RESUMO DO PROGRAMA
LULA x
NEW YORK TIMES
Dando continuidade ao assunto da semana anterior, o Observatório da
Imprensa desta terça-feira foi a respeito da matéria do New York Times
sobre os supostos hábitos etílicos do presidente Lula e da quase
suspensão do visto de residência do autor da reportagem, Larry Rother.
Segundo Alberto Dines, o assunto está encerrado, mas para jornalistas
tudo deve estar em aberto, pronto para ser revisto, rediscutido, tudo
precisa ser entendido.
Participaram, ao vivo, do programa: a cientista política Lucia Hippolito
e o representante da Associação Brasileira de Correspondentes
Estrangeiros Jens Glüsing, no Rio de Janeiro; o jornalista Sidnei Basile,
em São Paulo; e a articulista de O Globo, Tereza Cruvinel, em Brasília.
Também deram seus depoimentos, em matéria: Maurício Azêdo, presidente da
Associação Brasileira de Imprensa; o senador Sérgio Cabral Filho e, por
telefone, o articulista da Folha de S. Paulo, Clóvis Rossi e o
ex-correspondente da France Press, François Pelou, da França.
Em
relação à tentativa de expulsar Larry Rother do Brasil, Maurício Azêdo
afirmou: "Essa medida do Governo fere profunda e gravemente a liberdade
de imprensa que é um dos pilares do Estado de Direito, democrático". Já
Sidnei Basile acha que não houve coerência entre o tipo de ofensa que
ocorreu e a reação que se produziu.
Para Jens
Glüsing, o Brasil tem que se preocupar menos com a imagem do país no
exterior e olhar um pouco mais para sua própria realidade.
"Presidente da República não é pessoa física, presidente da República
não tem vida privada. Ele vive numa vitrine, ele é presidente 24 horas
por dia", lembrou Lucia Hippolito. De acordo com ela, independentemente
do fato de determinadas afirmações sobre o presidente serem mais ou
menos ofensivas, a curiosidade da sociedade diante da vida das
autoridades é absolutamente legítima.
Tereza
Cruvinel chamou a atenção para um outro ponto: "O que me impressionou
como observadora da cena política foi o processo decisório do
presidente, que me faz pensar que ele está cercado por dois tipos de
pessoas, as que têm projetos pessoais e as que querem agradá-lo. O
presidente está tomando decisões cercado de um grupo que nem sempre
busca o melhor resultado". A respeito da relação do Governo com a
imprensa, a articulista de O Globo acrescentou: "dos governos da
redemocratização até hoje nenhum teve tanta dificuldade de lidar com a
imprensa quanto o atual".
Na
conclusão do programa, Sidnei Basile lamentou que tudo isso tenha sido
provocado por uma matéria ruim, que passou opiniões com se fossem
notícias. Já Jens Glüsing espera que este tenha sido um episódio isolado
e que o Governo tenha aprendido alguma coisa com a reação da mídia do
mundo inteiro.
Claudia
Bojunga (estagiária)
EDITORIAL
Bem
vindos ao "Observatório da Imprensa".
O
assunto está encerrado mas para os jornalistas tudo deve estar em
aberto, pronto para ser revisto, rediscutido, tudo precisa ser
entendido. O ponto final só funciona na literatura.
Até
momentos antes da nossa última edição o governo ganhava de goleada na
peleja contra o New York Times. O país inteiro - nele compreendido também
a oposição - estava solidário com o presidente Lula. A matéria
assinada pelo correspondente Larry Rohter foi considerada unanimemente
como leviana, inconsistente e precária. Talvez fiado neste êxito o
governo foi em frente e suspendeu o visto de residência do jornalista.
Não foi uma decisão sábia e isto ficou flagrante aqui neste Observatório.
A participação do jornalista Ricardo Kotscho, secretário da imprensa
da presidência da república, foi superior, foi sobretudo responsável:
mostrou que as decisões - mesmo as dolorosas - precisam ser explicadas,
a sociedade quer saber e o governo não pode omitir-se, tem obrigação
de informar.
Kotscho
aqui neste Observatório deu uma lição de dignidade. Felizmente
apareceu em cena um bombeiro de alta categoria, o ministro da justiça Márcio
Thomas Bastos e o incêndio foi apagado. Larry Rohter explicou-se através
dos advogados, o governo aceitou as explicações e suspendeu a suspensão
do visto, tudo voltou à estaca zero.
Sossegados
os ânimos, cicatrizadas as feridas, hora de refletir. Essa é a nossa
obrigação.
ARTIGO
Por Alberto Dines
LULA
& NY TIMES
A anatomia da ressaca
Alberto Dines
"Emily,
não atrapalhe." Foi assim que Colin Powell dirigiu-se no ar à
vice-diretora de comunicação do Departamento de Estado que tentava
interromper a entrevista que ele concedia via satélite à NBC.
Era
exatamente isso que o presidente Lula da Silva deveria ter dito ao
ministro Fulano ou ao assessor Beltrano - mais realistas do que o rei
- que tentavam colocar mais lenha na fogueira do caso New York Times.
Fez o contrário: mandou brasa na expulsão do jornalista Larry Rohter e
colocou sob suspeita sua vocação democrática.
Até a
tarde de terça-feira (11/5), era o senhor da situação, envolvido pela
solidariedade federal. Naquela mesma noite, por artes de uma decisão
extemporânea, foi remetido à condição de Geni - saco de pancadas
da irritação nacional.
Ao invés
de prestar atenção às competências do secretário de Imprensa e do
ministro da Justiça - que, como bons profissionais lhe apresentavam
soluções -, preferiu os carbonários que forçavam problemas.
Resultado: as relações governo-imprensa, que já podiam ser
consideradas insatisfatórias, foram rebaixadas para o nível de precárias.
Excesso
de visibilidade
Esta não
é uma questão que concerne apenas ao governo e ao partido do governo,
esta é uma questão que diz respeito à sociedade. A imprensa é apenas
a intermediária entre governantes e governados. Nesta condição de
mediadora soube identificar as fragilidades do texto agressor assinado
pelo correspondente do NYT, bem como captar a simpatia popular que
envolveu o agredido.
