PROGRAMA DO DIA 18 de maio de 2004

LULA x NEW YORK TIMES

No último programa debatemos a expulsão do correspondente norte-americano Larry Rohter e todas as suas conseqüências.
Discutimos a reação do governo e a reação contrária e imediata de diversos setores da sociedade civil.
Terá sido a atitude do governo uma agressão à liberdade de imprensa? Ou uma reação inevitável?
Também esteve na pauta de discussões o posicionamento da imprensa em relação ao caso, antes e depois da decisão de cassar o visto do jornalista.
Surgiram, na época, várias teorias conspiratórias, colocando a reportagem do The New York Times como uma peça de um esquema maior para desacreditar o presidente Lula, liderança emergente da América Latina.
Será que a análise procede ou é mais um exemplo de anti-americanismo de nossa mídia?

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

LULA & NY TIMES
A anatomia da ressaca

Alberto Dines

"Emily, não atrapalhe." Foi assim que Colin Powell dirigiu-se no ar à vice-diretora de comunicação do Departamento de Estado que tentava interromper a entrevista que ele concedia via satélite à NBC.

Leia na íntegra

A solução do episódio Lula vs. New York Times foi positiva para o governo?

Resultado:

Sim: 27%

Não: 73%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Editorial:

Bem vindos ao "Observatório da Imprensa".

O assunto está encerrado mas para os jornalistas tudo deve estar em aberto, pronto para ser revisto, rediscutido, tudo precisa ser entendido. O ponto final só funciona na literatura.


Leia na íntegra

QUALIDADE DA PROGRAMAÇÃO
Campanha atualiza ranking da baixaria
Leticia Nunes

A sexta atualização do ranking da baixaria na televisão foi divulgada na quarta-feira, 12/5, pela coordenação da campanha "Quem financia a baixaria é contra a cidadania", da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. O ranking traz os dez programas da televisão brasileira que mais desrespeitam os direitos dos cidadãos, de acordo com denúncias feitas à campanha pelos próprios telespectadores.

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

LULA x NEW YORK TIMES

Dando continuidade ao assunto da semana anterior, o Observatório da Imprensa desta terça-feira foi a respeito da matéria do New York Times sobre os supostos hábitos etílicos do presidente Lula e da quase suspensão do visto de residência do autor da reportagem, Larry Rother. Segundo Alberto Dines, o assunto está encerrado, mas para jornalistas tudo deve estar em aberto, pronto para ser revisto, rediscutido, tudo precisa ser entendido.

Participaram, ao vivo, do programa: a cientista política Lucia Hippolito e o representante da Associação Brasileira de Correspondentes Estrangeiros Jens Glüsing, no Rio de Janeiro; o jornalista Sidnei Basile, em São Paulo; e a articulista de O Globo, Tereza Cruvinel, em Brasília. Também deram seus depoimentos, em matéria: Maurício Azêdo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa; o senador Sérgio Cabral Filho e, por telefone, o articulista da Folha de S. Paulo, Clóvis Rossi e o ex-correspondente da France Press, François Pelou, da França.

Em relação à tentativa de expulsar Larry Rother do Brasil, Maurício Azêdo afirmou: "Essa medida do Governo fere profunda e gravemente a liberdade de imprensa que é um dos pilares do Estado de Direito, democrático". Já Sidnei Basile acha que não houve coerência entre o tipo de ofensa que ocorreu e a reação que se produziu.

Para Jens Glüsing, o Brasil tem que se preocupar menos com a imagem do país no exterior e olhar um pouco mais para sua própria realidade.

"Presidente da República não é pessoa física, presidente da República não tem vida privada. Ele vive numa vitrine, ele é presidente 24 horas por dia", lembrou Lucia Hippolito. De acordo com ela, independentemente do fato de determinadas afirmações sobre o presidente serem mais ou menos ofensivas, a curiosidade da sociedade diante da vida das autoridades é absolutamente legítima.

Tereza Cruvinel chamou a atenção para um outro ponto: "O que me impressionou como observadora da cena política foi o processo decisório do presidente, que me faz pensar que ele está cercado por dois tipos de pessoas, as que têm projetos pessoais e as que querem agradá-lo. O presidente está tomando decisões cercado de um grupo que nem sempre busca o melhor resultado". A respeito da relação do Governo com a imprensa, a articulista de O Globo acrescentou: "dos governos da redemocratização até hoje nenhum teve tanta dificuldade de lidar com a imprensa quanto o atual".

Na conclusão do programa, Sidnei Basile lamentou que tudo isso tenha sido provocado por uma matéria ruim, que passou opiniões com se fossem notícias. Já Jens Glüsing espera que este tenha sido um episódio isolado e que o Governo tenha aprendido alguma coisa com a reação da mídia do mundo inteiro.

Claudia Bojunga (estagiária)


EDITORIAL

Bem vindos ao "Observatório da Imprensa".

O assunto está encerrado mas para os jornalistas tudo deve estar em aberto, pronto para ser revisto, rediscutido, tudo precisa ser entendido. O ponto final só funciona na literatura.

Até momentos antes da nossa última edição o governo ganhava de goleada na peleja contra o New York Times. O país inteiro - nele compreendido também a oposição - estava solidário com o presidente Lula. A matéria assinada pelo correspondente Larry Rohter foi considerada unanimemente como leviana, inconsistente e precária. Talvez fiado neste êxito o governo foi em frente e suspendeu o visto de residência do jornalista. Não foi uma decisão sábia e isto ficou flagrante aqui neste Observatório. A participação do jornalista Ricardo Kotscho, secretário da imprensa da presidência da república, foi superior, foi sobretudo responsável: mostrou que as decisões - mesmo as dolorosas - precisam ser explicadas, a sociedade quer saber e o governo não pode omitir-se, tem obrigação de informar.

Kotscho aqui neste Observatório deu uma lição de dignidade. Felizmente apareceu em cena um bombeiro de alta categoria, o ministro da justiça Márcio Thomas Bastos e o incêndio foi apagado. Larry Rohter explicou-se através dos advogados, o governo aceitou as explicações e suspendeu a suspensão do visto, tudo voltou à estaca zero.

Sossegados os ânimos, cicatrizadas as feridas, hora de refletir. Essa é a nossa obrigação.


