RESUMO DO PROGRAMA
MÍDIA
E PLANOS DE SAÚDE
O
Observatório da Imprensa do dia 20 de julho discutiu a polêmica
envolvendo os planos de saúde: o aumento abusivo das seguradoras, o
papel do Governo e como a mídia está tratando deste assunto. Alberto
Dines abriu o programa alertando que 38 milhões de brasileiros segurados
pelo sistema privado estão aflitos e perdidos. Será que a imprensa está
conseguindo explicar a eles um assunto tão técnico e vital, ou está
sendo tímida diante dos poderosos interesses em jogo?
Participaram ao vivo do debate, José Leôncio Feitosa, diretor presidente
substituto da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e Flávio
Heleno Poppe de Figueiredo, diretor da ABRAMGE (Associação Brasileira de
Medicina em Grupo) no Rio de Janeiro. No estúdio em São Paulo, estiveram
a repórter do Estado de S. Paulo, Adriana Dias Lopes e o diretor de
atendimento do PROCON-SP, André Luís Lopes dos Santos.
José
Leôncio Feitosa iniciou o debate afirmando que não se protege apenas o
consumidor sem manter o setor funcionando. Também explicou que a ANS
começou a funcionar em 1999 e criou um conjunto de regras novas para que
o mercado funcionasse de acordo com o direito do consumidor. Assim, as
pessoas que estão nos planos antigos não têm a proteção destas novas
leis sendo necessária a adaptação de seus planos.
Em
seguida, Flávio Heleno, médico há 51 anos, comentou: "os artigos que
saem na mídia geralmente focam um dos atores. Os médicos e hospitais,
eles têm razão; os usuários, com aumentos abusivos socialmente falando,
eles têm razão; as operadoras que na sua maioria estão numa situação
extremamente difícil do ponto de vista financeiro, elas têm razão também
de querer ter um marco regulatório onde seja mais abrangente e a ANS vem
entendendo ultimamente todo esse embrólio para um diagnóstico correto."
André
Luís Lopes, em relação à atuação do PROCON, esclareceu: "nós temos uma
porção de liminares num primeiro momento, garantindo a esse consumidor
que ele continue pagando o valor anterior a esse reajuste com os 11,75%
que a ANS estipulou para os contratos novos."
Seguindo
o debate, Adriana Dias Lopes, que escreve matérias sobre saúde no
Estadão, declarou: "se fosse existir um especialista para cobrir essa
confusão ele teria que ser especialista em saúde, em legislação e
administração, então eu acho que não tem um perfil disso. "
Na
conclusão do programa, José Leôncio disse que o Governo Federal
recomendou muito rigor para a ANS ao tratar deste assunto. Já André Luís
pediu para a mídia não deixar o assunto esfriar já que não chegamos a
solução nenhuma. Adriana Dias concorda e acha que essa polêmica vai ser
importante para mudar muita coisa na área de saúde.
Tiago
Chediak (estagiário)
EDITORIAL
Bem
vindos ao Observatório da Imprensa.
Você se
lembra de um comercial do Governo Federal estrelado pelo médico Dráuzio
Varela sobre mudança nos planos de saúde? Pois é, este comercial começou
a ser exibido na televisão no fim de maio e três semanas depois foi
suspenso por ordem judicial.
A confusão
começou naquele momento e dura até hoje, para o desespero dos 38 milhões
de brasileiros segurados pelo sistema privado.
Com o
comercial, o Ministério da Saúde pretendia "vender" a idéia
de que os segurados deveriam migrar de plano ou adaptar o seu plano
antigo. Acontece que as seguradoras já haviam pedido ao Governo uma
atualização nos valores das mensalidades mas algumas destas "atualizações"
chegaram a 80%!
O Ministério
Público entrou na questão, também o IDEC e os Procons estaduais. Só
em São Paulo estima-se que um milhão de ações vão chegar à Justiça.
