PROGRAMA DO DIA 08 de junho de 2004

MÍDIA RURAL

O Observatório da Imprensa da próxima terça-feira vai discutir a relação mídia x agrobusiness. Queremos mostrar como a imprensa brasileira está despreparada quando se trata de cobrir este importante setor da nossa economia. Poucos são os meios de comunicação dedicados aos assuntos do campo. O que pode ser feito para mudar este quadro? O mercado está em ascensão? Quais são as perspectivas? Por que existe tão pouca mídia especializada no país em agricultura que responde por 20% do PIB? Na reportagem sobre o assunto vamos dar os números do setor.

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

OMISSÃO & VIOLÊNCIA NO RIO
A imprensa sob custódia

Alberto Dines

O ideal de Maquiavel é um Príncipe que não precisa prestar satisfações aos súditos. Hoje, quando governantes se calam é sinal de que não estão sendo pressionados a se manifestar. E esta pressão só pode ser exercida pela imprensa.

Leia na íntegra

A mídia cobre bem o agronegócio?

Resultado:

Sim: 13%

Não: 87%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Editorial:

Bem vindos ao "Observatório da Imprensa".

Você sabe qual o maior negócio brasileiro? Sabe que ele corresponde a 34% do PIB e gera 37% dos empregos da nossa economia? Sabe, sim. Só que você ainda não está condicionado para encarar a agricultura como um assunto moderno e sofisticado.


Leia na íntegra

OMISSÃO & VIOLÊNCIA NO RIO
Do État-gendarme ao Estado-pastor

Muniz Sodré

O jornalismo do dia-a-dia debruça-se normalmente sobre a superfície dos acontecimentos, sobre a imediatez do fato, deixando a cronistas, editorialistas e articulistas a tarefa de perscrutar os aspectos mais escondidos da notícia. Não escapou, entretanto, aos autores dos diferentes gêneros, o caráter socialmente simbólico da mediação de um pastor evangélico na rebelião dos presos de Benfica, no Rio de Janeiro, que culminou em 31 mortes.

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

MÍDIA RURAL

Em 08 de junho, o Observatório da Imprensa discutiu a omissão da mídia em relação ao agronegócio. A falta de uma cobertura especializada e de qualidade não é condizente com o crescente destaque que a produção agrícola brasileira vem merecendo.

Participaram ao vivo do programa, o economista da Fundação Getúlio Vargas, Mauro Lopes e o coordenador de jornalismo do Canal Rural, Marcos Delfino, ambos no Rio de Janeiro. Em São Paulo participou o jornalista José Hamilton Ribeiro. E, direto de Brasília, o Secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin.

Em entrevista, Bruno Blecher, editor-chefe do site @gropauta disse que ainda existe uma certa dificuldade por parte da editoria de economia em entender o agronegócio: "isso é compreensível, já que antigamente só havia uma mídia rural e hoje necessitamos de uma mídia do agronegócio, que vai muito além do rural. Envolve questões econômicas e políticas. A mídia vive uma crise nas grandes cidades e deveria aproveitar o sucesso do agronegócio para desenvolver uma mídia regional".

José Carlos de Moraes, editor do suplemento agrícola do Estado de S. Paulo, também foi entrevistado e comentou que a imprensa não sabe cobrir este setor: "desconhece informações básicas e, por isso, acaba cometendo muitos erros. Os jornais recebem muitas reclamações de leitores indignados mas, em vez de entender o que está acontecendo e tentar melhorar, o jornal simplesmente se retrai". Acrescentou ainda que o setor está crescendo tanto que a imprensa está ficando a reboque: "está na hora de despertar para este setor independentemente da nossa vontade porque ele já cresceu o suficiente para merecer nossa atenção".

Hamilton Ribeiro iniciou o debate, respondendo a Alberto Dines a quê ele atribui o sucesso do Globo Rural: "O êxito do programa se deve ao fato deste estar ligado ao homem do campo, à cultura e ao universo rural como um todo. Não é um programa voltado para a tecnologia, pelo contrário, sua proposta é mostrar como vive esse homem do campo".