ARTIGO
Por Alberto Dines

LULA & NY TIMES
A anatomia da ressaca

Alberto Dines

"Emily, não atrapalhe." Foi assim que Colin Powell dirigiu-se no ar à vice-diretora de comunicação do Departamento de Estado que tentava interromper a entrevista que ele concedia via satélite à NBC.

Era exatamente isso que o presidente Lula da Silva deveria ter dito ao ministro Fulano ou ao assessor Beltrano - mais realistas do que o rei - que tentavam colocar mais lenha na fogueira do caso New York Times. Fez o contrário: mandou brasa na expulsão do jornalista Larry Rohter e colocou sob suspeita sua vocação democrática.

Até a tarde de terça-feira (11/5), era o senhor da situação, envolvido pela solidariedade federal. Naquela mesma noite, por artes de uma decisão extemporânea, foi remetido à condição de Geni - saco de pancadas da irritação nacional.

Ao invés de prestar atenção às competências do secretário de Imprensa e do ministro da Justiça - que, como bons profissionais lhe apresentavam soluções -, preferiu os carbonários que forçavam problemas. Resultado: as relações governo-imprensa, que já podiam ser consideradas insatisfatórias, foram rebaixadas para o nível de precárias.

Excesso de visibilidade

Esta não é uma questão que concerne apenas ao governo e ao partido do governo, esta é uma questão que diz respeito à sociedade. A imprensa é apenas a intermediária entre governantes e governados. Nesta condição de mediadora soube identificar as fragilidades do texto agressor assinado pelo correspondente do NYT, bem como captar a simpatia popular que envolveu o agredido.

Mas um dia depois da decisão de expulsar o jornalista e surpreendido com a mudança de ânimo da mídia, o presidente a acusou frontalmente de "corporativista". Então ficou flagrante que Luiz Inácio Lula da Silva, o carismático líder operário que em 25 anos chegou à presidência da República, esqueceu a valiosa contribuição da mídia à sua biografia. Ou, se não a esqueceu, quer um repeteco integral e irrestrito. A esta altura, impossível.

O adjetivo ficou soterrado no monte de besteiras que foram ditas naqueles dias. Mas foi espontâneo, por isso significativo: a imprensa só é boazinha quando obedece aos ditames palacianos, quando os recusa é "corporativista". Ou, quem sabe, escrava da Casa Branca e dos neoconservadores americanos.

É preciso lembrar que nos últimos seis meses, a partir de dezembro de 2003 (quando a realidade começou a impor-se às promessas eleitorais), ocorreram diversos esbarrões, cotoveladas ou fissuras entre o governo e imprensa agravados pela incompreensível dificuldade de trazer o grande comunicador que é Lula da Silva ao alcance dos meios de comunicação [N. da R.: veja abaixo remissões para matérias sobre as últimas trombadas entre governo e imprensa; e acerca da resistência do presidente da República a expor-se em entrevistas coletivas regulares].

O pior é que nos momentos de crise aguda o governo recorre invariável e abertamente aos truques do marketing trazendo para a ribalta o seu principal artífice em vez de mantê-lo nos bastidores, como recomendam os manuais.

Alguém precisa avisar o presidente Lula da Silva que jornalismo e marketing político, apesar de certas convergências no tocante aos objetivos finais, são funções e ações opostas. Todo marqueteiro gosta de jornalistas, bons ou maus. Mas bons jornalistas, em princípio, costumam desconfiar da excessiva visibilidade dos marqueteiros (em inglês spin doctors) que, como todos os médicos, só aparecem em caso de doença.

Ainda no bê-á-bá

Compreende-se a gratidão dos vitoriosos das últimas eleições presidenciais aos operadores de marketing político, mas a excessiva exposição e supervalorização desses gênios secundariza o trabalho eminentemente político que tem na imprensa e no jornalismo sua principal ferramenta.

Nesta semana de tantas emoções e libações ficou evidente a diferença entre jornalistas e "doutores de imagem", entre os que estão com o pé no chão e os que preferem o salto alto. A divisão não é estrita porque junto com os jornalistas estão juristas e políticos e, no grupo dos cultores de imagem, outros jornalistas, cartunistas, diplomatas e os generalistas (como o ministro Tarso Genro, que resolveu classificar a imprensa americana como "uma das piores do mundo").

Estes apostaram na radicalização, nas teorias conspiratórias e apocalípticas. Perceberam na onda de solidariedade em torno do presidente a oportunidade para soltar os demônios da xenofobia e estimular confrontos. Ferraram-se. E o governo com eles.

Agora, ao fazer a anatomia da ressaca, convém enxergar as falhas sistêmicas que a provocaram. A matéria de Larry Rohter só ganhou essa relevância toda porque, depois de 16 meses de intenso treinamento, o governo Lula ainda não ultrapassou o bê-á-bá do processo de tomar decisões e comunicá-las. Acreditou que um upgrade no nome da antiga Secretaria de Comunicação com o pomposo aposto de Gestão Estratégica abriria magicamente o caminho do reconhecimento popular.

Deveria ter feito como Colin Powell, que no meio da entrevista via satélite pediu que a assessora Emily não atrapalhasse. É assim que se trata os trapalhões.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

QUALIDADE DA PROGRAMAÇÃO
Campanha atualiza ranking da baixaria
Leticia Nunes

A sexta atualização do ranking da baixaria na televisão foi divulgada na quarta-feira, 12/5, pela coordenação da campanha "Quem financia a baixaria é contra a cidadania", da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. O ranking traz os dez programas da televisão brasileira que mais desrespeitam os direitos dos cidadãos, de acordo com denúncias feitas à campanha pelos próprios telespectadores.

As críticas ou elogios aos programas de TV podem ser feitos por qualquer cidadão por meio de um número de telefone gratuito (0800-619619) ou pelo site da campanha, em (www.eticanatv.org.br).

O ranking é montado com base na manifestação popular. A partir dele, um conselho elabora pareceres que serão entregues às emissoras de TV. Constituem este sexto ranking as denúncias feitas do dia 13 de janeiro a 7 de maio de 2004. Foram 1.612 reclamações no total.

