PROGRAMA DO DIA 23 DE MARÇO DE 2004

TERROR E MÍDIA (ATENTADO EM MADRI)

No programa passado, o Observatório da Imprensa analisou o uso da mídia pelo terrorismo, depois das explosões em Madri onde 200 pessoas morreram e 1.500 ficaram feridas.

Discutimos de que maneira a mídia está sendo usada pelos governos e pelos grupos terroristas. A mídia está sendo palco de uma batalha onde quem dá as cartas é o terror.

A partir do ataque na Espanha, o terrorismo passou ser palco das ações políticas. O partido do primeiro ministro Aznar que era majoritário antes das eleições acabou derrotado. Este resultado foi uma consequência direta da ação terrorista? Como vão ficar as relações internacionais daqui por diante? Como os governantes vão se portar em relação ao terror?

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

STF vs. CÂMARA
Faroeste na Praça dos Três Poderes

Alberto Dines

A República virou de cabeça para baixo na última quinta-feira (18/3): o Supremo Tribunal Federal (STF) esqueceu que o direito à informação sobrepõe-se a todos os direitos e a Câmara dos Deputados esqueceu que não pode sobrepor-se às decisões do STF.

Leia na íntegra

A mídia é crítica em relação aos terrorismos?

Resultado:

Sim: 25%

Não: 75%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

O terrorista detesta segredos, precisa de divulgação, sem ela, não aterroriza. Em silêncio, o terror perde sua eficácia. Nos últimos 100 anos todos os atentados terroristas buscaram o espetáculo do terror, quanto mais sangue e mortes, melhor.


Leia na íntegra

ATAQUES A MADRI
Mídia espanhola e as mentiras de Estado

Flavio de Mattos, de Barcelona (*)

A utilização eleitoral de 200 mortes e 1.500 feridos foi a gota d'água que fez transbordar a paciência de uma parte importante da população espanhola. Desde a manhã dos ataques aos trens em Madrid, quinta-feira (11-M), até a noite de sábado (13/3), o governo insistia em atribuir ao grupo separatista ETA a autoria do atentado [veja remissões abaixo]. Somente quando já haviam milhares de pessoas concentradas diante das sedes do Partido Popular, exigindo resposta para a pergunta "Quién ha sido?", o ministro do Interior Ángel Acebes admitiu que "havia uma outra linha de investigação". As razões da insistência estavam nas eleições do domingo seguinte.

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

TERROR E MÍDIA (ATENTADO EM MADRI)

No Observatório da Imprensa que foi ao ar no dia 23 de março, foi debatida a cobertura do atentado de 11 de março em Madri. Participaram, ao vivo, o cientista político Renato Lessa, o embaixador João Almino e os jornalistas Marcos Augusto Gonçalves (editor de opinião da Folha de S. Paulo) e Luiz Carlos Ramos (O Estado de S. Paulo). E gravaram depoimentos os jornalistas Luiz Garcia, do Globo; Lluís Bassets, do El País; e Anelise Infante, correspondente do Globo na Espanha.

No editorial de abertura do programa, Alberto Dines ressaltou que os grupos terroristas buscam o espetáculo e a visibilidade dos seus atos para atingir seus objetivos, e fazem isso através da mídia: "O 11 de setembro foi concebido e executado, em todos os detalhes, para ser exibido ao vivo e em cores para o mundo inteiro. E também o 11 de março foi concebido e executado para influir nas eleições que se realizariam dias depois". Na opinião de Alberto Dines, o terrorismo é o nome da guerra contemporânea, onde a mídia se revela como palco de batalha para interesses de governos e organizações políticas, ampliando essa guerra em escalas mundiais.

A respeito da questão da mídia, Marcos Augusto Gonçalves considerou que ela faz parte do cálculo e do processo terrorista, e tem consciência disso, mas não pode abdicar de noticiar esse tipo de acontecimento. Sendo assim, ela acaba se tornando refém do terrorismo. Porém, o editor analisa: "por outro lado, é só através da mídia que se pode articular, discutir e estabelecer um processo de tomada de consciência, como aconteceu na Espanha".

Tentando tirar proveito da situação para garantir melhor resultado eleitoral, o presidente José Maria Aznar assegurou à imprensa que o ETA, grupo separatista basco, foi o autor do atentado. No entanto, as evidências apontaram membros da Al Qaeda como os verdadeiros autores. Isso revelou a mentira do governo espanhol e resultou na vitória eleitoral do candidato de oposição Zapateiro, mesmo quando as pesquisas apontavam a vitória certa do candidato da situação.

Na opinião de Luiz Garcia, essa foi uma tentativa deliberada e até agressiva de setores do Estado de forçar a mídia a dar determinada versão dos fatos, o que é um acontecimento extremamente raro numa democracia ocidental.

O jornalista Luiz Carlos Ramos, que esteve em Madri cobrindo o atentado pelo Estado de S. Paulo, explica o rápido processo de esclarecimento do eleitorado espanhol. Para ele, existem duas interpretações a respeito dessa virada: "uma é que o povo teria ficado com medo depois do ato terrorista e, a partir disso, teria se curvado aos terroristas e a segunda versão é o voto de protesto, é o voto daquele que não aceita mentira".

