Equipe do Núcleo de Integração Universidade Escola,
da Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS - NIUE/UFRGS
O
domínio de diferentes códigos e linguagens, que permitam a interação
do estudante com múltiplas paisagens e grupos sociais, é um
diferencial na educação e
na própria constituição da cidadania. Neste sentido, a educação
contemporânea destaca a essencialidade da leitura e da escrita como
capacidades para interpretar e compreender as diversas manifestações
socioculturais, no contexto identitário dos sujeitos.
Esta
é uma meta a ser alcançada pelas diferentes áreas do conhecimento,
através da expansão do conceito de leitura e de escrita, ao
transgredir o senso comum dos conhecimentos escolares. Tal expansão
deriva da compreensão de que ler e escrever não se instituem como
meros instrumentais de codificação e decodificação dos signos
alfabéticos, mas são inseridos num universo mais amplo de
possibilidades onde, como afirma Freire (1993),
...a leitura do mundo precede a leitura da palavra, e a
leitura desta implica a continuidade daquela. Decorre desta
compreensão a possibilidade de abordar neste texto o que significa
ler e escrever em áreas do conhecimento que, usualmente, não têm
sequer a leitura e a escrita da língua materna como sua especificidade:
Arte, Ciências e Geografia.
A
tradição escolar das Ciências e da Geografia, por exemplo,
vincula-se à descrição repetitiva do texto e da imagem; as aulas de
Arte permanecem como “atividades do fazer gráfico/plástico” de
crianças e adolescentes, dominantemente afastadas da produção da
arte no mundo, isto é, excluindo os estudantes da experiência com a
arte produzida, “da leitura do mundo da arte”. Soma-se a
este afastamento, a contínua exclusão das imagens das mídias
presentes na realidade como repertório a ser considerado, bem como a
produção plástica de grupos sociais territorialmente afastados,
socialmente excluídos ou desconsiderados, minoritários ou
dominados.
Torna-se
urgente pensar sobre o que é ensinar para alunos que nasceram e
que vivem na “época das incertezas”, num mundo em
constante transformação. É preciso que nós, professoras e
professores de diferentes áreas do currículo escolar, pensemos sobre
o que é ler e escrever hoje. De que leitura e que escrita falamos?
Que textos podem ser lidos e/ou escritos nas diferentes áreas do
conhecimento? O que entendemos por texto?
Usualmente
realizamos a leitura de textos publicados em revistas e jornais sobre
assuntos variados, que envolvem o ambiente, a saúde, notícias sobre
a “descoberta” de uma substância nova, por exemplo, na área das
Ciências. Na área da Geografia são leituras de textos que tratam de
ocupações e disputas territoriais, crises econômicas e culturais,
desastres ambientais. Em relação às aulas de Arte, até muito
recentemente a leitura restringia-se, quando existia, a aspectos
vinculados à história da arte, uma vez que o domínio desta área
era caracterizado pelas práticas do ateliê.
A
leitura dos textos e dos livros didáticos é a fonte para a resolução
de um questionário, para estudar para a prova ou para a pesquisa e
realização de um trabalho escolar. Tais textos, utilizados como
fontes de informação, podem ser pensados a partir do que Larrosa
(1999, p. 177), em seu livro Pedagogia
Profana diz:
Na
leitura da lição não se busca o que o texto sabe, mas o que o
texto pensa. Ou seja, o que o texto leva a pensar. Por isso, depois
da leitura, o importante não é que nós saibamos do texto o que nós
pensamos do texto, mas o que – com o texto, ou contra o texto ou a
partir do texto – nós sejamos capazes de pensar.
Os
textos, portanto, podem ser utilizados para que alunos e alunas e nós
mesmos possamos pensar/falar/escrever sobre o sentido daquilo que
produzem. Mas é possível lermos de um outro jeito? É possível ler
o que as imagens que compõem o livro nos permitem pensar e escrever,
considerando a imagem como um texto indispensável para a leitura nas
diferentes áreas, no caso presente Ciências, Geografia e Arte?
