PROGRAMA DO DIA 28 DE OUTUBRO DE 2003

A MÍDIA E A ÉTICA NO PODER

A mídia está contribuindo para criar uma nova consciência de lisura no desempenho das funções públicas ou está exagerando e fazendo estardalhaço demais diante de episódios como o que levou à demissão do Secretário Nacional de Segurança Pública Luiz Eduardo Soares? Ele deixou o cargo depois de denúncias de nepotismo divulgadas pela imprensa. Luiz Eduardo havia contratado a atual e a ex-mulher como consultoras. É o segundo escândalo que o Governo enfrenta em um mês: o primeiro envolveu a Ministra Benedita da Silva, que participou de um evento religioso na Argentina, com passagens pagas pelos cofres públicos.

A cobertura da mídia e o tratamento dado ao assunto, que envolve também questões éticas, foram analisados pelo Observatório da imprensa.

Leia o resumo do programa

  Veja o Compacto

ENTREVISTA-BOMBA NA AOL
Frias abriu o jogo e o jogo vai mudar
Alberto Dines

Um marco: a entrevista do publisher da Folha de S.Paulo Octavio Frias de Oliveira ao AOL Notícias altera drasticamente o diálogo governo-imprensa no tocante à possibilidade de uma "operação-socorro" a ser montada no BNDES para ajudar as endividadas empresas de mídia. Isto pelo que Frias disse, pelo que deixou subentendido e, sobretudo, pelas conseqüências.

Está quebrado o pacto de silêncio que envolve a mídia brasileira.

Leia na íntegra

A mídia ajuda a manter os padrões éticos na vida pública?

Resultado:

Sim: 45%

Não: 55%

Aqui você pode participar de fóruns sobre assuntos ligados à imprensa, deixar seu recado no nosso mural e ler as perguntas dos telespectadores.

Perguntas - Aqui são colocadas as perguntas dos telespectadores que chegam por telefone, fax ou e-mail durante o programa e ao longo da semana.

5 Bloco - Leia a opinião dos participantes do programa, sobre o debate.

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Você conhece esta história: quando a mídia comporta-se com discrição, ela é acusada de conivente. Quando põe a boca no trombone, fala-se em linchamento midiático. Onde fica a justiça, qual a medida correta para o comportamento da imprensa?

Este Observatório foi criado dentro do pressuposto que a mídia precisa ser cobrada, intensamente cobrada - isto é essencial para o seu aperfeiçoamento e também é essencial para o processo democrático. Mas a recente onda de denúncias envolvendo figuras do primeiro escalão federal sugere desdobramentos importantes.


Leia na íntegra

CRITÉRIOS DE COBERTURA
Suítes no caso do índio Galdino
Leticia Nunes

20 de abril de 1997. O índio pataxó Galdino Jesus dos Santos é brutalmente assassinado em Brasília por cinco jovens de classe média alta enquanto dormia em um ponto de ônibus. Numa espécie de "pegadinha", o grupo ateia fogo ao corpo do índio e foge, mas é identificado por testemunhas. O crime ocupa as manchetes dos jornais e choca o país. Em 2001, os quatro maiores de idade são condenados a 14 anos de prisão em regime fechado por homicídio triplamente qualificado e motivo torpe.

14 de outubro de 2003. O jornal Correio Braziliense faz uma denúncia: três dos quatro assassinos presos do índio Galdino são flagrados bebendo cerveja em um bar e namorando. Tomás Oliveira de Almeida, Max Rogério Alves, Eron Chaves Oliveira e Antônio Novely Cardoso Vilanova haviam conseguido autorização judicial com base na Lei de Execuções Penais para trabalhar fora do presídio. Max, Eron e Antônio foram filmados pela equipe do jornal nas ruas de Brasília e perderam temporariamente o benefício judicial. O Fantástico, da Rede Globo, exibiu as cenas na edição de 19/10. Foi instaurada uma sindicância pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), para apurar as irregularidades no cumprimento do benefício.