O cientista político Renato Lessa acrescentou que o candidato de Aznar era favorito nas pesquisas eleitorais quando somente 55% estavam dispostos a votar. Contudo, 65% do eleitorado compareceu para votar, o que alterou completamente a base demográfica do eleitorado. "Essas pessoas que não estavam dispostas a votar, evidentemente, foram mobilizadas em função da mentira que acabou caracterizando a atitude do governo espanhol perante o evento", finalizou.

Elisa Antoun (estagiária)


EDITORIAL

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

O terrorista detesta segredos, precisa de divulgação, sem ela, não aterroriza. Em silêncio, o terror perde sua eficácia. Nos últimos 100 anos todos os atentados terroristas buscaram o espetáculo do terror, quanto mais sangue e mortes, melhor.

A única ação política violenta com enorme repercussão internacional sem derramar uma gota de sangue talvez tenha sido o seqüestro do transatlântico português "Santa Maria" em alto mar, perto do Recife, em 1961, executado por anarquistas para chamar a atenção do mundo para a ditadura salazarista.

A causa palestina só ficou conhecida nas olimpíadas de Munique em 1972 quando terroristas palestinos seqüestraram e liquidaram quase toda delegação olímpica israelense.

O 11 de setembro em Nova York foi concebido e executado em todos os detalhes para ser exibido ao vivo e em cores para o mundo inteiro. Também o 11 de março em Madri foi concebido e executado para influir nas eleições que se realizariam dias depois. Mas ao manipular as primeiras informações sobre a autoria do massacre, o premiê José Maria Aznar acabou sendo derrotado fragorosamente. Quis usar o terror, foi derrubado por ele.

Ontem, 11 dias depois, foi a vez do premiê israelense, Ariel Sharon acreditar que poderia servir-se do terror e mandou assassinar o líder religioso palestino Achmed Yassin. Imaginava que seria facilmente assimilado. O repúdio foi total.

Terrorismo é o nome da guerra contemporânea. E a relação mídia-terror é a sua ampliação em escala mundial. Somos parte dela, vítimas das bombas e dos efeitos das bombas. Os terroristas, todos os terroristas são devotos da morte. Querem corpos despedaçados mas também querem mentes aterrorizadas.


ARTIGO
Por Alberto Dines

STF vs. CÂMARA
Faroeste na Praça dos Três Poderes

Alberto Dines

A República virou de cabeça para baixo na última quinta-feira (18/3): o Supremo Tribunal Federal (STF) esqueceu que o direito à informação sobrepõe-se a todos os direitos e a Câmara dos Deputados esqueceu que não pode sobrepor-se às decisões do STF.

Como se não bastassem os bangue-bangues políticos, partidários e governativos, por algumas horas imperou na Praça dos Três Poderes, em Brasília, uma fuzilaria institucional.

Tudo começou quando o ministro Cézar Peluso acolheu uma liminar interposta por um dos investigados pela CPI da Pirataria e proibiu que o seu depoimento, marcado para 10 horas daquela quinta, na Câmara, fosse registrado por qualquer meio de comunicação.

A Mesa Diretora da Câmara pediu reconsideração e, antes do início da sessão do STF que deveria examina-la, decidiu fazer a transmissão do depoimento de Law Kim Chong através dos seus próprios veículos de comunicação (rádio e TV) - e, ao mesmo tempo, transferiu-o para as 14 horas.

Mais tarde, o STF voltou atrás e cassou a liminar que impôs o embargo informativo. O ministro Peluso, que acolheu o pedido de liminar, justificou-se dizendo que não se podia voltar aos tempos do faroeste quando publicavam-se os cartazes e fotos com os dizeres "Procura-se" antes mesmo que o acusado fosse julgado.

O presidente do STF, ministro Maurício Corrêa, um dos gatilhos mais rápidos naquele logradouro da Capital Federal, reclamou contra a infração constitucional cometida pelo presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP), e este respondeu que a liminar limitava o embargo a um determinado horário.

A verdade é que neste fogo cruzado ninguém lembrou-se de lamentar, protestar ou, pelo menos, discutir a censura legalizada que vigorou por algumas horas na Capital Federal, em 18 de março.

O clima de faroeste só pode acontecer na terra de ninguém, no vácuo institucional. Se Law Kin Chong é ou não o maior contrabandista do país, se as CPIs são ou não instrumentos válidos de investigação, são todas questões menores diante dos perigosos precedentes armados por um ministro da nossa Suprema Corte e o presidente da Câmara dos Deputados.

O tiroteio não produziu mortos ou feridos, mas a Senhora República saiu abalada.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

ATAQUES A MADRI
Mídia espanhola e as mentiras de Estado

Flavio de Mattos, de Barcelona (*)

A utilização eleitoral de 200 mortes e 1.500 feridos foi a gota d'água que fez transbordar a paciência de uma parte importante da população espanhola. Desde a manhã dos ataques aos trens em Madrid, quinta-feira (11-M), até a noite de sábado (13/3), o governo insistia em atribuir ao grupo separatista ETA a autoria do atentado [veja remissões abaixo]. Somente quando já haviam milhares de pessoas concentradas diante das sedes do Partido Popular, exigindo resposta para a pergunta "Quién ha sido?", o ministro do Interior Ángel Acebes admitiu que "havia uma outra linha de investigação". As razões da insistência estavam nas eleições do domingo seguinte.