Dines afirmou que o agronegócio no Brasil desenvolveu-se sem a ajuda da imprensa e perguntou a Ivan Wedekin como, nesta nova fase, a imprensa pode aproveitar-se deste enorme sucesso. Segundo Ivan Wedekin, a imprensa tem contribuído de modo muito positivo para a propagação do agronegócio e acredita que a mídia cobre melhor o agronegócio hoje do que no passado, mas que precisa ampliar ainda mais esta cobertura.

Marcos Delfino disse que é importante levar aos telespectadores do Brasil e principalmente aos jornalistas a importância que tem a agricultura e a pecuária: "temos dificuldades grandes de encontrar profissionais especializados nesta área. Tentar convencer uma grande agência de publicidade a investir em propaganda num veículo direcionado ao agronegócio não é tão fácil como se imagina".

Após ser questionado por Alberto Dines sobre como a mídia tradicional pode se aproveitar do enorme sucesso do agronegócio, Mauro Lopes respondeu: "os empresários têm uma necessidade muito grande de informação, mas de informação voltada para as estratégias empresariais. Uma contribuição muito grande é abordar o tema da gestão estratégica e da descoberta de novos negócios".

Carlos Nascimento, atual âncora do Jornal da Band, também participou do Observatório da Imprensa. Pelo telefone, o jornalista declarou que sempre acreditou na mídia voltada para o agronegócio e que sempre enxergou claramente que esse seria o futuro de ambos.

Dines encerrou o programa lembrando que enquanto os jornalistas não saírem das redações e não buscarem informações onde ocorre o fato, não haverá um jornalismo rural efetivo.

Thaissa Lemos (estagiária)


EDITORIAL

Bem vindos ao "Observatório da Imprensa".

Você sabe qual o maior negócio brasileiro? Sabe que ele corresponde a 34% do PIB e gera 37% dos empregos da nossa economia? Sabe, sim. Só que você ainda não está condicionado para encarar a agricultura como um assunto moderno e sofisticado.

A mídia cobre o movimento das bolsas de valores, as disparadas do câmbio, as angústias do desemprego mas a cobertura desta fábrica de riquezas chamada agro-negócio é quase marginal.

Os jornais de hoje disseram que o PIB agrícola vai cair 3% mas as mudanças climáticas e as pragas que afetaram a quebra da safra de soja no sul aconteceram há meses e não foram acompanhadas pela grande imprensa na ocasião com o merecido cuidado.

Até os anos 50 todos os grandes jornais brasileiros tinham seus cadernos rurais mesmo que os respectivos estados não fossem propriamente agrícolas. Cobrir o campo era uma obrigação, assim como cobrir as cidades e o mundo. E hoje que o agro-negócio está revolucionando o interior do país a cobertura é apenas estatística, burocrática.

E no entanto neste ano o programa Globo Rural entra na sua 25ª temporada, o Canal Rural está no ar há sete anos 18 horas por dia e até o SBT começou um boletim agrícola todas as manhãs. É ótimo mas é pouco para o tamanho deste Brasil agrícola com tantos êxitos, tantas oportunidades e também tantos problemas.


ARTIGO
Por Alberto Dines

OMISSÃO & VIOLÊNCIA NO RIO
A imprensa sob custódia

Alberto Dines

O ideal de Maquiavel é um Príncipe que não precisa prestar satisfações aos súditos. Hoje, quando governantes se calam é sinal de que não estão sendo pressionados a se manifestar. E esta pressão só pode ser exercida pela imprensa.

Se o casal governador do Rio de Janeiro adotou a tática da omissão durante quatro dias para enfrentar a calamidade na Casa de Custódia de Benfica, cabia à imprensa fazer um estardalhaço federal. Pior do que a mentira é o silêncio. Inverdades acabam sendo descobertas, mas o silêncio desmobiliza, desanima os cobradores, esfria indignações. Sobretudo quando a opinião pública começa a imunizar-se com a repetição.

O "comunicador" Anthony Garotinho sabia o que fazia quando desapareceu misteriosamente mal começou a calamidade em Benfica. Contava com o fim de semana, o providencial hiato inventado pelo jornalismo brasileiro, habeas corpus dos relapsos. Previa que se o noticiário sobre o motim iniciado no sábado não fosse alimentado no domingo, na terça-feira estaria secundarizado ou esquecido.

