RESUMO DO PROGRAMA
NOVA
PROGRAMAÇÃO DAS TVS
A nova
programação que está sendo implementada em alguns canais da TV aberta
foi o assunto do Observatório da Imprensa do dia 16/03. A Rede Record
lançou, na semana passada, a novela "Metamorphoses". Na mesma semana, a
Bandeirantes começou o novo formato do Jornal da Band, ancorado agora
por Carlos Nascimento e Joelmir Betting. Há poucas semanas, a TV Cultura
reformulou seu jornalismo e a cobertura esportiva. Alberto Dines
comentou que a posição hegemônica da TV Globo, que em fevereiro teve uma
média de 47 pontos no Ibope, é muito ruim para a pluralidade de opções.
Mas disse também que, com esses programas novos, o quadro pode mudar.
Participaram, ao vivo, do programa: os jornalistas Carlos Nascimento e
Juca Kfouri, de São Paulo; o presidente da Abratel (Associação
Brasileira de Radiodifusão e Telecomunicações), Roberto Wagner, de
Brasília; e o publicitário Lula Vieira, no Rio de Janeiro. Em VT, deram
depoimentos Fernando Mitre, diretor de jornalismo da Band; Ricardo
Boechat, diretor de jornalismo da Band sucursal RJ e Muniz Sodré,
professor de Comunicação da UFRJ. Por telefone, participou o presidente
da Datanexus, Carlos Novaes. E pela Internet, a estudante da UFRJ Júlia
Linhares.
A
respeito da reformulação do Jornal da Band, Fernando Mitre esclareceu:
"Nós estamos saindo de um jornal referencial, onde predomina a narrativa
impessoal do apresentador e estamos entrando num jornal fortemente
personalizado."
Já Muniz
Sodré criticou essa nova programação das emissoras: "Eu não acho que
outras formas de organização dentro de um modelo empresarial sejam
novidade. É apenas uma repartição do mesmo". E acrescentou: "O desafio
para a televisão brasileira, em matéria de jornalismo, é fazer um
jornalismo investigativo, é desafiar as estruturas do governo".
Carlos
Nascimento, a respeito de sua mudança da Globo para a Bandeirantes,
contou que, apesar de satisfeito com seu cargo anterior, estava
precisando mudar, inovar, construir alguma coisa diferente na televisão
e no telejornalismo.
Carlos
Novaes, presidente da Datanexus, explicou que a entrada da empresa, que
quebrou o monopólio do Ibope, cria um mercado onde antes não havia e
isso é fundamental. "As pessoas precisam ter mais de um parâmetro, ter
opções, ter alternativas", ressaltou.
A
respeito da fatia do mercado publicitário que é 75% da Globo, Lula
Vieira falou que o caminho para mudar isso é a segmentação, partir para
um público específico para cada canal e investir nele.
Juca
Kfouri finalizou afirmando que é necessário a volta à crença de que é
investindo no capital humano que se faz coisas de qualidade na mídia.
Claudia
Bojunga (estagiária)
EDITORIAL
Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.
Você está
com uma arma poderosa ao alcance da mão e talvez não saiba disso. Olhe
para ela, parece inofensiva mas pode ser mortal. Esta arma chama-se
controle remoto. Você aperta um botão e não apenas muda de canal ou
de programa mas pode decidir o futuro de uma programação, de um
produto, de um projeto ou até mesmo de uma emissora.
Em teoria
o controle remoto é o instrumento da concorrência e da pluralidade. Em
teoria. Na prática, no Brasil, o controle remoto tem servido mais no âmbito
da tv paga do que na tv aberta.
Temos
oito redes nacionais mas na realidade o predomínio é da Rede Globo.
Honra ao mérito: o padrão Globo de qualidade em todos os campos e gêneros
coloca-a em posição hegemônica. Em fevereiro a audiência média da
Globo foi de 47 pontos. Isso significa que o controle remoto foi pouco
usado. É bom para a Globo, pode ser bom para o telespectador mas é
ruim, muito ruim para a pluralidade de opções.
O quadro
pode mudar porque no domingo a Rede Record depois de muita badalação
lançou a sua novela "Metamorphoses" com a direção de Tizuka
Yamazaki e ontem a Bandeirantes começou o novo formato do seu jornal, o
jornal da Band ancorado por duas estrelas do jornalismo global, Carlos
Nascimento e Joelmir Betting.
Há
poucas semanas a tv Cultura deu uma nova dimensão ao seu jornalismo
noturno e à sua cobertura esportiva, adaptando-as ao conceito da tv-pública,
diferenciada, independente de interesses comerciais. Isto significa que
existe vida além da Globo. É uma grande notícia. Prepare-se, você
agora pode pensar em escolher. O controle remoto vai começar a
funcionar.
ARTIGO
Por Alberto Dines
DO
11/9 AO 11/3
Todos usam o terror, sobretudo os terroristas
Alberto Dines
Pela
segunda vez, em três anos, os banhos de sangue e as carnificinas são
rapidamente deixados de lado e o terrorismo passa a ser discutido e
validado como ação política.