Leia na íntegra


RESUMO DO PROGRAMA

A MÍDIA E A ÉTICA NO PODER

O Observatório da Imprensa de 28 de outubro analisou a cobertura dada pela mídia a uma série de episódios, envolvendo ética e lisura no desempenho de funções públicas. Um dos casos citados foi o do ex-Secretário Nacional de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, que pediu demissão do cargo depois de ser acusado de nepotismo, por ter contratado a atual e a ex-mulher como consultoras. Em editorial, Alberto Dines ressaltou: "na ânsia de repercussão, a imprensa não estaria descurando dos grandes escândalos locais, como os casos das máfias dos fiscais em São Paulo e o propinoduto no Rio de Janeiro? A lisura e a decência no trato da coisa pública não podem estar sujeitas a surtos, ondas e modas."

Participaram do debate o Ministro de Estado do Controle e da Transparência, Waldir Pires, em Brasília; o colunista de O Globo, Merval Pereira, no Rio de Janeiro; e a socióloga Fátima Pacheco Jordão e o editorialista do jornal O Estado de .S. Paulo, Mauro Chaves, ambos em São Paulo.

Logo no início do debate, Merval Pereira salientou: "O PT está colhendo o que plantou". Mauro Chaves concordou com a afirmação e complementou: "A sociedade já cobra há muito tempo ética na política e o PT, como disse o Merval, sempre norteou sua atuação baseado na ética. A mídia está muito sintonizada com a cobrança de ética feita pela sociedade".

Fátima Pacheco, respondendo ao questionamento de Alberto Dines sobre como os últimos escândalos envolvendo Luiz Eduardo e a ministra Benedita poderiam influenciar na avaliação que a opinião pública faz do governo Lula, afirmou: "A mídia está mais sintonizada com os anseios da sociedade do que as outras instituições. Está desempenhando um papel que tem ajudado a clarear algumas situações e, de fato, a população vai acabar absorvendo estas informações. Se há um ponto vulnerável para desgastar o governo Lula, é a questão da ética."

O Ministro Waldir Pires, respondendo à pergunta de Merval Pereira sobre como o Ministério do Controle e da Transparência irá fiscalizar as viagens dos ministros para que estes episódios não se repitam, enfatizou: "Não propriamente as viagens mas se, por ventura, houver alguma que atinja uma lesão patrimonial, evidentemente, que nós teremos que interferir."

Destacando o papel da imprensa junto à opinião pública, o ministro encerrou o debate com a seguinte afirmação: "A mídia representa a força que ajuda a sociedade a formar seus padrões éticos."

Manoel Magalhães (estagiário)


EDITORIAL

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Você conhece esta história: quando a mídia comporta-se com discrição, ela é acusada de conivente. Quando põe a boca no trombone, fala-se em linchamento midiático. Onde fica a justiça, qual a medida correta para o comportamento da imprensa?

Este Observatório foi criado dentro do pressuposto que a mídia precisa ser cobrada, intensamente cobrada - isto é essencial para o seu aperfeiçoamento e também é essencial para o processo democrático. Mas a recente onda de denúncias envolvendo figuras do primeiro escalão federal sugere desdobramentos importantes.

Exemplo: na ânsia de repercussão, a imprensa não estaria descurando dos grandes escândalos locais como os casos da máfias dos fiscais em São Paulo e o propinoduto no estado do Rio? Outro exemplo: as corregedorias e ouvidorias dos outros poderes não deveriam ser mais atuantes para evitar que as infrações sejam investigadas antes de chegar à mídia? E a mídia, também ela não escorrega em falhas de caráter deontológico e ético? Não há nepotismo nas redações?

Estas são perguntas que não precisam ser respondidas mas devem ser mantidas, lembradas. A lisura e a decência no trato da coisa pública não podem estar sujeitas a surtos, ondas e modas. A ética e a moral são maiores do que os códigos setoriais. São opções coletivas, valores permanentes.


ARTIGO
Por Alberto Dines

ENTREVISTA-BOMBA NA AOL
Frias abriu o jogo e o jogo vai mudar
Alberto Dines

Um marco: a entrevista do publisher da Folha de S.Paulo Octavio Frias de Oliveira ao AOL Notícias <http://noticias.aol.com.br/especiais/index.adp> altera drasticamente o diálogo governo-imprensa no tocante à possibilidade de uma "operação-socorro" a ser montada no BNDES para ajudar as endividadas empresas de mídia. Isto pelo que Frias disse, pelo que deixou subentendido e, sobretudo, pelas conseqüências.

Está quebrado o pacto de silêncio que envolve a mídia brasileira.

