RESUMO DO PROGRAMA
MÍDIA
RURAL
Em 08 de
junho, o Observatório da Imprensa discutiu a omissão da mídia em relação
ao agronegócio. A falta de uma cobertura especializada e de qualidade
não é condizente com o crescente destaque que a produção agrícola
brasileira vem merecendo.
Participaram ao vivo do programa, o economista da Fundação Getúlio
Vargas, Mauro Lopes e o coordenador de jornalismo do Canal Rural, Marcos
Delfino, ambos no Rio de Janeiro. Em São Paulo participou o jornalista
José Hamilton Ribeiro. E, direto de Brasília, o Secretário de Política
Agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin.
Em
entrevista, Bruno Blecher, editor-chefe do site @gropauta disse que
ainda existe uma certa dificuldade por parte da editoria de economia em
entender o agronegócio: "isso é compreensível, já que antigamente só
havia uma mídia rural e hoje necessitamos de uma mídia do agronegócio,
que vai muito além do rural. Envolve questões econômicas e políticas. A
mídia vive uma crise nas grandes cidades e deveria aproveitar o sucesso
do agronegócio para desenvolver uma mídia regional".
José
Carlos de Moraes, editor do suplemento agrícola do Estado de S. Paulo,
também foi entrevistado e comentou que a imprensa não sabe cobrir este
setor: "desconhece informações básicas e, por isso, acaba cometendo
muitos erros. Os jornais recebem muitas reclamações de leitores
indignados mas, em vez de entender o que está acontecendo e tentar
melhorar, o jornal simplesmente se retrai". Acrescentou ainda que o
setor está crescendo tanto que a imprensa está ficando a reboque: "está
na hora de despertar para este setor independentemente da nossa vontade
porque ele já cresceu o suficiente para merecer nossa atenção".
Hamilton
Ribeiro iniciou o debate, respondendo a Alberto Dines a quê ele atribui
o sucesso do Globo Rural: "O êxito do programa se deve ao fato deste
estar ligado ao homem do campo, à cultura e ao universo rural como um
todo. Não é um programa voltado para a tecnologia, pelo contrário, sua
proposta é mostrar como vive esse homem do campo".
Dines
afirmou que o agronegócio no Brasil desenvolveu-se sem a ajuda da
imprensa e perguntou a Ivan Wedekin como, nesta nova fase, a imprensa
pode aproveitar-se deste enorme sucesso. Segundo Ivan Wedekin, a
imprensa tem contribuído de modo muito positivo para a propagação do
agronegócio e acredita que a mídia cobre melhor o agronegócio hoje do
que no passado, mas que precisa ampliar ainda mais esta cobertura.
Marcos
Delfino disse que é importante levar aos telespectadores do Brasil e
principalmente aos jornalistas a importância que tem a agricultura e a
pecuária: "temos dificuldades grandes de encontrar profissionais
especializados nesta área. Tentar convencer uma grande agência de
publicidade a investir em propaganda num veículo direcionado ao
agronegócio não é tão fácil como se imagina".
Após ser
questionado por Alberto Dines sobre como a mídia tradicional pode se
aproveitar do enorme sucesso do agronegócio, Mauro Lopes respondeu: "os
empresários têm uma necessidade muito grande de informação, mas de
informação voltada para as estratégias empresariais. Uma contribuição
muito grande é abordar o tema da gestão estratégica e da descoberta de
novos negócios".
Carlos
Nascimento, atual âncora do Jornal da Band, também participou do
Observatório da Imprensa. Pelo telefone, o jornalista declarou que
sempre acreditou na mídia voltada para o agronegócio e que sempre
enxergou claramente que esse seria o futuro de ambos.
Dines
encerrou o programa lembrando que enquanto os jornalistas não saírem das
redações e não buscarem informações onde ocorre o fato, não haverá um
jornalismo rural efetivo.
Thaissa
Lemos (estagiária)
EDITORIAL
Bem
vindos ao "Observatório da Imprensa".