Mas um
dia depois da decisão de expulsar o jornalista e surpreendido com a
mudança de ânimo da mídia, o presidente a acusou frontalmente de
"corporativista". Então ficou flagrante que Luiz Inácio Lula
da Silva, o carismático líder operário que em 25 anos chegou à
presidência da República, esqueceu a valiosa contribuição da mídia
à sua biografia. Ou, se não a esqueceu, quer um repeteco integral e
irrestrito. A esta altura, impossível.
O
adjetivo ficou soterrado no monte de besteiras que foram ditas naqueles
dias. Mas foi espontâneo, por isso significativo: a imprensa só é
boazinha quando obedece aos ditames palacianos, quando os recusa é
"corporativista". Ou, quem sabe, escrava da Casa Branca e dos
neoconservadores americanos.
É
preciso lembrar que nos últimos seis meses, a partir de dezembro de
2003 (quando a realidade começou a impor-se às promessas eleitorais),
ocorreram diversos esbarrões, cotoveladas ou fissuras entre o governo e
imprensa agravados pela incompreensível dificuldade de trazer o grande
comunicador que é Lula da Silva ao alcance dos meios de comunicação
[N. da R.: veja abaixo remissões para matérias sobre as últimas
trombadas entre governo e imprensa; e acerca da resistência do
presidente da República a expor-se em entrevistas coletivas regulares].
O pior é
que nos momentos de crise aguda o governo recorre invariável e
abertamente aos truques do marketing trazendo para a ribalta o seu
principal artífice em vez de mantê-lo nos bastidores, como recomendam
os manuais.
Alguém
precisa avisar o presidente Lula da Silva que jornalismo e marketing político,
apesar de certas convergências no tocante aos objetivos finais, são
funções e ações opostas. Todo marqueteiro gosta de jornalistas, bons
ou maus. Mas bons jornalistas, em princípio, costumam desconfiar da
excessiva visibilidade dos marqueteiros (em inglês spin doctors) que,
como todos os médicos, só aparecem em caso de doença.
Ainda
no bê-á-bá
Compreende-se
a gratidão dos vitoriosos das últimas eleições presidenciais aos
operadores de marketing político, mas a excessiva exposição e
supervalorização desses gênios secundariza o trabalho eminentemente
político que tem na imprensa e no jornalismo sua principal ferramenta.
Nesta
semana de tantas emoções e libações ficou evidente a diferença
entre jornalistas e "doutores de imagem", entre os que estão
com o pé no chão e os que preferem o salto alto. A divisão não é
estrita porque junto com os jornalistas estão juristas e políticos e,
no grupo dos cultores de imagem, outros jornalistas, cartunistas,
diplomatas e os generalistas (como o ministro Tarso Genro, que resolveu
classificar a imprensa americana como "uma das piores do
mundo").
Estes
apostaram na radicalização, nas teorias conspiratórias e apocalípticas.
Perceberam na onda de solidariedade em torno do presidente a
oportunidade para soltar os demônios da xenofobia e estimular
confrontos. Ferraram-se. E o governo com eles.
Agora, ao
fazer a anatomia da ressaca, convém enxergar as falhas sistêmicas que
a provocaram. A matéria de Larry Rohter só ganhou essa relevância
toda porque, depois de 16 meses de intenso treinamento, o governo Lula
ainda não ultrapassou o bê-á-bá do processo de tomar decisões e
comunicá-las. Acreditou que um upgrade no nome da antiga Secretaria de
Comunicação com o pomposo aposto de Gestão Estratégica abriria
magicamente o caminho do reconhecimento popular.
Deveria
ter feito como Colin Powell, que no meio da entrevista via satélite
pediu que a assessora Emily não atrapalhasse. É assim que se trata os
trapalhões.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
QUALIDADE
DA PROGRAMAÇÃO
Campanha atualiza ranking da baixaria
Leticia Nunes
A sexta
atualização do ranking da baixaria na televisão foi divulgada na
quarta-feira, 12/5, pela coordenação da campanha "Quem financia a
baixaria é contra a cidadania", da Comissão de Direitos Humanos e
Minorias da Câmara dos Deputados. O ranking traz os dez programas da
televisão brasileira que mais desrespeitam os direitos dos cidadãos,
de acordo com denúncias feitas à campanha pelos próprios
telespectadores.
As críticas
ou elogios aos programas de TV podem ser feitos por qualquer cidadão
por meio de um número de telefone gratuito (0800-619619) ou pelo site
da campanha, em (www.eticanatv.org.br).
O ranking
é montado com base na manifestação popular. A partir dele, um
conselho elabora pareceres que serão entregues às emissoras de TV.
Constituem este sexto ranking as denúncias feitas do dia 13 de janeiro
a 7 de maio de 2004. Foram 1.612 reclamações no total.
Lançada
em novembro de 2002, a campanha "Quem financia a baixaria é contra
a cidadania", coordenada pelo deputado Orlando Fantazzini (PT-SP),
luta por uma programação televisiva de qualidade. Desde então, já
recebeu mais de 15 mil manifestações. Junto com a sexta versão do
ranking foi também divulgado um documento público, assinado pelas
entidades parceiras da campanha, de repúdio à carta enviada pelo Grupo
Bandeirantes de Comunicação ao presidente da Comissão de Direitos
Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.
Apelo aos
anunciantes
Em
janeiro deste ano, uma decisão inédita do Ministério da Justiça
reclassificou cinco telejornais policialescos como inadequados para
exibição antes das 21 horas, por causa de seu excessivo apelo à violência.
O ministério, no entando, voltou atrás na decisão.
Mesmo com
o recuo do governo, a coordenação da campanha considera que os tais
programas - entre eles o Brasil Urgente, da Rede Bandeirantes - são
inadequados ao horário de exibição. Por isso, enviou ofícios aos
anunciantes desses telejornais recomendando que deixassem de associar
seus produtos a programas que desrespeitam os direitos dos cidadãos.
Repúdio às
acusações
Por causa
dessa medida, a Rede Bandeirantes acusou o deputado Orlando Fantazzini
de extrapolar sua função parlamentar, ferir o Código de Ética e
Decoro Parlamentar e cercear o livre exercício das atividades das
empresas anunciantes.
O
documento de repúdio à carta da Rede Bandeirantes afirma que não
houve qualquer tipo de intimidação às empresas anunciantes por parte
do coordenador da campanha. "Ao que nos consta, o deputado não
ameaçou prender ou processar ninguém. (...) Para o fiel cumprimento do
direito de liberdade de expressão, qualquer cidadão tem direito de
recomendar ações a outros cidadãos, ações essas que não são
criminosas, mas baseadas em princípios éticos e legais", diz um
trecho do documento.