Durante toda campanha eleitoral espanhola a ETA havia sido vendida como o dragão que ameaçava o país, alimentado pelo PSOE - e o PP, como São Jorge, a única salvação. Um atentado de al-Quaeda, além de acabar com a vida daquelas pessoas, destruía, também, o roteiro. A tentativa de estelionato eleitoral foi um tiro que saiu pela culatra e o partido da direita perdeu uma eleição tida como ganha, mesmo que sem maioria parlamentar absoluta.

Acostumado a manipular as informações visando sempre seus interesses, o governo espanhol não se deu conta de que a realidade não se rendia à sua vontade. E quanto mais insistia em distorcer a verdade, mais ela crescia e lhe devorava. Esse comportamento deixou patente a falta de princípios éticos da direita espanhola na condução das questões de Estado. Quitou as dúvidas que as pessoas ainda pudessem ter em relação às mentiras anteriores. Representou o fim da inocência no julgamento das ações do governo. O raciocínio simples que mudou o resultado das eleições foi no seguinte sentido: se essas pessoas são capazes de mentir sobre os cadáveres de 200 compatriotas, que dirá sobre as "armas de destruição massiva" de Iraque ou sobre o derramamento de petróleo nas praias do Cantábrico.

Desta vez, o que fez a diferença foi a presença maciça da imprensa internacional, transmitindo ao vivo todos os detalhes dos atentados, todas as entrevistas coletivas das autoridades, e buscando informações para contrastá-las. O governo deparou-se com um tipo de cobertura a que não estava acostumado. Jornalistas fazendo perguntas incômodas, repórteres que não se conformavam com respostas escorregadias e que saíam da pauta determinada pelo esquema de imprensa do governo.

A cobertura a que se assistia pela BBC, que mobilizou um batalhão de jornalistas e equipes a Madri, pela TV5 francesa, pela RAI, ou pela cadeia CNN, nada tinha que ver com o que mostravam as emissoras espanholas, especialmente a TVE, a emissora estatal.

Como na aldeia global de McLuhan, a informação não tem mais fronteiras. Muitíssima gente pôde ver que, enquanto o ministro de Interior espanhol teimava em fazer as pessoas acreditarem na tese ETA, no resto do mundo não havia dúvida de que al-Qaeda estava por trás do atentado. Esta informação correu rapidamente por internet e as pessoas passavam umas às outras os endereços de páginas web dos meios internacionais de comunicação. A cada hora que passava ficava mais patente a distância entre a versão do governo e a realidade dos fatos. Os próprios jornalistas espanhóis se surpreenderam com esse tipo de cobertura e alguns órgãos locais passaram a também avanças sobre outras fontes de informação.

Favas contadas

O atentado ocorreu por volta das 7h30 de quinta-feira. A primeira manifestação oficial se deu às 12h, com o comparecimento do candidato do PP, Mariano Raroy, diante da imprensa para ler uma declaração condenando os ataques. Não citou ETA em nenhum momento, mas deixou subentendido que havia sido o grupo separatista basco e não respondeu a perguntas.

Às 13h é o ministro Ángel Acebes que se apresenta e, este sim, diz que não lhe cabia nenhuma dúvida de que a ETA estava por trás dos ataques. Disse que o grupo buscava fazer um massacre na Espanha e havia conseguido seus objetivos. Desqualificou as negativas do ex-líder do partido Batasuna, Arnaldo Ortegui, que desde as primeiras horas da manhã já havia dito que a ETA nada tinha que ver com esse atentado, sustentando que a autoria deveria ser buscada entre os ativistas islâmicos. Seu partido, Batasuna, foi posto na ilegalidade ano passado sob a acusação de ser o braço político da ETA. À época Ortegui era tido como o "porta-voz" do grupo separatista; mas, agora, para negar o ataque, sua palavra não tinha valor. Sem citar diretamente a Ortegui, Acebes chamou de "miseráveis" as pessoas que estavam fazendo o que chamou de "intoxicação midiática", negando a tese oficial do governo.

Nos veículos de informação espanhóis de alcance nacional, até àquele momento não havia saído nenhuma referência à entrevista de Arnaldo Otegui negando a autoria a participação da ETA nos ataques. Somente os veículos do País Basco e de Catalunha, dentro do território espanhol, colocaram imagem e voz do ex-líder da extinta Batasuna no ar.

Essa é uma prática muito comum no jornalismo espanhol. Nem sempre o outro lado é considerado merecedor de ser escutado. Durante todo o processo de condução à ilegalidade do partido basco, nenhum de seus dirigentes teve suas opiniões levadas ao grande público. Nem os jornais se davam ao trabalho de entrevistar-lhes para contrastar as posições.