Você
sabe qual o maior negócio brasileiro? Sabe que ele corresponde a 34% do
PIB e gera 37% dos empregos da nossa economia? Sabe, sim. Só que você
ainda não está condicionado para encarar a agricultura como um assunto
moderno e sofisticado.
A mídia
cobre o movimento das bolsas de valores, as disparadas do câmbio, as
angústias do desemprego mas a cobertura desta fábrica de riquezas
chamada agro-negócio é quase marginal.
Os
jornais de hoje disseram que o PIB agrícola vai cair 3% mas as mudanças
climáticas e as pragas que afetaram a quebra da safra de soja no sul
aconteceram há meses e não foram acompanhadas pela grande imprensa na
ocasião com o merecido cuidado.
Até os
anos 50 todos os grandes jornais brasileiros tinham seus cadernos rurais
mesmo que os respectivos estados não fossem propriamente agrícolas.
Cobrir o campo era uma obrigação, assim como cobrir as cidades e o
mundo. E hoje que o agro-negócio está revolucionando o interior do país
a cobertura é apenas estatística, burocrática.
E no
entanto neste ano o programa Globo Rural entra na sua 25ª temporada, o
Canal Rural está no ar há sete anos 18 horas por dia e até o SBT começou
um boletim agrícola todas as manhãs. É ótimo mas é pouco para o
tamanho deste Brasil agrícola com tantos êxitos, tantas oportunidades
e também tantos problemas.
ARTIGO
Por Alberto Dines
OMISSÃO
& VIOLÊNCIA NO RIO
A imprensa sob custódia
Alberto Dines
O ideal
de Maquiavel é um Príncipe que não precisa prestar satisfações aos
súditos. Hoje, quando governantes se calam é sinal de que não estão
sendo pressionados a se manifestar. E esta pressão só pode ser
exercida pela imprensa.
Se o
casal governador do Rio de Janeiro adotou a tática da omissão durante
quatro dias para enfrentar a calamidade na Casa de Custódia de Benfica,
cabia à imprensa fazer um estardalhaço federal. Pior do que a mentira
é o silêncio. Inverdades acabam sendo descobertas, mas o silêncio
desmobiliza, desanima os cobradores, esfria indignações. Sobretudo
quando a opinião pública começa a imunizar-se com a repetição.
O
"comunicador" Anthony Garotinho sabia o que fazia quando
desapareceu misteriosamente mal começou a calamidade em Benfica.
Contava com o fim de semana, o providencial hiato inventado pelo
jornalismo brasileiro, habeas corpus dos relapsos. Previa que se o
noticiário sobre o motim iniciado no sábado não fosse alimentado no
domingo, na terça-feira estaria secundarizado ou esquecido.
Garotinho
errou: não imaginou a dimensão e o grau de brutalidade do massacre, o
caso continuou sendo noticiado com destaque até a sexta-feira seguinte.
Mas acertou nos efeitos: sem informações, a imprensa carioca não
ficou suficientemente chocada com o episódio nem conseguiu chocar.
Muito menos acionar os alarmes para acordar o governo federal imerso nos
seus dramas de consciência.
Isso não
significa que O Dia e O Globo, os principais jornais da cidade, tenham
escondido a cobertura. Acompanharam o caso razoavelmente, desde a edição
do domingo (30/5). Mas, o que chama a atenção do observador é que a
cobertura mais contundente, mais insistente e mais dramática -
portanto a mais jornalística - foi a do jornal Extra, do Grupo Globo,
cuja circulação não se compara em termos quantitativos ou
qualitativos aos dois jornalões citados.
Se esta
ênfase do Extra fosse transferida para O Dia e, sobretudo, para o
portentoso Globo, evidentemente produziria um efeito-cascata, incontrolável,
com resultados bem diferentes. Inclusive sobre a mídia paulista, que
costuma ter mais penetração na esfera política.
Esta é a
questão: se a ingovernabilidade do Rio de Janeiro transformar-se em
questão nacional o casal Garotinho conseguirá manter-se impune? Um
editorial curto e grosso na primeira página do Globo, mesmo na
segunda-feira (31/5, quando já se tinha uma noção da carnificina)
teria provocado um turbilhão político bem diferente da resignada reação
que o episódio produziu.