O contato
da campanha com os anunciantes foi feito por meio de um ofício que
solicitava que a empresa deixasse de anunciar no programa, e apresentava
as justificativas para o pedido. Foram contatadas 14 empresas
anunciantes dos programas policialescos exibidos no período da tarde.
Destas, apenas seis responderam à solicitação feita pela campanha, e
cinco prometeram que irão rever suas estratégias de publicidade.
Os dez mais
Eis os
dez programas campeões da sexta edição do ranking da baixaria:
1.
Celebridade (Rede Globo) - apelo sexual, incitação à violência e
horário impróprio.
2.
Kubanacan (Rede Globo) - apelo sexual, incitação à violência e horário
impróprio.
3.
Programa do Ratinho (SBT) - apelo sexual, ridicularização da pessoa
humana e horário impróprio.
4. Pânico
na TV (Rede TV!) - incitação à violência, ridicularização da
pessoa humana e horário impróprio.
5. Big
Brother Brasil (Rede Globo) - apelo sexual.
6. Eu vi
na TV (Rede TV!) - apelo sexual.
7.
Superpop (Rede TV!) - apelo sexual e exploração do ser humano.
8. Malhação
(Rede Globo) - horário impróprio.
9. Sabadaço
e Boa Noite Brasil (do apresentador Gilberto Barros - Band) - apelo
sexual e horário impróprio.
10.
Cidade Alerta (Rede Record) - horário impróprio.
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
Rio de
Janeiro:
Jens
Glusing - Representante da Associação Brasileira de Correspondentes
Estrangeiros
"Este programa é muito importante e tocou nos aspectos
fundamentais deste debate. E a auto-crítica da imprensa tem que existir
para a maior responsabilidade dos jornalistas."
Lucia
Hippolito - Cientista Política
"O programa foi surpreendente já que o assunto estava
encerrado e apareceram várias novas questões a serem discutidas."
São
Paulo:
Sidnei
Basile - Jornalista
"Eu acho que o debate foi oportuno, muito eficaz, cobriu uma
ampla gama de temas, acho que talvez valesse a pena, em função do
teor, da confusão que se armou em torno do caso do Larry Rohter, que
tivéssemos um espaço para refletir sobre a maneira como nós
trabalhamos a liturgia da imprensa, ou seja, nós trabalhamos
corretamente o ritual de ouvir as partes, assegurar o direito de defesa
de quem está sendo ofendido, reparar as ofensas, qualificar as fontes?
Nós estamos fazendo isso adequadamente ou não? Eu sei que esse é um
tema absolutamente cotidiano no Observatório da Imprensa, mas ele ganha
uma relevância especial em conseqüência dessa confusão grande que nós
vivemos."
PERGUNTAS
E-mails recebidos na
semana de 18/05 a 01/06:
Regina C. A. Ferreira
Dines, queria saber sua opinião sobre o recuo do presidente diante
daquela carta insuficiente no teor e da reafirmação que o NYT fez
questão de publicar sobre a veracidade da matéria. Não acha que o
presidente simplesmente deveria ver a Justiça fazer o seu papel e ponto
final? Obrigada pela sua integridade, lucidez e amparo com seus programas
e textos que nos ajudam a resistir a tanta mediocridade do jornalismo
"livre" que se pratica. Deus te abençoe!
J. H. J. Aquino
Hoje já não reverencio as atitudes do Lula como antes até que me
demonstre o contrário, mas ainda tenho esperanças. Muito menos, jamais,
guardo admiração pelos radicais do PT ou outros quais forem. Mas...
Lula, o Presidente, estaria de todo errado no caso da expulsão do folgado
jornalista do New York Times a qual dão hoje abusiva ênfase? É curioso,
intrigante, deplorável até, a postura incoerente, eternamente resignada,
servil, de parte de políticos oportunistas. Os atuais radicais
oposicionistas, que se aproveitando duplamente - atingindo o Governo,
bajulando e lavando as suas caras sujas ante a mídia de quem se dizem
defensores - atiram suas farpas contra o Presidente pela sua compatível
atitude frente a agressão sofrida pelo Brasil. E, pasmem, a indignação
parte até de alguns setores da própria mídia que muitas vezes se julgam
acima das críticas. Mexeu com um deles, independente que seja um
incompetente, irresponsável e tenha adotado uma postura ética
incompatível com o que se espera de um verdadeiro jornalismo, desaba um
mundo de bombas de altíssimo poder destrutivo sobre aqueles que sequer
ousem rebater-lhes as críticas. Cabe uma recomendação: senhores
pretensos jornalistas, vejam e aprendam com o programa Observatório da
Imprensa. Sim senhores! Sabidamente instigada por políticos
oposicionistas, impatrióticos, biltres que tentando auferir vantagens
próprias elegem a politicagem irracional acima dos interesses reais da
Nação, a reportagem feriu sim! a nossa soberania. Foi mais um tapa na
cara daqueles que estamos acostumados virar a outra face. A reação da
Presidência pode ter sido dura, concordo, mas longe de abusiva, à altura
do ato falho, intencional e nocivo ao País, não bastasse as investidas
abusivas das quais estamos acostumados a ser alvo em todas as áreas,
todos os dias. Imaginem os senhores se o caso fosse o inverso. Parece que
nós temos o mau hábito de esquecer com uma rapidez estonteante o quanto
somos desconsiderados por eles enquanto os recebemos tão
hospitaleiramente. De repente, hipocritamente, já que no fundo davam
gargalhadas, aqueles que ontem se diziam "indignados" contra a
provocação fatídica, abusiva e perniciosa de mais um desses
estrangeiros - tipo daqueles que embora sejam regiamente recebidos em
nossas terras, muito vezes acima do seu merecimento, retribuem à nossa
hospitalidade escarrando em nossas caras - hoje revertem a situação, em
dose absurdamente acima do conveniente, municiando os algozes e fazendo da
vítima o agressor. Agora digo eu: só no Brasil!
