PROGRAMA DO DIA 29 de junho de 2004

BRIZOLA E A MÍDIA

Neste programa analisamos a vida do ex-governador Leonel Brizola. Não discutimos o lado político do engenheiro gaúcho, mas o homem que enfrentou a mídia.

No Rio Grande do Sul, comandou a rede da legalidade pelas rádios e na campanha ao governo do estado do Rio em 82 denunciou a fraude eleitoral comandada pela empresa Proconsult.

Acusou as Organizações Globo de colaborar com o fato, já que os números divulgados pela Globo não favoreciam Leonel Brizola. Outra empresa de mídia descobriu a fraude: a rádio Jornal do Brasil. A empresa criou um sistema paralelo de contagem de votos para agilizar as notícias. Nesta briga com a mídia, ele chegou a conseguir até o direito de resposta no Jornal Nacional.

Ficou conhecido como o político que desafiou o poder de Roberto Marinho. Leonel Brizola usou o espaço dos principais jornais com os "tijolaços" que publicava até há poucos dias.

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

LEONEL BRIZOLA (1922-2004)
O combate que valeu a pena

Alberto Dines

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia/ Não há nada mais simples/ Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte/ Entre uma coisa e outra coisa todos os dias são meus./ Sou fácil de definir... (Fernando Pessoa, "Poemas Inconjuntos", em Ficções do Interlúdio)

Para que servem biografias - apenas para revelar intimidades e fofocas? Elas seriam o "recheio" de vivências mencionado por Pessoa entre as datas do início e fim de uma vida?

Leia na íntegra

Você acha que os políticos sabem enfrentar a mídia?

Resultado:

Sim: 26%

Não: 74%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Editorial:

Bem vindos ao "Observatório da Imprensa".

A morte de Leonel Brizola teve grande destaque na semana passada. No farto material publicado pela imprensa ficou faltando um dado relevante - sua relação com a própria imprensa. Relação conflituada, trepidante.


Leia na íntegra

LEONEL BRIZOLA (1922-2004)
Rede Globo e a incoerência autolimpante

James Görgen (*)

Costuma-se dizer que a história é escrita pelos vencedores. A trajetória política do engenheiro Leonel de Moura Brizola, morto em 21 de junho, o credenciou, com papel e caneta, a eternizar páginas relevantes da vida do Brasil nos anos 1950 e 60. Mas a continuidade desta possibilidade foi negada por ele mesmo e pela mídia desde seu retorno ao País, no início da "abertura".

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

BRIZOLA E A MÍDIA

Em virtude da morte de Leonel Brizola, o Observatório da Imprensa do dia 29 de junho teve como tema a conturbada relação de Brizola com a mídia. Em seu editorial, Alberto Dines lembrou que Brizola soube como poucos tirar proveito dos meios de comunicação e que, também, foi o único a ter coragem de enfrentá-los.

Participaram ao vivo do programa o jornalista Wilson Figueiredo e o cientista político Fernando Weltman direto do Rio de Janeiro. No estúdio em São Paulo participou o historiador Marco Antonio Villa. Em Brasília, o deputado Miro Teixeira e em Porto Alegre, o jornalista Ibsen Pinheiro.

O primeiro assunto a ser discutido foi o caso Proconsult. Miro Teixeira disse que acha muito improvável que qualquer empresa de comunicação estivesse articulada com esse esquema. Wilson Figueiredo concordou com o deputado do PPS e acrescentou que este foi um dos episódios mais importantes para a democracia brasileira.

Ibsen Pinheiro lembrou do jovem Brizola, ainda prefeito de Porto Alegre, que semanalmente invadia os lares mais humildes através do rádio para debater assuntos políticos: "Ali ele pavimentou o caminho para o governo do Estado." O jornalista lembrou ainda que Brizola chegou a criar um jornal, em Porto Alegre, o Clarim, mas não resistiu aos custos e mais tarde passou a publicar seus tijolaços: "Não podendo ter o jornal dele, entrava no dos outros." E fez uma ressalva: "Brizola teve muitas brigas com a imprensa, mas nunca com os jornalistas."