Uma
determinação da ANS, Agência Nacional de Saúde Suplementar,
estabeleceu o teto de 11,75% para os aumentos. Duas seguradoras (a
Bradesco e a Sul América) foram enquadradas e proibidas de ultrapassar
este valor, outras estão na alça de mira da Justiça.
E a mídia?
Está conseguindo explicar matéria tão técnica e ao mesmo tempo tão
vital? Está sendo tímida, diante dos poderosos interesses em jogo? Está
sendo burocrática? Os usuários dos planos de saúde estão sendo bem
orientados? As autoridades estão sendo pressionadas para agir com a
necessária rapidez?
Cerca de
20% da população brasileira está angustiada com o futuro de seus
planos e com o seu próprio futuro. É exatamente o público-alvo dos
jornais e revistas. Esta é a grande oportunidade para a mídia servir
de mediadora e cumprir com o seu papel.
ARTIGO
Por Alberto Dines
PRO-MÍDIA
& DENUNCISMO
Além de crédito, credibilidade
Alberto Dines
Deus é
brasileiro e, além disso, torce para o bom nome do nosso jornalismo. Não
fosse a divina providência nossos empresários de comunicação seriam
obrigados a ouvir as pesadas críticas do presidente Lula ao denuncismo
da mídia na humilhante condição de solicitantes de favores especiais
do governo.
Felizmente,
quando o chefe da nação ingressou no seleto clube dos media-critics
(terça, 13/07), as entidades que representam as corporações de
comunicação (ANJ, ANER e ABERT) já haviam desistido da linha de crédito
especial no BNDES por meio de carta entregue ao presidente do banco,
Carlos Lessa, na segunda-feira (12/7).
Coincidências:
os dois fatos aparentemente não se cruzam, não há relação de causa
e efeito entre a desistência do favorecimento e a imediata repreensão,
a primeira que o presidente da República faz sem meias palavras aos
nossos procedimentos jornalísticos.
Conviria
verificar se os presidentes pós-democratização (Sarney, Collor,
Itamar e FHC) alguma vez fizeram tão candentes críticas à imprensa.
Conviria verificar também se o comportamento da instituição jornalística
em circunstâncias semelhantes foi tão tíbio e envergonhado. Não
fosse o texto de Luiz Garcia no Globo, o pito passaria em brancas nuvens
[veja remissão abaixo].
Marcas
permanentes
Apesar de
encerrado o inconveniente namoro governo-imprensa com o BNDES fazendo-se
de Cupido, o episódio não poderá ser erradicado dos futuros compêndios
da história da imprensa brasileira. Em primeiro lugar porque foi inédito:
a nossa imprensa, como instituição, jamais procurou governo algum para
solicitar financiamentos coletivos. As transgressões se davam a dois,
no escurinho do cinema.
Delfim
Netto, quando czar da nossa economia, reunia-se semanalmente com a sua
corte de empresários e altos executivos da mídia, mas havia um certo
pudor em ostentar as "relações especiais". Todos sabiam de
tudo mas as torcidas do Flamengo e do Corinthians ficavam de fora por
força da censura e da autocensura.
A
pretendida "transparência" do Pró-Mídia foi fatal -
duplamente fatal, não fosse a redundância - porque escancarou o que
não poderia ser escancarado e, ao escancarar como era obrigatório,
liquidou suas chances de sucesso. Antes assim. Numa sociedade democrática
moderna, efetivamente aberta, as relações governo-imprensa não podem
ser colocadas no âmbito bancário onde só há credores e devedores.
A emenda
saiu pior do que o soneto: a justificativa para a desistência é
absolutamente inconvincente. O fato de a Editora Abril e o Grupo Globo
terem resolvido algumas de suas premências, ao alienar parte do seu
capital, não pode servir de argumento para anular uma solicitação que
envolvia, pelo menos, uma dúzia de empresas e, sobretudo, os grandes
jornais.