Lançada em novembro de 2002, a campanha "Quem financia a baixaria é contra a cidadania", coordenada pelo deputado Orlando Fantazzini (PT-SP), luta por uma programação televisiva de qualidade. Desde então, já recebeu mais de 15 mil manifestações. Junto com a sexta versão do ranking foi também divulgado um documento público, assinado pelas entidades parceiras da campanha, de repúdio à carta enviada pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação ao presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

Apelo aos anunciantes

Em janeiro deste ano, uma decisão inédita do Ministério da Justiça reclassificou cinco telejornais policialescos como inadequados para exibição antes das 21 horas, por causa de seu excessivo apelo à violência. O ministério, no entando, voltou atrás na decisão.

Mesmo com o recuo do governo, a coordenação da campanha considera que os tais programas - entre eles o Brasil Urgente, da Rede Bandeirantes - são inadequados ao horário de exibição. Por isso, enviou ofícios aos anunciantes desses telejornais recomendando que deixassem de associar seus produtos a programas que desrespeitam os direitos dos cidadãos.

Repúdio às acusações

Por causa dessa medida, a Rede Bandeirantes acusou o deputado Orlando Fantazzini de extrapolar sua função parlamentar, ferir o Código de Ética e Decoro Parlamentar e cercear o livre exercício das atividades das empresas anunciantes.

O documento de repúdio à carta da Rede Bandeirantes afirma que não houve qualquer tipo de intimidação às empresas anunciantes por parte do coordenador da campanha. "Ao que nos consta, o deputado não ameaçou prender ou processar ninguém. (...) Para o fiel cumprimento do direito de liberdade de expressão, qualquer cidadão tem direito de recomendar ações a outros cidadãos, ações essas que não são criminosas, mas baseadas em princípios éticos e legais", diz um trecho do documento.

O contato da campanha com os anunciantes foi feito por meio de um ofício que solicitava que a empresa deixasse de anunciar no programa, e apresentava as justificativas para o pedido. Foram contatadas 14 empresas anunciantes dos programas policialescos exibidos no período da tarde. Destas, apenas seis responderam à solicitação feita pela campanha, e cinco prometeram que irão rever suas estratégias de publicidade.

Os dez mais

Eis os dez programas campeões da sexta edição do ranking da baixaria:

1. Celebridade (Rede Globo) - apelo sexual, incitação à violência e horário impróprio.

2. Kubanacan (Rede Globo) - apelo sexual, incitação à violência e horário impróprio.

3. Programa do Ratinho (SBT) - apelo sexual, ridicularização da pessoa humana e horário impróprio.

4. Pânico na TV (Rede TV!) - incitação à violência, ridicularização da pessoa humana e horário impróprio.

5. Big Brother Brasil (Rede Globo) - apelo sexual.

6. Eu vi na TV (Rede TV!) - apelo sexual.

7. Superpop (Rede TV!) - apelo sexual e exploração do ser humano.

8. Malhação (Rede Globo) - horário impróprio.

9. Sabadaço e Boa Noite Brasil (do apresentador Gilberto Barros - Band) - apelo sexual e horário impróprio.

10. Cidade Alerta (Rede Record) - horário impróprio.


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

Rio de Janeiro:

Jens Glusing - Representante da Associação Brasileira de Correspondentes Estrangeiros
"Este programa é muito importante e tocou nos aspectos fundamentais deste debate. E a auto-crítica da imprensa tem que existir para a maior responsabilidade dos jornalistas."

Lucia Hippolito - Cientista Política
"O programa foi surpreendente já que o assunto estava encerrado e apareceram várias novas questões a serem discutidas."

São Paulo:

Sidnei Basile - Jornalista
"Eu acho que o debate foi oportuno, muito eficaz, cobriu uma ampla gama de temas, acho que talvez valesse a pena, em função do teor, da confusão que se armou em torno do caso do Larry Rohter, que tivéssemos um espaço para refletir sobre a maneira como nós trabalhamos a liturgia da imprensa, ou seja, nós trabalhamos corretamente o ritual de ouvir as partes, assegurar o direito de defesa de quem está sendo ofendido, reparar as ofensas, qualificar as fontes? Nós estamos fazendo isso adequadamente ou não? Eu sei que esse é um tema absolutamente cotidiano no Observatório da Imprensa, mas ele ganha uma relevância especial em conseqüência dessa confusão grande que nós vivemos."


PERGUNTAS

E-mails recebidos na semana de 18/05 a 01/06:

Regina C. A. Ferreira
Dines, queria saber sua opinião sobre o recuo do presidente diante daquela carta insuficiente no teor e da reafirmação que o NYT fez questão de publicar sobre a veracidade da matéria. Não acha que o presidente simplesmente deveria ver a Justiça fazer o seu papel e ponto final? Obrigada pela sua integridade, lucidez e amparo com seus programas e textos que nos ajudam a resistir a tanta mediocridade do jornalismo "livre" que se pratica. Deus te abençoe!

J. H. J. Aquino
Hoje já não reverencio as atitudes do Lula como antes até que me demonstre o contrário, mas ainda tenho esperanças. Muito menos, jamais, guardo admiração pelos radicais do PT ou outros quais forem. Mas... Lula, o Presidente, estaria de todo errado no caso da expulsão do folgado jornalista do New York Times a qual dão hoje abusiva ênfase? É curioso, intrigante, deplorável até, a postura incoerente, eternamente resignada, servil, de parte de políticos oportunistas. Os atuais radicais oposicionistas, que se aproveitando duplamente - atingindo o Governo, bajulando e lavando as suas caras sujas ante a mídia de quem se dizem defensores - atiram suas farpas contra o Presidente pela sua compatível atitude frente a agressão sofrida pelo Brasil. E, pasmem, a indignação parte até de alguns setores da própria mídia que muitas vezes se julgam acima das críticas. Mexeu com um deles, independente que seja um incompetente, irresponsável e tenha adotado uma postura ética incompatível com o que se espera de um verdadeiro jornalismo, desaba um mundo de bombas de altíssimo poder destrutivo sobre aqueles que sequer ousem rebater-lhes as críticas. Cabe uma recomendação: senhores pretensos jornalistas, vejam e aprendam com o programa Observatório da Imprensa. Sim senhores! Sabidamente instigada por políticos oposicionistas, impatrióticos, biltres que tentando auferir vantagens próprias elegem a politicagem irracional acima dos interesses reais da Nação, a reportagem feriu sim! a nossa soberania. Foi mais um tapa na cara daqueles que estamos acostumados virar a outra face. A reação da Presidência pode ter sido dura, concordo, mas longe de abusiva, à altura do ato falho, intencional e nocivo ao País, não bastasse as investidas abusivas das quais estamos acostumados a ser alvo em todas as áreas, todos os dias. Imaginem os senhores se o caso fosse o inverso. Parece que nós temos o mau hábito de esquecer com uma rapidez estonteante o quanto somos desconsiderados por eles enquanto os recebemos tão hospitaleiramente. De repente, hipocritamente, já que no fundo davam gargalhadas, aqueles que ontem se diziam "indignados" contra a provocação fatídica, abusiva e perniciosa de mais um desses estrangeiros - tipo daqueles que embora sejam regiamente recebidos em nossas terras, muito vezes acima do seu merecimento, retribuem à nossa hospitalidade escarrando em nossas caras - hoje revertem a situação, em dose absurdamente acima do conveniente, municiando os algozes e fazendo da vítima o agressor. Agora digo eu: só no Brasil!

