RESUMO DO PROGRAMA
ESPECIAL RÁDIO NACIONAL
O
Observatório da Imprensa de 06 de julho debateu a retomada e reforma da
Rádio Nacional por parte do Governo Federal. Em editorial, Dines
ressaltou que "A rádio deixou frutos. Foi a primeira experiência
brasileira de integração nacional através de um veículo de
comunicação. É a primeira história de sucesso da mídia
brasileira". E lembrou ainda que "Começou como empresa
privada e terminou como estatal. Nunca foi oficial. Deu certo, e agora
está de volta".
Participaram
do debate o jornalista e presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci em
Brasília; o jornalista e pesquisador Reynaldo Tavares em São Paulo; e
o radialista e escritor Luis Carlos Saroldi no Rio de Janeiro.
Logo no
início do debate, Eugênio Bucci ressaltou que "A nova
programação da Rádio Nacional do Rio de Janeiro estreou no sábado,
já estamos oferecendo um jornalismo vibrante e programas musicais que
certamente vão cativar o ouvinte". E afirmou ainda que o objetivo
da nova Rádio Nacional é "estar junto do cidadão carioca, do
cidadão brasileiro, nas questões em que o rádio participa do debate
público".
Dando
continuidade ao debate Luis Carlos Saroldi lembrou a seguinte história
sobre o repórter Esso: "O Heron Domingues ganhou o posto para ser
o locutor fixo do Repórter Esso e fez daquilo a vida dele, ele viva
isso 24 horas por dia, eram quatro edições mas ele ficava lá também
esperando notícias extras".
E
aprofundando o debate sobre a importância da inclusão da Rádio
Nacional no contexto da comunicação atual, que está cada vez mais
ligada à tecnologia, Reynaldo Tavares ressaltou que: "Esse tema é
muito adequado, principalmente para a época em que vivemos,
principalmente com o avanço da eletrônica, quando as emissoras hoje
partem para o som digital, e essa revitalização que a Rádio Nacional
está se propondo é simplesmente um projeto que para profissionais que
viveram e vivem o rádio como nós, vinte e cinco horas por dia, chega a
ser muito contagiante".
Manoel Magalhães (estagiário)
EDITORIAL
Bem
vindos ao Observatório da Imprensa.
Vocês
ouviram uma gravação do Repórter Esso Heron Domingues transmitida
pela Rádio Nacional há mais de meio século.
Este
aparelho é uma peça de museu e a notícia que transmitiu faz parte dos
compêndios de história. Mas a Rádio Nacional deixou frutos. Foi a
primeira experiência brasileira de integração nacional através de um
veículo de comunicação. É a primeira história de sucesso da mídia
brasileira. Começou como empresa privada e terminou como estatal. Nunca
foi oficial. Deu certo. E agora está de volta.
ARTIGO
Por Alberto Dines
CONCENTRAÇÃO
vs. DIVERSIDADE
O Estadão ensaia o trombone
Alberto Dines
O jornalão
criado por Júlio Mesquita continua oferecendo agradáveis surpresas.
Sobretudo na disposição de romper tabus e abrir o debate sobre o
principal fantasma que ameaça a imprensa - a concentração dos veículos
de comunicação em grandes conglomerados.
Raro
encontrar em jornais de grande porte tamanha garra e ousadia para
enfrentar os apetites dos poderosos grupos de comunicação nacionais e
internacionais.
Grandes
jornais são produzidos por grandes empresas cujo instinto de defesa, em
geral, funciona na direção do corporativismo e da manutenção do
status quo.
Não é
este o caso do Estado de S.Paulo: seu instinto de defesa empurra-o
contra o imobilismo e as conveniências. O degelo (ou a temporada de
murros na mesa) começou em 13 janeiro de 2003, quando dedicou o
principal editorial a respeito da cartelização das comunicações nos
EUA [veja remissão abaixo].
Foi
suficiente para instalar na pauta do Conselho de Comunicação Social a
discussão sobre a concentração e a propriedade cruzada dos meios de
comunicação no Brasil. Mais recentemente, em discurso, o diretor do
jornal Ruy Mesquita investiu contra a murdoquização do jornalismo
contemporâneo (referência ao tubarão da mídia Rupert Murdoch, símbolo
da cartelização) [remissões abaixo].