Quando
foi feito o pedido ao BNDES, o quadro era o mesmo de hoje. Para a indústria
da comunicação nada mudou, inclusive o sufoco. A única novidade é a
percepção de que o "entendimento" com o BNDES era altamente
prejudicial para a imagem da imprensa brasileira. Os benefícios
oferecidos não eram grande coisa e o custo moral, proibitivo. Se os
empresários tivessem pensado um pouco mais, ou conversado com
jornalistas capazes de raciocinar numa linha diferente dos empregadores,
jamais teriam embarcado nessa aventura que, embora abortada, deixará
marcas indeléveis.
Práticas
abusivas
O carão
do presidente Lula sobre o denuncismo é também algo para não ser
esquecido. Em primeiro lugar porque é justo. Retroativamente justo
porque neste exato momento as revelações de escândalos na esfera pública
estão sendo feitas depois de cuidadas investigações.
As séries
do Globo sobre o enriquecimento de deputados estaduais fluminenses e
agora de vereadores cariocas são irrespondíveis e obedecem aos mais
rigorosos critérios jornalísticos e legais. Assim também as
reportagens da Folha de S.Paulo sobre o trabalho escravo em grandes
empresas do agronegócio.
Neste
momento, o único denuncismo irresponsável está sendo praticado pela
IstoÉ, que não chega a representar uma corrente majoritária do
jornalismo brasileiro.
A bronca
presidencial não deve ser esquecida em segundo lugar porque quem ajudou
a consagrar o denuncismo como prática jornalística foi o próprio
presidente Lula, antes de envergar a faixa presidencial, quando
comandava o principal partido de oposição. O jornalismo fiteiro, a
transcrição de grampos ilegais realizados por máfias políticas e a
farta circulação de dossiês secretos sempre encontraram no PT
parceiros entusiasmados e diligentes, dispostos magnificar qualquer
absurdo.
Levará
algum tempo até que seja extirpado este velho sensacionalismo e as práticas
abusivas que deixou arraigadas em certos setores da mídia,
principalmente na Capital Federal. Para apressar o seu fim cabe ao
governo ficar mais atento às revelações corretas e bem apuradas
veiculadas pela imprensa.
Caminho
único
O governo
hoje sabe separar o joio do trigo, sabe discernir acusações
pertinentes das impertinentes. Só não sabe - ou não quer - dar
seqüência às informações que podem comprometê-lo numa temporada
eleitoral na qual joga todas as suas fichas.
Exemplo:
as denúncias envolvendo o candidato a prefeito do Rio Marcelo Crivella
(PL) no tocante a declaração de seus bens ultrapassam a esfera da
Justiça Eleitoral ou da Receita Federal. O senador Crivella é um dos
parlamentares que acumulam o mandato político com a propriedade de
empresas de comunicação, irregularidade que ao governo não interessa
coibir, muito menos exibir. Tanto assim que o ministro das Comunicações
mandou retirar do site do ministério a lista com o nome dos proprietários
das concessionárias de rádio e televisão sob a alegação de que
precisava ser atualizada. Desculpa esfarrapada: a lista voltou ao site
na segunda-feira (19/7) após a denúncia da sua desaparição [veja
abaixo remissão para a lista de controladores de emissoras de rádio e
TV].
Estavam
cobertos de razão os líderes do governo quando afirmavam que a questão
da imprensa é de interesse nacional. Erraram as empresas de mídia
quando imaginaram que o interesse nacional passa pelos guichês dos
bancos oficiais. Além de crédito, a mídia precisa de credibilidade.
Ou do reconhecimento quando cumpre a sua missão.
A denúncia
contra o denuncismo, além de desatualizada e mal formulada, tem algo de
autoritária. Com ou sem o Pró-Mídia parece uma jogada para
desqualificar preventivamente qualquer investigação jornalística que
esteja em curso. Logo agora quando o Primeiro Poder e o Quarto Poder
decidiram dormir em camas separadas. Logo agora quando o Waldogate começa
a ser examinado pela Justiça.
