PROGRAMA DO DIA 16 de dezembro de 2003

2003 NO ESPELHO DA MÍDIA

O programa dessa semana fez um balanço do ano de 2003, do ponto de vista da mídia.

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

CASO JOELMIR BETING
Justiceiros também pecam

Alberto Dines

Joelmir Beting aceitou a proposta de protagonizar o comercial do Bradesco porque a leniência da mídia é generalizada e institucionalizada. A incompatibilidade entre o exercício do jornalismo e a participação numa peça publicitária jamais foi criticada na mídia brasileira. Ao contrário, é tolerada.

Pior do que isso: muitos profissionais são obrigados pelas empresas a fazer comerciais dentro de suas matérias. Não ganham tostão e ainda passam pelo supremo vexame de parecer infratores.

Leia na íntegra

A mídia tem sido um espelho fiel das mudanças que ocorrem no mundo?

Resultado:

Sim: 14%

Não: 86%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Editorial:

Bem vindos ao Observatório da Imprensa.

Todos os anos são importantes, todos os tempos são interessantes. Alguns períodos parecem mais nítidos e compreensíveis do que outros. Isto acontece não porque sejam diferentes mas porque fomos alertados para as suas particularidades.


Leia na íntegra

ENTREVISTA / MATINAS SUZUKI JR.
Pela valorização do texto jornalístico

Leticia Nunes

Jornalismo literário, antes que alguém confunda com jornalismo sobre literatura, é uma prática jornalística que une a objetividade da descrição dos fatos com elementos e técnicas da literatura de ficção.

A coleção "Jornalismo Literário", da editora Companhia das Letras, surgiu para reeditar algumas das maiores reportagens do século 20. O primeiro volume - Hiroshima, de John Hersey - foi publicado há pouco mais de um ano. Desde então, já foram para as livrarias reportagens de jornalistas como Joseph Mitchell, Truman Capote, Joel Silveira e - o último lançamento - Zuenir Ventura.

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

2003 NO ESPELHO DA MÍDIA

O Observatório da Imprensa de 16/12 fez um balanço dos principais acontecimentos e da atuação da imprensa em 2003. Alberto Dines afirmou no início do programa: "A fragmentação das ocorrências diárias, neste ano, encontrou em todo o mundo uma imprensa também fragmentada, envolvida por uma crise de identidade sem precedentes, incapaz de fazer a necessária colagem."

Participaram, ao vivo, do Observatório da Imprensa: o jornalista da Rede Globo, Carlos Monforte, de Brasília; o jornalista e ombudsman da Folha de S. Paulo, Bernardo Ajzenberg, de São Paulo; o psicanalista e professor da UFRJ, Joel Birman e o economista da Fundação Getúlio Vargas, Marcelo Neri, no Rio de Janeiro.

Dines classificou 2003 como o ano da interrogação. Segundo ele, tudo está sendo contestado: ideologias, certezas, modelos econômicos e até religiões. Bernardo Ajzenberg concordou com a denominação: "Foi um ano de auto-análise dos mais delicados que eu pude presenciar na minha experiência como jornalista". O ombudsman da Folha de S. Paulo afirmou que, do ponto de vista interno da mídia, houve eventos extremamente importantes como a Guerra do Iraque, que despertou uma discussão sobre se é certa ou não a presença de jornalistas embutidos nas tropas americanas. Outros exemplos citados por ele foram o caso do repórter do New York Times, Jayson Blair, acusado de fraudar matérias, e o caso da BBC de Londres que culminou com o suicídio do assessor de governo David Kelly, após divulgação de entrevista sobre armas de destruição em massa.

Joel Birman comentou a crise de identidade da mídia: "não se sabe se é um quarto poder independente ou se é atrelada a grandes corporações". Segundo ele, a Guerra do Iraque mostrou uma perda total do poder crítico da imprensa americana, que se transformou numa caixa de ressonância da Casa Branca.

Carlos Monforte analisou a mídia sob o aspecto político brasileiro: "a eleição de um operário, a surpresa do PT ter virado a mesa e ter se tornado um partido social-democrata, essa inversão de valores do governo, invertendo o discurso com a oposição, provocou essa crise retratada na imprensa."