Um partido constituído dentro das leis vigentes, com milhares de votos, com representantes no Parlamento nacional, no Parlamento autônomo do País Basco e dirigindo diversas prefeituras, foi posto na ilegalidade com os votos da maioria absoluta detida pelo PP, o partido do governo. As únicas vozes ouvidas na ocasião foram as da direita, que propôs e defendeu a ilegalização. No caso do atentado, porém, foi a imprensa internacional que fez a diferença. Ortegui aparecia em todos os canais de informações das televisões por assinatura. E para desespero do governo espanhol, o resto do mundo não só dava voz ao porta-voz de Batasuna, como, também, lhe dava crédito.

Mentiras recorrentes

Às 14h, ao vivo para todo o mundo, o presidente de governo José Maria Aznar apresentou uma declaração institucional do Executivo com uma condenação veemente ao terrorismo. Só que, precavidamente, como já havia feito Raroy, não citava explicitamente a ETA em momento algum. Usava o mesmo vocabulário que costumava usar contra o grupo separatista basco, que sempre fazia questão de denominar como "bando terrorista", para retirar-lhe qualquer legitimidade política. Suas palavras, contudo, poderiam ser aplicadas ao terrorismo de qualquer origem.

Aznar é um mestre da velha escola da esperteza. Defende-se atacando, desqualifica o adversário em vez de contestar suas teses, não economiza recursos sórdidos para impor suas posições. E, como dizem os espanhóis, joga a pedra e esconde a mão. Por suas declarações públicas, nunca poderia ser acusado de mentir. Porém, se de público não comprometia sua palavra, era longe das câmeras que utilizava toda sua veemência para tentar salvar a cara de governo, que temia os prejuízos eleitorais de um atentado de caráter islâmico.

Antes de se dirigir à nação, Aznar telefonou a todos os diretores dos principais jornais, emissoras de televisão e rádio do país para lhes garantir sua "convicção" de que ETA era responsável pelo atentado.

"Ha sido ETA, no tengas la menor duda", disse textualmente o premiê a Antonio Franco, diretor de El Periódico, de Barcelona. Em artigo publicado na terça-feira (16/3), o jornalista relata que essas foram as palavras do presidente de governo no primeiro telefonema, realizado por volta de 13h30. Com a garantia presidencial, decidiu a manchete da edição extra que iria para as bancas pouco depois: "El 11-M de ETA". Na página interna destacou: "El Gobierno acusa a ETA y califica de 'miserable' el rumor de que los autores podían ser islamistas".

Franco explicou mais tarde que não lhe passava pela cabeça que o presidente do governo de seu país pudesse estar expressando uma posição da qual não tivesse a convicção formada pelas informações que detinha. O jornalista relata que Aznar lhe telefonou outra vez no final do dia, ratificou que havia sido ETA a autora do atentado e, segundo disse, lhe "pediu cordialmente que não se enganasse".

Franco manifesta sua estranheza em relação ao fato de que o presidente de governo do Estado espanhol pudesse estar mentindo. Não estava recordando que a verdade nunca havia sido um bem valorizado na atual administração. Para relembrar apenas um dos episódios mais relevantes, Aznar e seus ministros passaram meses mentido a toda a nação sobre o vazamento de petróleo do navio Prestige nas costas de Galícia, norte de Espanha. Era o então vice-presidente Mariano Raroy o encarregado de dar ao público as informações sobre o caso. Sempre tentando minimizar a gravidade da crise, suas explicações eram desmentidas a cada dia pelas grandes quantidades de óleo cru que poluíam as praias galegas. Ainda assim o governo insistia que havia apenas três ou quarto pequenos furos no casco do navio afundado, que logo seriam sanadas. E desastre ecológico foi um dos maiores já registrado no mundo, ainda que não reconhecido em sua dimensão pelo governo.

E em relação às tristemente famosas "armas de destruição massivas" de Iraque, nem compensa estender-se. Um ano depois do ataque já viraram paradigma de mentira de Estado. Mas isso podia parecer irrelevante quando havia duzentos cadáveres sobre os trilhos da estação de Atocha, Santa Eugenia e El Pozo, em Madri.

"Fontes oficiais"

O processo de tentativa de manipulação não visava somente a opinião pública interna da Espanha, ainda que a prioridade fosse convencer os espanhóis a manter a intenção de votar no PP três dias depois.

Diante da cobertura "discrepante" que os órgãos internacionais de comunicação estavam realizando, a Secretaria de Imprensa do palácio da Moncloa, sede do governo, telefonou, também na mesma tarde da tragédia, para todos os jornalistas estrangeiros credenciados no palácio. A recomendação era a mesma, insistir na versão da responsabilidade da ETA. Como argumento central, o governo afirmava que o grupo já havia tentado cometer atentados desse tipo tempos atrás, e que por isso, neste caso, só poderia ser ele o autor dos ataques.

Os telefonemas tiveram efeito devastadoramente contrário às intenções do governo. Serviram para fomentar no mundo a imagem de dirigentes de republiquetas. Oriundos de democracias fortes e consolidadas, com uma tradição histórica de imprensa livre, todos os jornalistas ficaram chocados com a tentativa de condicionamento da cobertura. O Círculo de Corresponsales Estrangeros de España denunciou em uma nota a atitude do governo.

