RESUMO DO PROGRAMA
BRIZOLA
E A MÍDIA
Em
virtude da morte de Leonel Brizola, o Observatório da Imprensa do dia
29 de junho teve como tema a conturbada relação de Brizola com a
mídia. Em seu editorial, Alberto Dines lembrou que Brizola soube como
poucos tirar proveito dos meios de comunicação e que, também, foi o
único a ter coragem de enfrentá-los.
Participaram
ao vivo do programa o jornalista Wilson Figueiredo e o cientista
político Fernando Weltman direto do Rio de Janeiro. No estúdio em São
Paulo participou o historiador Marco Antonio Villa. Em Brasília, o
deputado Miro Teixeira e em Porto Alegre, o jornalista Ibsen Pinheiro.
O
primeiro assunto a ser discutido foi o caso Proconsult. Miro Teixeira
disse que acha muito improvável que qualquer empresa de comunicação
estivesse articulada com esse esquema. Wilson Figueiredo concordou com o
deputado do PPS e acrescentou que este foi um dos episódios mais
importantes para a democracia brasileira.
Ibsen
Pinheiro lembrou do jovem Brizola, ainda prefeito de Porto Alegre, que
semanalmente invadia os lares mais humildes através do rádio para
debater assuntos políticos: "Ali ele pavimentou o caminho para o
governo do Estado." O jornalista lembrou ainda que Brizola chegou a
criar um jornal, em Porto Alegre, o Clarim, mas não resistiu aos custos
e mais tarde passou a publicar seus tijolaços: "Não podendo ter o
jornal dele, entrava no dos outros." E fez uma ressalva: "Brizola
teve muitas brigas com a imprensa, mas nunca com os jornalistas."
Outro
importante assunto discutido foi, em virtude da morte de Brizola, o
possível fim do trabalhismo nos moldes de Getúlio Vargas. Marco
Antonio Villa pensa que o trabalhismo é uma página virada na história
do Brasil: "já no final da vida o Brizola era um político
derrotado, ele não falava mais para ninguém." Fernando Weltman,
no entanto, disse que várias lideranças atuais do Rio de Janeiro
seriam herdeiras do pensamento de Brizola "mesmo que eles neguem
isso hoje" E completa: "com a morte de Brizola se encerra um
ciclo, um tipo de liderança carismática existente no Brasil."
Wilson
Figueiredo lembra que depois da morte os jornais todos passaram a
concordar quanto ao valor e à importância política de Brizola:
"começou a se formar uma unanimidade da qual ele nunca se
beneficiou durante a vida." Marco Antonio Villa completou:
"Acho que perceberam que o Brizola era um homem que tinha idéias."
Thaissa Lemos (estagiária)
EDITORIAL
Bem
vindos ao Observatório da Imprensa.
A morte
de Leonel Brizola teve grande destaque na semana passada. No farto
material publicado pela imprensa ficou faltando um dado relevante - sua
relação com a própria imprensa. Relação conflituada, trepidante.
Brizola
foi o político brasileiro que melhor soube tirar partido dos meios de
comunicação na segunda metade do século passado. Carlos Lacerda não
conta porque além de político era um grande jornalista e comunicador.
Sem que
isso signifique um endosso às suas posições nos enfrentamentos com a
mídia, é imperioso reconhecer que Brizola foi o único político
brasileiro com coragem para encarar e confrontar o poder da grande
imprensa.
O caso
Proconsult é emblemático, independente das avaliações que se façam
sobre o assunto.
Apesar
das suas contradições e ziguezagues, Brizola foi rigorosamente
coerente quando assumiu que a última palavra não deveria ser
obrigatoriamente a dos donos da palavra, a imprensa. Fez-se ouvir. Como
e quando queria.
ARTIGO
Por Alberto Dines
LEONEL
BRIZOLA (1922-2004)
O combate que valeu a pena
Alberto Dines
Se
depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia/ Não há
nada mais simples/ Tem só duas datas - a da minha nascença e a
da minha morte/ Entre uma coisa e outra coisa todos os dias são
meus./ Sou fácil de definir... (Fernando Pessoa,
"Poemas Inconjuntos", em Ficções do Interlúdio)
Para que
servem biografias - apenas para revelar intimidades e fofocas? Elas
seriam o "recheio" de vivências mencionado por Pessoa entre
as datas do início e fim de uma vida?
