antropólogo
"Acho que o debate foi esclarecedor. O Observatório da Imprensa é um dos poucos programas que vale a pena participar."

Mac Margolis - Correspondente / Newsweek
"A imprensa espelha seu país. O que é curioso nos EUA, é que você tem um eleitorado desconfiado do governo mas as pesquisas ainda são apertadas, o que demonstra uma insegurança da população. O Bush continua bem apesar de tudo."

São Paulo:
Carlos Eduardo Lins da Silva - Jornalista
"Acho que foi um bom debate, foi boa a diversidade de pessoas que estavam no programa: um cientista político, um antropólogo e dois jornalistas, acho que essa interdisciplinaridade deu um aspecto um pouco inovador para o programa em relação ao que normalmente se faz quando só jornalistas estão presentes e isso é muito positivo. O tempo é curto e haveria uma infinidade de outros assuntos que poderiam ser tratados, mas acho que foi um programa que satisfez a curiosidade dos telespectadores."


PERGUNTAS

E-mails recebidos na semana de 19/10 a 26/10:

Olnei Augusto Araujo, Contagem / MG
Caro Dines, gostaria de sugerir um tema, na verdade um esclarecimento, para grande parte das pessoas comuns. Se fala muito nas eleições americanas, a mídia desfila analistas, professores de história internacional e tudo o que o valha. Mas, ao meu ver, falta o essencial. Ninguém explica ao telespectador e até mesmo ao leitor comum de jornal, como funciona o sistema de votação americano, que não é como aqui com o voto direto. Lá aparece o tal do colégio eleitoral. Você poderia dedicar alguns minutos do programa para este "didatismo"?

Luís Fernando Rocha
Prezado Dines, gostaria de saber a opinião dos participantes desta edição do programa sobre a parcialidade dos jornais americanos em relação à escolha de um candidato preferencial na disputa pela presidência americana. Qual o impacto que essa "escolha" pode causar nas próprias eleições e para a credibilidade desses veículos de comunicação?

Luiz Miranda, Confins / MG
Admirável o programa de hoje, Dines, parabéns. Além do que, foram muito bem selecionados os entrevistados, com comentários de incomparável conteúdo.

R. Fernandes, Florianópolis / SC
Parabéns pelo programa de ontem, abordando a eleição estado-unidense. Pena que não consegui ligação, pois tinha uma observação interessante a fazer, no que diz respeito à ciber-campanha mundial de boicote aos produtos dos EUA, contra esta guerra absurda e covarde. Se puderem, voltem a este assunto, porque só tocando no bolso deles é que conseguiremos alguma coisa, eles não têm sentimentos!
Faço a seguinte sugestão de pauta: analisar o comportamento da imprensa brasileira em relação ao tratamento dispensado aos dois candidatos à Prefeitura de São Paulo. Como eles foram cruéis com a Marta e condescendentes com o Serra e o Alckmin. Agora é fácil, São Paulo limpa, organizada, com as finanças em dia, até eu queria ser prefeito! Saudações.

Paulo Thiago, Itabuna / BA
Sendo de inicial interesse o desejo de obtenção de resposta para o comentário que irei fazer, tratarei da questão de uma possível censura que houve na veiculação de um programa que debateria o livro "Memória das Trevas" do jornalista Joca e o qual tratava justamente da vida do famigerado político ACM. Eu considero que este fato representa para o seio da sociedade um fator preocupante, pois casos como esses denotam diretamente a subordinação de programas respeitados como este.

Luciano
Por que usaram tanto os termos americano, norte-americano, e não aproveitaram a belíssima oportunidade de começar a usar/divulgar o estadunidense? Aqueles que têm sangue latino palpitando nas veias até arrepiam quando ouvem os ianques como americanos, como se não fôssemos também.


Telefonemas recebidos em 19/10:

João Carlos Mancilha, São José / SP
Que mudanças nas relações internacionais podem acontecer com a eleição de Kerry?

Zatan Gregori, Rio de Janeiro
A globalização será útil no futuro para ajudar o mundo a ter paz e uma economia sustentável?

Laila Vitória Peçanha, Rio de Janeiro
Dines, você não acha que Kerry tem, como Bush, opiniões conservadoras em relação à política internacional?

Édson dos Santos, Paranaguá / PR
Vocês concordam com a opinião de que o Bush é uma ameaça mundial?

Gildásio Andrade, Viçosa / MG
Até que ponto a eleição de Kerry representaria um rompimento com a política internacional de Bush?

Milton Euclides Tonelero, Sananduva / RS
Qual a opinião da mesa sobre a dinâmica e o resultado dos eleitores e do colégio eleitoral dos EUA atualmente?

Roberval Gardini, Ibiporã / PR
A questão do "combate ao terrorismo" vai ser mesmo fator decisivo nas eleições dos EUA?

Waldinei Lima, Fortaleza / CE
Como a imprensa americana se posiciona em relação às pesquisas eleitorais?

Humberto Ferreira, Rio de Janeiro
Existe alguma possibilidade de fraude nestas eleições americanas?

Valter da Silva, São Lourenço da Mata / PE
A imprensa mundial em sua maioria apóia Kerry, mas em relação aos interesses do Brasil qual seria o melhor presidente?

Joel Santos de Abreu, São Paulo
Os EUA são a segunda besta do apocalipse!

Jonatan da Silva, Nova Lima / MG
Kerry é realmente muito diferente de Bush?

Gerson Batista, Acesita / MG
Como funcionam exatamente as eleições nos EUA?

Cleonice Nunes, Cotia / SP
Com a vitória de Bush, quais as conseqüências para o mundo e para o Brasil?

Udson Renato de Almeida, Juiz de Fora / MG
Qual a opinião dos correspondentes em relação ao monopólio de informação da Rede Globo no Brasil?

Tiago Rodrigues, Cuiabá / MT
Por que o voto nos EUA não é obrigatório?

Adriana Branco, Recife / PE
A imprensa americana dá tanta importância à vida pessoal dos candidatos quanto a imprensa no Brasil?



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