Nos
últimos vinte anos, o conceito de leitura vem sendo crescentemente
usado em Arte, Ciências e Geografia, no sentido que também imagens e
não apenas palavras podem ser lidas e, conseqüentemente,
consideradas “um texto”. Não restringir a leitura à palavra
evidencia a expansão do conceito, das linguagens e das finalidades,
envolvendo todas as leituras e escritas que um indivíduo faz durante
sua vida, tal como Paulo Freire enfatizou em sua obra.
Ler
e escrever em Arte
Desde
o final da década de 80, o conceito de leitura vem sendo incorporado
ao ensino da Arte através da disseminação das idéias de Ana Mae
Barbosa, apresentadas sob a denominação de “abordagem
triangular”. Esta abordagem fundamenta-se na concepção de que a
arte não é somente expressão, mas é conhecimento e seu ensino,
conseqüentemente, exige mais do que a exclusiva prática de ateliê.
Exige a articulação de três eixos – a produção, a leitura e a
contextualização – que correspondem às relações que as
pessoas estabelecem com a arte na realidade: produzir, apreciar e
julgar suas qualidades e entender o lugar que a produção artística
ocupa em diferentes tempos e espaços ao longo da história.
Autores
como Robert Ott, Abigail Hausen, Parsons, Ragans e Saunders1
trataram da leitura de obras de arte, mas o mais conhecido no Brasil
é Edmund Feldman, que também entende a leitura em arte como “um
processo de compreensão”.
De
acordo com Feldman, as crianças pequenas consideram que as imagens são
para serem olhadas e não podem ser lidas, ou seja, texto e imagem são
diferentes e apenas o primeiro permite o ato da leitura. Entretanto os
artistas, os críticos de arte e os publicitários, que compartilham o
cotidiano com a imagem, realizam constantemente e conscientemente
leituras destes objetos.
A
leitura da imagem é uma
atividade simbólica que supõe compreensão, apreensão de informações,
seletividade e reconstrução da imagem/objeto, com a mesma importância
da produção artística na
construção do conhecimento porque
possibilita interpretar as imagens. Não significa decifrar,
mas decompor-recompor para apreender a imagem como fonte de
conhecimento, de informação, de explicitação de idéias e
conceitos.
Quatro
estágios ou etapas, não evolutivos mas simultâneos, são propostos
por Feldman para a leitura da imagem.
O
estágio da descrição envolve uma listagem de tudo o que se vê na
obra –imagem/objeto – por meio de uma observação atenta e
objetiva dos elementos que a compõem. Inclui a identificação do
trabalho, quem o produziu, local, época, linguagem e material
utilizado, dimensão. Não inclui expressões de ponto de vista:
harmonioso, elegante, bem sucedido, inadequado, sutil...
Tomando
por exemplo a conhecida obra de Portinari, “Os retirantes”,
Kerwald (1998) assim organiza este estágio:
“O
que você vê nesta imagem? Quantas pessoas? Que outros elementos?
Que cores você vê? Que texturas estão presentes”?
O
estágio da análise busca as relações criadas entre os elementos
formais e princípios compositivos da imagem, como elas se relacionam,
se influenciam, estão dispostas: volume x
espaço, figura x fundo, claro x escuro, as diferentes combinações
visuais criadas. Seguindo a proposição de Kehrwald (1998), é possível
aguçar o olho do aluno através das perguntas: “Você identifica
movimento na obra”? Há uma figura central? Há algum elemento de
desequilíbrio? Como é o tratamento da cor em relação às
formas? Tem contraste, volume? Como é o fundo?
O
estágio da interpretação busca encontrar o significado da imagem
pela atribuição de sentido ao que foi observado anteriormente,
organizando as observações de modo significativo ao relacionar idéias
que explicitam sensações e sentimentos vividos diante de uma imagem.
Na
obra de Portinari, a imaginação poderia ser “estimulada” por
perguntas como: Que sentimentos “Os retirantes” motivaram? A
realidade expressa na obra é a mesma de hoje? Que semelhanças e
diferenças são possíveis de identificar no ontem da obra e no hoje?