Foram
todos salvos pelo gongo: a imprensa percebeu a tempo o pântano em que
estava prestes a mergulhar. Falta agora o governo perceber que para
ajudar a imprensa só existe um caminho: valorizá-la.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
NOTAS
DE UM LEITOR
A fonte disse 'não'; foi como se tivesse dito 'sim'
Luiz Weis
Variante
de uma velha piada para entrar em um assunto sério:
Repórter -
É verdade que o senhor continua batendo na sua mulher?
Político -
Não. Eu nunca bati na minha mulher.
Manchete
no dia seguinte: "Político nega que continua batendo na
mulher".
É mais
ou menos esse o espírito do título "Dados do BNDES confirmam
favorecimento", de O Estado de S.Paulo da quarta-feira, 14.
A história
começou no domingo. E já nasceu com problemas - o que obriga a
deixar para daí a sete parágrafos a questão do título que, se verá,
merece apanhar.
Naquele
domingo, tanto o Estado como a Folha de S.Paulo deram matérias acusando
o BNDES de aprovar mais empréstimos a municípios governados pelo PT do
que a outros. [Aprovação não quer dizer liberação. Esta depende do
Tesouro.]
A acusação
é a mesma, mas os números não conferem. O Estado, citando como fonte
o site da instituição, publicou que desde a posse de Lula até junho
passado o BNDES aprovou créditos para 18 prefeituras - 13 das quais
do PT. Em valor, esses financiamentos equivalem a 92% do total.
Já a
Folha informou ter feito um levantamento segundo o qual de janeiro a
junho deste ano o BNDES aprovou créditos para 56 prefeituras - 23 do
PT. Em valor, esses financiamentos equivalem a 68% do total. Na quarta,
ao voltar ao assunto, o jornal citou como fonte da primeira reportagem
"dados fornecidos por e-mail pela assessoria de imprensa do
BNDES".
Folha e
Estado voltaram ao assunto - e outros entraram nesse dia - em razão
da coletiva, na véspera, do diretor da área do banco que trata desses
financiamentos.
Sem fazer
referência aos seus números de domingo, o Estadão da quarta deu
outros, "divulgados ontem pelo BNDES", para o período de
janeiro de 2003 a 4 de julho último: 29 aprovações, 14 das quais para
prefeituras do PT. Em valor, 78% do total.
A Folha
tornou a citar os seus números e esclareceu que o diretor entrevistado
"não apresentou números comparáveis aos que foram fornecidos ao
jornal na semana passada". E contou que só "diante da insistência
dos jornalistas", o diretor forneceu o que seria a lista de todos
os contratos firmados para obras sociais e de infra-estrutura (os tais
29, 14 para prefeituras do PT).
O que dá
para concluir é que os repórteres do Estado, dando-se por satisfeitos,
preguiçosamente, com o que leram no site do BNDES, contaram menos da
metade da história, em matéria de números. E que o repórter da
Folha, embora tenha feito um serviço muito melhor, em matéria de
dados, contexto e entrevistas, deu, como se fossem apenas do primeiro
semestre deste ano, números que cobriam todos os 18 meses do governo
Lula. E não se corrigiu.
Título parcial
Demonstrados,
assim, os padecimentos do leitor submetido a matérias de jornais rivais
sobre o mesmo assunto, com a mesma embocadura, mas com números errados
ou datas erradas, chega enfim a hora de falar dos padecimentos do
protagonista das reportagens, no caso do BNDES, na figura de um de seus
diretores. Os padecimentos lhe foram infligidos por ação e omissão.