Outro importante assunto discutido foi, em virtude da morte de Brizola, o possível fim do trabalhismo nos moldes de Getúlio Vargas. Marco Antonio Villa pensa que o trabalhismo é uma página virada na história do Brasil: "já no final da vida o Brizola era um político derrotado, ele não falava mais para ninguém." Fernando Weltman, no entanto, disse que várias lideranças atuais do Rio de Janeiro seriam herdeiras do pensamento de Brizola "mesmo que eles neguem isso hoje" E completa: "com a morte de Brizola se encerra um ciclo, um tipo de liderança carismática existente no Brasil."

Wilson Figueiredo lembra que depois da morte os jornais todos passaram a concordar quanto ao valor e à importância política de Brizola: "começou a se formar uma unanimidade da qual ele nunca se beneficiou durante a vida." Marco Antonio Villa completou: "Acho que perceberam que o Brizola era um homem que tinha idéias."

Thaissa Lemos (estagiária)


EDITORIAL

Bem vindos ao Observatório da Imprensa.

A morte de Leonel Brizola teve grande destaque na semana passada. No farto material publicado pela imprensa ficou faltando um dado relevante - sua relação com a própria imprensa. Relação conflituada, trepidante.

Brizola foi o político brasileiro que melhor soube tirar partido dos meios de comunicação na segunda metade do século passado. Carlos Lacerda não conta porque além de político era um grande jornalista e comunicador.

Sem que isso signifique um endosso às suas posições nos enfrentamentos com a mídia, é imperioso reconhecer que Brizola foi o único político brasileiro com coragem para encarar e confrontar o poder da grande imprensa.

O caso Proconsult é emblemático, independente das avaliações que se façam sobre o assunto.

Apesar das suas contradições e ziguezagues, Brizola foi rigorosamente coerente quando assumiu que a última palavra não deveria ser obrigatoriamente a dos donos da palavra, a imprensa. Fez-se ouvir. Como e quando queria.


ARTIGO
Por Alberto Dines

LEONEL BRIZOLA (1922-2004)
O combate que valeu a pena

Alberto Dines

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia/ Não há nada mais simples/ Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte/ Entre uma coisa e outra coisa todos os dias são meus./ Sou fácil de definir... (Fernando Pessoa, "Poemas Inconjuntos", em Ficções do Interlúdio)

Para que servem biografias - apenas para revelar intimidades e fofocas? Elas seriam o "recheio" de vivências mencionado por Pessoa entre as datas do início e fim de uma vida?

Biografia, além de gênero literário, é gênero jornalístico - reportagem vital, humana. Biografias podem ser publicadas em livro, jornal, revista e mostradas em rádio, cinema, televisão. Fazem parte do obituário mas nada têm a ver com elogios fúnebres. Não precisam ser portadoras de tristezas, podem ser mensageiras de grandes proezas. De qualquer forma, em qualquer tamanho ou formato, a biografia não pode escapar da sua obrigação liminar: mostrar uma pessoa através dos feitos e defeitos.

Para evitar perfis biográficos ou obituários escritos às pressas, todas as redações costumam manter em seus arquivos material biográfico sobre as principais figuras do noticiário (ou as mais idosas). Veículos mais preocupados com a qualidade dos seus textos encomendam obituários por antecipação, periodicamente revistos e atualizados. Nenhuma superstição: o de Winston Churchill ficou mais de duas décadas nas gavetas dos principais jornais ingleses.

Leonel Brizola gozava de excelente saúde, sempre ativo, explosivo, alerta. Ninguém poderia prever que estivesse com as artérias entupidas e que aquela infecção intestinal, aparentemente insignificante, poderia desdobrar-se perigosamente.

Não se pode prever coisa alguma - este é o princípio que rege a organização de uma redação. Mas é possível criar sistemas e normas capazes de enfrentar surpresas e conviver com o inesperado. Graças ao Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro - organizado pelo CPDOC da Fundação Getúlio Vargas (5 volumes, também em versão eletrônica) - e um mínimo de discernimento, pode o jornalista brasileiro montar perfis biográficos de todos os grandes políticos vivos ou matérias de suporte sobre eventos dos últimos 50 anos. Mas é preciso consultá-lo.

