PROGRAMA DO DIA 20 de julho de 2004

MÍDIA E PLANOS DE SAÚDE

Neste programa debatemos a cobertura dos meios de comunicação na questão dos planos de saúde.

Apesar do amplo espaço que o assunto vem recebido dos jornais, os leitores/consumidores ainda têm muitas dúvidas.

Há poucas semanas do encerramento do prazo para que os clientes decidam a opção que vão escolher no seu plano (adaptação / migração / novo contrato) os órgãos de defesa do consumidor estão lotados.

A imprensa não estaria esquecendo o seu público-alvo?

A população está esclarecida sobre seus direitos?

Os jornais estão fazendo seu papel de informar e fiscalizar?

Eles cobrem o assunto burocraticamente?

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

PRO-MÍDIA & DENUNCISMO
Além de crédito, credibilidade

Alberto Dines

Deus é brasileiro e, além disso, torce para o bom nome do nosso jornalismo. Não fosse a divina providência nossos empresários de comunicação seriam obrigados a ouvir as pesadas críticas do presidente Lula ao denuncismo da mídia na humilhante condição de solicitantes de favores especiais do governo.

Leia na íntegra

A mídia faz pressão para resolver o impasse dos planos de saúde?

Resultado:

Sim: 26%

Não: 74%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Editorial:

Bem vindos ao "Observatório da Imprensa".

Você se lembra de um comercial do Governo Federal estrelado pelo médico Dráuzio Varela sobre mudança nos planos de saúde? Pois é, este comercial começou a ser exibido na televisão no fim de maio e três semanas depois foi suspenso por ordem judicial.


Leia na íntegra

NOTAS DE UM LEITOR
A fonte disse 'não'; foi como se tivesse dito 'sim'

Luiz Weis

Variante de uma velha piada para entrar em um assunto sério:

Repórter - É verdade que o senhor continua batendo na sua mulher?

Político - Não. Eu nunca bati na minha mulher.

Manchete no dia seguinte: "Político nega que continua batendo na mulher".

É mais ou menos esse o espírito do título "Dados do BNDES confirmam favorecimento", de O Estado de S.Paulo da quarta-feira, 14.

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

MÍDIA E PLANOS DE SAÚDE

O Observatório da Imprensa do dia 20 de julho discutiu a polêmica envolvendo os planos de saúde: o aumento abusivo das seguradoras, o papel do Governo e como a mídia está tratando deste assunto. Alberto Dines abriu o programa alertando que 38 milhões de brasileiros segurados pelo sistema privado estão aflitos e perdidos. Será que a imprensa está conseguindo explicar a eles um assunto tão técnico e vital, ou está sendo tímida diante dos poderosos interesses em jogo?

Participaram ao vivo do debate, José Leôncio Feitosa, diretor presidente substituto da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e Flávio Heleno Poppe de Figueiredo, diretor da ABRAMGE (Associação Brasileira de Medicina em Grupo) no Rio de Janeiro. No estúdio em São Paulo, estiveram a repórter do Estado de S. Paulo, Adriana Dias Lopes e o diretor de atendimento do PROCON-SP, André Luís Lopes dos Santos.

José Leôncio Feitosa iniciou o debate afirmando que não se protege apenas o consumidor sem manter o setor funcionando. Também explicou que a ANS começou a funcionar em 1999 e criou um conjunto de regras novas para que o mercado funcionasse de acordo com o direito do consumidor. Assim, as pessoas que estão nos planos antigos não têm a proteção destas novas leis sendo necessária a adaptação de seus planos.

Em seguida, Flávio Heleno, médico há 51 anos, comentou: "os artigos que saem na mídia geralmente focam um dos atores. Os médicos e hospitais, eles têm razão; os usuários, com aumentos abusivos socialmente falando, eles têm razão; as operadoras que na sua maioria estão numa situação extremamente difícil do ponto de vista financeiro, elas têm razão também de querer ter um marco regulatório onde seja mais abrangente e a ANS vem entendendo ultimamente todo esse embrólio para um diagnóstico correto."