O
massacre do 11 de Setembro foi concebido e executado pela al-Qaeda para
aproveitar ao máximo o potencial de exposição e dramatização da mídia.
Conseguiu. Os quase três mil mortos de Nova York ainda não estavam
contados quando alguns "progressistas" irracionais já
entoavam a cantilena de que o atentado foi uma boa lição para o
presidente Bush.
Frei
Leonardo Boff chegou a escrever que quatro aviões jogados em Nova York
e Washington eram insuficientes. Retratou-se; outros disseram as mesmas
barbaridades e prosseguiram no desvario.
O
presidente George W. Bush serviu-se do assassinato coletivo dos seus
compatriotas para iniciar a sua Guerra Santa contra a Guerra Santa islâmica.
Seu fundamentalismo precisava do fundamentalismo da al-Qaeda. Com aprovação
internacional, deu-se bem no Afeganistão, mas a intervenção
unilateral no Iraque está sendo uma catástrofe.
A chacina
madrilena no 11 de Março também foi concebida como ação política e
midiática, na véspera de uma eleição em que o PP ainda majoritário
oferecia indícios de fadiga. O governo espanhol caiu na esparrela -
tentou capitalizar o massacre atribuindo-o ao ETA porque não lhe
interessava explorar a hipótese de que poderia ser a al-Qaeda querendo
vingar-se da sua participação na ocupação do Iraque.
Erro
irreparável
José
Maria Aznar foi derrotado nas urnas três dias depois quando o
eleitorado espanhol - um dos mais esclarecidos da Europa e servido por
uma imprensa madura e responsável - percebeu a tentativa de manipulação.
Os quase
três mil mortos de Nova York e os 201 mortos de Madri - alguns ainda
insepultos - já estão esquecidos. A mídia ajudou a esquecê-los.
Cansada do horror e dos corpos estraçalhados, prefere entreter-se com
suas pequenas indignações.
De um
lado, os cruzados da direita espanhola encastelados na agência de notícias
estatal EFE, que surrupiaram as evidências das primeiras horas, quando
o terror islâmico aparecia como principal suspeito.
Do outro
lado, os cruzados da esquerda insana, com Robert Fisk à frente,
intransigentes defensores do princípio de que os fins justificam os
meios, encantados com a nova vitória do terror e a "lição"
que deu aos que não sabem enfrentá-lo.
O líder
vitorioso dos socialistas espanhóis, José Luiz Zapatero, foi taxativo
ao garantir que não será cúmplice do terrorismo nem partícipe do
desastre que está se armando no Iraque. É uma opção política e
moral, intransigente.
Jornais e
jornalistas podem fazer suas opções políticas, mas entre elas não
pode estar a resignação à barbaridade. A mídia internacional cometerá
um erro irreparável ao admitir o terror no repertório de ações políticas.
O terrorismo não é um projeto ideológico nem programa partidário. É
uma sanha sem limites, irracional.
Validado
o terror, a próxima vítima pode ser a própria mídia.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
ARTIGO
221
TV em transe, a vida além da Globo
Nelson Hoineff
Mais uma
vez a semana terminou agitada no meio audiovisual com a decisão da
Abert de interromper unilateralmente as negociações que visam a
elaboração de relatório sobre o projeto de emenda constitucional (PEC
59/03) que regulamenta o inciso III do artigo 221 da Constituição
Federal.
O
processo estava em curso na Comissão de Regionalização da Produção
do Conselho de Comunicação Social (CCS), buscando chegar a uma formulação
de consenso para a apreciação do projeto de lei proposto pela deputada
Jandira Feghali (PbdoB-RJ).
Teoricamente,
as dificuldades apareceram no artigo 4º, que trata da obrigatoriedade
de exibição semanal de "uma obra cinematográfica ou videofonográfica
nacional". A Abert alega que essa exigência é inconstitucional e
já havia apresentado um parecer jurídico neste sentido na reunião do
CCS de 2 de março.
Para os
componentes do Conselho que defendem a aprovação da Lei Jandira do
jeito que está, no entanto, esta não é apenas uma resistência do
empresariado do segmento contra o estabelecimento de uma exigência
legal. Trata-se, nas palavras do conselheiro Daniel Herz, dirigente do Fórum
Nacional Para a Democratização da Comunicação, "de uma resistência
frontal contra a exibição da produção cinematográfica na TV".
Para Herz, "o rompimento unilateral do processo de negociação foi
provocado pelo mesmo empresariado que resiste a cumprir os princípios
constitucionais do capítulo da comunicação". E acrescenta:
"A Constituição de 1988 diz que o 'estímulo à produção
independente' nacional é um 'princípio' que deve ser atendido
pela 'produção e a programação das emissoras de rádio e televisão'.
Contudo, o empresariado de televisão, há mais de uma década e meia, não
apenas não estimula a produção nacional independente, como a
discrimina e obstrui sua a exibição, principalmente do cinema
brasileiro".