O que poderíamos fazer para mudar a situação atual? A arte pode
ajudar?” – propõe a autora.
Para
Feldman, este estágio é o mais difícil, o mais criativo e o mais
gratificante, sendo fundamental a tentativa de interpretar, mesmo que
provisoriamente, sem uma completa conexão com os fatos visuais. Isto
poderá ser alterado posteriormente, buscando suporte na experiência
artística, no conhecimento da história da arte, nos contextos da
produção.
O
estágio do julgamento envolve a decisão acerca da qualidade de uma
imagem, uma das questões centrais da crítica de arte e que nem
sempre é consensual entre as autoridades. O julgamento da excelência
de um trabalho requer o conhecimento dos fundamentos que críticos
experientes expõem a respeito de certas obras.
Este
estágio, em relação à obra tomada como exemplo,
poderia ser motivado com um diálogo que considerasse: “Você
acha que a obra é importante? Por quê? Por que Portinari a pintou?
Por que as pessoas querem ter obras de arte? Elas são importantes?
Que outras obras ou objetos você conhece que têm algo semelhante com
a obra de Portinari?”
Esta
leitura da obra de Portinari permite estabelecer relações com outros
textos de linguagens diferentes, mas que abordam semelhante temática.
As fotografias de Sebastião Salgado, igualmente conhecidas, são um
exemplo desta possibilidade, bem como as músicas antológicas de Luiz
Gonzaga, buscando desmistificar a “figura indolente do nordestino”
diante da riqueza “doada” pelos sulistas.
Nesse
contexto, a leitura é tratada como um modo de questionamento, de
investigação, que estrutura as situações de sala de aula de
maneira a tornar os estudantes conscientes da natureza dos problemas
apresentados nos trabalhos de arte, oportunizando-os a pensar sobre
certos conceitos, habilidades, atitudes e hábitos, e a adquirir
informações que fazem a arte significativa na nossa vida.
O
ensino da Arte que valoriza e centraliza o ler e escrever em múltiplas
linguagens tem apresentado experiências valiosas que consideram como
objeto de leitura as mais variadas produções culturais de diversos
grupos sociais em diferentes tempos e lugares. A partir da leitura e
conseqüente compreensão ampla destas imagens/objetos, as interpretações
pessoais são “escritas”, isto é, expressas através da linguagem
da poesia, da fotografia, da escultura, da estamparia, da pintura, da
papelagem, da música, da dança. Esta leitura/escrita inclui a
compreensão de aspectos que ultrapassam o conhecimento e a produção
da Arte, relacionando-a com aspectos da vida que extrapolam fronteiras
disciplinares preestabelecidas.
Ler
e escrever em Geografia
Em
todo o momento de atividade mental acontece em nós um duplo fenômeno
de percepção: ao mesmo tempo que temos a consciência dum estado
de alma, temos diante de nós, impressionando-nos os sentidos que
estão virados para o exterior, uma paisagem qualquer, entendendo
por paisagem, para a conveniência de frases, tudo o que forma o
mundo exterior num determinado momento da nossa percepção.(Fernando
Pessoa: O cancioneiro)
A
imagem descrita por Pessoa nos ajudará a pensar o ler e escrever em
Geografia. Desejamos desafiar a prática da Educação a partir da
leitura da imagem - analisar/produzir sentido para a paisagem2,
interagir com textos escritos em língua materna sobre os temas
envolvidos (na imagem) e escrever a partir destas operações.
A
questão agrária no Brasil, por exemplo, é tema que as aulas de
Geografia não podem esquecer. Infelizmente o assunto é trabalhado de
uma forma “higienizada”, isto é, “objetivada” por dados
“neutros” – matemáticos e estatísticos entre outros. Este
recurso de objetivação também é muito utilizado na escola nos
conhecimentos de Química, Física e Biologia. A Geografia tem,
tradicionalmente, privilegiado, em sala de aula, entender o mundo como
algo sem paixão. A realidade da população é expressa em números,
tabelas e pirâmides. Os países e suas divisões internas,
continentes e blocos regionais são transformados em dados (pilhas de
informações), que distanciam alunos e alunas do pensar/imaginar
pessoas diferentes vivendo nestes espaços. Rir, sofrer, amar,
interpretar, julgar e sonhar não são ações incluídas no estudo
dos grupos sociais e seus espaços geográficos, abordados na sala de
aula.