O que
esse diretor, Márcio Henrique Monteiro de Castro, fez ao reunir o
reportariado foi dizer: sim, o banco tem aprovado mais financiamentos e
de maior valor para prefeituras petistas do que para outras; não, o
banco não privilegia o PT - tanto assim que o mesmo já acontecia no
governo Fernando Henrique; e a razão disso é que em 1996 e 2000 o
partido elegeu prefeitos "em muitas cidades médias, mais modernas,
mais bem aparelhadas, que são os mutuários do BNDES".
O trecho
entre aspas é da matéria do Estadão (meras 45 linhas de coluna, sob
um título de três colunas - aquele de que se começou a falar neste
texto -, abaixo da dobra da página, sem sub, ante as 96 linhas da
Folha, encimadas por uma manchete e um subtítulo também de página
inteira.
Mas,
diferentemente da Folha, que respeitou o leitor e a fonte, reproduzindo
a numeralha apresentada relativa ao período 1999 a 2002, o Estado não
fez, nem com palavras, nem com cifras, referência ao argumento mais
forte do diretor Castro - o de que as prefeituras do PT também
ficavam com a parte do leão dos créditos do BNDES no segundo mandato
de FHC. Essa a omissão imperdoável.
A ação
imperdoável, ainda mais grave, está no título. Trata-se de uma
falsidade pela simples razão de que o texto que se lhe segue não o
suporta. Vale a pena ler de novo: "Dados do BNDES confirmam
favorecimento". Só faltou - ou melhor, nem faltou -
acrescentar "indevido".
E não se
venha dizer que é uma questão de interpretação. Eis os principais
sinônimos arrolados pelo Aurélio para o verbo favorecer: "ser em
favor de, dar auxílio a; apoiar, defender, proteger, beneficiar, fazer
favor ou obséquio a; proteger com parcialidade."
A
parcialidade do título, em um jornal que desgosta do presidente do
BNDES ainda mais do que do PT - contrasta constrangedoramente com a límpida
objetividade da manchete e do sub da Folha: "BNDES admite repasse,
mas nega viés político". E: "Diretor do banco reconhece que
PT tem recebido mais recursos da instituição, mas diz que não há
interferência nas aprovações".
Em
determinadas circunstâncias, para determinados interlocutores, não
adianta dizer que nunca se bateu na mulher. Porque, para eles,
desmentido é confirmação.
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
Rio de
Janeiro:
Flávio
Heleno de Figueiredo - Dir. Ass. Bras. Medicina de Grupo
"Achei o programa muito democrático e útil do ponto de vista
social."
José
Leôncio Feitosa - Dir. Agência Nacional de Saúde Suplementar
"Reafirmo que o Ministério está atendendo aos usuários da melhor
forma possível e tentando também manter o equilíbrio econômico no
setor."
São
Paulo:
Adriana
Dias Lopes - Repórter Estado de S. Paulo
"Na minha opinião o debate foi bacana, foi interessante, mas acho
que faltou um representante da Fenaseg, que é a porta-voz das
operadoras de planos de saúde."
André
Luiz Lopes dos Santos - Dir. Atendimento Procon
"Me referindo às faltas, faltou um médico, que também é um ator
fundamental, e talvez um pouquinho mais de tempo para poder polemizar
uns pontos bem complexos que a gente só pôde tratar
superficialmente."
PERGUNTAS
E-mails recebidos na
semana de 20/07 a 27/07:
Vânia Gonçalves de Assis, Belo Horizonte / MG
Boa noite, Dines! Parabenizo-lhes por este programa. Os temas apresentados
são, sempre, relevantes e é uma pena que a maioria do povo brasileiro
não assiste, nem dá importância a este tipo de programação. Quanto ao
plano de saúde - pago para meus pais e pago o meu, desde junho de 1998,
pela Unimed-BH. Os valores pagos são relativamente altos. Quando procurei
saber sobre a mudança - atualização desses planos que pago, obtive
informações que as mensalidades passariam para quase o dobro do que hoje
é pago e percebi que nem todas as informações foram esclarecedoras
sobre a atualização dos planos. Pergunto: Afinal, a adequação dos
planos requer um aumento dos valores tão e ainda mais altos?