Com meia dúzia de respostas breves e claras, Frias desmanchou a escandalosa unanimidade que diminuía e envergonhava nossa imprensa. Restabeleceu a diversidade, devolveu-lhe o papel questionador e tirou-a da comprometedora penumbra onde escondia crises, problemas e vexames.

A partir deste momento, os estudos e negociações com o BNDES para uma linha de financiamento especial deverão, obrigatoriamente, ajustar-se às realidades explicitadas por um dos mais importantes players do processo:

** O governo precisará refrear seus ímpetos salvacionistas.

** A mídia precisará adotar um comportamento mais transparente...

** ...e abdicar de favores especiais.

** O eventual programa de socorro não deverá ser linear e extensivo. Pelo menos a Folha será voz diferenciada.

** Em outras palavras: agora, além deste Observatório, a sociedade brasileira conta com um veículo pesado para exercer o olhar fiscalizador sobre o governo e seu namorico com os meios de comunicação.

** Significa que, além da pretendida linha de financiamento, outras alternativas precisarão ser engendradas e avaliadas para livrar a mídia da penosa situação em que se encontra. Inclusive o aporte de recursos através do mercado de capitais.

A repercussão da entrevista de Frias no Senado [veja remissão abaixo] indica que existe um foro natural para acompanhar a delicada questão e, inclusive, institucionalizar as relações governo-mídia. Este foro é o Poder Legislativo. A FCC americana é subordinada ao Senado, assim também o nosso Conselho de Comunicação Social. É extremamente perigoso confinar acertos entre dois poderes da República (o Executivo e a Imprensa) à esfera administrativa sem o conhecimento e a chancela da sociedade.

A mídia é um setor de interesse nacional. Nisso todos concordam. Mas Octavio Frias de Oliveira demonstrou com sua entrevista que dentro da mídia existe um segmento vital - a imprensa - por meio do qual legitima-se o debate e, através dele, encontram-se soluções decentes e justas.


OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET

CRITÉRIOS DE COBERTURA
Suítes no caso do índio Galdino
Leticia Nunes

20 de abril de 1997. O índio pataxó Galdino Jesus dos Santos é brutalmente assassinado em Brasília por cinco jovens de classe média alta enquanto dormia em um ponto de ônibus. Numa espécie de "pegadinha", o grupo ateia fogo ao corpo do índio e foge, mas é identificado por testemunhas. O crime ocupa as manchetes dos jornais e choca o país. Em 2001, os quatro maiores de idade são condenados a 14 anos de prisão em regime fechado por homicídio triplamente qualificado e motivo torpe.

14 de outubro de 2003. O jornal Correio Braziliense faz uma denúncia: três dos quatro assassinos presos do índio Galdino são flagrados bebendo cerveja em um bar e namorando. Tomás Oliveira de Almeida, Max Rogério Alves, Eron Chaves Oliveira e Antônio Novely Cardoso Vilanova haviam conseguido autorização judicial com base na Lei de Execuções Penais para trabalhar fora do presídio. Max, Eron e Antônio foram filmados pela equipe do jornal nas ruas de Brasília e perderam temporariamente o benefício judicial. O Fantástico, da Rede Globo, exibiu as cenas na edição de 19/10. Foi instaurada uma sindicância pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), para apurar as irregularidades no cumprimento do benefício.

O fato foi noticiado por grande parte da imprensa. O que pouco se divulgou foi o que aconteceu no dia seguinte à denúncia. Na quarta-feira (15/10), Max tentou o suicídio dentro do Centro de Detenção Provisória do Complexo Penitenciário da Papuda. Poucas horas depois de ser informado da perda do benefício, ele cortou o pescoço com a gilete de um aparelho de barbear desmontado. Foi socorrido por Eron e Antônio e levado para o hospital. Os cortes foram leves e ele passa bem.

Três minutos no JN

Nos dias seguintes à tentativa de suicídio, nada se ouviu a respeito. Segundo o Correio Braziliense, a assessoria de imprensa da SSP-DF só confirmou o ocorrido uma semana depois. Mesmo com a confirmação, pouco destaque foi dado pela mídia ao assunto. O jornal O Globo publicou uma nota (22/10) e o Correio Braziliense divulgou a informação em segundo plano, em uma matéria cujo título era "Assassinos de Galdino são ouvidos hoje pelo TJ-DF".