Agora,
entra em cena outro diretor do grupo, Fernão Lara Mesquita, com um
incisivo flagrante do vertiginoso processo de cartelização da imprensa
americana numa conferência que pronunciou no Senado Federal.
Perguntará
o leitor: e nós com isso? Por que razão devemos nos preocupar com a
cartelização e o fim da diversidade informativa nos EUA?
O assunto
nos concerne - e muito. Por várias razões. A principal delas tem a
ver com a FCC (Federal Communications Comission). Esta agência
reguladora foi criada nos anos 1930 do século passado, durante o New
Deal (novo pacto) do presidente Franklin D. Roosevelt, e tal como as
demais criações deste renovador da democracia americana tem uma vocação
nitidamente progressista.
Interesse
público
Ao longo
da sua existência, a FCC tem conseguido exercer seu papel de freio aos
ímpetos predatórios do capitalismo selvagem no campo da comunicação
e do entretenimento. Raramente trata do conteúdo que circula nos meios
de comunicação mas, há pouco, multou emissoras de rádio e TV pela
transmissão de material considerado obsceno. Sua função consiste em
proteger a concorrência e manter a diversidade dentro do sistema midiático
para garantir a eqüidistância e o equilíbrio.
Equilíbrio
é peça central do sistema democrático.
A FCC vem
sendo assediada pelos apetites dos grandes conglomerados e seus
parceiros no setor financeiro porque a sigla tornou-se sinônimo de
regulação e controle - conceitos que aqueles consideram intoleráveis.
No governo Bush, o rolo compressor do conservadorismo americano causou
enorme estrago na FCC: foram mitigadas e subvertidas exigências
importantes no tocante à concentração empresarial.
Apesar
das deformações, a agência continua sendo uma referência e ainda se
mantém como paradigma de defesa da sociedade contra o vertiginoso
processo de fusões que desfigura tanto a imprensa como o jornalismo -
e o jornalismo porque coloca-o a reboque de indústrias sem qualquer
compromisso com o interesse público.
Preocupar-se
com a FCC, ao contrário do que alegam os lobbies empresariais
brasileiros, não significa uma submissão à pauta dos debates domésticos
americanos. É uma preocupação legítima, cívica, porque se nos EUA
ainda existe a consciência de que o legado de Roosevelt precisa ser
recuperado, no Brasil só podemos nos agarrar à vaga esperança de um
dia dispormos de um órgão regulador inspirado na FCC.
Acervo
de lutas
Enquanto
o Congresso Nacional estiver sob influência dos parlamentares que são
também concessionários de serviços de rádio e TV, será impossível
esperar qualquer iniciativa oriunda do Legislativo capaz de reprimir a
concentração e sanear o sistema midiático.
Mesmo que
o governo do presidente Lula perca sua incompreensível e incoerente
ojeriza ao conceito das agências reguladoras, um projeto desta natureza
jamais passará nas comissões ou no plenário do Congresso. Será
engavetado por algumas décadas porque deputados e senadores fisiológicos
não têm pudor em assumir publicamente suas contradições éticas -
até gostam. E aqueles que poderiam endossar uma agência com esta
finalidade jamais se animarão a enfrentar abertamente o ressentimento
dos lobbies corporativos da mídia eletrônica.
Esta é a
importância da cruzada recém-iniciada pelo Estadão. Trata-se de um
jornal cujo ideário é rigorosamente liberal, antiestatista e, não
obstante, empenhado em criar mecanismos para controlar as perversões do
sistema da livre iniciativa no campo do jornalismo e da comunicação
social.
Apesar
das dificuldades políticas, dos poderosos interesses em jogo e da
insensibilidade do resto da imprensa no tocante ao seu futuro como
instituição respeitável e diversificada, o Estadão fez uma aposta e
incorpora mais esta causa ao seu acervo de lutas.