Também a ministra de Assuntos Estrangeiros Ana Palácios atuou para difundir internacionalmente a versão da participação da ETA no atentado. Telefonou aos chanceleres de diversos países europeus pedindo-lhes que respaldassem a tese do governo espanhol. Na TV5 francesa, o chanceler daquele país confirmava, constrangido, o recebimento do pedido, numa entrevista na qual evitava comentar mais o assunto "para não avançar em questões eleitorais de Espanha".

Ana Palácios também mandou, na mesma quinta-feira (17h25), um telegrama a todos os embaixadores espanhóis recomendando-lhes que trabalhassem pela versão oficial junto à imprensa e às autoridades dos países em que se encontravam. Afirmava que "forças políticas" estavam empenhadas em confundir a opinião pública sobre a autoria da matança. Anexo ao telegrama, como prova da veracidade da afirmação, uma notícia da agência oficial EFE, com o texto da coletiva do ministro Acebes, na qual ele afirmava não caber nenhuma dúvida que havia sido ETA. Ou seja, o governo cria a versão oficial, a agência do governo publica e o próprio governo faz uso da notícia como prova de veracidade do "fato".

O Comitê de Empregados da Agência EFE divulgou um comunicado na terça-feira (16/3), denunciando que nos três dias que se seguiram do atentado às eleições o noticiário da agência foi submetido uma censura rigorosa. Os textos foram manipulados com o intuito de atender os interesses eleitorais do Partido Popular. Diz a nota que EFE sabia, desde a mesma manhã dos ataques, que se havia um celular configurado em árabe numa bolsa-mochila que não explodiu; que havia sido encontrada uma camioneta com detonadores e uma fita cassete em árabe na estação de onde os trens partiram; e que entre os mortos estaria o cadáver de um dos terroristas.

Os jornalistas da agência informaram que foram proibidos de divulgar depoimentos e comentários de integrantes de qualquer dos partidos de oposição. Outra proibição, emitida pelo diretor de EFE Miguel Platón, foi a de divulgar qualquer notícia que não fosse proveniente das fontes oficiais. E para defender a agência das acusações, a diretora de Comunicação de EFE, Ana Osma, afirmou que não houve manipulação porque "todas as informações difundidas pela agência provinham sempre de fontes oficiais".

Última pergunta

A estrutura de comunicação do Estado é grande e importante. A maior parte dos jornais, grandes ou pequenos, se socorre do noticiário da Agência EFE para complementar o que não pode ser coberto por seus repórteres. O mesmo passa com as emissoras de televisão e de rádio.

Os dirigentes dos veículos que integram o sistema de comunicação pública são nomeados pelo chefe do Executivo. Neste regime parlamentarista monárquico, o chefe do Executivo vem a ser o parlamentar que encabeça a lista do partido mais votado - em geral, o presidente do partido. Os dirigentes dos órgãos do Executivo são nomeados entre os quadros do partido do governo. Nesse cenário, acaba sendo quase "natural" que os interesses do partido majoritário se confundam com os interesses do governo, e com o que deveria ser o interesse público. O governo passa a ser uma extensão do partido. Às oposições sobra muito pouca margem para exercer seu papel de fiscalização, especialmente quando o partido no poder tem a maioria absoluta de votos no Congresso e pode votar qualquer coisa o conhecido sistema de "rolo compressor".

Já a responsabilidade dos meios privados de comunicação da Espanha nas manobras que visavam confundir os eleitores não é pequena. Existe, porém, um caldo de cultura que facilita, e muito, a atuação manipuladora de quem esteja no poder neste país. Para nós, brasileiros, que temos uma história de jornalismo de resistência, é difícil entender como funcionam as redações aqui - e por quê. Não notamos no material jornalístico a mesma liberdade de especulação sobre as informações como no Brasil - onde, muitas vezes se chega às raias da irresponsabilidade.

As notícias nos jornais espanhóis quase sempre são frias e limitam-se a relatar fatos ocorridos, com frases do tipo: "disse ontem que" e abre aspas. São produzidas poucas matérias antecipando fatos e prevendo acontecimentos. As autoridades quase sempre fazem a pauta e não costumam ser questionadas em suas atitudes. Nas entrevistas, as perguntas são sempre muito cuidadosas, para não ferir suscetibilidades.

Nas coletivas sobre os atentados transmitidas pelas televisões não se ouviu nenhum repórter perguntar abertamente sobre al-Qaeda aos ministros do PP ou a Aznar. Usavam a mesma linguagem cheia de eufemismos que utilizava o governo. Perguntavam pela "outra linha de investigação" quando queriam perguntar pelo terrorismo islâmico.

Na única coletiva em que Aznar se dignou a responder algumas perguntas, um repórter apresentou a seguinte questão: "Talvez este não seja o momento adequado para a minha pergunta mas, ao se confirmar a segunda linha de investigação, estaria o sr. disposto a admitir haver-se equivocado em alguma decisão de política exterior?" Uma pergunta absolutamente esotérica para a massa de telespectadores, que queria saber se Aznar se arrependia de haver defendido a invasão do Iraque depois do atentado de al-Qaeda. Resposta de Aznar: "O sr. tem razão, este não é o momento". E encerrou a coletiva.