Na noite de segunda-feira (21/6), quando chegou às redações a notícia da morte súbita de Brizola, aparentemente poucos se lembraram dele. Os diferentes materiais publicados pelos três jornalões nacionais no dia seguinte (22/6) é francamente insatisfatório em matéria de conteúdo, embora com generosos espaços. Fica evidente que faltou costura aos recortes digeridos apressadamente e paciência para ler o verbete inteiro do DHBB.

A edição seguinte (quarta, 23/6) foi um show-room de sacadas e achismos, tanto da parte de alguns colunistas como dos articulistas convocados para analisar a trajetória do falecido. O dado mais relevante (lembrado por diversos autores) foi o absoluto desprezo de Brizola pelos marqueteiros, mero recurso para fazer um contraste ao presidente Lula.

Última palavra

Além do rumoroso episódio da Proconsult, que envolveu o Grupo Globo, e das menções obrigatórias sobre a Cadeia da Legalidade, nada ou quase nada foi lembrado sobre o desempenho e experiências midiáticas de Brizola, o político que melhor soube tirar partido dos meios de comunicação na segunda metade do século passado (Carlos Lacerda não conta: além de político, era um grande jornalista).

Quando ainda prefeito de Porto Alegre (1955-1959), Brizola iniciou as conversas radiofônicas de madrugada, decisivas para a sua eleição para o governo do estado. São a origem da própria Cadeia da Legalidade, talvez a última grande experiência de mobilização nacional através do rádio neste país.

Inovou também na campanha para o governo investindo pesadamente numa série de anúncios nos jornais do Rio Grande do Sul para mostrar os feitos que a imprensa conservadora local não gostava de exibir. Talvez inspirado nesta experiência, ao perceber nos anos 1980 que perdia terreno na grande mídia - em parte pelo próprio desgaste -, resolveu comprar espaço em páginas nobres de alguns jornais para reproduzir as suas opiniões e posições. No princípio enormes (daí a alcunha de "tijolões"), posteriormente encolhidos, mostram um político tenaz e enérgico, disposto a resistir ao castigo de ostracismo que a mídia tentava impor-lhe.

Sem que isto signifique um endosso genérico às suas posições nos enfrentamentos com a mídia - muitos de baixo nível, como as diatribes xenófobas contra a Editora Abril - é imperioso reconhecer que Brizola foi o único político brasileiro com coragem para encarar e confrontar o poder da grande imprensa.

No caso da Proconsult, sem que isto implique num veredicto a seu favor ou contra, importante registrar que Brizola foi também o único político brasileiro que confrontou o mais poderoso grupo de comunicação do Brasil, a Rede Globo. O senador capixaba João Calmon, na sua campanha contra a parceria Globo/Time-Life, não estava ali como político: era o ex-empresário, herdeiro das ruínas do império de Assis Chateaubriand.

Leonel Brizola é um enorme conjunto de contradições. Coerentemente desenvolvida ao longo de meio século de ação política foi a sua postura de recusar que a última palavra fosse obrigatoriamente a dos donos das palavras - jornais ou jornalistas. Fez-se ouvir. Quando e como queria.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

LEONEL BRIZOLA (1922-2004)
Rede Globo e a incoerência autolimpante

James Görgen (*)

Costuma-se dizer que a história é escrita pelos vencedores. A trajetória política do engenheiro Leonel de Moura Brizola, morto em 21 de junho, o credenciou, com papel e caneta, a eternizar páginas relevantes da vida do Brasil nos anos 1950 e 60. Mas a continuidade desta possibilidade foi negada por ele mesmo e pela mídia desde seu retorno ao País, no início da "abertura".

