Confira os títulos dos documentários, com as respectivas datas de exibição e os estados de origem.
PARÁ ERETZ AMAZÔNIA
Eretz Amazônia retrata a saga do povo judeu na Amazônia, desde a chegada desses primeiros imigrantes, há quase 200 anos, até os dias de hoje. O documentário mostra quem eram estes judeus que escolheram o Pará como sua nova casa, como o povo amazônico recebeu essa cultura milenar, e as razões desta imigração para a região norte do Brasil.
Baseado no livro do escritor Samuel Benchimol, de Manaus, o filme mostra como culturas tão distintas se entrelaçaram à sombra das árvores e à margem dos rios da Floresta Amazônica. O filme é um mergulho na riqueza dramática desta saga, que às vezes é trágica, às vezes é cômica, às vezes dramática, um curioso capítulo da história amazônica.
Direção: Alan Rodrigues; Co-direção: David Elmescany; Produção Executiva: David Salgado Filho; Co-produção: Alan Rodrigues / Digital Produções / TV Cultura - Pará / TV Cultura São Paulo. Duração: 55 minutos.
A história do segundo Ciclo da Borracha e o resgate da dívida do estado brasileiro para com 50 mil nordestinos transferidos para a Amazônia a partir do acordo Brasil e Estados Unidos, que visava a extração do látex para a produção de armamentos na Segunda Guerra Mundial. Direção: Wolney Oliveira Co-produção: Wolney Oliveira / Bucanero, Arte, Cinema e Vídeo / TV Ceará / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
Viagem que refaz roteiros de desbravadores que ampliaram as fronteiras brasileiras e integraram economicamente o estado do Rio Grande do Sul ao país. Direção: André Constantin Co-produção: André Constantin / Transe Imagem / Fundação Cultural Piratini - TVE-RS / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
Biografia do poeta alagoano Lêdo Ivo, integrante da geração de 1945 do Modernismo Brasileiro, hoje imortal da Academia Brasileira de Letras. Direção: Werner Salles Co-produção: Werner Salles / Staff Áudio e Vídeo Ltda / Instituto Zumbi dos Palmares IZP/ Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
A partir do livro "Cerimônias do Esquecimento", do mato-grossense Ricardo Guilherme Dicke, a difícil condição de isolamento do escritor no mundo mediático da "cultura jornalística".
Direção: Eduardo Balbino Ferreira Co-produção: Eduardo Balbino Ferreira / Beta Vídeo / TV Universidade / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
O documentário enfoca a troca de experiências entre duas nações indígenas da Bahia, situadas na mata atlântica e no semi-árido do São Francisco, e aborda o diálogo entre estas culturas como alegoria de um mundo plural.
As populações indígenas da Bahia são talvez as mais sofridas e pouco conhecidas. Resistem há mais de 500 anos à discriminação. O vídeo dá voz aos índios: histórias, dificuldades, sofrimentos e sonhos de esperança. Revela o encontro de duas nações que, entre outras coisas, têm em comum o fato de lutarem pela demarcação de seus territórios e terem sido reconhecidas etnicamente há aproximadamente três anos.
Direção: Sebastián Gerlic Co-produção: Sebastián Gerlic / Sofilmes Cinema e Vídeo / TVE Bahia/ Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
O canto da araponga (2004, 55 min) foi realizado em Minas Gerais sobre um aspecto curioso e pouco conhecido da Revolução Constitucionalista de 1932: a importante participação da cidade mineira de Araponga, onde foi preso o líder do movimento no estado, o ex-presidente Artur Bernardes.
Através do olhar de seus habitantes, de pessoas que viveram e sofreram e até se divertiram naquele período, o documentário faz uma releitura da história, de forma a registrar o que não foi dito e reescrever mais uma página do eterno livro de injustiças políticas praticadas através dos tempos. Localizado na Zona da Mata mineira, e, na época, vinculado administrativamente a Viçosa, o pequeno povoado de Araponga foi escolhido por Bernardes para ser o seu Quartel General, de onde sairiam as tropas, em apoio a São Paulo, para atacar a capital federal, o Rio de Janeiro, e depor o presidente Getúlio Vargas.
