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Educação a Distância na universidade do século XXI PGM 3 - Texto 2 - Orientação acadêmica e tutoria nos cursos de graduação a distância |
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Messias Gilmar de Menezes *
A TUTORIA NO CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO BÁSICA DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO ABERTA E A DISTÂNCIA - NEAD/UFOP Introdução
Em 12 de abril de 2000, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) aprovou a institucionalização do Núcleo de Educação Aberta e a Distância (NEAD), ao mesmo tempo em que aprovou o projeto de implantação do Curso de Licenciatura em Educação Básica Anos Iniciais, na modalidade a distância (Resolução CEPE n.º 1705/2000). Em maio do mesmo ano, foi iniciado o processo de formação dos tutores de três pólos regionais que, a partir de setembro, passaram a ofertar o referido Curso de licenciatura aos professores pertencentes às redes municipais conveniadas com a UFOP, para estruturação dos pólos. Assim fazendo, a UFOP assumiu, em Minas Gerais, a iniciativa de formação de professores na modalidade a distância, ao mesmo tempo que se inseriu no rol das instituições que se propõem a contribuir efetivamente para a melhoria da qualidade do ensino nas séries iniciais do Ensino Fundamental1. O NEAD foi estruturado visando atender aos seguintes objetivos: democratizar o acesso à educação de qualidade; oferecer cursos a distância nos níveis de graduação, pós-graduação, extensão e educação continuada. O Programa de Licenciatura em Educação Básica tem se constituído, entretanto, na atividade principal do Núcleo, congregando uma equipe multidisciplinar da UFOP para o seu desenvolvimento. Atualmente, o programa conta com 13 pólos em funcionamento em Minas Gerais, congregando 87 municípios que, geograficamente, se dispõem desde o Vale do Jequitinhonha e Rio Doce, passando pela região central, indo até a Zona da Mata mineira, envolvendo 3.727 licenciandos (fig.1).
O sistema de educação a distância estruturado para atender ao curso em questão foi pensado em termos de rede, na qual figuram sub-sistemas: gestão, tutoria, comunicação, material didático, operacional, avaliação, integração de tecnologias, apoio aos tutores. A tutoria constitui uma componente de fundamental importância no desenvolvimento do programa e uma das principais causas da baixa evasão que vem sendo constatada junto aos pólos e cuja média está em torno de 3,2%. Ela não é compreendida apenas como uma peça de um sistema, cuja função principal é possibilitar a mediação entre o estudante e o material didático de curso, ou, ainda, como um facilitador de aprendizagem ou animador. A tutoria é compreendida, isto sim, como um dos elementos do processo educativo que possibilita a (res)significação da educação a distância, principalmente em termos de possibilitar, em razão de suas características, o rompimento da noção de tempo/espaço da escola tradicional: tempo como objeto, exterior ao homem, não experiencial. Se o tempo e o sujeito constituem-se mutuamente, o tempo é o tempo do sujeito (Neder, 1999)2. A tutoria traz a possibilidade de se garantir o tempo como o tempo de cada um, na perspectiva do respeito às diversidades e singularidades de grupos e/ou indivíduos. No NEAD/UFOP, o sistema de tutoria está organizado em dois níveis: especialistas e orientadores acadêmicos. A formação do professor-especialista e do orientador acadêmico Como presença humana, que se posiciona entre o material didático das disciplinas e o aluno, e tendo sido formado em sistemas educativos convencionais, tanto o Especialista quanto o Orientador Acadêmico são preparados para desempenhar as funções dentro do sistema de EAD. A Educação a Distância como prática mediatizada, conforme Preti (1996, p. 27)3, carece de um novo tipo de educador (grifos do autor) que vai atuar a distância: os tutores. Assim sendo, a organização de um sistema de Educação a Distância é mais complexa, exigindo não só a preparação de material didático específico, mais adequado à modalidade a distância e no acompanhamento e avaliação, como também da preparação daqueles que irão nele atuar. Os professores-especialistas são responsáveis pelas áreas de conhecimento do Curso de Licenciatura. São professores lotados nos diferentes departamentos das unidades de ensino da UFOP, possuindo formação em nível de mestrado ou doutorado em suas áreas específicas. Ao se integrarem à equipe multidisciplinar do NEAD/UFOP, o tutor-especialista, que não possui experiência em EAD, inicia seu percurso nessa modalidade com a ajuda da