No
entanto, o poeta Fernando Pessoa nos lembra que o espaço do mundo
convive com “um estado de alma”. Ser negro e pobre no Brasil é
olhar o mundo e viver em parte dele da mesma forma que um branco de
classe média? Quantas perguntas como essas podemos fazer quanto ao
imenso universo que temos na sala de aula, formado por meninos/as; católicos/as
carismáticos/as, umbandistas, crentes, cardecistas, trabalhadores/as
rurais, operários/as, biscateiros/as, punk’s, hip-hops, sertanejos,
enfim, muitos adjetivos, muitas formas de ser nos espaços, de fazer
espaços e de olhar espaços? Os “adjetivos” são explicados por
valores de ser no(s) mundo(s), o “estado de alma”, nas palavras do
poeta. Nesse sentido, a expressão do poeta poderia ser interpretada
pela prática pedagógica como formas (valores/subjetividades) de
viver/ver e/ou (re)construir o(s) espaço(s)3.
Assim,
falar da Europa pode significar muitas Europas, considerando quem está
em sala de aula e quais subjetividades estão presentes nestes
estudantes, vistos como pessoas que vivem esses valores. Por que
sempre o país da Copa do Mundo do momento tem significado especial
para alunos e alunas que acompanham a competição? A prática tão
usual de tematizar as áreas do conhecimento no mês da Copa a partir
do próprio evento e do país onde ele ocorre, é indicativa da
necessidade de os professores de Geografia levarem em consideração
os valores/subjetividades (“estado de alma”) dos alunos em suas práticas
pedagógicas cotidianas.
Entre
as propostas pedagógicas em debate atualmente, que problematizam
“tradições” escolares como a do exemplo acima, cabe ressaltar a
posição de alguns educadores que defendem a atuação do professor
como intelectual. Essa atuação pode ser exemplificada em atividades
de aula envolvendo a leitura de paisagens em imagens de jornal. O/a
professor/a poderá explorar com os estudantes os diferentes elementos
que constituem uma imagem, as relações entre os atores sociais com o
lugar ou a cena da imagem, mostrando que, muitas vezes, os atores
fazem parte da paisagem, examinar a postura e seus corpos, o
significado e seus gestos e o que representam. Trata-se de aproximar a
geografia escolar ao exercício de entender as paisagens como
possuidoras de significados simbólicos, como resultantes de apropriações,
criações e transformações. Nas palavras de Cosgrove (1998) as
paisagens aguardam decodificações. Imagens são “instrumentos”
para provocar alunos e alunas a lerem e escreverem sobre os múltiplos
significados das paisagens simbólicas, isto é, ler e escrever o
mundo também nos seus “estados de alma”.
Ler e
escrever em Ciências
Diante
das idéias apresentadas anteriormente, destacam-se duas práticas de
leitura/escrita no ensino de Ciências.
A
primeira delas diz respeito à análise (leitura) de um livro didático.
Ao invés da prática convencional de uma leitura dos conteúdos ali
explicitados, é possível realizar a leitura das representações de
homem e de mulher ali contidas. Tomando por exemplo os “exercícios
de revisão” de um livro, usualmente adotado na 8ª série do Ensino
Fundamental, vê-se o seguinte enunciado: “Numa manhã de sol, Aline
encontra-se com a beleza de uma rosa vermelha. A rosa parece vermelha
porque: ...” e seguem-se quatro alternativas possíveis. Os demais
exercícios, quando apresentam ações realizadas por seres humanos,
falam “um caminhoneiro traçou o seguinte plano...”, “um homem
puxa com uma corda uma massa de 20 kg..., “um atleta, de 60 kg, no
salto com vara....” O único exercício que traz uma mulher como
executora de uma ação a coloca num cenário “romântico”, junto
a uma rosa vermelha, numa manhã de sol; mulheres e flores... “uma
flor para outra flor”, expressão muitas vezes dita por um homem
quando oferece uma flor a uma mulher...; “numa mulher não se bate
nem com uma flor”, expressão popular que se posiciona em relação
à violência praticada contra as mulheres. Mulheres e flores, nos
ditos populares e também nos livros didáticos são imagens
engessadas por determinados estereótipos. Da mesma forma, é possível
ler o modo como pessoas brancas e negras ou a natureza são
representadas nos livros didáticos.