Mauro Alves da Silva, São Paulo
Governo Lula exagerou na dose ao defender a expulsão do jornalista
norte-americano, André Singer, porta-voz do presidente Lula, foi infeliz
ao dizer que o colunista "difama, injuria e calunia", tentando
justificar uma condenação, a expulsão, sem julgamento e sem a
"ampla defesa". Os defensores da Liberdade de Expressão devem
ficar atentos, pois o nosso Código Penal (1940) "não admite prova
da verdade se a notícia considerada caluniosa for contra o Presidente da
República ou chefe de governo estrangeiro" (inciso 2, parágrafo
3º, artigo 138). As suspeitas de que Bush trocou "álcool por
óleo" ou de que os vícios de Lula o levaram a editar uma Medida
Provisória para liberar a propaganda de cigarros em eventos esportivos
(Fórmula 1) e não proibir a propaganda de cervejas no rádio e TV -
antes das 22h, não podem ser noticiados, sob pena de detenção de 6
meses a dois anos e multa. Será que o exercício dos "podres
poderes" da América católica sempre precisará de ridículos
tiranos?
Manoel Pacifico
A imprensa livre é aquela que condenou os donos da Escola de Base em São
Paulo à morte em vida? Que apoiou o golpe de 64? Que apoiou Hitler na
Alemanha? Que apoiou a Invasão do Iraque? Até onde vai a liberdade de
imprensa? A Imprensa não é corporativa? Os Estados Unidos não
expulsaram há pouco tempo um jornalista iraquiano? Por que a imprensa
não condenou os EUA? A imprensa só fala do que lhe convém? Por que não
discutimos as responsabilidades do Presidente e também da Imprensa?
Aí está o problema: por isso a imprensa não gosta do Lula. A imprensa
não circula e manda como gostaria no governo. Agora deu para entender a
birra com o Lula, ouvindo o Observatório. Entendi.
Cícero Ricardo Cândido
Pergunta para Dines: em nome da liberdade de imprensa e de estar fazendo
seu trabalho, alguns jornalistas não estariam extrapolando e
desrespeitando as pessoas?
Pergunta para Lucia Hippolito: foi evidente que a reação do Presidente
foi exagerada, mas você acha correto que um jornalista venha ao Brasil e
fale como falou da autoridade maior do país do jeito que falou?
Mara Leite, Florianópolis / SC
Boa noite. Aprecio muito este programa e gostaria de argumentar o
seguinte: os brasileiros estão ora apoiando o jornalista do NYT, ora o
Presidente Lula. O povo, na verdade, quer saber: afinal, é mentira que o
Presidente bebe? Ou o Presidente bebe mesmo? Isto é que é importante
para os brasileiros. Grata.
Cláudio Ornellas
Dines, parece óbvio que o governo se excedeu no episódio da matéria do
NYT. Mas o que impressiona na reação à reação foi a incapacidade da
imprensa de ao menos aventar a possibilidade de má fé por parte do
jornalista americano. O que levaria um correspondente com tantos anos de
experiência a inventar uma matéria como aquela, criando uma
preocupação nacional? Apenas um surto de incompetência? Bebida demais
no almoço? Juizes podem vender sentenças, prefeitos podem ganhar
comissão em obras públicas, mas jornalista não leva jabá, nem
representa interesses menores?
Alexandre Cabreira, Criciúma / SC
Pelo menos Lula poderia beber em particular, com os amigos, e não
divulgar abertamente sua predileção pelo álcool, o que o tornará
figura carimbada na mídia mundial, a exemplo de outros líderes...
Rodrigo M. Viana
Gostaria de perguntar à jornalista Lúcia Hippolito se ela acredita que a
população tem essa curiosidade toda sobre a vida privada dos políticos,
ou a imprensa é quem cria e alimenta esta curiosidade, e também se ela
não distingue celebridades como artistas, cantores etc, dos políticos no
que diz respeito à privacidade. Políticos e celebridades não têm
direito a nenhuma privacidade?
Luiz Felipe Lopes de Sousa, Rio de Janeiro
Primeiro achei que tinha sido uma decisão apaixonada do governo. Depois
li matéria do Dines, em que ele afirma que não foi uma decisão figadal,
mas cerebral, pensada. Isso me fez ficar triste e preocupado com a falta
de visão estratégica e política de quem tem tanto poder para decidir, e
decide brutalmente errado, transformando uma comoção nacional em favor
do Presidente em uma repulsa quase unânime. Guardadas as abissais
diferenças, me lembra o Bush que invade o Iraque, sem avaliar as
conseqüências de seu desatino e de suas mentiras, e agora quer sair e
não sabe como.
Volnei Rosa e Silva, Recife / PE
Os Senhores não acham que imprensa brasileira deveria ter agido com maior
firmeza em repudiar e até punir um jornalista, seja ele estrangeiro ou
não, que faz uma entrevista sobre assuntos de governo e depois publica
uma página inteira falando de coisas pessoais de forma mentirosa e até
contraditória à sua proposta de entrevista? Isso não contribui para
desmoralizar a classe jornalística, se um dos maiores jornais do mundo
faz isso e todos o demais se calam? Se ao invés de jornalista ele fosse
um médico, engenheiro, advogado, ele seria punido pelo conselho que
regulamenta a profissão por ferir a ética, que tipo de punição as
entidades da classe jornalística aplicaram ao jornalista do NYT? E se
não, por quê?
Adriano A. Bruno, Bauru / SP
Caro Jornalista Alberto Dines, quero observar que, como eu, muitas pessoas
que conheço não compartilham da reação da mídia em geral em condenar
o governo Lula por ter suspendido o visto do jornalista americano. No meu
entendimento, a reação desproporcional nesse episódio todo foi da
mídia e não do governo. Muito barulho por nada, chegando a absurdas
acusações de censura. A liberdade de imprensa não foi atingida, na
medida que uma matéria jornalística vulgar e ofensiva não é nada que
se preze ou que mereça proteção. Além disso, o tal jornalista poderia
continuar escrevendo suas reportagens medíocres lá no conforto da
redação do NYT. Cidadãos estrangeiros em qualquer lugar do mundo devem
ter um mínimo de respeito com a população e os governantes do lugar
onde estão morando ou trabalhando, sejam jornalistas ou não, estando
sujeitos às leis locais. Jornalistas não estão acima do bem ou do mal e
lhes garanto que a maioria da população brasileira, se consultada, sem
influência dos "formadores de opinião", aprovou e gostou da
atitude do governo.
