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Cidadão Jacaré - CE

Em 1941, os pescadores Jacaré, Tatá, Manuel Preto e Jerônimo viajam, por 61 dias, de Fortaleza ao Rio de Janeiro, numa jangada. Na capital da República, levam ao ditador Getúlio Vargas reivindicações trabalhistas. Em 1942, o cineasta Orson Welles vem roda ao Brasil rodar episódios de seu longa It's all true. Um deles, aborda o carnaval carioca; o outro, a aventura daqueles heróis cearenses. Mas, nas filmagens, Jacaré morre em acidente . Ele presidia a colônia de pescadores da Praia de Iracema e, na época, fizera denúncias sobre escândalos do mundo da pesca.


O documentário não é a biografia de um homem. Antes, é o retrato de Manuel Olímpio Meira, o Jacaré, como cidadão. Já adulto, ele se alfabetizou para melhor cumprir sua missão, tornando-se um líder. Carismático, impressionou Welles, ao passo que causava certa desconfiança nas autoridades.
O documentário expõe discursos básicos: o da ditadura do Estado Novo (que visa aparar o lado contestatório daquele reide 1941); o de Welles (o olhar estrangeiro sobre o subdesenvolvimento); o da classe média brasileira (ao aproximar-se poeticamente dos jangadeiros); e o dos próprios pescadores, representados nesse cidadão Jacaré, em busca de afirmação numa sociedade que tende a marginalizar o povo - apesar de exaltá-lo, idealizando-o.
"Cidadão Jacaré" nos remete ao Brasil dos tempos da Segunda Guerra, quando bases militares norte-americanas eram instaladas no Nordeste do Brasil - inclusive em Fortaleza. O próprio filme de Welles, era parte do esforço de guerra dos EUA, promotor da "política da boa vizinhança", com relação às nações latino-americanas. Mas esse longa do cineasta jamais foi montado completamente (apenas, postumamente, o episódio dos jangadeiros cearenses).
O documentário ainda fala da atual condição dos jangadeiros, vítimas da burocracia previdenciária, da falta de crédito, do analfabetismo, da especulação imobiliária na orla marítima.

Currículo Resumido dos Diretores
Petrus Cariry - Formado em Informática pela FIC. Trabalhou em vários filmes cearenses como produtor e montador. Dirigiu os curtas "Maracatu Fortaleza" (2001), "Ordem dos Penitentes 35mm (2002), "Uma jangada chamada Bruna" (2003), "A velha e o mar" 35mm (2005). Ganhador de vários prêmios em festivais e mostras de cinema.

Firmino Holanda - Graduado em História; professor e pesquisador de Cinema da Universidade Federal do Ceará; publicou os livros: Benjamim Abrahão (2000), Orson Welles no Ceará (2001), Capistrano de Abreu (2002). Participou da antologia Ceará de Corpo e Alma (2002), com ensaio sobre a história da produção de cinema no Ceará (tema de seu próximo livro). Foi crítico de cinema do jornal "O Povo", durante 16 anos. Há mais de duas décadas, colabora em publicações (revistas, jornais, catálogos) com artigos sobre História, cinema, televisão e música. Dirigiu filmes experimentais em super-8. Participou da "Marginália 70 ", (Itaú Cultural, 2001) e de outras mostras em seu Estado. Dirigiu o média-metragem Cinema Cearense - Alguma História(l989). Foi co-roteirista do longa Caldeirão da Santa Cruz do Deserto (1986), de Rosemberg Cariry, com quem colaborou noutros longas (assistência em roteiro e montagem). Colaborou também nos curtas de Petrus Cariry, com ele dividindo roteiro e edição em A velha e o mar (2005).


Ficha Técnica

Direção
Firmino Holanda e Petrus Cariry

Pesquisa e roteiro
Firmino Holanda

Direção de fotografia e câmera
Petrus Cariry

Direção de produção
Teta Maia

Edição
Petrus Cariry e Firmino Holanda

Locução
Ary Corione

Câmera adicional
Kin

Eletricista
J.B Vasconcelos

Assistente de produção
Adriana Amaral

Fotografia still
Camile Queiroz

Atores
Teta Maia e Petrus Cariry

Canções
"Terra da luz" (Humberto Teixeira), com Gilberto Milfont;
"Jangadeiro do Norte" (João de Barro), com Gastão Formenti;
"História triste de uma praieira" (motivo popular; versos de Adelmar Tavares), com Stefana de Macedo;
"Despedida" (domínio público), com Cego Oliveira;
"Bendito de São José"(domínio público), com Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto; [...]

Produção
Iluminura Filmes

 


O DOCTV é um programa pioneiro de fomento à parceria entre a TV pública e a produção independente desenvolvido pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, a TV Cultura e a Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais — ABEPEC. Criado em 2003, seu objetivo é promover a regionalização da produção de documentários, articular um circuito nacional de teledifusão através da Rede Pública de Televisão, e propor um modelo de negócio que viabilize mercados regionais para o documentário brasileiro.