Documentário faz homenagem ao músico e poeta carioca Aldir Blanc
Ele é músico, compositor, cronista, jornalista, poeta e, sobretudo, letrista. Tem alma da Zona Norte carioca. Um personagem recluso e, ao mesmo tempo, explosivo. Elé é Aldir Blanc, um nome marcante da cena cultural do Rio de Janeiro e da Música Popular Brasileira. ALDIR BLANC - DOIS PRA LÁ, DOIS PRA CÁ, documentário inédito dirigido por André Sampaio, Alexandre Ribeiro de Carvalho e José Roberto de Morais, retrata a trajetória dessa figura tão querida e influente no meio artístico. É a atração da série especial BRASIL IMAGINÁRIO que vai ao ar pela Rede Pública de Televisão na faixa DOC. TV do sábado, 14 de agosto, às 21 horas. A série é resultado do 1º DOCTV - Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro.
Em tom de merecida homenagem, o documentário é pontuado pela narração do próprio Aldir. Ele conta a sua história, destrinchando o fio de sua memória. Imagens produzidas ou pesquisadas em arquivos domésticos, oficiais, afetivos e profissionais ilustram as passagens inesquecíveis, contando sempre com o auxílio fundamental dos amigos e parceiros: Mello Menezes, Guinga, João Bosco, Sueli Costa, Moacir Luz e o célebre Ceceu Rico, pai do personagem.
ALDIR BLANC - DOIS PRA LÁ, DOIS PRA CÁ - O DOCUMENTÁRIO
Em evidente busca da síntese, o filme desfila quatro décadas de militância de Aldir Blanc na vida cultural do Rio de Janeiro e do país. A infância e adolescência entre os bairros do Estácio e Vila Isabel, ambos na Zona Norte do Rio de Janeiro e, respectivamente, berço de bambas como Ismael Silva e do mito Noel Rosa.
As primeiras incursões nos ensaios na quadra do Salgueiro e os blocos de carnaval do Estácio, subúrbio da cidade. Os saraus de música e poesia nas noites de verão em Paquetá e a participação nos festivais da canção no final dos anos 60 e início dos 70. Mostra também os encontros musicais do chamado Movimento Artístico Universitário (M.A.U.) e a atuação de Aldir Blanc na luta pelos direitos autorais no Brasil.
O documentário registra ainda a participação do músico e poeta na imprensa, especialmente no semanário Pasquim, levado pelo amigo Henfil. As relações com a censura no período da ditadura militar e a questão da Anistia, tendo como exemplos as composicões "O Mestre Sala dos Mares" e "O Bêbado e a Equilibrista". Enfim, o vídeo destaca a obra de Aldir Blanc, espelhando a trajetória de um homem, da cidade e de seus habitantes. Um presente para o músico, compositor, cronista, jornalista, poeta e, sobretudo, letrista carioca. Um presente para o público.
ALDIR BLANC - TRAJETÓRIA
Aldir Blanc Mendes nasceu no bairro do Estácio na cidade do Rio de Janeiro, dia 2 de agosto de 1946. Começou a compor na adolescência, época em que também aprendeu a tocar bateria. Foi como baterista que tocou no Teatro Azul e participou do grupo Rio Bossa Trio, que, com a inclusão de seu parceiro Silvio da Silva Jr., passou a se chamar GB-4. Em 1966, ingressou na Faculdade de Medicina, onde se especializou em Psiquiatria.
Em 1968, sua composição "A Noite, A Maré e O Amor "(parceria com Silvio da Silva Jr.) foi uma das classificadas no III Festival Internacional da Canção (FIC). No II Festival Universitário de MPB (FUMPB), no Rio de Janeiro (RJ), em 1969, classificou três músicas: "Nada Sei de Eterno" (parceria com Silvio da Silva Jr.), interpretada por Taiguara; "Mirante" (parceria com Cesar Costa Filho), interpretada por Maria Creuza, e "De Esquina em Esquina" (com Cesar Costa Filho), interpretada por Clara Nunes. Em 1970 classificou "Diva" (parceria com Cesar Costa Filho) no V FIC, e "Amigo é Pra Essas Coisas" (com Silvio da Silva Jr.) no III FUMPB. Nessa época integrou o Movimento Artístico Universitário (MAU) com seus amigos de bairro: Cesar Costa Filho, Gonzaguinha, Ivan Lins e Marco Aurélio. O MAU pretendia maior divulgação da música brasileira.
Ainda em 1970, conheceu João Bosco, um de seus parceiros mais importantes e com quem conheceu os primeiros sucessos. Em 1971, Elis Regina gravou "Bala com Bala", primeiro sucesso da dupla. Em 1972, lançaram "Agnus Sei" , interpretada e acompanhada ao violão por João Bosco, no primeiro Disco de Bolso, do semanário O Pasquim. Em 1973, foi lançado pela RCA um LP em que João Bosco interpreta composições da dupla. Em 1974, Elis Regina lança outro LP pela Philips, incluindo novas composições da dupla: "O Mestre-Sala dos Mares"; "Dois Pra Lá, Dois Pra Cá" e "Caça À Raposa" .
Ainda em 1974, Aldir Blanc foi um dos fundadores da SOMBRÁS, entidade destinada a defender compositores e direitos autorais. Em 1975, saiu pela RCA o LP "Caça à Raposa", de João Bosco, com "De Frente pro Crime" , "Kid Cavaquinho" e outras, além daquelas lançadas por Elis Regina, que também gravou um dos maiores sucessos da dupla: "O Bêbado e a Equilibrista", em 1979.
Abandonou definitivamente a Medicina em 1973 e fundou, em 1979, a Sociedade do Artista e Compositor Independente (SACI). Em 1983, rompeu sua parceria com João Bosco. Com sua criatividade, riqueza e fluidez verbal, nem sempre é fácil encontrar um compositor que se adeqüe à poesia de Aldir. Teve vários outros parceiros, como, por exemplo, Maurício Tapajós, com quem compôs a bela "Querelas do Brasil", entre várias outras obras. Foi ainda com Maurício Tapajós que Aldir se aventura como intérprete num LP independente (hoje raro), em 1984.
Outros parceiros constantes de Aldir são Moacyr Luz e Guinga. Leila Pinheiro grava, em 1996, o disco "Catavento e Girassol", exclusivamente com composições da dupla Guinga/Aldir Blanc. Ainda em 1996 foi lançado o disco comemorativo "Aldir Blanc - 50 Anos", com diversas participações especiais. Nessa época, foi convidado por Marcelo Vianna, neto de Pixinguinha, para colocar letra em quatro músicas inéditas do avô.
Aldir Blanc é também autor de livros, entre eles: "Rua dos Artistas e Arredores" (1979), "Brasil Passado a Sujo" (1993), "Vila Isabel - Inventário de Infância" (1996) e "Um Cara Bacana na 19 ª" (1996).
Ficha Técnica - Aldir Blanc - Dois Pra Lá, Dois Pra Cá - 2004 - Pesquisa, Produção, Roteiro Final e Direção: Alexandre Ribeiro de Carvalho, André Sampaio e José Roberto de Morais; Produção Executiva: Gabriela Gusmão; Fotografia e Câmera: Fabrício Tadeu; Montagem e Desenho de Som: Severino Dadá.; Efeitos Sonoros: Geraldo José; Captação, Edição e Mixagem de Som: Luís Eduardo Gomes; Co-produção: André Sampaio / Inventarte / TVE - Rede Brasil / TV Cultura de São Paulo. Duração: 55 minutos.