Garotinho errou: não imaginou a dimensão e o grau de brutalidade do massacre, o caso continuou sendo noticiado com destaque até a sexta-feira seguinte. Mas acertou nos efeitos: sem informações, a imprensa carioca não ficou suficientemente chocada com o episódio nem conseguiu chocar. Muito menos acionar os alarmes para acordar o governo federal imerso nos seus dramas de consciência.

Isso não significa que O Dia e O Globo, os principais jornais da cidade, tenham escondido a cobertura. Acompanharam o caso razoavelmente, desde a edição do domingo (30/5). Mas, o que chama a atenção do observador é que a cobertura mais contundente, mais insistente e mais dramática - portanto a mais jornalística - foi a do jornal Extra, do Grupo Globo, cuja circulação não se compara em termos quantitativos ou qualitativos aos dois jornalões citados.

Se esta ênfase do Extra fosse transferida para O Dia e, sobretudo, para o portentoso Globo, evidentemente produziria um efeito-cascata, incontrolável, com resultados bem diferentes. Inclusive sobre a mídia paulista, que costuma ter mais penetração na esfera política.

Esta é a questão: se a ingovernabilidade do Rio de Janeiro transformar-se em questão nacional o casal Garotinho conseguirá manter-se impune? Um editorial curto e grosso na primeira página do Globo, mesmo na segunda-feira (31/5, quando já se tinha uma noção da carnificina) teria provocado um turbilhão político bem diferente da resignada reação que o episódio produziu.

Desmascarar governantes

Então cabe perguntar: e o Jornal do Brasil?

O JB abdicou de fazer jornalismo. Parece jornal, tem periodicidade de jornal, tem os atributos formais de um jornal, tem uma história incorporada ao jornalismo brasileiro, mas neste momento é movido por uma dinâmica e prioridades diferentes de um jornal. Pode até estar reinventando o jornalismo, mas este não é o jornalismo do qual foi um dos expoentes e continua sendo praticado pela maioria dos seus concorrentes.

Compreende-se, o JB está em crise. Não apenas em crise financeira mas em crise interna. Dos nove vice-presidentes que ostentava no seu expediente antes do trágico fim de semana, dois vices-presidentes jornalistas estavam demissionários desde a sexta-feira (Augusto Nunes e Cristina Konder) e o nome do terceiro foi retirado do expediente no sábado, sem o menor aviso aos leitores (Wilson Figueiredo, com 42 anos consecutivos de casa!) [veja sua entrevista reproduzida na rubrica Entre Aspas, nesta edição].

O JB tem ainda excelentes profissionais no comando da redação, mas a empresa e a diretoria esqueceram que jornalismo não é uma colagem de noticias - jornalismo é um compromisso político com a sociedade. A prova deste esquecimento está na edição de terça-feira (1º/6), quando as dimensões do massacre de Benfica já eram conhecidas inclusive pelos próprios leitores do jornal.

Neste dia crucial, o JB fez o balanço do caso com uma chamada insignificante na parte inferior da primeira página! Ao lado, com destaque dez vezes maior, para satisfazer o enorme contingente de socialites que devoram suas colunas sociais, enorme foto de uma carioca friorenta ostentando um "casaquinho básico". Antes assim, poderia estar falando em brioches.

E, como se não bastasse, na quinta-feira (3/6) - depois da manchete correta do dia anterior, "Inquisição do tráfico mata 30 presos" - o jornal recuou acintosamente para enveredar pela linha business com esta pérola em oito colunas: "Rio troca imposto por segurança".

Trata-se de mais uma pilantragem desenvolvida nos laboratórios do casal Garotinho para esconder sua dupla incompetência como responsável pela segurança pública e para atrair incautos defensores da livre iniciativa: empresas que financiarem a segurança pública terão desconto de 10% no ICMS.

Descobre-se então que esta manchete foi financiada pelos patrocinadores de um seminário organizado pelo Grupo JB, estrelado pela deslumbrante governadora Rosinha e convertido no sábado seguinte num caderno especial.

