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1.
Justificativa
Ana
Rosa Abreu*
O
uso de materiais didáticos em sala de aula sempre causa uma série de polêmicas,
seja o livro didático, calculadora, internet, material dourado etc.
Sabemos que o material, qualquer que seja ele, não promove nenhum
milagre, é necessário considerá-lo no contexto do ensino e da
aprendizagem das áreas e da proposta pedagógica assumida pela escola.
Muitas vezes os professores reclamam por não terem materiais, porque eles
são caros... Quais materiais são de fato importantes e essenciais?
Outras vezes as escolas investem na compra de materiais e, depois, os
professores não sabem como utilizá-los ou simplesmente não encontram os
resultados esperados. O mesmo acontece com os livros didáticos, que estão
passando por muitas alterações em sua concepção, o que muitas vezes
tem dificultado sua utilização pelos professores.
É importante que se tenha clareza de que as propostas de uso de materiais
pedagógicos estão sempre relacionadas a uma determinada concepção de
como os alunos aprendem e qual é a função do professor neste processo.
Com a difusão das idéias da Escola Nova, de acordo com as quais as crianças
são vistas como sujeitos ativos, que têm uma forma de pensar diferente
do adulto, muitos materiais foram criados para apoiar suas aprendizagens.
Acreditava-se que era necessário atuar fisicamente sobre materiais para
que, depois, fosse possível abstrair um conhecimento para ser
generalizado. Nestas propostas pedagógicas surgiram, por exemplo, até a
prática de reconhecer as letras em diferentes materiais (ásperos, lisos,
etc.) para que, depois, os alunos pudessem se alfabetizar. Com a evolução
destas idéias para a perspectiva sócio-construtivista, que considera a língua
escrita como objeto social e sobre o qual as crianças constroem
conhecimentos, recupera-se a importância dos textos, dos livros, dos
jornais etc., como materiais fundamentais para que o processo de
alfabetização possa acontecer.
Também estreitamente vinculada a uma concepção de aprendizagem, vimos a
cartilha e os outros livros didáticos na escola explicitarem uma visão
tecnicista do ensino. Isto é, com a seqüência de tarefas postas pelos
livros, os alunos iriam percorrer o trajeto “correto” para suas
aprendizagens. Aqui o enfoque é no ensino e não nas aprendizagens, está
na técnica e não na interação entre os alunos e os objetos de
conhecimento.
O que está colocado para nós, atualmente, é o diálogo entre o ensino e
as aprendizagens como dois processos distintos, mas que se articulam. O
professor precisa conhecer seus alunos e reconhecer seus processos de
construção de conhecimento, para que possa intervir e fazer com que suas
aprendizagens progridam.
Com as transformações nas propostas pedagógicas que vêm sendo
implementadas no país, hoje se tem mais claro o papel dos livros didáticos
e das cartilhas: estes estão mudando para que possam servir de apoio para
o professor e não para serem uma “camisa de força” para a sua atuação.
Também não se acredita que os livros didáticos possam substituir os
outros materiais, mas estes podem e devem ser trabalhados articuladamente.
Neste contexto, ainda surgem os computadores, que demandam dos professores
uma clareza de seu uso, seus potenciais e seus limites.
Esta série do Salto para o Futuro, Materiais pedagógicos, que será
apresentada de 25 a 29 de novembro, pretende abordar o uso de diferentes
materiais na sala de aula, qual a importância de cada um deles para as
aprendizagens almejadas, como se articulam com o livro didático e outros
materiais. Estas discussões são de fundamental importância para que os
professores possam tematizar a sua atuação em sala de aula e utilizar os
diferentes recursos de forma a potencializar as aprendizagens dos alunos.
O que costuma acontecer é que cada novidade é incorporada muitas vezes
de forma fragmentada e dissociada de uma proposta pedagógica coerente. É
importante trabalhar com a calculadora, internet, jornais, dicionários
etc., mas como? Cada material não traz em si toda a sua importância, é
preciso que o professor possa saber quais materiais, a necessidade de cada
um deles, como e para que utilizá-los. E, para isto, este assunto deve
ser um conteúdo presente nas ações de formação de professores.
A série vai tratar de materiais pedagógicos de maneira geral no primeiro
programa, depois vai abordar alguns temas das diferentes áreas de
conhecimento escolar, sempre buscando articular o uso do LD e a variedade
de materiais. Serão abordados o uso de diferentes tipos de textos e mesmo
do dicionário, os materiais da área de Matemática, as fontes de informação
e organização de conhecimentos para a pesquisa escolar e por fim a
Literatura, envolvendo também as bibliotecas.
Sobre a temática abordada em cada programa:
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