O desequilíbrio no destaque de duas faces de um mesmo assunto foi notado pelo jornalista Luís Nassif, em coluna intitulada "Final perfeito" (Folha de S.Paulo, 21/10/03. Diz ele que "a mídia - talvez num ímpeto 'estraga-prazeres' - ocultou o desfecho da grande campanha cívica de denúncias contra 'privilégios' concedidos aos rapazes que mataram o índio Galdino".

Por que as denúncias de irregularidades cometidas pelos rapazes merecem destaque, e a tentativa de suicídio de um deles - em conseqüência dessas denúncias - é praticamente ocultada pela mídia?

Nassif, que levantou a questão em primeiro lugar, disse a este Observatório o seguinte: "A imprensa não está divulgando a tentativa de suicídio por dois motivos. Primeiro, para não expor a crueldade da cobertura e transformar o algoz em vítima. Segundo, para não estragar o show. Vendeu-se bem o peixe de que os três são filhinhos de papai, com influência sobre a Justiça, e não se pode sair desse enredo".

O que precisa ser debatido é o peso e o valor que a imprensa dá a cada acontecimento. Nassif prossegue: "A regalia denunciada [pelo Correio Braziliense] não foi o fato de os rapazes poderem sair de vez em quando da prisão - o que foi autorizado pelo juiz com base na Lei de Execuções Penais. Foi o fato de terem aproveitado o momento de liberdade para ir a uma lanchonete e namorar. Você acha que isso merece três minutos de Jornal Nacional?".

O assunto - ou a ausência dele - também foi abordado pelo ombudsman da Folha, Bernardo Ajzenberg, em sua coluna de domingo, 26. Ajzenberg faz referência ao texto de Nassif e ressalta: "O que mais chama atenção (...) é que a suposta tentativa de suicídio do rapaz não foi noticiada pela mídia, apesar do vasto espaço dedicado poucos dias antes às tais 'mordomias'".


5º BLOCO

Veja o que disseram os convidados após o programa:

Rio de Janeiro:
Merval Pereira - Colunista / O Globo
Pergunta: Você acha que o Luiz Eduardo Soares foi ingênuo de não ter colocado a questão antes para a Comissão de Ética, ou ele ficou amedrontado e achou que poderia ter passado por um escândalo até maior?

MP: "Eu acho que o Luiz Eduardo é um homem de bem, é uma pessoa honrada e é um político ingênuo. Ele já foi ingênuo quando era Secretário de Segurança, aqui no Rio e foi defender o João Moreira Salles naquele episódio do Marcinho VP. Ele tinha toda razão, o João Moreira Salles é uma pessoa de bem e estava fazendo aquilo tentando ajudar o Marcinho VP, mas ele como Secretário de Segurança não podia ter assumido publicamente a defesa daquele ato. E agora a mesma coisa, ele devia ter encaminhado à Comissão de Ética a nomeação da mulher e da ex-mulher ou então quando surgiu a denúncia devia ter encaminhado uma consulta formal à Comissão de Ética para saber se tinha feito alguma coisa errada e ele poderia ficar com a chancela da Comissão de Ética."

São Paulo:
Mauro Chaves - Editorialista / O Estado de S. Paulo
"Achei o programa muito bom, o tema extremamente oportuno. Talvez a gente tenha deixado de falar de um assunto muito atual, referente à matéria que saiu na Veja, uma matéria muito séria, bem feita, muito grave e que com certeza vai ter desdobramentos porque ela vai exatamente direto na ética, na política em tempos de campanha eleitoral. De um modo geral o programa tocou em pontos essenciais."

Fátima Pacheco Jordão - Socióloga
"No âmbito a que se propôs, a discussão foi bastante completa. O Ministro teve chance de se explicar e ficou muito claro para a sociedade quais são as questões essenciais. Estamos caminhando, estamos dando os primeiros passos. Há furos, há problemas. Quer dizer, é um Governo que tem intenção mas não tem equipamento, o equipamento não está sintonizado com a sociedade. A sociedade não está suficientemente organizada. A mídia faz um esforço brutal mas também ela é manipulada. Isso o programa conseguiu mostrar com clareza, foi bem sucedido."