Ao contrário do que quis nos fazer crer a cobertura nauseante da imprensa na última semana, Brizola estava divorciado da realidade política nacional desde seu exílio. Historiograficamente, sua morte não significou o fim de uma era, mas o fim do principal remanescente de um passado que o Brasil não deve esquecer. Mas também não deveria se motivar a repetir. Se podemos falar em qualidades de Brizola, elas não repousavam em sua "coerência", atributo que antes do dia 21 era qualificado por seus aliados e adversários como "teimosia" ou "anacronismo".

Do ponto de vista da política e do poder simbólico da mídia, o fundador do PDT foi um caso exemplar por nunca ter aceito o novo exílio imposto a ele por alguns meios de comunicação desde a década de 1980. Sua queda-de-braço com os donos da mídia o obrigava a pagar, primeiro do próprio bolso e depois dos cofres do PDT, seus famosos "tijolaços" (anúncios pagos sob forma de "a pedido") para que sua peculiar visão de mundo chegasse ao cidadão comum.

Essa reflexão, porém, não tem a pretensão de revisar a história do caudilho gaúcho nem de nossa eterna vocação política ao sebastianismo e ao nacional-populismo. A intenção é perguntar uma coisa:

Por que as Organizações Globo dedicaram páginas e páginas de seus jornais e revistas, além de generosos minutos no rádio e na TV, para louvar o político morto que fez questão de boicotar em vida?

Na lista negra

No dia 22 de junho, o Jornal Nacional destinou quase meia hora de seu prestigiado tempo para tratar da morte de Brizola. Foram dois blocos de depoimentos de políticos, cobertura do velório no Palácio da Guanabara, relato biográfico e enquetes. É preciso destacar que talvez somente a morte de Roberto Marinho tenham recebido mais atenção do principal telejornal da emissora. Nas duas ocasiões, mais do que as notícias estavam em jogo.

Para o telespectador desavisado, o saldo de toda aquela cobertura emocional, característica destes momentos no Brasil, poderia ser assim interpretado: "Morreu um grande político brasileiro, que manteve a coerência e a franqueza até o fim". Esta visão foi verbalizada na própria edição da reportagem, onde tanto uma contemporânea de Brizola quanto uma adolescente diziam: "Morreu a política brasileira". De forma isolada, este fato poderia apenas seguir a lógica natural do restante da mídia, que optou por explorar os índices de audiência e de vendagem. Por contraste, serviu para minar o atual governo ao destacar a "coerência" de Brizola em contradição à presença inesperada de um Lula "traidor".

No dia seguinte, porém, o jornal O Globo estampou duas matérias que podem ser consideradas por alguns um grande esforço de autocrítica e de registro histórico do papel do grupo na trajetória de Brizola. Mas também podem ser vistas como uma tentativa de apontar as "incoerências" do caudilho no trato com Roberto Marinho e com suas empresas.

Sempre de um só ponto de vista, uma das matérias registra que o pedetista procurou Marinho para "esquecer o passado" assim que voltou do exílio. Depois disso, teria radicalizado cada vez mais após o episódio do Proconsult, "uma suposta tentativa de fraude nas eleições para o governo do Rio", nas palavras do jornal. Mais de dez anos depois, frisa o jornal, Brizola teria reconhecido evolução na cobertura editorial do Globo.

A segunda matéria vai na mesma linha ao detalhar a visita do político à redação do jornal para uma longa entrevista, já em 2002, quando fica claro que coerência e equilíbrio sempre estiveram presentes ao lado de Marinho. Nenhum dos dois textos destaca que Brizola ficou mais de dez anos na "lista negra" do jornalismo das Organizações Globo. Seria pedir demais?

Lições do Vaticano

Por falar em coerência, é importante atentar para este processo autolimpante de revisão histórica que a mídia brasileira se propôs a fazer a partir dos encartes e programas especiais sobre os 40 anos do golpe militar de 1964. No caso da Rede Globo, a viagem ao passado iniciou muito antes da morte de Roberto Marinho. Seus "historiadores" já passaram pela negação sobre a adesão tardia à cobertura da campanha pelas Diretas-Já, em 1984, e pela intervenção partidária no debate eleitoral de 1989. Agora, esmeram-se em propagar a versão de que a vontade de seu "líder" não contribuiu para postergar a declaração de vitória de Brizola nas eleições de 1982 até o limite do aceitável. Paulo Henrique Amorim e Eliakim Araújo deram testemunhos claros deste comportamento em textos mais informativos do que este [veja as matérias na rubrica Entre Aspas desta edição].