Seria injusto acusar unicamente o Jornal do Brasil: O Dia também dá sinais de que não deseja embaraçar o projeto político do casal Garotinho, sobretudo depois das desavenças entre duas herdeiras do falecido Ari de Carvalho, que transformaram o arquiconservador Ronald Levinsohn numa espécie de publisher informal do jornal.

O Globo tem vigor e garra de sobra para mostrar ao país a débâcle da unidade federativa onde as Organizações Roberto Marinho têm sua sede. Delegar esta tarefa ao jovem Extra é uma forma de relegar a catástrofe carioca à esfera paroquial.

Não apenas na invasão do Iraque mas também em Benfica comprovou-se que a imprensa é crucial para desmascarar governantes. Ou para servir inocentemente aos seus ignóbeis propósitos.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

OMISSÃO & VIOLÊNCIA NO RIO
Do État-gendarme ao Estado-pastor

Muniz Sodré

O jornalismo do dia-a-dia debruça-se normalmente sobre a superfície dos acontecimentos, sobre a imediatez do fato, deixando a cronistas, editorialistas e articulistas a tarefa de perscrutar os aspectos mais escondidos da notícia. Não escapou, entretanto, aos autores dos diferentes gêneros, o caráter socialmente simbólico da mediação de um pastor evangélico na rebelião dos presos de Benfica, no Rio de Janeiro, que culminou em 31 mortes.

Os repórteres foram unânimes em enfatizar a presença do pastor. Idem para os cronistas, embora com posições ligeiramente variadas. Luiz Garcia (O Globo, 4/5/04), por exemplo, ressaltando que "o motim vai obviamente para a conta do governo estadual", deixou claro que "o único suposto herói no episódio foi um pastor evangélico que trabalha com detentos e tem relações pelo menos afetivas com o Comando Vermelho. Teve ser chamado - reforçando um prestígio não necessariamente salutar - porque as autoridades ainda não descobriram que precisam ter funcionários especialmente treinados para negociar nesse tipo de situação".

Na verdade, as autoridades dispõem de dois negociadores treinados, segundo informou o noticiário, mas que foram substituídos, por ordens superiores, pelo evangélico. É precisamente isto que contribui para caracterizar como socialmente simbólico todo o episódio: o Estado deixou-se desbordar pelo religioso. Assim é que, na mesma edição do Globo, mesma página, o editorialista Luiz Paulo Horta, citando em artigo o Atlas da filiação religiosa no Brasil (Edições Loyola), chamava a atenção para o fato de que, mesmo que o Brasil continue a ser o maior país católico do mundo, a supremacia católica vem sofrendo fissuras desde 1980: "Com o censo de 2000, os católicos perdem 9,4 pontos, enquanto os evangélicos crescem 6,6. O número de pessoas que se declaram pentecostais (evangélicas) sobe de 3,9 milhões em 1980 para 8,8 milhões em 1991 e 18 milhões em 2000 (mais do que dobra a cada década)". Em tudo isto, a mídia tem a sua parte: "A [Igreja] Universal [do Reino de Deus] cresce muito, usando eficazmente a mídia: passou de 269 mil em 1991 para 2,1 milhões em 2000".

Mediação ou intermediação?

Já havíamos assinalado em livro que, no centro do formidável crescimento do pentecostalismo, impõe-se a nova ordem do poder da imagem. Mas não é apenas isto:

"Em primeiro lugar, a forte emotividade individual e comunitária, que faz dos rituais das novas seitas ou denominações religiosas (inclusive a ala carismática da Igreja Católica) espetáculos comparáveis aos da indústria midiática do entretenimento; segundo, a importância da moeda no relacionamento intersubjetivo; terceiro, a transformação imaginária de cada indivíduo num herói folhetinesco em luta contra um grande vilão, intitulado Satanás; quarto, e como conseqüência lógica do terceiro, a obrigação individual de incorporar a retórica (ou o marketing) da evangelização; quinto, a transvaloração da vida cotidiana, em que simulacros de soluções para problemas práticos substituem a remota escatologia da salvação; sexto, a estimulação de formas de vida comunitária, reais ou imaginárias, num universo de populações progressivamente excluídas das benesses das rendas pela economia global do mercado. E assim por diante" (Antropológica do espelho, Editora Vozes, 2002).