PERGUNTAS

E-mails recebidos na semana de 28/10 a 04/11:

Isabella Ferreira, Curitiba / PR - Jornalista
Ética, na sua origem, nos remete à intenção das ações, porém, ética institucionalizada em conselhos ou leis e estatutos, reflete justamente, um mercado de intenções estabelecido pela própria humanidade, onde o que prevalece é a conivência dos meios de comunicação e a profunda intenção e interesse dos controladores da mídia... da vitrine... da ponte entre o fato e o cidadão. A ética é a conseqüência emblemática da necessidade de quem dita as regras de um jogo politicamente competitivo mas injusto... mando um abraço ao Waldir Pires, amigo pessoal de meu pai (Luiz Gonzaga Ferreira - advogado e preso político) na luta pelos verdadeiros valores humanos nos dias difíceis de ditadura.

João Carolino
Boa noite, gostei muito da matéria de hoje. Com certeza a imprensa é muito sensacionalista, fica difícil para nós consumidores saber qual a verdade da imprensa pois sabemos que o principal objetivo dos repórteres é de vender seu trabalho a qualquer custo. Principalmente com a concorrência das redes de TV em que fazem de tudo para estar no pódio de audiência independente de suas ações. Por outro lado está claro que esse Governo que pregou moralidade tem que dar exemplo sempre. É uma pena que em matéria de política não há honestidade ou transparência real em suas ações. Por outro lado o povo sem a mídia não é nada, um completa o outro. Com relação ao nepotismo certamente está em todos os escalões do Governo. Nossa sociedade está aprendendo a começar a cobrar para que não ocorram mais tantas irregularidades. O ministro falou em desvio de dinheiro público. Essa questão é muito séria pois esse Governo também manteve o desvio do dinheiro público não para os seus respectivos bolsos mas para outros fins. Tomemos como exemplo a CPMF que foi criada para saúde e por um período com data de início e fim e nesse Governo já estão estudando a possibilidade de continuar com mais esse tributo. Isso também não é mais um meio de desviar o dinheiro do trabalhador?

Nádia Estácio
De acordo com a Constituição de 1988, o nepotismo foi proibido. E, segundo o Ministro, o Luiz Eduardo está sendo caluniado, a relação de transparência não foi posta para a população durante um ano e meio, tempo no qual sua ex-mulher trabalhou para o Governo. Parece-me que não existe a relação de ética e transparência do Governo com a massa. De que forma a massa atua nessas "calúnias"? E, por que nos é omitido os direitos de "transparência"? Segundo o ex-presidente FHC, a atual política está sendo autoritária. A respeito do comentário feito, não está havendo liberdade de imprensa?

Rafael Fonseca de Oliveira, Porto Alegre / RS
Caro Observatório, a respeito do tema tratado na semana passada, gostaria de ressaltar que na Rádio Gaúcha de Porto Alegre, o jornalista e apresentador Jayme Copstein fez bastante menção ao caso Banestado, inclusive, observando a falta de divulgação na imprensa. Parabéns pelo excelente programa, em especial ao jornalista Alberto Dines. Sem este programa, a democracia brasileira seria menos completa.

Paulo Coimbra, Piratininga / SP - Psicólogo
Quanto maior for a transparência, maior será o controle social. Controle social é cidadania, portanto; a mídia simplesmente ajuda a democratização desse País. Disciplina é ótimo e possibilita a ampla liberdade.

Valmir Sampaio
Sr. Ministro Waldir Pires, qual a idéia do Governo em mudar a legislação atual, para que efetivamente os que desviam recursos públicos possam ser punidos exemplarmente?

Alberto Carmo - Tradutor
Diz-se que a imprensa está mais rigorosa porque o povo está cobrando mais uma transparência. Muito bem, é o povo que cobra essa transparência, ou é a imprensa, influenciada pelos interesses das grandes corporações - inclusive as grandes corporações da mídia - para que o Brasil entre em outro rumo que atenda a seus interesses de vendas, lucro e propaganda, aqui no sentido de manipulação das opiniões? É fato que a imprensa fala o que interessa às elites, sendo o povo apenas o coadjuvante usado para abastecê-la. Ou isso não é verdade?