Questão
fechada
A
retirada da Abert das negociações provocou reação imediata do
Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), um fórum que reúne cerca de 50
entidades ligadas ao audiovisual. No domingo (14/3), o cineasta Geraldo
Moraes, presidente do CBC, preparou uma nota oficial em tom de manifesto
para ser enviada na terça-feira, 16, ao Conselho de Comunicação
Social do Senado, ao Ministério da Cultura e também à Casa Civil da
Presidência da República.
A Casa
Civil está no momento formulando uma nova Lei do Audiovisual que será
submetida antes de abril ao Conselho Superior de Cinema - e que prevê
a criação da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav) no
lugar da Agência Nacional do Cinema (Ancine), com funções regulatórias
também sobre a televisão.
A própria
iminência da discussão desse projeto já coloca em observação a Lei
Jandira, uma vez que questões ligadas a cotas para a difusão de
programação de produção independente e regionalizada certamente serão
da alçada da futura Ancinav.
O Ministério
da Cultura, que é quem está por trás do projeto, acabou ficando numa
posição delicada, já que oficialmente está afinado com a Lei Jandira
e defendendo sua imediata aprovação, mas na prática tenta estabelecer
com as emissoras de televisão uma costura que lhe dê condições políticas
para fazer passar a Ancinav. Isso não aconteceu por ocasião da Medida
Provisória que há dois anos criou a Ancine, justamente por força de
uma grande pressão das emissoras de televisão. Elas conseguiram, cerca
de 48 horas antes da publicação da MP, deixar a televisão aberta de
fora dos tentáculos da nova agência. O governo está empenhado em
evitar que isso se repita.
Ironicamente,
essa tentativa de costura se dá multilateralmente, ao menos para
efeitos externos. Os dois almoços promovidos pela Globo para 40
cineastas brasileiros, em janeiro, tiveram no cardápio manifestações
explicitas de aproximação da emissora com o cinema brasileiro e a
produção independente, mas seus efeitos foram mais controvertidos do
que se esperava.
Os
debates nas listas de discussão da internet tornaram-se acalorados,
para dizer o mínimo, e recrudesceram agora, depois da interrupção das
negociações da PEC 59. Mesmo que não tenha sido a responsável pelo
fechamento da questão, a emissora carioca acabou sendo lembrada.
Nem cultura nem
empregos
A estratégia
da Globo consiste não apenas em forçar uma aproximação com cineastas
e formadores de opinião, mas também disseminar a idéia de que a
emissora produz acima de tudo cultura brasileira, em quantidade e
qualidade muito maior do que todas as suas concorrentes. A Globo fez
isso por meio de uma imensa campanha publicitária, que incluiu desde
spots na sua programação até a promoção de um seminário, Conteúdo
Brasil, em que o principal produto vendido era o reconhecimento da
contribuição que a emissora tem dado para a produção de conteúdo
bom e brasileiro.
Ainda que
isso seja indiscutivelmente verdadeiro, é só parcialmente pertinente
- e realça a grande ironia que está por trás da regulamentação do
artigo 221: nem as emissoras nem os produtores que divergem dela tem a
noção exata dos problemas que estão em questão.
É claro,
mas não é relevante, que por trás da estratégia da Globo esteja a
necessidade de conquistar aliados para seu pleito de conseguir empréstimo
do BNDES para saldar dívidas que chegam a 6 bilhões de reais. Desde
que mudou sua postura em relação ao artigo 222, que permitiu a entrada
de capital estrangeiro no limite de 30% nas empresas de comunicação
brasileira, a Globo já sinalizava uma reação heterodoxa à sua
necessidade de equacionar dívidas contraídas em dólares pela Globopar,
a maior parte para as operações de TV por assinatura, mas das quais a
emissora, que nunca deixou de ser lucrativa, era uma das principais
avalistas.
O que a
Globo está tentando dizer, ao bater na tecla da cultura brasileira e
oferecer penne alla rabiatta aos cineastas, talvez seja que sua dívida
financeira é pequena se comparada à dívida social das redes que
simplesmente não produzem no Brasil - e, quando o fazem, não estão
gerando cultura nem empregos, mas produtos dos quais nenhum brasileiro
é capaz de se orgulhar. Se esse é o seu discurso, deve-se no mínimo
prestar atenção às verdades que ele contém.
Engessamento da
pluralidade
A crise
entre a Abert e a bancada que defende irrestritamente a Lei Jandira, por
exemplo, nada tem a ver com o artigo 4º, que serviu apenas como um
pretexto técnico para que as emissoras caíssem fora desse foro de
discussão, que absolutamente não lhes interessava.
A argüição
de sua inconstitucionalidade está num estudo técnico encomendado pela
Globo ao professor Luis Roberto Barroso, da UERJ, e apresentado ao CCS
pelo representante da emissora, Evandro Guimarães. O mesmo artigo, no
entanto, é contestado também pela ABTA (Associação Brasileira de TV
por Assinatura), que cuida dos interesses das operadoras de TV por
assinatura.