O
Observatório da Imprensa, mais uma vez, está em boa companhia.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
NOTAS
DE UM LEITOR
Pesquisismo dá muito número e pouca sustança
Luiz Weis
Previsíveis
como o noticiário sobre a oferta de pescado na Semana Santa e o preço
das flores nos Finados, as pesquisas eleitorais mais uma vez se derramam
pelas páginas políticas neste começo de temporada de busca do voto.
Mas, se o
pesquisismo da mídia é inevitável, as folhas não precisavam - de
novo - aproveitar para relaxar e gozar do pobre do leitor. Pois outra
coisa não parece a forma como diante dele são despejadas as sopas de
numerinhos e letrinhas sobre a cotação dos candidatos.
Elas são
o que se queira, menos o que deveriam ser - nutritivas. Pois é como
se fossem editadas sob a inspiração do Chacrinha, o que veio para
confundir, não para explicar.
A receita
é de um esquematismo atroz: porcentagens às pencas com uma gota de
contexto, duas pitadas de interpretação instantânea e uma colher de
aspas dos candidatos. Sem falar nas agressões ao português dos clichês
que infestam as matérias acompanhantes, como "oscilou
negativamente", para dizer que, de uma sondagem para outra, o
candidato perdeu pontos percentuais.
Em São
Paulo, os números mais noticiáveis mostram que o tucano José Serra
lidera e que a petista Marta Suplicy vai mal das pernas. Mas, no caso da
prefeita, as letras das avaliações andam tão ou mais trôpegas.
A culpa
pode nem ser dos intérpretes - o punhado de cientistas políticos e
analistas de pesquisas muitas vezes entrevistados em cima da hora e de
cujas tentativas de dar um sentido ao vaivém dos candidatos se publicam
raciocínios truncados que fazem os seus autores parecer fabricantes de
banalidades.
É
verdade que alguns deles são mesmo chutadores eméritos, mas as dúvidas
confessadas dos que se recusam a imitá-los sobre o que as pesquisas
mostram - ou melhor, escondem - raramente chegam ao leitor. Ora,
onde já se viu citar sabichões não sabem das coisas?
Resumo da ópera
Comparem-se
as explicações em flocos sobre o caso de Marta nos jornalões
paulistanos com o texto que ocupou parte da coluna semanal da jornalista
Maria Cristina Fernandes, editora de política do Valor, na sexta-feira
passada.
Começa
assim:
"A
última pesquisa Ibope ouviu 243 pessoas que moram na cidade de São
Paulo e têm renda de até dois salários mínimos. É neste
conjunto de eleitores e não na antipatia, na rejeição feminina ou
no trânsito caótico [algumas das explicações mais freqüentes na
mídia] que está a chave para se compreender o declínio da
prefeita Marta Suplicy nas pesquisas."
O que ela
fez foi somar 2 com 2. Tendo verificado que, de um ibope para outro, com
apenas uma semana de intervalo, Marta perdeu 14 pontos naquele segmento
da amostra, Maria Cristina se perguntou o que havia acontecido de
impactante no país nesses dias. Não deu outra: passou o salário mínimo
de 260 reais. Ou, como resume o título da coluna, "Marta encolhe
à sombra do Planalto".
É a
verdade, toda a verdade e nada além da verdade? Não dá para saber.
Mas, hipótese por hipótese, essa tem uma consistência calcada numa
situação específica. Está, com perdão da palavra, "contextualizada".
Não é
preciso muito mais do que isso, em publicações que no dia seguinte
servem para embrulhar peixe, para permitir que o leitor tire dos números
não o pretensioso "tudo sobre" de que se fala nas redações,
mas uma ou duas pistas sobre o andar da carruagem eleitoral. Algo que
lhe permita ir além das aspas dos políticos no noticiário da
campanha.
Mas não.
A idéia é saturar o coitado de ar quente, fazendo-o crer que se
refestelou com um banquete. Exemplo disso foram as 22 tabelas que
emolduraram a página A 6 da Folha de S.Paulo de 1º de julho. Elas
trazem as qualidades e defeitos atribuídos aos candidatos a prefeito da
cidade pelos entrevistados do DataFolha, com base em quesitos fechados
do tipo "quem é o mais democrático" (ou autoritário,
honesto, antipático, realizador, experiente, moderno etc).