Mauro Alves da Silva, São Paulo
Governo Lula exagerou na dose ao defender a expulsão do jornalista norte-americano, André Singer, porta-voz do presidente Lula, foi infeliz ao dizer que o colunista "difama, injuria e calunia", tentando justificar uma condenação, a expulsão, sem julgamento e sem a "ampla defesa". Os defensores da Liberdade de Expressão devem ficar atentos, pois o nosso Código Penal (1940) "não admite prova da verdade se a notícia considerada caluniosa for contra o Presidente da República ou chefe de governo estrangeiro" (inciso 2, parágrafo 3º, artigo 138). As suspeitas de que Bush trocou "álcool por óleo" ou de que os vícios de Lula o levaram a editar uma Medida Provisória para liberar a propaganda de cigarros em eventos esportivos (Fórmula 1) e não proibir a propaganda de cervejas no rádio e TV - antes das 22h, não podem ser noticiados, sob pena de detenção de 6 meses a dois anos e multa. Será que o exercício dos "podres poderes" da América católica sempre precisará de ridículos tiranos?

Manoel Pacifico
A imprensa livre é aquela que condenou os donos da Escola de Base em São Paulo à morte em vida? Que apoiou o golpe de 64? Que apoiou Hitler na Alemanha? Que apoiou a Invasão do Iraque? Até onde vai a liberdade de imprensa? A Imprensa não é corporativa? Os Estados Unidos não expulsaram há pouco tempo um jornalista iraquiano? Por que a imprensa não condenou os EUA? A imprensa só fala do que lhe convém? Por que não discutimos as responsabilidades do Presidente e também da Imprensa?
Aí está o problema: por isso a imprensa não gosta do Lula. A imprensa não circula e manda como gostaria no governo. Agora deu para entender a birra com o Lula, ouvindo o Observatório. Entendi.

Cícero Ricardo Cândido
Pergunta para Dines: em nome da liberdade de imprensa e de estar fazendo seu trabalho, alguns jornalistas não estariam extrapolando e desrespeitando as pessoas?
Pergunta para Lucia Hippolito: foi evidente que a reação do Presidente foi exagerada, mas você acha correto que um jornalista venha ao Brasil e fale como falou da autoridade maior do país do jeito que falou?

Mara Leite, Florianópolis / SC
Boa noite. Aprecio muito este programa e gostaria de argumentar o seguinte: os brasileiros estão ora apoiando o jornalista do NYT, ora o Presidente Lula. O povo, na verdade, quer saber: afinal, é mentira que o Presidente bebe? Ou o Presidente bebe mesmo? Isto é que é importante para os brasileiros. Grata.

Cláudio Ornellas
Dines, parece óbvio que o governo se excedeu no episódio da matéria do NYT. Mas o que impressiona na reação à reação foi a incapacidade da imprensa de ao menos aventar a possibilidade de má fé por parte do jornalista americano. O que levaria um correspondente com tantos anos de experiência a inventar uma matéria como aquela, criando uma preocupação nacional? Apenas um surto de incompetência? Bebida demais no almoço? Juizes podem vender sentenças, prefeitos podem ganhar comissão em obras públicas, mas jornalista não leva jabá, nem representa interesses menores?

Alexandre Cabreira, Criciúma / SC
Pelo menos Lula poderia beber em particular, com os amigos, e não divulgar abertamente sua predileção pelo álcool, o que o tornará figura carimbada na mídia mundial, a exemplo de outros líderes...

Rodrigo M. Viana
Gostaria de perguntar à jornalista Lúcia Hippolito se ela acredita que a população tem essa curiosidade toda sobre a vida privada dos políticos, ou a imprensa é quem cria e alimenta esta curiosidade, e também se ela não distingue celebridades como artistas, cantores etc, dos políticos no que diz respeito à privacidade. Políticos e celebridades não têm direito a nenhuma privacidade?

Luiz Felipe Lopes de Sousa, Rio de Janeiro
Primeiro achei que tinha sido uma decisão apaixonada do governo. Depois li matéria do Dines, em que ele afirma que não foi uma decisão figadal, mas cerebral, pensada. Isso me fez ficar triste e preocupado com a falta de visão estratégica e política de quem tem tanto poder para decidir, e decide brutalmente errado, transformando uma comoção nacional em favor do Presidente em uma repulsa quase unânime. Guardadas as abissais diferenças, me lembra o Bush que invade o Iraque, sem avaliar as conseqüências de seu desatino e de suas mentiras, e agora quer sair e não sabe como.

Volnei Rosa e Silva, Recife / PE
Os Senhores não acham que imprensa brasileira deveria ter agido com maior firmeza em repudiar e até punir um jornalista, seja ele estrangeiro ou não, que faz uma entrevista sobre assuntos de governo e depois publica uma página inteira falando de coisas pessoais de forma mentirosa e até contraditória à sua proposta de entrevista? Isso não contribui para desmoralizar a classe jornalística, se um dos maiores jornais do mundo faz isso e todos o demais se calam? Se ao invés de jornalista ele fosse um médico, engenheiro, advogado, ele seria punido pelo conselho que regulamenta a profissão por ferir a ética, que tipo de punição as entidades da classe jornalística aplicaram ao jornalista do NYT? E se não, por quê?