Na ânsia de executar um exercício autolimpante e civilizador em sua linha editorial, processo recomendável a toda empresa jornalística que não queira se condenar ao suicídio, a Rede Globo só não pode reescrever a história ou apagar alguns de seus traços indeléveis sempre que abordar episódios em que esteve diretamente envolvida - mais como agente do que como testemunha.

O que ocorreu na edição do Jornal Nacional de terça-feira (22/6), e no jornal O Globo do dia seguinte, foi mais uma dessas tentativas. Espera-se que seus profissionais saibam evitar novas sessões de assepsia que condenem nossa história a permanecer com lapsos de percurso. Até o Vaticano aprendeu que por mais condenável que seja um comportamento, abafá-lo ou maquiá-lo só contribui para reforçá-lo.

(*) Jornalista


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

Rio de Janeiro:

Wilson Figueiredo - Jornalista
"Excelente! Não podia ser melhor para a imagem do Brizola."

Fernando Weltman - Cientista Político
"Lá no CPDOC sempre quisemos entrevistar o Brizola, fiquei muito frustado por não ter tido oportunidade de documentar uma entrevista histórica dele, as mudanças do Brasil estão sempre ligadas à trajetória de Brizola."

São Paulo:

Marco Antonio Villa - Historiador
"Se tivéssemos mais tempo talvez teríamos aprofundado mais a questão, além de tudo o que foi abordado. Acho que para o telespectador foi apresentado um amplo painel de vários momentos de Leonel Brizola e sua relação com a mídia. Essa foi uma relação de tensão, tendo em vista que os "barões da imprensa" não tiveram nenhum tipo de relação cordial com o Brizola, independentemente se ele estava no governo ou oposição. Isso mostra que, uma vez no governo, suas idéias não mudaram."


PERGUNTAS

E-mails recebidos na semana de 29/06 a 06/07:

Fernando Viana Felix, São Paulo
Vocês apresentaram o Senhor Ibsen Pinheiro como grande atuante na CPI que desencadeou o Impeachment do Collor. Porém não mencionaram que o ex-deputado foi cassado também. Vale lembrar que Collor, como Ibsen, foram inocentados na Justiça.

Antônio M. M. da Rocha, Rio de Janeiro
Tenho 41 anos e aquela foi a primeira vez em que votei. Não votei no Brizola, mas no Miro, que aí está, como continuo votando até hoje, particularmente por um aspecto muito peculiar de sua personalidade: passadas as eleições, Miro, ao lado de uma jornalista, linda, se não me engano, Luciana Villas-Boas, apresentava um programa de entrevistas na Bandeirantes e não demonstrava nenhuma espécie de rancor, caracterizando-se mesmo pela bonomia. Aproveito, portanto, a oportunidade e pergunto ao Miro o que há de verdade numa chamada "Operação Condor", armada pela ditadura para, uma vez limpa a área, a abertura pudesse ser feita sem a presença de líderes que pudessem questionar o regime militar. Juscelino, Lacerda, Jango, mortes muito suspeitas. Restava o Brizola, que ameaçava voltar, numa vitrine como é e será sempre o Rio de Janeiro, a despeito de toda insistência para nos desqualificarmos. O que há de fato nisto tudo e a atuação da Proconsult como um elemento tático?

Marcelo Machado, Belo Horizonte / MG - Correspondente do LANCE!
Em 94, portanto há dez anos, Brizola disse que Lula era um fantoche comandado por uma cúpula petista tecnocrata e neo-liberal. Brizola era um visionário, já que pressentia a guinada do PT para uma política econômica ortodoxa, ou já estava "ultrapassado" segundo os conceitos dos petistas?