Ricardo S. Zanotta
Tereza Cruvinel, agora, a discussão dos convidados do Observatório da
Imprensa, na intervenção da jornalista Tereza Cruvinel, esbarra em um
problema de ordem nacional, primeiro sobre as diferenças entre a
comunicação e o marketing, sendo que os jornalistas de uma forma geral,
assim como fez a convidada, têm um viés de interpretação e deposita
tudo que está de errado no marketing. Como se essa área de conhecimento
fosse culpada pela falta de ética de alguns profissionais e,
principalmente, de muitos políticos que o utilizam para enganar os
eleitores e cidadãos. O marketing não pode arcar com o ônus da falta de
ética profissional, assim como a comunicação jornalística no Brasil
também não pode arcar com a irresponsabilidade daqueles que escrevem
barbaridades e matérias sensacionalistas, que influenciam em muito a
formação de nossa sociedade. E se formos levar em consideração os
prejuízos, seremos forçados a concluir que os efeitos da falta de ética
dos mal jornalistas são muito, mas muito mais prejudiciais ao processo de
comunicação do governo Lula, do que os serviços profissionais e éticos
(nunca levaram ninguém a erro), do publicitário Duda Mendonça.
Jornalistas do Observatório da Imprensa, o marketing do País hoje, é
muito mais importante que o processo de comunicação jornalístico,
nacional e internacional, desde que, seja tratado profissionalmente, com
responsabilidade e ética. O problema é que o Brasil não aplica os
conceitos de forma adequada e aqueles explicitados pelos jornalistas do
programa relacionando-os com o caso Lula X New York Times, são
equivocados e tendenciosos e, como muitos outros assuntos importantes,
tratados como vilões, quando comparados ao sacro e imaculado direito de
imprensa, que é colocado acima de qualquer suspeita, e em nome do qual é
possível cometer as maiores barbaridades, como no caso da construção da
imagem do ex- Presidente da República Fernando Collor de Mello, no Jornal
Nacional da Globo, em 1988 e 1989. E é com base no Direito de Imprensa, e
na condição de profissional e professor universitário de marketing da
PUC/SP e Mackenzie, que solicito ao respeitável programa, o direito de
resposta para o marketing.
Herez Santos, Rio de Janeiro
Senhores, gostaria de perguntar aos participantes se a questão sobre o
gosto do presidente à bebida não passa de conluio entre Washington e o
governo Lula para gerar solidariedade da população à imagem do
presidente, já que a popularidade dele está em queda vertiginosa. Até
porque, o governo Lula está de braços dados com Washington, haja vista a
política econômica do FMI seguida à risca, o envio de tropas ao Haiti,
as contra-reformas, etc. A frustração venceu, afinal, a esperança.
Marcos Colón, Niterói / RJ
Você não acha que a imprensa brasileira foi frouxa em não noticiar os
boatos como deveria? Parece que ela estava com medo de represália tal
como aconteceu ao repórter do NYT.
Sérgio Côco, Conceição da Barra / ES
Tem a preocupação com essa "liberdade de imprensa" e sempre
que ocorrem episódios desse tipo me recordo do caso do casal de japoneses
em São Paulo em que foi destruído por uma matéria mentirosa que estes
violentavam crianças. Discordo de que a matéria não possa ter interesse
em denegrir a imagem do presidente na opinião pública internacional pois
o New York Times pode ser contra o presidente Bush, mas é americano e
pode ter usado a matéria em favor dos interesses de seu país.
Lucilio Manoel da Silva
Bom, gostaria de dizer que assisto ao programa Observatório da Imprensa
há um bom tempo e que o mesmo é de grande qualidade. Porém me causa um
certo descontento ao ver o modo como estão tratando o caso do Lula com o
jornalista americano... Pois, ao meu ver, independente da matéria ser
verídica ou não o ponto crucial da reportagem cai sobre a imagem do
presidente de um país emergente e de grande relevância como o Brasil. E,
no entanto, o que tenho visto no programa são pessoas criticando a ação
do presidente, que até certo ponto eu também concordo que foi exagerada,
mas e quanto à imagem do presidente? E até onde isso pode afetar as
relações do Brasil com outros países? Enfim, só queria pedir que o
programa e seus representantes fossem um pouco mais imparciais quanto a
essa notícia. Obrigado pela compreensão.
Glaiton, Florianópolis / SC
No programa "Observatório da Imprensa" (TVE, 18/05/04) que
tratou do episódio envolvendo o artigo do correspondente do jornal
norte-americano e a reação do Pres. Lula, o Sr. Alberto Dines disse a um
telespectador que a sociedade deve observar a imprensa. Óbvio que a
sociedade deve - ou deveria, estar atenta a tudo o que lhe diga respeito.
Pretendia apresentar uma questão aos debatedores (ou seriam "concordadores")
presentes, e não consegui por ter ligado quase no final do programa: É
possível falar em responsabilidade quando se tratar de atos de
profissionais da imprensa? Ou seja, devemos apenas observar as ações das
divindades da mídia, não importando a veracidade das mesmas? Será a
redação o Olimpo da democracia? Não seria interessante se o direito à
liberdade tivesse um temperinho de responsabilidade? Um mundo onde fazer o
que se quer não estivesse desligado de responder pelo que se faz?
Parece-me que só é possível uma lei que trate da atividade da imprensa.
E com dois artigos apenas:
Art. 1º - É proibido criticar o crítico.
Art. 2º - Revogam-se as disposições em contrário.
Boa sorte para nós todos.
Luis Carlos Ainbinder Gomes
Foi simplesmente um absurdo a posição do Alberto Dines em resposta a um
telespectador. Colocar a sociedade numa simples posição de observação
passiva de empresas com o poder que as empresas jornalísticas possuem é
admitir como democrático a constituição de verdadeiras Agências TASS.