Caso resolvido

Praticamente não existem jornais independentes em Espanha. Os maiores estão ligados aos partidos políticos. El Mundo é ligado ao PP e El País, ao PSOE. São bons jornais nas coberturas gerais e absolutamente tendenciosos na cobertura política.

No caso do atentado de 11-M, o papel mais importante de reação interna à manipulação coube à emissora de rádio Cadena SER, do grupo Prisa, que edita El País. Ela e o canal de televisão a cabo do mesmo grupo, a CCN-Plus, eram as vozes destoantes do amém geral. Apesar de os índices de audiência massivos pertencerem as emissoras estatais TVE-1 e RNE-1, parte do público tinha acesso a informações em que as versões originais eram recebidas com reservas. A debilidade dessas redes residia no fato de serem ligadas ao partido da oposição. Sua credibilidade estava sempre sendo posta em dúvida pelos representantes do governo, que ironicamente às acusavam de manipulação e distorção das informações. E a população ficava sem saber quem tinha razão.

A falta de pudor na tentativa de controlar a informação que o Partido Popular demonstrou deve ter servido para decretar o fim da inocência em Espanha. Até aqui se tinha como "normal" que o partido no poder condicionasse a linha informativa dos veículos públicos, que se tornam assim órgãos oficiais do governo contra o interesse público. Até aqui tinha-se como natural que os veículos privados fossem alinhados com determinados partidos políticos, como órgãos auxiliares de propaganda. Daqui para frente, com a experiência vivida no método de contrastar informação e versões, que se viu possível, espera-se que o povo espanhol passe a exigir de seus meios de comunicação mais responsabilidade com os fatos e mais respeito com cidadão. E passe a exigir seu direito de ter acesso a uma informação veraz, que lhe permita fazer seu próprio julgamento e adotar suas decisões sem condicionamentos abjetos. Mesmo porque é uma ignomínia que tenhamos de discutir manipulação eleitoral da informação quando deveríamos estar lamentando a morte de 202 pessoas, estudantes e trabalhadores a caminho do trabalho.

Essas mudanças, na Espanha, não serão tão imediatas como o desejável. Na quinta-feira (18/3), o governo abriu o segredo de dois relatórios confidenciais de seu serviço secreto para tentar demonstrar que não manipulou a divulgação das informações sobre o atentado.

O ministro porta-voz Eduardo Zaplana afirmou que foram passadas à nação as avaliações recebidas dos órgãos de inteligência. Estes garantiam que a ETA havia cometido os atentados. Sua intenção era limpar a imagem de mentiroso do governo espanhol, que se havia consolidado em todo o mundo nesses últimos dias. O governo preferiu difundir a imagem de incompetente, com um serviço secreto que não sabe distinguir bascos de islamitas.

Para o jornal El Mundo, o caso está resolvido. Sua manchete de sexta-feira (19/3) foi: "El gobierno prueba que no mintió desclasificando documentos del CEI".


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

Rio de Janeiro:
Renato Lessa - Cientista Político

"Acho que o programa foi muito útil porque permitiu que a gente tenha uma visão crítica do que saiu na imprensa sobre o atentado da Espanha e sobre o terrorismo. É bom porque desafia a nossa visão tradicional sobre as coisas. É importante também que a prática jornalística seja acompanhada de reflexão."

São Paulo:
Luiz Carlos Ramos - Jornalista / O Estado de S. Paulo

"Lamentavelmente o terrorismo usa o marketing e para que o terrorista não se manifeste tanto, é importante que o chefe de Estado tenha equilíbrio e pense um pouco pela paz."

Marcos Augusto Gonçalves - Editor de Opinião / Folha de S. Paulo
"A gente talvez tenha falado muito de terrorismo e pouco de mídia. A mídia tem um papel muito importante a desempenhar nesse processo de esclarecimento, de elaboração em torno do que é o terrorismo e como enfrentá-lo."


PERGUNTAS

E-mails recebidos na semana de 23/03 a 30/03:

Welington Nunes Chalegre
Gostaria de ouvir suas idéias a respeito de terrorismo, principalmente sobre o que é terrorismo e quem o pratica, pois a única coisa que vejo é a manipulação de informações. E pior ainda, as notícias sobre terrorismo normalmente vêm carregadas de "preconceito ocidental". Ao invés de notícias de fato, vemos opiniões. Claro que qualquer perda de vida é algo injustificável mas, a meus olhos, uma vida de um cidadão americano ou israelense vale mais que uma vida palestina, iraquiana ou afegã. Agradeço a vocês por ter a oportunidade de ter este programa na minha casa semanalmente. Um grande abraço a todos.

Samuel
Prezados senhores, é comum ouvirmos nos meios de comunicação frases das seguintes maneiras: "Terroristas palestinos matam judeus." "Soldados israelenses matam palestinos." A diferença de impacto causada pelas palavras terroristas e soldados é muito grande. Sendo o objetivo final do terror causar impacto através de mortes, pergunto: A mídia está sendo imparcial quanto à veiculação de atos terroristas, causados por um estado ou grupos?