André Luís Lopes, em relação à atuação do PROCON, esclareceu: "nós temos uma porção de liminares num primeiro momento, garantindo a esse consumidor que ele continue pagando o valor anterior a esse reajuste com os 11,75% que a ANS estipulou para os contratos novos."

Seguindo o debate, Adriana Dias Lopes, que escreve matérias sobre saúde no Estadão, declarou: "se fosse existir um especialista para cobrir essa confusão ele teria que ser especialista em saúde, em legislação e administração, então eu acho que não tem um perfil disso. "

Na conclusão do programa, José Leôncio disse que o Governo Federal recomendou muito rigor para a ANS ao tratar deste assunto. Já André Luís pediu para a mídia não deixar o assunto esfriar já que não chegamos a solução nenhuma. Adriana Dias concorda e acha que essa polêmica vai ser importante para mudar muita coisa na área de saúde.

Tiago Chediak (estagiário)


EDITORIAL

Bem vindos ao Observatório da Imprensa.

Você se lembra de um comercial do Governo Federal estrelado pelo médico Dráuzio Varela sobre mudança nos planos de saúde? Pois é, este comercial começou a ser exibido na televisão no fim de maio e três semanas depois foi suspenso por ordem judicial.

A confusão começou naquele momento e dura até hoje, para o desespero dos 38 milhões de brasileiros segurados pelo sistema privado.

Com o comercial, o Ministério da Saúde pretendia "vender" a idéia de que os segurados deveriam migrar de plano ou adaptar o seu plano antigo. Acontece que as seguradoras já haviam pedido ao Governo uma atualização nos valores das mensalidades mas algumas destas "atualizações" chegaram a 80%!

O Ministério Público entrou na questão, também o IDEC e os Procons estaduais. Só em São Paulo estima-se que um milhão de ações vão chegar à Justiça.

Uma determinação da ANS, Agência Nacional de Saúde Suplementar, estabeleceu o teto de 11,75% para os aumentos. Duas seguradoras (a Bradesco e a Sul América) foram enquadradas e proibidas de ultrapassar este valor, outras estão na alça de mira da Justiça.

E a mídia? Está conseguindo explicar matéria tão técnica e ao mesmo tempo tão vital? Está sendo tímida, diante dos poderosos interesses em jogo? Está sendo burocrática? Os usuários dos planos de saúde estão sendo bem orientados? As autoridades estão sendo pressionadas para agir com a necessária rapidez?

Cerca de 20% da população brasileira está angustiada com o futuro de seus planos e com o seu próprio futuro. É exatamente o público-alvo dos jornais e revistas. Esta é a grande oportunidade para a mídia servir de mediadora e cumprir com o seu papel.


ARTIGO
Por Alberto Dines

PRO-MÍDIA & DENUNCISMO
Além de crédito, credibilidade

Alberto Dines

Deus é brasileiro e, além disso, torce para o bom nome do nosso jornalismo. Não fosse a divina providência nossos empresários de comunicação seriam obrigados a ouvir as pesadas críticas do presidente Lula ao denuncismo da mídia na humilhante condição de solicitantes de favores especiais do governo.

Felizmente, quando o chefe da nação ingressou no seleto clube dos media-critics (terça, 13/07), as entidades que representam as corporações de comunicação (ANJ, ANER e ABERT) já haviam desistido da linha de crédito especial no BNDES por meio de carta entregue ao presidente do banco, Carlos Lessa, na segunda-feira (12/7).

Coincidências: os dois fatos aparentemente não se cruzam, não há relação de causa e efeito entre a desistência do favorecimento e a imediata repreensão, a primeira que o presidente da República faz sem meias palavras aos nossos procedimentos jornalísticos.

Conviria verificar se os presidentes pós-democratização (Sarney, Collor, Itamar e FHC) alguma vez fizeram tão candentes críticas à imprensa. Conviria verificar também se o comportamento da instituição jornalística em circunstâncias semelhantes foi tão tíbio e envergonhado. Não fosse o texto de Luiz Garcia no Globo, o pito passaria em brancas nuvens [veja remissão abaixo].