Tudo isto já é mais ou menos sabido, se não de modo tão sistemático, pelo menos de maneira intuitiva, já incorporada à sensibilidade comum - o que nos levou a ouvir, ainda outro dia, de uma criança de 12 anos, um comentário notável sobre a alegada não importância do rito do batismo para uma dessas denominações pentecostais: "Não é preciso batizar, basta começar a pagar".

A frase não tinha nenhuma intenção depreciativa, visava no contexto apenas a constatar uma realidade, aliás, próxima a um trecho do citado artigo de Luiz Paulo Horta:

"Um pastor evangélico se forma rapidamente e tem à sua disposição o que não deixa de ser um bom emprego: as seitas novas arrecadam com um desembaraço com que nem sonham os católicos - para os quais essa história de dízimos ainda é bicho-de-sete-cabeças".

Só não era muito sabido isto que precisamente se revelou no episódio da rebelião de presos em Benfica: o desbordamento do Estado, isto é, o ultrapasse da capacidade oficial de gerir um conflito social por um representante de uma seita religiosa, convocado às pressas, ao que se sabe, tanto pelos rebeldes quanto pelas próprias autoridades estaduais. De repente, não se sabe mais, conforme hipótese aventada pela imprensa, se era mesmo mediação ou "intermediação", ou seja, se o pastor não teria sido mero mensageiro de uma ordem do Comando Vermelho para que acabasse o motim.

Conjuntura obscura

O que se vê de fortemente simbólico nisso tudo é o índice da falência de um dos aspectos mais notórios do Estado liberal clássico: o de efetivo controlador da violência, o de État-gendarme. Violento ele próprio, bloco histórico de espúrias alianças eleitorais, corrupto em seu âmago, arrecadador impiedoso de impostos, indiferente à sorte da cidadania, confirma-se cada vez mais como État-voyou, Estado bandido.

Esta realidade é mais visível em alguns lugares do que noutros. No Rio de Janeiro, consegue-se ver o pior por efeito de uma conjuntura governamental regressiva e obscura. Basta dizer que a governadora do Estado admite publicamente não acreditar na evolução das espécies.

E ao observador da imprensa não resta senão lhe dar alguma razão, levando em conta a possibilidade que pode estar faltando a Sua Excelência contato com a comprovação empírica da lei de Darwin.


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

Rio de Janeiro:

Marcos Delfino - Coord. jornalismo Canal Rural
"O programa foi excelente e completo dentro do tempo que tinha disponível para a discussão do assunto. Gostaria de destacar que é preciso conscientizar as autoridades ligadas à educação de que não podemos demorar ainda mais para melhor preparar nossos universitários. O desconhecimento do aluno de jornalismo sobre as questões do agronegócio é completo. Esta é uma área que deve ser bastante explorada, pois nela o profissional tem uma maior estabilidade no emprego e geralmente o salário é maior que em uma televisão aberta, por exemplo."

Mauro Lopes - Economista Fundação Getúlio Vargas
"O assunto é muito novo e a virtude do programa foi abrir o tema para discussão, já que ninguém está realmente muito bem preparado neste assunto."

São Paulo:

José Hamilton Ribeiro - Jornalista
"Eu gostaria que o programa tivesse tido um papo mais com a bola no chão, mais do dia-a-dia, uma coisa mais simples e, talvez para fazer isso deveria ter menos participantes, dois seria o ideal para permitir mais detalhes, as coisas mais viáveis, mais realizáveis, para o telespectador entender melhor. O telespectador recebeu hoje um volume tão grande de informações e questões, que não sei se ele não saiu um pouco angustiado."


PERGUNTAS

E-mails recebidos na semana de 08/06 a 15/06:

Walmir Santana, Salvador / BA
O agronegócio representa quanto do PIB?
Na Bovespa há papéis para investimento no campo?