Adriano A. Bruno, Bauru / SP
Caro Jornalista Alberto Dines, quero observar que, como eu, muitas pessoas que conheço não compartilham da reação da mídia em geral em condenar o governo Lula por ter suspendido o visto do jornalista americano. No meu entendimento, a reação desproporcional nesse episódio todo foi da mídia e não do governo. Muito barulho por nada, chegando a absurdas acusações de censura. A liberdade de imprensa não foi atingida, na medida que uma matéria jornalística vulgar e ofensiva não é nada que se preze ou que mereça proteção. Além disso, o tal jornalista poderia continuar escrevendo suas reportagens medíocres lá no conforto da redação do NYT. Cidadãos estrangeiros em qualquer lugar do mundo devem ter um mínimo de respeito com a população e os governantes do lugar onde estão morando ou trabalhando, sejam jornalistas ou não, estando sujeitos às leis locais. Jornalistas não estão acima do bem ou do mal e lhes garanto que a maioria da população brasileira, se consultada, sem influência dos "formadores de opinião", aprovou e gostou da atitude do governo.

Ricardo S. Zanotta
Tereza Cruvinel, agora, a discussão dos convidados do Observatório da Imprensa, na intervenção da jornalista Tereza Cruvinel, esbarra em um problema de ordem nacional, primeiro sobre as diferenças entre a comunicação e o marketing, sendo que os jornalistas de uma forma geral, assim como fez a convidada, têm um viés de interpretação e deposita tudo que está de errado no marketing. Como se essa área de conhecimento fosse culpada pela falta de ética de alguns profissionais e, principalmente, de muitos políticos que o utilizam para enganar os eleitores e cidadãos. O marketing não pode arcar com o ônus da falta de ética profissional, assim como a comunicação jornalística no Brasil também não pode arcar com a irresponsabilidade daqueles que escrevem barbaridades e matérias sensacionalistas, que influenciam em muito a formação de nossa sociedade. E se formos levar em consideração os prejuízos, seremos forçados a concluir que os efeitos da falta de ética dos mal jornalistas são muito, mas muito mais prejudiciais ao processo de comunicação do governo Lula, do que os serviços profissionais e éticos (nunca levaram ninguém a erro), do publicitário Duda Mendonça.
Jornalistas do Observatório da Imprensa, o marketing do País hoje, é muito mais importante que o processo de comunicação jornalístico, nacional e internacional, desde que, seja tratado profissionalmente, com responsabilidade e ética. O problema é que o Brasil não aplica os conceitos de forma adequada e aqueles explicitados pelos jornalistas do programa relacionando-os com o caso Lula X New York Times, são equivocados e tendenciosos e, como muitos outros assuntos importantes, tratados como vilões, quando comparados ao sacro e imaculado direito de imprensa, que é colocado acima de qualquer suspeita, e em nome do qual é possível cometer as maiores barbaridades, como no caso da construção da imagem do ex- Presidente da República Fernando Collor de Mello, no Jornal Nacional da Globo, em 1988 e 1989. E é com base no Direito de Imprensa, e na condição de profissional e professor universitário de marketing da PUC/SP e Mackenzie, que solicito ao respeitável programa, o direito de resposta para o marketing.

Herez Santos, Rio de Janeiro
Senhores, gostaria de perguntar aos participantes se a questão sobre o gosto do presidente à bebida não passa de conluio entre Washington e o governo Lula para gerar solidariedade da população à imagem do presidente, já que a popularidade dele está em queda vertiginosa. Até porque, o governo Lula está de braços dados com Washington, haja vista a política econômica do FMI seguida à risca, o envio de tropas ao Haiti, as contra-reformas, etc. A frustração venceu, afinal, a esperança.

Marcos Colón, Niterói / RJ
Você não acha que a imprensa brasileira foi frouxa em não noticiar os boatos como deveria? Parece que ela estava com medo de represália tal como aconteceu ao repórter do NYT.

Sérgio Côco, Conceição da Barra / ES
Tem a preocupação com essa "liberdade de imprensa" e sempre que ocorrem episódios desse tipo me recordo do caso do casal de japoneses em São Paulo em que foi destruído por uma matéria mentirosa que estes violentavam crianças. Discordo de que a matéria não possa ter interesse em denegrir a imagem do presidente na opinião pública internacional pois o New York Times pode ser contra o presidente Bush, mas é americano e pode ter usado a matéria em favor dos interesses de seu país.

Lucilio Manoel da Silva
Bom, gostaria de dizer que assisto ao programa Observatório da Imprensa há um bom tempo e que o mesmo é de grande qualidade. Porém me causa um certo descontento ao ver o modo como estão tratando o caso do Lula com o jornalista americano... Pois, ao meu ver, independente da matéria ser verídica ou não o ponto crucial da reportagem cai sobre a imagem do presidente de um país emergente e de grande relevância como o Brasil. E, no entanto, o que tenho visto no programa são pessoas criticando a ação do presidente, que até certo ponto eu também concordo que foi exagerada, mas e quanto à imagem do presidente? E até onde isso pode afetar as relações do Brasil com outros países? Enfim, só queria pedir que o programa e seus representantes fossem um pouco mais imparciais quanto a essa notícia. Obrigado pela compreensão.

Glaiton, Florianópolis / SC
No programa "Observatório da Imprensa" (TVE, 18/05/04) que tratou do episódio envolvendo o artigo do correspondente do jornal norte-americano e a reação do Pres. Lula, o Sr. Alberto Dines disse a um telespectador que a sociedade deve observar a imprensa. Óbvio que a sociedade deve - ou deveria, estar atenta a tudo o que lhe diga respeito. Pretendia apresentar uma questão aos debatedores (ou seriam "concordadores") presentes, e não consegui por ter ligado quase no final do programa: É possível falar em responsabilidade quando se tratar de atos de profissionais da imprensa? Ou seja, devemos apenas observar as ações das divindades da mídia, não importando a veracidade das mesmas? Será a redação o Olimpo da democracia? Não seria interessante se o direito à liberdade tivesse um temperinho de responsabilidade? Um mundo onde fazer o que se quer não estivesse desligado de responder pelo que se faz? Parece-me que só é possível uma lei que trate da atividade da imprensa. E com dois artigos apenas:
Art. 1º - É proibido criticar o crítico.
Art. 2º - Revogam-se as disposições em contrário.
Boa sorte para nós todos.