No momento em que falamos de controle das ações do Judiciário dizer que
qualquer forma de controle da imprensa é censura é um absurdo. Ou o que
eu acho, mais uma forma torpe de corporativismo. É considerada liberdade
de imprensa tudo o que escreve um jornalista, só pelo fato do cidadão
ter um registro de conselho profissional? Qual a diferença entre
Liberdade de Imprensa e libertinagem na imprensa? Existe ética
profissional para a profissão de Jornalista? A fidedignidade das fontes
deve ser considerada? Acho que todo aquele que diz o que não podem provar
ou veiculam mentiras deveriam ser punidos. Veja o exemplo do Jornal
Inglês, que montou cenas de tortura no Iraque para vender jornal. Esses
jornalistas mataram vários soldados e civis inocentes que tiveram que
encarar a revolta gerada no povo iraquiano. Todos os envolvidos deveriam
ir para a cadeia, pegar pena máxima. Esse jornalista americano já
escreveu várias reportagens desrespeitosas ao Brasil, essa da bebida do
Lula é tão somente mais uma. E representa mais um exemplo de leviandade
de um jornalista e da imprensa. É ato corriqueiro que os jornalistas para
fechar pauta escrevem qualquer coisa. O próprio Observatório da Imprensa
tempos atrás fez um programa estarrecedor com uma editora de economia
demitida da Veja. Um médico se erra e mata uma pessoa ou um contador que
falsifica informação perde registro do conselho e pode ser preso. Já um
jornalista mente, falseia e ilude e isso é liberdade de imprensa. Isso é
um verdadeiro absurdo e uma vergonha. Alberto Dines, gostaria de informar
que jornalista não é Deus.
Adriana Machado
Prezado Dines, ontem, assistindo o Observatório da Imprensa fui assaltada
por duas dúvidas:
1. Será que o Dines acredita mesmo que a imprensa no mundo, e em
particular no Brasil, não é controlada? Estou falando de um controle
perverso (velado), no qual os meios de comunicação ditam as regras do
que deve ou não virar notícia.
2. Você não acha que ao invés de a imprensa ficar discutindo a atitude
do Lula, que se tratou, naturalmente, de uma atitude emocional e pouco
pensada (talvez somente a direita desse país seja ardilosa o suficiente
para engolir em seco) ela talvez devesse proceder a uma análise
criteriosa do texto do tal jornalista? Ali, há alguns elementos a se
considerar. Um emaranhado de informações, você não acha?
Gilmar Henrik
Sim! Sou a favor da atitude do Presidente Lula. Liberdade de imprensa ou
seja lá do que for, requer responsabilidade. Ninguém pode sair por aí
difamando ou cometendo qualquer outro tipo de crime sem que haja
responsabilidade. Os americanos são um povo bélico e estratégico. Lula
não é presidente para os americanos. E isso os irrita. A mídia
brasileira está dando muita importância ao fato. E de repente seja este
o objetivo estratégico da ofensiva: diminuir a imagem do Presidente
brasileiro Lula perante os brasileiros. Ele só fez iniciar. Agora a
mídia está fazendo o resto. Este jornalista é muito astucioso e, com
certeza, ele está por aí, assistindo a tudo bastante satisfeito, vendo
que a sua estratégia deu mais do que certo. Zombando da alienação do
povo brasileiro. Outro dia vi no JN da Globo a deportação de um
brasileiro professor de inglês. Ele foi escoltado pela polícia americana
até o avião com as mãos e os pés algemados. O governo do Brasil
solicitou explicação às autoridades daquele país que até então não
havia enviado informações que fizessem jus à tão grande humilhação.
Acho isso muito mais grave e não teve repercussão da mídia. Que pouca
vergonha desses nossos telejornalistas.
Renato Pesca, Niterói / RJ
Olá, gostaria de fazer alguns comentários a respeito da imprensa. Eu
tenho o costume de ler as mesmas notícias em vários jornais diferentes
(na maior parte "online"), porque gosto de analisar como uma
notícia é divulgada por cada grupo de comunicação. Depois que descobri
o programa Observatório da Imprensa, passei a assisti-lo, porque de fato
eu me considero um observador da imprensa! Apesar de saber que cada grupo
defende um conjunto de interesses (sempre e sempre interesses monetários,
afinal de contas tudo é o dinheiro. É hipocrisia dizer que um grupo de
comunicação exista com o propósito exclusivo de divulgar a
"verdade"), os poucos que existem e que talvez tivessem este
propósito acabaram tomando uma posição quase que de "esquerda
total", e acabaram perdendo o propósito original. E
independentemente, não existe imprensa imparcial. Tudo o que se pode
fazer é tentar ser o mais imparcial possível, e oitenta por cento dessa
imparcialidade na minha opinião, nos dias atuais, está ligada a não
contrariar os interesses econômicos do grupo de comunicação ao qual o
jornalista pertence! Para não transformar esta mensagem em um assunto
filosófico, porque este tipo de discussão produz debates infinitos, no
caso da reportagem do jornal The New York Times, além da reportagem ter
sido mirabolante, e a reação do governo não ter sido muito boa, eu acho
que a imprensa se acha muito intocável, a ponto de se achar sem limites.
Todo mundo sabe que se os grandes jornais do país na primeira página
colocarem uma foto do presidente ou de quem quer que seja, dizendo que ele
é isto ou aquilo, ele é deposto(o presidente), mesmo que não seja tudo
o que escreveram sobre ele. Basta contrariar os interesses econômicos
desses grupos! Lembra do Collor? Como o povo brasileiro não é um povo
muito organizado politicamente, resultado da falta de cultura política,
este povo é facilmente influenciável por grandes grupos de
comunicação, e acaba fazendo o trabalho para eles. Se o governo Collor
não tivesse afetado o interesses desses grandes grupos, não teria havido
a retirada do presidente. Ou seja a grande imprensa só reflete o
interesse do povo em geral, quando este "berra". Suponha que o
governo "ferrasse" o povo e beneficiasse os grandes grupos. A
imprensa só refletiria as idéias do povo se o povo se organizasse a
ponto de o país perder o controle. No caso do Collor, tudo foi armado
pela imprensa porque o ato do governo afetou os seus interesses(interesses
dos grandes grupos). Essa é minha opinião. Apesar de não concordar com
o ato do cancelamento do visto do repórter, da repercussão deste fato eu
reitero que acho que a imprensa, numa linguagem coloquial, "se acha
muito". Isso é um absurdo na minha opinião. E apesar de condenar o
ato do governo, eu não o acho um absurdo tão grande. Eu explicarei isso
com base em observações que ando fazendo há um tempo, especificamente
em reportagens da Rede Globo, onde uma crítica que pode ser considerada
mais forte aos interesses norte americanos em geral, não é feita de Nova
Iorque (a Rede Globo tem escritórios lá), mas de um "cara" ou
na França ou no Reino Unido. As críticas que são feitas de Nova Iorque
pela Rede Globo são muito, muitíssimo amenas, em comparação com as
feitas aos EUA pelos correspondentes na França ou Reino Unido. Aí eu
lanço a interrogação: e se esses correspondentes fizessem essa crítica
pesada de lá, dos EUA? Será que com eles não aconteceria o que o
governo daqui pensou em fazer com o repórter? Será que os vistos deles
também não seriam cancelados?! Um abraço Dines e Lúcia Abreu, gosto
muito do programa de vocês. Desculpe pela mensagem grande, mas acho útil
as pessoas expressarem suas opiniões e discutirem os assuntos. Até logo.