Nelson Jacomel Junior, Florianópolis / SC - Eng. Agrônomo
Alberto e equipe, boa noite e parabéns pela iniciativa que, pioneiramente, mostra a importância da agropecuária nacional. Entretanto, é preciso irmos além de afirmar a importância da agropecuária. É fundamental que, além de apreciarmos o idílico do setor, valorizemos o trabalho das pessoas (e os seus produtos) que nele fazem um pouco da vida de cada um de nós. Se medirmos as rendas per capita nos dois setores vamos ver que o urbano ainda não reconhece o merecido e esperado valor. Um caloroso abraço.

Sérgio de Souza Tôrres, Rio de Janeiro - Administrador
Pergunta para o Dines: como você vê o viés ideológico com que a mídia trata a questão agrária, onde o MST se coloca em oposição ao agronegócio tentando destruí-lo?

Wedson Galindo, Recife / PE
Comenta-se no programa de hoje grandes dificuldades na mídia do agronegócio. A Agricultura Familiar, que vem num grande crescente no país (próxima safra 7 bilhões), não está sofrendo muito mais com a ausência da mídia?

Gustavo Luciano - Consultor de Internet
Prezados, gostaria de saber se os entrevistados acreditam que os produtores e empresários do agronegócio possam investir nos eventuais canais de comunicação que venham à surgir dando sustentação para que eles possam funcionar adequadamente. Parabéns pelo programa. Abraços.

Raphael Medina - Estudante
Olá amigos do Observatório, acho muito pertinente a discussão a respeito do Agronegócio no Brasil, mas me preocupo da forma como a mídia em geral vem transmitindo somente a boa imagem desse setor. Será que a mídia não deveria exibir também os efeitos sociais e ambientais degradantes desse modelo de desenvolvimento agrícola adotado pelo Governo Brasileiro nos últimos anos?

Cristiano Leão - Eng. Químico
Nota-se no agronegócio gigantescas diferenças de concentração de renda, que apresenta dois pólos bem distintos: os proprietários das terras/revendedores de implementos agrícolas e os trabalhadores rurais. De que modo pode-se utilizar o agronegócio de maneira a diminuir esta diferença?

Denise Bueno
Parabéns pela pauta de hoje, o programa está ótimo. José Hamilton Ribeiro, é sempre um prazer e inspiração assistir às suas matérias. Sobre a especialização, aguardo divulgação.

Davi Lira, Recife / PE - Universitário
Eu realmente sempre quis mandar um email ou coisa do tipo para vocês aí da redação do programa Observatório da Imprensa, até que hoje eu resolvi fazer isso. Queria dizer que realmente eu gosto bastante desse programa, é uma alternativa das poucas na tv numa terça feira, e realmente porque eu me identifico muito com a área de comunicação, imprensa e publicidade. Dines, você é realmente show de bola, meu amigo, por favor continue na liderança desse projeto! Eu acho as discussões aí arretadas!

Rogério Romani
Um verdadeiro escarro à liberdade de imprensa na demissão de Jorge Kajurú. Que tal como sugestão no próximo programa uma mesa redonda com a participação do próprio ao vivo?

Eduardo Lacombe, Rio de Janeiro - Jornalista
Mestre Dines, em seu programa na TV, omitiu o nome do Jornal dos Sports entre os órgãos de comunicação esportiva. Talvez porque o JS só tenha 73 anos de vida. Deve ser por isso.

Carmen Déia M. Barbosa, São José dos Campos / SP
Caro Alberto Dines: acompanho com desânimo os rumos que o jornalismo brasileiro tem tomado nos últimos anos. Uma cegueira conveniente, vergonhosa, comprometedora. Aterrorizante. Causa-me admiração que tenha que ser um jornalista maduro como você a se indignar com as prioridades do jornalismo no caso de Benfica. Ficaria mais tranquila se fosse alguém com menos idade a se injuriar, pois saberia que há esperança de que as coisas mudem. Que uma geração com ideais possa aparecer nessas terras tão carentes de verdades e idealistas. Mas tinha mesmo de ser você. Infelizmente, nossa imprensa está impregnada de interesses que não são os dos leitores e/ou telespectadores. Fico indignada diariamente com o péssimo nível de informação que se produz, com a preguiça que domina, com a cara de pau que vemos. Aliás, acho mesmo que deveríamos todos andar de tarja preta na roupa e um nariz de palhaço no rosto. O que pensam que somos? Ainda bem que você tem caráter, decência e apesar de tantas bordoadas não perdeu a capacidade de se indignar. Gente como você, dá alento aos descrentes como eu, dá luz aos túneis que ainda vamos percorrer. Parabéns, Dines, por ter a coragem de dizer o que muitos não querem ouvir e muitos queriam falar. Que nada, nem o tempo, nem as barreiras, te impeçam de ser fiel aos seus ideais. Que nem seus patrões calem sua moral. Acredite, tem mais gente boa como você. Dê mesmo o bom exemplo, especialmente aos mais jovens. Seja o farol, precisamos de gente com vergonha na cara como você. Um grande abraço e muito obrigada por dizer muito do que eu mesma adoraria poder falar.