Direção: Carlos Canela Co-produção: Daniel Roscoe Santos Portugal/ FAM Produções Ltda / Rede Minas / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
Em evidente busca da síntese, o filme desfila quatro décadas de militância do músico, compositor, cronista, jornalista, poeta e, sobretudo, letrista Aldir Blanc na vida cultural do Rio de Janeiro e do país. A infância e adolescência entre os bairros do Estácio e Vila Isabel, ambos na Zona Norte do Rio de Janeiro e, respectivamente, berço de bambas como Ismael Silva e do mito Noel Rosa. Mostra também os encontros musicais do chamado Movimento Artístico Universitário (M.A.U.) e a atuação de Aldir Blanc na luta pelos direitos autorais no Brasil.
O documentário registra ainda a participação do músico e poeta na imprensa, especialmente no semanário Pasquim, levado pelo amigo Henfil. As relações com a censura no período da ditadura militar e a questão da Anistia, tendo como exemplos as composicões O mestre-sala dos mares e O bêbado e a equilibrista. Autoria: André Sampaio Direção: André Sampaio, Alexandre Ribeiro de Carvalho, José Roberto de Morais Co-produção: André Sampaio / Inventarte / TVE - Rede Brasil / Fundação Padre Anchieta -TV Cultura
MATO GROSSO DO SUL
O POETA É UM ENTE QUE LAMBE AS PALAVRAS E SE ALUCINA
O documentário, gravado no pantanal sul-mato-grossense, aborda a trajetória da vida e da obra do poeta Manoel de Barros, num exercício compartilhado entre o documentarista e o próprio poeta. Nele, um andarilho percorre os lugares onde o poeta nasceu e ainda vive. Ao longo da jornada, o andarilho tem encontros com outros personagens criados por Manoel de Barros.
As locações foram escolhidas propositalmente e de acordo com as informações obtidas com o escritor. O andarilho principal, enquanto vaga por pântanos, cidades e vilas, vai narrando em pensamentos a poesia que se trama com ruídos e com a música de Erik Satie, Ravel, Debussy e Fouré. A viagem tem o sentido de nascimento e vida. Trajetória da vida e obra do poeta Manoel de Barros, num exercício compartilhado entre o documentarista e o próprio poeta.
Direção: Arlindo Fernandez
Co-produção: Arlindo Fernandez de Almeida / Leader Vídeo-Produtora Ltda TVE Regional-MS / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
RIO GRANDE DO SUL
COBERTA D'ALMA - UM RITUAL PARA OS MORTOS DE OSÓRIO
No Rio Grande do Sul, um costume fúnebre praticamente desconhecido, que remonta aos primeiros desbravadores da então Província de São Pedro, chama atenção por sua singularidade. A "Coberta d'alma", propriamente dita, consiste na escolha de um amigo ou parente para vestir-se com as roupas da pessoa falecida, para que o espírito perceba que não mais pertence a este mundo, também mantendo a alma por mais tempo entre os vivos.
O escolhido para receber a Coberta passa a contar com carinho e cuidados especiais da família da pessoa que morreu, sendo chamada inclusive pelo nome do morto. A Cidade de Osório, ponto de passagem entre a capital gaúcha e o litoral, serve como base das locações do documentário por manter este costume ainda presente até os dias de hoje. Entrevistas e reconstituições com a população local resgatam e apresentam esta tradição ao Brasil, com toda a aura mítica e sagrada que envolve os rituais fúnebres. A narração é do ator Carlos Cunha e a trilha sonora é assinada pelo consagrado compositor, músico e arranjador gaúcho Geraldo Flach.
Direção: Hique Montanari Co-produção: Hique Montanari / Casanova Filmes / Fundação Cultural Piratini - TVE RS / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
O vídeo é uma ode à poesia. Por meio dos versos e do pensamento de Roberto Piva, discute-se a concepção de poesia, fala-se do poeta visionário e da poesia como um dos mais importantes instrumentos do homem na busca pelo sagrado.
O documentário aborda a obra e o pensamento desse poeta que, aos 65 anos, ainda é tido como marginal: fora do eixo das grandes editoras e nunca discutido pela academia.
A voz do poeta recitando seus próprios versos leva o telespectador a olhar a cidade de São Paulo com outros olhos, rompendo a lógica imposta pela realidade. Também fazem parte do documentário os poetas Fernando De Franceschi, Rodrigo de Haro e Cláudio Willer, todos amigos de Piva desde a década de 1960.