Biografia,
além de gênero literário, é gênero jornalístico - reportagem
vital, humana. Biografias podem ser publicadas em livro, jornal, revista
e mostradas em rádio, cinema, televisão. Fazem parte do obituário mas
nada têm a ver com elogios fúnebres. Não precisam ser portadoras de
tristezas, podem ser mensageiras de grandes proezas. De qualquer forma,
em qualquer tamanho ou formato, a biografia não pode escapar da sua
obrigação liminar: mostrar uma pessoa através dos feitos e defeitos.
Para
evitar perfis biográficos ou obituários escritos às pressas, todas as
redações costumam manter em seus arquivos material biográfico sobre
as principais figuras do noticiário (ou as mais idosas). Veículos mais
preocupados com a qualidade dos seus textos encomendam obituários por
antecipação, periodicamente revistos e atualizados. Nenhuma superstição:
o de Winston Churchill ficou mais de duas décadas nas gavetas dos
principais jornais ingleses.
Leonel
Brizola gozava de excelente saúde, sempre ativo, explosivo, alerta.
Ninguém poderia prever que estivesse com as artérias entupidas e que
aquela infecção intestinal, aparentemente insignificante, poderia
desdobrar-se perigosamente.
Não se
pode prever coisa alguma - este é o princípio que rege a organização
de uma redação. Mas é possível criar sistemas e normas capazes de
enfrentar surpresas e conviver com o inesperado. Graças ao Dicionário
Histórico-Biográfico Brasileiro - organizado pelo CPDOC da Fundação
Getúlio Vargas (5 volumes, também em versão eletrônica) - e um mínimo
de discernimento, pode o jornalista brasileiro montar perfis biográficos
de todos os grandes políticos vivos ou matérias de suporte sobre
eventos dos últimos 50 anos. Mas é preciso consultá-lo.
Na noite
de segunda-feira (21/6), quando chegou às redações a notícia da
morte súbita de Brizola, aparentemente poucos se lembraram dele. Os
diferentes materiais publicados pelos três jornalões nacionais no dia
seguinte (22/6) é francamente insatisfatório em matéria de conteúdo,
embora com generosos espaços. Fica evidente que faltou costura aos
recortes digeridos apressadamente e paciência para ler o verbete
inteiro do DHBB.
A edição
seguinte (quarta, 23/6) foi um show-room de sacadas e achismos, tanto da
parte de alguns colunistas como dos articulistas convocados para
analisar a trajetória do falecido. O dado mais relevante (lembrado por
diversos autores) foi o absoluto desprezo de Brizola pelos marqueteiros,
mero recurso para fazer um contraste ao presidente Lula.
Última
palavra
Além do
rumoroso episódio da Proconsult, que envolveu o Grupo Globo, e das menções
obrigatórias sobre a Cadeia da Legalidade, nada ou quase nada foi
lembrado sobre o desempenho e experiências midiáticas de Brizola, o
político que melhor soube tirar partido dos meios de comunicação na
segunda metade do século passado (Carlos Lacerda não conta: além de
político, era um grande jornalista).
Quando
ainda prefeito de Porto Alegre (1955-1959), Brizola iniciou as conversas
radiofônicas de madrugada, decisivas para a sua eleição para o
governo do estado. São a origem da própria Cadeia da Legalidade,
talvez a última grande experiência de mobilização nacional através
do rádio neste país.
Inovou
também na campanha para o governo investindo pesadamente numa série de
anúncios nos jornais do Rio Grande do Sul para mostrar os feitos que a
imprensa conservadora local não gostava de exibir. Talvez inspirado
nesta experiência, ao perceber nos anos 1980 que perdia terreno na
grande mídia - em parte pelo próprio desgaste -, resolveu comprar
espaço em páginas nobres de alguns jornais para reproduzir as suas
opiniões e posições. No princípio enormes (daí a alcunha de "tijolões"),
posteriormente encolhidos, mostram um político tenaz e enérgico,
disposto a resistir ao castigo de ostracismo que a mídia tentava
impor-lhe.
Sem que
isto signifique um endosso genérico às suas posições nos
enfrentamentos com a mídia - muitos de baixo nível, como as
diatribes xenófobas contra a Editora Abril - é imperioso reconhecer
que Brizola foi o único político brasileiro com coragem para encarar e
confrontar o poder da grande imprensa.