Já o economista Marcelo Neri afirmou que o ano de 2003 começou com muitas incertezas, inclusive por causa da eleição de um presidente-operário, de esquerda, que tinha um discurso que assustava os mercados. "Foi um ano de transição onde o governo Lula teve de se reafirmar", finalizou.

Claudia Bojunga (estagiária)


EDITORIAL

Bem vindos ao Observatório da Imprensa.

Todos os anos são importantes, todos os tempos são interessantes. Alguns períodos parecem mais nítidos e compreensíveis do que outros. Isto acontece não porque sejam diferentes mas porque fomos alertados para as suas particularidades.

Este seria o papel da imprensa: servir de espelho, dar dimensão e sentido à sucessão de fatos isolados. No entanto a fragmentação das ocorrências diárias neste ano de 2003 encontrou em todo o mundo uma imprensa também fragmentada, envolvida por uma crise de identidade sem precedentes, incapaz de fazer a necessária colagem. Um espelho embaçado ou rachado às vezes não é confiável.

O ano ainda não acabou, talvez seja prematuro fazer diagnósticos e costurar interpretações. Estamos ainda no olho do furacão sem a necessária perspectiva e distanciamento mas, à primeira vista, à luz do que aconteceu aqui no Brasil e no mundo, parece que a tônica de 2003 foi a sacudida geral nas referências.

Tudo o que é solido desmancha no ar, parece que foi isto o que aconteceu, ou está acontecendo: tudo está sendo contestado. Certezas, ideologias, utopias, sistemas e modelos econômicos, superpotências, crenças, não escapam até as inabaláveis religiões.

O "ano da interrogação" pode ser um bom nome para batizar este 2003 que acabará dentro de duas semanas. Este "Observatório" nasceu otimista e obrigatoriamente inconformado. Não fosse assim não daríamos tanta importância à crítica e à infinita capacidade humana de questionar e questionar-se. Sem perguntas não existiriam jornais, sem interrogações não prospera o jornalismo.

Este "Observatório" acredita que a imprensa é um espelho cuja função é transformar informações em dúvidas e as dúvidas numa ferramenta criativa capaz de identificar caminhos e construir soluções. Uma nova idade da razão pode estar a caminho e com ela, talvez, um novo humanismo.

É a nossa aposta.


ARTIGO
Por Alberto Dines

CASO JOELMIR BETING
Justiceiros também pecam

Alberto Dines

Joelmir Beting aceitou a proposta de protagonizar o comercial do Bradesco porque a leniência da mídia é generalizada e institucionalizada. A incompatibilidade entre o exercício do jornalismo e a participação numa peça publicitária jamais foi criticada na mídia brasileira. Ao contrário, é tolerada.

Pior do que isso: muitos profissionais são obrigados pelas empresas a fazer comerciais dentro de suas matérias. Não ganham tostão e ainda passam pelo supremo vexame de parecer infratores.

Dois exemplos num veículo do Grupo Estado, a excelente Rádio Eldorado: o repórter Geraldo Nunes, na cobertura do trânsito pela manhã, em São Paulo, era, até recentemente, obrigado a mencionar as qualidades de um lançamento imobiliário toda vez que o seu helicóptero sobrevoava o local de um empreendimento. Trata-se de um dos melhores repórteres de Cidades, um dos maiores conhecedores da história de São Paulo, orgulho de qualquer equipe que, não obstante, era obrigado a emitir com a sua chancela pessoal uma mensagem comercial disfarçada, sem qualquer característica de publicidade, no meio da sua cobertura jornalística.

Aqueles que demitiram Joelmir Beting porventura perguntaram a Geraldo Nunes se aceitava infringir de forma tão evidente as normas deontológicas e os códigos de comportamento profissionais?

Outra violação é irradiada diversas vezes ao longo do dia na mesma emissora com uma das "estrelas" da sua programação informativa: a meteorologista Josélia Pegorin, da ClimaTempo. Ao fim dos seus boletins, Josélia lê uma inconfundível mensagem comercial patrocinada por uma fábrica de produtos eletrônicos.