Marcas permanentes

Apesar de encerrado o inconveniente namoro governo-imprensa com o BNDES fazendo-se de Cupido, o episódio não poderá ser erradicado dos futuros compêndios da história da imprensa brasileira. Em primeiro lugar porque foi inédito: a nossa imprensa, como instituição, jamais procurou governo algum para solicitar financiamentos coletivos. As transgressões se davam a dois, no escurinho do cinema.

Delfim Netto, quando czar da nossa economia, reunia-se semanalmente com a sua corte de empresários e altos executivos da mídia, mas havia um certo pudor em ostentar as "relações especiais". Todos sabiam de tudo mas as torcidas do Flamengo e do Corinthians ficavam de fora por força da censura e da autocensura.

A pretendida "transparência" do Pró-Mídia foi fatal - duplamente fatal, não fosse a redundância - porque escancarou o que não poderia ser escancarado e, ao escancarar como era obrigatório, liquidou suas chances de sucesso. Antes assim. Numa sociedade democrática moderna, efetivamente aberta, as relações governo-imprensa não podem ser colocadas no âmbito bancário onde só há credores e devedores.

A emenda saiu pior do que o soneto: a justificativa para a desistência é absolutamente inconvincente. O fato de a Editora Abril e o Grupo Globo terem resolvido algumas de suas premências, ao alienar parte do seu capital, não pode servir de argumento para anular uma solicitação que envolvia, pelo menos, uma dúzia de empresas e, sobretudo, os grandes jornais.

Quando foi feito o pedido ao BNDES, o quadro era o mesmo de hoje. Para a indústria da comunicação nada mudou, inclusive o sufoco. A única novidade é a percepção de que o "entendimento" com o BNDES era altamente prejudicial para a imagem da imprensa brasileira. Os benefícios oferecidos não eram grande coisa e o custo moral, proibitivo. Se os empresários tivessem pensado um pouco mais, ou conversado com jornalistas capazes de raciocinar numa linha diferente dos empregadores, jamais teriam embarcado nessa aventura que, embora abortada, deixará marcas indeléveis.

Práticas abusivas

O carão do presidente Lula sobre o denuncismo é também algo para não ser esquecido. Em primeiro lugar porque é justo. Retroativamente justo porque neste exato momento as revelações de escândalos na esfera pública estão sendo feitas depois de cuidadas investigações.

As séries do Globo sobre o enriquecimento de deputados estaduais fluminenses e agora de vereadores cariocas são irrespondíveis e obedecem aos mais rigorosos critérios jornalísticos e legais. Assim também as reportagens da Folha de S.Paulo sobre o trabalho escravo em grandes empresas do agronegócio.

Neste momento, o único denuncismo irresponsável está sendo praticado pela IstoÉ, que não chega a representar uma corrente majoritária do jornalismo brasileiro.

A bronca presidencial não deve ser esquecida em segundo lugar porque quem ajudou a consagrar o denuncismo como prática jornalística foi o próprio presidente Lula, antes de envergar a faixa presidencial, quando comandava o principal partido de oposição. O jornalismo fiteiro, a transcrição de grampos ilegais realizados por máfias políticas e a farta circulação de dossiês secretos sempre encontraram no PT parceiros entusiasmados e diligentes, dispostos magnificar qualquer absurdo.

Levará algum tempo até que seja extirpado este velho sensacionalismo e as práticas abusivas que deixou arraigadas em certos setores da mídia, principalmente na Capital Federal. Para apressar o seu fim cabe ao governo ficar mais atento às revelações corretas e bem apuradas veiculadas pela imprensa.

Caminho único

O governo hoje sabe separar o joio do trigo, sabe discernir acusações pertinentes das impertinentes. Só não sabe - ou não quer - dar seqüência às informações que podem comprometê-lo numa temporada eleitoral na qual joga todas as suas fichas.