Desmascarar
governantes
Então
cabe perguntar: e o Jornal do Brasil?
O JB
abdicou de fazer jornalismo. Parece jornal, tem periodicidade de jornal,
tem os atributos formais de um jornal, tem uma história incorporada ao
jornalismo brasileiro, mas neste momento é movido por uma dinâmica e
prioridades diferentes de um jornal. Pode até estar reinventando o
jornalismo, mas este não é o jornalismo do qual foi um dos expoentes e
continua sendo praticado pela maioria dos seus concorrentes.
Compreende-se,
o JB está em crise. Não apenas em crise financeira mas em crise
interna. Dos nove vice-presidentes que ostentava no seu expediente antes
do trágico fim de semana, dois vices-presidentes jornalistas estavam
demissionários desde a sexta-feira (Augusto Nunes e Cristina Konder) e
o nome do terceiro foi retirado do expediente no sábado, sem o menor
aviso aos leitores (Wilson Figueiredo, com 42 anos consecutivos de
casa!) [veja sua entrevista reproduzida na rubrica Entre Aspas, nesta
edição].
O JB tem
ainda excelentes profissionais no comando da redação, mas a empresa e
a diretoria esqueceram que jornalismo não é uma colagem de noticias
- jornalismo é um compromisso político com a sociedade. A prova
deste esquecimento está na edição de terça-feira (1º/6), quando as
dimensões do massacre de Benfica já eram conhecidas inclusive pelos próprios
leitores do jornal.
Neste dia
crucial, o JB fez o balanço do caso com uma chamada insignificante na
parte inferior da primeira página! Ao lado, com destaque dez vezes
maior, para satisfazer o enorme contingente de socialites que devoram
suas colunas sociais, enorme foto de uma carioca friorenta ostentando um
"casaquinho básico". Antes assim, poderia estar falando em
brioches.
E, como
se não bastasse, na quinta-feira (3/6) - depois da manchete correta
do dia anterior, "Inquisição do tráfico mata 30 presos" -
o jornal recuou acintosamente para enveredar pela linha business com
esta pérola em oito colunas: "Rio troca imposto por segurança".
Trata-se
de mais uma pilantragem desenvolvida nos laboratórios do casal
Garotinho para esconder sua dupla incompetência como responsável pela
segurança pública e para atrair incautos defensores da livre
iniciativa: empresas que financiarem a segurança pública terão
desconto de 10% no ICMS.
Descobre-se
então que esta manchete foi financiada pelos patrocinadores de um seminário
organizado pelo Grupo JB, estrelado pela deslumbrante governadora
Rosinha e convertido no sábado seguinte num caderno especial.
Seria
injusto acusar unicamente o Jornal do Brasil: O Dia também dá sinais
de que não deseja embaraçar o projeto político do casal Garotinho,
sobretudo depois das desavenças entre duas herdeiras do falecido Ari de
Carvalho, que transformaram o arquiconservador Ronald Levinsohn numa espécie
de publisher informal do jornal.
O Globo
tem vigor e garra de sobra para mostrar ao país a débâcle da unidade
federativa onde as Organizações Roberto Marinho têm sua sede. Delegar
esta tarefa ao jovem Extra é uma forma de relegar a catástrofe carioca
à esfera paroquial.
Não
apenas na invasão do Iraque mas também em Benfica comprovou-se que a
imprensa é crucial para desmascarar governantes. Ou para servir
inocentemente aos seus ignóbeis propósitos.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
OMISSÃO
& VIOLÊNCIA NO RIO
Do État-gendarme ao Estado-pastor
Muniz Sodré
O
jornalismo do dia-a-dia debruça-se normalmente sobre a superfície dos
acontecimentos, sobre a imediatez do fato, deixando a cronistas,
editorialistas e articulistas a tarefa de perscrutar os aspectos mais
escondidos da notícia. Não escapou, entretanto, aos autores dos
diferentes gêneros, o caráter socialmente simbólico da mediação de
um pastor evangélico na rebelião dos presos de Benfica, no Rio de
Janeiro, que culminou em 31 mortes.
