RESUMO DO PROGRAMA
MÍDIA E
FINANCIAMENTO
O Observatório da Imprensa de 07 de outubro discutiu a proposta de financiamento da
mídia apresentada por entidades do setor ao BNDES. Em editorial, Alberto Dines ressaltou
que "A mídia vive uma situação difícil, mas tão ou mais difícil é assistir a
uma aproximação da mídia com o governo " e lembrou que "A democracia exige a
independência dos poderes e a imprensa, para trabalhar, precisa ser autônoma."
Participaram do
debate o diretor da revista EXAME, Sidnei Basile, o superintendente da editora ESCALA,
Flávio Pestana, em São Paulo; o presidente do jornal "O lance", Walter de
Mattos Júnior, no Rio de Janeiro, e o jornalista Luiz Carlos Bernardes, em Belo
Horizonte.
No início do programa,
Flávio Pestana salientou que "O setor vive duas crises: uma crise conjuntural, que
tem muito a ver com o momento econômico, e tem problemas estruturais que são muito mais
sérios e muito mais difíceis de serem resolvidos. Houve uma migração dos recursos
publicitários e novos veículos não param de surgir e pegando parte desse dinheiro"
ele enfatizou, ainda, que o mundo está mudando e a mídia vai ter que aprender como lidar
com isso daqui pra frente.
Walter de Mattos, em
resposta a Alberto Dines, que questionou a possibilidade de se conciliar as dificuldades
conjunturais com a qualidade, afirmou "Nós deveríamos estar com o olho num patamar
de qualidade muito superior ao que a gente tem visto, porque isso é pré-condição para
que as empresas voltem a ter um vigor maior e uma participação de mercado mais
significativa."
Sidnei Basile disse que se
a mídia realmente receber financiamento do Estado deve oferecer como contrapartida à
sociedade não só a profissionalização da gestão empresarial, mas principalmente
"trabalhar pelo aperfeiçoamento dos rituais de apuração e de verificação de
nossa atividade. Trabalhar melhor nosso código de ética e assegurar ao nosso leitor que
nossa isenção estará sendo garantida."
No encerramento do debate,
Luiz Carlos Bernardes defendeu que os jornalistas tenham uma participação mais efetivas
na discussão sobre a proposta de financiamento para empresas de comunicação. Ele
destacou a necessidade de "criar conselhos de redação, conselhos editoriais,
equipes de Ombudsman que inclusive, não só ajudem a analisar os veículos, mas atendam
ao público."
Manoel Magalhães (estagiário)
EDITORIAL
Bem vindos ao Observatório
da Imprensa.
Você sabe disso: a
democracia exige a independência dos poderes e a imprensa, para funcionar efetivamente,
precisa ser autônoma. A imprensa, seja ela considerada quarto ou quinto poder, se depende
do Legislativo, do Judiciário ou do Executivo, no mínimo perde a sua espontaneidade e,
no máximo, entrega a sua autonomia.
Na terça-feira passada a
sociedade brasileira foi informada que as entidades da mídia impressa e eletrônica do
país iniciaram o processo de preparação de uma proposta de política de financiamento
do BNDES para o setor. Acontece que este anúncio, apesar da relevância da informação,
foi publicado de forma quase clandestina. Portanto, em matéria de transparência esta
negociação começou mal e a transparência é a alma do negócio da comunicação.
Este "Observatório da
Imprensa" reconhece a gravidade da situação econômica das grandes empresas de
mídia brasileira. Tratamos do assunto há exatos três meses quando configurou-se como
inevitável algum tipo de aproximação entre o Executivo e a mídia. Também reconhecemos
que o setor de mídia é questão de interesse nacional, questão de Estado, sobretudo
diante da vertiginosa globalização. Este é o dilema que já deveria ter sido
apresentado à sociedade com toda clareza: a mídia vive uma situação difícil mas tão
ou mais difícil é assistir a uma aproximação da mídia com o governo.
Ao debater um assunto tão
delicado e grave, este "Observatório" não pretende embaraçar ou prejudicar a
negociação mas também não pode esquecer que você, leitor, ouvinte ou telespectador
também é um cidadão-contribuinte. Portanto duplamente interessado tanto na melhoria da
qualidade da informação como na manutenção da independência entre os poderes. Você
é o juiz.
ARTIGO
Por Alberto Dines
SOCORRO DO BNDES
O que fazer para sair do buraco
Alberto Dines
Existem outras saídas para
a mídia além da negociação com o BNDES?