Depois, o
DataFolha "procurou quantificar o peso de 14 atributos na definição
do voto" - o que exigiu, por sua vez, a publicação de mais dois
gráficos, restritos a Maluf, Marta e Serra, representados por um
quadrado, um triângulo e um círculo, enquanto um losango denotava
"importância", além de um espesso "entenda o gráfico
ao lado", de 28 linhas de coluna.
Trecho:
"Os
valores de cada candidato são calculados subtraindo a taxa dos que
mencionaram o candidato da taxa dos que não o mencionaram (ou seja,
dos que escolheram outros candidatos), adicionando 100 ao resultado.
Por isso o índice varia 0 a 200".
Disso
tudo deu o que está no título "Para eleitor, Maluf é o mais
'preparado' e mais 'corrupto'".
Quem
conseguiu reter as outras informações de todos os quadrinhos ficou
sabendo também que, para os paulistanos:
** Maluf
é o mais autoritário, o mais realizador, mais preparado para cuidar do
trânsito, mais preparado para cuidar da habitação, mais preparado
para cuidar da limpeza, o que mais defenderá os ricos, o mais corajoso,
o mais desequilibrado emocionalmente, o mais antipático, o que mais faz
promessas que não pode cumprir e o mais inteligente.
** Serra
é o mais democrático, mais preparado para cuidar da saúde, mais
preparado para cuidar da educação, o que mais defenderá os pobres, o
mais honesto e o mais simpático.
** Marta
é mais preparad(a) para cuidar do transporte, (a) mais indecis(a), mais
modern(a) e inovador(a).
Muito
bem. Palmas. Mas qual é a moral da história, o resumo da ópera, a
serventia desse tour de force para o leitor que justifique o tempo, o
dinheiro e o espaço consumidos pela enquete? Roga-se a quem souber que
escreva para este Observatório.
Gato da madame
Do que
este leitor tem conhecimento, a única utilidade desse quem-é-mais-o-quê
foi inspirar a seguinte tirada da colunista Dora Kramer (Jornal do
Brasil, O Estado de S.Paulo):
"Pesquisa
DataFolha (.) mostra José Serra em primeiro lugar no quesito
simpatia. Donde se conclui que a prefeita Marta Suplicy, quando quer
e se empenha, consegue até o impossível."
Ainda não
acabou. Na página seguinte, a Folha informa: "Um quarto dos
paulistanos prefere obras a honestidade".
A fonte
do título são duas pesquisas do DataFolha, uma de março de 2000,
outra de junho último. Abaixo, um gráfico mostram que o fator
"proposta de governo", que há quatro anos importava pouco
mais apenas do que o fator "pessoa do candidato" (44% a 40%),
hoje pesa 23 pontos mais (54% a 33%). A mudança foi destacada no subtítulo.
O segundo
gráfico, de onde o título foi puxado, mostra que 74% em 2000 e 71%
agora preferem um prefeito que seja "totalmente honesto, ainda que
faça menos". E que 22% em 2000 e 25% agora preferem um prefeito
"que faça muita coisa, mesmo que roube um pouco".
Ponto número
1. Qualquer primeiranista de estatística sabe que tais variações são
"ruídos", ou, como o público aprendeu, estão "dentro
da margem de erro". Rienachangé, como diria Luis Fernando
Verissimo.
Ponto número
2. Qualquer primeiranista de jornalismo sabe (façam figa) que 71 é
menos do que 74 mas é muito mais do que 25. Logo, se disso deveria sair
o título, o certo seria "Sete em 10 paulistanos preferem
honestidade a obra".
E o certo
certíssimo seria "Propostas valem mais que pessoas dos
candidatos", porque aí sim há uma mudança acentuada na
mentalidade do eleitorado diante de um tema importante - sobre o qual
o texto nada teve a declarar, limitando-se a reproduzir os números, além
de usar duas vezes o pedregoso verbo "priorizar" (que devia
fazer companhia aos funestos "disponibilizar" e "direcionar"
no fundo do mar mais profundo).