Luis Carlos Ainbinder Gomes
Foi simplesmente um absurdo a posição do Alberto Dines em resposta a um telespectador. Colocar a sociedade numa simples posição de observação passiva de empresas com o poder que as empresas jornalísticas possuem é admitir como democrático a constituição de verdadeiras Agências TASS. No momento em que falamos de controle das ações do Judiciário dizer que qualquer forma de controle da imprensa é censura é um absurdo. Ou o que eu acho, mais uma forma torpe de corporativismo. É considerada liberdade de imprensa tudo o que escreve um jornalista, só pelo fato do cidadão ter um registro de conselho profissional? Qual a diferença entre Liberdade de Imprensa e libertinagem na imprensa? Existe ética profissional para a profissão de Jornalista? A fidedignidade das fontes deve ser considerada? Acho que todo aquele que diz o que não podem provar ou veiculam mentiras deveriam ser punidos. Veja o exemplo do Jornal Inglês, que montou cenas de tortura no Iraque para vender jornal. Esses jornalistas mataram vários soldados e civis inocentes que tiveram que encarar a revolta gerada no povo iraquiano. Todos os envolvidos deveriam ir para a cadeia, pegar pena máxima. Esse jornalista americano já escreveu várias reportagens desrespeitosas ao Brasil, essa da bebida do Lula é tão somente mais uma. E representa mais um exemplo de leviandade de um jornalista e da imprensa. É ato corriqueiro que os jornalistas para fechar pauta escrevem qualquer coisa. O próprio Observatório da Imprensa tempos atrás fez um programa estarrecedor com uma editora de economia demitida da Veja. Um médico se erra e mata uma pessoa ou um contador que falsifica informação perde registro do conselho e pode ser preso. Já um jornalista mente, falseia e ilude e isso é liberdade de imprensa. Isso é um verdadeiro absurdo e uma vergonha. Alberto Dines, gostaria de informar que jornalista não é Deus.

Adriana Machado
Prezado Dines, ontem, assistindo o Observatório da Imprensa fui assaltada por duas dúvidas:
1. Será que o Dines acredita mesmo que a imprensa no mundo, e em particular no Brasil, não é controlada? Estou falando de um controle perverso (velado), no qual os meios de comunicação ditam as regras do que deve ou não virar notícia.
2. Você não acha que ao invés de a imprensa ficar discutindo a atitude do Lula, que se tratou, naturalmente, de uma atitude emocional e pouco pensada (talvez somente a direita desse país seja ardilosa o suficiente para engolir em seco) ela talvez devesse proceder a uma análise criteriosa do texto do tal jornalista? Ali, há alguns elementos a se considerar. Um emaranhado de informações, você não acha?

Gilmar Henrik
Sim! Sou a favor da atitude do Presidente Lula. Liberdade de imprensa ou seja lá do que for, requer responsabilidade. Ninguém pode sair por aí difamando ou cometendo qualquer outro tipo de crime sem que haja responsabilidade. Os americanos são um povo bélico e estratégico. Lula não é presidente para os americanos. E isso os irrita. A mídia brasileira está dando muita importância ao fato. E de repente seja este o objetivo estratégico da ofensiva: diminuir a imagem do Presidente brasileiro Lula perante os brasileiros. Ele só fez iniciar. Agora a mídia está fazendo o resto. Este jornalista é muito astucioso e, com certeza, ele está por aí, assistindo a tudo bastante satisfeito, vendo que a sua estratégia deu mais do que certo. Zombando da alienação do povo brasileiro. Outro dia vi no JN da Globo a deportação de um brasileiro professor de inglês. Ele foi escoltado pela polícia americana até o avião com as mãos e os pés algemados. O governo do Brasil solicitou explicação às autoridades daquele país que até então não havia enviado informações que fizessem jus à tão grande humilhação. Acho isso muito mais grave e não teve repercussão da mídia. Que pouca vergonha desses nossos telejornalistas.

Renato Pesca, Niterói / RJ
Olá, gostaria de fazer alguns comentários a respeito da imprensa. Eu tenho o costume de ler as mesmas notícias em vários jornais diferentes (na maior parte "online"), porque gosto de analisar como uma notícia é divulgada por cada grupo de comunicação. Depois que descobri o programa Observatório da Imprensa, passei a assisti-lo, porque de fato eu me considero um observador da imprensa! Apesar de saber que cada grupo defende um conjunto de interesses (sempre e sempre interesses monetários, afinal de contas tudo é o dinheiro. É hipocrisia dizer que um grupo de comunicação exista com o propósito exclusivo de divulgar a "verdade"), os poucos que existem e que talvez tivessem este propósito acabaram tomando uma posição quase que de "esquerda total", e acabaram perdendo o propósito original. E independentemente, não existe imprensa imparcial. Tudo o que se pode fazer é tentar ser o mais imparcial possível, e oitenta por cento dessa imparcialidade na minha opinião, nos dias atuais, está ligada a não contrariar os interesses econômicos do grupo de comunicação ao qual o jornalista pertence! Para não transformar esta mensagem em um assunto filosófico, porque este tipo de discussão produz debates infinitos, no caso da reportagem do jornal The New York Times, além da reportagem ter sido mirabolante, e a reação do governo não ter sido muito boa, eu acho que a imprensa se acha muito intocável, a ponto de se achar sem limites. Todo mundo sabe que se os grandes jornais do país na primeira página colocarem uma foto do presidente ou de quem quer que seja, dizendo que ele é isto ou aquilo, ele é deposto(o presidente), mesmo que não seja tudo o que escreveram sobre ele. Basta contrariar os interesses econômicos desses grupos! Lembra do Collor? Como o povo brasileiro não é um povo muito organizado politicamente, resultado da falta de cultura política, este povo é facilmente influenciável por grandes grupos de comunicação, e acaba fazendo o trabalho para eles. Se o governo Collor não tivesse afetado o interesses desses grandes grupos, não teria havido a retirada do presidente. Ou seja a grande imprensa só reflete o interesse do povo em geral, quando este "berra". Suponha que o governo "ferrasse" o povo e beneficiasse os grandes grupos. A imprensa só refletiria as idéias do povo se o povo se organizasse a ponto de o país perder o controle. No caso do Collor, tudo foi armado pela imprensa porque o ato do governo afetou os seus interesses(interesses dos grandes grupos). Essa é minha opinião. Apesar de não concordar com o ato do cancelamento do visto do repórter, da repercussão deste fato eu reitero que acho que a imprensa, numa linguagem coloquial, "se acha muito". Isso é um absurdo na minha opinião. E apesar de condenar o ato do governo, eu não o acho um absurdo tão grande. Eu explicarei isso com base em observações que ando fazendo há um tempo, especificamente em reportagens da Rede Globo, onde uma crítica que pode ser considerada mais forte aos interesses norte americanos em geral, não é feita de Nova Iorque (a Rede Globo tem escritórios lá), mas de um "cara" ou na França ou no Reino Unido. As críticas que são feitas de Nova Iorque pela Rede Globo são muito, muitíssimo amenas, em comparação com as feitas aos EUA pelos correspondentes na França ou Reino Unido. Aí eu lanço a interrogação: e se esses correspondentes fizessem essa crítica pesada de lá, dos EUA? Será que com eles não aconteceria o que o governo daqui pensou em fazer com o repórter? Será que os vistos deles também não seriam cancelados?! Um abraço Dines e Lúcia Abreu, gosto muito do programa de vocês. Desculpe pela mensagem grande, mas acho útil as pessoas expressarem suas opiniões e discutirem os assuntos. Até logo.