Alegarão os ilustres castigadores de Beting que a meteorologista não é jornalista, portanto desobrigada de seguir as normas de comportamento de jornalistas. Ela certamente não é jornalista, mas a sua informação é um dos esteios do noticiário do dia. Todo colunista, diplomado em jornalismo ou não, é um jornalista. E a meteorologia é uma coluna - aliás das mais importantes - do radiojornalismo.

Alhos e bugalhos

Joelmir Beting não gostou do comentário deste Observador [remissão abaixo] e esperneou num site (que, aliás, foi criado para veicular releases comerciais de empresas). Erro tático e moral: esta poderia ser a sua única defesa. Só pode ser considerado como infração o procedimento que a comunidade estabelece como infração. Se a comunidade admite, aceita e convive com a violação das normas, estas deixam de ser consideradas como infração. São, no máximo, impropriedade.

No último domingo num intervalo comercial dirigido à audiência paulista, o Fantástico (do Grupo Globo, que também puniu Joelmir) exibiu um comercial da Universidade de Guarulhos (privada) protagonizado pelo jornalista Hermano Henning (do SBT). Para Sílvio Santos, presidente, principal acionista e atração máxima da rede, não há conflito de interesses. Ele próprio faz propaganda comercial escancarada nos seus programas. Mas, por uma questão de coerência, para reforçar seus princípios, a Rede Globo deveria ter recomendado ao cliente a substituição do garoto-propaganda. A divulgação de uma infração sem qualquer reparo crítico - mesmo que de outros - pode ser entendida como aprovação. Um atento leitor deste Observatório flagrou o mesmo Henning fazendo um comercial numa TV mineira para o BMG Poupança [veja carta sob o título "Não entendi", Caderno do Leitor desta edição].

Nos seus badalados seminários, a ANJ jamais manifestou-se a respeito da participação de jornalistas em mensagens publicitárias. Muito menos a Fenaj, que vai muito além ao considerar o trabalho de assessoria de imprensa como atividade jornalística regular, assim legitimando o conflito de interesses.

Em Portugal, na Espanha, França ou Alemanha qualquer jornalista associado ao seu Sindicato sabe que no momento em que for convidado para trabalhar como publicitário, assessor de comunicação ou garoto-propaganda está obrigado a licenciar-se formalmente da agremiação. Só poderá retornar depois de um período de quarentena. Nos EUA e Inglaterra, este licenciamento é sequer considerado.

Com isto criou-se nestes países uma separação orgânica e, através dela, uma consciência crítica capaz de colocar em campos opostos e inconciliáveis o jornalismo e a comunicação comercial.

Uma palavra final aos missivistas que sentiram-se no direito de deblaterar contra os veículos que aceitam mensagens comerciais no seu espaço (ou tempo). Confundem alhos com bugalhos: um veículo jornalístico é uma instituição ou entidade comercial que, para garantir a sua continuidade, vende anúncios. Graças a esta receita a empresa jornalística paga os salários dos seus funcionários de modo a impedir que sejam seduzidos por ganhos extra por intermédio de negócios pessoais.

A caracterização visual da publicidade num veículo jornalístico é conquista recente porém definitiva, porque permite ao leitor distinguir a informação isenta da publicidade paga. O meio não se confunde com a mensagem.

Já o jornalista é o meio e, também, a mensagem. Não pode faturar sua credibilidade.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

ENTREVISTA / MATINAS SUZUKI JR.
Pela valorização do texto jornalístico

Leticia Nunes

Jornalismo literário, antes que alguém confunda com jornalismo sobre literatura, é uma prática jornalística que une a objetividade da descrição dos fatos com elementos e técnicas da literatura de ficção.

A coleção "Jornalismo Literário", da editora Companhia das Letras, surgiu para reeditar algumas das maiores reportagens do século 20. O primeiro volume - Hiroshima, de John Hersey - foi publicado há pouco mais de um ano. Desde então, já foram para as livrarias reportagens de jornalistas como Joseph Mitchell, Truman Capote, Joel Silveira e - o último lançamento - Zuenir Ventura.

