RESUMO DO PROGRAMA
A
MÍDIA E A ÉTICA NO PODER
O
Observatório da Imprensa de 28 de outubro analisou a cobertura dada pela
mídia a uma série de episódios, envolvendo ética e lisura no desempenho
de funções públicas. Um dos casos citados foi o do ex-Secretário
Nacional de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, que pediu demissão
do cargo depois de ser acusado de nepotismo, por ter contratado a atual
e a ex-mulher como consultoras. Em editorial, Alberto Dines ressaltou:
"na ânsia de repercussão, a imprensa não estaria descurando dos grandes
escândalos locais, como os casos das máfias dos fiscais em São Paulo e o
propinoduto no Rio de Janeiro? A lisura e a decência no trato da coisa
pública não podem estar sujeitas a surtos, ondas e modas."
Participaram do debate o Ministro de Estado do Controle e da
Transparência, Waldir Pires, em Brasília; o colunista de O Globo, Merval
Pereira, no Rio de Janeiro; e a socióloga Fátima Pacheco Jordão e o
editorialista do jornal O Estado de .S. Paulo, Mauro Chaves, ambos em
São Paulo.
Logo no
início do debate, Merval Pereira salientou: "O PT está colhendo o que
plantou". Mauro Chaves concordou com a afirmação e complementou: "A
sociedade já cobra há muito tempo ética na política e o PT, como disse o
Merval, sempre norteou sua atuação baseado na ética. A mídia está muito
sintonizada com a cobrança de ética feita pela sociedade".
Fátima
Pacheco, respondendo ao questionamento de Alberto Dines sobre como os
últimos escândalos envolvendo Luiz Eduardo e a ministra Benedita
poderiam influenciar na avaliação que a opinião pública faz do governo
Lula, afirmou: "A mídia está mais sintonizada com os anseios da
sociedade do que as outras instituições. Está desempenhando um papel que
tem ajudado a clarear algumas situações e, de fato, a população vai
acabar absorvendo estas informações. Se há um ponto vulnerável para
desgastar o governo Lula, é a questão da ética."
O
Ministro Waldir Pires, respondendo à pergunta de Merval Pereira sobre
como o Ministério do Controle e da Transparência irá fiscalizar as
viagens dos ministros para que estes episódios não se repitam,
enfatizou: "Não propriamente as viagens mas se, por ventura, houver
alguma que atinja uma lesão patrimonial, evidentemente, que nós teremos
que interferir."
Destacando o papel da imprensa junto à opinião pública, o ministro
encerrou o debate com a seguinte afirmação: "A mídia representa a força
que ajuda a sociedade a formar seus padrões éticos."
Manoel
Magalhães (estagiário)
EDITORIAL
Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.
Você
conhece esta história: quando a mídia comporta-se com discrição, ela
é acusada de conivente. Quando põe a boca no trombone, fala-se em
linchamento midiático. Onde fica a justiça, qual a medida correta para
o comportamento da imprensa?
Este
Observatório foi criado dentro do pressuposto que a mídia precisa ser
cobrada, intensamente cobrada - isto é essencial para o seu
aperfeiçoamento e também é essencial para o processo democrático.
Mas a recente onda de denúncias envolvendo figuras do primeiro escalão
federal sugere desdobramentos importantes.
Exemplo:
na ânsia de repercussão, a imprensa não estaria descurando dos
grandes escândalos locais como os casos da máfias dos fiscais em São
Paulo e o propinoduto no estado do Rio? Outro exemplo: as corregedorias
e ouvidorias dos outros poderes não deveriam ser mais atuantes para
evitar que as infrações sejam investigadas antes de chegar à mídia?
E a mídia, também ela não escorrega em falhas de caráter
deontológico e ético? Não há nepotismo nas redações?
Estas
são perguntas que não precisam ser respondidas mas devem ser mantidas,
lembradas. A lisura e a decência no trato da coisa pública não podem
estar sujeitas a surtos, ondas e modas. A ética e a moral são maiores
do que os códigos setoriais. São opções coletivas, valores
permanentes.
ARTIGO
Por Alberto Dines
ENTREVISTA-BOMBA
NA AOL
Frias
abriu o jogo e o jogo vai mudar
Alberto
Dines
Um marco:
a entrevista do publisher da Folha de S.Paulo Octavio Frias de Oliveira
ao AOL Notícias <http://noticias.aol.com.br/especiais/index.adp>
altera drasticamente o diálogo governo-imprensa no tocante à
possibilidade de uma "operação-socorro" a ser montada no
BNDES para ajudar as endividadas empresas de mídia. Isto pelo que Frias
disse, pelo que deixou subentendido e, sobretudo, pelas conseqüências.