É como
na história do gato da madame de Millôr. A madame passou a vida
tentando ensinar o gato a falar. Um dia o gato gritou, de repente:
"Madame, foge que o prédio está pegando fogo!" A madame
deslumbrada, ficou repetindo: "O meu gatinho fala, o meu gatinho
fala!" O gato pulou da janela. Na rua, vendo o prédio todo em
chamas, filosofou: "Pois é, fez de tudo para eu falar. Quando
falei, não prestou a menor atenção."
A Folha
vive atrás de resultados interessantes de pesquisas. No dia que lhe
entregam um, não presta a menor atenção. [Texto fechado às 16h40 de
3/7]
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
Rio de
Janeiro:
Luis
Carlos Saroldi - Radialista e Escritor
"Esta etapa da obra de revitalização da Rádio Nacional, para mim,
é a mais importante. O aparato técnico de qualidade é muito
importante, porque sem ele a Rádio não pode ser ouvida. Uma boa
administração também é fundamental. Depois da recuperação
realizada o desafio é a programação. As rádios atualmente têm
deixado este aspecto muito em segundo plano. Eles consideram as rádios
apenas um meio de comunicação e não um meio de expressão."
São
Paulo:
Reynaldo
C. Tavares - Jornalista e Pesquisador
"Eu acrescentaria o seguinte: o programa foi tão rico em matérias
e informações que qualquer outro tipo de mensagem que se pudesse
pretender inserir seria utópico, uma vez que em 60 minutos foi mostrado
ao telespectador tudo o que vem por aí. Eu espero que tudo volte a
acontecer como antigamente."
PERGUNTAS
E-mails recebidos na
semana de 06/07 a 13/07:
Francisco Heira - Est. Jornalismo
Eugênio Bucci, como o peixe morre pela boca, e já que o peixe está de
boca aberta, responda: Há algum projeto/estudo/diretriz para guiar os
trabalhos da Rádio Nacional caso a "oposição" venha a
substituir o presidente Lula? Esperamos que tal tragédia não ocorra, mas
"só os pessimistas sobrevivem"!
Amaury Cesar Moraes
Sr. Eugênio, como acreditar que a Rádio Nacional não será "oficialista"
se a TV NBR tem substituído programas como Observatório da Imprensa e
Arte com Sérgio Brito por longos discursos, à la Fidel, do Presidente
Lula ou outros funcionários do Governo Federal?
Marcio Santos Santana, Aracaju / SE
Dines, gostaria de saber por que as melhores e maiores emissoras de rádio
não estão presentes nos satélites, e para ouvi-las temos que pagar uma
tv por assinatura?
Baruck, Niterói / RJ
Boa noite a todos. Sobre o programa Repórter Esso, gostaria que se
falasse a respeito da influência dos patrocinadores, que davam o nome ao
programa, bem como a participação da agência de notícias americana (da
qual não me lembro o nome) na pauta de notícias, fazendo uma ligação
entre a comunicação de massa no Brasil e interesses externos -
políticos e culturais.
Antonio Franco, São Paulo
Passei minha infância e adolescência ouvindo a Rádio Nacional em minha
cidade natal, no interior de Minas Gerais. Lembro-me que durante a segunda
guerra mundial, no horário do Repórter Esso, um senhor que morava na
praça principal da cidade e possuía um potente rádio receptor
Telefunken, colocava esse aparelho na janela de sua casa e a maior parte
dos moradores se postava diante da casa para ouvir as notícias da guerra.
Hoje possuo um cd, que gravei a partir de um velho LP, com trechos de
alguns programas da querida Rádio Nacional. Agora, que o tema está
voltando, gostaria que sugerissem ao Presidente da Radiobrás, que
editasse e colocasse à venda em bancas de jornais CD's ou DVD's das
gravações existentes nos arquivos da RN, pois esses documentos, tão
importantes de nossa história, precisam ser disponibilizados para que as
novas gerações possam ter uma noção exata de como vivíamos antes da
TV, numa época tão vibrante e de tantas saudades.