Sérgio Torres, Rio de Janeiro
Discordo da abertura do programa. A ação israelense foi um ato de guerra, específico contra um inimigo declarado, um terrorista. O atentado de Madrid, assim como o do WTC, foi um ato covarde, contra populações civis. Os espanhóis sabiam e discordavam da posição do governo de apoio à invasão do Iraque. Mas ainda assim estavam prontos a votar com seu candidato. Mudaram de opinião à última hora devido ao medo inspirado pelo atentado. Acabaram assim reforçando os métodos terroristas, o que será pior para o país.
Para avaliar o golpe de 64 contra a esquerda basta imaginar o atual governo Lula sem justiça livre, Ministério Público independente e imprensa livre, com partido único e Congresso subserviente. Como Cuba ao longo de todos esses anos. Os protagonistas de hoje são rigorosamente os de ontem: Teríamos tido totalitarismo político com incompetência administrativa. Guevara com Waldomiros num mesmo saco. Assim, o movimento de 64 terminou sendo um mal. Mas um mal necessário. A alternativa teria sido muito pior. Na ilha foram 10.000 mortos. Por enquanto. E olha que a União Soviética com a sua utopia socialista já foi para o brejo há muito tempo.

Orlando Marques, São Paulo
Olá, parabéns. Dois vizinhos estão brigando, um fraco e outro forte, você vai ajudar a bater no fraco, ele terá a chance de se vingar com a arma que for possível. Bush acaba de dizer que Israel tem o direito de se defender. Então parabéns pelas bombas na Espanha. Claro há perdas humanas, sim mas são apenas 2% das perdas humanas no Iraque. A palavra terrorismo só é atribuída à violência de pessoas pobres sobre pessoas ricas? O inverso é auto-defesa. EUA provoca guerras para vender armas? Então que agüentem as conseqüências. Parabéns pelo jornalismo de qualidade e imparcialidade.

Daniel Vasconcelos, São Francisco / Califórnia - EUA
Pergunta geopolítica para o Embaixador João Almino, na sua opinião, os ataques terroristas dos últimos anos tendem a confirmar a teoria de Samuel Huntington sobre o "Choque das Civilizações" que afirma que as disputas mundiais são essencialmente culturais?

Celio Borba, Curitiba / PR
A mídia mundial parece que teme o poder imperial americano, as verdades são veladas, povos são dizimados pelo exército terrorista do medíocre Bush para tomarem as riquezas e o poder das outras nações!

Ana Paula Ribeiro Lima Ferreira, Rio de Janeiro
Prezados, atualmente estou sem TV na minha casa, mas quando eu tinha, não perdia um programa de vocês. O Observatório é indispensável para quem faz comunicação, é uma ferramenta de inestimável valor e deveria ter sua exibição como obrigatória nas faculdades, pelo menos essa é a minha opinião, como estudante que sou. Só queria dizer, ou melhor, escrever, que adorei a cara nova do site e que lamento imensamente não ter mais TV para poder vê-los. Sempre que posso, ao receber as newsletters que vocês mandam, dou uma olhadinha no site e participo das pesquisas. Um abraço para toda a equipe do Observatório. Vocês são 10!!!

Homero
Estimado Dines, sem querer lhe pautar (mas já lhe pautando), penso que você não pode deixar de levar à discussão em seu programa o conteúdo relativo à imprensa mencionado pelo entrevistado na reportagem de capa da revista Carta Capital n. 283 (desta semana).


Telefonemas recebidos em 23/03:

Danilo Ferreira, Recife / PE
O baixo nível cultural destes países que se envolvem em guerras religiosas se reflete diretamente no terrorismo?

Alcir de Souza, Rio de Janeiro
Por que nenhum órgão da grande mídia tocou no assunto do terrorismo político dos EUA em relação ao Brasil?

Luciano Demazzi, Loanda / PR
Freqüentemente dizem que vivemos em uma época onde a ciência e a tecnologia desenvolveram-se muito mais do que em toda a existência humana. Porém não se pode afirmar que essas importantes e inegáveis conquistas do homem lhe tenham proporcionado igual evolução no terreno da ética, da moral e muito menos da conscientização do ser humano. O resultado está aí diante dos olhos de todos.

André Luiz Pereira, Pindamonhangaba / SP
Por que quando há um atentado como o da Espanha, a imprensa não levanta a possibilidade da autoria do atentado ser de alguém interessado em incriminar os suspeitos mais óbvios?

Fábio Pina, Brasília / DF
O maior terrorista de todos foi Bush, porque quem saiu lucrando com os atentados foi ele, que estava em baixa e agora está ganhando popularidade.

Luci Cardoso, Salvador / BA
Gostaria de saber quais são os reais motivos dessa guerra.

Josenilson Frutuoso, Fortaleza / CE
O capitalismo selvagem, liderado pelos Estados Unidos, não é um tipo de terrorismo?

Benedito Simões, São Luís / MA
No discurso de Chirac, ele falou que era contra a guerra do Iraque porque não participaria da reconstrução do país, e não por motivos humanitários.