Piva é monarquista-anarquista e explica: "Salvador Dali era monarquista porque, segundo ele, quanto maior a verticalização da cúpula maior a anarquia das bases". Piva critica duramente a influência do cristianismo na sociedade ocidental, que condena o prazer, o amor, o sexo, a diversão. Direção: Valesca Canabarro Dios Co-produção: Valesca Canabarro Dios / SP Filmes de São Paulo / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
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ESPÍRITO SANTO VIAGEM CAPIXABA - UM OLHAR DE RUBEM BRAGA E CARYBÉ, HOJE
O documentário refaz o roteiro dos livros produzidos pelo escritor Rubem Braga e o artista plástico Carybé, na década de 1950,redescobrindo as diversas manifestações culturais capixabas. Uma viagem capixaba de Carybé e Rubem Braga, livro de arte com desenhos de Carybé, e Crônicas do Espírito Santo, uma coletânea de crônicas de temática capixaba escrita por Rubem Braga, foram a base para o filme.
A equipe percorreu os cerca de seis mil quilômetros trilhados por eles em todo o estado, do litoral à região serrana. A intenção do diretor e roteirista João Moraes em refazer essa viagem 50 anos depois é a mesma que os dois tão bem souberam reproduzir em seus livros. Mais que isso: é a de mostrar através da pluralidade regional poliétnica e diversidade biogeográfica do Espírito Santo, como esses valores permaneceram e frutificaram, formando sutilmente o que se pode definir como identidade capixaba.
Rubem e Carybé registraram em seu trabalho o congo, o caxambu, o ticumbi, o alardo, as culturas agrárias, as curiosidades e os saberes das gentes capixabas porque entendiam que a riqueza desse universo é o que realmente interessaria para se conhecer, de fato, o Espírito Santo.
Direção: João Moraes Co-produção: João Moraes/ OL Produções e Publicidade / TV Educativa do Espírito Santo / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
A biografia do educador baiano Anísio Teixeira, com seu legado ao processo educacional brasileiro e sua contribuição à cultura democrática, é o tema central do documentário. Ao reconstituir a vida do, inegavelmente, maior educador brasileiro de todos os tempos, o filme enfoca suas idéias, suas propostas, suas realizações e sua luta a favor da educação integral e universal, que permanecem vivas e atuais no Brasil deste começo de século XXI.
Elaborado com base em exaustiva pesquisa bibliográfica, o roteiro está estruturado a partir de quatro blocos temáticos: a história, o pensamento, a palavra e a ação de Anísio Teixeira. E reconstitui trechos de pronunciamentos do educador na solenidade de inauguração da Escola Parque (1950), na constituinte estadual (1947) e em algumas participações suas em seminários, debates, conferências.
Criador do Centro Popular de Educação Carneiro Ribeiro, que ficou conhecido como Escola Parque, na década de 50, no bairro da Liberdade, em Salvador, Anísio também foi pioneiro criando, em 1935, a primeira universidade do Brasil, a Universidade do Distrito Federal (UDF) e, em 1960, a Universidade de Brasília (UnB).
O educador foi responsável também pela criação da primeira fundação de amparo à pesquisa, a Fundação para o Desenvolvimento da Ciência na Bahia, em 1950. Empregando uma linguagem moderna, com narrativa dinâmica e atraente, o vídeo utiliza, além de material de arquivo (fotos, documentos, publicações, imagens de época), depoimentos de educadores, professores, pesquisadores, políticos, alguns dos quais conviveram com Anísio Teixeira. Direção: Adriano Justino Co-produção: Adriano Justino /Exclusiva Produções / Paraná Educativa / Fundação Padre Anchieta -TV Cultura
RIO GRANDE DO NORTE
FABIÃO DAS QUEIMADAS - POETA DA LIBERDADE
O documentário é um resgate da poesia popular nordestina através da história do poeta Fabião Hermenegildo Ferreira da Rocha, um escravo que conseguiu comprar sua alforria tocando toadas em vilarejos e fazendas potiguares.
O rabequeiro Fabião das Queimadas está no leito de morte e recebe a visita de um amigo, que chega para devolver-lhe o arco de sua rabeca. A partir deste momento sua vida é contada através do depoimento de três pessoas: Raimundo Fabião, neto do personagem e violeiro; Hugo Tavares, pesquisador da vida de Fabião e Deífilo Gurgel, historiador e pesquisador do cancioneiro popular nacional e potiguar. As entrevistas vão permeando o documentário, configurando uma cronologia e orientando a inserção de encenações de fatos da sua vida, como suas andanças, o sertão, sua família e amigos.