Primeiro título da série, Hiroshima é uma reportagem publicada na revista The New Yorker um ano após o lançamento da bomba atômica na cidade de Hiroshima, em 1945. Hersey passou 17 dias no Japão e baseou-se no relato de seis sobreviventes da tragédia para escrever sua matéria. Quarenta anos depois, o jornalista retornou à cidade e reencontrou seus personagens, somando mais um capítulo à história.

O Segredo de Joe Gould é o resultado de uma reportagem também publicada originalmente na New Yorker, na década de 1960. Escrita por Joseph Mitchell, conta a história do intrigante mendigo Joe Gould, que o jornalista conheceu no Greenwich Village, reduto boêmio de Nova York. Gould dizia escrever o maior livro do mundo, a História Oral do Nosso Tempo, mas morreu em 1957 sem publicar nenhum livro.

A Sangue Frio, de Truman Capote, é o relato do brutal assassinato da família Clutter, em uma pequena cidade do Kansas, e da condenação dos criminosos. A reportagem exigiu mais de um ano de apuração de Capote, e foi uma das responsáveis pela criação do conceito de jornalismo literário, pois combinava de maneira magistral a objetividade na descrição dos fatos e os recursos utilizados nas narrativas de ficção. A história foi também publicada na New Yorker, em 1965, seis anos após a chacina.

O primeiro título brasileiro da coleção é A Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista, de Joel Silveira, que reúne diversos textos - entre reportagens, entrevistas e crônicas - publicados na revista Diretrizes, na década de 1940. Com muita ironia e humor, o texto traça um retrato do Brasil da época.

O mais novo filhote da coleção acaba de ser lançado: Chico Mendes - Crime e Castigo, série de reportagens de Zuenir Ventura sobre a morte do seringueiro Chico Mendes. O livro traz as reportagens feitas para o Jornal do Brasil em 1989, quando Zuenir foi enviado ao Acre; traz também as reportagens sobre o julgamento dos assassinos de Chico Mendes, em 1990; e matérias escritas em outubro de 2003, quando o jornalista retornou à região e reencontrou os personagens envolvidos no crime.

Em outra frente pelo estímulo ao jornalismo literário, foi lançado um concurso que leva o mesmo nome da coleção, promovido pela Companhia das Letras em parceria com o portal iG e apoio do jornal Último Segundo <http://ultimosegundo.ig.com.br/useg/>. Foi proposto aos jovens estudantes do Brasil que escrevessem uma reportagem inédita sobre o tema "personagens urbanos". As inscrições ocorreram de setembro a novembro, e os vencedores - cujos textos podem ser lidos em <www.igler.com.br> - foram anunciados no dia 3 de dezembro.

Outras preciosidades estão no forno. A coleção "Jornalismo Literário" não tem um número limite de livros, mas o objetivo do jornalista Matinas Suzuki Jr., coordenador da série, é que sejam lançados de quatro a cinco títulos por ano. Em entrevista ao Observatório, Matinas falou sobre as inspirações da coleção, seu futuro e sua importância.

Como surgiu a idéia de fazer a coleção "Jornalismo Literário"?

Matinas Suzuki - Era uma idéia antiga do Luiz Schwarcz [editor da Companhia das Letras] e minha, que vinha da constatação de que alguns textos clássicos do jornalismo estavam fora do mercado no Brasil. Veio amadurecendo ao longo dos anos e finalmente descobrimos uma oportunidade para fazer com o apoio cultural do jornal eletrônico Último Segundo.

Qual a importância da coleção?

M.S. - Acho que só saberemos a real importância da coleção daqui a algum tempo. A nossa intenção é contribuir para a revalorização do texto na imprensa brasileira. Na minha visão pessoal, as duas últimas décadas foram décadas de desvalorização da qualidade da escrita na imprensa brasileira. Em um momento no qual o jornalismo repensa os seus caminhos, talvez seja apropriado tentar resgatar o texto como valor para o jornalismo.