Há um par de alternativas
que requerem a mesma dose de coragem exigida para conversar com o governo federal. Todas
passam pela disposição de abrir mão do controle acionário das empresas jornalísticas.
No entanto, nenhuma delas parece disposta a trocar dívidas por parcelas de poder.
Esta é a questão.
A nova redação do artigo
222 permite que as empresas de comunicação possam capitalizar-se no mercado de capitais.
Nada foi tentado nesse sentido.
Permite igualmente que uma
empresa jornalística possa entregar 100% do seu capital a pessoas jurídicas. Também
nada foi tentado nessa direção.
Permite que 30% do seu
capital sejam entregues a investidores estrangeiros. A hipótese é aventada apenas como
forma de pressão: governo e opinião pública não gostariam de assistir a alienação de
parte da nossa mídia ao capital estrangeiro.
As principais empresas de
comunicação do país estão comprometidas com enormes dívidas junto aos bancos. Algumas
já estão inadimplentes, outras entraram na zona de perigo. Nenhuma parece disposta a
fazer aquilo que fazem todas as empresas de outros setores quando enrascadas: trocar
promissórias por ações. Entregar o poder ou parte dele.
É muito mais fácil
recorrer ao Erário, sobretudo diante da ameaça da "desnacionalização" de um
setor estratégico como a mídia. Antes de avançar no programa de financiamento do BNDES
conviria examinar com a mesma devoção a venda de ações aos fundos de pensão ou aos
bancos credores. Os perigos desta opção não diferem muito dos perigos atuais pois o
"mercado" já impõe as suas regras e o interesse público não parece
prioritário. O modelo de empresa familiar falhou em toda a linha. Está na hora de
mudá-lo.
Mais importante do que o
exame de outras opções é o debate público. A forma reservada quase clandestina
utilizada na semana passada para divulgar o início do processo foi decepcionante.
Quase desabonadora. Uma nota escondida nos cadernos de economia de terça, 30/9, no Estado
de S.Paulo (pág. B 9), O Globo (pág. 26) e Folha de S.Paulo (pág. B 4) não é a
maneira mais apropriada para anunciar uma negociação que pode ter profundas
implicações na estrutura da nossa mídia e marcar o seu futuro.
A discussão aberta é uma
exigência do processo democrático. É, sobretudo, uma forma inteligente de buscar
opções e alternativas.
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA INTERNET
INFORMAÇÕES PÚBLICAS
Abraji cobra transparência do governo
Claudio Julio
Tognolli (*)
Apesar da desconversa das
elites, há uma luz no fim do túnel quando se fala sobre o acesso às informações
públicas no Brasil: a luz é justamente o trem vindo no sentido contrário, pronto para
atropelar, com rigores de burocracia medieval, todo e qualquer brasileiro que pretenda
receber documentos do Estado. Previsto na Constituição de 1988, o direito dos
brasileiros de ter acesso a informações públicas no Brasil nunca foi regulamentado.
Desregulamentado permanece o seguinte extrato da Carta Magna:
"Artigo 5, inciso 33:
Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse
particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob
pena de responsabilidade (...)".
Aquela tão celebrada frase
disparada por Hugo Black, juiz da Corte Suprema dos EUA, segundo a qual "a luz do sol
é o mais poderoso detergente", parece não encontrar eco no Brasil. Movida pelo
ímpeto de escancarar legalmente tais acessos à luz, a Associação Brasileira de
Jornalismo Investigativo promoveu em Brasília, em 29 e 30 de setembro de 2003, na Câmara
dos Deputados e no Senado Federal, o Seminário Internacional sobre Direito de Acesso a
Informações Públicas, dividido em três etapas.
Na primeira, na noite de 29
de setembro, os ministros Maurício Corrêa e Marco Aurélio Mello, do STF, Valdir Pires,
do Controle e da Transparência, o deputado João Paulo Cunha, presidente da Câmara dos
Deputados, e Cláudio Fonteles, procurador-geral da República, expuseram suas opiniões
sobre o tema.
Na segunda etapa, na manhã
de 30 de setembro, foram feitas exposições informativas sobre "A lei de liberdade
de informação nos Estados Unidos" (Rosental Calmon Alves), "A Lei de
Transparência do México" (Ernesto Villanueva), "O caso do Peru e outros
países da América Latina (Javier Casas), "A situação do Brasil" (Fernando
Rodrigues) e "A legislação brasileira" (Marco Antônio Bezerra Campos).