Os repórteres
foram unânimes em enfatizar a presença do pastor. Idem para os
cronistas, embora com posições ligeiramente variadas. Luiz Garcia (O
Globo, 4/5/04), por exemplo, ressaltando que "o motim vai
obviamente para a conta do governo estadual", deixou claro que
"o único suposto herói no episódio foi um pastor evangélico que
trabalha com detentos e tem relações pelo menos afetivas com o Comando
Vermelho. Teve ser chamado - reforçando um prestígio não
necessariamente salutar - porque as autoridades ainda não descobriram
que precisam ter funcionários especialmente treinados para negociar
nesse tipo de situação".
Na
verdade, as autoridades dispõem de dois negociadores treinados, segundo
informou o noticiário, mas que foram substituídos, por ordens
superiores, pelo evangélico. É precisamente isto que contribui para
caracterizar como socialmente simbólico todo o episódio: o Estado
deixou-se desbordar pelo religioso. Assim é que, na mesma edição do
Globo, mesma página, o editorialista Luiz Paulo Horta, citando em
artigo o Atlas da filiação religiosa no Brasil (Edições Loyola),
chamava a atenção para o fato de que, mesmo que o Brasil continue a
ser o maior país católico do mundo, a supremacia católica vem
sofrendo fissuras desde 1980: "Com o censo de 2000, os católicos
perdem 9,4 pontos, enquanto os evangélicos crescem 6,6. O número de
pessoas que se declaram pentecostais (evangélicas) sobe de 3,9 milhões
em 1980 para 8,8 milhões em 1991 e 18 milhões em 2000 (mais do que
dobra a cada década)". Em tudo isto, a mídia tem a sua parte:
"A [Igreja] Universal [do Reino de Deus] cresce muito, usando
eficazmente a mídia: passou de 269 mil em 1991 para 2,1 milhões em
2000".
Mediação ou
intermediação?
Já havíamos
assinalado em livro que, no centro do formidável crescimento do
pentecostalismo, impõe-se a nova ordem do poder da imagem. Mas não é
apenas isto:
"Em
primeiro lugar, a forte emotividade individual e comunitária, que
faz dos rituais das novas seitas ou denominações religiosas
(inclusive a ala carismática da Igreja Católica) espetáculos
comparáveis aos da indústria midiática do entretenimento;
segundo, a importância da moeda no relacionamento intersubjetivo;
terceiro, a transformação imaginária de cada indivíduo num herói
folhetinesco em luta contra um grande vilão, intitulado Satanás;
quarto, e como conseqüência lógica do terceiro, a obrigação
individual de incorporar a retórica (ou o marketing) da evangelização;
quinto, a transvaloração da vida cotidiana, em que simulacros de
soluções para problemas práticos substituem a remota escatologia
da salvação; sexto, a estimulação de formas de vida comunitária,
reais ou imaginárias, num universo de populações progressivamente
excluídas das benesses das rendas pela economia global do mercado.
E assim por diante" (Antropológica do espelho, Editora Vozes,
2002).
Tudo isto
já é mais ou menos sabido, se não de modo tão sistemático, pelo
menos de maneira intuitiva, já incorporada à sensibilidade comum - o
que nos levou a ouvir, ainda outro dia, de uma criança de 12 anos, um
comentário notável sobre a alegada não importância do rito do
batismo para uma dessas denominações pentecostais: "Não é
preciso batizar, basta começar a pagar".
A frase não
tinha nenhuma intenção depreciativa, visava no contexto apenas a
constatar uma realidade, aliás, próxima a um trecho do citado artigo
de Luiz Paulo Horta:
"Um
pastor evangélico se forma rapidamente e tem à sua disposição o
que não deixa de ser um bom emprego: as seitas novas arrecadam com
um desembaraço com que nem sonham os católicos - para os quais
essa história de dízimos ainda é bicho-de-sete-cabeças".