Está
quebrado o pacto de silêncio que envolve a mídia brasileira.
Com meia
dúzia de respostas breves e claras, Frias desmanchou a escandalosa
unanimidade que diminuía e envergonhava nossa imprensa. Restabeleceu a
diversidade, devolveu-lhe o papel questionador e tirou-a da
comprometedora penumbra onde escondia crises, problemas e vexames.
A partir
deste momento, os estudos e negociações com o BNDES para uma linha de
financiamento especial deverão, obrigatoriamente, ajustar-se às
realidades explicitadas por um dos mais importantes players do processo:
** O
governo precisará refrear seus ímpetos salvacionistas.
** A mídia
precisará adotar um comportamento mais transparente...
** ...e
abdicar de favores especiais.
** O
eventual programa de socorro não deverá ser linear e extensivo. Pelo
menos a Folha será voz diferenciada.
** Em
outras palavras: agora, além deste Observatório, a sociedade
brasileira conta com um veículo pesado para exercer o olhar
fiscalizador sobre o governo e seu namorico com os meios de comunicação.
**
Significa que, além da pretendida linha de financiamento, outras
alternativas precisarão ser engendradas e avaliadas para livrar a mídia
da penosa situação em que se encontra. Inclusive o aporte de recursos
através do mercado de capitais.
A
repercussão da entrevista de Frias no Senado [veja remissão abaixo]
indica que existe um foro natural para acompanhar a delicada questão e,
inclusive, institucionalizar as relações governo-mídia. Este foro é
o Poder Legislativo. A FCC americana é subordinada ao Senado, assim
também o nosso Conselho de Comunicação Social. É extremamente
perigoso confinar acertos entre dois poderes da República (o Executivo
e a Imprensa) à esfera administrativa sem o conhecimento e a chancela
da sociedade.
A mídia
é um setor de interesse nacional. Nisso todos concordam. Mas Octavio
Frias de Oliveira demonstrou com sua entrevista que dentro da mídia
existe um segmento vital - a imprensa - por meio do qual legitima-se
o debate e, através dele, encontram-se soluções decentes e justas.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
CRITÉRIOS DE COBERTURA
Suítes no caso do índio Galdino
Leticia Nunes
20 de abril de 1997. O índio pataxó Galdino Jesus dos Santos é
brutalmente assassinado em Brasília por cinco jovens de classe média
alta enquanto dormia em um ponto de ônibus. Numa espécie de "pegadinha",
o grupo ateia fogo ao corpo do índio e foge, mas é identificado por
testemunhas. O crime ocupa as manchetes dos jornais e choca o país. Em
2001, os quatro maiores de idade são condenados a 14 anos de prisão em
regime fechado por homicídio triplamente qualificado e motivo torpe.
14 de outubro de 2003. O jornal Correio Braziliense faz uma
denúncia: três dos quatro assassinos presos do índio Galdino são
flagrados bebendo cerveja em um bar e namorando. Tomás Oliveira de
Almeida, Max Rogério Alves, Eron Chaves Oliveira e Antônio Novely
Cardoso Vilanova haviam conseguido autorização judicial com base na
Lei de Execuções Penais para trabalhar fora do presídio. Max, Eron e
Antônio foram filmados pela equipe do jornal nas ruas de Brasília e
perderam temporariamente o benefício judicial. O Fantástico, da Rede
Globo, exibiu as cenas na edição de 19/10. Foi instaurada uma
sindicância pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal
(SSP-DF), para apurar as irregularidades no cumprimento do benefício.
O fato foi noticiado por grande parte da imprensa. O que pouco se
divulgou foi o que aconteceu no dia seguinte à denúncia. Na
quarta-feira (15/10), Max tentou o suicídio dentro do Centro de
Detenção Provisória do Complexo Penitenciário da Papuda. Poucas
horas depois de ser informado da perda do benefício, ele cortou o
pescoço com a gilete de um aparelho de barbear desmontado. Foi
socorrido por Eron e Antônio e levado para o hospital. Os cortes foram
leves e ele passa bem.