Exemplo: as denúncias envolvendo o candidato a prefeito do Rio Marcelo Crivella (PL) no tocante a declaração de seus bens ultrapassam a esfera da Justiça Eleitoral ou da Receita Federal. O senador Crivella é um dos parlamentares que acumulam o mandato político com a propriedade de empresas de comunicação, irregularidade que ao governo não interessa coibir, muito menos exibir. Tanto assim que o ministro das Comunicações mandou retirar do site do ministério a lista com o nome dos proprietários das concessionárias de rádio e televisão sob a alegação de que precisava ser atualizada. Desculpa esfarrapada: a lista voltou ao site na segunda-feira (19/7) após a denúncia da sua desaparição [veja abaixo remissão para a lista de controladores de emissoras de rádio e TV].

Estavam cobertos de razão os líderes do governo quando afirmavam que a questão da imprensa é de interesse nacional. Erraram as empresas de mídia quando imaginaram que o interesse nacional passa pelos guichês dos bancos oficiais. Além de crédito, a mídia precisa de credibilidade. Ou do reconhecimento quando cumpre a sua missão.

A denúncia contra o denuncismo, além de desatualizada e mal formulada, tem algo de autoritária. Com ou sem o Pró-Mídia parece uma jogada para desqualificar preventivamente qualquer investigação jornalística que esteja em curso. Logo agora quando o Primeiro Poder e o Quarto Poder decidiram dormir em camas separadas. Logo agora quando o Waldogate começa a ser examinado pela Justiça.

Foram todos salvos pelo gongo: a imprensa percebeu a tempo o pântano em que estava prestes a mergulhar. Falta agora o governo perceber que para ajudar a imprensa só existe um caminho: valorizá-la.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

NOTAS DE UM LEITOR
A fonte disse 'não'; foi como se tivesse dito 'sim'

Luiz Weis

Variante de uma velha piada para entrar em um assunto sério:

Repórter - É verdade que o senhor continua batendo na sua mulher?

Político - Não. Eu nunca bati na minha mulher.

Manchete no dia seguinte: "Político nega que continua batendo na mulher".

É mais ou menos esse o espírito do título "Dados do BNDES confirmam favorecimento", de O Estado de S.Paulo da quarta-feira, 14.

A história começou no domingo. E já nasceu com problemas - o que obriga a deixar para daí a sete parágrafos a questão do título que, se verá, merece apanhar.

Naquele domingo, tanto o Estado como a Folha de S.Paulo deram matérias acusando o BNDES de aprovar mais empréstimos a municípios governados pelo PT do que a outros. [Aprovação não quer dizer liberação. Esta depende do Tesouro.]

A acusação é a mesma, mas os números não conferem. O Estado, citando como fonte o site da instituição, publicou que desde a posse de Lula até junho passado o BNDES aprovou créditos para 18 prefeituras - 13 das quais do PT. Em valor, esses financiamentos equivalem a 92% do total.

Já a Folha informou ter feito um levantamento segundo o qual de janeiro a junho deste ano o BNDES aprovou créditos para 56 prefeituras - 23 do PT. Em valor, esses financiamentos equivalem a 68% do total. Na quarta, ao voltar ao assunto, o jornal citou como fonte da primeira reportagem "dados fornecidos por e-mail pela assessoria de imprensa do BNDES".

Folha e Estado voltaram ao assunto - e outros entraram nesse dia - em razão da coletiva, na véspera, do diretor da área do banco que trata desses financiamentos.

Sem fazer referência aos seus números de domingo, o Estadão da quarta deu outros, "divulgados ontem pelo BNDES", para o período de janeiro de 2003 a 4 de julho último: 29 aprovações, 14 das quais para prefeituras do PT. Em valor, 78% do total.

A Folha tornou a citar os seus números e esclareceu que o diretor entrevistado "não apresentou números comparáveis aos que foram fornecidos ao jornal na semana passada". E contou que só "diante da insistência dos jornalistas", o diretor forneceu o que seria a lista de todos os contratos firmados para obras sociais e de infra-estrutura (os tais 29, 14 para prefeituras do PT).