Tuka
Por que não se aproveita esse momento para discutir o direito do paciente
de poder escolher seu médico? Desde que entrei no meu Plano (Porto
Seguro) várias clínicas que eu usava foram descredenciadas e elas
estavam incluídas quando assinei o contrato. O que fazer?
Marco A. G. Cunha - Ger. Atendimento Procon BH
Parabenizo pela realização desse importante programa, saúdo a todos,
jornalistas, representante da Abramge, ANS, em especial ao colega André
Lopes, do Procon-SP. Perguntas:
1. Os reajustes abusivos das seguradoras de saúde possuem relação
direta com a reivindicação dos médicos pela atualização de seus
honorários?
2. É importante esclarecer ao público a diferença entre os planos
coletivos e de autogestão e os planos individuais. Os planos coletivos
são vantajosos ou não?
Sérgio Watanabe
Por que o grande problema dos planos de saúde são as consultas e exames
rotineiros, se esses procedimentos são exatamente os de mais baixo custo?
Nesse caso, os planos hospitalares não deveriam ter um custo
significativamente mais baixo?
Depois da Cigna e Aetna terem saído do Brasil, e com o risco do grupo
holandês ING sair também, existe risco de quebra caso nenhum outro grupo
tenha interesse na carteira da Sul América? Desse ponto de vista a
Bradesco Seguros é segura? E a Unimed?
Rodrigo Soares de Faria
Muito bom o esclarecimento do Dr. Flavio Heleno. Mostrou como é complexa
a situação e a falta de atitude e experiência da ANS dificulta a busca
por soluções. Gostaria de perguntar ao Dr. Flavio Heleno como funcionam
os planos de saúde em outros países?
Fernando
Gostaria de questionar a fonte de recursos das Ongs de direitos humanos e
alguns órgãos de imprensa que saem sistematicamente em defesa dos
contraventores, menores ou não. A exemplo dos casos no judiciário, não
seriam também financiados pelo crime organizado? Por que ninguém nem ao
menos aventa essa possibilidade?
Ubirajara Ferreira - Consultor na área da saúde
Falta sem dúvida no setor da imprensa, seja ela qual for, um jornalista
que seja do ramo da saúde ou vice-versa, caso contrário fica bem
difícil informar sem entender. ANS: a definição está clara - Agência
Nacional de Saúde, porém está fazendo o papel de agência nacional
reguladora dos planos de saúde, e por isso está totalmente desfocada. O
problema é bem mais abrangente. As operadoras, seguradoras, cooperativas,
etc. simplesmente aproximam o paciente dos serviços de saúde e, para
isso, têm que pagar os serviços de saúde contratados e usados, o que o
nosso digno diretor da Abramge citou. Têm que sentar na mesa todos os
envolvidos: operadoras, seguradoras, cooperativas e principalmente
hospitais e laboratórios de análises e, sem dúvida alguma, os
representantes dos laboratórios de diagnósticos por imagem. Para esses
não está existindo uma agência que regule seus preços.
Alexandre Mosqueira da Rocha, Macaé / RJ
Acredito ser necessário uma visão mais ampla a respeito deste assunto,
abordando todos os envolvidos, não somente os usuários. Por exemplo: as
operadoras não têm como arcar com os custos de um contrato não
regulamentado, quando o cliente - ciente do apoio do Código de Defesa do
Consumidor - não regulamenta o seu plano e almeja os mesmos direitos de
quem já possui o contrato regulamentado ou migrado. Se faz necessário um
acompanhamento mais rigoroso das planilhas para coibir abusos, mas
sobretudo para constatar que o custo da saúde é muito elevado e se os
planos/seguros estão cobrindo um déficit no que diz respeito a
assistência de saúde, se faz necessário uma ação que atenda, não só
aqueles consumidores que se julgam prejudicados, mas também às
operadoras. Temo como consumidor que haja, em pouco tempo, uma quebradeira
do sistema de planos/seguros saúde. Os órgãos informativos devem
cumprir a sua missão com responsabilidade, evitando informações
simplistas e avulsas em meio a um sistema que envolve uma certa
complexidade.