Sérgio Carlos Francisco, Nova Friburgo / RJ
Faça a seguinte pergunta para os srs./sras.: Imaginem o que aconteceria se um repórter brasileiro(correspondente) elaborasse uma reportagem falando do Presidente americano o mesmo que este repórter falou do Presidente Brasileiro, lá nos E.U.A.? Ele seria expulso dos Estados Unidos (sim ou não?)?! Direitos iguais srs./sras.! Direitos iguais!

Edward Wilson Martins, São Paulo - Advogado
Prezados amigos: Assistindo o programa desta terça-feira (18) não posso deixar de externar o meu júbilo pela lucidez, inteligência, politização, capacidade e uma boa dose de emoção, indispensável, dos participantes, sempre com a maestria da condução do Alberto Dines. E quero permitir-me externar alguns comentários, neste espaço livre da Internet a respeito do episódio da expulsão do jornalista do NYT. Muito se falou e continua se falando, mas não li e nem ouvi (ainda) a respeito de um assunto que está no cerne da questão: a posição do Governo Lula com relação ao combate às drogas legais: o fumo e o álcool. No início do ano passado assisti Bóris Casoy cobrar do governo recém eleito uma posição firme no combate ao fumo e ao álcool e Bóris apostava que o Governo Lula não teria coragem para enfrentar os gigantes da cerveja e das bebidas destiladas. Infelizmente Bóris estava certo e ganhou a aposta. O máximo que aconteceu foi a inserção na propaganda da cerveja na TV do ridículo "beba com moderação" e continua a propaganda das bebidas destiladas após o horário das 23 horas. Quanto a propaganda do fumo conseguiu-se banir definitivamente da televisão, mas é importante lembrar que o ex-Ministro da Saúde José Serra empreendeu feroz campanha contra o cigarro, ainda no Governo FHC. Portanto, a luta contra as drogas legais, em todo o mundo, é missão dos governos eleitos, de enfrentamento através de políticas públicas e a proibição do marketing, da propaganda, é uma medida das mais eficazes e que em muitos países já existe há longa data. O álcool foi e continua sendo o grande flagelo da humanidade. Muito mais do que as drogas ilegais (maconha, cocaína, etc), é o consumo do álcool o grande vilão, muitas vezes silencioso, que destrói pessoas, famílias, empresas, nações e governos. Combater o vício do álcool é uma medida séria, não é coisa de "careta", não é brincadeira. Podemos até ser tolerantes e pacientes, mas temos que estar firmes na luta contra esse mal que afeta a todos nós, direta ou indiretamente. Daí, o simples fato do Governo Lula pouco ou nada estar fazendo nesse sentido já é uma coisa efetivamente muito séria, ruim, que precisa ser denunciada pela mídia. Mas o que é pior é que além do Governo Federal pouco ou nada estar fazendo contra o vício do álcool, o Presidente da República ainda faz a sua apologia, ao levantar o copo de cerveja na Oktoberfest e não esconde de ninguém que é um "habitué" de longa data, desde os "tempos do Sindicato" e incentiva que a população "aceite" e se conforme, culturalmente, com essa situação. A foto do "levantamento de copo" na Oktoberfest publicada pelo jornal NYT é emblemática. Só que agora é um Chefe de Estado, um Presidente da República que está lá e não um simples "ex-operário" ou "cidadão". Se foi um jornal americano que publicou a foto em uma notícia redigida por um jornalista estrangeiro pouco importa. O fato é que a apologia aconteceu naquele evento e está acontecendo de outras formas, como, por exemplo, nas habituais churrascadas que acontecem na Granja do Torto, sempre regadas com muita cerveja e caipirinhas, após "inocentes peladas" e que são divulgadas para o povo em notícias e reportagens publicadas pela mídia nacional falada, escrita e televisada. Não concordamos, mas não nos preocupamos com o fato de que Lula faça a opção por gostar de tomar sua cerveja ou sua caipirinha nos finais de semana. Também não sabemos se o hábito de ingerir bebidas alcoólicas do Presidente se tornou "necessidade social", que é quando a pessoa não consegue ficar sem beber por uma semana ou um mês, ou meses, sintoma inequívoco da dependência. O que não podemos aceitar calados e fica aqui o nosso protesto, e é notório, e agora muito mais ainda com a reportagem do jornalista americano, é que Lula não está combatendo a droga legal, o álcool, e o que é pior: além de fazer vistas grossas e "colaborar" com a propaganda de "nossa" cerveja e de "nossa" aguardente, ainda obriga a propaganda na TV inserir o tal do "beba com moderação" no anúncio da cerveja, que mais incentiva do que inibe o consumo. O que é certo e correto é a proibição severa, total, da propaganda de álcool na televisão, seja de cerveja, vinho ou de quaisquer bebidas destiladas. Não sei se Bóris Casoy ainda continua a tocar nesse assunto, já que não assisto todos os dias, religiosamente, o seu programa na Record. Apenas lembro que Bóris, na sua inteligência aguda e informação minuciosa, foi quem "levantou a lebre", desde o início do ano passado. Finalmente, não é o meu objetivo "denegrir" a imagem de Lula ou de seu Governo e essa manifestação apenas quer tocar num ponto específico, que é o combate ao vício do álcool no país, através de políticas públicas específicas e rigorosas. O que o Governo Lula precisa fazer é enfrentar o problema das drogas legais (fumo e álcool) e combatê-lo com energia, com vontade, com determinação, e com a firme disposição de também dar o exemplo através da própria imagem do Presidente da República, investindo forte em uma imagem de lucidez e segurança, capaz de influenciar positivamente principalmente os nossos jovens e adolescentes, com o carisma que possui e que foi fundamental para levá-lo ao cargo máximo da nação. Para terminar, vale recordar que os políticos experientes sabem muito bem que nunca se devem deixar fotografar com o copo na mão. Principalmente no caso do Presidente da República...!