O que dá para concluir é que os repórteres do Estado, dando-se por satisfeitos, preguiçosamente, com o que leram no site do BNDES, contaram menos da metade da história, em matéria de números. E que o repórter da Folha, embora tenha feito um serviço muito melhor, em matéria de dados, contexto e entrevistas, deu, como se fossem apenas do primeiro semestre deste ano, números que cobriam todos os 18 meses do governo Lula. E não se corrigiu.

Título parcial

Demonstrados, assim, os padecimentos do leitor submetido a matérias de jornais rivais sobre o mesmo assunto, com a mesma embocadura, mas com números errados ou datas erradas, chega enfim a hora de falar dos padecimentos do protagonista das reportagens, no caso do BNDES, na figura de um de seus diretores. Os padecimentos lhe foram infligidos por ação e omissão.

O que esse diretor, Márcio Henrique Monteiro de Castro, fez ao reunir o reportariado foi dizer: sim, o banco tem aprovado mais financiamentos e de maior valor para prefeituras petistas do que para outras; não, o banco não privilegia o PT - tanto assim que o mesmo já acontecia no governo Fernando Henrique; e a razão disso é que em 1996 e 2000 o partido elegeu prefeitos "em muitas cidades médias, mais modernas, mais bem aparelhadas, que são os mutuários do BNDES".

O trecho entre aspas é da matéria do Estadão (meras 45 linhas de coluna, sob um título de três colunas - aquele de que se começou a falar neste texto -, abaixo da dobra da página, sem sub, ante as 96 linhas da Folha, encimadas por uma manchete e um subtítulo também de página inteira.

Mas, diferentemente da Folha, que respeitou o leitor e a fonte, reproduzindo a numeralha apresentada relativa ao período 1999 a 2002, o Estado não fez, nem com palavras, nem com cifras, referência ao argumento mais forte do diretor Castro - o de que as prefeituras do PT também ficavam com a parte do leão dos créditos do BNDES no segundo mandato de FHC. Essa a omissão imperdoável.

A ação imperdoável, ainda mais grave, está no título. Trata-se de uma falsidade pela simples razão de que o texto que se lhe segue não o suporta. Vale a pena ler de novo: "Dados do BNDES confirmam favorecimento". Só faltou - ou melhor, nem faltou - acrescentar "indevido".

E não se venha dizer que é uma questão de interpretação. Eis os principais sinônimos arrolados pelo Aurélio para o verbo favorecer: "ser em favor de, dar auxílio a; apoiar, defender, proteger, beneficiar, fazer favor ou obséquio a; proteger com parcialidade."

A parcialidade do título, em um jornal que desgosta do presidente do BNDES ainda mais do que do PT - contrasta constrangedoramente com a límpida objetividade da manchete e do sub da Folha: "BNDES admite repasse, mas nega viés político". E: "Diretor do banco reconhece que PT tem recebido mais recursos da instituição, mas diz que não há interferência nas aprovações".

Em determinadas circunstâncias, para determinados interlocutores, não adianta dizer que nunca se bateu na mulher. Porque, para eles, desmentido é confirmação.


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

Rio de Janeiro:

Flávio Heleno de Figueiredo - Dir. Ass. Bras. Medicina de Grupo
"Achei o programa muito democrático e útil do ponto de vista social."

José Leôncio Feitosa - Dir. Agência Nacional de Saúde Suplementar
"Reafirmo que o Ministério está atendendo aos usuários da melhor forma possível e tentando também manter o equilíbrio econômico no setor."

São Paulo:

Adriana Dias Lopes - Repórter Estado de S. Paulo
"Na minha opinião o debate foi bacana, foi interessante, mas acho que faltou um representante da Fenaseg, que é a porta-voz das operadoras de planos de saúde."

André Luiz Lopes dos Santos - Dir. Atendimento Procon
"Me referindo às faltas, faltou um médico, que também é um ator fundamental, e talvez um pouquinho mais de tempo para poder polemizar uns pontos bem complexos que a gente só pôde tratar superficialmente."