Fernando Gondim
Prezados senhores, gostaria de indagar aos representantes das empresas de
medicina de grupo como ficariam os valores das mensalidades se, de fato,
houvesse o reajuste de honorários médicos reivindicados pelos
representantes das organizações médicas. Vale lembrar que os
honorários médicos não são reajustados há 10 anos e a mensalidade dos
segurados é reajustada anualmente (muitas vezes acima da inflação).
Telefonemas recebidos em 20/07:
Romeu Tortina, São Paulo
No caso do plano Bradesco não existe uma adaptação. Isso é legal?
Cícero Xavier, Rio de Janeiro
Em caso de reajustes abusivos, o melhor é procurar a Justiça ou o Procon?
Alexandre Caldan, Recife / PE
Por que no programa não está presente nenhum representante das entidades
médicas Conselho Federal de Medicina, AMB ou a Federação Brasileira dos
Médicos?
Lúcia Guimarães, São Paulo
As operadoras estão induzindo as pessoas a optarem pela migração?
Paulo Sérgio Carvalho, Orlândia / SP
Como clientes de cidades onde não existe o Procon podem reclamar? O tel
0800 do Ministério da Saúde não funciona e como se instala o Procon em
uma cidade pequena?
Maria Alice Campnoli, Marília / SP
Adriana, você acredita que os jornalistas neste caso não estão
informando por falta de preparo ou por algum interesse econômico?
Nilse Oliveira, Rio de Janeiro
Tenho contrato assinado antes de 1999 e todo ano tenho reajuste da inflação
do ano no mês de aniversário do plano, porém em 2007 completo 70 anos e
terei aumento por faixa etária. Como ficará o meu caso? Imagino que o
aumento será de mais de 100%.
Sanderlei Viera, Vitória / ES
Como um cidadão comum pode se defender das cláusulas e da linguagem jurídica
que servem para as operadoras de planos aumentarem o preço quando querem?
Deivison Soares, Bento Gonçalves / RS
Qual a relação de compromisso da imprensa com os segurados anteriores à
medida?
Maria Pinheiro, São Paulo
Qual a providência que devo tomar se o meu plano de saúde está agindo
de forma errada? Como posso reclamar meus direitos?
Ariel Duran, Canoas / RS
Por que o Governo não cria mecanismos para que o cidadão trate
diretamente com os hospitais, evitando assim intermediários como Bradesco
e Sulamérica?
Luís Renato Cavesqui, Vespaziano / MG
Eu tive meu prontuário médico falsificado e tenho provas disso, como o
Procon pode me ajudar?
Luiz Carlos da Cunha, Belo Horizonte / MG
O que deve ser feito para o melhoramento desse aumento abusivo?
Nora Fernandes, Salvador / BA
A migração não é a solução devido ao aumento de mais de 1000%.
João Haroldo Diniz, Pinheiral / RJ
Tenho um plano Unimed e migrei para o mesmo plano porém com maior
cobertura já que preciso fazer uma operação urgente na coluna. Agora
eles estão me obrigando a esperar os meses de carência.O que eu faço?
Mair Rossi, Niterói / RJ
O que o segurado de um plano de saúde pode fazer face a um aumento
abusivo em relação ao resto da economia?
Norival Turine, Jaú / SP
Quando solicitamos um atendimento às seguradoras, não somos bem
atendidos e agora eles realizam esses aumentos abusivos. Por que?
Fátima dos Santos, Rio de Janeiro
A imprensa não tem como dever investigar a informação por completo?
Isso realmente acontece, uma notícia como essa é realmente acompanhada
até o final?