Jacir Guimarães, Rio de Janeiro - Jornalista
Pena o programa Observatório da Imprensa de hoje não ter entrevistado os profissionais que o governador Brizola contratou para transformar o Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro num jornal de cunho popular na época em que governou o Estado. Seria muito interessante sabermos quais foram as diretrizes do Brizola e quais as transformações efetuadas, pois, além de conhecermos a experiência, saberíamos um pouco mais sobre a mídia ideal para o governador Brizola.

Roberto Neves
Lamentável o programa de hoje sobre a relação de Brizola com a mídia. Em primeiro lugar pela tentativa absurda do jornalista Dines de envolver as Organizações Globo com o chamado escândalo Proconsult. Não creio que o jornalista inteligente e bem informado possa desconhecer os fatos que ocorreram àquela época. Creio que os esclarecimentos parciais de Miro Teixeira tenham pelo menos desviado a tentativa do Jornalista Dines que me parece queria conduzir o programa para tentar manchar com meias palavras a Rede Globo. Outro aspecto negativo a meu juízo foi o convite ao Ibsen Pinheiro, ex presidente da câmara de deputados que de lá saiu, por ter sido cassado pelos seus colegas parlamentares, envolvido que foi como participante do grupo conhecido como anões do orçamento. Ele recebia cheques e depósitos de um dos componentes da quadrilha que manipulava o orçamento da União. Todos foram cassados e perderam os direitos políticos. Sem querer lincha-lo, não guardo nenhum ódio ao meu conterrâneo, mas não entendo como pode dar qualquer depoimento em uma rede pública de TV, que envolva avaliação de político ou da relação de algum político nacional com a mídia. No Sul dezenas de outros jornalistas seriam capazes de dar um testemunho melhor com mais idoneidade. Amanhã o programa vai discutir algum tema vinculado à justiça e poderá chamar quando liberto o Juiz Nestor Nascimento, aquele do escândalo do INSS? Seria isso possível. Que relações guardam o jornalista Dines com o Ibsen? Estranho isso. E acho que esse convite macula um programa que se propõe a ser um Observatório da Imprensa, ou seja olha-la de fora, ver o que notícia publicada também revela ou esconde. E qual a relação do Observatório com o Ibsen? Estranho. O depoimento de Miro sobre Brizola e em especial sobre o escândalo Proconsult, isenta a Globo como não poderia deixar de ser, que não tinha nenhuma ligação com a pequena empresa. Mas não esclarece bem todos os fatos. A despeito de poder ter havido alguma influência ou tentativa do SNI, em fraudar as eleições, o que não foi apurado, o fato concreto é que o sistema que a Proconsult montou não totalizava corretamente os votos, era um sistema falho, os programas tinham erro. O Miro não lembrou mas quem fez verificações nos programas não foram técnicos do serviço de informações mas do SERPRO, Serviço Federal de Processamento de Dados, chamados que fomos para socorrer o TRE. Este sim o grande responsável pelos erros. Nem Rede Globo nem ninguém mais, o responsável pela contratação da Proconsult foi o TRE. O SERPRO totalizou os resultados das eleições em Minas, em São Paulo e em Santa Catarina e propôs totalizar as eleições do Rio. O Presidente do TRE e sua equipe resolveu contratar uma empresa que não estava preparada para o que se pretendia fazer. O TRE não fez as simulações devidas, os testes e homologações necessárias e executou um sistema às pressas. Por que não contratou o SERPRO, por que contratou a Proconsult? Estas são as perguntas que deveriam ser feitas. O fio da meada se é que existe é por aí. E naquele ano e nos demais os técnicos do SERPRO não receberam nenhuma pressão qualquer que seja do famigerado SNI. Nos anos seguintes o TRE - Rio de Janeiro contratou o SERPRO para a totalização das eleições. O Recadastramento eleitoral, a urna eletrônica e outros aperfeiçoamentos foram propostas e idéias de técnicos do SERPRO à Justiça Eleitoral. Lamentável não só a escolha do tema, como dos convidados e o pior de tudo sua condução.