Três minutos no JN
Nos dias seguintes à tentativa de suicídio, nada se ouviu a
respeito. Segundo o Correio Braziliense, a assessoria de imprensa da
SSP-DF só confirmou o ocorrido uma semana depois. Mesmo com a
confirmação, pouco destaque foi dado pela mídia ao assunto. O jornal
O Globo publicou uma nota (22/10) e o Correio Braziliense divulgou a
informação em segundo plano, em uma matéria cujo título era
"Assassinos de Galdino são ouvidos hoje pelo TJ-DF".
O desequilíbrio no destaque de duas faces de um mesmo assunto foi
notado pelo jornalista Luís Nassif, em coluna intitulada "Final
perfeito" (Folha de S.Paulo, 21/10/03. Diz ele que "a mídia
- talvez num ímpeto 'estraga-prazeres' - ocultou o desfecho da
grande campanha cívica de denúncias contra 'privilégios'
concedidos aos rapazes que mataram o índio Galdino".
Por que as denúncias de irregularidades cometidas pelos rapazes
merecem destaque, e a tentativa de suicídio de um deles - em
conseqüência dessas denúncias - é praticamente ocultada pela
mídia?
Nassif, que levantou a questão em primeiro lugar, disse a este
Observatório o seguinte: "A imprensa não está divulgando a
tentativa de suicídio por dois motivos. Primeiro, para não expor a
crueldade da cobertura e transformar o algoz em vítima. Segundo, para
não estragar o show. Vendeu-se bem o peixe de que os três são
filhinhos de papai, com influência sobre a Justiça, e não se pode
sair desse enredo".
O que precisa ser debatido é o peso e o valor que a imprensa dá a
cada acontecimento. Nassif prossegue: "A regalia denunciada [pelo
Correio Braziliense] não foi o fato de os rapazes poderem sair de vez
em quando da prisão - o que foi autorizado pelo juiz com base na Lei
de Execuções Penais. Foi o fato de terem aproveitado o momento de
liberdade para ir a uma lanchonete e namorar. Você acha que isso merece
três minutos de Jornal Nacional?".
O assunto - ou a ausência dele - também foi abordado pelo
ombudsman da Folha, Bernardo Ajzenberg, em sua coluna de domingo, 26.
Ajzenberg faz referência ao texto de Nassif e ressalta: "O que
mais chama atenção (...) é que a suposta tentativa de suicídio do
rapaz não foi noticiada pela mídia, apesar do vasto espaço dedicado
poucos dias antes às tais 'mordomias'".
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
Rio de Janeiro:
Merval Pereira - Colunista / O Globo
Pergunta: Você acha que o Luiz Eduardo Soares foi ingênuo de não
ter colocado a questão antes para a Comissão de Ética, ou ele ficou
amedrontado e achou que poderia ter passado por um escândalo até maior?
MP: "Eu acho que o Luiz Eduardo é um homem de
bem, é uma pessoa honrada e é um político ingênuo. Ele já foi ingênuo
quando era Secretário de Segurança, aqui no Rio e foi defender o João
Moreira Salles naquele episódio do Marcinho VP. Ele tinha toda razão, o
João Moreira Salles é uma pessoa de bem e estava fazendo aquilo tentando
ajudar o Marcinho VP, mas ele como Secretário de Segurança não podia
ter assumido publicamente a defesa daquele ato. E agora a mesma coisa, ele
devia ter encaminhado à Comissão de Ética a nomeação da mulher e da
ex-mulher ou então quando surgiu a denúncia devia ter encaminhado uma
consulta formal à Comissão de Ética para saber se tinha feito alguma
coisa errada e ele poderia ficar com a chancela da Comissão de Ética."
São Paulo:
Mauro
Chaves - Editorialista / O Estado de S. Paulo
"Achei
o programa muito bom, o tema extremamente oportuno. Talvez a gente tenha
deixado de falar de um assunto muito atual, referente à matéria que saiu
na Veja, uma matéria muito séria, bem feita, muito grave e que com
certeza vai ter desdobramentos porque ela vai exatamente direto na ética,
na política em tempos de campanha eleitoral. De um modo geral o programa
tocou em pontos essenciais."
Fátima
Pacheco Jordão - Socióloga
"No
âmbito a que se propôs, a discussão foi bastante completa. O Ministro
teve chance de se explicar e ficou muito claro para a sociedade quais são
as questões essenciais. Estamos caminhando, estamos dando os primeiros
passos. Há furos, há problemas. Quer dizer, é um Governo que tem
intenção mas não tem equipamento, o equipamento não está
sintonizado com a sociedade. A sociedade não está suficientemente
organizada. A mídia faz um esforço brutal mas também ela é
manipulada. Isso o programa conseguiu mostrar com clareza, foi bem
sucedido."