Quais serão os próximos títulos?

M.S. - Além do livro sobre o Chico Mendes, do Zuenir Ventura, que acaba de sair, o próximo volume será o livro Fame and Obscurity, do Gay Talese, que no Brasil ficou com o título de Aos Olhos da Multidão.

Como foram escolhidos os títulos?

M.S. - Nós procuramos selecionar os textos que são considerados marcos do jornalismo e que tenham saído originalmente em jornais e revistas. A seleção é feita pelo Luiz, pela Maria Emília Bender, da Companhia das Letras, e por mim, após consultar bastante gente.

Com avalia a repercussão e a vendagem?

M.S. - Têm sido muito boas, especialmente quando se considera um tipo de coleção como essa. No princípio, nós achamos que ela interessaria apenas a estudantes de jornalismo, mas ela acabou atingindo um público maior. Isso mostra que esses textos escritos 40 ou 50 anos atrás permanecem, sobretudo pela qualidade da escrita.

Como você definiria a prática do jornalismo literário?

M.S. - A discussão sobre se existe ou não ou jornalismo literário é muito ampla e complexa, e não cabe em uma resposta muito curta. De qualquer maneira, mesmo correndo o risco de ser simplista, eu lembraria algumas regras que são mencionadas pela maioria dos estudiosos: o jornalismo literário precisa estar ancorado em fatos; precisa da apuração profunda, do chamado "mergulho no tema", uma das suas características mais importantes; e é narrado em perspectiva pessoal, que pode ou não usar recursos de ficção.

Qual a situação do jornalismo literário hoje? Há no Brasil quem se dedique a ele?

M.S. - Com a crise da imprensa, o jornalismo literário, embora ainda ativo na tradição do jornalismo anglo-saxão, sofreu um refluxo de qualidade. No Brasil, ele acabou tendo uma espécie de "desvio" de veículo: é mais praticado em formato de livro no que nas páginas de jornal ou revista.

A Companhia das Letras e o iG também estão promovendo o concurso "Jornalismo Literário". Como surgiu a idéia e qual o objetivo do concurso?

M.S. - A idéia veio da Companhia das Letras, que já havia feito um concurso com outro tema, mas com um formato parecido. Nos pareceu útil tentar revalorizar o texto jornalístico não só nos livros editados, mas também no estímulo à produção desse tipo de escrita fronteiriça.


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

Rio de Janeiro:
Joel Birman - Psicanalista
"Eu achei o programa interessante porque confronta experiências e perspectivas diferentes, de jornalista, economista e psicanalista sobre o mesmo problema. Eu acho que essa multiplicidade de olhares dá uma riqueza de informação para o público e uma reflexão muito pública. A mídia não está acompanhando, em termos de reflexão, os acontecimentos. Tem uma massa de informação que não é metabolizada crítica e reflexivamente. Eu acho que é isso que falta para a mídia, sobretudo a mídia televisiva."

São Paulo:
Bernardo Ajzenberg - Ombudsman Folha de S. Paulo
"Eu fiquei positivamente surpreso com a reunião, no programa, de pessoas de diferentes áreas. Acho que isso sempre enriquece a reflexão e, na verdade, reflete a riqueza dos acontecimentos deste ano, de 2003, tanto os acontecimentos de maneira mais ampla, políticos ou geo-políticos como guerras, crises econômicas etc, como os acontecimentos internos da própria mídia, que foram riquíssimos e com grande potencial de reflexão e de auto-análise para que a mídia se recoloque dentro de um mundo visivelmente em crise, em busca de novas identidades. Nessa medida, acho que o programa tocou bastante nos assuntos e introduziu, acredito eu, algumas interrogações que podem ser frutíferas para a reflexão dos jornalistas e das pessoas interessadas em mídia de maneira geral."