José Monte Aragão, Brasília / DF - Servidor Público
Vi atentamente os depoimentos dos jornalistas do OI no dia de ontem (29). Ali, o nobre Alberto Dines citou a biografia dos participantes. Indignou-me, no entanto, o fato de o jornalista não ter se dirigido ao Sr. Ibsen Pinheiro, destacando-o como ex-Anão do Orçamento e Senador Cassado. Fiquei chateado pois se sua profissão mudou, como sempre são chamados ex-políticos, deveria ter sido o mesmo chamado de Senador Cassado Ibsen Pinheiro. Vou repensar meu sentimento em relação ao OI.


Telefonemas recebidos em 29/06:

André Luiz, Rio de Janeiro
O que vocês achavam da administração de Brizola nos CIEPs?

Welter Paiva, Recife / PE
A mídia sabe lidar com os políticos?

Rogério Goiapá, Filgueiras / MG
Estou indignado com a participação do ex-deputado corrupto Ibesen Pinheiro.

Sandelei Vieira, Vitória / ES
O fato de estarmos em ano eleitoral daria mais importância à morte de Brizola?

Jorge Quaresma, Ribeirão das Neves / MG
Eu acho que deveria haver outra forma de votação. Eu moro na periferia e não tenho acesso à internet.

Evanildo Aguiar, São Paulo
Realmente existe democracia e liberdade de imprensa, ou a mídia realmente ataca políticos populares como o Brizola?

Felipe Guedes, Rio de Janeiro
Vocês acreditam que a Globo ainda tem força para eleger algum candidato?

Cláudio Sterque, Campinas / SP
Eu acho que os políticos não sabem lidar com a imprensa. Um exemplo disso é a Marta Suplicy que só enfrenta a mídia. O Jango é o exemplo de político que sabe se relacionar com a mídia.

Igor Alexandres, São Paulo
Qual o interesse da mídia ou da Rede Globo em não eleger Leonel Brizola?

Róbson Bastos, Belo Horizonte / MG
A revista Veja trata Brizola como caudilho. Quem faz uma leitura imparcial da vida do Brizola sabe muito bem que isso é uma injustiça. Os homens de bem desse país não vão se levantar para contar a verdade contra essa atitude da Veja que representa a elite do país?

Dep.Federal Ênio Bafi, Brasília / DF
O político só pode enfrentar a imprensa por uma boa causa ou como dizia Brizola, a cavalo da verdade.

Reginaldo Leonel, Rio de Janeiro
A esperança verdadeira não seria o Brizola e sim quem está na presidência?

Renato Ferreira, Belo Horizonte / MG
O Brizola afirmava que a Globo pertencia à Time Life, um grupo norte-americano. Isso é verdade?

Bruno Duarte, Bauru / SP
Se o Bizola tivesse no lugar do Jango em 64 a história não teria sido diferente?

João Carlos Mansilha, São José dos Campos / SP
As escolas feitas pelo governador Brizola foram boas para as comunidades carentes?

Vítor Nascimento, Rio de Janeiro
No período em que Brizola governou o Rio, a mídia atacou muito o seu governo. Como vocês avaliam esta postura?

Jorge Quaresma, Ribeirão das Neves / MG
Qual a diferença entre o Brizola do PDT e Heloísa Helena com o novo partido PSOL?

Adaílton Coman, Cascavel / PR
O parlamentarismo não poderia ser a solução para essa tensão entre mídia e política?

Marco Lima, Manaus / AM
O político tradicional tem que se relacionar bem com a mídia porque esta é a ligação entre ele e o eleitor.

Waldir Silveira, Osório / RS
Será que o Brasil não perdeu a grande oportunidade de ter Brizola como presidente?

Flávio José Barbosa, São Gonçalo / RJ
Por que não se puniram os responsáveis pelo Proconsult, assim como aconteceu no Riocentro e não se investigou melhor o boato de fraude na 2ª eleição de FHC?



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