PERGUNTAS
E-mails recebidos na
semana de 28/10 a 04/11:
Isabella Ferreira, Curitiba / PR - Jornalista
Ética, na sua origem, nos remete à intenção das ações, porém, ética
institucionalizada em conselhos ou leis e estatutos, reflete justamente,
um mercado de intenções estabelecido pela própria humanidade, onde o
que prevalece é a conivência dos meios de comunicação e a profunda
intenção e interesse dos controladores da mídia... da vitrine... da
ponte entre o fato e o cidadão. A ética é a conseqüência emblemática
da necessidade de quem dita as regras de um jogo politicamente competitivo
mas injusto... mando um abraço ao Waldir Pires, amigo pessoal de meu pai
(Luiz Gonzaga Ferreira - advogado e preso político) na luta pelos
verdadeiros valores humanos nos dias difíceis de ditadura.
João Carolino
Boa noite, gostei muito da matéria de hoje. Com certeza a imprensa é
muito sensacionalista, fica difícil para nós consumidores saber qual a
verdade da imprensa pois sabemos que o principal objetivo dos repórteres
é de vender seu trabalho a qualquer custo. Principalmente com a concorrência
das redes de TV em que fazem de tudo para estar no pódio de audiência
independente de suas ações. Por outro lado está claro que esse Governo
que pregou moralidade tem que dar exemplo sempre. É uma pena que em matéria
de política não há honestidade ou transparência real em suas ações.
Por outro lado o povo sem a mídia não é nada, um completa o outro. Com
relação ao nepotismo certamente está em todos os escalões do Governo.
Nossa sociedade está aprendendo a começar a cobrar para que não ocorram
mais tantas irregularidades. O ministro falou em desvio de dinheiro público.
Essa questão é muito séria pois esse Governo também manteve o desvio
do dinheiro público não para os seus respectivos bolsos mas para outros
fins. Tomemos como exemplo a CPMF que foi criada para saúde e por um período
com data de início e fim e nesse Governo já estão estudando a
possibilidade de continuar com mais esse tributo. Isso também não é
mais um meio de desviar o dinheiro do trabalhador?
Nádia Estácio
De acordo com a Constituição de 1988, o nepotismo foi proibido. E,
segundo o Ministro, o Luiz Eduardo está sendo caluniado, a relação de
transparência não foi posta para a população durante um ano e meio,
tempo no qual sua ex-mulher trabalhou para o Governo. Parece-me que não
existe a relação de ética e transparência do Governo com a massa. De
que forma a massa atua nessas "calúnias"? E, por que nos é
omitido os direitos de "transparência"? Segundo o ex-presidente
FHC, a atual política está sendo autoritária. A respeito do comentário
feito, não está havendo liberdade de imprensa?
Rafael Fonseca de Oliveira, Porto Alegre / RS
Caro Observatório, a respeito do tema tratado na semana passada, gostaria
de ressaltar que na Rádio Gaúcha de Porto Alegre, o jornalista e
apresentador Jayme Copstein fez bastante menção ao caso Banestado,
inclusive, observando a falta de divulgação na imprensa. Parabéns pelo
excelente programa, em especial ao jornalista Alberto Dines. Sem este
programa, a democracia brasileira seria menos completa.
Paulo Coimbra, Piratininga / SP - Psicólogo
Quanto maior for a transparência, maior será o controle social. Controle
social é cidadania, portanto; a mídia simplesmente ajuda a democratização
desse País. Disciplina é ótimo e possibilita a ampla liberdade.
Valmir Sampaio
Sr. Ministro Waldir Pires, qual a idéia do Governo em mudar a legislação
atual, para que efetivamente os que desviam recursos públicos possam ser
punidos exemplarmente?
Alberto Carmo - Tradutor
Diz-se que a imprensa está mais rigorosa porque o povo está cobrando
mais uma transparência. Muito bem, é o povo que cobra essa transparência,
ou é a imprensa, influenciada pelos interesses das grandes corporações
- inclusive as grandes corporações da mídia - para que o Brasil entre
em outro rumo que atenda a seus interesses de vendas, lucro e propaganda,
aqui no sentido de manipulação das opiniões? É fato que a imprensa
fala o que interessa às elites, sendo o povo apenas o coadjuvante usado
para abastecê-la. Ou isso não é verdade?