Dois repúdios
Na terceira etapa, na tarde
de 30 de setembro, houve propostas e debates sobre como encaminhar a partir de agora as
discussões sobre o direito de acesso a informações publicas no Brasil. Participaram
Rubens Approbatto Machado (presidente do Conselho Federal da OAB), José Chizzotti
(conselheiro da Amarribo Amigos Associados de Ribeirão Bonito), Cláudio Weber
Abramo (secretário-geral da Transparência Brasil), Jessie Jane Vieira de Souza
(historiadora e ex-diretora do Arquivo Público do Rio), José Antônio Moroni (do
Colegiado de Gestão do Instituto de Estudos Socioeconômicos e representante da
Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais), Beth Costa (presidente da
Federação Nacional dos Jornalistas), Fernando Martins (diretor-executivo da Associação
Nacional de Jornais) e Fernando Paulino (professor e representante do Projeto SOS Imprensa
da Faculdade de Comunicação da UnB).
Presidente da Abraji,
Marcelo Beraba, diretor da Sucursal do Rio da Folha de S.Paulo, afirmou que a associação
está comprometida com a continuidade desta campanha. "Esperamos que entidades
não-jornalísticas, como Transparência Brasil, OAB e universidades como a UnB assumam a
sua liderança. Mas, caso o fórum não vá para a frente, a Abraji pretende continuar
tentando articular esta luta, que é de interesse de toda a sociedade, e não apenas de
jornalistas e empresas jornalísticas".
O seminário repudiou duas
medidas recentes que afetam o direito de acesso e, por conseqüência, a liberdade de
expressão. "Foi sugerido o encaminhamento à Casa Civil da Presidência da
República de um ofício pedindo a anulação do Decreto 4.553, de 27/12/02 (governo FHC),
promulgado em 13/2/03 (governo Lula), que amplia os prazos de sigilo de documentos
secretos, confidenciais e reservados e que prevê a renovação indefinida para os
documentos ultra-secretos. E foi sugerido repúdio dirigido ao Conselho Federal de
Medicina, que baixou resolução obrigando os médicos a exigirem dos jornais leitura
prévia de suas entrevistas à imprensa", relata Beraba.
O custo da informação
Diferentemente do Brasil,
vários países já dispõem de lei de acesso a informações públicas. África do Sul e
Lituânia são exemplos recentes. O caso mais notório é o dos EUA, com o FoIA
("Freedom of Information Act"), lei datada de 1966.
O professor Rosental Calmon
Alves, da Universidade do Texas, em Austin, e do Centro Knight, dá a medida dessa lei com
números seminais. Rosental, cujo apoio financeiro e logístico, via centro Knight,
permitiu o nascimento da Abraji em dezembro do ano passado na ECA-USP, refere: em 2001 os
EUA registraram 2.246.212 pedidos de informação com base no FoIA. Os requerimentos de
jornalistas representam apenas uma fração mínima desses números. "O acesso a
informações públicas é uma demanda da sociedade, e não apenas da corporação
jornalística", avalia Fernando Rodrigues, colunista da Folha em Brasília e
diretor-executivo da Abraji.
Essa transparência, é
claro, tem um custo para o Estado. Embora os interessados tenham de pagar pelas
fotocópias, o governo norte-americano tem de se organizar, colocar funcionários à
disposição para pesquisas. "Em 2001, os requerimentos de informação custaram US$
287,8 milhões, ou um pouco mais de um dólar por habitante", relata Fernando Molica,
repórter da TV Globo e diretor do Comitê de Liberdade de Expressão e Defesa
Profissional da Abraji. Chico Otávio, vice-presidente da Abraji e repórter de O Globo,
no Rio, vai mais longe. "Na América Latina, países vizinhos do Brasil já têm lei
de acesso à informação. É o caso de Argentina, México e Peru. Não são leis
prefeitas, mas colocam os cidadãos desses países em situação mais confortável que os
brasileiros", diz.
Análise com RAC
Marcelo Beraba remeteu a
este Observatório o seguinte extrato sobre o que representa a principal luta da Abraji:
A luta pelo direito de
acesso a informações públicas não interessa apenas aos jornalistas. Ela interessa
principalmente à sociedade. Os jornalistas acabam assumindo com mais vigor a luta porque
se deparam com mais freqüência com o obscurantismo das administrações públicas. Mas
uma lei de transparência vai beneficiar principalmente o cidadão comum e entidades da
sociedade civil. Exatamente por esta razão fizemos questão de convidar para o debate da
tarde várias entidades não-jornalísticas, como Inesc, Transparência Brasil, OAB, UnB e
Amarribo.