diretoria pedagógica e dos colegas tutores com os quais passa a conviver quase que diariamente. As reuniões quinzenais, feitas com toda a equipe do NEAD, permitem que os Especialistas tomem conhecimento da dinâmica de funcionamento dos pólos nos quais irão atuar. Para a aquisição dos fundamentos teóricos da EAD, os Especialistas recorrem à biblioteca que o NEAD vem estruturando ao longo dos anos. Os tutores-orientadores acadêmicos, por sua vez, são tutores locais, que moram nas cidades de origem dos licenciandos. São professores das redes municipais de ensino das regiões/pólos envolvidas no projeto, sendo escolhidas através de um processo de seleção que leva em conta alguns critérios. O candidato deverá: a) residir na região/pólo onde se desenvolve a licenciatura; b) possuir licenciatura plena; c) apresentar disponibilidade para viajar até os municípios de seu pólo onde há licenciandos participantes da licenciatura; d) apresentar disponibilidade para se dedicarem, em tempo exclusivo, ao cumprimento das tarefas que compõem a sua atividade; e) demonstrar possuir os conhecimentos básicos exigidos de um orientador acadêmico. f) aceitar participar, como cursista, de uma Especialização Lato Sensu em Educação a Distância e de seis cursos de aperfeiçoamento. O orientador desempenhará funções no âmbito do processo de ensino-aprendizagem e da avaliação curricular. Com relação à primeira dimensão, o orientador acadêmico terá como funções: a) auxiliar os licenciandos na análise e entendimento dos objetivos do curso e de estruturação (educação a distância); b) orientar os licenciandos individualmente ou em pequenos grupos, identificando as suas dificuldades de aprendizagem e auxiliando-os na superação das mesmas; c) orientar os licenciandos na utilização da biblioteca do Centro de Apoio; d) incentivar os licenciandos a consultar bibliografia complementar aos textos didáticos de base; e) detectar problemas dos licenciandos que afetem seu desempenho no cursos e auxiliar na busca de soluções para os mesmos; f) realizar, em conjunto com seus pares, atividades que contribuam para o desenvolvimento do curso; g) contatar os especialistas e/ou coordenadores de pólos quando necessitarem de orientações de ordem pedagógica ou administrativa-acadêmica do pólo; h) auxiliar os licenciandos em sua auto-avaliação; i) participar do processo de avaliação de desempenho dos licenciandos; j) em conjunto com seus pares, organizar e manter em ordem os registros acadêmicos, o patrimônio e a biblioteca do pólo; k) participar da organização e desenvolvimento dos Seminários Temáticos e Atividades Práticas de Ensino. Com relação ao processo da avaliação curricular, o orientador acadêmico terá como funções: a) avaliar, com base nas dificuldades dos alunos, os materiais instrucionais utilizados no curso; b) indicar falhas na orientação acadêmica e na orientação dos especialistas, sugerindo estratégias para a melhoria de sua eficácia; c) sugerir apoios complementares não previstos no projeto; d) participar do processo de avaliação do curso. Cada Pólo conta com uma equipe de orientadores acadêmicos numa relação de 20 a 25 alunos por orientador. A contratação dos orientadores selecionados é de responsabilidade das Secretarias Municipais de Educação. O primeiro desafio que a equipe de tutores enfrentou foi introduzir esta nova modalidade de educação e, ao mesmo tempo, experimentar o processo de autoformação em EAD, que só foi possível porque a equipe se mostrou sempre aberta ao diálogo e a construir caminhos trabalhando de maneira cooperativa e solidária. No curso de especialização destinado à formação dos orientadores acadêmicos, cada disciplina teve um primeiro momento a distância, em que o estudante estudou o material específico acompanhado de um guia didático, no qual desenvolveu diferentes atividades ali propostas. Foram construídas sínteses e diários de leitura, em que apresentaram esquemas de compreensão e de aplicação dos conteúdos e também as dificuldades de entendimento encontradas. Neste momento a distância, o cursista pôde contactar o tutor utilizando o correio, fax, telefone ou internet seja para tirar dúvidas, seja para encaminhar trabalhos. Num segundo momento, com a presença do tutor, responsável pela criação dos contextos de aprendizagens, os alunos puderam apontar seus avanços e dificuldades e, também, sugestões quanto à disciplina e às atividades propostas, o que se mostrou um importante subsídio para futuras reformulações. O diálogo entre tutores e entre tutores e licenciandos No curso de Licenciatura em Educação Básica, a efetivação do diálogo é estabelecida pela relação