É
preciso aclarar um conjunto de complexidades na questão da diversificação
da produção televisiva no país para que haja campo fértil para
negociações. Saber qual é a natureza de "produção
independente" é uma delas, assim como entender e levar em
consideração os mecanismos de comercialização das emissoras.
Um bom
case study pode ser localizado no domingo (14/3), quando a Record lançou
uma novela de 5 milhões de dólares, Metamorphoses, totalmente
realizada por uma produtora independente, a Casablanca. O fato, contudo,
está longe de caracterizar a compra de um produto independente e muito
menos a terceirização de um produto da própria emissora. Pelo
contrato, a Record paga à Casablanca de acordo com a audiência
conseguida pela novela. O risco, portanto, não é da emissora, mas da
produtora.
A
Casablanca, maior finishing house brasileira, é dona da Tele Image -
e bem mais próxima do tamanho de uma pequena rede de televisão que de
uma grande produtora de conteúdo. Pode correr esse tipo de risco, ao
contrário de 99% das produtoras de televisão do país.
Contratos
de risco dessa natureza não encontram muitos paralelos nas negociações
internacionais entre emissoras de televisão e produtoras de conteúdo,
principalmente nos EUA, pátria da livre-iniciativa, onde mais de 60% de
toda a produção levada ao ar pelas grandes redes é feita fora delas.
Não há
notícia, nem mesmo na compra de produtos estrangeiros por emissoras
brasileiras, de contratos que condicionem o pagamento aos resultados de
audiência. Pode-se, portanto, saudar a entrada da rede do bispo Macedo
na produção de teledramaturgia de qualidade (a qualidade técnica é
uma forte característica da Casablanca), mas esse é tipicamente um
acordo que tem mais chances de engessar a pluralidade da produção do
que beneficiá-la - e jamais servirá de padrão para a formatação
de parcerias entre emissoras de televisão e produtores independentes.
Quanto pior,
melhor
Para que
um diálogo entre exibidoras e produtores de conteúdo possa acontecer
de forma produtiva, mecanismos de produção e comercialização devem
ser conhecidos e mitos devem ser quebrados. É emblemático, por
exemplo, o comportamento do apresentador José Luis Datena. Na
quarta-feira (3/3), Datena foi à loucura com o baixo resultado de audiência
de seu programa na Bandeirantes e exibiu o medidor do Ibope diante das câmeras;
revelou assim, ao público, que seu programa não estava passando de
minguados 1,7 pontos de audiência.
A atitude
deixou claro que os programas policiais do horário de acesso estão
disputando na verdade faixas muito estreitas de audiência.. As
emissoras investem nesse tipo de conteúdo na suposição de poder
contrabalançar o baixo faturamento, alavancando espectadores para o horário
nobre. Não é o que acontece. O povão não compra. Os anunciantes também
não. Quem sustenta o mito é o medo de ser diferente, de fazer melhor.
Quase ao
mesmo tempo, a Globo anunciava seus resultados financeiros do ano
passado. A rede ficou com 78% de todo o bolo publicitário para a TV.
Isso está muito acima do seu share de audiência. Uma primeira leitura
poderia sugerir que o departamento comercial da Globo é melhor que os
demais. A verdade, porém, é mais complexa. A hegemonia da sua
participação no mercado publicitário sobre a participação na audiência
indica apenas que o anunciante está colocando em perspectiva seu
investimento na quantidade.
As duas
revelações estão dizendo a mesma coisa. Que a popularidade de uma
programação não é diretamente proporcional à sua capacidade de
nivelar por baixo. No mercado, todo mundo sabe disso. Atrações como
Boris Casoy ou Jô Soares não dão audiência mas faturam. Já alguns
dos programas que apelam para o primata que há em cada ser humano podem
ganhar espasmos de popularidade, mas tendem a não faturar - e ainda
causar "desfaturamento" em outros horários.
Em 1991,
o SBT teve que pedir desculpas por escrito aos seus anunciantes pelo nível
de O Povo na TV, que chegou a ser a maior audiência da emissora mas
provocou um notável "desfaturamento" em toda a rede. Passados
mais de dez anos, programas popularescos continuam tendendo a não
faturar - e já não são competitivos no que diz respeito à audiência.
Isso parece muito claro, exceto dentro das emissoras. É um dos mitos
que amparam o ideário do quanto pior, melhor.
Posturas sectárias
O que os
números do faturamento da Globo estão gritando é que cinco redes
comerciais de televisão, além das televisões públicas, disputam 22%
de todo o mercado publicitário - e que uma sozinha detém os outros
78%. A grande ironia é que os maiores responsáveis pelo desequilíbrio
da qualidade na TV não são os que tiram proveito dele, mas quem está
perdendo com isso.
Nenhuma
estratégia poderia ser melhor para consolidar a liderança tão ampla
de uma rede do que impingir conteúdo tão imitativo e banal às suas
concorrentes. O denominador comum da programação televisiva está bem
menos para a banalização, como se supunha, do que para a capacidade de
fazer diferente. A fraca resposta das redes que mais apelam para a
vulgaridade indica que a baixaria nem sempre é competitiva.