A gente ouviu na mesa
vários depoimentos ilustrativos de como a dificuldade para se obter informações que
deveriam ser públicas penaliza o cidadão comum e as entidades que lutam por mais
cidadania e democracia. Foram vários exemplos, todos mais importantes do que qualquer
caso nosso, de jornais e jornalistas. Esta luta por transparência irá para a frente na
hora em que se tornar uma luta da sociedade, não dos jornalistas. Por isso, foi muito
importante que a UnB e a Transparência Brasil tenham aceito abrigar a articulação de um
fórum que vai dar continuidade ao seminário de Brasília.
Os planos da Abraji vão
também em outras direções. Há duas semanas, por exemplo, a equipe de reportagem do
Jornal Nacional pôs em xeque números de homicídios divulgados pelo governo do Estado do
Rio. A base da contestação foi uma engenhosa análise dos números oficiais a partir de
técnicas de Computer Assisted Reporting, ou simplesmente RAC (Reportagem com Auxílio de
Computador ). Assim como jornalistas lastreados por todo o país, a técnica empregada
pelos jornalistas da Globo foi repassada a um grupo de 23 jornalistas de todas as regiões
do Brasil, que recebeu treinamento para ensinar técnicas de reportagem com auxílio do
computador em suas regiões, numa iniciativa do Centro Knight de Jornalismo nas Américas,
da Universidade do Texas em Austin, com a Abraji.
Bases de dados
Os jornalistas foram
treinados nos dias 9 e 10 de agosto em CAR por Brant Houston e Ron Nixon, respectivamente
diretor-executivo e diretor de treinamento da Investigative Reporters and Editors. Houston
e Nixon ensinaram aos colegas brasileiros técnicas de análise de planilhas eletrônicas
e de bases de dados para que os jornalistas possam entender o funcionamento de planilhas
de cálculos e bases de dados, podendo buscar pautas exclusivas e fazer perguntas melhores
às autoridades. O curso ocorreu em instalações cedidas pela Folha de S.Paulo, em salas
especialmente montadas para treinamento de jornalistas.
O grupo que fez o curso
também recebeu orientações sobre como melhor repassar esse conhecimento a colegas em
suas regiões. Como o Brasil tem 27 estados e quase as mesmas dimensões territoriais dos
EUA, é economicamente mais viável espalhar o treinamento pelo território nacional tendo
instrutores em todas as regiões.
O Brasil não tem uma lei
que discipline o acesso às informações públicas, e há poucas bases de dados
governamentais disponíveis para análise digital, mas os instrutores da IRE incentivaram
seus colegas brasileiros a criar suas próprias bases de dados para reportagens e
ensinaram como isso pode ser feito.
Dados na internet
"O computador não
transforma um jornalista ruim num bom jornalista", disse Brant Houston, citando o
repórter americano Elliot Jaspin, um dos primeiros praticantes de CAR. "Transforma,
isso sim, um bom jornalista num melhor ainda." Segundo Ron Nixon, "as técnicas
de CAR não são fáceis, mas ajudam a encontrar matérias fascinantes".
Um dia antes do curso,
Houston e Nixon deram palestra a cerca de uma centena de jornalistas, professores e
estudantes de Jornalismo na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São
Paulo. O jornalista Rosental Calmon Alves, diretor do Centro Knight, falou na ocasião
sobre o compromisso de apoiar a consolidação da Abraji, organização independente
criada em dezembro do ano passado por jornalistas brasileiros interessados no jornalismo
de investigação.
O diretor de CAR da Abraji,
José Roberto de Toledo, fez apresentação sobre bancos de dados e materiais disponíveis
na internet brasileira, que podem ser utilizados pelos jornalistas que tiverem
conhecimentos básicos de CAR. Foram discutidos os princípios básicos das
investigações jornalísticas com auxílio do computador, a vasta quantidade de dados na
internet e os cuidados a tomar ao fazer esse tipo de análise.
Funcionamento da
cidadania
Este evento será ampliado,
paulatinamente, para todo o Brasil: a jornalista Suzana Veríssimo, da revista Exame,
exerce as funções de diretora de Comitês Regionais, ora baseada em Recife. A primeira
revista da Abraji já está em fase de fechamento. É feita por alunos do quarto ano de
Jornalismo da ECA-USP e trará substrato caudaloso sobre o que é o jornalismo
investigativo brasileiro.