dos especialistas e orientadores acadêmicos e entre estes e os licenciandos, num movimento seqüencial e em série, que constitui dois momentos de orientação, acompanhamento e avaliação. Esta relação dialógica é que garante uma eficiência e especificidade da modalidade a distância, ressaltadas por Sebastián Ramos (1990)4, ao dizer que se espera deste novo educador uma atividade orientadora capaz de estimular, motivar e ajudar o aluno, além de estimulá-lo à responsabilidade e à autonomia; um comportamento facilitador do êxito. Após a distribuição, pelo especialista, dos materiais de ensino acompanhados de um guia de estudos aos orientadores acadêmicos, há um encontro entre eles na cidade-pólo. Os orientadores acadêmicos, que já leram e executaram todas as atividades propostas no guia didático, trazem para o especialista questões relativas à orientação que será repassada aos licenciandos. Aqui foi observado, a princípio, uma forte tendência dos tutores de se comportarem como professores convencionais, isto é, com tendência a substituir este momento de diálogo – em que se oportuniza o conhecimento das características e necessidades do alunado, para que possam ser aprimoradas em conjunto as técnicas específicas do modelo, desenvolvendo atitudes orientadoras mais adequadas à realidade – por aulas expositivas. O que é até esperado, uma vez que os tutores envolvidos, tanto especialistas quanto orientadores acadêmicos, tiveram sua formação dentro da modalidade presencial, em que o conhecimento está centrado na figura do docente que expõe o conteúdo a seus alunos. Porém, é justamente na caminhada, no percurso, que os tutores puderam reconhecer suas limitações, falhas e desvios e compreenderam a importância de estarem abertos ao diálogo. É neste encontro presencial que são levantados os critérios que balizarão o acompanhamento dos licenciandos pelos orientadores acadêmicos, são propostas dinâmicas e leituras complementares e é incentivada a formação de grupos de estudos. Já ficam sinalizados, aqui, os critérios que devem ser utilizados na avaliação do licenciando pelo orientador acadêmico. Esta prática tem trazido, como conseqüência positiva, um baixo índice de evasão dos alunos, não atingindo os 3,2%, pois o contato entre licenciandos, motivado e animado pelo tutor, minimiza o fator isolamento tão comum na modalidade a distância. Da mesma maneira, quando os orientadores acadêmicos se encontram com os alunos, que em média são em número de 25 para cada orientador, inicia-se novo diálogo, no qual ao mesmo tempo em que há uma preocupação por parte do orientador em motivar, estimular e promover dinâmicas que favoreçam o entendimento da matéria, há a preocupação em detectar as dificuldades e necessidades do alunado. É daí que advêm as propostas que chegam aos especialistas e à coordenação pedagógica do curso, e que servem de base para as reformulações dos materiais e técnicas, buscando adequar a modalidade à realidade à qual ela está sendo inserida. Conclusão No sistema de Educação a Distância usado para veicular o Curso de Licenciatura - Anos Iniciais do NEAD/UFOP, a tutoria aqui descrita é que garante uma inter-relação personalizada e contínua do aluno e viabiliza a articulação fundamental entre os elementos envolvidos no processo, que são necessários à consecução dos objetivos propostos. Estamos caminhando e construindo um subsistema de tutoria, a partir das práticas implementadas, que tem evoluído além da assistência ao licenciando, visando atingir uma abordagem pedagógica centrada no ato de aprender e na autonomia do estudante, buscando uma comunicação cada vez mais ativa e que reflita, antes de mais nada, a realidade e contexto nos quais se acham inseridos o trabalho e os alunos de nossos licenciandos-trabalhadores.
NOTAS:
* Depto. de Geologia/Escola de Minas/UFOP. DEGEO/ E. de Minas/UFOPmessias@degeo.ufop.br Especialista em Educação em Geociências - UNICAMP; Mestre em Geologia Econômica – UnB. Coordenador do Pólo de Nova Era. Especialista da área de ciências da natureza junto ao NEAD/UFOP. 1 VILA, M.C & SOUZA, M. S. NEAD: uma experiência em educação a distância na UFOP. Doc. Interno, 2001. 2 NEDER, Maria Lúcia Cavalli. A Formação do Professor A Distância: Diversidade como base conceitual. UFMT/IE : Cuiabá, 1999 (Tese de Doutorado). 3 PRETI, Oreste. Educação a distância: uma prática educativa mediadora e mediatizada. In: Educação a distância: indícios de um percurso. Cuiabá, 1996. 4 RAMOS, Araceli Sebastian. Las funciones docentes del profesor de la UNED: programación y evaluación. Madrid:ICE/UNED,1990.
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