A produção
de conteúdo para televisão - no Brasil e em qualquer parte do mundo
- é uma atividade com forte impacto sobre a construção da imagem do
país e a sedimentação da sua cultura. É também uma atividade econômica
de peso, parte de um elo que começa nos modelos de financiamento à
produção e vai terminar justamente nas emissoras de televisão, que são
quem exibem e comercializam o produto.
Desde os
anos 1970, no entanto, com a verticalização do modelo de negócios na
televisão brasileira as redes abertas tornaram-se monolíticas,
auto-suficientes e dispuseram-se a produzir praticamente tudo que
exibem. Não apenas esse modelo não encontrava respaldo em qualquer
outros existente no mundo, como acabou por gerar uma atrofia na produção
de televisão e na qualidade do produto exibido, com um impacto
altamente negativo sobre o compromisso constitucional das emissoras de
televisão com a sociedade.
A boa notícia
é que essa distorção passou a ser discutida, depois de anos em que
pareceu relegada à condição de uma situação de fato ruim, mas que a
sociedade tem que engolir para o resto da vida. O problema é que depois
de tanto tempo e de tantas distorções sedimentadas, depois que a existência
potencial de centros produtores pluralizados e regionais foi congelada,
o debate sobre a questão tem que se dar tanto ao nível político
quanto técnico.
A
pluralização da produção televisiva no Brasil é, a esta altura,
inestancável. O desafio mais importante é fazê-la eficiente para os
produtores, as emissoras e a sociedade brasileira - e não transformá-la
em objeto de manipulações e posturas sectárias que só vão
contribuir para o atraso do processo, assim como da televisão e do povo
brasileiros.
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
Rio de
Janeiro:
Lula
Vieira - Publicitário
"Eu acho que faltou tempo para debater. A TV Educativa deve ser
aprofundar mais nos assuntos e para isso os programas devem ter mais
tempo."
São
Paulo:
Carlos
Nascimento - Jornalista
"Respondendo à pergunta que foi posta hoje, ou seja, se as novas
iniciativas darão certo na guerra da concorrência, eu acho que darão. Não
a curto prazo nem estimulados apenas pelo Ibope, mas pela competência,
qualidade, criatividade e pelo nosso interesse de fazer um trabalho bom e
de interesse público."
Juca
Kfouri - Jornalista
"Eu acredito cada vez mais no investimento da qualidade e a volta à
crença inicial, que é investir no capital humano, poderá reabrir
caminhos para a mídia brasileira."
PERGUNTAS
E-mails recebidos na
semana de 16/03 a 23/03:
Clara, Porto Alegre / RS
Prezado apresentador do Observatório da Imprensa, a guerra é boa se for
para melhorar a qualidade da informação, com transparência, sem
manipulação, que instigue o telespectador a procurar a profundar a
informação recebida. A guerra é boa se for para provocar quem ouve.
Isso é positivo. Não as baixarias que acontecem na TV todas as tardes.
Um abraço.
Marius Botelho, Varginha / MG - Dentista
Eu vejo o poder gerado pela tv Globo como um plano basicamente
fundamentado em puros reflexos condicionados. Eu já me perguntei por que
é tão difícil mudar o canal quando na Globo. E por que existe a vontade
de se retornar ao canal depois de trocado. Ela semeou sobre as
necessidades básicas do organismo criando um reflexo condicionado. Esse
é passado de pais para filhos e a cada geração é agravado mais e mais
principalmente no que diz respeito à sensualidade e à volúpia. Quando
se fala em controle de conteúdo e censura, ela se altera grandemente e se
defende violentamente como já foi observado. O fato é que a tv Globo
desde o início cava o buraco onde vai se enterrar. O limite para toda
essa vulgaridade está para chegar e aí todos os canais estarão de igual
para igual, sendo como a liberdade de mercado de Fernando Henrique que, a
princípio, parece monstruosa mas é como uma cobra que come o próprio
rabo.
Edu
Prezados, gostaria que os entrevistados comentassem e, se possível,
definissem o que é jornalismo sensacionalista na tv, dentro do tema
discutido por vocês. Deus os abençoe.
Celio Borba, Curitiba / PR
O povo que elegeu os parlamentares em Brasília não pode acompanhar e
fiscalizar as sessões da tv Câmara e tv Senado, pois as transmissões
são realizadas por tv paga!
José Pepi, São Carlos / SP
Bom dia senhores, sempre que posso assisto o Observatório na TV. Acho um
programa excelente, porém, tenho uma reclamação a fazer. O tempo de
duração do programa é muito curto, deveria ter no mínimo uma hora e
meia, pois, o programa têm muitos convidados, os quais participam pouco,
devido ao tempo limitado. Um abraço e sucesso.
Levi Itamar Storini
O Controle Remoto é um Instrumento Social?