Shirley Maria de Oliveira
Tive conhecimento da reinauguração da Rádio Nacional pelo JB, porém,
vendo o programa da última terça-feira, serei ouvinte e divulgarei para
os amigos o renascimento da "nova" emissora. Parabéns pela
escolha do tema e, também, dos convidados que transmitiram valiosos
conhecimentos e a importância das rádios neste imenso e diferente
(regionalmente) Brasil.
PS: Sr. Alberto Dines, como assinante do JB protestei contra a sua
ausência nas manhãs de sábado no jornal. O jornal está diferente e
ficando pobre de conteúdo. Acredito que o presidente do JB não leu o seu
artigo "Benfica e Haiti" ao tomar ou respaldar a decisão de
demiti-lo. Será que o Sr. Nelson Tanure não se sente alvo , como todos
nós, que vivemos no Rio de Janeiro? Ou, então, quando ocorrerá a mesma
situação com o Leandro Konder ou Villas-Bôas Corrêa?
Telefonemas recebidos em 06/07:
Nélio Petindá, Maricá / RJ
Fui criado ouvindo a Rádio Nacional. Gostaria de saber se existe um
acervo da rádio. Se houver, há planos de remasterizar esse material e
transformá-lo em especiais dentro da própria programação da rádio?
Acho que o programa de hoje deveria ter enfocado também o que aconteceu
com as grandes cantoras do rádio. Nós que vivemos aquela época queremos
matar nossa nostalgia e saber mais sobre o paradeiro de antigos artistas e
lembrar dos antigos programas. Vale um segundo programa só sobre isso. Além
disso gostaria de perguntar se a rádio vai entrar também em FM. E por
que não transformar a rádio em uma TV.
João Batista, Porto Alegre / RS
A sociedade está muito descrente em relação à mídia. Poderia o rádio
trazer novas informações?
Carlos Prado, Santa Maria / RS
Existe alguma escola no Brasil especializada somente em radialismo?
João Ramalho, Rio de Janeiro
Gostaria de saber qual o papel desta nova Rádio Nacional. Ela é apenas
um porta voz do Governo Federal ou servirá como voz dos representados?
Antônio Alves, Sete Lagoas / MT
A Rádio Nacional serviu para nos deixar mais próximos do resto do
Brasil.
Evanildo Aguiar, São Paulo
Um programa de crítica de rádio na própria Rádio Nacional não seria
interessante? Afinal, a crítica traz qualidade.
Alexandre Santos, Natal / RN
É possível manter a magia do rádio diante das novas tecnologias como a
TV e a internet?
Catarina Araújo, Rio de Janeiro
Gostaria de saber se o Sr. Eugênio Bucci acredita na renovação do
quadro de pessoal da Radiobrás com a demissão de pessoas que deram o
sangue pela rádio durante anos e anos?
Márcio Carneiro, Laguna / SC
Aqui recebemos a transmissão da Rádio Nacional em ondas médias e é
muito boa a qualidade.
Marcelo Ferreira, Ubá / MG
O ouvinte pode esperar um aumento na qualidade da Rádio Nacional com esse
investimento do governo?
Hugo Gomes, Juiz de Fora / MG
Como podemos sabe a programação da rádio? Gostaria de saber se haverá
música clássica.
Beth Martins, São Paulo
A Rádio Nacional vai investir também em questões como a educação?
Antônio Coelho, Porto Nacional / TO
A influência da Rádio Nacional no norte e nordeste sempre foi muito
grande, elegendo até deputados. Isso voltando a acontecer, não é
perigoso?
Cláudio dos Santos, Belford Roxo / RJ
Parabéns pelo programa! Gostaria de saber se pretendem transmitir o sinal
da rádio em estéreo.
Humberto Ferreira, Rio de Janeiro
Com os investimentos feitos na Rádio Nacional, o rádio com alma vai
voltar ao nosso país, ou continuará este rádio frio que mescla técnica
com promoções?
Bruno Góes, Recife / PE
O governo de Lula vai poder se beneficiar da reabertura da Rádio
Nacional?
José Ferreira, Vale do Paraíba / SP
As rádios do interior estão todas veiculando a programação da capital,
São Paulo. Por que isso acontece se há tantos radialistas desempregados
no interior do Brasil?