Valéria Nazareth Miguez, Magé / RJ - Artesã
Olá Dines. Sou fã do Observatório. O Globo certa vez entrevistou (página inteira) vários correspondentes estrangeiros perguntando por que só escreviam o lado ruim do Brasil. Falaram que do contrário seriam mandados para outros países; não queriam sair daqui, muito menos do Rio de Janeiro. Houve unanimidade. Por favor, faça um programa para sabermos se houve "mudanças". Grata.

Eugênia Braga, Recife / PE
Prezados senhores, gosto muito desse programa. O último que assisti que o tema foi o agronegócio foi muito bom. É daí que poderá surgir muitas soluções de problemas do pobre e miserável, para mais informações na área da agricultura, principalmente a de nível familiar. Se a criatividade dos jornalistas fosse tão potente nesse assunto, quanto é no jornalismo da vida dos artistas e celebridades, a situação do nosso país poderia ser outra. mas o povo é realmente mal formado e informado, basta dizer que, ainda hoje, o povo joga lixo no chão, sem nenhuma consciência de respeito e cidadania. Depois ficam falando das Prefeituras. Pois bem, srs. jornalistas, promovam mais programas e informações sobre o agronegócio, principalmente na televisão e os srs. verão que será bastante útil. O povo precisa de mais esclarecimentos e informações práticas para levantar a auto estima. Precisam ser ocupados em seus espaços domiciliares, para não abandonarem suas terras por causa de clima, como é o caso dos nordestinos que abandonam suas terras e os políticos sabidos e latifundiários vêem e tomam posse. Tchau e benção.


Telefonemas recebidos em 08/06:

João Sobrinho, Parnamirim / RN
Hamilton Ribeiro, vocês poderiam reprisar uma reportagem sobre o Trem da Água no Rio Grande do Norte? Sugiro também que façam uma nova matéria sobre essas cidades que agora estão repletas de adutoras.

Luis Antônio, Ilhéus / BA
O Governo tem recursos para a publicidade, porém muito pouco é destinado ao agronegócio. Por que a grande mídia destina tanto dinheiro para a publicidade e tão pouco para programas rurais?

Pedro Machado, Matias Barbosa / MG
O que vocês acham dos programas da Globo sobre agricultura? O que vocês acham, hoje, da participação da agricultura na mídia brasileira?

Max do Carmo, Santa Luiza / BA
Como o trabalho de desenvolvimento da agroeconomia pode ser feito levando em consideração os recursos naturais? O próprio governo federal leva em consideração o problema do meio ambiente quando realiza assentamentos de terras?

Fred Macedo, Bandeirante / PR
Muitos jornalistas têm a síndrome do grupo de amigos, ou seja, mesmo profissionalmente só escrevem sobre o que lhes interessa e não se importam com o que o público quer saber.

Aldair Pires Soares, São Borja / RS
A mídia trabalha muito em cima da pecuária de elite, mas a área de produção, que seria o gado de corte, quase não é divulgado. Isso acarreta uma insuficiência de investimentos para esta área.

Antônio Carlos, Miguel Pereira / RJ
Ainda há pouco espaço na mídia para o agronegócio, que depois do turismo é a maior fonte de riqueza para o nosso país.

Bernardo Lager, São Carlos / SP
Por que a mídia rural não fala de onde vêm os subsídios para o agronegócio?

Marcelo Ferreira, Ubá / MG
Não seria hora dos grandes jornais fazerem uma cobertura mais setorizada, com cadernos específicos para cada tema?