Só não
era muito sabido isto que precisamente se revelou no episódio da rebelião
de presos em Benfica: o desbordamento do Estado, isto é, o ultrapasse
da capacidade oficial de gerir um conflito social por um representante
de uma seita religiosa, convocado às pressas, ao que se sabe, tanto
pelos rebeldes quanto pelas próprias autoridades estaduais. De repente,
não se sabe mais, conforme hipótese aventada pela imprensa, se era
mesmo mediação ou "intermediação", ou seja, se o pastor não
teria sido mero mensageiro de uma ordem do Comando Vermelho para que
acabasse o motim.
Conjuntura
obscura
O que se
vê de fortemente simbólico nisso tudo é o índice da falência de um
dos aspectos mais notórios do Estado liberal clássico: o de efetivo
controlador da violência, o de État-gendarme. Violento ele próprio,
bloco histórico de espúrias alianças eleitorais, corrupto em seu âmago,
arrecadador impiedoso de impostos, indiferente à sorte da cidadania,
confirma-se cada vez mais como État-voyou, Estado bandido.
Esta
realidade é mais visível em alguns lugares do que noutros. No Rio de
Janeiro, consegue-se ver o pior por efeito de uma conjuntura
governamental regressiva e obscura. Basta dizer que a governadora do
Estado admite publicamente não acreditar na evolução das espécies.
E ao
observador da imprensa não resta senão lhe dar alguma razão, levando
em conta a possibilidade que pode estar faltando a Sua Excelência
contato com a comprovação empírica da lei de Darwin.
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
Rio de
Janeiro:
Marcos
Delfino - Coord. jornalismo Canal Rural
"O programa foi excelente e completo dentro do tempo que tinha
disponível para a discussão do assunto. Gostaria de destacar que é
preciso conscientizar as autoridades ligadas à educação de que não
podemos demorar ainda mais para melhor preparar nossos universitários.
O desconhecimento do aluno de jornalismo sobre as questões do agronegócio
é completo. Esta é uma área que deve ser bastante explorada, pois
nela o profissional tem uma maior estabilidade no emprego e geralmente o
salário é maior que em uma televisão aberta, por exemplo."
Mauro
Lopes - Economista Fundação Getúlio Vargas
"O assunto é muito novo e a virtude do programa foi abrir o tema
para discussão, já que ninguém está realmente muito bem preparado
neste assunto."
São
Paulo:
José
Hamilton Ribeiro - Jornalista
"Eu gostaria que o programa tivesse tido um papo mais com a bola no
chão, mais do dia-a-dia, uma coisa mais simples e, talvez para fazer
isso deveria ter menos participantes, dois seria o ideal para permitir
mais detalhes, as coisas mais viáveis, mais realizáveis, para o
telespectador entender melhor. O telespectador recebeu hoje um volume tão
grande de informações e questões, que não sei se ele não saiu um
pouco angustiado."
PERGUNTAS
E-mails recebidos na
semana de 08/06 a 15/06:
Walmir Santana, Salvador / BA
O agronegócio representa quanto do PIB?
Na Bovespa há papéis para investimento no campo?
Nelson Jacomel Junior, Florianópolis / SC - Eng. Agrônomo
Alberto e equipe, boa noite e parabéns pela iniciativa que,
pioneiramente, mostra a importância da agropecuária nacional.
Entretanto, é preciso irmos além de afirmar a importância da
agropecuária. É fundamental que, além de apreciarmos o idílico do
setor, valorizemos o trabalho das pessoas (e os seus produtos) que nele
fazem um pouco da vida de cada um de nós. Se medirmos as rendas per
capita nos dois setores vamos ver que o urbano ainda não reconhece o
merecido e esperado valor. Um caloroso abraço.
Sérgio de Souza Tôrres, Rio de Janeiro - Administrador
Pergunta para o Dines: como você vê o viés ideológico com que a
mídia trata a questão agrária, onde o MST se coloca em oposição ao
agronegócio tentando destruí-lo?