A página da Abraji,
mantida pelos jornalistas Marcelo Soares e Daniela Bertochi Seawright, que fica na URL
<http://www.abraji.org.br>, traz as principais dicas de jornalismo investigativo,
sobretudo online, além dos planos futuros da associação.
Em entrevista a este
Observatório, o presidente do STF, ministro Maurício Corrêa, avaliou assim o esforço
da Abraji:
"Este evento se
constitui num momento extraordinário para que se discuta esse tema. Às vezes, a imprensa
ainda é mal vista, não é acolhida, quando na verdade ela está prestando um serviço da
mais alta relevância à sociedade brasileira. Toda vez que um agente do poder público se
nega a prestar esse tipo de informação ele poderá, na verdade, contribuir para
atrapalhar o funcionamento da cidadania, mas seguramente não estará prestando um bom
serviço ao nosso Brasil, no sentido da transparência das atividades do serviço
público. Basta dar uma pesquisada para ver o extraordinário papel que desenvolveu o
jornalismo investigativo no Brasil ao apurar crimes de responsabilidade praticados por
agentes públicos, sejam eles aqueles mais modestos até o presidente da República, como
já ocorreu em nosso país, e posso dizer isso com absoluta tranqüilidade porque fui
membro pelo menos de duas importantes CPIs no Congresso Nacional no momento em que eu era
senador da República."
(*) Diretor do Comitê de
Ensino da Abraji
5º BLOCO
Veja o que disseram os
convidados após o programa:
Rio de Janeiro:
Walter de Mattos Junior - Pres. Diário Lance!
Pergunta1: O que faltou ser debatido no programa?
Walter de Mattos: "Eu acho que, por um lado, a pensata do país sobre a mídia não
se restringe a uma questão simplesmente de financiamento, e de outro lado ao discutir uma
solução mais estruturada para uma qualidade maior da imprensa brasileira, que agente
introduza nesse debate sem dúvida contrapartidas que têm que haver por parte da imprensa
para a sociedade no sentido da transparência e no sentido de um modelo de gestão novo e
no sentido de algum tipo de auto-regulação, já que é absolutamente indesejável uma
interferência externa nos conteúdos jornalísticos."
Pergunta2: E como pode ser
feita uma auto-regulação?
Walter de Mattos: "Pode acontecer através de um conselho de ética, isso pode
acontecer através das próprias entidades de classe, criando conselhos de
auto-regulação, a gente tem alguns aqui no Brasil que funcionam muito bem, o próprio
Conar que é muito próximo da mídia e funciona bem. Eu acho que para isso você teria
que ter pessoas do meio e pessoas de fora do meio, e que decisões destes conselhos e
deste órgão de auto-regulação tivessem efetividade. Ele não tem que ter legalidade,
mas ele tem que ter uma efetividade, no sentido de ser reconhecido como alguém que quando
emite um veredicto, aquilo ali tem algum efeito prático."
São Paulo:
Sidnei Basile - Dir. Revista Exame
"De maneira geral o programa foi muito bom, agora, se tem uma coisa que está
faltando é pormenorizar um pouco mais como se dará a governança desse processo todo.
Porque me parece que isso é crítico, estabelecer as condições de governança
corporativas desse processo."
Flávio Pestana -
Superintendente da Ed. Escala
"A discussão foi ótima, acho que faltou entrar um pouco mais em alguns pontos, o
ponto da governança e, como estamos falando de empresas de faturamento de 3 bilhões e de
empresas de faturamento de 20 mil, então como é que vai conseguir dar um tratamento mais
ou menos equânime para algo tão disperso assim? Este assunto é muito rico e ainda vai
exigir muito debate no seu detalhamento."
PERGUNTAS
E-mails recebidos na
semana de 07/10 a 14/10:
Evaldo Juscelino
O episódio no Domingo Legal do Gugu em que sua equipe de produção entrevistou supostos
membros do PCC rendeu bons frutos para os ditos "ameaçados" (Marcelo Rezende,
Datena),que utilizaram nas semanas seguintes ao fato, entrevistas, reportagens e matérias
com deputados, delegados, advogados, inclusive o do PCC, para obter audiência, como foi a
intenção do "Sr Gugu" no Domingo Legal. Pelo que se vê, eles (Gugu, Marcelo
Rezende, Datena e outros) parecem mesmo uma facção em nome de audiência própria.