Trinta segundos de anúncio nos intervalos do Jornal Nacional, segundo a
revista Veja, custam ao anunciante, em torno de R$ 110.000,00. Porém
após o advento do controle remoto, muitos telespectadores acabam
assistindo o Jornal Nacional, e outros programas, com o controle remoto ao
alcance das mãos. Durante o intervalo, mudam de canal e consequentemente
acabam vendo anúncios sendo veiculados em outros canais. Eu, por exemplo
prefiro o Jornal da Bandeirantes, considero-o um jornal mais consistente e
informativo, porém na hora da propaganda, também acabo mudando de canal.
Então quais serão os motivos que levam as pessoas à pratica da "controle-mania"?
Bom, acredito que os motivos que levam os indivíduos a mudar de canal, na
interrupção temporária de uma determinada programação, são vários,
mas aqui relaciono aqueles que considero, os principais:
1. O volume de som é aumentado pela emissora, provavelmente para chamar a
atenção para a propaganda, e isto irrita o telespectador - eu já
escolhi um canal, fora do ar, para quando quero questionar um assunto
importante que acabei de ver, e as propagandas chatas atrapalham. Migro
pra lá para poder pensar em silêncio -. Então muda-se o canal. Por
outro lado, acho que os operadores de TV não tem direito de mudar o
volume de som que o cidadão escolheu, dentro de sua própria casa;
2. A propaganda não é ética;
3. Mesmo aqueles que não percebem, acabam mudando de canal apenas pela
interrupção do seguimento normal de qualquer programação (na hora do
intervalo da programação, é a hora de trabalho para o controle remoto).
Conclusão: se isto é verdade, o anunciante que paga uma propaganda num
canal mais caro, por considerar que é visto por mais pessoas, acaba sendo
prejudicado pelo controle remoto que na hora da propaganda, permite ao
espectador, passear por outros canais. Consequentemente verá propagandas
com custos mais modestos. Desta forma, o anunciante que paga uma
propaganda mais modesta, acaba sendo beneficiado, pela controle-mania.
Conclusão da conclusão, se a conclusão for verdadeira, é a primeira
vez que percebo que quem paga menos, leva vantagem sobre quem paga mais.
Agora de uma coisa eu tenho certeza: os fabricantes de pilhas, maquiagens
e fantasias, sempre saem lucrando. Cuidado telespectador "é bom
conhecer, antes de simplesmente acreditar".
Rejane
Boa noite! A minha opinião quanto ao assunto em debate é que a Rede
Globo investe em alta qualidade tanto em suas produções, profissionais,
tecnologia e inovações, o que dificilmente se vê em outras emissoras.
Não se pode dizer o mesmo quanto aos seus programas, tirando alguns deles
como jornalismo, que aliás se pode dizer que são impecáveis, a
programação para quem gosta de qualidade, não recomenda. Mas creio que
esse problema é nacional, não apenas da Rede Globo. Existe essa crise do
populismo barato que infelizmente atrai a maioria das pessoas, jornalismo
apelativo, sensacionalista, de baixa qualidade, que se assiste muito na
televisão brasileira, programas com forte apelo ao sexo, programas que
prestam um desserviço ao público. Seria bom para o telespectador que
houvesse mais opções de programas com melhor qualidade. Para haver
concorrência, tem que melhorar muito a qualidade dos serviços prestados
por outras emissoras, tanto em tecnologia, quanto em programação. É
impossível ligar a tv de manhã e assistir o programa Dia Dia, sem que se
aborreça. A apresentadora que por sinal é muito simpática (antiga Shop
Time), passa o tempo todo fazendo comerciais, isso é extremamente
cansativo para o público, não só na Bandeirantes, como nas outras
emissoras também, são programas interrompidos a cada momento por
anunciantes dentro do mesmo. O Juca Kfouri está certo quando disse que o
jornalista da Globo não faz comercial como os outros das outras redes de
tvs. A televisão brasileira tem muito que melhorar no seu todo, senão
vamos ter que desligar nosso aparelho por falta de qualidade no que
recebemos dentro de nossas casas. Obrigada!
Angelo - Professor
Muito bom mesmo o programa desta última 3a feira, 16/03, nota 9,5. Para
atingir o dez deveria ter presente um executivo do SBT (ou o próprio
Sílvio, por que não?) e outro da Record (o Macedo, não seria
produtivo). Caso tenha tempo pretendo gravar alguns depoimentos na reprise
de sábado (espero que não deixem de reprisar na íntegra). Saudações.
Quero tomar a liberdade de sugerir a vocês que façam um novo programa
sobre a possibilidade de abalo da supremacia da tv Globo, agora
acrescentando as presenças dos representantes da cúpula do SBT e Record,
e tendo na pauta a intenção ou coragem de abordar com detalhes, como o
Juca Kfouri fez bem de leve, a tendência da Globo de aproveitar sua
supremacia assentada em alta qualidade para empurrar produtos de baixa
qualidade que só têm audiência pela influência "subliminar"
do "plim-plim", da mesma forma que uma cervejaria quando vende
seu carro forte, obriga o comerciante a comprar uma porcentagem do seu
"guaraná" vagabundo. Novas saudações.