Fabião das Queimadas nasceu em 1848, na fazenda Queimadas, município de Santa Cruz. Nascido escravo, começou a vida como agricultor e vaqueiro. Aos dezoito anos de idade, o poeta não se conteve e com algumas economias comprou uma rabeca. Com ela, saiu cantando e tocando suas toadas e seus repentes pelas vaquejadas, pelas casas e povoados simples de sua região. Assim, conseguiu ganhar dinheiro o suficiente para comprar a sua própria liberdade e, posteriormente, a de sua mãe e de uma sobrinha. Morreu aos 80 anos de idade, em 1928, na sua pequena propriedade chamada Riacho Fundo, em Barcelona, interior do Rio Grande do Norte. Deixou inúmeros romances sobre bois e cavalos de sua região, como A vaca malhada e Boi mão de pau , dentre outros que ele cantava, sempre acompanhado da sua inseparável rabeca.
Direção: José Alberto Dantas Co-produção: José Alberto Dantas / Prisma Produções / TV Universitária / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
O tema do vídeo é a "Revolta Camponesa de Trombas e Formoso", ocorrida na década de 50, no estado de Goiás, sendo o seu principal personagem o líder camponês José Porfírio de Souza, chamado pelo povo de Profiro, natural de Pedro Afonso, no estado de Tocantins. Ele foi o primeiro líder camponês a eleger-se deputado estadual em 1960, cassado e preso pelo regime militar, dado ainda hoje como desaparecido. Essa história serve como base também para que seja debatida uma questão das mais atuais: a reforma agrária.
O documentário trata da reforma agrária por meio da história do líder camponês José Porfírio de Souza, ou simplesmente Profiro, como ficou conhecido. Ele protagonizou no meio-norte goiano, na região conhecida como Trombas, o movimento histórico chamado de "Revolta de Trombas e Formoso". Elege-se como deputado estadual e é cassado e preso no golpe militar de 64. Depois de vários anos preso, é solto, e na volta para casa desaparece, sendo até hoje um dos desaparecidos políticos do país.
No final dos anos 40, milhares de camponeses frustrados com a CANG (Colônia Agrícola Nacional de Goiás) ocupam terras oficialmente devolutas, próximas à colônia, em uma região conhecida como Trombas e Formoso. Um lugar de terras férteis, onde passam a conviver com a prosperidade.
Poucos anos depois, com os rumores de que por ali passaria uma estrada federal, que seria o embrião da futura rodovia Belém-Brasília, alguns comerciantes e fazendeiros das vilas de Uruaçu e Porangatú, mancomunados com o juiz de direito da comarca, montam um "engenhoso" processo de grilagem das terras. Revoltados, os posseiros se unem, sob a liderança do camponês Zé Porfírio e resistem até o fim.
Uma batalha final chega a ser prenunciada. Durante alguns meses os dois lados se preparam para uma grande batalha! Mas graças à pressão da opinião pública, regional e nacional, a batalha é abortada pelo governador do estado, Juca Ludovico.
Da Revolta de Trombas e Formoso emerge uma figura popular e carismática, que se tornaria lendária: o camponês tocantino Zé Porfírio, ou simplesmente "Profiro". Candidato a deputado estadual por Goiás em 1960, Zé Porfírio é eleito com a segunda maior votação daquele pleito e entra para a história como o primeiro deputado camponês do Brasil. Mas a trajetória política do deputado camponês Zé Porfírio é interrompida bruscamente pelo regime militar implantado no país no dia 1º de abril de 1964, cassando o seu mandato.
Escondido nas matas maranhenses, o deputado volta a ser um simples camponês. Mas sua história ainda estava longe de terminar. Zé Porfírio é preso e solto depois de vários anos. Na volta para casa desaparece sem que ninguém até hoje conseguisse explicar.
Direção: Hélio Brito Co-produção: Hélio Brito / Virtual Áudio & Vídeo / TV Palmas / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
SANTA CATARINA
MBYÁ GUARANI - GUERREIROS DA LIBERDADE
O documentário MBYÁ Guarani - guerreiros da liberdade trata do violento processo de aculturação dos índios guaranis Mbyá de Santa Catarina e destaca a resistência e a luta pela terra empreendida por esse povo. Em sua própria língua, os Guarani falam sobre o que aconteceu com eles após o contato com o homem branco e o que os difere das demais nações indígenas.