Telefonemas recebidos em 18/05:

Juliano de Assis, Vespaziano / MG
Eu vejo que posições políticas contrárias ao governo Lula influenciaram essa unanimidade contra o presidente por parte dos jornalistas.

Ademir Coelho, Belo Horizonte / MG
Sou contra o Lula. Acho que ele deveria tomar outra medida.

Rui Fulgêncio, Belo Horizonte / MG
Na Venezuela um jornalista vai ser julgado por ter apresentado fitas de um oficial cubano. A presidência deveria ser entregue a pessoas despreparadas?

Thaís Cintra, Recife / PE
Esse caso não está abafando o casa das torturas contra os iraquianos?

Vera Regina Azevedo, Rio de Janeiro
O NY Times é um jornal de repercussão internacional e, infelizmente, a atitude do presidente foi imatura e mostra que ele não está preparado para o cargo. A imprensa brasileira tem que apoiar o NY Times. Como cidadã me sinto revoltada pelo atitude do presidente.

Cláudio Duarte, Niterói / RJ
O Lula, neste caso, deveria calar-se. Foi ele quem mais divulgou este debate que só contribuiu negativamente para a sua imagem.

Elias Pereira, Belo Horizonte / MG
O presidente está certo. Os jornalistas estão errados em criticar o presidente porque a matéria do NY Times foi completamente motivada por interesses políticos norte-americanos.

Jonas Gomes, Fortaleza / CE
Vários itens da constituição são feridos. E quando a constituição é ferida no Brasil e ninguém faz nada?

Geraldo Rogério, São Paulo
E se fosse o inverso? Se fosse um jornalista brasileiro nos Estados Unidos dizendo sobre os hábitos etílicos do presidente Bush, o que aconteceria?

Welter Paiva, Recife / PE
A imprensa leva a informação corretamente aos leitores? Esse tipo de reportagem não serviria apenas para afetar a imagem do presidente?

George Martins da Silva, Carapicuiba / SP
É lamentável que a nossa imprensa não consiga distinguir liberdade de baderna. Se fosse o contrário, este jornalista estaria preso nos Estados Unidos.

José Arnaldo Machado, Maceió / AL
O presidente da república não tem que ter mais responsabilidade com sua imagem? Beber em público não ataca a imagem de seu presidente?

Freitas Rodrigues Macedo, Mineiros / GO
A imprensa está botando muita lenha na fogueira. O repórter do NY Times está correto e só falou verdades.

Geraldo Souza, Recife / PE
O jornalista tem que ter a liberdade de escrever suas reportagens. Mas no caso do jornalista americano, atacou apenas a imagem do presidente.

Francisco Ribeiro, Palmas / TO
Sidnei Basile, no Brasil existe realmente liberdade de imprensa?

Maria Inez, São Paulo / SP
Tereza Cruvinel, a liberdade de imprensa está acima de uma questão ética de relacionamento entre as pessoas?

Sirlei Franciscone, Porto Alegre / RS
O Observatório da Imprensa não deveria estar se preocupando com os aspectos mais importantes do governo Lula? A imprensa também não deveria cobrir mais a segurança pública e a questão do emprego? Há duas semanas só se fala desse assunto.

Wilson Carvalho, Rio de Janeiro
Lucia Hippolito, a liberdade de imprensa é apenas um dos usos da liberdade individual. O cidadão brasileiro é livre?

Rogério Araújo, São Gonçalo / RJ
O governo agiu de forma errada, mas, ao mesmo tempo, a informação é errônea e fere o direito do público em ser bem informado.

Mário Jorge, Marília / SP
Alberto Dines, tudo tem um limite, até os correspondentes estrangeiros confundem liberdade com libertinagem, e democracia com anarquia. A atitude do presidente Lula não feriu a liberdade de imprensa, mas profissionalizou a profissão.

Váber Fernandes, Carapebus / RJ
Eu acho que a imprensa é irresponsável e coorporativista.

Benedito de Souza, São Paulo
Vi uma crítica ao Observatório na Folha de São Paulo que me deixou revoltado. As pessoas devem suportar algo tão grave contra ela? A imprensa não deveria punir os jornalistas?

Antônio Pádua, Belo Horizonte / MG
O Lula, na verdade, gostaria de expulsar o jornalista. Só não o fez por temer a continuação das reações negativas.

Paulo Henrique Silva Oliveira, Jequié / BA
Uma observação sobre o jornalista francês: será que o jornalista pode tudo?

Gilson Cunha, Arasoiaba da Serra / SP
O jornalista se excedeu, mas fez bem em levantar essa questão da imagem pública do presidente. O que Alberto Dines acha disso?

José Pedro Viana, Brumado / BA
A liberdade de imprensa tem um limite. Temos que parar com o corporativismo na imprensa. Tudo tem um limite.

Marcos dos Santos, Rio de Janeiro
Muitas coisas erradas são feitas pelos jornalistas e são cobertas pela "liberdade de imprensa". Quem controla esse tipo de coisa?

Paulo Queiroz, Recife / PE
Qual é o tamanho do impacto que esse episódio causa na imagem do presidente? Esse impacto pode contribuir para o declínio da aprovação do governo?

João Gualberto, Feira de Santana / BA
Lucia Hippolito, se um jornalista brasileiro fizesse com o presidente americano o mesmo que fizeram com o Lula, qual seria a reação do governo americano e da opinião pública americana?

Lincoln Lima, Rio de Janeiro
Jens Glusing, você concorda que o NY Times não defende a Casa Branca e sim os interesses americanos? Será que o NY Times não tem interesse em desacreditar o presidente de um país emergente?

Marcos Aurélio, Rio de Janeiro
A imprensa discutiu demais esse assunto, não estaria se esquecendo de coisas mais importantes?



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