Wedson Galindo, Recife / PE
Comenta-se no programa de hoje grandes dificuldades na mídia do
agronegócio. A Agricultura Familiar, que vem num grande crescente no
país (próxima safra 7 bilhões), não está sofrendo muito mais com a
ausência da mídia?
Gustavo Luciano - Consultor de Internet
Prezados, gostaria de saber se os entrevistados acreditam que os
produtores e empresários do agronegócio possam investir nos eventuais
canais de comunicação que venham à surgir dando sustentação para que
eles possam funcionar adequadamente. Parabéns pelo programa. Abraços.
Raphael Medina - Estudante
Olá amigos do Observatório, acho muito pertinente a discussão a
respeito do Agronegócio no Brasil, mas me preocupo da forma como a mídia
em geral vem transmitindo somente a boa imagem desse setor. Será que a
mídia não deveria exibir também os efeitos sociais e ambientais
degradantes desse modelo de desenvolvimento agrícola adotado pelo Governo
Brasileiro nos últimos anos?
Cristiano Leão - Eng. Químico
Nota-se no agronegócio gigantescas diferenças de concentração de
renda, que apresenta dois pólos bem distintos: os proprietários das
terras/revendedores de implementos agrícolas e os trabalhadores rurais.
De que modo pode-se utilizar o agronegócio de maneira a diminuir esta
diferença?
Denise Bueno
Parabéns pela pauta de hoje, o programa está ótimo. José Hamilton
Ribeiro, é sempre um prazer e inspiração assistir às suas matérias.
Sobre a especialização, aguardo divulgação.
Davi Lira, Recife / PE - Universitário
Eu realmente sempre quis mandar um email ou coisa do tipo para vocês
aí da redação do programa Observatório da Imprensa, até que hoje eu
resolvi fazer isso. Queria dizer que realmente eu gosto bastante desse
programa, é uma alternativa das poucas na tv numa terça feira, e
realmente porque eu me identifico muito com a área de comunicação,
imprensa e publicidade. Dines, você é realmente show de bola, meu amigo,
por favor continue na liderança desse projeto! Eu acho as discussões aí
arretadas!
Rogério Romani
Um verdadeiro escarro à liberdade de imprensa na demissão de Jorge
Kajurú. Que tal como sugestão no próximo programa uma mesa redonda com
a participação do próprio ao vivo?
Eduardo Lacombe, Rio de Janeiro - Jornalista
Mestre Dines, em seu programa na TV, omitiu o nome do Jornal dos
Sports entre os órgãos de comunicação esportiva. Talvez porque o JS
só tenha 73 anos de vida. Deve ser por isso.
Carmen Déia M. Barbosa, São José dos Campos / SP
Caro Alberto Dines: acompanho com desânimo os rumos que o jornalismo
brasileiro tem tomado nos últimos anos. Uma cegueira conveniente,
vergonhosa, comprometedora. Aterrorizante. Causa-me admiração que tenha
que ser um jornalista maduro como você a se indignar com as prioridades
do jornalismo no caso de Benfica. Ficaria mais tranquila se fosse alguém
com menos idade a se injuriar, pois saberia que há esperança de que as
coisas mudem. Que uma geração com ideais possa aparecer nessas terras
tão carentes de verdades e idealistas. Mas tinha mesmo de ser você.
Infelizmente, nossa imprensa está impregnada de interesses que não são
os dos leitores e/ou telespectadores. Fico indignada diariamente com o
péssimo nível de informação que se produz, com a preguiça que domina,
com a cara de pau que vemos. Aliás, acho mesmo que deveríamos todos
andar de tarja preta na roupa e um nariz de palhaço no rosto. O que
pensam que somos? Ainda bem que você tem caráter, decência e apesar de
tantas bordoadas não perdeu a capacidade de se indignar. Gente como
você, dá alento aos descrentes como eu, dá luz aos túneis que ainda
vamos percorrer. Parabéns, Dines, por ter a coragem de dizer o que muitos
não querem ouvir e muitos queriam falar. Que nada, nem o tempo, nem as
barreiras, te impeçam de ser fiel aos seus ideais. Que nem seus patrões
calem sua moral. Acredite, tem mais gente boa como você. Dê mesmo o bom
exemplo, especialmente aos mais jovens. Seja o farol, precisamos de gente
com vergonha na cara como você. Um grande abraço e muito obrigada por
dizer muito do que eu mesma adoraria poder falar.