A mitologia dos Mbyá, contada pelo pajé Timóteo, atravessa todo o filme revelando o significado do sol e da lua, o surgimento do mal e da primeira terra. São abordados também problemas relacionados à saúde, subnutrição e degradação social que hoje atingem a comunidade dispersa por todo o estado, da qual grande parte sobrevive em condições miseráveis se deslocando em pequenos grupos por estradas e rodovias para vender seu artesanato ou esmolando em cidades como Florianópolis.
Direção: Charles Cesconetto Co-produção: Charles Cesconetto / TVI Televisão e Cinema / TV Cultura SC / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
Ivaneide faz parte de uma família onde, como tantas outras da região do Baixo São Francisco, as mulheres desempenham um papel fundamental na manutenção da organização social, no sustento, na educação das crianças, e, sobretudo, na obstinação de superar as grandes dificuldades com que convivem. Ela é a figura central do documentário sergipano.
Por meio de seus depoimentos, com sua sensibilidade e olhar profundo, crítico, Ivaneide apresenta a sua dimensão do “seu” rio São Francisco, seu lugar, suas pessoas, bichos, árvores e coisas. O seu dia-a-dia mostra que detrás das serras das margens da região superior do Baixo São Francisco vivem pessoas, que mantêm uma sólida ligação com o grande rio que corre lá embaixo, no pé da serra.
Com sua narração, Ivaneide pontua a linha principal dos depoimentos ao longo do filme. As diversas atividades desempenhadas por mulheres como ela, tais como o trato da casa, a educação dos irmãos menores, a lida na roça, com os animais, a lavagem dos panos no rio, os estudos na escola distante, o magistério, mobilizações sociais, e tantas outras, traduzem inteligência, resistência física e emocional, além da versatilidade, indispensáveis para a sobrevivência num quadro onde outros fracassariam rapidamente.
Direção e roteiro: Carlos Eduardo Ribeiro Co-produção: Carlos Eduardo Ribeiro / Canoa de Tolda / TV Aperipê / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
O documentário trata de uma interpretação da relação entre mitos, lendas e relações sociais contemporâneas do povo amazônico. Os limites entre realidade e ficção são questionados não só através das diferentes formas de abordagem e posicionamento da câmera, mas também por meio de relatos, depoimentos e análises de psicólogos, sociólogos, caboclos, indígenas, homens e mulheres de diferentes grupos, faixas etárias e classes sociais, que vivenciam os mitos e lendas da Amazônia.
Entre os entrevistados, estão o escritor amazonense Márcio Souza, o cineasta Simon Brooke e Celdo Braga, líder do grupo musical Raízes caboclas, referência internacional da música amazônica. O filme busca exibir a Região Norte sem estereótipos, fugindo do exotismo como única identidade possível, mostra-se o mundo urbano dentro da selva amazônica, relacionando-se o rio à floresta e o calor com o modo de ver e viver do amazonense.
Autoria: Luiz Carlos Martins de Souza Direção: Luiz Carlos Martins de Souza e Paulo César Freire Co-produção: Luiz Carlos Martins de Souza / Jobast / TV Cultura do Amazonas / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
Affonsinho, Flávio Henrique, Lô Borges, Marina Machado, O grivo, Tambolelê, Tavinho Moura, Toninho Horta e Uakti são os compositores e intérpretes que participam de Mil sons geniais. Alternando imagens de Belo Horizonte, depoimentos e números musicais, o documentário enfoca a riqueza e a diversidade da música que hoje se faz em Minas Gerais.
Evitando os grandes espetáculos midiáticos, capazes de levar milhares de pessoas a ginásios e estádios, o vídeo mostra os artistas na intimidade de suas casas e estúdios de gravação, captando a essência de sua criatividade. Com texto do compositor Fernando Brant, música de abertura e encerramento de Milton Nascimento, Mil sons geniais é também uma homenagem à cidade de Belo Horizonte.
Direção: Paulo César Vilara de Mattos Co-produção: Paulo César Vilara de Mattos / CaradeCão Filmes / Rede Minas / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
O vídeo propõe um resgate das raízes culturais do Paraná e mostra a condição a que foram relegadas as tribos Guaranis, Kaingangue e Xetás, reveladas em seu cotidiano. O documentário ressalta uma unidade cultural, onde tudo se dá em função de uma crença existencial e ao mesmo tempo denuncia o esquecimento a que foram submetidos esses índios.