Sérgio Carlos Francisco, Nova Friburgo / RJ
Faça a seguinte pergunta para os srs./sras.: Imaginem o que aconteceria
se um repórter brasileiro(correspondente) elaborasse uma reportagem
falando do Presidente americano o mesmo que este repórter falou do
Presidente Brasileiro, lá nos E.U.A.? Ele seria expulso dos Estados
Unidos (sim ou não?)?! Direitos iguais srs./sras.! Direitos iguais!
Edward Wilson Martins, São Paulo - Advogado
Prezados amigos: Assistindo o programa desta terça-feira (18) não posso
deixar de externar o meu júbilo pela lucidez, inteligência,
politização, capacidade e uma boa dose de emoção, indispensável, dos
participantes, sempre com a maestria da condução do Alberto Dines. E
quero permitir-me externar alguns comentários, neste espaço livre da
Internet a respeito do episódio da expulsão do jornalista do NYT. Muito
se falou e continua se falando, mas não li e nem ouvi (ainda) a respeito
de um assunto que está no cerne da questão: a posição do Governo Lula
com relação ao combate às drogas legais: o fumo e o álcool. No início
do ano passado assisti Bóris Casoy cobrar do governo recém eleito uma
posição firme no combate ao fumo e ao álcool e Bóris apostava que o
Governo Lula não teria coragem para enfrentar os gigantes da cerveja e
das bebidas destiladas. Infelizmente Bóris estava certo e ganhou a
aposta. O máximo que aconteceu foi a inserção na propaganda da cerveja
na TV do ridículo "beba com moderação" e continua a
propaganda das bebidas destiladas após o horário das 23 horas. Quanto a
propaganda do fumo conseguiu-se banir definitivamente da televisão, mas
é importante lembrar que o ex-Ministro da Saúde José Serra empreendeu
feroz campanha contra o cigarro, ainda no Governo FHC. Portanto, a luta
contra as drogas legais, em todo o mundo, é missão dos governos eleitos,
de enfrentamento através de políticas públicas e a proibição do
marketing, da propaganda, é uma medida das mais eficazes e que em muitos
países já existe há longa data. O álcool foi e continua sendo o grande
flagelo da humanidade. Muito mais do que as drogas ilegais (maconha,
cocaína, etc), é o consumo do álcool o grande vilão, muitas vezes
silencioso, que destrói pessoas, famílias, empresas, nações e
governos. Combater o vício do álcool é uma medida séria, não é coisa
de "careta", não é brincadeira. Podemos até ser tolerantes e
pacientes, mas temos que estar firmes na luta contra esse mal que afeta a
todos nós, direta ou indiretamente. Daí, o simples fato do Governo Lula
pouco ou nada estar fazendo nesse sentido já é uma coisa efetivamente
muito séria, ruim, que precisa ser denunciada pela mídia. Mas o que é
pior é que além do Governo Federal pouco ou nada estar fazendo contra o
vício do álcool, o Presidente da República ainda faz a sua apologia, ao
levantar o copo de cerveja na Oktoberfest e não esconde de ninguém que
é um "habitué" de longa data, desde os "tempos do
Sindicato" e incentiva que a população "aceite" e se
conforme, culturalmente, com essa situação. A foto do "levantamento
de copo" na Oktoberfest publicada pelo jornal NYT é emblemática.
Só que agora é um Chefe de Estado, um Presidente da República que está
lá e não um simples "ex-operário" ou "cidadão". Se
foi um jornal americano que publicou a foto em uma notícia redigida por
um jornalista estrangeiro pouco importa. O fato é que a apologia
aconteceu naquele evento e está acontecendo de outras formas, como, por
exemplo, nas habituais churrascadas que acontecem na Granja do Torto,
sempre regadas com muita cerveja e caipirinhas, após "inocentes
peladas" e que são divulgadas para o povo em notícias e reportagens
publicadas pela mídia nacional falada, escrita e televisada. Não
concordamos, mas não nos preocupamos com o fato de que Lula faça a
opção por gostar de tomar sua cerveja ou sua caipirinha nos finais de
semana. Também não sabemos se o hábito de ingerir bebidas alcoólicas
do Presidente se tornou "necessidade social", que é quando a
pessoa não consegue ficar sem beber por uma semana ou um mês, ou meses,
sintoma inequívoco da dependência. O que não podemos aceitar calados e
fica aqui o nosso protesto, e é notório, e agora muito mais ainda com a
reportagem do jornalista americano, é que Lula não está combatendo a
droga legal, o álcool, e o que é pior: além de fazer vistas grossas e
"colaborar" com a propaganda de "nossa" cerveja e de
"nossa" aguardente, ainda obriga a propaganda na TV inserir o
tal do "beba com moderação" no anúncio da cerveja, que mais
incentiva do que inibe o consumo. O que é certo e correto é a
proibição severa, total, da propaganda de álcool na televisão, seja de
cerveja, vinho ou de quaisquer bebidas destiladas. Não sei se Bóris
Casoy ainda continua a tocar nesse assunto, já que não assisto todos os
dias, religiosamente, o seu programa na Record. Apenas lembro que Bóris,
na sua inteligência aguda e informação minuciosa, foi quem
"levantou a lebre", desde o início do ano passado. Finalmente,
não é o meu objetivo "denegrir" a imagem de Lula ou de seu
Governo e essa manifestação apenas quer tocar num ponto específico, que
é o combate ao vício do álcool no país, através de políticas
públicas específicas e rigorosas. O que o Governo Lula precisa fazer é
enfrentar o problema das drogas legais (fumo e álcool) e combatê-lo com
energia, com vontade, com determinação, e com a firme disposição de
também dar o exemplo através da própria imagem do Presidente da
República, investindo forte em uma imagem de lucidez e segurança, capaz
de influenciar positivamente principalmente os nossos jovens e
adolescentes, com o carisma que possui e que foi fundamental para levá-lo
ao cargo máximo da nação. Para terminar, vale recordar que os
políticos experientes sabem muito bem que nunca se devem deixar
fotografar com o copo na mão. Principalmente no caso do Presidente da
República...!