Valéria Nazareth Miguez, Magé / RJ - Artesã
Olá Dines. Sou fã do Observatório. O Globo certa vez entrevistou
(página inteira) vários correspondentes estrangeiros perguntando por que
só escreviam o lado ruim do Brasil. Falaram que do contrário seriam
mandados para outros países; não queriam sair daqui, muito menos do Rio
de Janeiro. Houve unanimidade. Por favor, faça um programa para sabermos
se houve "mudanças". Grata.
Eugênia Braga, Recife / PE
Prezados senhores, gosto muito desse programa. O último que assisti
que o tema foi o agronegócio foi muito bom. É daí que poderá surgir
muitas soluções de problemas do pobre e miserável, para mais
informações na área da agricultura, principalmente a de nível
familiar. Se a criatividade dos jornalistas fosse tão potente nesse
assunto, quanto é no jornalismo da vida dos artistas e celebridades, a
situação do nosso país poderia ser outra. mas o povo é realmente mal
formado e informado, basta dizer que, ainda hoje, o povo joga lixo no
chão, sem nenhuma consciência de respeito e cidadania. Depois ficam
falando das Prefeituras. Pois bem, srs. jornalistas, promovam mais
programas e informações sobre o agronegócio, principalmente na
televisão e os srs. verão que será bastante útil. O povo precisa de
mais esclarecimentos e informações práticas para levantar a auto
estima. Precisam ser ocupados em seus espaços domiciliares, para não
abandonarem suas terras por causa de clima, como é o caso dos nordestinos
que abandonam suas terras e os políticos sabidos e latifundiários vêem
e tomam posse. Tchau e benção.
Telefonemas recebidos em 08/06:
João Sobrinho, Parnamirim / RN
Hamilton Ribeiro, vocês poderiam reprisar uma reportagem sobre o Trem da
Água no Rio Grande do Norte? Sugiro também que façam uma nova matéria
sobre essas cidades que agora estão repletas de adutoras.
Luis Antônio, Ilhéus / BA
O Governo tem recursos para a publicidade, porém muito pouco é destinado
ao agronegócio. Por que a grande mídia destina tanto dinheiro para a
publicidade e tão pouco para programas rurais?
Pedro Machado, Matias Barbosa / MG
O que vocês acham dos programas da Globo sobre agricultura? O que vocês
acham, hoje, da participação da agricultura na mídia brasileira?
Max do Carmo, Santa Luiza / BA
Como o trabalho de desenvolvimento da agroeconomia pode ser feito levando
em consideração os recursos naturais? O próprio governo federal leva em
consideração o problema do meio ambiente quando realiza assentamentos de
terras?
Fred Macedo, Bandeirante / PR
Muitos jornalistas têm a síndrome do grupo de amigos, ou seja, mesmo
profissionalmente só escrevem sobre o que lhes interessa e não se
importam com o que o público quer saber.
Aldair Pires Soares, São Borja / RS
A mídia trabalha muito em cima da pecuária de elite, mas a área de
produção, que seria o gado de corte, quase não é divulgado. Isso
acarreta uma insuficiência de investimentos para esta área.
Antônio Carlos, Miguel Pereira / RJ
Ainda há pouco espaço na mídia para o agronegócio, que depois do
turismo é a maior fonte de riqueza para o nosso país.
Bernardo Lager, São Carlos / SP
Por que a mídia rural não fala de onde vêm os subsídios para o agronegócio?
Marcelo Ferreira, Ubá / MG
Não seria hora dos grandes jornais fazerem uma cobertura mais setorizada,
com cadernos específicos para cada tema?
Valdo Tito, Pirassununga / SP
O que o Dines pensa sobre a cobertura do FEICORTES e o que deve ser
melhorado para a divulgação de eventos como este?