A equipe percorreu onze aldeias: Guaranis do litoral ao extremo oeste do Estado e Kaingangs no interior. Os últimos Xetás, dispersos em várias aldeias, foram visitados em seus locais de moradia; os depoimentos desses índios, os que mais sofreram com a colonização, propiciaram momentos inesquecíveis para a equipe de produção.
Os Guaranis possuem uma cultura extremamente espiritualizada, cujos aspectos ritualísticos o roteiro procurou valorizar, sobretudo com o ritual ancestral das Casas de Rezas. Os Kaingangs, habitantes das matas de araucária do interior do Estado, ainda cultivam hábitos antigos e têm o pinheiro (símbolo oficial do Estado do Paraná) e suas pinhas como abrigo e alimento.
Os Xetás representam bem a autofagia cultural provocada pela história econômica desenvolvimentista brasileira. Encontrados somente durante o avanço da colonização e do plantio das lavouras de café no noroeste do Paraná, estavam ainda em estágio cultural primitivo; não resistindo à colonização foram praticamente extintos.
Direção: Silvana Corona e José Luiz de Carvalho.
Co-produção: Silvana Regina Corona / Corona Filmes / Paraná Educativa / Fundação Padre Anchieta -TV Cultura
Uma tradição de quase 32 anos e praticamente desconhecida na capital paulista é o ponto de partida do documentário Preto contra Branco, que discute o preconceito racial no Brasil usando como referência uma partida tradicional de futebol de várzea com moradores de dois bairros de São Paulo. Detalhe: é um jogo de pretos contra brancos.
Desde 1972, um grupo de moradores do bairro de São João Clímaco e da favela de Heliópolis, na zona sul da capital, organizam um jogo de futebol de brancos contra pretos em um campo de várzea, no final de semana que antecede ao Natal.
Em uma comunidade altamente miscigenada, composta basicamente por mulatos, a peculiaridade da partida é a auto-atribuição da raça pelo participante. Cada jogador se declara negro ou branco e "escolhe seu time". O documentário também investiga a disputa espacial e as noções de prioridade numa comunidade carente.
Direção: Wagner Morales Co-produção: Wagner Perez Morales Júnior / Pólo de Imagem / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
MARANHÃO
QUILOMBOS MARANHENSES: CULTURA E POLÍTICA
O documentário usa elementos da ficção para contar a história da invisibilidade social das comunidades negras rurais quilombolas e o trabalho do Movimento Negro pela inclusão desse segmento.
Dividido em três partes, Quilombos maranhenses: cultura e política analisa como a cultura negra sofre com o reducionismo no binômio dançar e cantar, procurando demonstrar que a cultura tem uma outra conceituação para esse povo: é política, lazer, resistência, organização; é a própria vida.
De acordo com informações de entidades do movimento negro, existem no Maranhão cerca de 400 comunidades negras e o documentário investiga os aspectos sócio-políticos dos quilombos maranhenses, enfocando os quilombos de Santa Cruz, localizado no município de Buriti de Inácia Vaz, e Damásio, situado no município de Guimarães.
O filme retrata ainda a atual situação de inúmeras comunidades de Alcântara, que perderam seu território original para a Base de Lançamento de Foguetes, e tantas outras comunidades quilombolas que se encontravam relegadas ao esquecimento.
Direção: Claudio Farias Co-produção: Claudio Farias/ Videotec Produtora de Áudio e Vídeo / TVE Brasil/ TVE Maranhão / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
Em 1981, o diretor João Vargas Penna fotografou pessoas e locais na Baixada Fluminense. Ele passou uma semana entre o Xangri-lá e o Jardim Guandu, periferia da cidade do Rio de Janeiro, trabalhando como assistente de som de um filme que nunca foi concluído.
Em 2004, ele foi à procura dessas pessoas e locais. Quis saber da vida por lá nessas duas décadas. Rever mostra a busca por esses habitantes anônimos e recantos desconhecidos. A equipe estava sempre presente, documentando os vários percursos feitos até o encontro com os personagens, que muitas vezes foram retratados nos mesmos locais de 22 anos atrás.
Os relatos de vida dos depoentes, motivados pela emoção provocada pelo reconhecimento deles mesmos, de amigos, de parentes e também de locais antigos nas fotografias apresentadas compõem um quadro pungente sobre os desígnios do tempo na periferia do Rio de Janeiro.