PERGUNTAS

E-mails recebidos na semana de 16/12 a 23/12:

Marcelo Eduardo Reis Alves, Rio de Janeiro
Prezados Dines e Lúcia, primeiro, parabéns pelo programa que, sem dúvida, presta um serviço de utilidade pública para a sociedade brasileira ao comentar, de forma isenta, o trabalho da imprensa e da mídia nacional. Gostaria de sugerir que num programa futuro seja debatido um assunto que há tempos vem acontecendo: o preconceito contra algumas classes da sociedade. Em um artigo, publicado em 28/11/03, o jornalista Renato Maurício Prado, de "O Globo", ofende de forma preconceituosa os moradores da Zona Norte da cidade do Rio. Segundo o jornalista, os moradores da Barra sofreriam com a violência da referida região, por isso, não deveriam ir ao futuro estádio olímpico, a ser construído pela Prefeitura do Rio. Existem também as "brincadeiras" no Segundo Caderno, também de "O Globo", aos domingos, na coluna "Agamenon", escrita pela turma do Casseta, sempre há piadas (de mau gosto, óbvio) contra nordestinos, negros, homossexuais, entre outros menos favorecidos. Liberdade de expressão é uma coisa. Ofensa gratuita, através da mídia e por quem deveria defender os direitos da sociedade, é crime. Forte abraço. Feliz Natal e um 2004 de paz.

Marco Goncalves, Araraquara / SP
Deixar para o futuro para colher os frutos da austeridade do presente não é um eufemismo da famosa frase de deixar o bolo crescer para depois repartir. Todos torcemos para o Governo dar certo, mas a torcida não pode nos deixar cegos, principalmente a imprensa. Agir apaixonadamente e não constatar e denunciar as contradições do PT e do Governo é um desserviço ao país?

Fernando Francisco Garaffa
Se a mídia americana é uma caixa de ressonância da Casa Branca, a mídia brasileira não seria uma trânsfuga caixa de ressonância do Planalto?

Paulo Boccato, Bauru / SP
Sr. Dines: neste ano, em minha opinião, vocês jornalistas ajudaram a "suicidar" algo pelo qual todos nós lutamos tanto! Devido ao jornalismo engajado e parcial que este ano se consolidou no jornalismo brasileiro como uma praga. Não venham a reclamar no futuro quando a sociedade lhes vier apresentar a conta! Jornais e jornalistas de maneira arrogante e prepotente disseram o que quiseram de maneira leviana, sacrificaram a verdade e os fatos e não deram aos outros o contraditório... optaram pelo apelo fácil da pregação ideológica, abandonando a credibilidade que deveria existir no exercício diário do jornalismo! Agora não basta mais informar. Jornalista e jornal, cedendo ao gosto do poder, esmeram-se em tornar-se "agentes de transformação social"! Com isto, a verdade "morreu em tempos de paz"! Eu tenho memória e estarei lá (no futuro) para apontar o dedo, daí nem mesmo escapando vossa própria pessoa, sr. Dines! Eu sou testemunha!

Diogo Augoli, Rio de Janeiro
Caro Dines, no atual sistema midiático percebe-se um forte "controle da informação". O que podemos esperar, por exemplo, das coberturas de eventos importantes, como o julgamento de Saddan Hussein?


Telefonemas recebidos em 16/12:

Padre Haroldo, Fortaleza / CE
Monforte, os debatedores estão esquecendo que o que nós vivemos hoje é uma luta de classes. Luta entre capitalismo e excluídos.

Jovenaldo da Silva, Amaragi / PE
A televisão quando esconde algumas informações não está deixando de prestar um serviço à população?

José Bezerro, João Pessoa/PB
Como a mídia pode recuperar a capacidade de ser imparcial na divulgação de informações importantes?

Igor Gabriel, Curvelo/MG
Monforte, como você vê a maturidade de cobertura da Rede Globo no governo Lula, onde até agora a Globo tem sido bastante correta?

Antonio Salles
Como a mídia vê a crise de identidade dos partidos atuais de esquerda?

Nassar Jadão, Teresina/PI
A imprensa está cobrindo devidamente as realizações do governo? O Piauí é o laboratório do Fome Zero e a imprensa parece ignorar esse fato ao não cobrir esse estado.