Arlindo Martins Corrêa e Fernando Aguiar Gomide
Os programas de tv têm com objetivo conseguir o maior índice de audiência e, na maioria
das vezes, não se preocupam com as informações passadas aos telespectadores. Sendo
assim, não se importam com a cultura, com um nível melhor de informação e sim com um
sensacionalismo vulgar sempre apresentado em horário nobre. Um exemplo disso foi o
ocorrido no programa Domingo Legal do SBT, apresentado por Gugu Liberato, que exibiu uma
entrevista com dois supostos integrantes do "PCC" e deu fama a uma organização
criminosa sem medir conseqüência, tudo para conseguir "valiosos pontos de
audiência". Achamos importante que exista um código de ética que, ao invés de
censurar, crie normas para regulamentar o que passa na tv.
Telefonemas recebidos em 07/10:
Márcio Cardeal, São
Paulo
Os veículos de comunicação se endividaram por terem investido em novos setores, nos
quais estes veículos não tinham experiência.
Aroldo Fernandes, Duque
de Caxias / RJ
A mídia de forma alguma deveria associar-se às mentalidades da população (ingênua e
complicada). Pois o problema do país não é político, mas sim econômico. Por que não
substituir para entrevistas os políticos por economistas (eleições de quatro em quatro
anos, precisamos cobrar deles)?
Luís Henrique, Itatiba
/ SP
Até que ponto o financiamento da imprensa vai fazer com que o governo se redima da
responsabilidade de fazer investimento em educação?
Severino da Silva, Rio
de Janeiro
É impossível a separação do poder econômico da atuação da imprensa?
Nelson Holanda, Goiânia
/ GO
Se a mídia receber empréstimo do BNDES ficará comprometida a pouca isenção que já
existe.
Renato de Carvalho,
Santos / SP
A respeito do financiamento do BNDES aos órgãos da imprensa: como essas empresas
beneficiadas com o empréstimo irão pagar suas dívidas sem resolver o problema da falta
de anunciantes? Vai acabar um acúmulo de mais dívidas, caindo-se num ciclo vicioso.
Luís Caldeira, Rio de
Janeiro
A falta de recolhimento de INSS, fundo de garantia e outros, já não tem sido um
involuntário aporte de capitais para o governo? Por que as empresas continuam
deficitárias?
Ribamar Santana, São
Luís / MA
Este momento de crise da imprensa, não é um momento propício para a criação de um
projeto público de comunicação?
Wilson de Jesus
Carvalho, Rio de Janeiro
Será que se os meios de comunicação tomarem financiamento do Estado, não estarão
comprometendo sua credibilidade?
Lindomar Galiano,
Eugenópolis / MG
As denúncias a respeito dos órgãos da imprensa prejudicam a mídia?
Humberto Ferreira, Rio
de Janeiro
A mídia já é considerada o quarto poder, logo destinar recursos a ela seria oficializar
algo que hoje é apenas simbólico.
Adeilton Rodrigues, São
João do Piauí / PI
Na mudança na comunicação do Piauí as rádios comunitárias tiveram um papel
importante. Como a imprensa do interior, de pequeno porte, poderia se beneficiar com o
empréstimo do BNDES?
Carlos Alberto, São
Paulo
Se ficar provado que a imprensa apoiou o PT para conseguir recursos do BNDES, como ficará
a imagem da mesma perante o mundo?
Mário Nogueira, Monte
Mauá / SP
O preço dos jornais foi um dos que mais se inflacionou nos últimos anos, e apesar disso
essas empresas ainda querem financiamento do BNDES?
Reginaldo Gouvea,
Limeira / SP
A respeito dos empréstimos dados a mídia, eles pode interferir na produção de
informação podendo no futuro criar manipulação.
Francisco de Paula, Rio
Verde / GO
Não estariam os donos destas empresas (pessoa física) ficando ricos, causando assim a
sua falência?
Tito Cardoso, São João
do Piauí / PI
Flávio Pestana, o senhor afirmou que os investimentos publicitários vêm se
diversificando e migrando para as televisões por assinatura e novas revistas e jornais.
Mas essas TVs e revistas não pertencem aos mesmos grupos e donos?
Jaime de Souza, São
Paulo
A perda de leitores dos jornais também não é fruto da sua falta de credibilidade?
Giovani da Silva,
Taubaté / SP
Por que ao invés de pegar dinheiro do BNDES, essas empresas não cortam seus gastos, que
são exorbitantes?
Tom Lima, Taubaté / SP
Dines, você pode citar algum país em que essa "parceria" tenha dado certo?
Rui Britto, Porto Alegre
/ RS
Os que não têm talento têm que falir mesmo, não têm que receber nenhum financiamento
do BNDES de forma alguma.