Pablo Cantu
Boa noite, gostaria de direcionar uma pergunta para o Carlos Nascimento:
você sofreu algum tipo de pressão por parte da Globo em relação à sua
saída? Abraços para todos.
Antonio J. Rodrigues, Campinas / SP
Carlos Nascimento, sabemos que a Globo é a maior e vai demorar para as
outras alcançarem-na. Entretanto, ficamos contentes em ver que as outras
emissoras estão investindo pesado em grandes nomes do jornalismo
brasileiro. No entanto, minha pergunta é se o Carlos Nascimento trocou a
Globo ou se a Globo trocou o Carlos Nascimento?
Otávio Vieira, São Paulo
Amigos, hoje após ver o programa Observatório da Imprensa, o qual sempre
assisto, e depois de ver o relato primoroso do jornalista Juca Kfouri -
falando sobre a falta de qualidade dos programas de TV e dos lixos que
temos que assistir e que nada acrescentam de bom para a população, que
já é ignorante e inculta - coloco aqui outra questão: a tv Record. Hoje
não pude passar desatento a um Out Door sobre a novela "Metamorphoses"
pois nesse Out Door a frase era: "O ódio como você nunca viu",
fora outros que eu não me recordo agora, mas do mesmo gênero. E a
programação dela então, com filmes horrendos, programas jornalísticos
imbecis e a programação da tarde, com filmes infantis bem ao gênero da
emissora, vide o Clube do Terror. Isto é filme para crianças. Ainda bem
que eles não falam do homem do saco, pois as crianças ficariam com medo,
e seus pais apenas conhecem aquele homem do saco que passa nas igrejas
coletando... Enfim, o lixo é total, a violência, o sexo, a banalidade, a
notícia apenas violenta e sensacionalista é que importa. E a cultura, a
informação e a qualidade ficam a mercê de uma concorrência banal e
burra. Fiquem com Deus.
Celina Lemos
Ao jornalista Alberto Dines: "precisamos de criatividade para
alavancar a mídia" disse o repórter Carlos Nascimento no seu
programa Observatório da Imprensa. E nós nos apressamos em responder:
"Precisamos divulgar nossa criatividade já desenvolvida."
João Jesus de Salles Pupo, Rio de Janeiro - Prof. Universitário
Parabéns pelo programa de ontem (16/03/04). Restaram-me um pedido e uma
sugestão. Dentre todos os participantes, aquele que melhor responderia
às questões feitas pelo Dines é, sem qualquer dúvida, o próprio Dines.
Assim venho pedir sua opinião, Dines, sobretudo quanto à questão
fundamental do papel de uma emissora educativa no contexto poluído da
informação pela informação. A sugestão é que se examine o meio pelo
qual cada Município brasileiro possa criar e manter uma emissora. Entre
muitas outras, haveria a vantagem de incluir, no noticiário, os aspectos
positivos da vida, as grandes descobertas e invenções, os novos usos de
velhas idéias, as boas ações das pessoas, os avanços da inteligência
no sentido de melhorar a vida e favorecer a felicidade humana, as
tendências da criatividade - na Arte e na Ciência - enfim algo menos
deprimente, menos criminoso, menos valorador dos aspectos negativos da
conduta humana e voltado, também para tudo o que possa favorecer a
convivência. Muito grato.
Francisco Garaffa
A arrogância, a prepotência, e sobretudo a falta de responsabilidade
profissional da maioria dos jornalistas que cobre a mídia brasileira é
patente. Ultimamente tenho tentado sugerir mudanças de orientação em
algumas mídias, em especial na da TV Cultura de São Paulo, sem sucesso.
A maioria dos jornalistas não aceita críticas acres ou construtivas ao
seu trabalho, posicionando-se como "donos da verdade".
Escondem-se covardemente atrás de seu editorial, vomitando as mais
absurdas notícias e impedindo sequer um canal de acesso direto, para que
o consumidor questione sua veborragia. Num ano eleitoral, impressiona a
facilidade com que alguns editores-chefes manipulam o editorial da empresa
em que trabalham, aparentemente sem nenhum controle da direção da
empresa, em nome da decantada "liberdade de imprensa". O que o
seu Observatório pode fazer sobre isso, além de paparicar seus colegas
de trabalho?
Telefonemas recebidos em 16/03:
Leandro Fonseca, Salvador / BA
Por que depois de tanto tempo o Carlos Nascimento saiu da Rede Globo? O
que ele está achando dessa saída?
Clodomir, Ubá / MG
A respeito do futebol, não existe melhor transmissão que a da Rede
Globo, tanto em qualidade de imagem, quanto em qualidade de ângulos e
tudo o mais.
Tiago Benas, Aparecida de Goiânia / GO
Como, em termos técnicos, as outras emissoras estão investindo em
jornalismo?