Pedro Antonio, Belo Horizonte/MG
Gostaria de parabenizar o programa e perguntar para o Joel Birman se o homem, mesmo com dor, está tentando o grande amor do criador?

Vladimir Amaral, Ribeirão Preto/SP
Como vocês observam a influência da imprensa no dia a dia do cidadão comum?

Manoel Lima, Salvador/BA
Monforte, o que gerou uma transparência das empresas em relação aos seus problemas financeiros? Foi a globalização ou será que a imprensa se especializou nesse setor?

Felipe Lopes, Teresina/PI
A imprensa tem sido ética na divulgação dos fatos políticos?

Rogério Villas-Boas, Rio de Janeiro
Monforte, qual a sua análise a respeito da expulsão dos radicais do PT? Na minha opinião a imprensa não deu o destaque que deveria.

Luciano Fernandes, Belo Horizonte/MG
Como é trabalhar em um canal de TV que não é considerado muito ético pela população?

Pedro Dantas, São Paulo
Como poderá haver melhora e crescimento econômico no país com a renda tão baixa?

Elias Dias, Belo Horizonte / MG
No dia 7 de abril eu fui acusado de ter agredido meus pais, sendo que meu pai já morreu e minha mãe mora em outra cidade. O Jornal da Alterosa e o Diário da Tarde acabaram com a minha reputação. Que tipo de imprensa é essa?

Adílson de Souza, Araraquara / SP
A mídia é usada para manipulação política no país?

Sostenes Barreto, Juazeiro / BA
A aprovação da Reforma Tributária vai gerar emprego e ajudar o crescimento do país?

Livia Gomes, Contagem/MG
O Observatório não deveria convidar um jornalista da Rede Globo que representa o que de pior existe no jornalismo.

Gilberto Jordão, Maringá / PR
Por que a mídia esconde certas notícias e fatos? Por que a Rede Globo não faz seu editorial todos os dias dando sua opinião sobre o governo?

José Miranda, Cariacica / ES
O excesso de informações hoje torna as coisas superficiais?

Luiz Caranqui, Vespaziano / MG
Queria saber do decreto do presidente dos Estados Unidos a respeito da reforma psiquiátrica.

Joslane Andreata, Curitiba / PR
Você poderia fazer um comentário sobre o niilismo atual?

Urias Moural, Piauí
A mídia conseguiu cobrir de forma completa todos os acontecimentos importantes do ano?

César Augusto, Portolândia / SP
Como vai ficar a situação do Brasil em relação aos Estados Unidos na ALCA, já que os Estados Unidos se fortaleceram com a prisão do Saddam?

Ivanildo Aguiar, São Paulo
Monforte, o sistema Globo estaria aberto à crítica dos telespectadores?

José Pinto Teixeira Neto, Mauá / SP
A imprensa brasileira tem boa parcela de culpa nas mazelas do país já que está sujeita às manipulações políticas e financeiras.

Eliezer Ferreira da Silva, São Paulo
O que vocês acham da mídia dos Estados Unidos comparando com a nossa? Qual das duas é mais verdadeira?

João Felício, São Paulo
Dines, a imprensa brasileira não está se pautando muito pela imprensa internacional?

Ricardo Corleti, São Paulo
Tudo que está escrito no papel, as pessoas aceitam. É preciso ter responsabilidades porque às vezes um mentiroso é mais perigoso que um ladrão.

Jackson Piaia, Cascavel / PR
O que vocês acham a respeito dos órgãos de imprensa contratarem pessoas não qualificadas por causa do baixo custo?

José de Castro, São Paulo
Você acha que usar o New York Times como um paralelo e como moeda de comparação não é no mínimo tendencioso?

Felipe Costa, Salvador / BA
Monforte, qual é o papel que a mídia exerce, hoje, na política brasileira?

Péricles da Silva, João Mulevade / MG
A imprensa no Brasil está servindo como uma manifestação clara da informação, ou ela ainda é muito influenciada por interesses políticos?

Emanoel Duarte, Belo Horizonte / MG
Para uma mídia mais democrática não seria necessário uma população que pudesse participar mais ativamente do processo de construção do conhecimento?



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