Antônio de Oliveira, Palmas / TO
O Governo, as estatais e as grandes empresas em geral, menosprezam a mídia
regional e cometem um grande equívoco ao fazê-lo, pois nós ( a mídia
regional) estamos muito mais próximos do produtor. Com isso essas
empresas deixam de ganhar dinheiro e principalmente de incentivar a mídia
rural.
Eduardo das Neves, Caraguatatuba / SP
Gostaria de saber se o caso da soja brasileira enviada para a China não
é o mesmo pensamento que existia antigamente com a borracha brasileira.
Cláudio de Paula, Ipatinga / MG
De quem deveria partir a iniciativa de incentivar a divulgação do
agronegócio?
Lenon Santiago, São Paulo
O que define a marca que consumiremos é o marketing. Dines, você seria
garoto propaganda de alguma marca? O que você acha dos jornalistas que o
fazem? Parabéns pelo programa!
Hebert da Motta Costa, São Paulo
Quais são as características principais do agronegócio que a mídia
deve expor?
Valdeir Ferreira Rofas, Rio de Janeiro
A imprensa desenvolve programas rurais para fazer concorrência umas com
as outras. O que interessa, na verdade, não é a busca pela diversidade
ou pelo tema rural em si, mas sim não perder audiência para uma outra
emissora.
Altair Gomes, Recife / PE
Sendo a notícia um produto, seria mais vantajoso vender informações ou
notícias que não passam de entretenimento como, por exemplo a
bebericagem de Lula?
Franklin Plessmann, Salvador / BA
Há um equívoco muito grande quando se tenta valorizar o agronegócio,
pois ele também exclui o homem do campo. A violência no campo acompanha
a expansão do agronegócio e a mídia também precisa cobrir isso.
Franklin Carvalho, Salvador / BA
Por que o agronegócio e as pessoas ligadas a ele costumam criminalizar os
movimentos sociais no campo, como o MST e apoiam os plantadores
clandestinos de soja transgênica? Por que a dificuldade da imprensa em
noticiar a visão dos movimentos sociais à respeito do agronegócio? A mídia,
ultimamente, só tem endeusado o agronegócio enquanto ele está
contaminando o alimento, desgastando o solo e retirando os camponeses do
campo.
Nilson Moura, Recife / PE
Por que no auge do crescimento do agronegócio empresas como a EMBRAPA não
contrata técnicos para trabalhar junto com a empresa?
Ivanir dos Santos, Rio de Janeiro
Qual a possibilidade do programa estadual FRUTIFICAR se expandir para todo
o país?
Humberto Ferreira, Rio de Janeiro
É uma injustiça se dizer que a mídia não mostra o agronegócio, afinal
todos os dias os políticos aparecem exibindo poder conseguido com os
patos que o elegeram.
Elisa de Almeida, Rio de Janeiro
A imprensa, às vezes, noticia erroneamente certos fatos. No sul de Minas,
por exemplo, a imprensa noticiou a super safra de maracujá que os
produtores tiveram e disse que toda a produção estava sendo jogada fora,
quando, na verdade, os cultivadores estavam doando todo o excedente da
safra.
Luis Cláudio, Rio de Janeiro
Não seria o momento de conciliar o avanço do agronegócio com o problema
do meio ambiente?
Catarina Guedes, Salvador / BA
A maioria dos assuntos que geram pauta para o agronegócio vêm de
pesquisas de grandes laboratórios e empresas. Como fica a ética da
divulgação dessas informações, já que isto interessa também aos
laboratórios e empresas que financiaram as pesquisas? Outra questão
importante é a de que nem tudo que é bom para as empresas é bom para o
meio ambiente.
Paulo Moreira, Goiânia / GO
Fico muito feliz de ver um programa discutindo este tema. A Universidade
Federal de Viçosa, em Minas Gerais irá formar sua primeira turma de
jornalismo e como a tradição desta universidade é agrícola poderá
existir mais profissionais qualificados para esta área.
Roque Cremonesi, Mineiros / GO
Vocês já têm o volume de dinheiro a ser destinado à safra agrícola de
2004/5?