Miguel Leite, Ferraz de Vasconcelos / SP
Para mim não existe esse negócio de "crítica construtiva". Crítica
é crítica. Vocês estão de parabéns, mas o programa deveria ter o horário
de exibição ampliado. Os assuntos abordados são de extrema relevância
e na maioria das vezes, os entrevistados não têm tempo de fazer uma análise
mais profunda e acirrar ainda mais o debate. Um abraço para a Lúcia Abreu
e para você, Alberto Dines, que eu considero como um dos mestres no
jornalismo do País.
Sérgio Torres
Leio no boletim da TVE que o próximo programa irá abordar o tema da
regulamentação da propaganda de bebidas pelo CONAR. Penso que essa
discussão também deverá levar em conta o aspecto fundamental do
relacionamento da mídia com o público a partir dos seus interesses
comerciais. Explico: Há seis meses atrás escrevi inúmeras mensagens
para as seções de cartas dos leitores e alguns colunistas importantes do
Globo, JB, Veja e para esse próprio Observatório. Dizia que era um
absurdo as empresas fabricantes de bebidas estarem focando como alvo das
suas campanhas jovens e, inclusive, meninas. Associavam beleza, alegria,
festa, música, praia, saúde e esporte a beber cerveja e ice-drinks.
Criaram embalagens especiais e divulgavam o ato de beber pelo gargalo,
para induzir ao excesso. Dizia eu que os acidentes que matam e mutilam
jovens não se davam por alta embriaguês, mas pela euforia artificial
criada pela bebidas ditas soft, de baixo teor alcoólico. E que os jovens
vítimas o eram nas fases mais férteis das suas vidas, muitas vezes
universitários ou profissionais em início de carreira, desgraçando todo
um futuro depois de anos de sacrifício e investimento social. Que eu
entendia a dificuldade de lidar com isso dado o aspecto comercial, mas que
os nossos jovens estavam sendo induzidos por pura ganância de mercado a
se aniquilarem o que era uma burrice, pois ainda que por mercenarismo
deveriam preservar o seu público alvo. Pois bem, nunca uma carta minha
foi publicada ou respondida. E o próprio Observatório se omitiu. Acho
que no próximo programa deveria ser enfocado esse aspecto do
comportamento da mídia, que para ganhar dinheiro está pouco se lixando
para o consumidor, esquecendo que esse também lê jornal, revista e vê
televisão.
Telefonemas recebidos em 28/10:
Paulo Fernandes de Souza, Mogi das Cruzes / SP
Ministro Waldir Pires, você citou ainda há pouco que estão sendo
investigados vários municípios em sistema de sorteios. Quais são os
critérios desse sorteio e como a gente tem acesso a relação dos municípios
que estão sendo investigados?
Humberto Ferreira, Rio de Janeiro
Se o Brasil se transformasse numa nação islâmica sobrariam mãos na
anti-ética Brasília dizendo: "Eu prometo"?
Aparecido Bueno do Prado, Campo Limpo Paulista / SP
A partir do momento que eles devolvem o dinheiro, estão admitindo a
culpa. Não seria decente que eles renunciassem até pelo constrangimento
causado a Lula?
Cláudio Fontana de Lima, Bebedouro / SP
A cobrança feita ao Governo Federal também está sendo feita nos estados
e municípios de administração do PT? Será que o problema seria do PT
ou da imprensa?
Paulo Normando, Cícero Dantas / BA
Ministro Waldir Pires, há perspectiva de aumento do número de municípios
sorteados por mês?
Euler Silva, Belo Horizonte / MG
Se a viagem da Benedita à Argentina é uma irregularidade, a utilização
de helicópteros da Marinha no Círio de Nazaré não seria também uma
irregularidade? Por que a imprensa focou no caso da Ministra sem se
preocupar com coisas maiores?
Andrade de Benfica, Fortaleza / CE
A mídia é tendenciosa sempre que denuncia alguma pessoa, porque ela só
denuncia aquilo que é do interesse dela. Ela escolhe um alvo para atacar.
Celso Agra, Niterói / RJ
Por que a imprensa pouco trabalha as questões dos presos políticos? Isso
não seria uma conivência com o poder? Por que as pessoas que foram
afastadas de suas vidas políticas não foram restituídas de seus
direitos e a mídia permanece silenciosa em relação a esse assunto?
Evanildo Aguiar, São Paulo
Será que existe realmente democracia e realismo na imprensa? Porque nunca
vi denúncias sobre o Roberto Marinho no Globo e nenhuma crítica de Otávio
Frias Filho na Folha. Será que não é preciso em toda mídia um
ombudsman?