No caso
da Proconsult, sem que isto implique num veredicto a seu favor ou
contra, importante registrar que Brizola foi também o único político
brasileiro que confrontou o mais poderoso grupo de comunicação do
Brasil, a Rede Globo. O senador capixaba João Calmon, na sua campanha
contra a parceria Globo/Time-Life, não estava ali como político: era o
ex-empresário, herdeiro das ruínas do império de Assis Chateaubriand.
Leonel
Brizola é um enorme conjunto de contradições. Coerentemente
desenvolvida ao longo de meio século de ação política foi a sua
postura de recusar que a última palavra fosse obrigatoriamente a dos
donos das palavras - jornais ou jornalistas. Fez-se ouvir. Quando e
como queria.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
LEONEL
BRIZOLA (1922-2004)
Rede Globo e a incoerência autolimpante
James Görgen (*)
Costuma-se
dizer que a história é escrita pelos vencedores. A trajetória política
do engenheiro Leonel de Moura Brizola, morto em 21 de junho, o
credenciou, com papel e caneta, a eternizar páginas relevantes da vida
do Brasil nos anos 1950 e 60. Mas a continuidade desta possibilidade foi
negada por ele mesmo e pela mídia desde seu retorno ao País, no início
da "abertura".
Ao contrário
do que quis nos fazer crer a cobertura nauseante da imprensa na última
semana, Brizola estava divorciado da realidade política nacional desde
seu exílio. Historiograficamente, sua morte não significou o fim de
uma era, mas o fim do principal remanescente de um passado que o Brasil
não deve esquecer. Mas também não deveria se motivar a repetir. Se
podemos falar em qualidades de Brizola, elas não repousavam em sua
"coerência", atributo que antes do dia 21 era qualificado por
seus aliados e adversários como "teimosia" ou
"anacronismo".
Do ponto
de vista da política e do poder simbólico da mídia, o fundador do PDT
foi um caso exemplar por nunca ter aceito o novo exílio imposto a ele
por alguns meios de comunicação desde a década de 1980. Sua
queda-de-braço com os donos da mídia o obrigava a pagar, primeiro do
próprio bolso e depois dos cofres do PDT, seus famosos "tijolaços"
(anúncios pagos sob forma de "a pedido") para que sua
peculiar visão de mundo chegasse ao cidadão comum.
Essa
reflexão, porém, não tem a pretensão de revisar a história do
caudilho gaúcho nem de nossa eterna vocação política ao
sebastianismo e ao nacional-populismo. A intenção é perguntar uma
coisa:
Por que
as Organizações Globo dedicaram páginas e páginas de seus jornais e
revistas, além de generosos minutos no rádio e na TV, para louvar o
político morto que fez questão de boicotar em vida?
Na lista negra
No dia 22
de junho, o Jornal Nacional destinou quase meia hora de seu prestigiado
tempo para tratar da morte de Brizola. Foram dois blocos de depoimentos
de políticos, cobertura do velório no Palácio da Guanabara, relato
biográfico e enquetes. É preciso destacar que talvez somente a morte
de Roberto Marinho tenham recebido mais atenção do principal
telejornal da emissora. Nas duas ocasiões, mais do que as notícias
estavam em jogo.
Para o
telespectador desavisado, o saldo de toda aquela cobertura emocional,
característica destes momentos no Brasil, poderia ser assim
interpretado: "Morreu um grande político brasileiro, que manteve a
coerência e a franqueza até o fim". Esta visão foi verbalizada
na própria edição da reportagem, onde tanto uma contemporânea de
Brizola quanto uma adolescente diziam: "Morreu a política
brasileira". De forma isolada, este fato poderia apenas seguir a lógica
natural do restante da mídia, que optou por explorar os índices de
audiência e de vendagem. Por contraste, serviu para minar o atual
governo ao destacar a "coerência" de Brizola em contradição
à presença inesperada de um Lula "traidor".
No dia
seguinte, porém, o jornal O Globo estampou duas matérias que podem ser
consideradas por alguns um grande esforço de autocrítica e de registro
histórico do papel do grupo na trajetória de Brizola. Mas também
podem ser vistas como uma tentativa de apontar as "incoerências"
do caudilho no trato com Roberto Marinho e com suas empresas.
Sempre de
um só ponto de vista, uma das matérias registra que o pedetista
procurou Marinho para "esquecer o passado" assim que voltou do
exílio. Depois disso, teria radicalizado cada vez mais após o episódio
do Proconsult, "uma suposta tentativa de fraude nas eleições para
o governo do Rio", nas palavras do jornal. Mais de dez anos depois,
frisa o jornal, Brizola teria reconhecido evolução na cobertura
editorial do Globo.