João Humberto, Canoas / RS
A resistência dos palestinos em aceitar o sistema econômico mundial, que é totalmente desigual, não seria um motivo a mais para a sua revolta?

Henri Zorvato, Porto Alegre / RS
Bush não deveria estar também sendo julgado como criminoso de guerra?

Luís Alberto, Curitiba / PR
Toda essa onda de atentados terroristas encontra sua origem na Palestina. Do ponto de vista geopolítico, para a Palestina, esse tipo de ação não surtiu nenhum efeito positivo para a questão palestina.

Hélio, Belo Horizonte / MG
O terrorismo é tudo aquilo que degrada a humanidade, inclusive atos de governantes. E esse tipo de "terrorismo" não recebe nenhum tipo de atenção da imprensa.

Moisés Moreira Rodrigues, Alegrete / RS
Será que não são terroristas também os governos de países da América Latina que para pagar dívidas do FMI acabam por fragilizar e prejudicar ainda mais a sua população?

Paulo de Castro, São Paulo
Você considera que existe alguma diferença ética entre o terrorismo de Estado (feito, por exemplo, em Israel) e o terrorismo clandestino de facções como o ETA e a Al-Qaeda?

Marco Antônio, São Paulo
Há possibilidade de que nas próximas eleições americanas exista um ataque terrorista para eleger Bush? E se isso acontecer quais seriam as conseqüências disto?

Lennon Santiago, São Paulo
Renato Lessa, os atentados não são uma forma de chamar atenção, por exemplo, para que o povo, principalmente o palestino, sofra? Será que se fosse resolvida a questão entre Israel e Palestina o terrorismo não acabaria?

Carlos Somavila, Pinhais / PR
Os EUA não deveriam sair do Iraque para que não existam mais esses atos como o da Espanha?

Maria das Dores, Santa Luzia / MG
Gostaria que comentassem o erro diplomático da ONU ao afirmar, de cara, que foi um atentado da autoria do ETA e no final acabou descobrindo que não foi.

Nassar Jadão, Teresina / PI
Embaixador João Almino, neste contexto do terrorismo existe um vilão ou um mocinho se os dois lados têm seus acertos e erros?

Luiz Tadeu, São Bernardo / SP
Renato Lessa, a mídia desde o "11 de Setembro" não está sendo muito conivente com o terrorismo?

Sandro Ferreira, Curitiba / PR
O que os terroristas querem não é mesmo esse caos que existe sempre depois de seus atos? Eles não praticam esses atos esperando já estas respostas?

Sérgio Rodrigues, São Paulo
Por que estão tentando desculpar o terrorismo de estado de Israel e qualificar o resto do terrorismo em geral?

Sidnei Flausino, Felixlândia / MG
Com o ataque na Espanha, o próximo seria em Israel?

Carlos Alberto Carvalho, Feira de Santana / BA
A interferência dos EUA na política interna em países do terceiro mundo não é uma forma de terrorismo?

Dailton Colman, Cascavel / PR
Acho interessante como esse episódio da Espanha fez mais pessoas se interessarem em ir para as urnas votar. Isso, num regime em que o voto não é obrigatório. Acho que isso é um bom exemplo para a democracia brasileira.


Faxes recebidos em 23/03:

Rogério Silva, Rio de Janeiro
Se as bombas foram colocadas em Madri por causa da Guerra no Iraque, não seria mais lógico que os atentados acontecessem em Londres ou nos Estados Unidos?

Jacob Herszenhut, Rio de Janeiro
Sobre a morte de Yassin:
"Condenado à prisão perpétua pela prática de crimes de genocídio, e depois solto, Ahmed Yassin desperdiçou a chance que lhe ofereceu Israel de tornar-se um homem digno e até participar do processo de paz.
Preferiu, no entanto, continuar trilhando o caminho do crime: o ideal seria a destruição de todos os israelenses, não importando fossem eles de direita, de esquerda, do movimento Paz Agora, árabes israelenses, ou mesmo turistas ou árabes de passagem, até porque as bombas carregadas pelos "mártires" - que alcançarão o paraíso, e usufruirão das 40.000 virgens - não discriminam as suas vítimas; matam igualmente a todos.
Sempre que uma tentativa de acordo estava por se firmar, Yassin, o cérebro do Hamas, explodia com esta possibilidade, determinando um atentado em Israel, da forma mais abjeta possível, aquela que pudesse produzir o maior horror, de modo a forçar uma retaliação do governo. Agora mesmo, bastou que Ariel Sharon anunciasse a retirada da Faixa de Gaza, para que o Hamas, que assumiu orgulhosamente o atentado, detonasse com este gesto de paz, matando 10 israelenses e ferindo dezenas. Sua morte demonstra que, apesar de tudo, a justiça prevalecerá e o crime não compensa."

Júlio Tomazzoli, Tramandaí / RS
Se ocorresse um atentado terrorista no Brasil quais seriam as conseqüências? Até que ponto o governo brasileiro seria capaz de lidar com esse tipo de acontecimento?



Fale com o WebMaster
Melhor visualizado em 800x600
©Copyright 2004 – TVE Brasil