Francisco Flávio, Carnaúbas / RN
Waldir Pires, qual é o critério de escolha para se realizar investigações
nos municípios?
Luiz Renato Kaveski, Vespasiano / MG
Queria saber a respeito do decreto dos EUA sobre a reforma psiquiátrica
no âmbito mundial.
Túlio Campos, Belo Horizonte / MG
Quem escreveu a ética foi Platão há 2.380 anos atrás definindo que o
mal da política está nos maus políticos. Não existe hoje diferença
alguma com aquela época. Não acredito que tenha nenhum político ou
jornalista que conheça a ética escrita por Platão.
Paulo César dos Santos, São José do Rio Preto / SP
Por que à direita é permitido cometer grandes crimes e à esquerda não
é permitido cometer pequenos deslizes?
Rogério de Melo Araújo, São Gonçalo / RJ
Eu penso ser um caso de nepotismo esclarecido, o Paulo Pinheiro do PT
disse que o episódio era uma hipocrisia da sociedade. Nesse caso, o PT não
teria então, agido com hipocrisia quando era oposição?
Petrônio Pedro Filho, Santo André / SP
Acho que os jornalistas estão certos denunciando essas irregularidades,
porque tem tanta gente passando fome e esse pessoal se aproveitando do
dinheiro público.
Sandra de Melo, Belo Horizonte / MG
Já que se sacrifica uma Ministra com uma história de vida como a da
Benedita, que é mulher, negra e favelada, uma pessoa que vem sem nenhuma
mancha no seu currículo, por que não dar o nome dos que estão
envolvidos no escândalo do Banestado? Acho que a imprensa deve dar
tratamento igual a todos.
Antônio Sérgio Ximenes, Ceilândia / DF
Ministro Waldir Pires, qual a importância das matérias publicadas
envolvendo personagens públicas do Governo que se viram envolvidos em
acusações infundadas? Qual a sua análise no processo de transparência
e como Controlador Geral da República?
Graça Lago, Rio de Janeiro
Merval Pereira e Mauro Chaves, o fato de ser um governo do PT não leva a
imprensa a ser mais pesada na cobrança? Lembro de uma notícia que saiu
na imprensa internacional sobre o nível de percepção de corrupção. Os
jornais noticiaram da seguinte forma: "corrupção não cai no
governo Lula.". Isso foi um erro porque a pesquisa não se tratava do
nível de corrupção, mas do nível de percepção da corrupção por
parte da sociedade e não incluía o governo Lula.
Gustavo Perez, Recife / PE
A imprensa é um bom caminho para a população tomar conhecimento das
irregularidades do Governo?
Maurício Caetano da Silva, Barra Mansa / RJ
De que forma a controladoria vai acompanhar a apuração do Ministério Público
em relação às prefeituras e como será a divulgação para a imprensa
para que as informações se tornem públicas?
Marco Antônio Louzada, Rio Grande / RS
Eu acho que a imprensa está certa e está cumprindo o papel dela de
fiscalizar para tornar público e denunciar aquelas informações que o
povo não tem acesso.
Ruy Fulgêncio, Belo Horizonte / MG
O Luiz Eduardo a gente percebe que é um homem de caráter e acho que a
imprensa não deveria fazer isso com ele.
Otaviano Medeiros da Silva, Abreu Lima / PE
Ministro Waldir Pires, na minha cidade temos denúncias feitas pelo Poder
Judiciário do estado que denunciou o nepotismo e até hoje não foi
tomada nenhuma providência. Acho que a ética na política terá mais
chance se a imprensa fizer essas denúncias publicamente.
Faxes recebidos em 28/10:
Wendell, Campinas / SP
Será que há falta de assunto ao ponto dos jornalistas escreverem
reportagens tão pouco produtivas para o País? Existem assuntos muito
mais importantes do que falar durante semanas sobre assuntos irrisórios
quando comparados aos tantos problemas existentes. Vocês não acham? Será
que falta profissionalismo ou está sobrando espaço nos quadros dos
jornais?
Olivaci Rocha de Freitas, Mossoró / RN
Ministro Waldir Pires, a mídia faz cobertura da corrupção porque a
controladoria não tem auditores suficientes para fiscalizar as contas públicas;
e para piorar os presídios federais ainda não estão prontos.
Existe um mecanismo de verificação de denúncias feitas pela mídia, ou
só são utilizados sorteios para fiscalizar as contas públicas dos municípios?