Eli Lobo, Brumado / BA
A audiência da Globo é por causa da cobertura que ela tem sobre todo o
território nacional? Gostaria de saber também qual é o alcance da
cobertura das outras emissoras.
Marcelo José Oliveira, Goiânia / GO
Eu acredito no jornalismo regional que traz as notícias da região e que
será o jornalismo do futuro.
Heitor Camilo, São João Del Rey / MG
A Globo está na liderança porque ela tem correspondente nas principais
capitais do mundo o que a difere das outras redes, porque ela investe a
longo prazo.
Dalva Lisboa, Serra / ES
Eu assisto à TV Cultura sempre, adoro a TV Cultura, não uso muito o
controle remoto. Eu agradeço a vocês pelo trabalho que têm feito por nós.
Damião Cavalcanti, Campinas / SP
Carlos Nascimento, por que você saiu da Rede Globo tão de repente?
Rogério, Belo Horizonte / MG
A respeito do que o Dines acabou de falar sobre o monopólio, o que o
movimento de radiodifusão comunitária deve fazer quando a hegemonia das
concessões está nas mãos de 9 famílias? Gostaria que os participantes
comentassem o pedido de empréstimo de 5 bilhões que a Globo fez ao
BNDES.
Heleno Máximo, Contagem / MG
Carlos Nascimento, você não acha que o orgulho, o poder de manipulação
e as falsas críticas de certas emissoras vêm fazendo com que algumas
delas percam terreno no cenário deste país?
Leonel de Andrade Correia, Glória do Morita / PE
Carlos Nascimento, você tinha plena liberdade na Globo? Você sentia
falta disso? E hoje na Band, você tem essa liberdade?
Dércio Grabim, Canoas / RS
Além das modificações que estão ocorrendo nas emissoras, seria preciso
uma outra modificação, pois lugares longínquos do Brasil recebem o
sinal da Globo sempre em melhor qualidade. Já que esta tem muitas
retransmissoras.
Jaime de Souza, São Paulo
Lula Vieira, a audiência das TVs terá que competir cada vez mais com a
Internet?
Valdemir Pinto de Souto, Brasília / DF
A TV Record não deveria participar dessa guerra pela audiência, porque
foi comprada com o dinheiro do dízimo dos seguidores da Igreja Universal.
Ela não está seguindo os princípios bíblicos estando, portanto, se
desvirtuando de seu propósito.
Reinaldo Rezende, Trinópolis / GO
No Brasil existe mercado e espaço para mais canais de televisão?
Tiago Luís, Rio de Janeiro
As outras emissoras não acabam se espalhando na Globo?
Daniel Castro, Fortaleza / CE
Quando a mídia manipula as informações, como ocorreu na Guerra do
Iraque, essa maquiagem de notícias feita pela imprensa beneficia a quem?
Walter Chagas, Vila Velha / ES
Juca Kfouri, como você vê um programa como o Big Brother, da Globo, e um
programa como o Observatório da Imprensa que partilha do mesmo horário?
Como você vê a programação de qualidade da TV Cultura de SP?
Raul, Biporã / PR
Carlos Nascimento, gostaria de saber por que você saiu da Globo, se é
verdade o que dizem que você saiu por que a Globo colocou o Evaristo,
preferindo um rosto bonito no lugar da competência?
Nilson Silva do Carmo, Bom Jesus / RJ
Por que na Data Nexus a diferença da audiência entre a Globo e o SBT é
tão pequena enquanto no IBOPE é completamente diferente?
Tadeu Flamengo, Teresina / PI
Lula Vieira, você acha que a Globo possa vir a falir como aconteceu com a
Rede Tupi?
Itamar Rodrigues, João Pessoa / PB
Juca Kfouri, você não acha que as televisões no Brasil subestimam a
inteligência do público?
Sérgio Ávila, Caravinho / RS
Ainda não se falou que é preciso rever os conceitos da imprensa no
Brasil, já que a mídia tabela o preço da droga, mostra onde se compra e
até mostra aos traficantes como está o combate com a polícia. É
preciso pensar na influência da mídia na sociedade.
Elisa Ramos, Vitória / ES
Eu acho que a Globo não tem como tomar o público da TV Cultura, porque a
Cultura tem uma programação muito específica que a Globo nunca terá.
Marcos Araújo, São Paulo
Tenho notado que o conteúdo da Globo e da Editora Abril estão muito
afinados. Não estaremos diante de uma fusão não divulgada?
Ângela Maria, Rio Claro / SP
Eu vejo quase todos os jornais da TV aberta e não são todos que eu
gosto. A maioria só dá importância a apenas uma manchete, mesmo assim
sem muita profundidade. Estou gostando muito do jornal da Rede Mulher,
porque a apresentadora dá a opinião dela e eu acho que é importante o
jornalista dar opinião.
Leonel de Souza Neto, Campinas / SP
Se a maioria da população brasileira tivesse uma boa educação, o
primeiro lugar em audiência seria TV Cultura em vez da Globo?