A segunda
matéria vai na mesma linha ao detalhar a visita do político à redação
do jornal para uma longa entrevista, já em 2002, quando fica claro que
coerência e equilíbrio sempre estiveram presentes ao lado de Marinho.
Nenhum dos dois textos destaca que Brizola ficou mais de dez anos na
"lista negra" do jornalismo das Organizações Globo. Seria
pedir demais?
Lições do
Vaticano
Por falar
em coerência, é importante atentar para este processo autolimpante de
revisão histórica que a mídia brasileira se propôs a fazer a partir
dos encartes e programas especiais sobre os 40 anos do golpe militar de
1964. No caso da Rede Globo, a viagem ao passado iniciou muito antes da
morte de Roberto Marinho. Seus "historiadores" já passaram
pela negação sobre a adesão tardia à cobertura da campanha pelas
Diretas-Já, em 1984, e pela intervenção partidária no debate
eleitoral de 1989. Agora, esmeram-se em propagar a versão de que a
vontade de seu "líder" não contribuiu para postergar a
declaração de vitória de Brizola nas eleições de 1982 até o limite
do aceitável. Paulo Henrique Amorim e Eliakim Araújo deram testemunhos
claros deste comportamento em textos mais informativos do que este [veja
as matérias na rubrica Entre Aspas desta edição].
Na ânsia
de executar um exercício autolimpante e civilizador em sua linha
editorial, processo recomendável a toda empresa jornalística que não
queira se condenar ao suicídio, a Rede Globo só não pode reescrever a
história ou apagar alguns de seus traços indeléveis sempre que
abordar episódios em que esteve diretamente envolvida - mais como
agente do que como testemunha.
O que
ocorreu na edição do Jornal Nacional de terça-feira (22/6), e no
jornal O Globo do dia seguinte, foi mais uma dessas tentativas.
Espera-se que seus profissionais saibam evitar novas sessões de
assepsia que condenem nossa história a permanecer com lapsos de
percurso. Até o Vaticano aprendeu que por mais condenável que seja um
comportamento, abafá-lo ou maquiá-lo só contribui para reforçá-lo.
(*)
Jornalista
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
Rio de
Janeiro:
Wilson
Figueiredo - Jornalista
"Excelente! Não podia ser melhor para a imagem do Brizola."
Fernando
Weltman - Cientista Político
"Lá no CPDOC sempre quisemos entrevistar o Brizola, fiquei muito
frustado por não ter tido oportunidade de documentar uma entrevista
histórica dele, as mudanças do Brasil estão sempre ligadas à trajetória
de Brizola."
São
Paulo:
Marco
Antonio Villa - Historiador
"Se tivéssemos mais tempo talvez teríamos aprofundado mais a
questão, além de tudo o que foi abordado. Acho que para o
telespectador foi apresentado um amplo painel de vários momentos de
Leonel Brizola e sua relação com a mídia. Essa foi uma relação de
tensão, tendo em vista que os "barões da imprensa" não
tiveram nenhum tipo de relação cordial com o Brizola,
independentemente se ele estava no governo ou oposição. Isso mostra
que, uma vez no governo, suas idéias não mudaram."
PERGUNTAS
E-mails recebidos na
semana de 29/06 a 06/07:
Fernando Viana Felix, São Paulo
Vocês apresentaram o Senhor Ibsen Pinheiro como grande atuante na CPI que
desencadeou o Impeachment do Collor. Porém não mencionaram que o
ex-deputado foi cassado também. Vale lembrar que Collor, como Ibsen,
foram inocentados na Justiça.
Antônio M. M. da Rocha, Rio de Janeiro
Tenho 41 anos e aquela foi a primeira vez em que votei. Não votei no
Brizola, mas no Miro, que aí está, como continuo votando até hoje,
particularmente por um aspecto muito peculiar de sua personalidade:
passadas as eleições, Miro, ao lado de uma jornalista, linda, se não me
engano, Luciana Villas-Boas, apresentava um programa de entrevistas na
Bandeirantes e não demonstrava nenhuma espécie de rancor,
caracterizando-se mesmo pela bonomia. Aproveito, portanto, a oportunidade
e pergunto ao Miro o que há de verdade numa chamada "Operação
Condor", armada pela ditadura para, uma vez limpa a área, a abertura
pudesse ser feita sem a presença de líderes que pudessem questionar o
regime militar. Juscelino, Lacerda, Jango, mortes muito suspeitas. Restava
o Brizola, que ameaçava voltar, numa vitrine como é e será sempre o Rio
de Janeiro, a despeito de toda insistência para nos desqualificarmos. O
que há de fato nisto tudo e a atuação da Proconsult como um elemento
tático?