Miguel Leite, Ferraz de Vasconcelos / SP
Para mim não existe esse negócio de "crítica construtiva". Crítica é crítica. Vocês estão de parabéns, mas o programa deveria ter o horário de exibição ampliado. Os assuntos abordados são de extrema relevância e na maioria das vezes, os entrevistados não têm tempo de fazer uma análise mais profunda e acirrar ainda mais o debate. Um abraço para a Lúcia Abreu e para você, Alberto Dines, que eu considero como um dos mestres no jornalismo do País.

Sérgio Torres
Leio no boletim da TVE que o próximo programa irá abordar o tema da regulamentação da propaganda de bebidas pelo CONAR. Penso que essa discussão também deverá levar em conta o aspecto fundamental do relacionamento da mídia com o público a partir dos seus interesses comerciais. Explico: Há seis meses atrás escrevi inúmeras mensagens para as seções de cartas dos leitores e alguns colunistas importantes do Globo, JB, Veja e para esse próprio Observatório. Dizia que era um absurdo as empresas fabricantes de bebidas estarem focando como alvo das suas campanhas jovens e, inclusive, meninas. Associavam beleza, alegria, festa, música, praia, saúde e esporte a beber cerveja e ice-drinks. Criaram embalagens especiais e divulgavam o ato de beber pelo gargalo, para induzir ao excesso. Dizia eu que os acidentes que matam e mutilam jovens não se davam por alta embriaguês, mas pela euforia artificial criada pela bebidas ditas soft, de baixo teor alcoólico. E que os jovens vítimas o eram nas fases mais férteis das suas vidas, muitas vezes universitários ou profissionais em início de carreira, desgraçando todo um futuro depois de anos de sacrifício e investimento social. Que eu entendia a dificuldade de lidar com isso dado o aspecto comercial, mas que os nossos jovens estavam sendo induzidos por pura ganância de mercado a se aniquilarem o que era uma burrice, pois ainda que por mercenarismo deveriam preservar o seu público alvo. Pois bem, nunca uma carta minha foi publicada ou respondida. E o próprio Observatório se omitiu. Acho que no próximo programa deveria ser enfocado esse aspecto do comportamento da mídia, que para ganhar dinheiro está pouco se lixando para o consumidor, esquecendo que esse também lê jornal, revista e vê televisão.


Telefonemas recebidos em 28/10:

Paulo Fernandes de Souza, Mogi das Cruzes / SP
Ministro Waldir Pires, você citou ainda há pouco que estão sendo investigados vários municípios em sistema de sorteios. Quais são os critérios desse sorteio e como a gente tem acesso a relação dos municípios que estão sendo investigados?

Humberto Ferreira, Rio de Janeiro
Se o Brasil se transformasse numa nação islâmica sobrariam mãos na anti-ética Brasília dizendo: "Eu prometo"?

Aparecido Bueno do Prado, Campo Limpo Paulista / SP
A partir do momento que eles devolvem o dinheiro, estão admitindo a culpa. Não seria decente que eles renunciassem até pelo constrangimento causado a Lula?

Cláudio Fontana de Lima, Bebedouro / SP
A cobrança feita ao Governo Federal também está sendo feita nos estados e municípios de administração do PT? Será que o problema seria do PT ou da imprensa?

Paulo Normando, Cícero Dantas / BA
Ministro Waldir Pires, há perspectiva de aumento do número de municípios sorteados por mês?

Euler Silva, Belo Horizonte / MG
Se a viagem da Benedita à Argentina é uma irregularidade, a utilização de helicópteros da Marinha no Círio de Nazaré não seria também uma irregularidade? Por que a imprensa focou no caso da Ministra sem se preocupar com coisas maiores?

Andrade de Benfica, Fortaleza / CE
A mídia é tendenciosa sempre que denuncia alguma pessoa, porque ela só denuncia aquilo que é do interesse dela. Ela escolhe um alvo para atacar.

Celso Agra, Niterói / RJ
Por que a imprensa pouco trabalha as questões dos presos políticos? Isso não seria uma conivência com o poder? Por que as pessoas que foram afastadas de suas vidas políticas não foram restituídas de seus direitos e a mídia permanece silenciosa em relação a esse assunto?

Evanildo Aguiar, São Paulo
Será que existe realmente democracia e realismo na imprensa? Porque nunca vi denúncias sobre o Roberto Marinho no Globo e nenhuma crítica de Otávio Frias Filho na Folha. Será que não é preciso em toda mídia um ombudsman?