PERGUNTAS

E-mails recebidos na semana de 20/07 a 27/07:

Vânia Gonçalves de Assis, Belo Horizonte / MG
Boa noite, Dines! Parabenizo-lhes por este programa. Os temas apresentados são, sempre, relevantes e é uma pena que a maioria do povo brasileiro não assiste, nem dá importância a este tipo de programação. Quanto ao plano de saúde - pago para meus pais e pago o meu, desde junho de 1998, pela Unimed-BH. Os valores pagos são relativamente altos. Quando procurei saber sobre a mudança - atualização desses planos que pago, obtive informações que as mensalidades passariam para quase o dobro do que hoje é pago e percebi que nem todas as informações foram esclarecedoras sobre a atualização dos planos. Pergunto: Afinal, a adequação dos planos requer um aumento dos valores tão e ainda mais altos?

Tuka
Por que não se aproveita esse momento para discutir o direito do paciente de poder escolher seu médico? Desde que entrei no meu Plano (Porto Seguro) várias clínicas que eu usava foram descredenciadas e elas estavam incluídas quando assinei o contrato. O que fazer?

Marco A. G. Cunha - Ger. Atendimento Procon BH
Parabenizo pela realização desse importante programa, saúdo a todos, jornalistas, representante da Abramge, ANS, em especial ao colega André Lopes, do Procon-SP. Perguntas:
1. Os reajustes abusivos das seguradoras de saúde possuem relação direta com a reivindicação dos médicos pela atualização de seus honorários?
2. É importante esclarecer ao público a diferença entre os planos coletivos e de autogestão e os planos individuais. Os planos coletivos são vantajosos ou não?

Sérgio Watanabe
Por que o grande problema dos planos de saúde são as consultas e exames rotineiros, se esses procedimentos são exatamente os de mais baixo custo? Nesse caso, os planos hospitalares não deveriam ter um custo significativamente mais baixo?
Depois da Cigna e Aetna terem saído do Brasil, e com o risco do grupo holandês ING sair também, existe risco de quebra caso nenhum outro grupo tenha interesse na carteira da Sul América? Desse ponto de vista a Bradesco Seguros é segura? E a Unimed?

Rodrigo Soares de Faria
Muito bom o esclarecimento do Dr. Flavio Heleno. Mostrou como é complexa a situação e a falta de atitude e experiência da ANS dificulta a busca por soluções. Gostaria de perguntar ao Dr. Flavio Heleno como funcionam os planos de saúde em outros países?

Fernando
Gostaria de questionar a fonte de recursos das Ongs de direitos humanos e alguns órgãos de imprensa que saem sistematicamente em defesa dos contraventores, menores ou não. A exemplo dos casos no judiciário, não seriam também financiados pelo crime organizado? Por que ninguém nem ao menos aventa essa possibilidade?

Ubirajara Ferreira - Consultor na área da saúde
Falta sem dúvida no setor da imprensa, seja ela qual for, um jornalista que seja do ramo da saúde ou vice-versa, caso contrário fica bem difícil informar sem entender. ANS: a definição está clara - Agência Nacional de Saúde, porém está fazendo o papel de agência nacional reguladora dos planos de saúde, e por isso está totalmente desfocada. O problema é bem mais abrangente. As operadoras, seguradoras, cooperativas, etc. simplesmente aproximam o paciente dos serviços de saúde e, para isso, têm que pagar os serviços de saúde contratados e usados, o que o nosso digno diretor da Abramge citou. Têm que sentar na mesa todos os envolvidos: operadoras, seguradoras, cooperativas e principalmente hospitais e laboratórios de análises e, sem dúvida alguma, os representantes dos laboratórios de diagnósticos por imagem. Para esses não está existindo uma agência que regule seus preços.