Marcelo Machado, Belo Horizonte / MG - Correspondente do LANCE!
Em 94, portanto há dez anos, Brizola disse que Lula era um fantoche
comandado por uma cúpula petista tecnocrata e neo-liberal. Brizola era um
visionário, já que pressentia a guinada do PT para uma política
econômica ortodoxa, ou já estava "ultrapassado" segundo os
conceitos dos petistas?
Jacir Guimarães, Rio de Janeiro - Jornalista
Pena o programa Observatório da Imprensa de hoje não ter entrevistado os
profissionais que o governador Brizola contratou para transformar o
Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro num jornal de cunho popular na
época em que governou o Estado. Seria muito interessante sabermos quais
foram as diretrizes do Brizola e quais as transformações efetuadas,
pois, além de conhecermos a experiência, saberíamos um pouco mais sobre
a mídia ideal para o governador Brizola.
Roberto Neves
Lamentável o programa de hoje sobre a relação de Brizola com a mídia.
Em primeiro lugar pela tentativa absurda do jornalista Dines de envolver
as Organizações Globo com o chamado escândalo Proconsult. Não creio
que o jornalista inteligente e bem informado possa desconhecer os fatos
que ocorreram àquela época. Creio que os esclarecimentos parciais de
Miro Teixeira tenham pelo menos desviado a tentativa do Jornalista Dines
que me parece queria conduzir o programa para tentar manchar com meias
palavras a Rede Globo. Outro aspecto negativo a meu juízo foi o convite
ao Ibsen Pinheiro, ex presidente da câmara de deputados que de lá saiu,
por ter sido cassado pelos seus colegas parlamentares, envolvido que foi
como participante do grupo conhecido como anões do orçamento. Ele
recebia cheques e depósitos de um dos componentes da quadrilha que
manipulava o orçamento da União. Todos foram cassados e perderam os
direitos políticos. Sem querer lincha-lo, não guardo nenhum ódio ao meu
conterrâneo, mas não entendo como pode dar qualquer depoimento em uma
rede pública de TV, que envolva avaliação de político ou da relação
de algum político nacional com a mídia. No Sul dezenas de outros
jornalistas seriam capazes de dar um testemunho melhor com mais
idoneidade. Amanhã o programa vai discutir algum tema vinculado à
justiça e poderá chamar quando liberto o Juiz Nestor Nascimento, aquele
do escândalo do INSS? Seria isso possível. Que relações guardam o
jornalista Dines com o Ibsen? Estranho isso. E acho que esse convite
macula um programa que se propõe a ser um Observatório da Imprensa, ou
seja olha-la de fora, ver o que notícia publicada também revela ou
esconde. E qual a relação do Observatório com o Ibsen? Estranho. O
depoimento de Miro sobre Brizola e em especial sobre o escândalo
Proconsult, isenta a Globo como não poderia deixar de ser, que não tinha
nenhuma ligação com a pequena empresa. Mas não esclarece bem todos os
fatos. A despeito de poder ter havido alguma influência ou tentativa do
SNI, em fraudar as eleições, o que não foi apurado, o fato concreto é
que o sistema que a Proconsult montou não totalizava corretamente os
votos, era um sistema falho, os programas tinham erro. O Miro não lembrou
mas quem fez verificações nos programas não foram técnicos do serviço
de informações mas do SERPRO, Serviço Federal de Processamento de
Dados, chamados que fomos para socorrer o TRE. Este sim o grande
responsável pelos erros. Nem Rede Globo nem ninguém mais, o responsável
pela contratação da Proconsult foi o TRE. O SERPRO totalizou os
resultados das eleições em Minas, em São Paulo e em Santa Catarina e
propôs totalizar as eleições do Rio. O Presidente do TRE e sua equipe
resolveu contratar uma empresa que não estava preparada para o que se
pretendia fazer. O TRE não fez as simulações devidas, os testes e
homologações necessárias e executou um sistema às pressas. Por que
não contratou o SERPRO, por que contratou a Proconsult? Estas são as
perguntas que deveriam ser feitas. O fio da meada se é que existe é por
aí. E naquele ano e nos demais os técnicos do SERPRO não receberam
nenhuma pressão qualquer que seja do famigerado SNI. Nos anos seguintes o
TRE - Rio de Janeiro contratou o SERPRO para a totalização das
eleições. O Recadastramento eleitoral, a urna eletrônica e outros
aperfeiçoamentos foram propostas e idéias de técnicos do SERPRO à
Justiça Eleitoral. Lamentável não só a escolha do tema, como dos
convidados e o pior de tudo sua condução.