Direção: João Vargas Penna Co-produção: João Vargas Penna / Pedro Rosa Produções / TVE - Rede Brasil / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
DISTRITO FEDERAL
VLADIMIR CARVALHO, CONTERRÂNEO VELHO DE GUERRA
A biografia e a filmografia de Vladimir Carvalho e sua obra dedicada ao homem nordestino e ao coração do planalto central são o fio condutor do documentário. Ao longo da narrativa, o espectador vai perceber as identidades entre o cinema do documentarista e ele próprio com a história do Brasil, do cinema e do documentário brasileiro.
Nascido na cidade de Itabaiana, na Paraíba, em 1935, Vladimir Carvalho tem em sua filmografia 21 filmes, cinco de longa-metragem. Atualmente está realizando o documentário O engenho de Zé Lins , longa-metragem sobre o escritor paraibano José Lins do Rego.
A primeira parte de Vladimir Carvalho, conterrâneo velho de guerra enfoca as memórias de infância e adolescência do diretor, passando pelas primeiras experiências com o cinema, ainda em Itabaiana. O filme enfoca a carreira dele em Brasília, tanto como cineasta, quanto como professor de cinema da UNB; os aspectos da sua obra cinematográfica e sua estréia, no Rio de Janeiro, no filme O país de São Saruê , após quase dez anos interditado pela censura.
Nesta cerimônia, fortemente política, registra-se a presença e um breve discurso do então presidente do Partido Comunista Brasileiro, Luís Carlos Prestes. O documentário traz depoimentos de companheiros, familiares, discípulos e amigos de Vladimir Carvalho, como Sílvio Tendler, Orlando Senna, Roberto Faria, Marcos Mendes, Sérgio Moricone, Nelson Pereira dos Santos, Ariano Suassuna, entre outros.
Direção: Dácia Ibiapina Co-produção: Dácia Ibiapina / Luz e Filmes Ltda / Radiobrás / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
A história do folguedo popular Reisado do Inhanhum, tradição do sertão do São Francisco, é narrada no documentário pela vida de seus participantes em sua relação com o rio. Durante três meses, a equipe de produção instalou equipamentos e mochilas em Inhanhum, Pernambuco, e conviveu com a comunidade, conhecendo e pesquisando as pessoas e seus modos de vida.
O filme revela como um reisado (folguedo popular de origem ibérica com números musicais e quadros dramáticos, encenado por personagens organizados numa hierarquia que mistura elementos das economias açucareira, pecuária e das cortes medievais) foi parar numa comunidade ribeirinha do Médio São Francisco, formada sobretudo por índios e negros.
Já o Batuque é uma manifestação de origem negra, na qual o ritmo é tirado de uma lata e do bater das palmas das mãos e dos pés. Na sua forma primeira, a dança é sensual, quase lasciva. Porém, o corpo das dançadeiras de Inhanhum tem um movimento suave, ingênuo, meio infantil. Direção: Alexandre Fafe Co-produção: Alexandre Fabello Fernandes / Painel Documentação e Consultoria Ambiental / TV Universitária / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura
BAHIA MÁQUINA DE FAZER DEMOCRACIA/VIDA E OBRA DE ANÍSIO TEIXEIRA
A biografia do educador baiano Anísio Teixeira, com seu legado ao processo educacional brasileiro e sua contribuição à cultura democrática, é o tema central do documentário. Ao reconstituir a vida do maior educador brasileiro de todos os tempos, o filme enfoca suas idéias, suas propostas, suas realizações e sua luta a favor da educação integral e universal, que permanecem vivas e atuais no Brasil deste começo de século 21.
Elaborado com base em exaustiva pesquisa bibliográfica, o roteiro está estruturado a partir de quatro blocos temáticos: a história, o pensamento, a palavra e a ação de Anísio Teixeira. E reconstitui trechos de pronunciamentos do educador na solenidade de inauguração da Escola Parque (1950), na constituinte estadual (1947) e em algumas participações suas em seminários, debates, conferências.
Empregando uma linguagem moderna, com narrativa dinâmica e atraente, o vídeo utiliza, além de material de arquivo (fotos, documentos, publicações, imagens de época), depoimentos de educadores, professores, pesquisadores, políticos, alguns dos quais conviveram com Anísio Teixeira.
Direção: Alexandre Fafe Co-produção: Alexandre Fabello Fernandes / Painel Documentação e Consultoria Ambiental / TV Universitária / Fundação Padre Anchieta - TV Cultura