Alexandre Mosqueira da Rocha, Macaé / RJ
Acredito ser necessário uma visão mais ampla a respeito deste assunto, abordando todos os envolvidos, não somente os usuários. Por exemplo: as operadoras não têm como arcar com os custos de um contrato não regulamentado, quando o cliente - ciente do apoio do Código de Defesa do Consumidor - não regulamenta o seu plano e almeja os mesmos direitos de quem já possui o contrato regulamentado ou migrado. Se faz necessário um acompanhamento mais rigoroso das planilhas para coibir abusos, mas sobretudo para constatar que o custo da saúde é muito elevado e se os planos/seguros estão cobrindo um déficit no que diz respeito a assistência de saúde, se faz necessário uma ação que atenda, não só aqueles consumidores que se julgam prejudicados, mas também às operadoras. Temo como consumidor que haja, em pouco tempo, uma quebradeira do sistema de planos/seguros saúde. Os órgãos informativos devem cumprir a sua missão com responsabilidade, evitando informações simplistas e avulsas em meio a um sistema que envolve uma certa complexidade.

Fernando Gondim
Prezados senhores, gostaria de indagar aos representantes das empresas de medicina de grupo como ficariam os valores das mensalidades se, de fato, houvesse o reajuste de honorários médicos reivindicados pelos representantes das organizações médicas. Vale lembrar que os honorários médicos não são reajustados há 10 anos e a mensalidade dos segurados é reajustada anualmente (muitas vezes acima da inflação).


Telefonemas recebidos em 20/07:

Romeu Tortina, São Paulo
No caso do plano Bradesco não existe uma adaptação. Isso é legal?

Cícero Xavier, Rio de Janeiro
Em caso de reajustes abusivos, o melhor é procurar a Justiça ou o Procon?

Alexandre Caldan, Recife / PE
Por que no programa não está presente nenhum representante das entidades médicas Conselho Federal de Medicina, AMB ou a Federação Brasileira dos Médicos?

Lúcia Guimarães, São Paulo
As operadoras estão induzindo as pessoas a optarem pela migração?

Paulo Sérgio Carvalho, Orlândia / SP
Como clientes de cidades onde não existe o Procon podem reclamar? O tel 0800 do Ministério da Saúde não funciona e como se instala o Procon em uma cidade pequena?

Maria Alice Campnoli, Marília / SP
Adriana, você acredita que os jornalistas neste caso não estão informando por falta de preparo ou por algum interesse econômico?

Nilse Oliveira, Rio de Janeiro
Tenho contrato assinado antes de 1999 e todo ano tenho reajuste da inflação do ano no mês de aniversário do plano, porém em 2007 completo 70 anos e terei aumento por faixa etária. Como ficará o meu caso? Imagino que o aumento será de mais de 100%.

Sanderlei Viera, Vitória / ES
Como um cidadão comum pode se defender das cláusulas e da linguagem jurídica que servem para as operadoras de planos aumentarem o preço quando querem?

Deivison Soares, Bento Gonçalves / RS
Qual a relação de compromisso da imprensa com os segurados anteriores à medida?

Maria Pinheiro, São Paulo
Qual a providência que devo tomar se o meu plano de saúde está agindo de forma errada? Como posso reclamar meus direitos?

Ariel Duran, Canoas / RS
Por que o Governo não cria mecanismos para que o cidadão trate diretamente com os hospitais, evitando assim intermediários como Bradesco e Sulamérica?

Luís Renato Cavesqui, Vespaziano / MG
Eu tive meu prontuário médico falsificado e tenho provas disso, como o Procon pode me ajudar?

Luiz Carlos da Cunha, Belo Horizonte / MG
O que deve ser feito para o melhoramento desse aumento abusivo?

Nora Fernandes, Salvador / BA
A migração não é a solução devido ao aumento de mais de 1000%.

João Haroldo Diniz, Pinheiral / RJ
Tenho um plano Unimed e migrei para o mesmo plano porém com maior cobertura já que preciso fazer uma operação urgente na coluna. Agora eles estão me obrigando a esperar os meses de carência.O que eu faço?

Mair Rossi, Niterói / RJ
O que o segurado de um plano de saúde pode fazer face a um aumento abusivo em relação ao resto da economia?

Norival Turine, Jaú / SP
Quando solicitamos um atendimento às seguradoras, não somos bem atendidos e agora eles realizam esses aumentos abusivos. Por que?

Fátima dos Santos, Rio de Janeiro
A imprensa não tem como dever investigar a informação por completo? Isso realmente acontece, uma notícia como essa é realmente acompanhada até o final?



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