José Monte Aragão, Brasília / DF - Servidor Público
Vi atentamente os depoimentos dos jornalistas do OI no dia de ontem (29).
Ali, o nobre Alberto Dines citou a biografia dos participantes.
Indignou-me, no entanto, o fato de o jornalista não ter se dirigido ao
Sr. Ibsen Pinheiro, destacando-o como ex-Anão do Orçamento e Senador
Cassado. Fiquei chateado pois se sua profissão mudou, como sempre são
chamados ex-políticos, deveria ter sido o mesmo chamado de Senador
Cassado Ibsen Pinheiro. Vou repensar meu sentimento em relação ao OI.
Telefonemas recebidos em 29/06:
André Luiz, Rio de Janeiro
O que vocês achavam da administração de Brizola nos CIEPs?
Welter Paiva, Recife / PE
A mídia sabe lidar com os políticos?
Rogério Goiapá, Filgueiras / MG
Estou indignado com a participação do ex-deputado corrupto Ibesen
Pinheiro.
Sandelei Vieira, Vitória / ES
O fato de estarmos em ano eleitoral daria mais importância à morte de
Brizola?
Jorge Quaresma, Ribeirão das Neves / MG
Eu acho que deveria haver outra forma de votação. Eu moro na periferia e
não tenho acesso à internet.
Evanildo Aguiar, São Paulo
Realmente existe democracia e liberdade de imprensa, ou a mídia realmente
ataca políticos populares como o Brizola?
Felipe Guedes, Rio de Janeiro
Vocês acreditam que a Globo ainda tem força para eleger algum candidato?
Cláudio Sterque, Campinas / SP
Eu acho que os políticos não sabem lidar com a imprensa. Um exemplo
disso é a Marta Suplicy que só enfrenta a mídia. O Jango é o exemplo
de político que sabe se relacionar com a mídia.
Igor Alexandres, São Paulo
Qual o interesse da mídia ou da Rede Globo em não eleger Leonel
Brizola?
Róbson Bastos, Belo Horizonte / MG
A revista Veja trata Brizola como caudilho. Quem faz uma leitura imparcial
da vida do Brizola sabe muito bem que isso é uma injustiça. Os homens de
bem desse país não vão se levantar para contar a verdade contra essa
atitude da Veja que representa a elite do país?
Dep.Federal Ênio Bafi, Brasília / DF
O político só pode enfrentar a imprensa por uma boa causa ou como dizia
Brizola, a cavalo da verdade.
Reginaldo Leonel, Rio de Janeiro
A esperança verdadeira não seria o Brizola e sim quem está na presidência?
Renato Ferreira, Belo Horizonte / MG
O Brizola afirmava que a Globo pertencia à Time Life, um grupo
norte-americano. Isso é verdade?
Bruno Duarte, Bauru / SP
Se o Bizola tivesse no lugar do Jango em 64 a história não teria sido
diferente?
João Carlos Mansilha, São José dos Campos / SP
As escolas feitas pelo governador Brizola foram boas para as comunidades
carentes?
Vítor Nascimento, Rio de Janeiro
No período em que Brizola governou o Rio, a mídia atacou muito o seu
governo. Como vocês avaliam esta postura?
Jorge Quaresma, Ribeirão das Neves / MG
Qual a diferença entre o Brizola do PDT e Heloísa Helena com o novo
partido PSOL?
Adaílton Coman, Cascavel / PR
O parlamentarismo não poderia ser a solução para essa tensão entre mídia
e política?
Marco Lima, Manaus / AM
O político tradicional tem que se relacionar bem com a mídia porque esta
é a ligação entre ele e o eleitor.
Waldir Silveira, Osório / RS
Será que o Brasil não perdeu a grande oportunidade de ter Brizola como
presidente?
Flávio José Barbosa, São Gonçalo / RJ
Por que não se puniram os responsáveis pelo Proconsult, assim como
aconteceu no Riocentro e não se investigou melhor o boato de fraude na 2ª
eleição de FHC?