Educação, Cultura e Inserção Social.
Nesta terça-feira, dia 18 de setembro, teve início o Seminário Internacional de Televisão – Educação, Cultura e Inserção Social, promovido pela TVE Brasil, Midiativa e SESC-SP, no SESC Consolação, na capital paulista.
Durante dois dias, especialistas brasileiros e estrangeiros tratarão do impacto das mídias eletrônicas e digitais na produção e distribuição de conteúdo. Em debates, estarão os compromissos da TV com a pluralidade, a diversidade e a preservação da identidade dos diferentes grupos sociais e seu impacto na formação das mentalidades e comportamentos, além das questões tecnológicas e políticas da TV digital e do processo de criação na convergência das mídias.
Representando Beth Carmona, Presidente da TVE Brasil e da Midiativa, o evento foi aberto por Sirlene Reis, Executiva da Midativa e Diretora da Vox Mundi Audiovisual, que na oportunidade lembrou o trabalho para “levantar a bandeira de promover a reflexão sobre o que é a TV pública e qual a TV que queremos”.
Ainda durante a cerimônia de abertura, o Filósofo e Sociólogo Danilo Miranda, Diretor do Departamento Regional do SESC-SP questionou a televisão oferecida nos dias de hoje. “Eu me pergunto onde nós erramos, porque a nova televisão tem tão poucas melhorias. A TV tem compromisso com o futuro – a velha idéia grega de paidea é mais válida do que nunca. A sociedade voltada para o preparo de novas gerações permanentemente”.
A primeira palestra teve como tema TV como Veículo de Educação e Cultura e contou com as participações do canadense Jaques Bensimon, Consultor Internacional da Adajave Communications e Conselheiro Especial da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Televisão, e do colombiano Germán Franco, Historiador, Diretor e Produtor de programas culturais.
“Cyber education é o novo paradigma da educação. Novos meios para incrementar o impacto das mensagens. O universo digital e sua ligação com a internet geram novas oportunidades e dão voz a quem não tem”, destacou Jaques. Por sua vez, Germán afirmou no debate que “as pequenas ações da vida cotidiana são muito importantes para as pessoas. O que eu quero é que a cidadania moderna seja protagonista da televisão. Devemos mudar nosso imaginário com mais humanismo, nobreza e beleza”.
O período da tarde foi aberto pelo painel O Impacto da TV na Educação e nos Comportamentos Sociais, com as participações de Fernando Almeida, Doutor em Filosofia da Educação e em Informática Aplicada à Educação, da Jornalista, Pesquisadora e Professora Titular da Escola de Comunicação e Artes da USP, Cremilda Medina, e de Váter Sales, Diretor Executivo do SESCTV e Mestre em Cinema pela ECA-USP.
“Os comunicadores precisam reconstruir o seu papel e ter espaço para experimentação e reflexão. Todo ser humano é um agente social. O ato educativo só acontece se for lúdico. É nele que transcendemos a questão histórica que nos é desfavorável”, afirmou Cremilda.
Fernando Almeida lembrou o desafio da televisão em relação à escola contemporânea lembrando que “é necessário renovar o currículo. Acho que o meio é o currículo, parodiando MC Luhan. A humanização da TV digital depende do uso que faremos desse material”.
Encerrando esta parte do encontro, Váter Sales afirmou que “o melhor presente para a TV é esse momento agora de discussão... Hoje a TV completa 57 anos... A TV é a maior agente educativa da história, é uma mediadora do instrumento de saber dentro da realidade brasileira. Devemos desenvolver uma linguagem televisiva que possa suscitar um pensamento mais crítico. Botar o nariz para fora é uma exigência natural para que a gente possa pensar diferente”.
As atividades da terça-feira foram encerradas com um colóquio que contou com as participações de Neide Duarte, Jornalista da Rede Globo, Ana Mercês Bock, Presidente do Conselho Federal de Psicologia, e da Escritora e Dramaturga Maria Adelaide Amaral. A conversa abordou a teledramaturgia atual e dúvidas sobre classificação indicativa.
Neide lembrou a importância de discutir “em que medidas conteúdos inovadores ainda incutem valores tradicionais e atendem à necessidade de uma sociedade regulada pela lei do mercado”. Maria Adelaide manifestou sua preocupação com a classificação indicativa. “Quem escreveu nos anos 70 sabe o que foi a Censura. Controle sobre a criação é inaceitável, ela fala em tom mais elevado. Nós, autores, temos respeito pelo público e acho isso um retrocesso. Sairia de novo nas ruas, protestando com esse arbítrio”.
Ana Mercês rebateu afirmando que “O Ministério da Justiça cuida dos direitos dos cidadãos. A sociedade deve escolher como quer a sua mídia... Eu também lutei contra a Censura e não quero de volta... Quero um controle social e isso não é Censura. É colocar na mão de uma população a qualidade daquilo que ela se submete”.
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