Francisco Flávio, Carnaúbas / RN
Waldir Pires, qual é o critério de escolha para se realizar investigações nos municípios?

Luiz Renato Kaveski, Vespasiano / MG
Queria saber a respeito do decreto dos EUA sobre a reforma psiquiátrica no âmbito mundial.

Túlio Campos, Belo Horizonte / MG
Quem escreveu a ética foi Platão há 2.380 anos atrás definindo que o mal da política está nos maus políticos. Não existe hoje diferença alguma com aquela época. Não acredito que tenha nenhum político ou jornalista que conheça a ética escrita por Platão.

Paulo César dos Santos, São José do Rio Preto / SP
Por que à direita é permitido cometer grandes crimes e à esquerda não é permitido cometer pequenos deslizes?

Rogério de Melo Araújo, São Gonçalo / RJ
Eu penso ser um caso de nepotismo esclarecido, o Paulo Pinheiro do PT disse que o episódio era uma hipocrisia da sociedade. Nesse caso, o PT não teria então, agido com hipocrisia quando era oposição?

Petrônio Pedro Filho, Santo André / SP
Acho que os jornalistas estão certos denunciando essas irregularidades, porque tem tanta gente passando fome e esse pessoal se aproveitando do dinheiro público.

Sandra de Melo, Belo Horizonte / MG
Já que se sacrifica uma Ministra com uma história de vida como a da Benedita, que é mulher, negra e favelada, uma pessoa que vem sem nenhuma mancha no seu currículo, por que não dar o nome dos que estão envolvidos no escândalo do Banestado? Acho que a imprensa deve dar tratamento igual a todos.

Antônio Sérgio Ximenes, Ceilândia / DF
Ministro Waldir Pires, qual a importância das matérias publicadas envolvendo personagens públicas do Governo que se viram envolvidos em acusações infundadas? Qual a sua análise no processo de transparência e como Controlador Geral da República?

Graça Lago, Rio de Janeiro
Merval Pereira e Mauro Chaves, o fato de ser um governo do PT não leva a imprensa a ser mais pesada na cobrança? Lembro de uma notícia que saiu na imprensa internacional sobre o nível de percepção de corrupção. Os jornais noticiaram da seguinte forma: "corrupção não cai no governo Lula.". Isso foi um erro porque a pesquisa não se tratava do nível de corrupção, mas do nível de percepção da corrupção por parte da sociedade e não incluía o governo Lula.

Gustavo Perez, Recife / PE
A imprensa é um bom caminho para a população tomar conhecimento das irregularidades do Governo?

Maurício Caetano da Silva, Barra Mansa / RJ
De que forma a controladoria vai acompanhar a apuração do Ministério Público em relação às prefeituras e como será a divulgação para a imprensa para que as informações se tornem públicas?

Marco Antônio Louzada, Rio Grande / RS
Eu acho que a imprensa está certa e está cumprindo o papel dela de fiscalizar para tornar público e denunciar aquelas informações que o povo não tem acesso.

Ruy Fulgêncio, Belo Horizonte / MG
O Luiz Eduardo a gente percebe que é um homem de caráter e acho que a imprensa não deveria fazer isso com ele.

Otaviano Medeiros da Silva, Abreu Lima / PE
Ministro Waldir Pires, na minha cidade temos denúncias feitas pelo Poder Judiciário do estado que denunciou o nepotismo e até hoje não foi tomada nenhuma providência. Acho que a ética na política terá mais chance se a imprensa fizer essas denúncias publicamente.


Faxes recebidos em 28/10:

Wendell, Campinas / SP
Será que há falta de assunto ao ponto dos jornalistas escreverem reportagens tão pouco produtivas para o País? Existem assuntos muito mais importantes do que falar durante semanas sobre assuntos irrisórios quando comparados aos tantos problemas existentes. Vocês não acham? Será que falta profissionalismo ou está sobrando espaço nos quadros dos jornais?

Olivaci Rocha de Freitas, Mossoró / RN
Ministro Waldir Pires, a mídia faz cobertura da corrupção porque a controladoria não tem auditores suficientes para fiscalizar as contas públicas; e para piorar os presídios federais ainda não estão prontos.
Existe um mecanismo de verificação de denúncias feitas pela mídia, ou só são utilizados sorteios para fiscalizar as contas públicas dos municípios?



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