Outra
prática com possibilidade de leitura diz respeito à análise crítica
de textos publicitários, contendo apenas imagem, apenas texto ou
ainda imagem e texto escrito, buscando ver o que eles nos ensinam a
respeito do ambiente natural. Para tanto, é preciso admitir que a
publicidade ensina às pessoas o que elas devem querer, de que
precisam, o que devem ter, desejar, pensar e fazer para serem felizes
e bem sucedidas e, freqüentemente, utilizam a ciência, ou a idéia
que temos a respeito do que é ciência, para garantir a
confiabilidade dos produtos oferecidos. Por exemplo, propagandas de
sabão em pó costumam apresentar a imagem de um cientista e/ou o nome
de uma substância química como forma de atribuir confiabilidade ao
produto.
Concluindo
Na
perspectiva contemporânea da educação, as diferentes manifestações
da cultura são elementos obrigatórios para a proposição dos currículos
escolares, pois representam relevantes e ricos aspectos da realidade
histórica, cultural e social. O conhecimento desta realidade exige a
ultrapassagem do sentido de leitura e escrita usual, oportunizando
formação para a participação política dos sujeitos pela construção
da consciência de mundo e de identidade. Assim, a leitura/escrita que
imperiosamente deve ser fortalecida no espaço escolar, inclui
diversas linguagens e códigos, as imagens entre eles, sejam elas da
arte ou da cultura de massa. Esta última constitui uma alternativa de
ampliação das possibilidades de interpretação e compreensão da
realidade, em diferentes tempos e espaços. Representa, ainda, uma
possibilidade para a construção da consciência, diante da avassaladora
capacidade de fomentar a total inconsciência do público de sua própria
manipulação, estimulada permanentemente através do apelo instantâneo
da indústria cultural, na qual poderosos grupos nacionais e transnacionais
impõem ideologias e modelos para atender a seus específicos
interesses.
Auxiliar
os alunos e alunas a perceber e negociar as complexidades destas influências
é compromisso de todas as áreas do conhecimento.
A
expansão da leitura/escrita para outros textos além dos textos
convencionais, implica reconhecer a existência de uma variedade
extraordinária de possibilidades, incluindo uma multiplicidade de
linguagens, objetos artísticos, imagens e imaginários, produzidos
por todas as culturas no passado e no presente. Exige, igualmente, uma
aproximação a este universo, desprovida de idéias, conceitos e
preferências (pré)-concebidas e/ou oficiais, com o objetivo de
apreender seus significados e o efeito que exercem sobre as nossas
concepções a respeito de nós mesmos e dos outros.
Autores
como Barbosa (1996; 1997), Efland (1998), e Hernández (2000),
sustentam que a construção da realidade, objetivo da educação, tem
o propósito de contribuir para o entendimento dos diferentes
panoramas sociais e culturais habitados por diferentes indivíduos. A
percepção humana que o indivíduo tem de si próprio permanecerá
incompleta, entretanto, se não pudermos entender que cada um de nós é
o outro de um outro, assegura Efland (1998). Assim, o conhecimento
e o entendimento da cultura e da realidade, nossa e do outro, são
desejáveis e possíveis através das múltiplas leituras e escritas
que objetivam superar limites e restrições, concorrendo para um
mundo mais justo e solidário.
Referências
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Tópicos utópicos.
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Belo Horizonte: Autêntica, 2000.