Telefonemas recebidos em 18/05:
Juliano de Assis, Vespaziano / MG
Eu vejo que posições políticas contrárias ao governo Lula
influenciaram essa unanimidade contra o presidente por parte dos
jornalistas.
Ademir Coelho, Belo Horizonte / MG
Sou contra o Lula. Acho que ele deveria tomar outra medida.
Rui Fulgêncio, Belo Horizonte / MG
Na Venezuela um jornalista vai ser julgado por ter apresentado fitas de um
oficial cubano. A presidência deveria ser entregue a pessoas
despreparadas?
Thaís Cintra, Recife / PE
Esse caso não está abafando o casa das torturas contra os iraquianos?
Vera Regina Azevedo, Rio de Janeiro
O NY Times é um jornal de repercussão internacional e, infelizmente, a
atitude do presidente foi imatura e mostra que ele não está preparado
para o cargo. A imprensa brasileira tem que apoiar o NY Times. Como
cidadã me sinto revoltada pelo atitude do presidente.
Cláudio Duarte, Niterói / RJ
O Lula, neste caso, deveria calar-se. Foi ele quem mais divulgou este
debate que só contribuiu negativamente para a sua imagem.
Elias Pereira, Belo Horizonte / MG
O presidente está certo. Os jornalistas estão errados em criticar o
presidente porque a matéria do NY Times foi completamente motivada por
interesses políticos norte-americanos.
Jonas Gomes, Fortaleza / CE
Vários itens da constituição são feridos. E quando a constituição é
ferida no Brasil e ninguém faz nada?
Geraldo Rogério, São Paulo
E se fosse o inverso? Se fosse um jornalista brasileiro nos Estados Unidos
dizendo sobre os hábitos etílicos do presidente Bush, o que aconteceria?
Welter Paiva, Recife / PE
A imprensa leva a informação corretamente aos leitores? Esse tipo de
reportagem não serviria apenas para afetar a imagem do presidente?
George Martins da Silva, Carapicuiba / SP
É lamentável que a nossa imprensa não consiga distinguir liberdade de
baderna. Se fosse o contrário, este jornalista estaria preso nos Estados
Unidos.
José Arnaldo Machado, Maceió / AL
O presidente da república não tem que ter mais responsabilidade com sua
imagem? Beber em público não ataca a imagem de seu presidente?
Freitas Rodrigues Macedo, Mineiros / GO
A imprensa está botando muita lenha na fogueira. O repórter do NY Times
está correto e só falou verdades.
Geraldo Souza, Recife / PE
O jornalista tem que ter a liberdade de escrever suas reportagens. Mas no
caso do jornalista americano, atacou apenas a imagem do presidente.
Francisco Ribeiro, Palmas / TO
Sidnei Basile, no Brasil existe realmente liberdade de imprensa?
Maria Inez, São Paulo / SP
Tereza Cruvinel, a liberdade de imprensa está acima de uma questão
ética de relacionamento entre as pessoas?
Sirlei Franciscone, Porto Alegre / RS
O Observatório da Imprensa não deveria estar se preocupando com os
aspectos mais importantes do governo Lula? A imprensa também não deveria
cobrir mais a segurança pública e a questão do emprego? Há duas
semanas só se fala desse assunto.
Wilson Carvalho, Rio de Janeiro
Lucia Hippolito, a liberdade de imprensa é apenas um dos usos da
liberdade individual. O cidadão brasileiro é livre?
Rogério Araújo, São Gonçalo / RJ
O governo agiu de forma errada, mas, ao mesmo tempo, a informação é
errônea e fere o direito do público em ser bem informado.
Mário Jorge, Marília / SP
Alberto Dines, tudo tem um limite, até os correspondentes estrangeiros
confundem liberdade com libertinagem, e democracia com anarquia. A atitude
do presidente Lula não feriu a liberdade de imprensa, mas
profissionalizou a profissão.
Váber Fernandes, Carapebus / RJ
Eu acho que a imprensa é irresponsável e coorporativista.
Benedito de Souza, São Paulo
Vi uma crítica ao Observatório na Folha de São Paulo que me deixou
revoltado. As pessoas devem suportar algo tão grave contra ela? A
imprensa não deveria punir os jornalistas?
Antônio Pádua, Belo Horizonte / MG
O Lula, na verdade, gostaria de expulsar o jornalista. Só não o fez por
temer a continuação das reações negativas.
Paulo Henrique Silva Oliveira, Jequié / BA
Uma observação sobre o jornalista francês: será que o jornalista pode
tudo?
Gilson Cunha, Arasoiaba da Serra / SP
O jornalista se excedeu, mas fez bem em levantar essa questão da imagem
pública do presidente. O que Alberto Dines acha disso?
José Pedro Viana, Brumado / BA
A liberdade de imprensa tem um limite. Temos que parar com o
corporativismo na imprensa. Tudo tem um limite.
Marcos dos Santos, Rio de Janeiro
Muitas coisas erradas são feitas pelos jornalistas e são cobertas pela
"liberdade de imprensa". Quem controla esse tipo de coisa?
Paulo Queiroz, Recife / PE
Qual é o tamanho do impacto que esse episódio causa na imagem do
presidente? Esse impacto pode contribuir para o declínio da aprovação
do governo?
João Gualberto, Feira de Santana / BA
Lucia Hippolito, se um jornalista brasileiro fizesse com o presidente
americano o mesmo que fizeram com o Lula, qual seria a reação do governo
americano e da opinião pública americana?
Lincoln Lima, Rio de Janeiro
Jens Glusing, você concorda que o NY Times não defende a Casa Branca e
sim os interesses americanos? Será que o NY Times não tem interesse em
desacreditar o presidente de um país emergente?
Marcos Aurélio, Rio de Janeiro
A imprensa discutiu demais esse assunto, não estaria se esquecendo de
coisas mais importantes?