Valdo Tito, Pirassununga / SP
O que o Dines pensa sobre a cobertura do FEICORTES e o que deve ser melhorado para a divulgação de eventos como este?

Antônio de Oliveira, Palmas / TO
O Governo, as estatais e as grandes empresas em geral, menosprezam a mídia regional e cometem um grande equívoco ao fazê-lo, pois nós ( a mídia regional) estamos muito mais próximos do produtor. Com isso essas empresas deixam de ganhar dinheiro e principalmente de incentivar a mídia rural.

Eduardo das Neves, Caraguatatuba / SP
Gostaria de saber se o caso da soja brasileira enviada para a China não é o mesmo pensamento que existia antigamente com a borracha brasileira.

Cláudio de Paula, Ipatinga / MG
De quem deveria partir a iniciativa de incentivar a divulgação do agronegócio?

Lenon Santiago, São Paulo
O que define a marca que consumiremos é o marketing. Dines, você seria garoto propaganda de alguma marca? O que você acha dos jornalistas que o fazem? Parabéns pelo programa!

Hebert da Motta Costa, São Paulo
Quais são as características principais do agronegócio que a mídia deve expor?

Valdeir Ferreira Rofas, Rio de Janeiro
A imprensa desenvolve programas rurais para fazer concorrência umas com as outras. O que interessa, na verdade, não é a busca pela diversidade ou pelo tema rural em si, mas sim não perder audiência para uma outra emissora.

Altair Gomes, Recife / PE
Sendo a notícia um produto, seria mais vantajoso vender informações ou notícias que não passam de entretenimento como, por exemplo a bebericagem de Lula?

Franklin Plessmann, Salvador / BA
Há um equívoco muito grande quando se tenta valorizar o agronegócio, pois ele também exclui o homem do campo. A violência no campo acompanha a expansão do agronegócio e a mídia também precisa cobrir isso.

Franklin Carvalho, Salvador / BA
Por que o agronegócio e as pessoas ligadas a ele costumam criminalizar os movimentos sociais no campo, como o MST e apoiam os plantadores clandestinos de soja transgênica? Por que a dificuldade da imprensa em noticiar a visão dos movimentos sociais à respeito do agronegócio? A mídia, ultimamente, só tem endeusado o agronegócio enquanto ele está contaminando o alimento, desgastando o solo e retirando os camponeses do campo.

Nilson Moura, Recife / PE
Por que no auge do crescimento do agronegócio empresas como a EMBRAPA não contrata técnicos para trabalhar junto com a empresa?

Ivanir dos Santos, Rio de Janeiro
Qual a possibilidade do programa estadual FRUTIFICAR se expandir para todo o país?

Humberto Ferreira, Rio de Janeiro
É uma injustiça se dizer que a mídia não mostra o agronegócio, afinal todos os dias os políticos aparecem exibindo poder conseguido com os patos que o elegeram.

Elisa de Almeida, Rio de Janeiro
A imprensa, às vezes, noticia erroneamente certos fatos. No sul de Minas, por exemplo, a imprensa noticiou a super safra de maracujá que os produtores tiveram e disse que toda a produção estava sendo jogada fora, quando, na verdade, os cultivadores estavam doando todo o excedente da safra.

Luis Cláudio, Rio de Janeiro
Não seria o momento de conciliar o avanço do agronegócio com o problema do meio ambiente?

Catarina Guedes, Salvador / BA
A maioria dos assuntos que geram pauta para o agronegócio vêm de pesquisas de grandes laboratórios e empresas. Como fica a ética da divulgação dessas informações, já que isto interessa também aos laboratórios e empresas que financiaram as pesquisas? Outra questão importante é a de que nem tudo que é bom para as empresas é bom para o meio ambiente.

Paulo Moreira, Goiânia / GO
Fico muito feliz de ver um programa discutindo este tema. A Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais irá formar sua primeira turma de jornalismo e como a tradição desta universidade é agrícola poderá existir mais profissionais qualificados para esta área.

Roque Cremonesi, Mineiros / GO
Vocês já têm o volume de dinheiro a ser destinado à safra agrícola de 2004/5?



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